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26/09/2026

Somos um Estado Laico!

Quem me conhece sabe que me recuso a ter qualquer religião e que não acredito em nada que se relacione com deus, santos ou pseudo-milagres. Dito isto, respeito quem o faz não entrando em locais de culto quando estes estão a decorrer, ou não tratando essas pessoas de forma diferente. Agora, o que peço, é que me respeitem também a mim. Se eu não entro num local onde está a decorrer uma missa, não interrompendo ou fazendo a minha presença notada, então não entendo porque é que num local em que estão crianças e pais e sem qualquer aviso prévio de que tal iria ocorrer, entra um bispo e um padre para fazerem sei lá o quê. Se me tivessem avisado de que essa intervenção religiosa iria ocorrer, eu não teria lá ido ou sairia do local antes da entrada dessas pessoas. 

E ainda menos entendo o seguinte. Um clube, que tem atletas de várias nacionalidades e, possivelmente, de várias religiões e outros sem religião, não deveria ter informado os encarregados de educação da existência de um ato oficial desta envergadura? Há atletas católicos, há, mas também há os que não o são. E não foi dito na inscrição que qualquer atleta teria de assistir a atos ligados à igreja católica ou a outra qualquer confissão religiosa e, ainda por cima, pediram aos atletas para pousar para uma fotografia com os ditos senhores. Perguntaram a cada um deles se era católico?

E espero que alguém me elucide, com que fundamento científico é que a benção vai fazer diferença à vida utilitária da carrinha e da segurança das crianças e jovens que lá viajarem. Não terá a mesma possibilidade de avaria e de acidente que outra carrinha? Não seria mais correto, estar presente alguém da empresa de seguros e ter sido assinado na presença de todos um seguro contra todos os riscos? Ou ter sido oferecido aos motoristas habituais um curso de transporte coletivo de crianças e de segurança rodoviária? 

Outra coisa, não teria a Junta de Freguesia em causa e a sua respetiva Câmara Municipal, ao se fazerem representar num ato desportivo com tanta gente que participa e que movimenta milhares de atletas, afixar também essa informação de que iriam estar presentes ao lado de entidades da igreja católica, para que, mais uma vez, pudéssemos todos livremente, escolher se estaríamos presentes ou não?

Somos um Estado laico, portanto o concelho onde resido, é laico também, ou estou enganada? Há atos que são públicos, como por exemplo as procissões, mas a esses vai quem quer, quem não gosta, desvia e passa ao lado. Agora, ali, naquele local não havia como o fazer. Senti-me insultada e magoada, como mãe e como cidadã merecedora de respeito. Não falando sequer dos custos que podem ter estado envolvidos.

Mas este não foi caso único. No passado dia 21 de setembro de 2026, o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, realizou uma bênção católica ao edifício escolar durante a cerimónia de inauguração das novas obras da Escola Secundária de Cascais. Estavam também presentes algumas das mais altas figuras do Estado, tais como o Presidente da República, o Primeiro-Ministro e o Ministro da Educação. 

Concordo plenamente com a opinião da Associação República e Laicidade quando refere que "a inclusão de um rito confessional num ato oficial do Estado viola a Lei da Liberdade Religiosa (que dita a separação entre a Igreja e o Estado) e infringe o princípio de que o ensino público é não confessional, discriminando cidadãos de outras religiões ou agnósticos." Neste caso, "A associação considera que “a não confessionalidade do ensino público foi infringida, assim como o direito individual de não assistir a atos religiosos”, tendo existido “também uma discriminação a favor da comunidade católica”. 

Como refere a associação RiseUp Portugal "O nome do bispo ficou na placa. O do ministro da Educação, pelos vistos, já não coube." A associação acrescenta ainda que "o melhor é que nem no Estado Novo, quando o Plano dos Centenários espalhou milhares de escolas pelo país e até havia crucifixos obrigatórios nas salas de aula, era prática pôr na placa oficial o nome de quem benzia a escola."

E o problema é que isto está a ser normalizado. Porquê? Seria normal se, perante este convite, se tivesse convidado alguém de todas as outras religiões presentes na escola para fazer o seu ritual - assim, não haveria discriminação - e se avisassem aqueles que, como eu, são ateus e que, merecem também ser respeitados na sua não-crença.

Comparo aqui o ensino escolar com um clube de cariz desportivo. Lá porque a direção é católica não pode implementar estes atos nas suas cerimónias, sem avisar os pais e os atletas. Se o quisesse fazer deveria marcar um dia, ao qual apenas iriam os atletas que quisessem participar. Não sendo assim, é vergonhoso que o tenham imposto a quem lá estava.

Fontes:

https://www.instagram.com/p/DdlwUV1tN9b/

https://observador.pt/2026/09/23/associacao-pede-avaliacao-de-ilegalidades-em-bencao-catolica-na-inauguracao-de-escola-publica/

https://web.facebook.com/RiseupPortugal/posts/o-nome-do-bispo-ficou-na-placa-o-do-ministro-da-educa%C3%A7%C3%A3o-pelos-vistos-j%C3%A1-n%C3%A3o-cou/1523242873171554/?_rdc=1&_rdr#


16/11/2025

Cheias e tornados

Este ano, o mau tempo tempo já provocou três mortos em Portugal. Na quinta-feira, dia 13, morreu um casal octagenário, de nacionalidade portuguesa, numa casa em Pinhal do General, Fernão Ferro. Uma associação (a APROSOC) já veio a público acusar o município do Seixal e a Junta de Freguesia de Fernão Ferro por culpa na morte deste casal,  afirmando que não cumpriram as suas "responsabilidades" no que ao "ordenamento do território" diz respeito e que permitiu "a existência daquela habitação em situação de risco, aparentemente sem avaliação geotécnica e hidrológica". Segundo o presidente da Câmara do Seixal, esta "trata-se de uma casa construída clandestinamente, sem qualquer licenciamento camarário, no âmbito do loteamento clandestino do Pinhal do General, que começou nos anos 70", o que retira na minha opinião qualquer culpa à câmara.

