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11/10/2026

Ataque ao aeroporto de Riade, na Arábia Saudita

O Médio Oriente continua em guerra. E quando pensamos que os ânimos começam a acalmar-se, eis que há um novo e mortífero ataque ao aeroporto Rei Khalid, em Riade, do qual resultam 12 mortos e quase três centenas de feridos. Os mortos são oriundos de vários países, incluinto um norte-americano. Apesar dos Houthis não terem ainda reivindicado a autoria deste ataque, a verdade é que acabaram por assumir a autoria dos dois atentados da semana anterior ao mesmo aeroporto e já tinham feito avisos às companhias internacionais. Este ataque pode ter sido uma retaliação ao país, uma vez que a Arábia Saudita está a conduzir "uma campanha aérea contra os Houthis para apoiar a guerra terrestre do governo iemenita contra o grupo apoiado pelo Irão," dando ainda apoio militar no terreno.

Na semana anterior, este aeroporto tinha sofrido outros dois ataques que fizeram quatro mortos e provocaram "danos graves" numa "aeronave comercial saudita." Entretanto, a companhia nacional de aviação do Kuwait, anunciou "a interrupção das ligações com a capital saudita." 

"A coligação liderada pela Arábia Saudita" já afirmou que será dada "uma resposta firme, classificando o ataque como um crime grave contra infraestruturas civis."

Os Houthis, "também conhecidos como Ansar Allah," já fizeram saber que os ataques podem continuar, alertando para que "as companhias aéreas internacionais", evitem voar "através do espaço aéreo saudita, afirmando que a região se tornou palco das suas operações militares — com exceção do espaço aéreo sobre as cidades sagradas de Meca e Medina," os quais são considerados locais sagrados para os muçulmanos. O grupo político-militar do Iémen e que é "apoiado pelo Irão," controla uma "grande parte do norte do país, incluindo a capital, Sanaa," combatendo, desde há vários anos, "o governo iemenita reconhecido internacionalmente." 

Este ataque aumenta o risco de uma escalada do conflito. Hoje, um porta-voz do governo iemenita veio acusar o governo de Riade de um ataque aérea que atingiu uma casa na capital, Sanaa, e que resultou na morte de "uma criança" e em ferimentos em outras "seis pessoas." De acordo com a mesma fonte, "91 iemenitas foram mortos e 168 feridos" em ataques realizados pelo grupo liderado pela Arábia Saudita.

"A emissora Al-Masirah, controlada pelos houthis no Iêmen, relatou neste domingo um ataque que teria sido realizado pela Arábia Saudita contra o Aeroporto Internacional de Sanaa." A possibilidade de intervenção dos EUA, ponderada por Trump, pode vir a agravar a situação relativa à navegação na região do Golfo Pérsico.


11/09/2026

Acidente com autocarro na Suíça faz cinco mortos... e os 25 anos dos ataques aos EUA

Um acidente envolvendo um autocarro de turismo resultou em cinco mortos e quarenta feridos, três dos quais considerados feridos graves. O acidente ocorreu ontem no cantão de "Grisões, no estremo leste" da Suíça. O autocarro que fazia a ligação dos "Países Baixos para a Áustria," pertence a uma "empresa turística holandesa", a "Oad," e terá capotado "numa zona em obras numa estrada de montanha." Pelo que se sabe, todos os passageiros eram neerlandeses e estariam em viagem desde segunda-feira. As causas do acidente ainda não foram divulgadas.

Assinalam-se hoje 25 anos desde o "11 de setembro". Um quarto de século - e tanto que já se passou nas nossas vidas desde então! Para aqueles que ainda hoje consideram que o sequestro dos aviões e os ataques 
às "Torres Gémeas" e ao "Pentágono" foram uma farsa, só tenho a dizer que não importa o que acham, pois a cada um caberá tirar as suas ilações sobre o assunto. Eu lembro-me bem demais das imagens que vi, dos pesadelos que tive, da sensação de queda e de vazio debaixo de mim quando estava prestes a adormecer e, não, eu nunca lá estive, mas aquelas imagens marcaram-me. Ali não havia inteligência artificial, nem sequer tempo para modificar ou escolher imagens menos marcantes. Foi tudo visto em cru, sem filtros, apenas com alguns desviares das câmaras nos momentos certos para que não víssemos os corpos a estatelarem-se cá em baixo. 

Durante dias acompanhamos as operações de buscas, dia e noite. Nunca fui de rezar, pois não acredito em nenhum deus nem fantasio com nenhum milagre, mas aos 17 anos, eu tantas vezes pensei na minha cabeça "o que faria se fosse eu a estar ali?" Hoje sou uma mulher, não mais uma jovem cheia de sonhos e projetos, mas naquele dia, morreu parte da minha infância, da minha inocência, separaram-se as águas do bem e do mal. Eu nunca quis acreditar que houvesse um povo bom e um povo mau, uma cultura boa e outra má, nem sequer quis tomar partidos, mas naqueles dias, todos sem exceção levamos uma lavagem cerebral e fomos bombardeados com opiniões e factos que ainda hoje nos marcam e moldam a nossa maneira de pensar quer queiramos quer não. Não foram só os EUA que foram atacados, foi também um tipo de civilização, foram valores, foi a nossa tranquilidade. 

Podem não se lembrar, mas eu na altura tinha a minha mãe ainda em casa e lembro-me de sair para a rua e dela ter medo de que nós não voltássemos, de nos dizer para estarmos atentas e se notássemos algo estranho para voltarmos logo para casa. Ninguém me mandou olhar para o céu, mas nos meses que se seguiram, eu andava sempre atenta ao barulho dos aviões e ficava a ver os seus rastos e a pensar: "Estará tudo bem lá dentro?" 


Fontes:

https://pt.euronews.com/2026/09/11/despiste-de-autocarro-turistico-no-leste-da-suica-causa-varias-mortes

https://cnnportugal.iol.pt/suica/graubunden/acidente-com-autocarro-turistico-na-suica-faz-varios-mortos/20260910/6aa2fce3d34e53c759c71a99


20/05/2026

Tiroteio em centro islâmico

Um tiroteio no Centro islâmico de São Diego, na Califórnia, EUA, resultou em cinco vítimas mortais, duas das quais, os dois presumíveis atacantes de 17 e de 19 anos. A situação poderia ter gerado mais vítimas, uma vez que ali funciona uma escola. Segundo testemunhas no local terão sido efetuados mais de trinta disparos. Uma das vítimas era o segurança do centro islâmico que conseguiu impedir que a situação fosse bem pior.

Os dois adolescentes suspeitos de terem sido os atiradores, foram encontrados mortos dentro de "uma viatura nas imediações do edifício," onde funciona a maior mesquita do condado. Estas tragédias, infelizmente, são recorrentes nos EUA e a eles não se pode apontar uma causa única. O fenómeno normalmente emerge "das interações de vários fatores", que se "reforçam mutuamente" criando "um padrão estrutural, não um desvio ocasional." 

Um desses fatores é o acesso quase que indiscriminado a armas de fogo. A “cultura das armas” age como fator identitário, não atuando "apenas como um direito individual. Nos EUA, a arma não é só um instrumento: é símbolo de autonomia individual, virilidade, autodefesa e desconfiança do Estado."  Existe nos EUA não apenas uma mentalidade que convoca ao uso de armas como acessório de defesa, como esse mesmo direito  se encontra salvaguardado constitucionalmente. O direito ao porte de armas foi "reificado culturalmente, blindado contra qualquer ponderação coletiva."

E daí advém outro fenómeno que ocorre quando os portadores dessas armas se "vangloriam de possuírem rifles semiautomáticos" ou "carregadores de alta capacidade." Muitas vezes, como resultado do acesso fácil a armas, acaba por haver uma "circulação massiva de armas de alto poder letal" especialmente "em ambientes onde conflitos psíquicos e sociais são frequentes."

Fontes:

https://sicnoticias.pt/mundo/eua/2026-05-18-tiroteio-em-centro-islamico-em-san-diego-na-california-eaaff0db

https://aterraeredonda.com.br/tiroteios-nos-eua/


30/03/2026

A ilha de Kharg - porquê esse interesse agora?

A ilha de Kharg localiza-se no Golfo Pérsico, ao qual se tem acesso pelo estreito de Ormuz. Esta ilha, que faz parte do território do Irão e tem cerca de 20 quilómetros quadrados, é de extrema importância para a economia do país representando cerca de 90% do petróleo que é exportado para a China.
Há cerca de uma semana que Trump tem vindo a ameaçar ocupar essa mesmo ilha, referindo que poderia usar até meios terrestres para o fazer. No entanto, ao mesmo tempo, fala em conversações. Não sabemos bem com o que contar. 
Mas porque é que esta ilha pode ser tão importante?
Na verdade, desde 1995 que Trump se refere à possibilidade de ocupação da ilha de Kharg.
Para Trump, a sua ocupação seria útil para exercer maior pressão para a reabertura do "Estreito de Ormuz, a principal rota de saída para um quinto do petróleo consumido em todo o mundo, para além do gás natural liquefeito." 
A 13 deste mês, Trump já tinha feito bandeira de um ataque de larga escala aos objetivos "militares" da ilha, mas que não a tinham destruído apenas por questões de "decência." Ficou no ar a promessa de um novo ataque "que poderia desencadear uma escalada ainda maior, afetando a infraestrutura energética em toda a região do Médio Oriente." 
Estes ataques, além de terem repercussões graves "nos mercados globais", exercendo uma maior pressão "sobre a inflação," acabam por ser uma resposta estratégica dos EUA, ao encerramento do Estreito de Ormuz, por parte do Irão.

E Portugal?

