Mostrar mensagens com a etiqueta saúde. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta saúde. Mostrar todas as mensagens

14/06/2025

Atentado mata ex-Congressista no Minnesota


A violência continua nos EUA e, desta vez, os alvos foram a ex-congressista "democrata do Minnesota," Melissa Hortman, e o seu marido, Mark Hortman. Os corpos de Melissa, que foi também "porta-voz da Câmara de Representantes" pelo Minnesota, e do marido, só foram descobertos depois da polícia ter sido chamada para a casa do "senador estadual John Hoffman (também ele democrata)" e da sua mulher, "Yvette," atacados a tiro. Os dois foram levados em estado grave mas ainda com vida para o hospital e a polícia foi verificar a casa da congressista, encontrando os dois corpos e ainda chegando a trocar tiros com o atacante.


"O governador do estado do Minnesota diz que os ataques têm motivações políticas." O suspeito é "Vance Boelter," um americano de "57 anos, mas ainda encontra em fuga. "Estava vestido" como se fosse "um agente da autoridade e foi assim que conseguiu entrar nas casas dos dois políticos, que distam cerca de 12 quilómetros uma da outra." De acordo com a CNN, o atirador teria dentro da viatura utilizada, "um manifesto com o nome de vários representantes estaduais e outros responsáveis – incluindo o de Melissa Hortman e de John Hoffman, mas também do próprio governador Tim Walz." Desta lista de potenciais alvos, constavam 70  nomes, incluindo "pessoas que prestam serviços para a interrupção voluntária da gravidez, defensores do aborto, e legisladores do Minnesota e de outros estados. A polícia também encontrou um cartão do Dia do Pai dirigido ao suspeito numa mala cheia de munições."


Melissa, "contribuiu para a aprovação de leis que alargaram os direitos ao aborto, legalização da marijuana e baixas médicas, quando os liberais tinham o controlo do Governo daquele estado." A questão do aborto é um ponto sensível na política interna dos EUA. A lei de 1973 que dava este direito às mulheres foi revogada em 2022. Em 2024, "dos 50 estados que compõem os Estados Unidos, em 21 o procedimento" era considerado "ilegal ou restrito." A polarização é bem visível, com "os estados dominados por democratas a manterem o direito à interrupção voluntária da gravidez e os estados dominados por republicanos a proibirem ou restringirem o acesso."



30/05/2025

A Cólera - uma epidemia que continua a matar em África

Falar em cólera é falar de uma doença que se propaga através de águas conspurcadas com fezes, alimentos mal lavados e mal confecionados. A bactéria que a provoca pertence à estirpe "das bactérias Vibrio cholerae. Os sintomas podem variar entre nenhum, moderados ou graves. O sintoma clássico é a grande quantidade de diarreia aquosa com duração de alguns dias. Podem também ocorrer vómitos e cãibras musculares."

Mas não fica por aqui. Nos países menos desenvolvidos com fracos cuidados médicos, a cólera mata. E sem cuidados médicos, a morte pode chegar em poucas horas... Em apenas dois dias, cerca de "70 pessoas" já perderam a vida "na capital do Sudão," Cartum. O "Ministério da Saúde" sudanês veio já registar "942 novas infeções e 25 mortes" esta "quarta-feira, após 1.177 novos casos e 45 mortes na terça-feira." Cartum regista "90% das novas infeções," depois de "semanas de ataques com `drones`, atribuídos às RSF," terem interrompido "o fornecimento de água e eletricidade da capital."

Em Angola, a situação também tem sido bastante complicada, registando-se desde janeiro deste ano, cerca de 700 vítimas mortais. Só nas últimas 24 horas, registaram-se "248 casos de cólera" e dez mortos. A  "província do Namibe" tem sido a mais fustigada. O surto tem-se vindo a espalhar por vários países, especialmente aqueles com menos condições de saúde e de salubridade. A água é um dos bens mais raros e é, muitas vezes, também o meio de propagação desta doença. 

Em Moçambique, o surto tinha sido declarado em outubro do último ano e terá morto quase 60 pessoas, de entre as cerca de 3.600 infetadas, "segundo o último balanço das autoridades sanitárias," que indicam que este surto "foi registado nos distritos de Mogovolas, Angoche, Murrupula, Larde e cidade de Nampula, na província de Nampula." Foram entregues, entretanto, para esta região "2,3 milhões de doses de vacinas" contra a cólera. As crianças acabam por ser, mais uma vez, as mais afetadas. Na véspera de se celebrar o Dia da Criança (em Portugal), lembremo-nos, que nem todas as crianças têm acesso a cuidados médicos e a uma alimentação, hidratação e higiene adequados.


Fontes:


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/colera-fez-70-mortos-em-dois-dias-no-sudao_n1658360


https://www.cmjornal.pt/mundo/detalhe/angola-ultrapassa-as-700-mortes-por-colera-desde-o-inicio-da-epidemia-em-janeiro


https://observador.pt/2025/05/12/surto-de-colera-em-mocambique-ja-matou-57-pessoas-em-sete-meses-com-quase-3-600-casos/


 


29/04/2025

O apagão de que "todos" falam

Ontem, a grande maioria dos portugueses foi surpreendida por uma falha de energia elétrica. O que nos primeiros minutos se pensou ser algo mais localizado, era de facto uma falha que atingia também Espanha e uma zona de França. Não atingiu toda a Europa como ainda se chegou a ouvir. Aliás, durante o dia de ontem (e hoje ainda mais, pois hoje é que as pessoas foram regressando às redes) tem sido divulgada muita informação duvidosa. E se numas vezes, pode ser mesmo por desconhecimento e por tentativa de encontrar uma causa para esta situação, noutras terá mesmo sido divulgada informação falsa com a intenção de lançar o caos e de prejudicar os envolvidos. Nem uma nem outra coisa deveriam ter sido feitas e era bom que se encontrassem os responsáveis por começarem a lançar teorias da conspiração através (não apenas, mas principalmente) na Internet.

No meio disto tudo, e apesar de em algumas regiões do país a eletricidade ter regressado ao final da tarde, muitas pessoas acabaram por estar sem luz, sem comunicações e sem água até perto das 23h00 (sendo que nalgumas regiões a situação só se restabeleceu pela manhã de hoje).

A falha de eletricidade num país vai afetar, não apenas o consumidor final desse tipo de energia, como também outros sistemas que dependem de eletricidade para funcionar, como é caso do fornecimento de água, cujas bombas são elétricas, e o caso das torres de telemóveis, que ao longo do dia foram ficando sem sinal.

O que nunca nos abandonou foi a rádio. Neste dia, muitas das rádios estiveram em transmissão ininterrupta, trabalhando para encontrar e transmitir à população o máximo de informação possível. Mesmo com as dificuldades de filtragem de toda a informação, a rádio acabou por prestar um excelente serviço à comunidade - tenham sido as rádios nacionais, tenham sido as rádios locais. 

Não vou divagar muito sobre este tema, uma vez que acho que, apesar de ser muito importante, está a ser, erradamente, aproveitado para se fazer campanha política. Acho, no entanto, que devo dar os parabéns àqueles profissionais que, mais uma vez, continuaram a trabalhar para que a situação regressasse à normalidade o mais rapidamente possível. E um destaque para os funcionários dos supermercados: parabéns pela vossa paciência, para aturar coisas que não lembra a ninguém.

A nossa sociedade continua a não estar preparada para eventos destes. A marioria das pessoas não sabia o que fazer, não estava organizada com a família para que fossem tomadas decisões assertivas. Dou um exemplo que aconteceu com algumas famílias. Por não conseguirem encontrar transporte, muitas pessoas entraram em pânico por não conseguirem contatar com ninguém para o filho ou a filha serem recolhidos da escola, ou da creche. Foram vários casos destes que aconteceram e, claro, é natural que se fique ansioso, mas tem de haver um plano familiar pré-definido que, nestes casos, possa ser executado. As creches, Jardins de Infância e escolas de 1º ciclo e 2º ciclo, não poem crianças sozinhas no meio da rua e mesmo nas escolas em que os alunos são mais velhos, a ordem foi para só se deixar sair aqueles alunos que, já nos outros dias, saem sozinhos. 

O que eu senti, e que entendo perfeitamente, foi a necessidade das pessoas resolverem a sua própria situação no imediato, numa impaciência motivada talvez pela falta de comunicação das entidades competentes. Mas temos de nos lembrar que, no decorrer destas horas, muitas das pessoas ligadas às entidades competentes estavam a gerir situações. E essa gestão, feita de acordo com procedimentos organizados, tem ordens de prioridades e obedece a tempos que muitas vezes não são os mesmos que a cada um de nós poderia interessar.

