31/10/2026

Numa praça de gente madura

Hoje, numa "praça de gente madura", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como fizeram em abril de 1974. Tal como cantou Zeca Afonso, o povo saiu à rua e juntou-se numa praça, e não foi só em Lisboa, foi no Porto e foi em outras cidades do país, foi em outras cidades da Europa, onde as pessoas se juntaram, perdendo o medo de ir contra aquilo que lhes é esperado, perdendo a vergonha de dar a cara, enfrentando quem lhes viesse dizer o que afinal seria esperado que fizessem.

Hoje, o povo saiu e não ficou quieto. Nem se calou. Hoje o povo cantou, gritou, entoou pedidos e gritos. Pediu por melhores condições de vida, daquelas que já fazem parte da Constituição, mas que tantas vezes ficam esquecidas. 

Hoje, o povo saiu à rua, pais e mães, filhos e avós, juntaram-se na praça e pediram condições para que todos possam ter uma casa. Não pediram para não trabalhar, pediram um ordenado digno. Não exigiram que lhes fosse oferecida uma casa, mas que houvesse no mercado casas que qualquer trabalhador pudesse comprar para habitar. O que vai acontecer depois, logo, quando a noite vier e na praça ficarem apenas alguns mais resistentes, não se sabe. A comunicação social não sai dali, não deixa os manifestantes sozinhos, não deixa de transmitir as suas posições e imposições. Filmam as "mães da acampada", quatro mulheres que se vieram juntar ao protesto e a quem é perguntado se "não têm medo?" Lembremo-nos que ainda há dias, as pessoas acabaram por ser dispersadas 
à bastonada, quando se recusaram a arredar pé, quando a polícia decidiu que tinha chegado a hora de terminar com a manifestação.

E agora quando a noite vier e se a polícia mandar levantar as tendas, o que irá acontecer? O problema nem nunca foram as tendas. As manifestações espalham-se por várias cidades da Europa, quase num movimento coletivo que começou em França no início de setembro. As imagens desta acampada portuguesa surpreendem e contrastam com a violência que se expande lá fora. 

Em França, os protestos têm sido muito violentos. Esta tarde, já se fala em "centenas de milhares de pessoas nas ruas - mais de 320 mil, segundo o ministério do Interior," e já houve registo de vários confrontos. Em Paris, tenta-se afastar os manifestantes que lutam "contra as condições nas escolas e a crise do custo de vida", para fora da cidade, para que se proteja a imagem, o turismo e o comércio. Lyon ou Grenoble também vivem em tensão. Em França estão mobilizados cerca "de 70.000 agentes policiais," com o risco acrescido de hoje coincidir "com a festa do Halloween." A violência é visível nas imagens que nos vão chegando através da televisão. Em França, não se bordam mantas coletivas nem se cantam canções de intervenção em coro. Em França, "os manifestantes lançaram cocktails Molotov contra as forças de intervenção, que responderam com gás lacrimogéneo." Há vítimas a lamentar de ambos os lados e foi colocado em "vigor um recolher obrigatório noturno em várias zonas de Paris afetadas pelos distúrbios nas manifestações de 17 de outubro, com episódios de violência e pilhagens."

Em Espanha, as pessoas unem-se para proteger e entaipar as montras e as portas, tentando evitar a destruição que possa advir de intervenções mais violentas. Ali, hoje não houve uma convocatória para que as pessoas se manifestassem. Ali, jovens, muitos deles menores de idade, estão a ser aliciados para se juntarem e pilharem determinadas lojas e para provocarem o caos e a destruição nas ruas. Ontem foram detidas "cerca de uma dezena de pessoas ligadas ao movimento de caráter violento Blocus", que atua, pelo que dizem, em nome da defesa da "qualidade da escola", e que foram "acusados de instigar a realização de múltiplas pilhagens, apelando aos jovens para que se juntassem ao protesto utilizando armas e também para que fabricassem `cocktails` molotov, com o objetivo de sobrecarregar os agentes da polícia que enfrentassem as sabotagens." No passado sábao, o grupo que na maiorira foi convocado pelas redes sociais e que diz agir sob o lema “Institut Indignats”, tentou "reproduzir na capital catalã as manifestações violentas que França vive há dias, na sequência das mobilizações estudantis que decorrem há semanas." Aas suas ações passam por provocar "incêndios em equipamentos urbanos," por atos de "vandalismo contra o comércio" e por saquear artigos, que depois são também ensinados como vender.

Também na Alemanha e na Albânia, os manifestantes saíram à rua. Em Berlim, os protestos têm como mote principal a oposição ao "serviço militar obrigatório," mas também exigem "maiores investimentos em educação e apoio aos estudantes, que enfrentam dificuldades com a subida custo de vida." A organização é liderada pelo "grupo Gen Z Regelt" e tem como inspiração os "protestos que nas últimas semanas têm percorrido vários países da Europa, incluindo Portugal." Este grupo, acabou por se demarcar dos atos violentos a que se tem assistido, mas o receio de que os confrontos escalem na violência tal como aconteceu noutras cidades da Europa, levou a que a polícia tivesse tomado algumas precauções, receando que estas "manifestações pudessem ser instrumentalizadas por outras organizações ou elementos extremistas." 