Durante mais de um século, esta ilha esteve dominada pelos portugueses, sendo um importante porto comercial intermediário, o que pensando bem não é muito diferente do que Trump quer fazer agora. A chegada dos portugueses à ilha de Ormuz, deu-se no início do século XVI, em plena campanha de descobrimentos, quando sob o comando de Afonso de Albuquerque os portugueses conseguiram ocupar a ilha em 1507. No entanto, Afonso de Albuquerque "foi obrigado a retirar-se" quando três dos seus capitães se aliaram ao "rei de Ormuz" e expulsaram os portugueses. Numa segunda fase, em 1517, a cidade foi finalmente conquistada tendo sido erguido o "Forte de Nossa Senhora da Conceição" - uma fortaleza em forma de pentágono.
Ormuz acabou por se tornar, como refere o historiador Rui Manuel Loureiro, numa espécie de "protetorado da coroa portuguesa." Na época, eram os portugueses que a controlavam e impunham taxas e impostos, tendo um papel central no "movimento mercantil" da região.
Os portugueses acabaram por se aperceber que poderiam obter maiores benefícios no controlo de viagens mais curtas, entre Goa e Macau ou mesmo entre Goa e Ormuz, sendo "mais lucrativo" e exigindo "menos investimentos," bem como menos "força militar e naval, do que, propriamente, a Carreira da Índia."
Na época, a Pérsia, encontrava-se mais virado para conflitos internos, chegando mesmo a fazer um acordo com a Coroa Portuguesa. Só mais tarde, se viriam a interessar por aquela região, vindo ao longo dos anos que se seguiram a conquistar "vários dos pequenos territórios" em que Portugal possuía fortes e onde atualmente encontramos os Emirados Árabes Unidos e Omã.
Portugal acaba por perder a ilha de Ormuz, devido a uma  "aliança entre os persas e os ingleses, que de facto conseguiram, com a sua superioridade militar e náutica, desinstalar os portugueses de Ormuz," no ano de 1622, depois de vários meses de sucessivos ataques.



Fontes:
https://sicnoticias.pt/especiais/tensao-eua-irao/2026-03-23-qual-e-a-importancia-da-ilha-de-kharg-e-como-podem-os-eua-usa-la-como-moeda-de-troca-contra-o-irao--24c1496e
LOUREIRO, Rui Manuel, em entrevista à Euro news - https://pt.euronews.com/2026/03/20/ormuz-a-ilha-de-importancia-estrategica-que-foi-controlada-pelo-imperio-portugues
https://ensina.rtp.pt/artigo/fortaleza-de-ormuz-irao/
https://observador.pt/2026/03/14/o-que-e-a-ilha-de-kharg-a-joia-da-coroa-do-irao-com-milhares-de-anos-de-historia-por-onde-passa-90-do-petroleo-do-regime/


22/03/2026

Quando de mexe num ninho de vespas

 Quando as vespas se sentem incomodadas, atacam. 

São capazes até de matar, se estiver em causa o seu ninho. Uma vespa, é mais pequena que a maioria dos animais e, se for apanhada, pode ser esborrachada, pisada, morta. O problema da vespa, não é a vespa, é a comunidade, é a salvaguarda da espécie. Mas isto não é sobre vespas...

O Irão veio agora demonstrar que, apesar de ter sido fortemente atacado nos últimos dias, ainda tem força para contra-atacar. Conseguiu lançar dois mísseis balísticos de longo alcance contra a base militar de Diego Garcia, uma base partilhada entre os Estados Unidos e o Reino Unido, que se localiza no arquipélago de Chagos, no oceano Índico a cerca de 4000 quilómetros da costa iraniana. Este ataque ocorreu antes mesmo do Reino Unido ter vindo declarar publicamente a autorização para que os EUA usassem as suas bases militares. A base, operada pelos EUA, possui um "pista para bombardeiros pesados" e dispões ainda de um "porto natural profundo" capaz de albergar "submarinos nucleares e navios de guerra." Apesar de nenhum dos dois mísseis ter acertado o seu alvo (um por problemas durante o voo, outro por ter sido detetado) a questão que se coloca é que a distância de 2000 quilómetros está claramente ultrapassada. Que cidades estão no seu raio de alcance, é agora uma questão que se coloca.

Foi também atingido o complexo de nuclear de Dimona, em Israel. Apesar de não haver registos de níveis anormais de radiação, a questão é que o complexo é de facto suscetível de ser atacado. Este ataque vem assim em resposta ao ataque à central de Natanz, um complexo de enriquecimento nuclear localizado no Irão, que já tinha sido alvo na chamada "guerra dos doze dias" em julho passado. Além de Dimona, foi também atingida a cidade de Arad. 

Se lamentamos os feridos de Israel, sim, mas também lamentamos os mortos e feridos do Líbano, onde só neste mês de março, terão sido mortos 34 profissionais de saude - isto sem contar com as restantes vítimas que resultaram dos "bombardeamentos israelitas contra a organização Hezbollah em Beirute e no sul do país."

Além de ataques contra Israel, o Irão tem vindo a retaliar contra outros países como os Emirados Árabes, o Kuwait, Bahrain, Omã ou o Catar. Foram ainda atingidas as bases aéreas de "Príncipe Sultan" que se localiza na Arábia Saudita e a de "Erbil, no Curdistão iraquiano."

E assim continuamos em ataques e contra-ataques. Mas porque é que se achou que seria interessante mexer no ninho das vespas? Andarão os EUA atentar incitar novas cruzadas?

Fontes:

https://expresso.pt/medio-oriente/2026-03-21-teerao-tenta-atacar-base-britanica-de-diego-garcia-a-4000-km-de-distancia-47f403bf

https://pt.euronews.com/2026/03/21/irao-ataca-base-de-diego-garcia-localizacao-e-importancia-estrategica

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/israel-diz-que-irao-usou-um-missil-de-longo-alcance-pela-primeira-vez-desde-o-inicio-do-conflito_e1728183

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2959703/estados-unidos-e-israel-atacam-complexo-nuclear-iraniano-de-natanz

https://sicnoticias.pt/especiais/tensao-eua-irao/2026-03-21-novos-cacas-e-avioes-de-guerra-dos-eua-chegam-a-base-das-lajes-f27c65da

 

20/03/2026

A extensão de uma guerra que só ia durar uns dias

Donald Trump dizia que a guerra ia durar pouco. Talvez estivesse a comparar o Irão à Venezuela. Um regime como este não cai assim. Parece uma forte árvore que quanto mais é podada, mas forte cresce, estendendo os seus ramos até onde consegue, usando-os para asfixiar o seu povo e quem quer que lhe mostre oposição. Trump, entretanto chamou "cobardes" aos países aliados da NATO, perante a tomada de posição destes em não apoiarem diretamente os EUA nesta fase do conflito.

Sobre isto, ouvia hoje o podcast de Maria João Simões na rádio Observador e em que intervinha o major-general Arnaut Moreira, que explicava um pouco da posição dos países europeus e da própria NATO. A defesa apresentada pelos países europeus para não cederem ao pedido de ajuda de Donald Trump foi a falta de consulta prévia e a falta de informações sobre as operações militares a decorrer, Como nos explicava Arnaut Moreira, os navios europeus fariam escolta e os meios aéreos norte-americanos dariam apoio, mas isso não foi aceite pelos líderes europeus. E ainda bem. A própria NATO, como também o Major-general explicou, estaria assim diretamente envolvida num combate fora da sua área de intervenção, sendo que embora isso já tenha acontecido no passado, a questão é que nenhum país da NATO foi atacado e que, quem iniciou o conflito foram, na realidade, os EUA e Israel. 

E a cada dia que passa, a situação vai piorando. Não apenas no Médio Oriente, mas também na própria Europa. O ministro dos negócios estrangeiros iraniano veio já acusar o Reino Unido de ser cúmplice dos EUA por permitir o uso das suas bases militares. Na Turquia, a defesa aérea da NATO, interceptou já dois mísseis disparados do Irão. O governo turco interpreta estes ataques como uma tentativa de provocar a entrada da Turquia na guerra, mas afirma que não tem intenções de ceder, reforçando ainda que os ataques contra o Irão devem cessar.

A própria Polónia (membro da NATO desde 1999) veio já retirar as suas tropas da zona do Iraque, onde se encontravam desde 2016.

Khamenei, que "não é visto em público" desde a sua nomeação como sucessor do seu pai, o Ayatolla Ali Khamenei, morto nos primeiros dias deste conflito, já se pronunciou também sobre a morte do porta-voz da Guarda Nacional do Irão, declarando que os culpados não devem "viver em segurança". Além de Ali-Mohammad Naini, foi também "morto o ministro dos Serviços de Informações, Esmail Khatib." O atual porta voz do Irão, veio também ameaçar que "parques, áreas de lazer e destinos turísticos" podem ser alvos, deixando de ser seguros "para os inimigos de Teerão." O clima de medo é uma das formas de luta do regime iraniano, pois pode não atacar diretamente os EUA ou Israel, mas ataca todos os que venham a mostrar o seu apoio aos mesmos, ou que não se aliem ao próprio Irão.

Países como o Bahrein, o Kuwait e a Arábia Saudita, continuam a ser atacados com mísseis e drones iranianos. O Irão continua a atacar as "infraestruturas energéticas no Golfo," tendo atingido uma "refinaria saudita." No Qatar, foi atingida uma "instalação de gás natural liquefeito." Estes ataques a estruturas energéticas são uma forma de o Irão responder aos "ataques israelitas ao campo de gás de South Pars/North Dome."

No Bahrein, já foram interceptados desde o início da guerra a "28 de fevereiro," cerca de 139 mísseis e 238 drones" com origem no Irão. Destes, um resultou num "incêndio num armazém." No Kuwait, foi atacada as refinarias de Mina Abdullah e Mina Al-Ahmadi, tendo sido registados vários focos de "incêndio em algumas das suas unidades."