Não estou a par da situação, mas a existir ali um leito de cheia e não se podendo construir, o que deveria ter sido feito era o derrube das casas, mas depois lá caía tudo em cima da Câmara. Em relação a não terem sido dadas orientações, foram transmitidas tanto a nível local como a nível nacional, o problema é que, em muitos casos, as pessoas não cumprem determinadas medidas preventivas e não acautelam os seus bens seja por incapacidade de o fazerem seja por estarem sempre à espera que o mal só bata à porta dos outros. Há fenómenos que são súbitos. Estar a viver numa zona perigosa, sabendo-o, já não me parece ser algo súbito ou que tenha de ser alertado. É como quem constrói na base de encostas ou arribas e vai vendo as pedras a rolar, pedacinhos da arriba a cair... e quando aquilo um dia cai tudo, dizerem que foi "sem aviso".

A terceira vítima foi uma senhora de nacionalidade britânica que ficou ontem debaixo dos escombros da casa onde vivia com o marido (uma espécie de bungalow), depois da passagem de um tornado, na região do Algarve. Este tornado fez, além da vítima mortal, vinte e oito feridos, dois dos quais considerados graves, tendo atingido o Parque de Campismo de Albufeira e o hotel "Eden Resort," que aquando deste "fenómeno meteorológico extremo" estaria a servir os pequenos-almoços aos clientes. Entre os feridos estão algumas crianças. Em Silves, a chuva e o vento forte provocaram dois desalojados.

Em Nisa, na passada quinta-feira, um outro tornado terá afetado cerca de dez habitações, levantando coberturas, "mas sem registo de desalojados." Na região, o mau tempo terá ainda provocado "a queda de várias infraestruturas de média e alta tensão." No mesmo dia, "um descarrilamento e a queda de um poste de iluminação obrigaram à suspensão da circulação de comboios em dois troços ferroviários." A circulação "entre a Covilhã e Tortosendo e entre Abrantes e Alferrarede" ficou interrompida. No que respeita ao descarrilamento, este terá ocorrido depois de um "comboio embater numa barreira," devido a um “aluimento de terras”. 

O fim de semana, foi ainda de aguaceiros um pouco por todo o país. Entretanto, a água vai começando a baixar em algumas regiões deixando à vista a destruição causada. A situação foi também bastante complicada em Vila do Conde, onde várias casas de primeira habitação ficaram inundadas, principalmente as que se localizam "nas imediações da ribeira da Lage, que, com o aumento do caudal provocado pela chuva, galgou as margens, derrubou muros e invadiu quintais e habitações." 

Em Aveiro, mais propriamente "no centro histórico de Santa Maria da Feira," a chuva intensa "inundou várias casas e lojas. Parte da bancada do estádio do União de Lamas desabou."

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/depressao-claudia-a-evolucao-do-mau-tempo-em-portugal_e1698380

https://sicnoticias.pt/meteorologia/2025-11-16-video-depressao-claudia-provocou-tres-vitimas-mortais-feridos-desalojados-e-mais-de-4.000-ocorrencias-2691f46e

https://sicnoticias.pt/pais/2025-11-13-hoje-vivemos-um-dia-dificil-autarca-do-seixal-lamenta-mortes-em-fernao-ferro-8d9fd6d1

14/11/2025

Depressão Cláudia atinge Portugal e deixa rasto de destruição

Podemos dizer que está na altura da chuva forte e que, no meu tempo, a estes fenómenos se chamava, inverno, mas existem dois aspetos a considerar: o primeiro é que passamos de andar de manga curta para uma tempestade que quase não nos deixava sair de casa e, o segundo, é que apesar de todos os avisos, de passar informação constante nas televisões e na internet (jornais digitais, sites, publicações nas redes sociais) ainda houve quem se deixasse surpreender e achasse estranho tanto vento e tanta chuva, Há dias que se andava a falar nisto!

Infelizmente, as previsões acabaram por se comprovar em muitas regiões: houve cheias rápidas tal como havia sido anunciado, houve deslizamentos de terras e pequenas derrocadas devido às terras soltas que se viram rapidamente infiltradas de águas, houve painéis que tombaram, telhados que levantaram e placas que se soltaram devido aos fortes ventos. O que é de estranhar não é o fenómeno em si, mas a falta de preparação para estes eventos que nós continuamos a acusar, como se houvesse em nós uma confiança inata de que aqui nunca "acertam com as previsões", "o temporal passa ao lado", "dizem que vai chover e afinal foi só umas pinguinhas"... pois é, mas agora, desta vez, houve mortos, houve feridos, gente a precisar de ser resgatada, houve um aumento significativo no número de ocorrências e (pasmem-se!) afinal o número de bombeiros disponíveis já nem sequer é o mesmo em algumas regiões do país do que era no verão. 

Continuamos a sofrer de falta de consciência preventiva. Há falta de reuniões e discussões com a população sobre o que fazer se isto ou aquilo vier a acontecer, andamos sempre a correr atrás do prejuízo. Se na primavera e no verão, os canais televisivos repetem e repetem informações sobre os incêndios, chegamos ao outono e ao inverno e são as cheias, as ondas que galgam os muros, os avisos para que não vão para as zonas de risco! E continuamos assim, ano após ano...