De acordo com informação do "operador de rede de distribuição de eletricidade E-Redes", a meia noite estariam já "ligadas parcialmente 424 subestações," o que dava para fornecer energia a cerca de 6,2 milhões de clientes" dos 6.5 milhões de consumidores.

Não acho, porém, que tenha sido um bom dia. Houve situações graves que podiam ter corrido muito mal e se, ainda, não temos registos de mortos, foi porque no meio do possível caos que se começou a fazer sentir, houve algumas pessoas que usaram uma capacidade que se chama resiliência, enquanto outras usavam o "chico-espertismo." Por favor, isto não foi nada bom, podia ter sido bem pior. Agora que já passou, podemos refletir - a nível pessoal e familiar, o que correu bem ou mal, o que podia ter sido feito de outra forma e, claro, a nível comunitário, encontrando não tanto soluções, mas caminhos. 

Este apagão acabou por levar ao encerramentos dos aeroportos, ao "congestionamento nos transportes e no trânsito nas grandes cidades," ao encerramento de lojas e serviços e à "falta de combustíveis," e de ter sido até considerado como um dos mais graves a acontecer na Europa nos últimos anos. Para muitos, foi um incómodo, um dia diferente que nos surpreendeu e transtornou, mas para algumas pessoas, foi mesmo uma situação de uma gravidade extrema, principalmente naqueles casos em que a presença de uma tomada elétrica pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

Foi o caso de doentes que necessitam de dispositivos como ventiladores, bipap, cipap ou outros (apesar de haver baterias, por vezes, as pessoas esquecem-se de as carregar e de ter baterias extra caso aquelas se tenham de gastar até ao fim ou avariem), ou podem sofrer um agravamento da sua situação devido ao stress causado pela falha elétrica em si. Outros casos bastante graves - as pessoas que ficaram retidas em comboios, elétricos e elevadores (felizmente a falha começou às 11h30 porque se fosse na hora de ponta em que os transportes vão completamente apinhados, acredito que aí sim a situação teria sido bem pior), as que estavam em veículos suspensos (teleféricos) ou em gruas e estruturas elevatórias. Muitos destes sistemas funcionam a eletricidade e, apesar de terem sistemas de descida redundantes (por exemplo, manuais) ou hidráulicos.

Esperemos que uma situação destas não se volte a repetir, mas que esta tenha servido de aprendizagem para muitas pessoas. Principalmente no que se refere à prevenção.

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/apagao-corte-de-energia-eletrica-atinge-portugal-e-outros-paises-europeus_e1650845

 

31/08/2024

Poliomielite - uma doença que volta a atacar

Arrancou hoje a campanha de vacinação contra a poliomielite, na Faixa de Gaza, com o objetivo de "vacinar todas as crianças até aos 10 anos de idade e evitar a propagação do vírus em Gaza, que foi diagnosticado há alguns dias numa criança." Há 25 anos que não se registavam casos em território palestiniano e a deteção deste caso, levou a uma forte preocupação, uma vez que, a região tem "falta de produtos de limpeza" que, aliado à sobrelotação dos espaços, à poluição e à "escassez de água", são "fatores que a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que contribuem para a propagação do poliovírus e outras doenças infecciosas."


Terão sido atribuídas a Gaza já "1,26 milhões de doses de vacina oral (duas gotas nesta primeira fase de imunização), bem como equipamento para assegurar a cadeia de frio," essencial para a preservação da vacina.


Com Israel a conceder apenas três dias de pausa nos ataques - "o governo israelita aceitou parar os combates entre as 6h e as 15h durante três dias, com a possibilidade de um prolongamento de um dia" - as entidades envolvidas (Ministério da Saúde palestiniano, em cooperação com a Organização Mundial de Saúde, a Unicef e a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina), irão tentar chegar às cerca de "640000 crianças", que precisam de ser vacinadas.


Para que a esta campanha de vacinação produza alguma eficácia, "a OMS declarou que pelo menos 90 por cento das crianças devem ser vacinadas", o que levou ao envolvimento de "mais de 2100 profissionais de saúde das agências da ONU e do Ministério da Saúde de Gaza." De acordo com a ONU, depois da primeira interrupção de três dias, irá seguir-se outra "de três dias no sul de Gaza e depois uma outra no norte de Gaza, de forma a terminar o processo de vacinação." Mesmo assim, será uma missão quase impossível.


Segundo o site do SNS, não existem neste momento "casos de poliomielite em Portugal." De facto, foi em 1986 que se registou "o último caso da doença no país" e, "desde 2002 que a região europeia está considerada como livre de poliomielite." Em 2019, a nível mundial, foram registados apenas "175 casos."


A vacinação "e a melhoria das condições de saneamento vieram contribuir para esta redução," uma vez que este vírus tem duas formas de propagação, uma por via direta (por via feco-oral através do contato com as "fezes de uma pessoa infetada", através da tosse ou espirros, e inalação de partículas contaminadas)  e outra por contato indireto através da "água, alimentos ou objetos contaminados."


Fontes:


https://pt.euronews.com/saude/2024/08/31/guerra-em-gaza-arranca-a-campanha-de-vacinacao-contra-a-poliomielite


https://sicnoticias.pt/especiais/conflito-israel-palestina/2024-08-31-arrancou-a-campanha-de-vacinacao-contra-a-poliomielite-em-gaza-1fdfde27


https://sicnoticias.pt/mundo/2024-08-29-video-abdul-rahman-de-dez-meses-e-o-primeiro-caso-de-poliomielite-identificado-em-gaza-em-25-anos-b9544234


https://www.sns24.gov.pt/tema/doencas-infecciosas/poliomielite/

19/08/2024

Dia Mundial da Ajuda Humanitária

Hoje assinala-se o Dia Mundial da Ajuda Humanitária, uma data tão importante quando relevante e necessária, criada "em memória das 22 vitimas do atentado à Nações Unidas em Bagdade, no Iraque." A data foi criada exatamente com o intuito de celebrar o trabalho de todos aqueles que "ao serviço dos outros e na defesa de causas humanitárias, arriscam as suas vidas na frente de combate, muitas vezes, em cenários inóspitos de guerra."


Em ocasião desta data, refere a OMS que, desde o início do conflito, os "serviços de saúde da Ucrânia sofreram 1940 ataques", naquele que é já o maior número "registado durante uma crise humanitária." Na prática, destes ataques resultou a destruição de cerca de 200 ambulâncias por ano devido a ataques russos na Ucrânia. O grande problema está também naquilo que é chamado de "duplo ataque", em que "um bombardeamento inicial é seguido de um segundo bombardeamento, destinado a matar as equipas de socorro que acorrem em auxílio das vítimas do primeiro." Algo que não pode de forma nenhuma ser tolerado!


Pelo mundo, a OMS acode anualmente a diferentes crises humanitárias, provocadas não só pos conflitos armados, mas também por catástrofes naturais. Os mais afetados são sobretudo as populações mais pobres, e as faixas mais suscetíveis das populaçoes continuam a ser as crianças e os idosos.


Uma das situações mais graves é, sem dúvida, o que se passa na fronteira sudanese, com "aproximadamente 13 milhões de pessoas" deslocadas. Cerca de 800 mil pessoas estão isoladas no Darfur, sem acesso a comida e "sem serviços essenciais."


Fontes:


https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-mundial-da-ajuda-humanitaria


https://www.sapo.pt/noticias/atualidade/oms-contabiliza-1-940-ataques-a-servicos-de_66c3639bcbcd6f42659d0e5b


https://news.un.org/pt/story/2024/07/1834601


 


 


 


 

03/03/2024

Os meninos de Gaza

Não há infância em Gaza. Há muito que lhes foi retirado o direito de brincar sem medo, de dormir tranquilo... A infância já foi perdida há muito, não foi hoje, nem ontem, numa região onde quase caiem mais bombas que chuva! Estas crianças morrem dos bombardeamentos, morrem fuziladas, morrem de fome, de doenças e de graves infeções. Muitas vezes, morrem sem os pais, sem família, sem ninguém que as chore, ou porque também eles tiveram o mesmo destino ou porque nem sequer sabem onde elas estão.