Na Albânia, "dezenas de manifestantes encapuzados" investem contra as barreiras policiais com "pedras de calçada e "cocktails Molotov." A manifestação posicionou-se "em frente ao Ministério da Educação", e exige "a demissão do primeiro-ministro Edi Rama."

A Europa está transformada num grande palco, em que se confunde liberdade com direito a destruir. Há feridos, incêndios e manifestantes afastados com canhões de água, gás lacrimogéneo e bombas atordoadoras. As autoridades parecem estar a perder a mão na situação. Por cá, ficam as imagens dos grupos que de forma pacífica se manifestam. Aqui, há crianças que brincam em tendas e em casinhas feitas de papelão. Aqui, adultos empenham perigosas espadas modeladas de um balão. Será isto uma provocação? Ou somos mesmo um país de "gente madura" numa praça?

Fontes:

https://pt.euronews.com/2026/10/31/franca-mobiliza-70-mil-policias-para-fim-de-semana-de-manifestacoes-e-halloween

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/mais-de-uma-dezena-de-detencoes-em-espanha-para-travar-vandalismo-no-halloween_n1775734

https://observador.pt/2026/10/24/barcelona-incendios-montras-partidas-e-saques-em-manifestacao-convocada-pelo-tiktok-e-inspirada-em-franca/

https://www.dn.pt/internacional/alemanha-o-pas-que-se-segue-na-onda-de-protestos-dos-jovens-europeus#goog_rewarded

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/mais-de-180-mil-pessoas-manifestam-se-na-alemanha-com-alguns-incidentes-violentos_n1775921

https://expresso.pt/internacional/2026-10-31-manifestantes-encapucados-atiraram-pedras-e-cocktails-molotov-contra-a-policia-albanesa-8f33a68d

30/10/2026

Eleições em Israel, o impasse mantém-se

Apesar de se ter confirmado a vitória de Netanyahu nas eleições israelitas, ainda não há uma maioria que lhe permitisse formar governo. Ontem, "o partido de Benjamin Netanyahu lançou a dúvida de fraude eleitoral, acusando o Catar e a Turquia de influenciarem os resultados ao pressionarem as comunidades árabes a votar em massa nas eleições." Se a acusação for confirmada, poderá levar à repetição do ato eleitoral.

O partido do atual primeiro-ministro conseguiu "53 lugares" contra os 48 do bloco "liderado pelo partido centrista Yashan" de Galdi Einsenkot. 

A decisão irá agora passar pelas mãos do presidente israelita Isaac Herzog que, segundo os costumes israelitas, irá "atribuir a tarefa de tentar formar governo ao candidato que considerar ter melhores hipóteses de obter apoio suficiente," não exatamente quem teve mais votos.

A pessoa escolhida terá depois 28 dias apenas para cumprir essa "missão" e, caso não a leve a bom porto, será nomeado outro candidato e o processo repete-se. Se à terceira tentativa ainda não houver um governo formado, Herzog poderá então convocar novas eleições.

Cada país, as suas leis e os seus costumes.

Mustafa Barghouti - "líder da Iniciativa Nacional Palestiniana, um partido político ativo na Cisjordânia ocupada" - refere que "um governo israelita liderado por Gadi Eisenkot seria melhor para os palestinianos,2 defendendo que o mais urgente será mesmo "afastar o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu do poder." De notar que "os partidos árabes Lista Conjunta e Lista Árabe Unida (Ra’am) obtiveram ganhos significativos nas eleições, conquistando em conjunto um recorde de 19 lugares, o que lhes confere um papel decisivo na formação de maiorias." Barghouti acusa o primeiro-ministro israelita de ser responsável "pela chacina de palestinianos em Gaza e por intensificar a limpeza étnica na Cisjordânia," acusando ainda de iniciar "guerras com o Líbano, com a Síria, por ameaçar a Jordânia e por tentar impor Israel como uma força imperial que controla o Médio Oriente."

Ontem, um grupo de manifestantes saiu à rua para protestar contra os resultados e exigir que o novo governo seja composto de "partidos judeus e árabes." Os manifestantes, na sua maioria, ativistas, bloquearam o trânsito e confrontaram a polícia, entoando cânticos de oposição à governação de Netanyahu.


Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/eleicoes-em-israel-terminam-em-impasse-e-poderao-ter-de-ser-repetidas_n1775549

https://pt.euronews.com/2026/10/30/lider-da-iniciativa-nacional-palestiniana-diz-a-euronews-afastar-netanyahu-e-o-mais-import

https://pt.euronews.com/video/2026/10/29/israel-manifestantes-exigem-governo-de-unidade-arabe-judaica-apos-eleicoes


28/10/2026

Colisão entre dois comboios em Toledo, Espanha

Uma decisão errada do centro de controlo poderá estar na origem de uma colisão ocorrida esta manhã e que matou, "pelo menos 68 pessoas." O acidente aconteceu por volta das 9h00, "perto da estação de Urda," mais propriamente, "entre as localidades de Los Yébenes e Urda, em Toledo," e envolveu um comboio da Irvo e outro da Renfe.