Por cá, fala-se de crise, mas ainda estamos bem. Os preços sobem, principalmente os combustíveis e os os fertilizantes, culpa dos bloqueios no Estreito de Ormuz. Apesar de o governo se dizer "sensível" ao aumento dos preços dos combustíveis, não há grandes alterações nem irá haver, pelo menos para já, uma imposição de um limite na subida dos preços. Apenas no que se refere ao gasóleo profissional, o governo irá introduzir durante os próximos 3 meses, "um mecanismo extraordinário" que visará as "empresas de passageiros e de mercadorias," (onde se incluem também os táxis e as corporações de bombeiros) e que se irá traduzir num "reembolso de 10 cêntimos por litro até 15 mil litros por veículo." A ministra do ambiente, Maria da Graça Carvalho, veio já anunciar que "estamos perto dos critérios" para que seja declarada uma crise energética, sendo que será necessária uma decisão do próprio conselho europeu para que se possam tomar realmente medidas nesse sentido.

Fontes:

https://sapo.pt/artigo/morreu-porta-voz-da-guarda-revolucionaria-iraniana-israel-lanca-nova-onda-de-ataques-no-coracao-de-teerao-69bd10db31c55356067a76de

https://www.noticiasaominuto.com/economia/2957918/do-gas-aos-combustiveis-passando-pelo-travao-aos-precos-o-que-vem-ai

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2955757/turquia-teme-que-netanyahu-possa-estar-a-cometer-um-genocidio-no-libano?dicbo=v2-UBZF785

https://observador.pt/programas/o-dominio-da-guerra/o-irao-so-nao-atinge-a-europa-porque-nao-quer/

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/portugal-perto-dos-criterios-para-declarar-crise-energetica_e1727869

14/03/2026

Já andamos todos metidos ao barulho

Novamente, Trump. Novamente, a grande potência norte-americana a dizer que não precisa de ninguém, enquanto pede que os outros também entrem na luta. Num dia afirma uma coisa, no seguinte outra completamente diferente. Não há um único dia em que não sejamos surpreendidos - se é que ainda nos deveríamos estar a surpreender com tudo o que Trump diz ou faz.

O ataque ao Irão em junho do ano passado tinha sido apenas o começo, a desculpa de que era preciso acabar com o poder nuclear do Irão, dava-lhe no seu entender o direito de atacar pois havia uma ameaça iminente que era preciso debelar. A justificação até poderia fazer sentido, mas em poucas horas, Trump mandou as suas tropas sair de cena. O ataque tinha vindo na sequência do conflito entre Israel e a Palestina e para muitos, o ataque ao Irão veio para desviar as atenções da Faixa de Gaza, que desde essa altura quase que desapareceu do panorama noticioso. Israel atacava um dos seus arqui-inimigos e retirava parte das suas tropas da Faixa de Gaza.

Entretanto, os EUA andaram ocupados com a Venezuela e com ameaças à Gronelândia. Discutia-se qual seria a intenção das declarações feitas por Trump. Iniciaria uma investida contra um país europeu, distanciando-se dos acordos da NATO? 

Começam-se a assistir a movimentações de navios norte-americanos, à chegada de aeronaves às bases dos EUA na Europa. O arsenal dos EUA não passa despercebido. Muitos passavam oela Base das Lajes, outros ficavam ali estacionados. E o mês de março começa com a investida de um ataque conjunto contra o Irão. EUA e Israel uniam-se agora novamente, com o objetivo de derrubar o governo iraniano e debelar o seu poder militar. Para isso, um dos primeiros objetivos era matar o seu mais alto representante religioso, o Ayatola Khamenei, de 86 anos. O ataque aconteceu e o mais alto governante do estado iraniano foi abatido. 

Depressa Trump se apercebeu de que havia um problema: quem pensavam como sucessor também tinha sido morto: "a maioria das pessoas que tínhamos em mente está morta," afirmava Donald Trump. Mas isso não importava. O Irão resistia e Israel ia atacando os países em redor seguindo os seus interesses. Duas potências a proteger-se uma à outra. O conflito adensa-se e os EUA não apresentam nenhum "estratégia clara de saída."

O que estamos a assistir em "vez de um colapso rápido" é a uma consolidação do regime iraniano, que "respondeu de forma mais agressiva do que os responsáveis norte-americanos esperavam, atacando alvos em todo o Médio Oriente, incluindo petroleiros na região," um dos quais atingido na região do Kuwait.

As vítimas começam-se a somar. Além dos mortos no Irão, onde se inclui o ataque a uma escola, possivelmente atingida por um míssil norte-americano, do qual terão resultado entre 150 a 175 mortos (números não confirmados), há também "treze militares norte-americanos" mortos e outros 140 feridos. 

Enquanto, Trump vai dizendo que está tudo bem, a situação na frente militar agrava-se. "O Irão foi alvo de uma nova vaga de ataques," o que levou a retaliar contra outros países do Golfo, que são aliados dos norte-americanos, alargando o conflito a toda a região. Já não se trata apenas de acabar com um regime, é já um conflito alargado. Mas ninguém está a atacar os EUA diretamente, quem sofre são os seus aliados. O Hezbollah continua vivo e uniu-se ao Irão para um novo ataque a Israel.

Israel por sua vez, reforçou "a sua presença militar no sul do Líbano" usando posições naquela região para atacar o Iraque. No Iraque, por sua vez, as milícias a favor do Irão atacam alvos norte-americanos. Desde o dia 2 deste mês, o balanço é de 632 mortos só no Líbano.

Portugal tenta a retirada de cidadãos nacionais através de voos combinados. As embaixadas europeias nesses países vão ficando vazias. A guerra expande-se e não sabemos quando é que vai terminar. Enquanto nos sentirmos atingidos apenas pela subida dos preços, sem limites à comunicação, sem ataques às nossas estruturas energéticas, não estaremos muito mal. 

Esperamos de braços cruzados a resolução de uma guerra que não é nossa. Acreditamos na nossa segurança, mas não vemos medidas de proteção, nem explicações sobre o que pode acontecer se a Base das Lajes vier a ser atacada. Estamos longe, achamos nós. 

Fontes:

https://cnnportugal.iol.pt/irao/eua/duas-semanas-de-guerra-por-dentro-da-arriscada-decisao-de-trump-de-atacar-o-irao-e-a-corrida-para-conter-as-consequencias/20260314/69b562b4d34e28842c81bf9f#:~:text=Duas%20semanas%20de%20guerra:%20por%20dentro%20da,e%20a%20corrida%20para%20conter%20as%20consequ%C3%AAncias.

https://observador.pt/2026/03/05/irao-lanca-nova-vaga-de-ataques-contra-israel-e-paises-do-golfo/


11/01/2026

Revolta leva a manifestações no Irão

Pensamos muitas vezes no Irão como um país em que quase toda a gente obedece de forma cega ao poder instituído, mas aquilo a que temos assistido nos últimos dias não é bem isso. 

Pelas ruas, as pessoas manifestam-se contra o ayatolah Ali Kohamenei, líder do regime, juntamdo-se em acesos protestos que "começaram na capital Teerão, mas depressa se alastraram a outras cidades do país, como Shiraz, Mashad, Isfahan ou Karaj." Há cerca de 2600 detidos e mais de uma centena de mortos. Estes protestos começaram a 28 de dezembro e resultaram da insurgência contra "o custo de vida e a inflação galopante, num país sujeito" a muitas sanções por parte do exterior, em especial dos EUA. Na base destes protestos estiveram a "rápida desvalorização da moeda iraniana, a subida súbita dos preços de bens essenciais," bem como a decisão tomada pelo "banco central de acabar com um mecanismo que permitia a alguns importadores aceder a dólares a um câmbio mais favorável," o que provocou a indignação da população, em especial dos jovens. Depois dpo encerramento de várias lojas e mercados, as reinvindicações que inicialmente eram económicas, foram-se tornando cada vez mais políticas.

Nos últimos dias, as linhas telefónicas foram cortadas, sendo assim mais difícil que se saiba realmente o que se passa no território. A Internet está também em baixo e a "televisão estatal iraniana tem apenas anunciado as mortes entre as forças de segurança, enquanto garante que o regime mantém o controlo sobre a nação." Aos manifestantes que são mortos, o regime apelida de "terroristas." Os protestos são vistos como ameaças ao regime e os participantes nos protestos são vistos como "inimigos de Deus," uma acusação que, no Irão, é punível com a pena de morte. extremamente violenta. As "forças de segurança, incluindo a polícia, a milícia Basij, a Guarda Revolucionária e agentes à paisana, recorreram a munições reais" e ao uso de "balas de metal." Soube-se de atropelamentos usando viaturas contra a multidão. É este o risco que quem ali clama por liberdade corre e, mesmo assim, ali estão às centenas. Aos milhares.

Trump tem publicado declarações nas redes sociais, como vendo sendo hábito, afirmando que o "Irão aspira à liberdade" e que os EUA "estão prontos para ajudar." Enquanto a "ONU manifestou profunda preocupação com o número de mortos," o presidente norte-americano, ameaçou "intervir militarmente caso as forças iranianas continuem a matar manifestantes." Em resposta a esta ameaça de intervenção, o "regime iraniano" já veio acusar "Washington de instigar os protestos."

Também nas redes sociais chegou a circular um vídeo no qual se podia ver um cartaz que dizia "Já não temos medo. Vamos lutar" numa clara manifestação contra a repressão do regime iraniano, que dura já há 47 anos. Muitos dos manifestantes são jovens e exigem a "recuperação da dignidade e o direito a um futuro."