Devido às mortes constantes, algumas famílias tentaram arranjar forma de identificar as suas crianças caso estas sejam mortas e não seja possível identificá-las, ou caso sejam levadas para uma vala comum. Assim, "colocam pedaços de tecidos coloridos em redor dos pulsos das crianças ou escrevem o nome nos braços e nas pernas."


"A 29 de janeiro, Bashar, de 44 anos, e a mulher, Anam, de 43 anos, puseram os quatro filhos e a sobrinha no carro, depois de o exército israelita ter ordenado a evacuação do bairro de Tel Al Hawa, em Gaza." Hind Rajab tinha apenas 5 anos e ia nesse carro quando um tanque os atingiu com rajadas de tiros. A menina, ficou viva e pegou no telemóvel que a prima, de 15 anos, tinha usado para ligar para a ajuda do Crescente Vermelho Palestiniano, para implorar que a viessem buscar. Nas horas seguintes, conseguiram manter-se em contato com a menina e encontraram até forma de ser autorizada uma "passagem segura" para que uma ambulância a fosse buscar. A mãe chegou a estar em contato com a menina, sem poder fazer nada para a ajudar. Ao fim do dia, os tripulantes da ambulância informaram que estava a acontecer um “tiroteio pesado", informaram "que conseguiam ver o carro onde estava Hind e avisaram que estava apontado um laser à ambulância." Ao mesmo tempo, noutra chamada Hind continuava a pedir que a fossem buscar. "Ambas as chamadas caíram. Durante 12 dias, não foi possível saber o que aconteceu."


Doze dias depois, a ambulância com os seus dois tripulantes foi encontrada completamente destruída e com dois corpos carbonizados lá dentro. No carro, a pequena Hind jazia também morta "rodeada pelos cadáveres de seis familiares."


Num outro ataque, entre tantos, cerca de 30 pessoas morreram mas, nove dias depois, ainda foi possível retirar um menino com vida dos escombros! Desidratado e subnutrido, foi levado para um "hospital numa carroça, já que não há combustível na Faixa de Gaza." Espera-se que sobreviva agora, depois da sua dura provação e de ter perdido toda a família. Mas quantos como ele poderiam estar vivos e acabado por sucumbir por falta de ajuda?


Continuar com os hospitais abertos e com ambulâncias na rua é um ato heróico para quem o faz. Os meios de socorro estão constantemente a ser atacados, sem dó nem piedade. Esta quarta-feira, "os hospitais Kamal Adwana e Al-Awda, ambos localizados no Norte da Faixa de Gaza, anunciaram a suspensão total dos seus serviços." Já serão até agora pelo menos dez, as crianças que morreram em hospitais daquela área "devido à desnutrição e desidratação" nos últimos dias. Muitas crianças morrem no chão dos hospitais, sem que nada possa ser feito para as salvar. Há a vontade, mas falta tudo o resto.


O que o Hamas fez em Israel não tem perdão. O que Israel está a fazer em Gaza, também não. Uma ação não pode desculpar a outra, quando quem mais sofre são os bebés e as crianças. 


Fontes:


https://sicnoticias.pt/mundo/2024-03-01-Crianca-e-resgatada-com-vida-apos-9-dias-debaixo-de-escombros-em-Gaza-093ff989


https://observador.pt/2024/02/12/hind-rajab-a-menina-de-5-anos-que-implorou-por-ajuda-encontrada-morta-em-gaza/


https://expresso.pt/internacional/medio-oriente/guerra-israel-hamas/2023-10-27-Em-Gaza-os-pais-colocam-fitas-coloridas-nas-criancas-para-as-reconhecerem-caso-morram-2dfa0b95


 

13/01/2024

Dia Mundial da prevenção e combate à depressão

Assinala-se hoje o Dia Mundial do Combate à Depressão. Esta é uma condição médica muito comum que afeta cerca de 5% da população mundial. Esta é uma doença que pode trazer um impacto muito negativo e entre as suas graves consequências pode mesmo estar o suicídio.


A depressão tem sido um tabu e como tantas doenças mentais é escondida dos outros por muitos dos seus portadores e recusada como um problema por muita da comunidade médica. A depressão é sobretudo uma doença estigmatizada e isso traz vários obstáculos ao seu correto tratamento. "A par da Irlanda somos o país com maior prevalência desta doença que continua a não ter resposta atempadas por parte Serviços de Saúde e gera incompreensão por parte da sociedade." 


E para que este preconceito deixe de existir é cada vez mais importante falar sobre o assunto, relembrar que existem meios de diagnóstico e de apoio e que podemos e devemos pedir ajuda. No entanto, é importante não esquecer que no nosso país a saúde mental continua a ser um parente pobre das restantes áreas da saúde. 


Uma das questões que temos de trazer para o primeiro plano é que a depressão é uma doença e não um sentimento. É diferente da tristeza, que "é uma emoção humana válida como qualquer outra e tem a sua função." E não podemos nunca dizer que é o mesmo.


A depressão pode ter diferentes causas. Estas podem ser “endógenas ou reactivas a fatores quer precipitantes, ou predisponentes: desencadeadas" por fatores prévios que ocorrem na vida de alguém. Independentemente da sua causa, todas as depressões devem ser atendidas, sejam mais leves ou mais severas. 


No decorrer do aparecimento dos sintomas associados à fibromialgia, a depressão apareceu na minha vida. Acabei por detetar alguns dos seus sintomas e procurei ajuda, mas se tivesse havido um trabalho paralelo na altura em que o diagnóstico ainda não estava atribuído e os problemas no trabalho se iam sucedendo, com conhecimento de todas as situações aos médicos que me seguiam, poderia ter sido prevenida ou agarrada muito mais cedo. Felizmente, o apoio de alguns amigos e familiares nessa altura foi fundamental. Mas a minha realidade não é igual à de muitas outras pessoas que passam sozinhas por estas situações e que acabam por entrar em fases muito mais profundas. O importante foi que no meu caso eu estava atenta e tive a capacidade de pedir apoio quando nenhum dos médicos que na época me estava a acompanhar percebeu (ou quis perceber) que tinha de haver um acompanhamento diferente. A procura de uma psicóloga foi inicialmente feita por mim, através do privado e às minhas custas, o que levanta também outras questões, como a da responsabilidade e disponibilidade financeira. Só bastante tempo depois (cerca de dois anos depois de estar na Unidade da Dor) é que me foi atribuída consulta de acompanhamento de psicologia na própria Unidade. Poderia ter sido tarde.


Fontes:


https://vaniacardoso.net/2023/01/17/13-de-janeiro-2023-dia-mundial-de-prevencao-e-combate-a-depressao/


https://www.medicina.ulisboa.pt/dia-mundial-mundial-do-combate-depressao


https://www.publico.pt/2024/01/13/impar/opiniao/depressao-doenca-estigma-obstaculos-tratamento-2076592


 

01/01/2024

Mais uma volta à nossa estrela

Bom dia e feliz ano novo.

2024 começa sem surpresas como qualquer outro dia do ano. A guerra continua, na Ucrânia ouviram-se estrondos mas não foram de festejos, houve um sismo no Japão, morreram pessoas em acidentes de viação, um jovem foi assassinado por uma estupidez qualquer numa noite que devia ter sido de festa. Sobem os salários e os preços. Os hospitais continuam cheios, os casos de gripe continuam a crescer. Na Dinamarca, a rainha começa o ano a abdicar do trono.

Por aqui tudo igual também. Depois de mais uma volta completa ao Sol, começamos o dia a lavar a loiça do jantar de ontem, a box da televisão do quarto cansou-se e hoje não lhe apeteceu recomeçar as suas funções e as minhas artroses não se foram embora por magia. Gravei no polegar e pulso as cenouras raladas e a cebola picada de ontem, depois da Bimby ter resolvido fazer greve (talvez zangada por eu raramente a usar).

Ainda pensei em me levantar e ir atirar-me ao mar junto com centenas de pessoas que foram corajosamente dar o primeiro mergulho do ano, mas ainda não me apeteceu tirar o pijama. Acho que me vou atirar para as páginas do livro que estou a ler e passar a tarde de forma tranquila em casa. Se o sol aquecer talvez faça uma loucura e saia de casa para ir dar um passeio à marginal do Seixal.

Ontem à noite foi bom ter um jantarzinho aqui em casa. Vimos o fogo de artifício aqui mesmo da janela da sala e brindámos ao novo ano. Pedidos não fiz nenhuns, acho que não vale a pena pedir nada se não tiver a intenção de fazer mudanças por mim mesma. As melhores coisas são as mais simples, como os abraços apertadinhos de quem amo mais do que a vida, o meu filho.