Fomos alertados para chuva forte e pelo agravamento da tempestade ao chegar a terra pela confluência de um "rio atmosférico" (lembram-se? Aquele fenómeno que tantos mortos fez em Espanha no ano passado?) o que levou a que se andasse nos últimos dias em oscilação entre alertas laranjas e vermelhos em diversos pontos do país. Entre os avisos divulgados, esteve o da ANEPC, que "emitiu um aviso à população, apelando à adoção de medidas preventivas para minimizar os efeitos do mau tempo." Entre as recomendações estavam atos práticos e que nãoi deveriam ser guardados para quando a tempestade chega, mas que já deviam ser comuns, especialmente neste período do ano em que as folhas das árvores tendem a causar maiores entupimentos: "a limpeza de sarjetas e sistemas de escoamento de águas," bem como outras recomendações como "a fixação de estruturas soltas" e evitar "deslocações desnecessárias durante os períodos de maior instabilidade."

No dia 12, já se havia avisado que "a frente fria estacionária associada à depressão Claudia" estava "a enviar sucessivas linhas de instabilidade," prevendo-se "que os períodos de chuva ou aguaceiros, inicialmente mais fortes no Minho e Douro Litoral" se tornassem "mais persistentes e fortes em termos de área geográfica abrangida à medida que o sistema frontal" fosse "progredindo de oeste para leste" nas horas seguintes. O IPMA já avisava para a possibilidade de ocorrência de "precipitação forte e persistente, rajadas de vento entre 75 e 90 km/h," que podiam "atingir os 100 km/h em algumas zonas, e ondas que" poderão "atingir 4,5 metros de altura significativa, sobretudo na costa ocidental," ondas estas que poderiam chegar aos "3 e 4,5 metros de altura a partir de quinta-feira" (ontem).

Ou seja, nada indicava que a depressão nos passasse ao lado. Fomos alertados para a "possibilidade da precipitação ser acompanhada de trovoada" e que o vento forte poderia levar ao risco "de danos em infraestruturas e de potenciais quedas de árvores, entre outros possíveis impactos."

Ontem, quinta-feira, "cerca de 20 mil clientes" ficaram "sem energia devido ao mau tempo, sendo Lisboa, Santarém e Setúbal as zonas mais afetadas - um número que pelas 15h já estava reduzido a 7000." No distrito de Setúbal - que se encontrava em alerta vermelho - cerca de "8000 clientes" ficaram sem eletricidade e houve mesmo várias escolas que não chegaram a abrir devido ao mau tempo. 

Entre elas, estiveram as escolas do "Agrupamento de Escolas do Montijo, do Agrupamento de Escolas Poeta Joaquim Serra, da Escola Profissional do Montijo e do Conservatório Regional de Artes do Montijo," bem como, do Agrupamento de Escolas de Sampaio, Sesimbra, o que permitiu evitar a deslocação de alunos por zonas alagadas e perigosas, tanto para quem circula a pé como de carro.

Além das estradas alagadas e que ficaram intransitáveis, houve várias quedas de árvores e de estruturas. "A forte chuva levou também ao corte temporário da Segunda Circular, junto ao aeroporto, cerca das 06h00, devido a uma inundação." Desde o início do evento até à manhã de quinta-feira, tinham sido efetuados "três salvamentos terrestres e cinco aquáticos."

Em Fernão Ferro, aqui mesmo no Seixal, um casal de idosos perdeu a vida, ao que tudo indica por não terem conseguido sair da sua habitação no momento em que a mesma ficou inundada. Nesta freguesia, foram vários os casos de inundações, mas este foi de todos o mais grave. Esta é uma zona vulnerável à ocorrência de cheias, tendo a água isolado "várias ruas da freguesia."

As vias de circulação ferroviária, foram também afetadas, tendo as do "Entroncamento e Santarém, na Linha do Norte," sido as que registaram maiores atrasos na circulação. No que respeita à agitação marítima, 14 barras portuguesas, entre as quais a do "Douro, Esposende, Caminha, Vila Praia de Âncora, Póvoa do Varzim, Vila do Conde" entre outras, foram encerradas à navegação. "As barras de Aveiro, Figueira da Foz, Albufeira e Portimão, ficaram também "condicionadas à navegação."

E o mau tempo vai ainda continuar nos próximos dias, por isso, mantenham-se em segurança! 

"Face às condições adversas, a Proteção Civil recomenda especial cuidado na circulação e permanência em áreas arborizadas e aconselha precaução junto à orla costeira e zonas ribeirinhas. Pede ainda que sejam evitadas atividades relacionadas com o mar, como pesca desportiva, desportos náuticos, passeios à beira-mar ou o estacionamento de veículos junto à linha de costa." Evitem também circular em zonas alagadas, caso não tenham percebido, compraram um carro, não um submarino! E podem correr o risco de "arrastamentos ou quedas em buracos e caixas de esgoto abertas." Por último, mas não menos importante, por favor protejam também os vossos animais! Sim, ainda há alguns "animais" que deixam os seus animais presos a trelas no exterior e nem sequer se lembram de que em caso de subida rápida das águas, eles podem afogar-se! 

Fontes:

https://www.tempo.pt/noticias/previsao/a-partir-desta-hora-a-depressao-claudia-vai-agravar-se-em-portugal-chuva-e-vento-geram-preocupacao-nestes-distritos.html

https://expresso.pt/sociedade/meteorologia/2025-11-13-mau-tempo-deixa-milhares-de-pessoas-sem-eletricidade-em-lisboa-setubal-e-santarem-montijo-encerra-escolas-e398385f

https://expresso.pt/sociedade/meteorologia/2025-11-12-depressao-claudia-traz-chuva-intensa-e-ventos-fortes-a-quase-todo-o-pais--apenas-quatro-distritos-escapam-ao-aviso-laranja-8487e839

https://www.sesimbra.pt/noticia-74/mau-tempo-causa-estragos-em-todo-o-concelho

https://sapo.pt/artigo/inundacoes-e-quedas-de-arvores-depressao-claudia-provoca-198-ocorrencias-nas-ultimas-horas-6918578cf7bc778b434b2196

11/05/2025

Dar voz aos nossos combatentes

Esta manhã, durante um passeio pelo Seixal, observei a celebração do aniversário do Núcleo do Seixal da Liga dos Combatentes (com sede na freguesia da Amora) e que completou hoje 12 anos. As celebrações decorreram no Jardim da Praça dos Mártires da Liberdade, junto ao monumento aos combatentes da Grande Guerra.