Nas forças de repressão podem até estar já incluídos "membros das Forças de Mobilização Popular do Iraque (Hashel al Shaabi)," mas devido à falta de informação e às poucas imagens disponíveis, torna difícil confirmar o que se acontece. 

Reza Pahlavi, (príncipe herdeiro e filho do último monarca do Irão) fez um apelo público onde exorta "os iranianos a permanecerem nas ruas, definindo explicitamente como objetivo a tomada e manutenção do controlo dos centros das cidades," apelando a "protestos coordenados." Por outro lado, Reza Pahlavi, "apelou a Trump para que esteja preparado para adotar medidas de apoio ao povo iraniano," apelando ainda para que os "sectores económicos mais importantes, nomeadamente o petróleo e a energia," participem ativamente "nas greves nacionais, o que faz eco de uma estratégia utilizada durante os últimos meses do regime do seu pai, em 1979." Os protestos espalharam-se entretanto por outros países, sendo interessante ver que a "liberdade de expressão" é uma das principais exigências. Muitos "iranianos que vivem no estrangeiro ou pessoas de ascendência iraniana," juntam-se em manifestações ou desfiles, afirmando que mais do que um direito, é seu "dever" manifestarem-se e mostrarem "o seu apoio à distância, uma vez que os iranianos no seu país, de todas as idades e origens, continuam a sair à rua para lutar pela sua liberdade."


Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/numero-de-mortos-em-protestos-contra-o-regime-do-irao-atinge-116_n1709289

https://observador.pt/2026/01/11/irao-sem-comunicacoes-ha-tres-dias-e-um-apagao-sem-precedentes-em-que-ate-sinal-da-starlink-esta-na-mira/

https://pt.euronews.com/2026/01/11/manifestacoes-nas-principais-cidades-europeias-em-solidariedade-com-os-protestos-no-irao

https://pt.euronews.com/2026/01/10/porque-e-que-as-proximas-horas-no-irao-sao-criticas-e-porque-e-que-o-silencio-nao-e-uma-op

https://sapo.pt/artigo/o-que-esta-a-acontecer-no-irao-vandalos-ou-sociedade-exausta-protestos-e-o-filho-do-xa-a-re-emergir-como-esperanca-69623469ab728f90f057dd0f

06/01/2026

Estará a Gronelândia em risco?

Depois da situação ocorrida na Venezuela, outros países começam agora a sentir a ameaça norte-americana. Colômbia, México e Cuba, foram ameaçados pelo presidente Donald Trump, que também manifestou estar a considerar "a aquisição" da Gronelândia. Esta possibilidade é, para Trump, uma necessidade "para dissuadir" aqueles que considera como os seus "adversários na região do Árctico”.


Entre as opções , estão "a compra directa da Gronelândia pelos Estados Unidos ou a criação de um Acordo de Associação Livre (Compact of Free Association, COFA) com o território." No entanto, um acordo deste género acabaria por ficar "aquém da ambição de Trump de integrar plenamente a ilha — com cerca de 57 mil habitantes — nos EUA."


Se o acordo não for conseguido, Trump afirmou que ponderaria usar a força, uma vez que a Gronelândia é considerada como um território "crucial para os Estados Unidos devido às suas reservas de minerais com aplicações importantes nas áreas da alta tecnologia e da defesa." Trump defende que estes recursos precisam de ser explorados, algo que não tem sido feito, em parte "devido à escassez de mão-de-obra, à falta de infra-estruturas e a outros constrangimentos." Então, mas qual a real importância deste território para os EUA? Por um lado, temos a geoestratégia, uma vez que a "Gronelândia ocupa uma posição central no Atlântico Norte, funcionando como ponte natural entre a América do Norte e a Europa." 


Ganhou o seu prestígio durante a Segunda Guerra Mundial, quando esta zona se manteve "fora do alcance aéreo aliado onde submarinos nazis devastaram comboios marítimos." Podemos ainda entender que, “em qualquer nova guerra de grande escala, quem controlar a Gronelândia dominará rotas marítimas vitais do Atlântico," o que aliado ao "sistema de deteção de mísseis de alerta precoce dos Estados Unidos (EUA)," implementado em 1950, dão aos EUA vantagem. "Com o degelo acelerado do Ártico a abrir novas rotas marítimas" nesta região do globo, a importância desta região "tende a crescer" e Trump sabe-o bem. Mas não é apenas o atual presidente dos EUA que está interessado nesta região: Pequim e Moscovo também podem vir a entrar nesta corrida.


E a Europa, que papel tem neste problema? A Gronelândia pertence à Dinamarca e, por isso, a Gronelândia faz parte da Europa. Os EUA, sendo aliados da Europa, deveriam estar a defender este território, o que não deixa de ser uma contradição. A verdade é que uma vez que a "Gronelândia pertence a um Estado-membro da NATO e é um território semiautónomo aliado," e por isso "nada impede Washington de reforçar a sua presença militar, instalar novas bases ou aumentar contingentes. Pelo contrário, existe um tratado com Copenhaga que concede aos EUA liberdade operacional, de portos a pistas de aterragem." Na minha opinião, mesmo com esse tratado, Trump ainda não tem o acesso que tanto deseja - mas o que é que ele deseja no fundo? Se existe esse quase acesso "total" ao território, porque é que deseja a sua soberania?


E porque é que de repente, se voltou a falar disto? Será que a Europa está mesmo a pensar ceder a Gronelândia para evitar conflitos com os EUA, ou não será viável atrasar o processo enquanto esperamos que Trump acabe o seu mandato e as coisas acalmem? Ou haverá mesmo o risco de, mesmo sem Trump no poder, os EUA declararem guerra à Europa? É que a maior questão - à qual eu temo que a resposta seja mesmo a mais óbvia - é se a Europa se vai unir para defender este território ou se irá optar por o deixar escapar.


São tantas questões sem resposta. Estamos a andar sobre uma película muito fina de vidro que se parece estar a quebrar e, se quebra, irá atirar-nos a todos para uma guerra interminável.


Fontes:
https://www.publico.pt/2026/01/06/mundo/noticia/trump-discute-aquisicao-gronelandia-admite-opcao-militar-2160313
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/porque-e-que-a-gronelandia-esta-no-centro-das-ambicoes-de-donald-trump_n1708393


 

04/01/2026

EUA invadem Venezuela

Pode um país, só porque tem mais poder militar, entrar noutro e dele retirar duas pessoas? Pode um país, seja porque justificação for, usar a sua superioridade militar, ameaçando e atacando outro país? Bem, parece que efetivamente até pode, pois se a ação em si podia ser criticável sobre muitos aspetos, a verdade é que a crítica veio fraca e a aceitação fez-se saber. Continuando o que ontem já aqui tinha vindo a referir, Trump usou a diretiva da possibilidade: se é possível, faz-se. 

Obviamente que sou contra o governo de Maduro, tal como sou contra muitos outros governos autoritários e autocratas, que usam a força e repressão do seu povo para governar, mantendo de cabeça baixa em submissão os seus cidadãos. Na verdade, a prisão de Maduro pode à primeira vista, ser algo bom, quando olhamos para a questão de um regime controlador, num país em que não há liberdade de expressão nem liberdade de imprensa e onde grassa a corrupção, a criminalidade grave e o narcotráfico. Aliás, as acusações de Trump já têm alguns anos, embora só neste mandato se tenham manifestado mais intensamente. A Venezuela "luta contra uma hiperinflação recorde, escassez de bens básicos, desemprego, pobreza, doenças, elevada mortalidade infantil, subnutrição, problemas ambientais," entre outros.

Durante o século XX, o país passou por várias crises começando desde logo pela governação de Cipriano em 1908, caraterizada "por uma política externa agressiva." Foi substituído devido a problemas de saúde "por Juan Vicente Gómez, que governou a Venezuela" através de políticas de "autoritarismo, corrupção, cerceamento às liberdades individuais e de imprensa e eleições fraudulentas." Durante "o governo de Gómez, pouco antes da Primeira Guerra Mundial," foram descobertas e começaram a ser amplamente exploradas as "gigantescas reservas de petróleo venezuelanas," o que trouxe "grandes lucros, permitindo ao Estado fazer obras de infraestrutura, subsidiar a agricultura e pagar a dívida." No entanto, a maioria da população continuava a viver na pobreza e foram raros os "investimentos estatais na saúde ou educação."

Até aos dias de hoje, a Venezuela foi governada intermitentemente por Juntas militares e por governos autocratas, dos quais se destacaram Eleazar López Contreras, o Major Marcos Pérez Jiménez, o Tenente-Coronel Carlos Delgado Chalbaud e, mais tarde, Hugo Chavéz. Madúro, que havia sido vice-presidente de Chavez, "assumiu interinamente a presidência" depois do golpe de estado que derrubou Chavéz do poder. "A eleição presidencial de 14 de abril de 2013," foi "a primeira em que o nome de Chávez" não apareceu "na cédula de votação desde que assumiu o poder em 1999." E esta foi vencida por Maduro. Apesar da sua nomeação não ter sido consensual, "o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela decidiu que, segundo a constituição nacional, Nicolás Maduro" era "o presidente legítimo e foi investido como tal pelo congresso venezuelano."

Mas se esta eleição estava "ganha" a continuidade passaria por vários precalços. Em agosto de 2017, "a Assembleia Nacional Constituinte de 2017 foi eleita e retirou os poderes da Assembleia Nacional," numa eleição que "levantou preocupações sobre uma ditadura emergente." Em dezembro desse mesmo ano, "Maduro declarou que os partidos da oposição estavam impedidos de participar nas eleições presidenciais do ano seguinte, após terem boicotado as eleições autárquicas." Venceria "as eleições de 2018 com 68% dos votos" com o resultado a ser "contestado pela Argentina, Chile, Colômbia, Brasil, Canadá, Alemanha, França e Estados Unidos, que o consideraram fraudulento e reconheceram Juan Guaidó como presidente." Perante esta desconfiança, os EUA começaram a aplicar sanções ao país. Em agosto de 2019, no seu primeiro mandato, "o presidente americano Donald Trump impôs um embargo econômico à Venezuela" e em março do ano seguinte, "indiciou Maduro e autoridades venezuelanas, sob acusações de tráfico de droga, narcoterrorismo e corrupção." 