Celebra-se neste primeiro dia do ano o Dia Mundial da Paz. Esta é uma celebração de origem católica realizada anualmente no dia 1 de janeiro, com o objetivo de celebrar e promover a paz. "Foi criada, em 1967, pelo papa Paulo VI, sendo celebrada, pela primeira vez, em 1968. É comemorada anualmente com um discurso realizado pelo pontífice." É também celebrada por não católicos. Devemos também ter em conta que na época em que foi criada, o mundo passava por uma década que "ficou marcada pelo auge da rivalidade entre soviéticos e norte-americanos e a ameaça de um conflito nuclear." E nos nossos dias, o risco é grande e por isso devemos erguer as nossas vozes em sua defesa! Além da defesa da paz, a data pretende também combater "a miséria, a desigualdade social e garantindo os Direitos Humanos básicos de todo indivíduo."

Um ano feliz a todos os meus seguidores e que continuem a vir até aqui em 2024 dar uma espreitadela e deixar-me os vossos comentários! Obrigada.

Fontes:

https://mundoeducacao.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-mundial-paz.htm

16/08/2023

Suicídio - gémeas de 12 anos saltam juntas para a morte

Hoje aponto aqui duas notícias ocorridas este ano e ambas com caraterísticas muito parecidas. Os casos deram-se em Espanha, mas não é o país que está em casa. O que me acorre é o sofrimento em que estas crianças deveriam estar para saltarem para a morte.


No mês de maio deste ano, duas meninas terão saltado do 6º andar de um prédio, em Oviedo em Espanha. Inicialmente, não se sabia bem o que as tinha levado a saltar ou se até teriam caído por acidente, mas as investigações levadas a cabo vieram identificar que Aleksandra e Anastasiia, de origem rússa, "poderiam estar a  sofrer de bullying" e que isso as levou ao suicídio. A notícia de 19 de maio, dava conta que a mãe e o pai estariam a receber apoio psicológico devido à morte trágica das gémeas de 12 anos.


A mãe das meninas esclareceu agora as dúvidas, através de uma carta, na qual explica "que a família era vítima de maus tratos protagonizados pelo pai das crianças, que regularmente as trancava em casa e as impedia de sair." Segundo Olga, mãe das meninas e de um outro menino de 10 anos com quem entretanto voltou para a Rússia, terá sido mesmo esse o "que motivou o ato das meninas, deixando a família de luto." Seja qual o motivo, ou se calhar até pelo acumular de ambas as razões a verdade é que estas meninas não encontraram quem as entendesse, no seu sofrimento.


"Em junho, o Tribunal de Violência contra as Mulheres de Oviedo ordenou a Igor Zuev que se mantivesse longe da sua mulher e do filho mais novo."


Em fevereiro deste ano, em Sallent, Barcelona, outras duas meninas também de 12 anos, gémeas, caíram da varanda da casa onde moravam e neste caso "uma das crianças morreu e a outra ficou gravemente ferida." Estas meninas, Ivan e Leila, deixaram uma "carta de despedida antes de saltarem da varanda do prédio onde moravam. Na carta falam de intolerância, racismo, bullying e transfobia."


O suicídio é, confesso, algo que me preocupa bastante. Quando se trabalha com crianças e jovens, temos de ser pessoas muito (mesmo muito) atentas. Em Portugal têm sido vários os casos de suícidio em jovens, mas um flagelo também grande que por cá assistimos, são as fugas de jovens. Se para uns, não passará de uma forma de mostarem a sua independência e a sua forte vontade de autonomia (quem nunca?) para outros é um passo para serem vítimas de outras situações (entrada em grupos problemáticos, gangues, assaltos, abusos, violações... morte).


A saúde mental é uma área que precisa de ter uma maior atenção. Temos de começar por ver que o suicídio, em si, não é uma doença, mas sim um comportamento. Pode até ser uma "chamada de atenção" mas, o que temos de perceber é quantas foram as "chamadas" que estes jovens tiveram de fazer, até chegar a este ponto limite! Ana Matos Pires, afirma até que o suicídio "já é a principal causa de morte junto de crianças e jovens adultos no país”, dando a conhecer dados que indicam que "uma em cada seis mortes de pessoas entre os dez e os 29 anos em Portugal é por suicídio." Assustador, não? A própria OMS já começa a dar uma maior importância a este flagelo. "A área infanto-juvenil está contemplada no PRR" (Plano de Recuperação e Resiliência), havendo a esperançã de que em futuros Orçamentos do Estado, haja "algum investimento a nível preventivo — nomeadamente no meio escolar e de interligação da escola com a saúde mental da infância e da adolescência no SNS.”


Segundo dados da OMS, Portugal até "ocupa um lugar mediano na tabela de taxas de suicídio na Europa, continente onde há uma morte por suicídio a cada 40 segundos." Um outro dado importante, é que "a depressão aumenta o risco de suicídio em 20 vezes (seis em cada dez suicídios foram efetivados por doentes com depressão) e que o suicídio causa mais mortes do que o cancro da mama, a malária, a guerra ou os homicídios." Mais uma razão para se reforçarem os cuidados de saúde mental, sobretudo, os preventivos.


Fontes:


https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2380354/espanha-gemeas-que-morreram-apos-queda-de-6-andar-eram-vitimas-do-pai


https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2323863/irmas-gemeas-de-12-anos-morrem-apos-cairem-de-janela-em-espanha


https://observador.pt/2023/05/19/gemeas-de-12-anos-morreram-ao-cair-de-uma-janela-nas-asturias/


https://dezanove.pt/suicidio-em-espanha-criancas-gemeas-1861941


https://expresso.pt/sociedade/2021-09-10-Suicidio-e-a-principal-causa-de-morte-em-criancas-e-jovens-adultos-em-Portugal-8a69a853


 

15/06/2023

Ser velho no nosso país

Chegarei a velha? Gostava, sim, mas só se fosse com alguma qualidade de vida e com a minha cabeça lúcida. Infelizmente, o mais certo é vir a ser mais uma pessoa sozinha, sem o apoio para me manter sã física e mentalmente. Ou então ficar-me aí a meio caminho...

Ser velho é a somatória de fatores biológicos, sociais e subjetivos, elementos responsáveis pela peculiaridade de cada idoso. O Dia da Consciencialização da Violência contra a Pessoa Idosa comemora-se hoje, 15 de junho, e foi instituído em 2006 pela Rede Internacional para a Prevenção do Abuso à Pessoa Idosa ("The International Network for the Prevention of Elder Abuse").

Este dia foi estabelecido com o objetivo de proporcionar a reflexão sobre uma questão social sensível. O envelhecimento da população nos países desenvolvidos, proporciona o aumento dos maus-tratos fisícos e psicológicos e o seu esquecimento, tanto pelas famílias como pelos serviços de acolhimento. Alguns sinais de alerta são: a falta de apetite ou perda de peso, as mudanças de humor e comportamento, a higiene pessoal insatisfatória e as lesões físicas frequentes (equimoses, hematomas, abrasões).

Apesar de vivermos numa sociedade cada vez mais envelhecida, continua a predominar entre nós uma visão negativa do envelhecimento – populacional e do indivíduo. Esta visão comporta estereótipos quanto às pessoas idosas, que são frequentemente vistas pela sociedade como pessoas frágeis, doentes e dependentes.

As percepções negativas do envelhecimento e os estereótipos associados às pessoas idosas conduzem, necessariamente, ao desrespeito pelos seus direitos, à exclusão e marginalização daqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade e, não raras vezes, a situações de crime e violência.

A ONU relembra que a discriminação etária é uma grave violação dos Direitos Humanos, reconhecendo este dia através da Resolução 66/127 da Assembleia Geral da ONU a 11 de dezembro de 2011.

Por semana, 31 pessoas idosas foram apoiadas pela APAV no ano de 2020. A violência contra pessoas idosas é, simultaneamente, um fenómeno crescente e um fenómeno invisível, que são absolutamente necessários de inverter.

A sensibilização para estas questões e a informação sobre os canais de apoio disponíveis para pessoas vítimas de violência e de crime fazem parte do trabalho da APAV, que tem como objetivos a prevenção da violência interpessoal nos adultos, promover a igualdade e a equidade em saúde, contribuindo para a informação da população e sensibilização dos profissionais de saúde.