"A maioria das vítimas mortais, 44, seguiam no comboio da Iryo, que saiu de Madrid com destino a Sevilha, enquanto os outros 24 estavam no da Renfe, que efetuava a mesma rota." O balanço ainda é provisório. Sabe-se que a situação terá tido início "numa avaria informática pelas 8h30, que levou todos os comboios num troço de quase 70 quilómetros a parar, obrigando a acionar o centro de controlo na estação de Atocha (em Madrid)." Apesar de ter luz vermelha, o comboio da Renfe, terá recebido ordem para avançar, tendo chegado a percorrer cerca de 20 km, a cerca de 200 quilómetros por hora, antes de abalroar o comboio da Irvo que estava parado na mesma linha. Esta colisão, fez com que "pelo menos duas carruagens" tivessem caído por um barranco.

Numa acusação feita pelo próprio governo espanhol, que a ser verdade, é gravíssima, "o operador do centro de controlo terá passado cerca de 17 minutos a ver, nos ecrãs, que os dois comboios estavam em rota de colisão, sem dar qualquer ordem para travar."

A identificação dos corpos pode ainda demorar algumas horas, havendo ainda corpos dentro e debaixo das composições acidentadas que ainda não forma removidos. "Há ainda 58 feridos hospitalizados, dos quais 15 em estado muito grave." Alguns dos feridos, conseguiram sair pelo seu pé e procuram agora atendimento hospitalar. No "comboio da Iryo seguiam 147 passageiros (incluindo um bebé) e no da Renfe mais 397 pessoas." 

Este foi o segundo acidente grave envolvendo a linha férrea espanhola este ano. "A 18 de janeiro, morreram 46 pessoas no acidente em Adamuz (Córdoba) e mais de cem ficaram feridas."

Fontes:

https://www.dn.pt/internacional/espanha-vrios-feridos-aps-coliso-de-dois-comboios-na-zona-de-toledo

https://cadernodiario1983.blogspot.com/2026/01/depois-da-tragedia-comboios-parados-em.html



25/10/2026

Noite acaba em carga policial

A pergunte que fica é: Onde está o Presidente da República quando a República Portuguesa está a ser debatida nas ruas, entre manifestantes e cargas policiais?

As manifestações juntam, maioritariamente, jovens, mas esta não é uma causa só dos jovens. É uma causa de todos que poucos tentam entender. Não se está a pedir casas gratuitas, não se está a pedir que sejam atribuídas casas sem qualquer critério. O que se está a reivindicar nas manifestações que vão acontecendo nos últimos dias por várias cidades portuguesas, é que haja casas a preços que sejam possíveis de serem assumidos por qualquer português que trabalha. 

O grande problema aqui não são as forças policiais, mas sim quem lhes ordena que avancem sobre os manifestantes. De onde vieram essas ordens? Quem mandou quem fazer o quê?

É que isto começa a cheirar muito mal!

Sou contra manifestações que acabam em pilhagens e em destruição de lojas, de carros, camiões e caixotes do lixo incendiados. Mas isso aconteceu aqui, em Lisboa? No Porto? Chegou-se a esse ponto? Não me parece. Aí, sim, mas mesmo assim, apenas contra aqueles que cometeram esses atos e não contra todos os presentes. Aqui, nestas manifestações, estão milhares de pessoas, estão famílias com crianças, estão pessoas dos vários extratos sociais, mas principalmente estão jovens que vivem numa democracia, que reivindicam um direito básico que apenas tem sido complicado com a nova Lei do Arrendamento. Na prática, esta lei vem permitir que as rendas continuem a subir. Com esta nova lei, será legal um senhorio que até agora poderia pedir "duas rendas antecipadas ou uma caução equivalente," passa a poder pedir ao novo inquilino que pague três rendas em antecipação, eliminando "o limite máximo da caução." Faltava aqui falar do artigo 65º da nossa Constituição e de como este não está a ser devidamente seguido pelos partidos no poder. Mas já que fui buscar o tema da Constituição, vejamos outras coisas.

O Direito à Manifestação está na nossa Lei - ou seja, na Constituição que data de 1976 e das suas alterações. O que está em causa é um decreto de 1974, o decreto lei 406/74 que "Garante e regulamenta o direito de reunião", e que diz que "A todos os cidadãos é garantido o livre exercício do direito de se reunirem pacificamente em lugares públicos, abertos ao público e particulares, independentemente de autorizações, para fins não contrários à lei, à moral, aos direitos das pessoas singulares ou colectivas e à ordem e à tranquilidade públicas." De entre outras coisas, lê-se no Art. 11.º que "As reuniões de outros ajuntamentos objectos deste diploma não poderão prolongar-se para além das 0,30 horas, (...)"

