Há cerca de uma semana que Trump tem vindo a ameaçar ocupar essa mesmo ilha, referindo que poderia usar até meios terrestres para o fazer. No entanto, ao mesmo tempo, fala em conversações. Não sabemos bem com o que contar.
Mas porque é que esta ilha pode ser tão importante?
Na verdade, desde 1995 que Trump se refere à possibilidade de ocupação da ilha de Kharg.
Para Trump, a sua ocupação seria útil para exercer maior pressão para a reabertura do "Estreito de Ormuz, a principal rota de saída para um quinto do petróleo consumido em todo o mundo, para além do gás natural liquefeito."
A 13 deste mês, Trump já tinha feito bandeira de um ataque de larga escala aos objetivos "militares" da ilha, mas que não a tinham destruído apenas por questões de "decência." Ficou no ar a promessa de um novo ataque "que poderia desencadear uma escalada ainda maior, afetando a infraestrutura energética em toda a região do Médio Oriente."
Estes ataques, além de terem repercussões graves "nos mercados globais", exercendo uma maior pressão "sobre a inflação," acabam por ser uma resposta estratégica dos EUA, ao encerramento do Estreito de Ormuz, por parte do Irão.
E Portugal?
Durante mais de um século, esta ilha esteve dominada pelos portugueses, sendo um importante porto comercial intermediário, o que pensando bem não é muito diferente do que Trump quer fazer agora. A chegada dos portugueses à ilha de Ormuz, deu-se no início do século XVI, em plena campanha de descobrimentos, quando sob o comando de Afonso de Albuquerque os portugueses conseguiram ocupar a ilha em 1507. No entanto, Afonso de Albuquerque "foi obrigado a retirar-se" quando três dos seus capitães se aliaram ao "rei de Ormuz" e expulsaram os portugueses. Numa segunda fase, em 1517, a cidade foi finalmente conquistada tendo sido erguido o "Forte de Nossa Senhora da Conceição" - uma fortaleza em forma de pentágono.
Ormuz acabou por se tornar, como refere o historiador Rui Manuel Loureiro, numa espécie de "protetorado da coroa portuguesa." Na época, eram os portugueses que a controlavam e impunham taxas e impostos, tendo um papel central no "movimento mercantil" da região.
Os portugueses acabaram por se aperceber que poderiam obter maiores benefícios no controlo de viagens mais curtas, entre Goa e Macau ou mesmo entre Goa e Ormuz, sendo "mais lucrativo" e exigindo "menos investimentos," bem como menos "força militar e naval, do que, propriamente, a Carreira da Índia."
Na época, a Pérsia, encontrava-se mais virado para conflitos internos, chegando mesmo a fazer um acordo com a Coroa Portuguesa. Só mais tarde, se viriam a interessar por aquela região, vindo ao longo dos anos que se seguiram a conquistar "vários dos pequenos territórios" em que Portugal possuía fortes e onde atualmente encontramos os Emirados Árabes Unidos e Omã.
Portugal acaba por perder a ilha de Ormuz, devido a uma "aliança entre os persas e os ingleses, que de facto conseguiram, com a sua superioridade militar e náutica, desinstalar os portugueses de Ormuz," no ano de 1622, depois de vários meses de sucessivos ataques.
Fontes:
https://sicnoticias.pt/especiais/tensao-eua-irao/2026-03-23-qual-e-a-importancia-da-ilha-de-kharg-e-como-podem-os-eua-usa-la-como-moeda-de-troca-contra-o-irao--24c1496e
LOUREIRO, Rui Manuel, em entrevista à Euro news - https://pt.euronews.com/2026/03/20/ormuz-a-ilha-de-importancia-estrategica-que-foi-controlada-pelo-imperio-portugues
https://ensina.rtp.pt/artigo/fortaleza-de-ormuz-irao/
https://observador.pt/2026/03/14/o-que-e-a-ilha-de-kharg-a-joia-da-coroa-do-irao-com-milhares-de-anos-de-historia-por-onde-passa-90-do-petroleo-do-regime/
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