Fontes:

https://www.sbgg-sp.com.br/o-que-e-ser-velho-quando-ficamos-velhos/

https://www.ordemenfermeiros.pt/acores/noticias/conteudos/dia-mundial-da-consciencializa%C3%A7%C3%A3o-da-viol%C3%AAncia-contra-a-pessoa-idosa-2022/

https://apav.pt/apav_v3/index.php/pt/2751-15-de-junho-dia-mundial-da-consciencializacao-da-violencia-contra-a-pessoa-idosa

https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-da-consciencializacao-da-violencia-contra-pessoa-idosa-2021

Resolução 66/127 da AG das Nações Unidas sobre o Dia da Consciencialização da Violência contra a Pessoa Idosa [en]


 

13/05/2023

A Eutanásia - liberdade para morrer

O tema que escolhi hoje, é bastante complexo e divide ainda muitas opiniões. A minha publicação é apenas para que se fale, para que se saiba do que se trata e para que se possam esclarecer algumas das opiniões divergentes. Para já, acho que a aceitação deste decreto, não significa que sejamos obrigados a fazê-lo um dia. Mas permite que quem o queira fazer, possa seguir a sua vontade, sem estar a cometer algo que vá contra a lei. E sim, ainda há muito a fazer em especial no que diz respeito aos cuidados paliativos, ao acesso aos cuidados de saúde e ao acesso a tartamentos e terapias.


“A Assembleia confirma, o Presidente promulga. Eu vou promulgar, claro, é o meu dever constitucional”, afirmou o Presidente da República aos jornalistas. O diploma sobre a morte medicamente assistida, que tinha sido vetado pelo Presidente da República, foi aprovado esta sexta-feira com um total de 129 votos a favor, 81 votos contra e uma abstenção, resultados anunciados pelo presidente do parlamento, Augusto Santos Silva, no final da votação.


Depois de dois vetos presidenciais e dois chumbos no Tribunal Constitucional, o Parlamento português aprovou, esta sexta-feira, pela quinta vez a lei para a morte medicamente assistida. A proposta determina que a morte através de eutanásia só pode ser realizada e maiores de 18 anos e se o suicídio assistido for impossível por incapacidade física do doente.


A Associação dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP) lamentou hoje que o parlamento tenha confirmado o decreto sobre a morte medicamente assistida e depositou agora a sua “esperança” num pedido de fiscalização sucessiva da lei. Também o Papa Francisco se manifestou triste com esta notícia. 


A AMCP salientou ainda que os profissionais de saúde dispõem atualmente de “meios muito eficazes para apaziguar o sofrimento físico, psicológico e espiritual” dos doentes e reafirmou que a Ordem dos Médicos não deve participar na Comissão de Verificação. E é aqui que coloco a questão: será que tem mesmo?


Eu já vi tanto sofrimento que sei que isto não é verdade. Viver com feridas cheias de pus, com dores lancinantes durante todo o dia e noite, durante os tratamentos, é criminoso por si só. Nem sempre os tratamentos são feitos sob anestesia. Pensem em doentes oncológicos graves em que o sofrimento é a sua única certeza, em doentes acamados que ficam anos presos a uma cama sem qualquer perspetiva de melhoria, existem inúmeras situações em que eu acho que eutanasiar, se for a única hipótese de acabar com a dor e com o sofrimento e se for da vontade da pessoa, que assim seja.


Este é um tema muito polémico e iremos ainda ouvir falar muito dele, dos argumentos contra e dos argumentos a favor. Pessoalmente, eu sou a favor.


Entre os argumentos a favor da prática da eutanásia estão a alegação de que as pessoas têm o direito a tomar decisões sobre o seu corpo e escolher como e quando querem morrer, que o direito à morte está implícito nos restantes Direitos Humanos, que a lei não deve interferir em assuntos da esfera privada que não prejudiquem outras pessoas, que a eutanásia continua a ser praticada mesmo que ilegal e que a morte não é necessariamente má.


Entre os argumentos contra a prática de eutanásia estão a alegação que a eutanásia é contra a vontade de Deus, que não respeita a inviolabilidade da vida, que desvaloriza o valor da vida, de que a permissão da eutanásia voluntária levaria a casos de eutanásia involuntária e de que cuidados paliativos de qualidade retiram a necessidade de praticar eutanásia. Algumas pessoas alegam que, ainda que moralmente justificável, a eutanásia pode ser usada para encobrir um homicídio.


Nos últimos dias de vida da minha mãe, vi o seu sofrimento, assisti às despedidas que ela acabou por fazer, sabendo que já nada havia a fazer por ela e que a única coisa que podia esperar, era a dor, intercalada em períodos de inconsciência. A medicação já não fazia efeito. Os rins pararam, respirar era difícil e quando ela estava consciente, a sua expressão era de sofrimento. Não comeu durante vários dias, porque o seu corpo não aceitava comida. Já não urinava nem defecava, ficou praticamente cega, mas ainda conseguia ouvir. Felizmente, a vida tomou o seu curso e o coração acabou por parar, sem interferência de ninguém. Ver o seu sofrimento terminado foi ao mesmo tempo uma grande dor e um grande alívio. Se nessa altura, houvesse a eutanásia, quase de certeza que ela a ser capaz de manifestar a sua opinião, a teria escolhido. Sei porque ela me tinha falado sobre não a deixar sofrer quando deixassem de haver tratamentos disponíveis.


A Eutanásia pode definir-se como o ato intencional de proporcionar a alguém uma morte indolor para aliviar o sofrimento causado por uma doença incurável ou dolorosa. Geralmente a eutanásia é realizada por um profissional de saúde mediante pedido expresso da pessoa doente.


A eutanásia é diferente do suicídio assistido, que é o ato de disponibilizar ao paciente meios para que ele próprio cometa suicídio. Entre os motivos mais comuns que levam os doentes terminais a pedir uma eutanásia estão a dor intensa e insuportável e a diminuição permanente da qualidade de vida por condições físicas como paralisia, incontinência, falta de ar, dificuldade em engolir, náuseas e vómitos. Entre os fatores psicológicos estão a depressão e o medo de perder o controlo do corpo, a dignidade e independência.


A eutanásia pode ser classificada em voluntária e involuntária. Na eutanásia voluntária é a própria pessoa doente que, de forma consciente, expressa o desejo de morrer e pede ajuda para realizar o procedimento. Na eutanásia involuntária a pessoa encontra-se incapaz de dar consentimento para determinado tratamento e essa decisão é tomada por outra pessoa, geralmente cumprindo o desejo anteriormente expresso pelo próprio doente nesse sentido.


A eutanásia pode também ser classificada em ativa e passiva. A eutanásia ativa é o ato de intervir de forma deliberada para terminar a vida da pessoa (por exemplo, injetando uma dose excessiva de sedativos). A eutanásia passiva consiste em não realizar ou interromper o tratamento necessário à sobrevivência do doente.


 


Fontes:


https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/papa-francisco-critica-aprovacao-da-lei-da-eutanasia-no-parlamento-portugues


https://pt.euronews.com/2023/05/13/marcelo-promulga-lei-da-eutanasia-porque-a-constituicao-o-obriga


https://pt.wikipedia.org/wiki/Eutan%C3%A1sia


 


 

30/03/2023

Prejudicados mais uma vez

Segundo algumas notícias, os preços dos medicamentos deverão subir a partir de abril e podem ficar até 5,6% mais caros. O Governo diz que a medida é para combater a rutura de medicamentos nas farmácias.


Ao que parece, “os medicamentos com PVP até 10 euros têm o preço atualizado em 5% e aqueles com preços entre 10 e 15 euros serão atualizados em 2%”.


Os mais caros, segundo o ministro, podem até baixar de preço, em compararção com outros países.


Para mim esta medida não tem lógica nenhuma, na conjuntura económica e social em que vivemos. Eu levei agora um aumento na renda de casa e, devido aos meus problemas de saúde, tenho de tomar vários medicamentos. Além disso, tomo suplementos que não são comparticipados e dos quais necessito, como por exemplo o magnésio, que cada vez são mais caros. Alguns medicamentos, estão a ser difíceis de encontrar nas farmácias e por isso ás vezes sou obrigada a aceitar a troca por mais caros, em vez daqueles de valor mais baixo. 