É a este 11º artigo que se estão a "agarrar" as forças policiais para validarem a sua atuação. A questão é: porque é que a polícia investiu contra os manifestantes? E a resposta não tem de vir da polícia, mas sim de alguém de cima que deu a ordem de investida. A questão, não havendo distúrbios como os que estão a acontecer em França, é a justificação para estes atos ser mais político do que uma questão de ordem pública propriamente dita. E volta a estar no ar um cheiro estranho, a mofo... É que já houve outras leis que acabam por anular este decreto, rebatendo-o para segundo plano, de acordo com a interpretação feita da Constituição em vigor. Da minha ótica, o que vigora é a atual Constituição que diz que "Os cidadãos têm o direito de se reunir, pacificamente e sem armas, mesmo em lugares abertos ao público, sem necessidade de qualquer autorização," acrescentando-se no ponto 2 do mesmo artigo que "A todos os cidadãos é reconhecido o direito de manifestação."

E outros casos de manifestações que terminaram em acampamentos prolongados, como por exemplo, nos 40 dias que os Bombeiros Sapadores passaram acampados junto à Câmara Municipal do Porto, e em que foram usadas também tendas e, inclusive, se fez uso de fogo. Também as forças policiais permaneceram embora sem tendas, durante "18 dias e outras tantas noites junto ao Parlamento," em janeiro de 2024. Em nenhum dos casos, foram retirados nem sobre eles foi usada a força.

Se em 1993, o Presidente da República repudiava a intervenção da polícia, na carga feita contra a manifestação da qual viria a nascer o termo "geração rasca", o que se passa agora para que o atual Presidente não o faça? E onde é que ele está, uma vez que ao contrário daquilo que fez quando era líder da Juventude Socialista, agora não vem dar a cara? 

Na prática, a sua atitude é mais contida, tendo convocado os "partidos com representação parlamentar para audiências sobre coesão social, que vão acontecer" já na próxima "quinta-feira," bem como convocou "o Conselho de Estado para 02 de novembro, sobre o mesmo tema." Parece-me pouco e tarde. 

Até lá, o que vai acontecer? A polícia irá continuar a afastar os manifestantes à bastonada e está tudo bem?

Já cheira mal, muito mal. 

Fontes:

https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/406-1974-424767

https://www.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/ConstituicaoRepublicaPortuguesa.aspx

https://www.rtp.pt/noticias/pais/lei-das-rendas-qual-a-melhor-para-combater-a-atual-crise-da-habitacao_n1773675

https://cnnportugal.iol.pt/protestos/habitacao/bastao-e-a-saida-facil-livre-aguarda-posicao-firme-de-seguro-e-vai-pedir-explicacoes-ao-governo-sobre-cargas-policiais/20261025/6addd5c5d34e9a786e75db08

https://sicnoticias.pt/economia/habitacao/2026-10-21-video-acampada-nao-e-caso-unico-foram-varios-os-protestos-semelhantes-nos-ultimos-anos-dos-policias-a-jsd-e39dbe1e

https://www.facebook.com/reel/1886245675699975 


22/10/2026

Novo sismo atinge o Tibete

Esta quinta-feira, um sismo de intensidade 7 na escala de Richter atingiu o Tibete, provocando a morte a 16 pessoas. O abalo foi sentido por volta das 22h33m (hora local), havendo para já notícia de mais de 300 casas que terão colapsado, podendo haver ainda vítimas nos escombros. O epicentro terá sido "a cerca de 190 km a leste de Nagchu e 390 km a nordeste de Lhasa, a uma profundidade de 18 km" (embora em outros sites de notícias apareça uma profundidade de 10 quilómetros). Numa zona em que o clima é extremo, as condições de resgate das vítimas podem ficar mais dificultadas. "O sismo causou cortes severos no fornecimento de eletricidade e nas redes de telecomunicações." Além disso, os acessos ficaram maus condicionados devido à ocorrência de "derrocadas em vários troços da Estrada Nacional G317." As "linhas ferroviárias locais" foram também suspensas "por motivos de segurança." Ainda nos lembramos do enorme deslizamento de terras que ocorreu em agosto e, neste caso, o tipo de abalo pode vir a ter consequências drásticas se as terras acabarem por ceder, e por essa razão, o "Ministério dos Recursos Naturais ativou um alerta de nível III para monitorizar o terreno. O risco de grandes deslizamentos de terra é elevado devido à instabilidade das encostas montanhosas provocada pelas réplicas," que já vão em mais de 400.

Esta região é afetada por sismos com alguma frequência. Em "janeiro de 2025, pelo menos 126 pessoas morreram num terramoto de magnitude 6,8 que atingiu o cantão de Tingri, no Tibete, não muito longe da fronteira sino-nepalesa." 

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/sismo-de-70-atinge-o-tibete-provoca-pelo-menos-16-mortos_n1773543

https://sapo.pt/artigo/sismo-de-magnitude-7-no-tibete-provoca-vitimas

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/china-intensifica-operacoes-de-resgate-apos-sismo-no-tibete-que-causou-16-mortos_n1773643


16/10/2026

Faleceu Joaquim Letria, jornalista e escritor

Soube há pouco da morte do jornalista e escritor Joaquim Letria, aos 82 anos. Perdeu-se um grande comunicador, um jornalista que foi pioneiro na televisão portuguesa e uma das nossas grandes figuras históricas.