Na Venezuela, quem é contra o governo, acaba por desaparecer ou tornar-se preso político, podendo mesmo ser submetido a tortura. A oposição acaba por ser muitas vezes silenciada.

Em 2024, "Maduro concorreu ao terceiro mandato consecutivo nas eleições presidenciais," contra a oposição representada pelo "ex-diplomata Edmundo González Urrutia," em representação da "Plataforma Unitária (PUD)." As sondagens apontavam para uma clara vitória da PUD, "principal aliança política da oposição," mas depois do "Conselho Eleitoral Nacional (CNE), controlado pelo governo, ter anunciado resultados parciais que mostravam uma vitória estreita de Maduro em 29 de julho, os líderes mundiais expressaram predominantemente ceticismo em relação aos resultados" que lhes estavam a ser apresentados pela CNE. Ambos "se proclamaram vencedores," mas os resultados acabaram por não ser "reconhecidos pelo Carter Center e pela Organização dos Estados Americanos."

Se a Venezuela estava bem? Se o povo Venezuelano estava bem? Não. 

Se agora ficarão melhores? Sinceramente, tenho as minhas dúvidas. Saiu Madúro, mas a governação do país ficou entregue à sua vice-presidente, à mesma equipa e, por isso, a forma de controlar e de gerir poderá manter-se. Além do mais, penso que tem sido bastante perceptível que os EUA querem controlar a exploração de petróleo e, com isso, beneficiar de forma exploratória daquilo que são os recursos venezuelanos. Podemos dizer que estão em guerra? Para já, penso que não, mas estaremos a enfiar a cabeça na areia, se não conseguirmos comparar esta situação com aquilo que se passa na Ucrânia ou com aquilo que se pode vir a passar em Taiwan.

A Europa precisa de acordar!


Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Venezuela

https://sicnoticias.pt/podcasts/o-mundo-a-seus-pes/2026-01-03-ataque-dos-eua-na-venezuela-e-viragem-dramatica-na-arquitetura-internacional-4d3d2477


03/01/2026

Intervenção militar americana na Venezuela

Bem, tenho estado a acompanhar as notícias sobre a intervenção dos EUA na Venezuela e as opiniões divergem. Podemos concordar ou não com a operação feita por Trump, mas não deixamos de ficar contentes por ver Maduro afastado do poder. Mas que precedentes é que estão aqui a ser abertos? Os precedentes que podem levar a que os EUA avancem contra Cuba ou até contra a Gronelândia, cada um destes por motivos bem diferentes. A lei internacional não foi aqui respeitada, não foram consultados sequer quaisquer parceiros ou sequer foi pedida aprovação do Congresso norte-americano. 

Ainda estamos todos a tentar perceber o que é que realmente aconteceu, mas uma coisa é certa: Trump fez diversos avisos, tinha a tropa "toda" ali à volta e já tinha mostrado que podia disparar contra embarcações venezuelanas sem que ninguém se impusesse. O espaço aéreo venezuelano estava já fechado e agora resta saber se havia ou não alguém do lado de "dentro" a ajudar as tropas norte-americanas. Bem, a dúvida pode ficar no ar...

Maduro encontrava-se com a sua esposa, Cilia Flores, num complexo militar, supostamente, protegido. Foram levados durante a noite, depois das anti-aéreas terem sido inutilizadas e "depois dos militares norte-americanos terem deixado Caracas à escuras." Terão sido depois levados a "bordo do navio norte-americano USS Iwo Jima," e daí "transferidos para Nova Iorque, onde deverão responder a acusações de narcotráfico apresentadas pelas autoridades norte-americanas." Esta intervenção já estaria "planeada há várias semanas e concretizou-se com ataques cirúrgicos em Caracas e nos estados venezuelanos de Miranda, Aragua e La Guaira." Enquanto que no início se disse que não tinham havido vítimas civis - esses dados ainda não foram confirmados - outras informações apontam para a morte de 40 pessoas," incluindo civis e soldados. "Houve diversas explosões e, na minha sincera opinião, os danos ainda estão camuflados.

Se uns condenam as ações levadas a cabo pelos EUA, outros celebram a retirada de Maduro do poder - mas quem vai governar agora a Venezuela? O que é se vai seguir? "O anúncio de Trump marca uma escalada maciça da intervenção dos EUA após meses de especulação sobre se Washington iria realmente invadir o país - e quais seriam os planos da administração dos EUA para a transição."

Trump parece não estar preocupado nem com o povo nem com o futuro da Venezuela, mas sim com o petróleo e com a intenção de usar companhias petrolíferas norte-americanas para explorar esse grande recurso, tendo este assunto sido referido várias vezes. Declarou também a partir de Mar-a-Lago que "Washington vai assumir provisoriamente o comando do país sul-americano." Apresentou então a "vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez," como a sucessora de Maduro, embora isso não tenha sido confirmado pelo governo venezuelano.

Esperava-se que se devolvesse o poder ao ex-diplomata Edmundo González, ou até a María Corina Machado, (que tinha sido proibida de participar pelo governo venezuelano sob a acusação de envolvimento em corrupção), mas de facto não foi isso que aconteceu. Depois das eleições de 2024, irromperam protestos por toda a Venezuela contra os resultados apresentados pelo governo de Maduro que se afirmou como vencedor, apesar de tudo parecer apontar para o contrário. Maduro "estabeleceu uma extensiva repressão com a continuidade de prisões de figuras políticas da oposição, como também prisões de milhares de manifestantes e perseguição e censura a imprensa local e internacional.

Para Trump e para Rubio, esta ação foi apenas a detenção de "um fugitivo da justiça americana", para o qual até havia um prémio pela sua captura e, não, o ataque a um país, referindo ainda que não se tratava da detenção do presidente de um país, uma vez que o seu governo não tinha sido reconhecido. Estranhamente, depois afirma que a sua "vice" é a sua sucessora - então em que ficamos? Como pode haver uma vice-presidente de um "não" presidente? O povo teme agora que a esta ação se possa seguir um golpe de estado, ou até que o país venha a entrar em guerra civil. 

O primeiro-ministro português  não condenou as ações dos "Estados Unidos da América (EUA), que atacaram a Venezuela e capturaram o Presidente Nicolás Maduro," dizendo que estas ações visam promover uma "transição estável" no país. Da mesma opinião, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel diz que esta é "uma oportunidade de a Venezuela regressar ao trilho democrático" e classifica as "intenções" norte-americanas como "benignas". Vivem na Venezuela cerca de "194 mil" cidadãos portugueses, aos quais foi pedido "para não saírem de casa."

 Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/ataque-dos-eua-a-venezuela/2026-01-03-donald-trump-partilha-primeira-imagem-de-nicolas-maduro-apos-ataque-dos-eua-a-venezuela-b916c82c

https://pt.euronews.com/2026/01/03/administracao-trump-nao-da-pormenores-depois-de-afirmar-que-vai-governar-a-venezuela

https://sicnoticias.pt/especiais/ataque-dos-eua-a-venezuela/2026-01-03-donald-trump-vs.-nicolas-maduro-a-operacao-militar-que-mergulhou-a-venezuela-numa-crise-sem-precedentes-6a07b7b7

https://www.publico.pt/2026/01/03/politica/noticia/venezuela-rangel-classifica-intencoes-norteamericanas-benignas-2160004

https://www.nowcanal.pt/ultimas/detalhe/recomendado-a-comunidade-portuguesa-na-venezuela-que-permaneca-em-casa

 

29/12/2025

Movimentações

Estamos a terminar 2025... o ano está quase a chegar ao fim, mas permanecemos suspensos em decisões e acordos que não avançam nem recuam. Damos um pontapé numa pedra e saem ideias estúpidas, com remaniscências em ideologias bíblicas ou colonizadora e que, ainda por cima, têm poder económico e bélico, para mandar nos outros, o que não deixa de ser um problema.

Pois, porque tantas reuniões e encontros depois, a guerra da Ucrânia continua. A Rússia não desiste, a Ucrânia não cede. A Rússia exige que a Ucrânia aceite que deve retirar as suas tropas "dos cerca de 20% da região leste de Donetsk que ainda controlam." Putin não quer que a Ucrânia adira à NATO, não quer uma pausa, quer ficar com o que conquistou... e por aí vão os planos de paz, com um moderador que ora parece estar de um lado, ora parece estar a apoiar o seu adversário. Talvez venha a conseguir este acordo... era bom que a guerra acabasse. Mas a que preço?

Houve um cessar fogo em Gaza, mas a situação está longe de estar resolvida - parece que apenas deixamos de falar no problema. Enquanto isso, Israel continua a construir colonatos na Cisjordânia, usando como desculpa que era o que "deus queria." Ocupam terras que não são suas, cultivam-nas e dizem que são um posto avançado de onde irá surgir uma cidade. Acham que o direitos estão escritos nas bíblias, livros antigos que cada um interpreta à sua maneira. Abatem jovens, invadem territórios que não são seus, tentando continuamente esticar o seu território. Algo está muito errado, quando a fé é desculpa para atacar, violar ou matar o outro. Seja em que religião for.