Prejjudica-nos a todos estas medidas. Quem não pode comprar, deixa de tomar a medicação? Que apoios estão pensados para estas pessoas? Já nem falo de mim porque trabalho e consigo (com dificuldade e muita gestão de cada cêntimo) comprar o que vou precisando - optando pelos mais urgentes e muitas vezes até diminuindo as dosagens para que chegue para mais tempo!


Esta regulação prejudica quem menos tem, tantas vezes com baixas reformas, com doenças crónicas e prolongadas com as quais já têm de lidar diariamente, sendo uma vez mais lesados.


 


Fontes:


https://www.rtp.pt/noticias/pais/medicamentos-mais-caros-a-partir-de-1-de-abril_v1476593 


https://expresso.pt/sociedade/2023-01-18-Medicamentos-mais-caros-para-travar-ruturas-0c48a989

18/01/2022

Desespero consumado







Esta manhã mais uma mensagem sobre uma menina de 16 anos, dada como desaparecida desde ontem, na zona do Porto, era partilhada no Facebook e noutras redes sociais. Vai e volta, aparecem estas mensagens, apelos aflitos de pais e de amigos que não sabem o que fazer. Neste caso, infelizmente, acabaram por encontrar hoje o corpo de Amélie Bastos, que tinha apenas 16 anos. Suspeita-se, de acordo com informações dadas pelos pais que a jovem se terá suicidado. Fiquei sem palavras, mas de repente pensei que não nos podemos calar. Quantos jovens, passam por nós, lidam conosco e não damos conta do seu sofrimento?


Segundo nos relata o jornal Observador , a mãe afirmou nas redes sociais que a filha corria "risco de suicídio, está há um ano em tratamento psiquiátrico de depressão. Levou todos os medicamentos, incluindo todos os calmantes que lhe receitaram para tomar só em caso de emergência. Deixou a chave de casa em casa, que não é costume. Despediu-se de mim de manhã de uma forma especial e tem o telemóvel desligado desde ontem à noite”. Horas depois, a mochila pertencente a Amélie, apareceu numa esplanada na zona da Foz, o que fez com que os meios fossem direcionados para aquela zona. Populares também se juntaram às operações. A Polícia Marítima "confirmou que na praia dos Ingleses, uns metros ao lado, foram encontradas no mar, perto da zona de rebentação, uma camisola e um casaco pretos". Mais tarde,, a Polícia Marítima confirmou que "o corpo de Amélie foi encontrado na mesma praia."








 

A verdade é que sim, as crianças pré-adolescentes cometem suicídio e esse problema potencial não deve ser ignorado. Em geral, o suicídio é oriundo da interação de vários fatores, sendo que a depressão é o fator mais comum e significativo, mas não é o único fator de risco para o suicídio.  Muitos fatores podem contribuir para o aumento das tentativas de suicídio entre crianças e adolescentes, entre eles o aumento da depressão na adolescência (especialmente em meninas), aumento das prescrições de opioides para os pais, exposição a taxas crescentes de suicídio entre adultos em seu círculo, relacionamentos conflituosos com os pais e o stress que sentem por causa da escola. 

 


As tentativas de suicídio frequentemente envolvem pelo menos alguma ambivalência quanto ao desejo de morte e podem ser um pedido de ajuda. Em primeiro lugar, acho que é importante distinguir entre comportamento, ideação e tentativa de suicídio:




 

Comportamento suicida é uma ação destinada a ferir a própria pessoa e inclui gestos suicidas, tentativas de suicídio e o suicídio consumado. 

 

Ideação suicida compreende pensamentos e planos sobre suicídio. A ideação suicida nem sempre dá origem a um comportamento suicida, mas ela é um fator de risco para o comportamento suicida. Diversos fatores normalmente interagem antes de a ideação suicida se tornar comportamento suicida. É muito frequente que exista um transtorno de saúde mental subjacente e um evento stressante que desencadeia o comportamento.

 

Tentativas de suicídio são atos de automutilação que podem resultar em morte como, por exemplo, enforcamento ou afogamento. 

 







Tal como refere Marta Rebelo, num artigo brilhante na revista Visão em que aborda esta problemática dando o seu próprio testemunho, há uma "ausência de intervenção preventiva para enfrentar um problema de saúde pública – só 38 países têm planos nacionais de prevenção do suicídio, segundo a Organização Mundial de Saúde."



Muitos fatores podem contribuir para o aumento das tentativas de suicídio entre crianças e adolescentes, entre eles o aumento da depressão na adolescência (especialmente em meninas), aumento das prescrições de opioides para os pais, exposição a taxas crescentes de suicídio entre adultos em seu círculo, relacionamentos conflituosos com os pais e estresse acadêmico.




As tentativas de suicídio frequentemente envolvem pelo menos alguma ambivalência quanto ao desejo de morte e podem ser um pedido de ajuda. Podem ser despoletados por situações de stress em crianças que já tenham um distúrbio da saúde mental. Caraterísticamente, crianças com risco de suicídio podem estar deprimidas ou ansiosas, retraídas das suas atividades, podem conversar sobre assuntos relacionados à morte ou alterar seu comportamento subitamente.


Um outro aspeto que devemos todos compreender é que tanto os familiares como os amigos devem levar todas as ameaças ou tentativas de suicídio a sério. O encaminhamento precoce é fundamental, para que os profissionais de saúde tentem determinar quão grave é o risco de suicídio. Em alguns casos, o tratamento pode envolver hospitalização, medicamentos para tratar outros distúrbios de saúde mental e terapia individual e para a família.





De entre as origens mais comuns, podemos dizer que a ansiedade, esquizofrenia, traumatismo craniano e transtorno de estresse pós-traumático, podem aumentar o risco de suicídio. Não obstante, crianças e adolescentes que tentam se suicidar estão às vezes com raiva de familiares ou amigos, são incapazes de tolerar a raiva e direcionam a raiva contra eles mesmos. Eles podem querer manipular ou punir outras pessoas (“Eles vão lamentar depois que eu morrer”). Ter dificuldade em comunicar-se com seus pais pode contribuir para o risco de suicídio.

 



O comportamento suicida às vezes resulta quando uma criança imita as ações de terceiros. Suicídios amplamente cobertos pela comunicação social, por exemplo, como os de celebridades, são com frequência seguidos de outros suicídios ou tentativas de suicídio. De maneira similar, suicídios por imitação às vezes acontecem em escolas. Pais, médicos, professores e amigos podem estar numa posição que lhes permita identificar as crianças que podem tentar o suicídio, em particular aquelas que tiveram uma recente mudança de comportamento. Crianças mais velhas e adolescentes com frequência confiam somente nos seus pares, que devem ser veementemente encorajados a não guardar segredos que possam conduzir à morte trágica da criança suicida. As crianças que exprimem abertamente pensamentos de suicídio (como “quem me dera nunca ter nascido” ou “gostaria de dormir e nunca mais acordar”) estão sob risco, da mesma forma que crianças com sinais mais sutis, como retraimento social, retrocesso escolar ou abrir mão de objetos preferidos.



O número de jovens que tenta o suicídio é muito maior do que o daqueles que o realmente concretizam. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças forneceram recentemente informações sobre tendências crescentes de suicídio em vários grupos e períodos de tempo:







  • No caso das meninas (10 a 14 anos de idade), a taxa global de suicídio aumentou de 0,5% em 1999 para 2% em 2019.






  • No caso dos meninos (10 a 14 anos de idade), a taxa global de suicídio aumentou de 1,9% em 1999 para 3,1% em 2019.








 


 



O suicídio é mais provável em famílias nas quais transtornos do humor são comuns, especialmente caso haja um histórico familiar de suicídio ou outros comportamentos violentos.








 





Fontes:


https://observador.pt/2022/01/18/menina-de-16-anos-desaparecida-no-porto-mae-pede-ajuda-nas-redes-sociais-e-autoridades-encontram-roupa-no-mar/


https://www.msdmanuals.com/pt-pt/casa/problemas-de-sa%C3%BAde-infantil/dist%C3%BArbios-da-sa%C3%BAde-mental-em-crian%C3%A7as-e-adolescentes/comportamento-suicida-em-crian%C3%A7as-e-adolescentes


https://visao.pt/opiniao/ponto-de-vista/2022-11-07-suicidio-a-minha-historia-os-nossos-numeros-e-muitos-factos-assustadores/


 




12/01/2021

O novo ano pode ser pior que 2020?

Ao tocar as badaladas do novo ano, não senti que tivesse havido uma mudança. Não saí de casa, apenas espreitámos da janela o fogo de artifício, mas o sentimento era de angústia.