Joaquim Letria nasceu em Lisboa em 1943 e "filiou-se no Partido Comunista aos 16 anos, tendo sido militante durante os oito anos seguintes." Em 1962, ingressa na carreira de jornalista no já "extinto Diário de Lisboa," e foi ao "fim de três meses," que viu surgir a sua "primeira oportunidade de trabalhar como jornalista com a cobertura de um incêndio. Colaborou também "com a revista Flama e com o Rádio Clube Português."

Mais tarde, seria "repórter da Associated Press e correspondente da agência Deutsche-Presse Agentur até 1970."

Na década de 1970 chegou a trabalhar com a BBC, em Londres, mas regressaria a Portugal depois do 25 de abril de 1974, "para ser diretor de informação na RTP. Foi por essa altura que teve um desentendimento com o então Presidente da República, António Spínola, que chegou a defender o despedimento do jornalista." No entanto, pouco depois receberia "o Prémio da Imprensa na categoria Televisão, atribuído pela Casa da Imprensa, pela “vivacidade e tom pessoal que conferiu ao seu trabalho”."

"Letria ficou conhecido do grande público também pelos vários programas televisivos que apresentou na RTP, como o programa que "apresentava, na altura, o "Teledomingo", onde para além do noticiário do dia havia uma revista da semana."

A sua carreira passou por alguns momentos inusitados, que mostram bem a fibra de que o jornalista era feito e que acabaram por marcar a história da televisão, "como quando entrevistou uma cadeira vazia — onde deveria estar o então ministro das Finanças Miguel Cadilhe, que não compareceu à entrevista." O jornalista esteve no ar mais de 24 horas na cobertura das primeiras eleições pós-revolução, em abril de 1975" e moderou em "conjunto com José Carlos Megre," o debate entre "Álvaro Cunhal e Mário Soares, em 1975."

A sua carreira passa também pela imprensa escrita, tendo sido fundador dos "semanários O Jornal (hoje revista Visão), o Tal&Qual e as revistas Sábado e Tempo Livre, dos quais foi o primeiro diretor." Seria ainda "eleito presidente do Sindicato dos Jornalistas e porta-voz do Presidente da República Ramalho Eanes até 1986." 

Além de jornalista, foi também professor. Em 1987, dedica-se ao ensino como professor "auxiliar na Universidade Autónoma de Lisboa e professor convidado do Instituto Superior das Ciências da Informação e da Administração, colaborando na criação e reestruturação de conteúdos e formatos de programas de TV e rádio e na redefinição de jornais e revistas, integrado em grupos de especialistas de Londres, Madrid e Munique."

Regressaria à televisão em 1992, "para apresentar o programa Rosa dos Ventos, na RTP Internacional. Ainda nos anos 90, apresentou os programas Apanhados e o talk show Conversa Afiada." 

Como escritor, viu o seu primeiro conto ser publicado no "Diário de Lisboa". Escreveria mais tarde, outras obras, como "A Verdade Confiscada. Escândalo – A Armadilha da Nova Censura" e "Histórias Para Ler e Deitar Fora."

Colaborou também "com a Rádio Comercial e com o jornal diário 24 Horas."

Fontes:

https://www.publico.pt/2026/10/16/culturaipsilon/noticia/morreu-jornalista-escritor-joaquim-letria-82-anos-2191611

https://observador.pt/2026/10/16/morreu-o-jornalista-e-escritor-joaquim-letria-tinha-82-anos/

https://www.infopedia.pt/artigos/$joaquim-letria

15/10/2026

As alterações atmosféricas estão a matar?

Ainda há uns dias era notícia a tempestade que tinha atingido Espanha, provocando enchentes e deixando a população em pânico. Apesar de por cá se manter o tempo quente (que já me parece demasiado para esta altura do ano) a verdade é que é precisamente este calor que aqui se faz sentir que está a empurrar as tempestades para outras zonas da Europa. Desde quarta-feira que a Turquia e a Grécia sofrem devido a cheias provocadas pelas chuvas intensas. A cidade de Istambul, na Turquia, foi afetada pelas mais intensas chuvas das "últimas décadas" o que provocou a rápida subida das águas e cheias que têm vindo a prejudicar a circulação de pessoas e de veículos. Estas cheias, terão já provocado já três mortos, um dos quais é um rapaz de apenas 14 anos, "que morreu eletrocutado após pisar uma poça de água." As escolas de Istambul ficaram encerradas por prevenção e milhares de pessoas tiveram de fugir. "Foi também proibida a circulação de motociclos."

Mas poderemos afirmar que o clima mata? As situações ocorridas derivaram de fortes chuvas e da subida dos níveis das águas, mas há algo que não podemos deixar de lado: os fluxos dos rios e dos mares já são naturalmente instáveis e tornam-se ainda mais perigosos quando estão circundados por construções que diminuem o espaço de enchente e travam as correntes naturais. E isso, acontece por todo o mundo.

Na Grécia, devido às chuvas torrenciais que se têm feito sentir, um carro foi arrastado pela corrente até ao mar causando a morte a um homem de 62 anos. No México, do outro lado do globo, as tempestades também estão a provocar estragos. Pelo "menos oito pessoas morreram após a passagem da tempestade tropical Rachel pela costa do Pacífico" provocando a morte a quatro pessoas.