A China faz exercícios militares sobre Taiwan, usando "munições reais." Taiwan negociou a compra de armas com os EUA e Pequin não gostou, ordenando por isso que se fizesse "um exercício militar" sobre a região mostrando a "capacidade de ataque da força aérea e da marinha." A China informou que estas manobras militares são um aviso às "forças separatistas" e à "interferência externa," que segundo a sua opinião está a empurrar os "defensores da independência" para "uma situação perigosa de guerra iminente." E Taiwan quer manter-se independente. Tem esse direito? Sim. E mais uma vez, lá estão os EUA a intrometer-se em políticas externas, a negociar com os dois lados, a reunir ora com uns, ora com outros. Se por um lado, mantém negócios com a China, por outro defende a autonomia de Taiwan e apoia-os com armamento. É que, ao que parece, é preciso que as guerras continuem para que as fábricas de armamento tragam lucro. 

Estamos a terminar 2025 e ainda há quem afirme que as vacinas fazem mal e que a Terra é plana. E assim vai o nosso mundo. O que peço para 2026? Que uns salpicos de inteligência atingissem alguns cérebros que parecem ter parado no século XVI e acham que ainda andamos por aí a matar mouros e a colonizar terras por esse mundo fora. 

Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2025-12-28-russia-apela-a-ucrania-para-que-aceite-retirada-de-tropas-de-donetsk-42e18ea7

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/severo-castigo-china-lanca-exercicios-militares-em-torno-de-taiwan-para-avisar-forcas-separatistas_n1706718

https://pt.euronews.com/2025/12/29/china-responde-a-compra-de-armas-por-taiwan-com-um-exercicio-militar-em-grande-escala

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-no-medio-oriente/2025-12-29-video-expansao-do-territorio-israelita-na-cisjordania-o-povo-de-israel-esta-a-voltar-a-sua-terra-e-isso-e-a-lei-0114a210

14/12/2025

Porque se mata por uma ideologia?

Porque é que uma pessoa acha que pode matar outra por causa de uma diferença ideológica? Atentados com armas de fogo, com carros, com camiões que proliferam pelo mundo.

Domingo. Uma família dirige-se à praia de Bondi para celebrar o seu Hanukkah. Saõ judeus australianos e estavam reunidos para acendedr as velas que marcam o início da celebração. Muitas outras famílias se juntam, netos e avós, pais e filhos. Quando alguém se lembra de fazer disparos indiscriminados contra quem está na praia, numa atitude de ódio e intolerância. "Doze pessoas morreram" e pelo menos 29 ficaram feridas na sequência do tiroteio que ocorreu este "domingo, 14 de dezembro, na praia australiana de Bondi, em Sydney, onde se realizava a festa judaica de Hanukkah."

"Entre os feridos há ainda dois agentes policiais, que acorreram ao local, bem como um segundo atirador, que se encontra em estado crítico," já sob custódia das autoridades. Houve ainda uma "ameaça de bomba em curso naquela área", com a polícia a referir que "estava a trabalhar para desarmar (...) um artefato explosivo improvisado."

Na Alemanha, as autoridades anteciparam e detiveram "cinco homens" que estariam a planear "um ataque a um mercado de Natal no sul da Baviera. Os homens, três "marroquinos de 22, 28 e 30 anos, um cidadão egípcio de 56 anos e um sírio de 37 anos foram detidos na sexta-feira na passagem fronteiriça de Suben, entre a Alemanha e a Áustria." Segundo se sabe, o mais velho, um homem de 56 anos, "terá feito um apelo numa mesquita" para encontrar quem com ele quisesse colaborar num ataque a "um mercado nos arredores da cidade de Dingolfing-Landau, perto de Munique," referindo que iriam utilizar "Qum veículo para matar ou ferir o maior número possível de pessoas." Os restantes terão concordado na realização do atentado.

Em 2016, um islamita avançou com um camião atropelando quem passeava num "mercado de Natal no centro de Berlim" e, em dezembro passado, "um ataque" com um carro-bomba em Magdeburgo, provocou "seis mortos e mais de 300 feridos."

Ontem, na universidade de Brown, na cidade de Providence, nos EUA, duas pessoas terão perdido a vida num tiroteio, que aconteceu "no segundo dia de exames nacionais." O edifício atingido é onde fica a "Escola de Engenharia e o departamento de Física," e conta com "mais de 100 laboratórios, dezenas de salas de aula e escritórios." Esta universidade é privada e faz parte da reputada "Ivy League, um grupo de universidades de elite," com cerca de "11 mil alunos." Não se sabem as razões nem as motivações para este tiroteio. 

Fontes:

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cr5z7dlvervo

https://www.jn.pt/mundo/artigo/dois-mortos-e-oito-feridos-em-tiroteio-na-universidade-brown-nos-eua/

https://www.dn.pt/internacional/10-mortos-e-12-feridos-num-tiroteio-durante-uma-festa-judaica-em-praia-na-austrlia-h-duas-pessoas-detidas

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/detidos-cinco-suspeitos-de-planear-ataque-a-mercado-de-natal-em-munique_n170417

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-12-14-autoridades-alemas-detem-cinco-suspeitos-de-planearem-ataque-em-mercado-de-natal-e23a6e4b

 

29/11/2025

Trump: o risco de não lhe obedecerem e a declaração de guerra dissimulada

A tensão entre a Venezuela e os EUA tem vindo a crescer. A situação agravou-se com o anúncio feito pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que dava ordem de "encerramento" do espaço aéreo venezuelano. O narcotráfico, é um problema real para os EUA, mas numa outra interpretação dos factos, podemos dizer que esta forte presença militar, pode também servir como pressão contra o regime de Nicolás Maduro. A Venezuela viu a mobilização dos seus cidadãos, criando milícias e "comandos de defesa".

Nicolás Maduro, acusado por muitos de ser um ditador, interpreta o posicionamento do arsenal americano e as ameaças de Trump, "como uma tentativa de o afastar do poder."

Donald Trump já tinha colocado na região das Caraíbas um grande dispositivo militar, "incluindo o maior porta-aviões do mundo," - o Gerald R. Ford, "com quatro mil soldados e 75 caças a bordo" - com a intenção de, ao que o mesmo afirma, acabar com o tráfico de droga e de pessoas na Venezuela. Desde setembro, os Estados Unidos destruíram já cerca de "20 lanchas supostamente envolvidas no tráfico de droga no mar das Caraíbas e no Pacífico, matando mais de 80 pessoas com recurso a ataques aéreos."

Trump recomendou às companhias aéreas comerciais que tivessem "extrema cautela” ao sobrevoar aquela região, o que muitas acabaram por fazer, receando que os voos pudessem de alguma forma ser atingidos em potenciais ataques de parte a parte. A TAP, que serve os milhares de emigrantes que se encontram na Venezuela, seguiu o exemplo de outras companhias aéreas e "suspendeu também os voos para Caracas," alegando falta de condições de segurança.

No seguimento deste aconselhamento de Trump, Maduro ameaçou que, ou as companhias retomavam os voos em 48 horas, ou não retomariam mais e, cumprindo a ameaça, revogou "as autorizações de operação de várias companhias aéreas, nomeadamente a TAP, Avianca, Latam, Turkish Airlines, Colombia e Gol," acusando-as de se "unirem aos atos de terrorismo" promovidos pelos Estados Unidos. Sem forma de sair do país, estão muitos emigrantes, muitos deles portugueses. Muitos desses portugueses, são madeirenses,

Trump deu agora a "ordem" de encerramento do espaço aéreo venezuelano  - que, ao que se vai vendo nos noticiários, está a ser cumprida. O anúncio foi publicado nas redes sociais, onde se pode ler, algo como: “A todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de droga e traficantes de seres humanos, por favor considerem o espaço aéreo acima e em torno da Venezuela como encerrado na sua totalidade”. Ordens dadas a um outro estado? Envolvida está também a República Dominicana cujo governo, depois de uma reunião com o "secretário de Defesa dos Estados Unidos" Pete Hegseth, cedeu autorização para que os Estados Unidos possam "utilizar de forma provisória dois aeroportos no âmbito da luta contra o tráfico de droga na região."

Fontes:
https://www.publico.pt/2025/11/29/mundo/noticia/trump-anuncia-encerramento-espaco-aereo-venezuela-2156520

https://expresso.pt/internacional/eua/2025-11-29-trump-afirma-que-espaco-aereo-da-venezuela-esta-totalmente-fechado-3b1edeb9

https://expresso.pt/internacional/eua/2025-11-28-trump-anuncia-intervencao-terrestre-na-venezuela-e-maduro-poe-forca-aerea-em-alerta-maximo-a7310998

https://expresso.pt/internacional/america-latina/2025-11-27-maduro-proibe-tap-e-outras-companhias-aereas-de-voar-para-a-venezuela-5d72b973

https://sicnoticias.pt/mundo/eua/2025-11-28-aumenta-a-tensao-entre-eua-e-venezuela-trump-anuncia-intervencao-militar-terrestre-d0fa46d2

20/11/2025

A ida de um português à Casa Branca

Podia ser só isso. Um português, reconhecido pelo seu trabalho, foi convidado a ir à Casa Branca. E um convite do Presidente dos EUA não se recusa.

Mas não foi só isso.

O português em causa, é reconhecido por muitos como um símbolo do país, quase como um "embaixador" embora não o sendo formalmente. O português em causa veste a camisola de Portugal e, onde quer que vá, está a ser olhado e todas as suas ações, atitudes e palavras estão a ser avaliadas. Esse português foi à Casa Branca por ser um homem de sucesso, por ter dinheiro, porque é apreciado por muitos em todo o mundo. Mas não levou (formalmente) Portugal com ele. Levou a Arábia Saudita. Ou melhor, foi levado... como um troféu do princípe Saudita. O regime que lhe paga milhões para representar um dos maiores clubes, o Al-Nassr Football Club. E foi no mesmo dia, viajou no mesmo avião e sentou-se à mesma mesa que "Mohammed bin Salman, primeiro-ministro saudita, príncipe herdeiro e líder do Fundo de Investimento Público, que gere o Al Nassr".