Aquilo que mais me emocionou, foi ver que o grupo é composto por pessoas com uma idade já avançada e, o pensamento de que muitos deles são livros-vivos que não se podem deixar calar. É preciso que a luta destes homens e das suas famílias e amigos, não seja esquecida. Muitos deles, deram a sua vida e a sua saúde pelo país, obrigados a ir para uma guerra na qual muitos não desejavam estar. Tantas histórias foram já contadas, mas quantas mais haverão aí por contar?

No dia 9 de abril, assinalou-se o Dia do Nacional do Combatente, no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, com a presença do Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, Marcelo Rebelo de Sousa, que no seu discurso, frisou que “… só o fim da escalada de violência e a vontade de construir a paz, permitirão caminhos de futuro!” 

Hoje, no Seixal, o grupo era pequeno. Muitas pessoas paravam um pouco para ouvir e continuavam a sua vida. Muitos seixalenses desconhecem que monumento é aquele que está ali na relva (e que entretanto foi trocado de lugar depois das obras executadas no Jardim) e a quem se refere. De facto, o monumento é dedicado "aos combatentes da Grande Guerra," (aos portugueses mortos na 1ª Guerra Mundial, tantas vezes esquecidos, oito dos quais filhos do Seixal). "Tendo enviado tropas em defesa das colónias em África em 1914, foi em 1916 que se deu a entrada oficial de Portugal na guerra, juntando-se aos Aliados."

Não havendo um monumento aos mortos da Guerra do Ultramar, serve este como ponto de encontro e de reflexão sobre a importância da Paz, mas também da Memória devida a todos os que morreram em situação de conflito envolvendo tropas portuguesas. Cerca de "noventa por cento da população jovem masculina do país foi mobilizada para a Guerra do Ultramar, que causou cerca de 10 mil mortos e 20 mil inválidos entre os soldados e mais de 100 mil vítimas entre os civis que viviam nas colónias."


Fontes:

https://www.ligacombatentes.org/dia-nacional-do-combatente-2025-seixal/

https://ultramar.terraweb.biz/03Mortos%20na%20Guerra%20do%20Ultramar/LetraS/MEC_246n.pdf

https://ensina.rtp.pt/explicador/das-causas-ao-final-da-i-guerra-mundial-h83/

https://ensina.rtp.pt/artigo/memorias-da-guerra-do-ultramar/

https://ultramar.terraweb.biz/index_MortosGuerraUltramar_Portugal.htm

https://www.dn.pt/sociedade/mortos-na-guerra-colonial

17/02/2025

Sismo sentido em Portugal

Esta tarde, por volta da hora de almoço a casa abanou. Senti o meu maior abalo até hoje, talvez por me encontrar sentada no sofá. Aqui em casa não houve barulho, apenas um balançar durante alguns segundos, mas o suficiente para me desiquilibrar. Pelas descrições que tenho visto, o sismo fez-se sentir de forma mais intensa em algumas zonas, mas a verdade é que o epicentro foi aqui bem pertinho e, isso, sim, assusta um bocadinho.

O sismo teve uma "intensidade 4,7 na escala de Richter," e ocorreu pelas 13h24m, com "epicentro a 14 quilómetros a oeste-sudoeste de Seixal, no distrito de Setúbal, e a cerca de sete quilómetros de profundidade," com localização inicialmente registada no mar, "a cerca de quatro quilómetros da costa atlântica." Em Sesimbra, há a registar alguns danos na falésia da praia da Califórnia.

Por aqui a autarquia informou que "devido ao sismo verificado no concelho, algumas escolas e centros de saúde locais foram evacuados por iniciativa dos respetivos delegados de segurança, sem haver registo de danos pessoais ou materiais." Em Sesimbra algumas escolas procederam à evacuação dos alunos para o exterior seguindo os procedimentos adequados, enquanto outras, ignoraram completamente a evacuação. Mesmo sem grandes danos, seria uma boa oportunidade para treinar as crianças (e os adultos) para saberem o que fazer nestes casos, uma vez que as crianças sentiram o abalo. Daqui para a frente, valorização e colocar-se-ão em segurança?

O sismo do Seixal, afinal ocorreu na falha da Lagoa de Albufeira e de "acordo com o IPMA, o epicentro foi a 14 quilómetros a oeste-sudoeste de Seixal (no mar), mas o USGS (United States Geological Survey) assinalou o “epicentro em terra, na zona da Charneca da Caparica”.

Não sei em que ficamos... talvez entretanto resolvam este diferendo. Tinha havido ontem um pequeno sismo de "magnitude 1,6, por volta das 22h48," na mesma zona, mas o qual não pode ser classificado como "um sismo premonitório", como que uma espécie de aviso para um evento maior ou se foi apenas coincidência, ou seja, se "foi um sismo em frente casual."

Em agosto do ano passado, um outro sismo fez a terra tremer em Portugal e foi também sentido com alguma intensidade nesta zona, deixando alguns danos, embora sem vítimas a registar, felizmente. "Nessa altura, o tremor de terra terá tido um impacto de 5,3 na escala de Richter, segundo dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), com epicentro no Atlântico, 70 km a sudoeste de Sesimbra. Também nesse caso não houve registo de vítimas nem de danos materiais." Agora foi bem mais perto...