Nos EUA, a tempestade Isaías que afetou a região no final da semana passada, acabou por se intensificar e passou à categoria de "grande furacão," afetando vários estados com ventos na ordem dos "193 km/h, precipitação forte" e até a previsão de ocorrência de "tornados", o que acabou por se confirmar. Mas poderemos afirmar que a culpa é do clima? Por um lado sim, mas nunca sem nos esquecermos que o clima está a ser afetado também pelas nossas ações e, por isso, se quisermos ser mais rigorosos, somos nós também um pouco culpados destas alterações climatéricas que provocam fenómenos extremos com cada vez mais frequência. Basta ligarmos a televisão ou pesquisarmos um pouco na internet para vermos imagens que antes só veríamos em filmes "catastróficos." O nosso país acabou por ter o setembro "mais quente desde 1931," acabando mesmo por ultrapassar o mês de agosto em temperaturas. Setembro viu também serem registadas duas ondas de calor. A verdade é que tirando as manhãs um pouco mais frescas, continuo a ir de cavas para o trabalho.

Fontes:

https://sicnoticias.pt/mundo/europa/2026-10-15-video-estamos-numa-situacao-muito-dificil-cheias-deixam-rasto-de-destruicao-na-turquia-e-na-grecia-762f2c5c

https://m.noticiasaominuto.com/mundo/3067138/adolescente-morre-eletrocutado-em-cheias-em-istambul-cidade-sob-alerta

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/3063995/cinco-pessoas-morreram-na-derrocada-de-um-edificio-na-turquia

https://oglobo.globo.com/blogs/clima-extremo/post/2026/10/passagem-de-tempestade-tropical-rachel-deixa-ao-menos-oito-mortos-no-mexico.ghtml

https://expresso.pt/tempestades/2026-10-09-furacao-isaias-obriga-a-evacuacoes-e-cancela-quase-300-voos-nos-estados-unidos-b15912b6

https://expresso.pt/meteorologia/2026-10-07-portugal-viveu-o-setembro-mais-quente-dos-ultimos-95-anos-efd8d54f

13/10/2026

Faleceu o cantor Netinho

Por aqui costumo dar destaque aquando da morte de algum artista, político, escritor ou outra figura relevante para a cultura e história do meu país, mas hoje vou sair daquilo que é o habitual. Hoje dou conta do falecimento de Netinho. Acho que todos sabemos a letra da música ao escutarmos os primeiros acordes de "Mila", um dos mais conhecidos temas do Axé.

O seu nome de batismo era Ernesto de Souza Andrade Júnior, mas ficou conhecido por Netinho. Nasceu em "Santo Antônio de Jesus, município localizado no estado brasileiro da Bahia" e foi na Banda Beijo que "iniciou a sua carreira, tento começado a ter sucesso com o tema ‘Beijo Na Boca’

O tema “Um Beijo pra Você”, foi lançado em 1993 e fez parte do seu primeiro álbum a soloe continha o sucesso ‘Menina’, que fez parte da banda sonora da telenovela “Tropicaliente”

O cantor passou os últimos meses a lutar contra um linfoma não Hodgkin do tipo B, um tipo de cancro do sangue, mas cuja causa é desconhecida. Morreu aos 60 anos, deixando a música como legado. Netinho é daquelas vozes que reconhecemos à primeira nota. Fez parte da minha infância, passei horas a ouvir as suas músicas, trauteei-as como sabia e dancei-as. Ainda hoje, tantos anos passados conheço as letras. Daqui a pouco chega o "Fim de semana" e irei trautear a sua canção. 


Fontes:

https://youtu.be/drtbbJ-niTc

https://youtu.be/1KDs5h6KCTw

https://youtu.be/4oQVyOMDe2k

https://expresso.pt/blitz/noticias/2026-10-13-morreu-netinho-o-cantor-de-milla-6442617d


11/10/2026

Ataque ao aeroporto de Riade, na Arábia Saudita

O Médio Oriente continua em guerra. E quando pensamos que os ânimos começam a acalmar-se, eis que há um novo e mortífero ataque ao aeroporto Rei Khalid, em Riade, do qual resultam 12 mortos e quase três centenas de feridos. Os mortos são oriundos de vários países, incluinto um norte-americano. Apesar dos Houthis não terem ainda reivindicado a autoria deste ataque, a verdade é que acabaram por assumir a autoria dos dois atentados da semana anterior ao mesmo aeroporto e já tinham feito avisos às companhias internacionais. Este ataque pode ter sido uma retaliação ao país, uma vez que a Arábia Saudita está a conduzir "uma campanha aérea contra os Houthis para apoiar a guerra terrestre do governo iemenita contra o grupo apoiado pelo Irão," dando ainda apoio militar no terreno.

Na semana anterior, este aeroporto tinha sofrido outros dois ataques que fizeram quatro mortos e provocaram "danos graves" numa "aeronave comercial saudita." Entretanto, a companhia nacional de aviação do Kuwait, anunciou "a interrupção das ligações com a capital saudita." 

"A coligação liderada pela Arábia Saudita" já afirmou que será dada "uma resposta firme, classificando o ataque como um crime grave contra infraestruturas civis."

