20/03/2026

A extensão de uma guerra que só ia durar uns dias

Donald Trump dizia que a guerra ia durar pouco. Talvez estivesse a comparar o Irão à Venezuela. Um regime como este não cai assim. Parece uma forte árvore que quanto mais é podada, mas forte cresce, estendendo os seus ramos até onde consegue, usando-os para asfixiar o seu povo e quem quer que lhe mostre oposição. Trump, entretanto chamou "cobardes" aos países aliados da NATO, perante a tomada de posição destes em não apoiarem diretamente os EUA nesta fase do conflito.

Sobre isto, ouvia hoje o podcast de Maria João Simões na rádio Observador e em que intervinha o major-general Arnaut Moreira, que explicava um pouco da posição dos países europeus e da própria NATO. A defesa apresentada pelos países europeus para não cederem ao pedido de ajuda de Donald Trump foi a falta de consulta prévia e a falta de informações sobre as operações militares a decorrer, Como nos explicava Arnaut Moreira, os navios europeus fariam escolta e os meios aéreos norte-americanos dariam apoio, mas isso não foi aceite pelos líderes europeus. E ainda bem. A própria NATO, como também o Major-general explicou, estaria assim diretamente envolvida num combate fora da sua área de intervenção, sendo que embora isso já tenha acontecido no passado, a questão é que nenhum país da NATO foi atacado e que, quem iniciou o conflito foram, na realidade, os EUA e Israel. 

E a cada dia que passa, a situação vai piorando. Não apenas no Médio Oriente, mas também na própria Europa. O ministro dos negócios estrangeiros iraniano veio já acusar o Reino Unido de ser cúmplice dos EUA por permitir o uso das suas bases militares. Na Turquia, a defesa aérea da NATO, interceptou já dois mísseis disparados do Irão. O governo turco interpreta estes ataques como uma tentativa de provocar a entrada da Turquia na guerra, mas afirma que não tem intenções de ceder, reforçando ainda que os ataques contra o Irão devem cessar.

A própria Polónia (membro da NATO desde 1999) veio já retirar as suas tropas da zona do Iraque, onde se encontravam desde 2016.

Khamenei, que "não é visto em público" desde a sua nomeação como sucessor do seu pai, o Ayatolla Ali Khamenei, morto nos primeiros dias deste conflito, já se pronunciou também sobre a morte do porta-voz da Guarda Nacional do Irão, declarando que os culpados não devem "viver em segurança". Além de Ali-Mohammad Naini, foi também "morto o ministro dos Serviços de Informações, Esmail Khatib." O atual porta voz do Irão, veio também ameaçar que "parques, áreas de lazer e destinos turísticos" podem ser alvos, deixando de ser seguros "para os inimigos de Teerão." O clima de medo é uma das formas de luta do regime iraniano, pois pode não atacar diretamente os EUA ou Israel, mas ataca todos os que venham a mostrar o seu apoio aos mesmos, ou que não se aliem ao próprio Irão.

Países como o Bahrein, o Kuwait e a Arábia Saudita, continuam a ser atacados com mísseis e drones iranianos. O Irão continua a atacar as "infraestruturas energéticas no Golfo," tendo atingido uma "refinaria saudita." No Qatar, foi atingida uma "instalação de gás natural liquefeito." Estes ataques a estruturas energéticas são uma forma de o Irão responder aos "ataques israelitas ao campo de gás de South Pars/North Dome."

No Bahrein, já foram interceptados desde o início da guerra a "28 de fevereiro," cerca de 139 mísseis e 238 drones" com origem no Irão. Destes, um resultou num "incêndio num armazém." No Kuwait, foi atacada as refinarias de Mina Abdullah e Mina Al-Ahmadi, tendo sido registados vários focos de "incêndio em algumas das suas unidades."

Por cá, fala-se de crise, mas ainda estamos bem. Os preços sobem, principalmente os combustíveis e os os fertilizantes, culpa dos bloqueios no Estreito de Ormuz. Apesar de o governo se dizer "sensível" ao aumento dos preços dos combustíveis, não há grandes alterações nem irá haver, pelo menos para já, uma imposição de um limite na subida dos preços. Apenas no que se refere ao gasóleo profissional, o governo irá introduzir durante os próximos 3 meses, "um mecanismo extraordinário" que visará as "empresas de passageiros e de mercadorias," (onde se incluem também os táxis e as corporações de bombeiros) e que se irá traduzir num "reembolso de 10 cêntimos por litro até 15 mil litros por veículo." A ministra do ambiente, Maria da Graça Carvalho, veio já anunciar que "estamos perto dos critérios" para que seja declarada uma crise energética, sendo que será necessária uma decisão do próprio conselho europeu para que se possam tomar realmente medidas nesse sentido.

Fontes:

https://sapo.pt/artigo/morreu-porta-voz-da-guarda-revolucionaria-iraniana-israel-lanca-nova-onda-de-ataques-no-coracao-de-teerao-69bd10db31c55356067a76de

https://www.noticiasaominuto.com/economia/2957918/do-gas-aos-combustiveis-passando-pelo-travao-aos-precos-o-que-vem-ai

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2955757/turquia-teme-que-netanyahu-possa-estar-a-cometer-um-genocidio-no-libano?dicbo=v2-UBZF785

https://observador.pt/programas/o-dominio-da-guerra/o-irao-so-nao-atinge-a-europa-porque-nao-quer/

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/portugal-perto-dos-criterios-para-declarar-crise-energetica_e1727869

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