E o que é que está mal aqui?

O regime. Não o facto de se tratar de uma monarquia absoluta, mas de esta monarquia ainda matar quem não concorda com as suas ideias, em pleno século XXI. 

O estado que terá sido responsável pelo brutal assassinato e desmembramento de Jamal Khashoggi, dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul, que ocorreu em 2018. "Um caso que até foi relembrado por um jornalista durante o encontro entre Donald Trump e Mohammed bin Salman, mas que o presidente norte-americano fez questão de desvalorizar, mesmo que um relatório da CIA confirme o envolvimento do príncipe no assassínio."

O estado que, desde que "Mohammed bin Salman assumiu o poder," condenou "muitas pessoas" consideradas ativistas "a longas penas de prisão simplesmente porque exerceram pacificamente os seus direitos à liberdade de expressão, associação e reunião," silenciando "todos os que tentam expor e combater as violações de direitos humanos."

O mesmo país que está no "topo dos países que mais praticam a pena de morte, com dezenas de pessoas a serem executadas a cada ano, muitas delas em terríveis decapitações públicas" e onde os tribunais "continuam a decretar a flagelação como punição para muitas ofensas, muitas vezes no seguimento de julgamentos injustos." Entre estes castigos estão as chicotadas, as "amputações e as chamadas amputações cruzadas (amputação da extremidade de um membro superior de um dos lados do corpo e da extremidade de um membro inferior do lado oposto)."

Que Trump diga coisas com as quais não concordamos - acho que vamos estando habituados. Que mande calar jornalistas e que os intimide, também não é novidade. Novidade é termos uma figura que é, quer queiramos quer não, um símbolo do país, a partilhar da mesma mesa e da companhia de um tirano. A este jogador, a este português, livre (aqui no seu país e livre no país que o recebeu à mesa) poder-se-ia exigir uma voz de protesto? Uma voz de denúncia? Mas isso seria abdicar da riqueza... penso que não seja só isso, talvez algum medo intrínseco... pois estes regimes têm garras que ultrapassam a segurança das fronteiras e são muito mais poderosos do que imaginamos. 

E se cada um faz aquilo que quer, a pergunta é, e quando o Ronaldo não quiser ou quando quiser mostrar publicamente a sua discordância? Poderá fazê-lo?

Fontes:

https://www.amnistia.pt/arabia-saudita-10-coisas-que-precisa-saber-sobre-um-reino-de-crueldade/#gref

https://sicnoticias.pt/especiais/cristiano-ronaldo/2025-11-19-video-obrigado-senhor-presidente-ronaldo-agradece-a-donald-trump-pela-rececao-na-casa-branca-baf02d25

https://cnnportugal.iol.pt/cristiano-ronaldo-casa-branca/donald-trump-e-cristiano-ronaldo/cristiano-ronaldo-foi-a-casa-branca-numa-tentativa-saudita-de-distrair-a-opiniao-publica-do-registo-atroz-de-direitos-humanos-cometeu-um-erro-de-imagem-que-vai-transportar-ate-aos-100-anos/20251119/691e1eb3d34e2bd5c6d42fa7


 

14/10/2025

Um Plano de Paz...

Como se faz um Plano de Paz sem que os envolvidos na guerra estejam presentes ou representados?

Difícil de perceber, mas foi precisamente isso que aconteceu. Na sexta-feira, entrou em vigor um "acordo de cessar-fogo" que segue um "plano de 20 pontos apresentado pelo Presidente norte-americano, com o objetivo de pôr fim à guerra desencadeada em 07 de outubro de 2023 pelo ataque do Hamas que visou o sul do território israelita."

Apesar de haver este acordo, continuaram a ouvir-se explosões na Faixa de Gaza, ao mesmo tempo que milhares de pessoas tentavam regressar aos locais onde antes residiam, na maioria sem saber se encontrariam lá um sítio para viver e tendo quase a certeza de que já só veriam destroços do que antes tinham sido casas, ruas, bairros.

Trump assinou um Plano de paz, junto com os negociadores do Egito, do Catar e da Turquia, mas sem a presença do Hamas nem de Israel, ou seja, sem as partes beligerantes. Na verdade, há a dúvida se não se poderá apenas tratar de um cessar fogo, o que deixa a grande dúvida - e depois? O que esperar depois de terminar esta primeira fase? O que acontecerá se uma das partes falhar um dos pontos do acordo? Para Trump, está tudo resolvido e todos lhe vão obedecer.

A Cimeira realizou-se no Egito e juntou representantes de "35 países (entre os quais França, Itália, Alemanha, Jordânia, Turquia e Reino Unido, bem como das Nações Unidas e da União Europeia" - incluindo Portugal, representado por e "António Costa — em representação da Comissão Europeia"), mas deixou de fora os principais intervenientes no conflito. Antes de seguir para a Cimeira, Trump foi a Jerusalém onde esteve com familiares dos reféns e discursou no parlamento de Israel, e de onde saiu afirmando que a guerra tinha terminado. Nesta visita a Israel, o principal objetivo foi o de firmar as condições para a segunda fase do acordo de paz.

Naquilo que respeita à execução do Acordo, poderão haver algumas divergências, embora o Hamas tenha já libertado "todos os 20 reféns" vivos, mantidos desde dia 7 de outubro de 2023. Faltam ainda entregar os 28 corpos dos reféns que entretanto morreram, durante estes dois anos. 

"Não existem lusodescententes entre os sete cidadãos libertados" embora se fale em "três luso-israelitas." Em troca da libertação destes reféns e da entrega dos corpos, "Israel comprometeu-se a libertar 250 palestinianos detidos por razões de segurança, incluindo vários condenados por atentados mortais anti-israelitas, bem como 1700 palestinianos detidos em Gaza desde o início da guerra.

Em discussão está também a reconstrução de Gaza e a eterna questão da aceitação dos dois estados, ideia defendida por exemplo pelo presidente do Egito, ou pelo governo espanhol.


Fontes:

https://expresso.pt/internacional/medio-oriente/guerra-israel-hamas/2025-10-14-todos-no-medio-oriente-tem-uma-versao-diferente-do-plano-de-paz-de-trump-e-o-risco-imediato-e-gaza-mergulhar-no-caos-como-vimos-no-haiti-0c438fc4

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/trump-a-caminho-de-israel-a-guerra-acabou-perceberam_n1690550

28/09/2025

Tiroteio em igreja no Michigan, EUA

O que é que se passa com as pessoas? É só o que me apetece perguntar. Esta tarde, houve mais um tiroteio. Longe daqui, é certo, mas num país supostamente democrático e isto diz muito sobre o rumo que o mundo está a tomar... ou será que nunca deixámos de ser bestas sem princípios e sem respeito pelos outros?

O tiroteio, que ocorreu "na Igreja de Jesus Cristo e dos Santos dos Últimos Dias, em Grand Blanc, a norte de Detroit, Michigan," fez vários feridos, entre os quais poderão haver também crianças. A própria igreja sofreu danos avultados devido a um incêndio que foi ateado logo a seguir, envolvendo dispositivos de ignição que terão sido mais tarde encontrados. De acordo com alguns relatos, "Thomas Jacob Sanford, de 40 anos", terá invadido "a igreja" com o seu carro e saiu do veículo disparando sobre quem lá se encontrava, provocando o pânico, enquanto as pessoas tentavam fugir no meio da confusão.

Além do atirador, morreram outras três pessoas, podendo ainda o número de vítimas vir a aumentar, uma vez que as autoridades afirmam que só saberão o número exato de vítimas, quando a extinção do incêndio, tornar seguro entrar no edifício.

O atirador terá sido abatido pelas autoridades. O que é que pode ser tão importante que leve algém a entrar num espaço público - seja ele um centro comercial, ou uma igreja - e desatar aos tiros, indiscriminadamente, com o único objetivo de fazer vitimas? Os EUA têm um historial de tiroteios que assusta qualquer um de nós, mas mesmo assim, mantém-se a política de que "qualquer" um pode ter uma arma. O que é que esta pessoa pode querer provar ou pode ganhar com estas atitudes? Estará mesmo a religião ligada a estes atos de loucura ou será "apenas" pura maldade? 

Fontes:

https://sapo.pt/artigo/varios-feridos-em-tiroteio-numa-igreja-no-michigan-atirador-atingido-68d9621ffa12df959ba19cef

20/09/2025

Violação do espaço aéreo da NATO ou simples distração?

Nos últimos dias, tenho dado conta de que se fala cada vez mais em drones e em ataques feitos com estes disposoitivos. Temos também assistido, a partir dos blocos noticiosos, a diversos relatos de aeronaves russas que violam o espaço aéreo de países pertencentes à NATO. Embora sem danos diretos, estes voos podem ter diferentes causas e diversas intenções, desde logo, permitir testar as defesas anti-aéreas e os tempos e formas de reação de cada país a um ataque russo.

Desta vez, três caças entraram no espaço aéreo da Estónia e, de acordo com o governo deste país, não tinham "autorização" para o fazer e voaram "durante 12 minutos antes de serem interceptados por F-35 italianos," que estariam na região a participar "numa missão de vigilância do Báltico." Estas aeronaves, não responderam a nenhum a tentativa de "comunicação de rádio bidirecional com o controlo de tráfego aéreo da Estónia e não tinham planos de voo," o que constitui desde logo uma situação grave que podia mesmo ter levado ao abate dos caças. No caso da Estónia, esta foi a quarta vez este ano que tal aconteceu e já levou a que "vários líderes políticos europeus" condenassem "o incidente, entre os quais a ministro da Defesa da Lituânia, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, o chefe da diplomacia alemã, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, bem como os primeiros-ministros da Suécia e da Chéquia."