Fontes:

https://cnnportugal.iol.pt/sismo-em-lisboa/sismo-seixal/sismo-de-4-7-leva-a-evacuacao-de-escolas-e-centros-de-saude-no-seixal/20250217/67b36efdd34ef72ee44264e1

https://expresso.pt/sociedade/2025-02-17-sismo-em-lisboa-teve-baixa-magnitude-mas-proximidade-a-zonas-habitadas-e9df896e

https://expresso.pt/sociedade/2025-02-17-sismo-de-47-na-escala-de-richter-sentido-em-lisboa-4cfa8ad1

27/10/2024

Dias tumultuosos

"O motorista do autocarro que foi incendiado, (...) em Santo António dos Cavaleiros, no concelho de Loures, ficou gravemente queimado e foi encaminhado para a Unidade de Cuidados Intensivos do hospital de Santa Maria."

O motorista da carris metropolitana, conduzia um autocarro na zona de Loures. Estava simplesmente a fazer o seu trabalho mas um grupo de encapuzados resolveu que aquele autocarro seria para incendiar. Sem se preocuparem com quem lá estava dentro, lançaram contra o autocarro vários cocktails molotov e, um deles, acertou no motorista que saiu do autocarro em chamas. Este permanece na "unidade de queimados da unidade hospitalar."  Vai ficar com marcas para toda a vida, vida essa pela qual ainda está a lutar.

Felizmente, "o autocarro vandalizado e incendiado em Santo António dos Cavaleiros  seguia sem passageiros quando se deu o incidente."

Este motorista "é um dos três feridos resultantes dos tumultos das últimas 24 horas. Os outros dois feridos são ligeiros, de acordo com o mais recente balanço da PSP, que dá ainda conta de 13 detenções na sequência de 45 ocorrências, entre as quais, nove carros e dois autocarros destruídos pelo fogo."

Nos últimos dias têm sido diversas as ocorrências, principalmente na zona metropolitana de Lisboa, com situações a ocorrer também na margem sul, mas esta terá sido mesmo uma das mais graves.

Por aqui, também se registaram distúrbios na zona da Arrentela, levados "a cabo por um grupo organizado de cerca de 20 pessoas". O grupo "mandou parar o autocarro na Arrentela, fez sair os passageiros e o condutor, e regou o veículo com combustível". No Miratejo, registaram-se também contentores que foram incendiados, mas a população conseguiu logo apagar as chamas.

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/motorista-de-autocarro-incendiado-em-santo-antonio-dos-cavaleiros-esta-nos-cuidados-intensivos_n1610022

https://www.dn.pt/2482930634/motorista-de-autocarro-incendiado-em-loures-em-estado-grave/

https://rr.sapo.pt/noticia/pais/2024/10/24/motorista-em-estado-grave-apos-autocarro-incendiado-em-santo-antonio-dos-cavaleiros/398783/

29/06/2024

Tradição... as festas de S. Pedro

Hoje é feriado municipal no Seixal. Além de se celebrar o Dia Municipal do Bombeiro, celebra-se o dia de S. Pedro, registando-se o ponto alto das festividades a decorrer desde dia 21, com a Marcha das Canas e, também, com a já tradicional procissão em honra do santo. Mas quem foi S. Pedro e que ligação tem à vila e à população do Seixal?


Bem, em primeiro lugar, São Pedro era um galileu de nome Simão que viria depois a tornar-se no "primeiro Papa da Igreja Católica." Segundo o Evangelho de São Lucas, Simão, na altura um simples pescador, terá decidido seguir Jesus Cristo, depois de um episódio descrito como "Pesca milagrosa." O nome Pedro vem de "Kepha, palavra aramaica para pedra (ou rocha)."


Pedro, foi considerado Padroeiro dos pescadores e, por isso, é npormal que as localidades piscatórias tenham uma especial devoção a este santo. No Seixal, onde a vida acontecia "à volta da Baía, desde a época romana, comprovada pelos sítios arqueológicos da Olaria Romana da Quinta do Rouxinol, em Corroios, e da Quinta de S. João, em Arrentela, à época dos Descobrimentos e até aos nossos dias," é natural que o santo a que muitos seixalenses são devotos, seja S. Pedro.


"O primeiro Papa da Igreja Católica morreu cruxificado em Roma, entre os anos 64 d.C e 67 d.C, a mando do Imperador Nero." A Basílica de São Pedro, em Roma, guarda os seus restos mortais. "São Pedro distingue-se das imagens graças às chaves que segura na mão" e que serão "as chaves das portas do céu." De acordo com a tradição popular, por guardar o céu, foi-lhe também atribuída a culpa pelo bom ou mau tempo.


A data, como na maioria das celebrações católicas não foi ao acaso: veio substituir "uma antiga celebração pagã que comemorava no mesmo dia a festa de Rómulo e Remo, considerados os pais da cidade de Roma." Assim, o dia 29 de junho, passou a celebrar Pedro e Paulo. Mas voltando à antiguidade, sabe-se que, em Roma, "a tradição mandava celebrar neste dia três missas: a primeira na Basílica de São Pedro, a segunda em São Paulo Fora dos Muros e a terceira nas catacumbas de São Sebastião, onde as relíquias dos Apóstolos tiveram de ser escondidas por algum tempo, para escapar às profanações."


Fontes:


https://observador.pt/explicadores/tudo-o-que-precisa-de-saber-sobre-sao-pedro/


 

02/08/2023

As tábuas queimadas do Cravidão

Quem passa pela marginal da Arrentela, vê os destroços de uma embarcação que jaz há anos junto ao edifício do Núcleo Naval do Ecomuseu. Quando faço as minhas caminhadas fico sempre a pensar em como teria sido aquele barco e o que se teria passado entretanto. Ao que sei, houve um incêndio que destruiu o que restava dos destroços do barco, mas mesmo assim a Câmara resolveu manter ali o que restou. No fundo do rio Judeu, são muitos os destroços que ainda jazem.