Os Houthis, "também conhecidos como Ansar Allah," já fizeram saber que os ataques podem continuar, alertando para que "as companhias aéreas internacionais", evitem voar "através do espaço aéreo saudita, afirmando que a região se tornou palco das suas operações militares — com exceção do espaço aéreo sobre as cidades sagradas de Meca e Medina," os quais são considerados locais sagrados para os muçulmanos. O grupo político-militar do Iémen e que é "apoiado pelo Irão," controla uma "grande parte do norte do país, incluindo a capital, Sanaa," combatendo, desde há vários anos, "o governo iemenita reconhecido internacionalmente." 

Este ataque aumenta o risco de uma escalada do conflito. Hoje, um porta-voz do governo iemenita veio acusar o governo de Riade de um ataque aérea que atingiu uma casa na capital, Sanaa, e que resultou na morte de "uma criança" e em ferimentos em outras "seis pessoas." De acordo com a mesma fonte, "91 iemenitas foram mortos e 168 feridos" em ataques realizados pelo grupo liderado pela Arábia Saudita.

"A emissora Al-Masirah, controlada pelos houthis no Iêmen, relatou neste domingo um ataque que teria sido realizado pela Arábia Saudita contra o Aeroporto Internacional de Sanaa." A possibilidade de intervenção dos EUA, ponderada por Trump, pode vir a agravar a situação relativa à navegação na região do Golfo Pérsico.


06/10/2026

Confrontos e manifestações em França

Em França mais de 400 escolas encontram-se encerradas devido a ações de estudantes (e não só) que exigem ao governo melhores condições de educação. O que está a acontecer - a apenas alguns meses de haver eleições em França - é que os manifestantes estão a exigir "mais professores substitutos, melhores condições de funcionamento dos edifícios escolares" e melhores condições "de ensino." Desde que os protestos pela educação começaram, em meados de setembro, o número de escolas encerradas tem vindo a diminuir. Em relação às consequências, além de não haver aulas, existem para já cerca de "215 estudantes e 715 agentes da polícia" feridos. As forças policiais tentam impor a ordem e foram já feitas mais de "cinco mil" detenções.

Para além de impedirem o acesso às escolas, os manifestantes incendiaram caixotes do lixo e pneus para atrasar ou impedir a intervenção policial. Há ainda a lamentar diversos "danos materiais e confrontos com as forças de segurança, que se repetiram esta segunda-feira em algumas escolas de cidades como Paris e Toulouse, entre outras"

Para afastar os manifestantes, as autoridades estão "a recorrer a gás lacrimogéneo e a outros meios." Entre os feridos está um jovem de 15 anos, que teve a mão amputada devido ao rebentamento de uma granada lançada pela polícia e que o jovem terá agarrado, possivelmente, para a voltar a atirar.

Na passada segunda-feira, um "adolescente de 14 anos" acabou por perder a "maioria dos dentes quando um agente da polícia" o terá alegadamente atingido com "uma granada à queima-roupa," não conseguindo "falar" nem comer, tendo de "uma palhinha", Na quarta-feira, um outro "jovem de 16 anos perdeu a visão do olho direito depois de ter ficado gravemente ferido na cabeça."

Na quinta-feira e num outro local, "uma bola de borracha feriu um jovem de 16 anos no olho." Neste caso, a polícia estaria alegadamente "a responder a dois homens a cerca de 20 metros de distância que tinham disparado fogos de artifício na sua direção."

A violência policial é clara em muitas das imagens. Mas pergunto outra coisa. Muitos destes jovens são menores. Infelizmente, uma "mobilização" que teve início "em setembro, no liceu Saint-Exupéry, em Créteil, na região de Paris," acabou por alastrar e alargar-se a outras escolas. "Os alunos juntaram-se aos professores numa contestação contra a falta de funcionários e de recursos na escola."

Mas deixo a questão, independentemente de terem razões para se queixarem, e nem sequer estou a pôr em causa que as tenham, de que forma é que os pais e encarregados de educação destas crianças e jovens os estão a aconselhar ou a incitar? Um lança-granadas - como dizem - contra uma multidão, estejam presentes crianças ou não, será completamente errado e excessivo, a meu ver. Mas onde estavam os pais ao permitirem que os filhos ali estivessem expostos àquele risco? Saberiam ou teriam autorizado a presença dos menores?

Também são visíveis nas imagens, jovens a ofender agentes de autoridade. Uma coisa é o direito 
à manifestação e o direito à resistência - que não tenho a certeza, pois não conheço assim tão bem as leis francesas, se existe em França - outra coisa é atos de vandalismo, de ofensa e de agressão cometidos pelos manifestantes. Que educação lhes de
ram os pais, tendo em conta que muitos são menores de idade ainda? E volto a frisar, estou totalmente contra a violência policial e achei a resposta dada completamente exagerada e desproporcional na maior parte dos casos que se conseguem ver (não sei o antes nem o depois, e isso também pode alterar a perspetiva). É que há aqui uma outra situação que é a participação e apoio de indivíduos da Extrema-esquerda que podem estar a usar estas crianças e jovens como "frente" para as suas reivindicações, tornando-os desta forma alvos da polícia e incitando a que sejam provocadores para as forças de autoridade. Não nos esqueçamos que estamos apenas a seis meses de eleições em França.