Este ano, apenas pedi saúde, mesmo sabendo que o ritual é uma estupidez, mas não quis arriscar a perder uma oportunidade de pedir saúde, mesmo que seja a mim mesma. As mudanças partem em primeiro lugar de nós mesmos e não de milagres.


Mas tal como previra, o novo ano, não trouxe milagres. Terminados os festejos do Natal e do Ano novo, o balanço é trágico. Basta olharmos como estão os hospitais.


À porta, há pessoas idosas, que continuam a ser abandonadas pelos seus na época festiva. Não é novidade que nos dias antes do Natal há um acréscimo de velhos doentes, que são deixados nas urgências para que a família passe a quadra sem o trabalho que dá a sua presença. Vão depois buscá-los uns dias depois da passagem de ano. Assisti a diversas situações dessas na primeira pessoa quando trabalhava como socorrista. Alguns diziam descaradamente que essa era a sua intenção, como se não percebessemos que os estavam a abandonar. Era vê-los arrancar com o carro já carregado de malas para irem passar o natal ou o ano novo a qualquer lado, enquanto nós levamos o seu ente para a urgência. O Covid não veio mudar isso... as pessoas só fingem que estão melhores, mas no fundo, continua a desumanidade.


Este ano, vêm-se nas salas de espera onde as máquinas de comida não são abastecidas, à espera que alguém os vá buscar ou, pelo menos, que lhes leve uma sopa. O ser humano é assim mesmo. Miserável.


Um homem, seus 80 anos, agarra a porta do carro de uma mulher e abre-a, tentando sentar-se no lugar do pendura, pedindo que o leve a casa, por favor, que "se esqueceram dele ali". A pandemia não justifica a miséria humana, a falta de amor ao próximo. A família, que reza ao jantar de Natal e reclama por ter de estar agora confinada, ou sem trabalhar, é a mesma que sobrecarrega os serviços hospitalares com o abandono dos seus, enquanto outros morrem dentro da célula sanitária de uma ambulância sem chegar a dar entrada no hospital por falta de espaço.


E não acredito que as coisas vão melhorar nos próximos tempos. Mesmo com as vacinas, vendo aquilo que nós estamos a ver na comunicação social, ainda há tanto a fazer. Mas o amor ao próximo não vem numa vacina!

26/12/2020

As Vacinas - não é a cura mas será uma ajuda no combate

Assinalado pela ministra Marta Temido como um "marco histórico para todos nós", a chegada a Portugal do primeiro lote das vacinas contra a Covid-19, irá ficar guardado numas instalações no concelho de Montemor-o-Velho, arredores de Coimbra. O primeiro lote de 9750 doses de vacina, será reforçado com a antecipação da entrega de mais 70 200 doses, que têm chegada prevista para dia 28 de dezembro.

 

Escoltada por forças de segurança, a viatura que transportou as vacinas – duas caixas que, no total, pesam 41 quilos – entrou no perímetro da unidade de armazenamento cerca das 9h45 desta manhã. O processo de abertura da viatura, que estava selada, foi acompanhado no local por responsáveis do Governo. Segundo Marta Temido, "hoje foi entregue a primeira quantidade, nos próximos dias vamos ter um reforço, ao longo de janeiro haverá mais um conjunto de entregas".

 

Falta agora fazer a distribuição pelos hospitais onde amanhã se iniciará o processo de vacinação, através de equipas do próprio sistema Nacional de Saúde. A campanha de vacinação contra a Covid-19 arranca no domingo em Portugal, à semelhança de outros países da União Europeia. A vacina é facultativa, gratuita e universa.

 

Marta Temido disse que os profissionais de saúde dos centros hospitalares universitários do Porto, São João, Coimbra, Lisboa Norte e Lisboa Central seriam os primeiros a ser vacinados.

 

Segundo o presidente do Infarmed as condições de segurança serão mantidas. "As pessoas podem estar tranquilas, porque estamos a assegurar todas as condições para que as vacinas cheguem desde o ponto de fabrico ao ponto de administração nas condições em que têm de estar”. Explica ainda que são aplicados "um conjunto de regras que são as relacionadas com a distribuição de medicamentos, que se iniciam na fábrica, na Europa, e se mantêm durante o transporte e durante o armazenamento”. 

 

O Primeiro-Ministro António Costa reforçou ainda que este é "um extraordinário esforço da Ciência" e "uma coordenação exemplar da União Europeia", acrescentando que agora "temos pela frente vários meses de trabalho bem planeado. Agora temos a certeza de que há luz ao fundo do túnel", mas que ainda é muito cedo para "baixar a guarda e relaxar nas medidas de proteção".

 

O Governo lançou também uma nova página exclusivamente dedicada ao processo de vacinação contra a Covid-19, como já tinha sido anunciado previamente pelo coordenador da task-force responsável pela elaboração do Plano de vacinação contra a Covid-19, Francisco Ramos.

 

Fontes:




 

25/12/2020

Um Natal diferente

Este ano está a ser estranho... 


Desde março que andamos mais fechados em casa devido aos sucessivos confinamentos e neste natal foi também recomendado que ficássemos em casa. Temos cumprido mas hoje acabamos por reunir uma parte da família em casa da minha irmã. Para alguns de nós pode ser o último natal juntos, não sabemos o que nos reserva o amanhã. E, com muitos cuidados, lá se fez mais um Natal, com muitos brinquedos espalhados pela sala, risos das nossas crianças (os nossos olhares embevecidos e orgulhosos), barulho e música. 


Eu pessoalmente senti-me nervosa durante todo o dia e passei grande parte do dia no exeterior, onde estava frio mas havia menos risco. Dentro de casa, lá andavamos de máscara, mas à mesa, estávamos todos juntos a comer e a conversar. Mas como eu digo, foi estranho. Aqui tem corrido tudo bem e não houve ainda ninguém que tivesse de ser internado, mas em muitas famílias, hoje foi um dia triste pela perda recente de entes queridos e por outros estarem internados ou em isolamento. Um dia vamos ultrapassar isto, mas as perdas já são gigantes e muitas casas têm hoje lugares vazios à mesa.


Há por isso um sentimento de tristeza pela situação que se está a viver, de insegurança por não sabermos se amanhã vamos ter trabalho e de esperança, que em 2021 possamos todos estar numa situação melhor. Eu tenho estado sempre a trabalhar mas muito daquilo que fiz durante estes últimos meses foram aulas online. Tem sido um desafio, mas confesso que nesse aspeto tem sido bom para mim, porque deixo de ter de me deslocar. No entanto, durante alguns meses recebi menos de metade do que deveria ter recebido. Estou a passar por várias dificuldades mas tenho conseguido, com uma enorme gestão, seguir a minha vida. Eu compreendo que haja dificuldade em nos manter a todas a trabalhar, mas a verdade é que todas recebemos um grande corte no que recebíamos, no meu caso quase por metade, mas nem todas estamos a trabalhar... Nos últimos dias, já estando nas salas com as crianças, acabamos por estar mais expostos, mas até agora tudo tem corrido bem.


O Natal este ano não tem abraços, nem beijos como antes... mas no meu caso teve aquilo que é mais importante, a família reunida e as crianças felizes.

01/10/2020

Dia dos mais velhos

Hoje assinala-se o Dia Internacional do Idoso. "Este dia foi instituído em 1991, pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de sensibilizar a sociedade para as questões do envelhecimento e a necessidade de proteger e cuidar da população mais idosa." A vida passa e um dia, não muito longe, chegarei a velha. Ou talvez não chegue, que importa. Penso sempre que não quero estar cá para sofrer ou para dar trabalho aos outros, mas não sei o que vou pensar daqui a uns anos. Agora, só sei que a vida de velho é extremamente difícil na sociedade em que vivo.


A velhice é um conceito que tem evoluído ao longo dos anos e, hoje em dia, ser avó, não é mais sinal de se estar a entrar na terceira idade. Cada vez mais, a esperança média de vida é maior e as mulheres conseguem ganhar aos homens.


A velhice em Portugal está infelizmente marcada pela solidão e pelo abandono. E em pleno Covid, são os idosos aqueles que mais têm sofrido com os confinamentos sucessivos, com o afastamento dos seus, com a doença e com a morte. Este ano em especial tem sido particularmente complicado para quem é velho, especialmente para aqueles que estão em instituições e para aqueles que vivem sozinhos.