Esta embarcação foi um dos diversos tipos de barcos que navegaram no estuário do Tejo até meados do século XX e na página da câmara municipal podemos ver uma reconstrução virtual de como teria sido. Sabemos assim que o barco se chamava "Cravidão", mas pouco mais se encontra. Quem souber mais, pode deixar aqui nos comentários.


Na Internet encontramos muitos registos fotográficos dignos de postal. Hoje em mais uma breve caminhada, fiquei a observar e voltei a fazer mais algumas fotografias. Ali está um pouco da nossa história e, se não for recuperado, irá perder-se para sempre.


O Ecomuseu esteve encerrado para obras, mas agora já pode ser visitado. 


 


Fontes:


https://www.cm-seixal.pt/ecomuseu-municipal/nucleo-naval

26/04/2023

Lagoa de Nafta

Infelizmente, espaços como estes existem há muito no nosso país e pouco "sabemos" deles. De quem são ou quem os gere é uma incógnita e os terrenos baldios continuam assim, atentando contra a saúde pública e o ambiente.


Foi o que aconteceu hoje e que já está a mobilizar muita gente - ante desconhecedora deste perigo - contra a lagoa onde descarregam produtos derivados de petróleo desde há muitos anos.


Segundo várias notícia na comunicação social e na página do IRA, que tenho por hábit acompanhar, hoje os Bombeiros Mistos do Concelho do Seixal e o próprio Núcleo de Intervenção e Resgate Animal (IRA) resgataram, esta quarta-feira, dois cães que se encontravam a afogar numa lagoa cheia de nafta, na zona de Vale de Milhaços, em Corroios. Contaram também com o apoio dos Bombeiros de Camarate com uma ambulância de salvamento animal. Um dos animais está em estado crítico e teve de ser estabilizado antes de serem encaminhados para um hospital veterinário.
Os dois animais têm o corpo coberto de uma massa pastosa, que será agora muito difícil de remover.


Segundo um requerimento do PCP para o Sr. Presidente da Assembleia da República, em 2009, deu-se conhecimento da existência de três locais onde foram depositados resíduos de
hidrocarbonetos em Corroios:


- "no antigo areeiro de J. Caetano, em Vale de Milhaços, numa depressão de terreno com cerca de O,5ha, transformada numa lagoa, encontram-se depositadas águas oleosas e outros resíduos de hidrocarbonetos";


- "na lagoa do antigo areeiro de Femando Branco em Sta Marta de Corroios, perto do cemitério municipal e a cerca de 400 metros do outro areeiro de Vale de Milhaços, encontra-se outra depressão com cerca de 350m2 preenchida com hidrocarbonetos";


- "e no poço da Quinta do Talaminho" foram despejados resíduos classificados como"naftas".


Segundo o mesmo documento, pode ler-se que "estes despejos foram denunciados junto das entidades competentes e foi dado conhecimento ao então Secretário de Estado do Ambiente, Sr. Eng. José Sócrates, a 28 de Maio de 2006, pela Câmara Municipal do Seixal" que "teve oportunidade de visitar o local, onde ficou decidido a resolução da questão."


"A 12 de Outubro de 1997 iniciou a extracção parcial dos resíduos de hidrocarbonetos na lagoa em Santa Marta de Corroios, executada pela empresa Quimitécnica e acompanhada pela DRARN/LVT, tendo sido interrompida no final de Outubro/inicio de Novembro de 1997, não voltando a ser retomada. Hoje, parte dos resíduos já se encontra soterrada."


E de 1997, até 2023 nada foi feito?


"Esteve também previsto intervenção na Quinta do Talaminho, mas não chegou a realizar-se."


Por aqui podemos ver que já havia conhecimento da parte da Câmara, dos partidos e do próprio governo desta situação, pelo menos desde 2005, pelo que já terá havido tempo mais do que suficiente para se fazer alguma coisa. De certo, outros animais já terão perdido a vida ali e quem sabe o que estará escondido naqueles locais.


Na ata 11/2018, de 30 de maio, pode ler-se que "a defesa do ambiente, nas suas múltiplas componentes, constitui um eixo estruturante da nossa ação." No entanto, nesta ata e após se referirem os vários passos positivos na defesa e proteção do ambiente, também se trocam acusações sobre o que há ainda a fazer em relação à Siderurgia Nacional em Paio Pires e às lagoas de hidrocarboretos em Corroios, entre outros aspetos que são discriminados como estando ainda a aguardar soluções. O assunto estava aqui em debate, mas em todo o caso ainda hoje não se encontra de todo resolvido.


Fontes:


https://www.noticiasaominuto.com/pais/2308315/caes-resgatados-de-areias-movedicas-em-corroios-um-em-estado-critico


https://app.parlamento.pt/webutils/docs/doc.pdf?path=6148523063484d364c793968636d356c6443397a6158526c637939595355786c5a79394562324e31625756756447397a554756795a3356756447467a556d5678645756796157316c626e527663793878553077764e6a41334e3245314f5759744d7a466b4f4330304d6a5a694c546b30595745744f4459314e6d49304f575a6b4e4755354c6e426b5a673d3d&fich=6077a59f-31d8-426b-94aa-8656b49fd4e9.pdf&Inline=true


https://www.cm-seixal.pt/sites/default/files/editais/11_ata_rc_30maio2018.pdf


 


 

10/12/2021

Caminhando

Passou algum tempo desde a minha última caminhada matinal. As dores não me têem permitido sair da cama de forma fácil o suficiente para me aventurar a sair de casa ainda de noite. Mas é algo que comecei a fazer com alguma frequência durante o último verão e que me ajuda a lidar com os meus próprios pensamentos. É ali, na solidão das manhãs, que organizo a minha mente e que defino os passos que vou dar nesse dia. Nem sempre sigo tudo à risca, porque muitas vezes perco a coragem de tomar certas decisões, mas ajuda-me bastante.