A violência não vem só da parte da polícia. Na passada quinta feira, um "estudante de 17 anos foi detido por alegado envolvimento numa agressão ocorrida durante os protestos," tendo sido acusado de lançar "uma pedra que atingiu uma mulher de cerca de 50 anos num olho, provocando-lhe "perda de visão." Já na sexta-feira, "um estudante de 16 anos" teria "atirado gasolina para cima de uma professora durante um protesto estudantil," na localidade de "La Ciotat, no sul de França." Quando falamos em direitos, há sempre que falar também em alguns dos deveres cívicos que podem aqui não estar a ser respeitados.


Fontes:

https://www.jn.pt/mundo/artigo/come-por-uma-palhinha-adolescentes-feridos-em-protestos-de-alunos-do-ensino-secundario/18133988

https://sicnoticias.pt/mundo/europa/2026-10-06-violencia-em-franca-o-que-levou-alunos-a-sair-a-rua-fechou-escolas-e-obrigou-a-milhares-de-detencoes-fc53fb62

https://www.jn.pt/mundo/artigo/estudante-de-15-anos-perde-uma-mao-em-explosao-durante-protestos-em-franca/18133735

03/10/2026

Confrontos em Espanha devido à falta de habitação

A população juntou-se nas ruas para se manifestar contra a crise da habitação que se vive em Espanha e contra os despejos. O problema não é novo, nem é único de Espanha, mas a última gota foi o despejo de Maricarmen, uma senhora de 87 anos, obrigada a deixar a casa onde residia desde 1956, devido a uma subida absurda da renda que pagava. Já o tinham tentado fazer em outras três ocasiões, mas "desta vez, a comissão judicial levou o despejo por diante," apesar de haver até um pedido da ONU para que o mesmo fosse suspenso. Maricarmen não pode pagar uma renda que ultrapassa em muito a pensão que recebe e que se situa nos "2.500 euros por mês, mais 247% do que pagava até então. A mulher, com uma deficiência de 50%, nunca conseguiu suportar esse valor." Apoiantes tentaram impedir o despejo, sendo afastados "à bastonada" e "com gás pimenta" pela "Polícia Nacional". 

Ontem, na votação no Congresso, foram rejeitados "os dois decretos-lei sobre habitação promovidos pelo Governo do presidente Pedro Sánchez, impulsionados após o despejo de Maricarmen." 

Milhares de pessoas tinham-se deslocado até junto do "Parlamento para acompanhar o debate e exigir medidas face à crise da habitação." Fala-se em cerca de "70.000" participantes, embora dados não oficiais falem em cerca de meio milhão de pessoas. Muitos espanhóis já se encontram acampados junto à "Puerta del Sol", para onde a marcha seguiu depois de terem sabido da rejeição dos decretos em causa.

Já na região de Valência, um grupo de manifestantes marchou até ao "Palau de les Arts Reina Sofía, sede do congresso de investimentos imobiliários Valencia Real Estate Summit 2026, que conta com oradores como o antigo líder do partido Ciudadanos (Cs), Albert River." A polícia, que fazia um "cordão de segurança", barrando a passagem dos manifestantes, foi atingida com objetos arremessados por alguns elementos do grupo, menos ordeiros. "A polícia respondeu com balas de borracha e gás lacrimogéneo. Várias pessoas conseguiram aceder à parte superior do edifício." 

Mas também em outras cidades, os protestos se fizeram ouvir. "Em Donostia, o protesto cumpre o cumpre o segundo dia consecutivo," enquanto em Cádis," os manifestantes terminaram a sua marcha em frente da "Câmara Municipal" onde procederam à "leitura de um manifesto." Houve ainda "marchas em Las Palmas de Gran Canaria, com outras convocatórias em Lanzarote, Fuerteventura e Tenerife," bem como "em Barcelona."

Em maio, já tinha havido manifestações nas ruas madrilenas contra o governo de Sanchéz, exigindo a demissão do primeiro-ministro. Esta marcha tinha sido "convocada pela Sociedade Civil Espanhola, que coordena mais de 150 associações civis, à qual se juntaram os partidos PP (direita) e Vox (extrema-direita)." Segundo a organização. terá tido uma participação efetiva de cerca de "120.000 pessoas," enquanto representantes do governo, situou os números na casa das "40.000 pessoas." Estas manifestações em França e em Espanha estarão prestes a espalhar-se pelo resto da Europa, ou tratar-se-á de um problema localizado geograficamente?

Fontes:

https://pt.euronews.com/2026/10/03/quase-500-mil-pessoas-protestam-em-madrid-pela-crise-da-habitacao

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/tres-detidos-e-sete-policias-feridos-apos-confrontos-em-marcha-anti-sanchez-em-madrid_n1743071

https://pt.euronews.com/2026/10/02/congresso-rejeita-decretos-da-habitacao-apesar-do-aviso-de-sanchez-serao-julgados-mais-ced

https://pt.euronews.com/2026/09/23/idosa-de-87-anos-despejada-em-madrid-apos-quatro-tentativas-e-apesar-de-pedido-da-onu


Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...