Situação idêntica tinha acontecido na Polónia, cerca de uma semana antes, "depois de mais de 20 drones russos terem entrado no espaço aéreo do país" e levando a que aviões da NATO tivessem mesmo chegado a abater alguns deles. Este incidente levou a que a NATO, tivesse, ainda no passado sábado, avançado com a ativação da "iniciativa militar Sentinela Oriental, criada para reforçar a defesa do flanco oriental." 

No caso da Polónia, este ato foi considerado como uma provocação, que deve ser levada a sério pela NATO, tendo ainda solicitado "uma reunião extraordinária do conselho de segurança da ONU." Entretanto, "dois caças russos sobrevoaram a baixa altitude a plataforma Petrobaltic, no Mar Báltico," violando a "zona de segurança da plataforma."

Sobre a mesma situação, Portugal, através de Paulo Rangel (Ministro dos Negócios Estrangeiros), "convocou o embaixador russo para pedir explicações" acerca da "invasão do espaço aéreo e da fronteira" da Polónia. Não nos podemos esquecer que o nosso país está, apesar de tudo, envolvido diretamente na defesa do espaço aéreo e marítimo europeu, seja através da sua participação ativa em missões da NATO, seja pela importância da sua localização geográfica, particularmente, da base das Lajes, sita nos Açores.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, já veio, no entanto, em defesa do seu homólogo russo, dizendo que se poderia ter tratado apenas de um "acidente," ou "um erro," embora estes atos estejam a ser vistos por algumas forças da NATO, como testes às defesas aéreas de países que fazem parte da organização, bem como, atos de provocação, para incitar a que outros países se envolvam na guerra. O perigo, é nunca sabermos de que lado é que ele está e, isso sim, é um perigo!

Fontes:

https://www.publico.pt/2025/09/19/mundo/noticia/estonia-denuncia-violacao-espaco-aereo-cacas-russos-2147853

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-09-15-polonia-abate-drone-que-sobrevoava-edificios-do-governo-e3b559fa

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2025-09-20-ucrania-sugere-resposta-energica-a-incursao-de-cacas-russos-na-estonia-bdbb0d64

https://sicnoticias.pt/pais/2025-09-11-portugal-convoca-embaixador-russo-por-causa-de-intrusao-no-espaco-aereo-polaco-1e881941

https://pt.euronews.com/2025/09/19/tres-cacas-russos-invadiram-o-espaco-aereo-da-estonia

https://expresso.pt/internacional/uniao-europeia/2025-09-19-estonia-denuncia-violacao-do-espaco-aereo-por-cacas-russos-e-solicita-reuniao-ao-abrigo-do-artigo-4-da-nato-7533e6fb

22/08/2025

EUA enviam meios militares para o mar da Venezuela

À vista de todos e arriscando-se a que alguém perca a paciência ou seja menos despojado de princípios do que ele, Trump continua a tentar demonstrar a sua potencial força, através de ações e provocações. Desta vez, os "Estados Unidos enviaram três navios lança-mísseis para as águas ao largo da Venezuela." Estes navios têm como "objetivo" o combate ao narcotráfico, num momento em que a tensão entre os dois países vai crescendo.

Para quem ainda não conhece a relação entre estes dois estados, começo por dizer que, no início deste mês, Trump duplicou a "recompensa oferecida por qualquer informação que permita" prender o presidente venezuelano Nicolás Maduro, cujo mandato não é sequer reconhecido pelo presidente Trump, por "tráfico de drogas." Em resposta, Nicolás Maduro colocou nas ruas cerca "de 4,5 milhões de milicianos, componente da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), preparadas, ativas e armadas, no que designou como um "plano de paz."

Trump não teme lançar ataques contra a Venezuela. E por isso, não é de estranhar que possam já haver mais meios a caminho, todos com o mesmo objetivo: "a missão envolve um submarino nuclear, uma aeronave de reconhecimento P8 Poseidon, vários contratorpedeiros e um navio de guerra equipado com mísseis," podendo ainda estar a caminho cerca de "4 mil fuzileiros navais para a região das Caraíbas, perto da costa venezuelana." 

Mas viajemos até ao ano de 2019. Trump estava na Casa Branca quando os EUA se recusam a aceitar a vitória de Maduro, impondo rígidas medidas contra a Venezuela, onde, manifestações contra Maduro, levaram à morte de "sessenta e sete pessoas," 59 das quais à mão de "polícias e grupos civis armados que apoiavam o governo de Maduro" e as outras seis em "execuções extrajudiciais cometidas por forças policiais especiais após os protestos."

A relação entre os dois estados tem sofrido vários altos e baixos, especialmente desde que os EUA reconheceram Juan Guaidó como presidente interino do país e, ainda, se nos lembrarmos que a Venezuela foi um dos países que se manifestou contra o ataque dos EUA a três instalações nucleares iranianas, a favor de Israel (além de Cuba e do Chile). Então, isto poderá estar tudo relacionado, ou será mesmo só sobre combater o tráfico de drogas?

Vamos aguardar.


Fontes:

https://observador.pt/2025/08/21/estados-unidos-enviam-tres-navios-lanca-misseis-para-aguas-ao-largo-da-venezuela/

https://observador.pt/2020/01/25/venezuela-morreram-67-pessoas-durante-protestos-em-2019/

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/06/internacional/1565055325_220193.html

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-08-19-presidente-venezuelano-arma-e-distribui-45-milhoes-milicianos-pelo-pais-6f7b800a


17/08/2025

Quando se discute o futuro da Europa

Podemos olhar para as reuniões entre Putin e Trump, Trump e Zelenski, como algo distante... mas não é nem assim. É preciso pensarmos bem que, aquilo que se decidir, vai influenciar o futuro da Europa e não apenas o futuro da Ucrânia (tal como a guerra nos continua a afetar a todos, apesar de, aparentemente nos termos adaptado e parecer que nada se passa).

Quando olho para estes encontros - e como me tenho debruçado sobre a história do século XX e das guerras que tanto afetaram as populações - parece-me sempre que algo anda a ser cozinhado e que nós só vamos saber quando o cozinhado estiver pronto. Há coisas que vamos sabendo, mas há muitas conversas, vários acordos que são feitos sem que se saiba na comunicação social - fazem parte destes, as reuniões de preparação dos grandes encontros, esses sim, mais mediáticos. Lembro-me dos acordos que foram fechados à margem dos Tratados oficiais, do que foi combinado e que acabou por não resultar no Armistício, e que, depois acabaram por levar à Segunda Guerra Mundial. Lembro-me das perdas que os vencidos tiveram e das cedências que foram obrigados a fazer. O que é se passa agora nos corredores, o que é que se diz à porta fechada nos gabinetes?

Esta Cimeira (por cá, mencionada em diversos canais televisivos, mas devido ao flagelo dos incêndios, sem o devido destaque), juntou dois homens no Alasca, no dia 15 de agosto, dois lideres que têm como aspeto comum a sua forte personalidade, mas enquanto Trump é mais explosivo, Putin é mais reservado. O seu semblante não transparece os seus pensamentos. E isso não me tranquiliza...

Vladimir Putin, foi recebido "no Alasca com uma exibição aérea de F-35 e F-22, e um sobrevoo do bombardeiro estratégico B-2, numa demonstração de força que não passou despercebida." O palanque em que Putin foi recebido, estava "ladeado por quatro caças F-22." 

Para quê? Com que intenção?

Fala-se em cedências de territórios e na instalação de militares europeus na Ucrânia... alguém acredita que isso vai acontecer? Temos um homem que, quer queiramos quer não, tem uma forte personalidade e uma enorme dominância, e que sabe que muitos receiam as suas ações. Quando esse homem, é recebido pelo presidente dos EUA, numa "base militar perto de Anchorage," no Alasca, e os dois apertam as mãos e seguem no mesmo veículo, estamos sim perante um encontro histórico. Histórico é também este local. "Durante a Guerra Fria, desempenhou um papel central na dissuasão e monitorização das projeções da força militar soviética e, desde a queda da Cortina de Ferro, tem mantido um papel discreto e puramente militar."

O que resultou desta reunião, para já, pouco ou nada sabemos. Mas sabemos que enquanto se discutia (supostamente) a paz, o "exército russo" bombardeava a Ucrânea lançando "85 drones e um míssil." Coincidência ou provocação?

Os dois, acabaram por não se reunir a sós, mas claro que houve hipótese de acordar determinados pontos aos quais por enquanto não teremos acesso. "Marco Rubio" e o "enviado especial, Steve Witkoff," estiveram presentes no Air Force One, "na parte bilateral das conversações." Na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro entre os dois líderes, teve Putin a primeira palavra, tendo começado logo designar Donald Trump "como vizinho " e "recordou as raízes russas no estado norte-americano do Alasca."

Sabe-se que Zelensky já terá conversado com Trump e que haverá um encontro entre os dois, em que poderão participar também outros líderes europeus. Ao contrário do que Trump chegou a afirmar, muito dificilmente os três se sentarão à mesma mesa.

Esperemos que estes encontros realmente sejam espaços de discussão de ideias que visem a Paz na Ucrânia, o regresso do povo ucraniano à sua terra, às suas casas e à não perda na necionalidade, da cultura, da língua... isto não pode acontecer, mas receio, será talvez um mal necessário, uma cedência para a Paz... 


Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2025-08-15-trump-e-putin-reunem-se-no-alasca-0025aa1e

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2025-08-16-os-avioes-militares-com-que-trump-tentou-impressionar-putin-7a1d9263

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...