Se os confinamentos sucessivos têm sido complicados para todos nós, não têm sido menos dolorosos para os idosos que têm estado fechados nos lares. Alguns, já não conseguem entender o que se passa à sua volta e não compreendem que o motivo de ninguém os ir visitar é que há uma pandemia. Muitos não percebem que os filhos e os netos têm muito medo de os ir ver e de lhes passarem esta terrível doença, que isso os leve a ficar doentes, que isso os leve a uma morte prematura.


Temos medo da culpa. Este vírus, é terrível por isso, porque no fundo, quando se trata de transmissão, todos sentimos que tivemos a culpa. E não é para menos porque os números são assustadores.


Os nossos idosos, sendo uma parte da população que pela sua idade e pelas comorbilidades está mais frágil, acaba por sofrer também de outros modos. São também vítimas da info-exclusão. A tecnologia que usamos diariamente para estar com os nossos, para trabalhar, para conversar e para nos distrairmos, está-lhes muitas vezes inacessível. E mesmo acessível, não substitui os afetos que querem receber, a atenção que lhes deveríamos estar a dar. Uma vídeo-chamada não substitui o abraço dos netos. 


Nesta data, há também a saudade daqueles que hoje poderiam aqui estar e já não estão. Da mãe que nunca teve a oportunidade de conhecer os netos que as filhas a seu tempo vieram a ter. 


Fontes:


https://www.sns.gov.pt/noticias/2016/09/30/dia-internacional-do-idoso/

29/08/2020

Morrer nos lares

Desde que a pandemia nos atingiu, os lares têm sido os locais onde se registam mais mortes, apesar de serem também aqueles onde as regras aplicadas são, tecnicamente, as mais apertadas. A 24 de abril deste ano, já o Público revelava que “Quatro em cada dez pessoas que morreram por covid-19 em Portugal eram idosos que viviam em lares”. Ainda a pandemia estava no início em Portugal e os números não tardaram a subir.


Infelizmente, tal como eu e muitos de nós sabemos, há muita coisa errada nos lares que acolhem os nossos idosos, desde já a falta de recursos humanos e materiais. Em Matosinhos, 24 pessoas já perderam a vida do Lar do Comércio. Num lar de Reguengos de Monsaraz morreram 18 pessoas. Apesar de todos os esforços, têm sido várias as dificuldades para controlar os surtos que nestes locais se espalham como pólvora. De acordo com o Polígrafo, "fonte oficial do Ministério da Saúde indica que até quarta-feira, dia 12 de agosto, estavam confirmadas 681 mortes por Covid-19 em lares. Este valor representa 38,7% do total de 1.761 óbitos provocados pelo novo coronavírus em Portugal, desde o início da pandemia."


Numa conferência de imprensa, o relatório da Ordem dos Médicos revelou que não era possível cumprir "o isolamento diferenciado para os infetados ou sequer o distanciamento social para os casos suspeitos" em vários dos lares do nosso país, como aconteceu no caso de Reguengos.


Fontes:


https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/covid-19-ha-lares-com-falta-de-funcionarios


https://www.dnoticias.pt/2020/4/24/55479-quatro-em-cada-dez-pessoas-que-morreram-por-covid-19-estavam-em-lares


https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/mortes-em-lares-representam-40-do-total-de-obitos-por-covid-19-em-portugal


 

18/04/2020

Estamos em casa... mas há vontade de sair?

Pessoalmente, neste momento, afirmo que não. 


A situação está a ficar cada vez mais complicada e estar "fechada" a maior parte do tempo dá-me uma certa segurança. O problema é que a qualquer momento posso ficar sem trabalho, caso os pais comecem a tirar os filhos do centro de estudos, e não me estão a pagar a totalidade do ordenado, apesar de eu estar a fazer agora até mais horas de trabalho. A justificação é que estão a ser prejudicados porque alguns pais deixaram de pagar - eu até compreendo - mas eu não lhes estou a falhar.


Estar em casa, também me faz ter menos gastos - combustível, alimentação - e consigo descansar mais tempo. Às vezes, saio para ir às compras mas é algo que é muito raro, só mesmo quando estou a precisar de comprar coisas básicas. Também estou a ter muito mais tempo para estar com o meu filho e para o acompanhar nas tarefas escolares, conseguindo teruma maior perceção da sua evolução e de potenciais dificuldades. 


Também tenho tido muito mais tempo para mim, para ler e para escrever por exemplo, que é algo que eu gosto bastante de fazer. 


Infelizmente, a pandemia está a causar muitas mortes e está a dar cabo de muitas empresas, em especial as mais pequenas que não estão a conseguir sobreviver de portas fechadas. Isto está a ser demais para muitas famílias! 

17/12/2018

Quando morre quem salva... queda de heli do INEM

É sempre difícil relatar a morte daqueles cuja vida esteve dedicada aos outros. Esta madrugada, soube-se da queda de um helicóptero do INEM, com quatro pessoas a bordo. Neste momento, as vítimas já foram encontradas e estão a realizar-se operações para resgatar os quatro corpos.


O helicóptero do INEM, com dois pilotos, um médico e um enfermeiro, regressava para Macedo de Cavaleiros, Bragança, quando foi dada como desaparecida desde as 18:30 de sábado. Segundo o organismo, "o incidente ocorreu numa altura em que se verificavam condições meteorológicas bastante adversas". 


A aeronave em causa é uma Agusta A109S, operada pela empresa Babcock, que trabalha para o INEM desde 2000 na sequência de um concurso público internacional.


"O transporte teve início às 15h13m, altura em que o helicóptero levantou voo da sua base para o hospital de origem do doente, tendo o mesmo sido entregue aos cuidados das equipas médicas do Hospital de Santo António cerca das 18.10", informou o INEM. Segundo a Navegação Aérea de Portugal (NAV, que controla o tráfego aéreo em Portugal), a tripulação contatou com a torre de controlo do Porto às 18.30, para informar que iria descolar para Macedo de Cavaleiros via Baltar (para abastecimento). 


A primeira perda de sinal radar com o helicóptero deu-se às 18.55, quando a aeronave seguia entre Couce e Aguiar de Sousa, freguesia do concelho de Paredes, anunciou a NAV, salientando ainda que a perda de comunicações "é normal", devido "à altitude e orografia do terreno". Não terá sido feita qualquer comunicação de emergência.


A hora expectável de aterragem, tendo em conta a hora de descolagem do aparelho, era às 19.00, mas asituação "foi reportada cerca das 20.15, ainda sem se saber a localização". Ainda não se conseguiu perceber porque é que o alerta foi dado quase duas horas depois do desaparecimento do helicóptero. 


A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) definiu imediatamente a zona onde o acidente terá ocorrido e foram enviados os meios para o terreno. Foram mobilizadas 203 pessoas para a operação, 134 das quais operacionais da Proteção Civil, apoiados por 35 veículos.


O helicóptero EH-101 Merlin, que saiu da base do Montijo pelas 21.45 de ontem, chegou a estar no local onde decorriam as buscas, próximo da aldeia de Couce, em Valongo, mas teve de abandonar o local, já que as condições atmosféricas não permitiam a continuação das operações. 


A ajuda de um grupo civil que conhecia bem a zona revelou-se decisivo para encontrar os destroços, ainda durante a noite. Os corpos das quatro vítimas foram encontrados 700 metros a sul da capela da Santa Justa, em Valongo.


O INEM acabou por emitir depois um comunicado a confirmar oficialmente as mortes, depois de informar as famílias das quatro vítimas. Dados como desaparecidos durante horas, os ocupantes da aeronave viriam a ser encontrados já sem vida: o médico Luís Vega, a enfermeira Daniela Silva, o piloto João Lima e o copiloto Luís Rosindo. Podiam ter ficado a aguardar que o mau tempo passasse, mas a vida não deve ser feita de "ses". A decisão de regressar à base revelou-se fatal para todos.


O serviço de helicópteros de emergência médica do INEM foi criado em 1997, tendo desde então realizado cerca de 16.370 transportes de doentes urgentes, "sem que se tenha verificado qualquer incidente grave" como este.


 


Fontes:


https://www.tsf.pt/sociedade/helicoptero-do-inem-desaparece-com-quatro-pessoas-a-bordo-10328561.html


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/17-dez-2018/queda-de-helicoptero-o-que-sabemos-sobre-o-acidente-10331618.html


https://observador.pt/2018/12/16/quem-sao-as-quatro-vitimas-da-queda-do-helicoptero-do-inem/


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...