Hoje foi mais um desses dias. A semana tem sido difícil. Preciso de avançar com decisões que me vão influenciar tanto a mim como a outras pessoas, e ainda não sei como o vou fazer. O que sei é que tenho de criar os meus planos e tenho de ir em frente sem estar sempre a pensar "e se?"


Hoje o passeio teve a particularidade de poder passar pela feira de Natal do Seixal, completamente deserta. Estava frio, uma borrasca irritante daquelas que penetra nos ossos, mas soube muito bem. Apesar das dores que sinto e que têm estado piores nestes dias, caminhar ajuda-me a ativar a circulação, a pôr os músculos a funcionar e a diminuir a rigidez tão típicas da fibro. 

01/07/2021

Afetações e limitações de circulação

Os casos estão a aumentar muito no Seixal e em Sesimbra. Infelizmente, estas regiões têm sido notícia quase todos os dias, expondo-se as nossas gentes ao olhar inquiridor e maldoso de tanta gente.


Hoje em comunicado do Conselho de Ministros, Seixal e Sesimbra são aplicadas as medidas de Risco muito elevado, o que significa entre outras coisas que voltamos a estar confinados das 23h00m às 05h00m. Todas estas medidas são necessárias, embora me incomodem a mim como incomodam muita gente.


A minha vida pessoal não devia estar dependente das medidas anunciadas nas notícias, mas está. Preciso saber diariamente o que se espera de mim, dos meus comportamentos, para saber até onde posso levar as minhas liberdades. Se saio, se vou, se não vou... 


Mas eu tento cumprir as medidas, sempre, pensando em mim e nos outros. Não me sinto com medo, mas acho que se não cumprirmos, não estamos a respeitar o trabalho duro das equipas hospitalares. É tão difícil o seu trabalho.


 


Fontes:


https://www.portugal.gov.pt/pt/gc22/governo/comunicado-de-conselho-de-ministros?i=429

26/06/2021

A luta não termina

Tem sido difícil passar com distinção por este maldito vírus, cumprindo tudo o que nos é imposto mais pela vontade de ajudar e ser parte da solução, do que por medidas e regras que na prática nem todos cumprem.


Esta semana, a turma do meu filho foi colocada em isolamento porque houve um caso positivo. Sou sincera quando afirmo que há muito aguardava que isto acontecesse e que se tivessem passado tantos meses até ao primeiro caso positivo. Aconteceu e ninguém teve culpa, nenhum de nós estava livre (ou está) de contrair e transmitir o vírus.


Estamos na reta final para acabar o ano letivo. Quando falta tão pouco, parece que a sensação é de uma injustiça ainda maior.  O sentimento é de apoio, de compreensão e de ajuda na tentativa de manter todas as crianças bem, naquilo que nos for possível, para que ainda possam regressar daqui a uns dias e se depedirem uns dos outros antes das férias de verão.


No próprio dia, assim que soube, fui comprar dois daqueles testes rápidos da farmácia e hoje o resultado do teste "oficial" confirmou que ele está negativo, e isso traz-nos esperança.


Principalmente, psicologicamente, está-me a afetar como mãe, pondo-me no lugar da mãe da criança que testou positivo. Se estou aflita com o meu e ele está otimo, como estará aquela família?


Eu estou a passar por isto com receio. Receio porque tenho de faltar a um trabalho que ainda há tão pouco tempo consegui, aflita de cada vez que penso que passados uns dias a comida vai começar a acabar e terei de sair de casa ou pedir a alguém que o faça por mim (posso, mas não me sinto confortável em o fazer, é um sentimento estranho, algo que me aprisiona e que não sei explicar).

26/07/2020

Sair de casa - aqui ao lado, espreita a história

Não é preciso andar muito para eu me encantar com determinados locais. Um deles, fica mesmo junto à minha casa e respira história em cada pedra e cada canteiro. Os passeios, são muitas vezes até ali, especialmente pela frescura dos seus jardins em dias de verão. Um local muito agradável que vos convido a visitar se por acaso passarem aqui pelo Seixal.

Junto à baía do Seixal, ainda no território da Arrentela, localiza-se a Quinta da Fidalga, cuja fundação remonta ao século XV. Esta quinta constitui um dos exemplos mais antigos e melhor preservados das quintas agrícolas e de recreio outrora existentes na região.

Nos séculos XVII e XVIII está documentada a ligação à família Gama Lobo, da qual vários membros se destacaram no serviço régio, sobretudo enquanto secretários do Conselho da Fazenda. Ao contrário do que se conta em alguns sites, não terá pertencido a Paulo da Gama, irmão de Vasco da Gama, nem ao próprio, confusão talvez devido aos apelidos familiares. Sabe-se no entanto que Paulo da Gama terá trabalhado ou visitado a construção e reparação de caravelas num estaleiro localizado na atual Arrentela. 

Infelizmente em 1755, parte dos elementos construídos da quinta, terão sido destruídos. No século XVIII destacava-se pelos seus excelentes pomares de citrinos, ruas cobertas de árvores silvestres e parreiras em latadas. Dois poços equipados com noras forneciam água para a rega e para alimentar três fontes de embrechados.

Em 1952, o palacete e os arruamentos da quinta registaram várias intervenções dirigidas pelo arquiteto Raul Lino, destacando-se os azulejos, de várias épocas dispostos por diversos pontos dos jardins.

Em pleno século XX, durante o Estado Novo, Salazar terá também visitado aquele espaço a convite dos seus proprietários.

Em 1997 é finalmente feita a sua aquisição pela Câmara Municipal do Seixal e em 2001 abre ao público.

Na Quinta ainda hoje podemos observar a sua esplendorosa arquitetura, que se distingue pelo lago de maré um monumento raro ou quase único na arquitetura hidráulica portuguesa. Este lago tem estado bastante poluído, com falta de manutenção o que é uma pena. Este lago proporcionava aos moradores e visitantes da época, pescarias de "salão", mas não serviria para banhos (talvez à exceção de alguns rapazes mais aventureiros).

Aproveitando a proximidade da baía e com a ajuda de um sistema de comportas, era cheio com água salobra (mistura de água doce e salgada). No concelho do Seixal, eram três, sendo este o mais importante com 30 metros de comprimento, 20 de largura e 3 de profundidade. À volta, é cercado por um gradeamento em ferro forjado e com bancos revestidos a azulejos. Junto ao lago existe também um pequeno miradouro sobre a baía e do qual a nossa vista alcança Lisboa e Barreiro.

O jardim era utilizado para a prática do jogo da bola ou da pela, com uma estrutura apropriada, ainda visível. Possui ainda uma capela que foi integrada no palacete em meados do século XX em substituição de outra mais antiga. As paredes interiores estão revestidas de azulejos do século XVIII e de reproduções também deste período.

Fontes:

https://www.cm-seixal.pt/equipamento/quinta-da-fidalga

http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/sipa.aspx?id=1041

 

19/07/2020

Um passeio pelo Seixal

O que o desconfinamento de verão nos trouxe de bom, foi o podermos regressar às nossas caminhadas. Embora, sigamos sempre de máscara, podemos apanhar um pouco de sol e observar o que nos rodeia. Adoro passear pelas ruas do Seixal, a observar as casas, a tentar perceber a história do local.


Os barcos no rio indicam proveniencias diversas e contam cada um deles uma história.


A placa da antiga Farmácia Soromenho Pinto (antes de uma farmácia gerida por familiares meus que não conheci), está agora bem cuidada e visível, dentro de um mini mercado.


A fonte no largo de Camões e até as antigas casas, algumas abandonadas outras já recuperadas, contam a história de quem ali viveu.



No nosso passeio de hoje, entramos pelo portão da Mundet e redescobrimos a escola de música e outros edifícios, as fontes, pilares e caminhos que exploramos tentando descobrir o que foram em tempos. A zona da fábrica é interessante de ser vista, assim como o Ecomuseu mas hoje a nossa visita não passou por lá. As fotos que tiramos mostram um pouco das estruturas que lá podemos encontrar e servem para vos convidar a uma visita.


Subimos em direção ao Parque Urbano do Seixal, fomos ao miradouro e descobrimos uma vista maravilhosa lá de cima. Depois, lá descansamos um pouco nas mesas de piquenique, onde várias familias comiam ou brincavam.


Esta é a vista que temos do Miradouro do Seixal:



Eu e o Martim tiramos as máscaras apenas quando não vemos ninguém por perto, de resto estamos sempre com as máscaras, seja ou não obrigatório. Como não é proibido, eu prefiro utilizar. Mas são tantas as caras que vemos sem máscara, é tão estranho, será que nós é que somos demasiado receosos?


O regresso fizemos pela estrada junto à biblioteca e pela Câmara. Ali alguns caminhos poderiam ser arranjados e em vez de mato junto à biblioteca poderia-se completar a Quinta dos Franceses e dar um ar mais agradável ao espaço, que parece uma obra por acabar.

06/04/2020

Casos COVID preocupam

O Conselho Nacional de Saúde, reuniu hoje, extraordinariamente, para dar o seu aval à retoma de algumas actividades e à reabertura das escolas. Este órgão de consulta do Governo na definição de políticas de saúde de apoio ao Ministério da Saúde, de acordo com as suas competências analisou a evolução da pandemia COVID-19 e considerou que a informação que dispõe é insuficiente para uma proposta fundamentada quanto às melhores opções de resposta à epidemia em Portugal, nomeadamente no que respeita à abertura das escolas, ou seja, parece que nos vamos manter em casa.


Tem sido complicado lidar com as notícias que vão dando conta do significativo aumento dos casos Covid. Há zonas do país que têm sido mais afetadas do que outras. Mas ainda existem pessoas muito (mas quando digo muito, é mesmo MUITO) descuidadas e que devem achar, quer-me parecer, que isto é uma brincadeira. Basta ver os gráficos com os números a subir e, olhar ao redor para ver a falta de cuidado, ler as publicações de algumas pessoas no Facebook ou ouvir alguns comentadores na televisão.


No sábado, o boletim epeidemiológico dava conta de 1075 pessoas internadas, 251 dessas nos cuidados intensivos (mais seis que na sexta-feira), e 75 pessoas recuperadas, mais sete que no dia anterior. 


No domingo, o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), dava conta de 1084 pessoas internadas, 267 dessas nos cuidados intensivos, e 75 pessoas recuperadas. Há 4962 pessoas a aguardar resultado laboratorial e 23.209 estão sob vigilância das autoridades de saúde.


Os números são sempre sobre as 24 horas anteriores, por isso, estamos a correr contra o prejuízo. As maiores cidades são as que apresentam os valores mais altos - o que é natural, devido à densidade populacional - mas casos como aqui o Seixal, que está com valores acima dos 100 casos, também são preocupantes. As deslocações da população que continua a ter de ir trabalhar é um dos fatores a considerar, mas outro é a falta de cuidados em encontros e festas. 


Dá a ideia que é cada um por si e que há pessoas que só pensam no seu umbigo. A mim, também me custa estar em casa, porque apesar de continuar a trabalhar, não faço ideia sequer se vou ser ressercida das horas que estou a fazer, muitas vezes, bem mais do que se estivesse no meu local de trabalho. Mas para já a minha segurança e a do meu filho estão em primeiro lugar, por isso, enquanto conseguir, fico em casa.


 


Fontes:


https://www.dn.pt/pais/-veja-o-numero-de-casos-de-covid-19-que-ha-em-cada-concelho-de-portugal-12030739.html




 


 


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...