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14/05/2026

Dor crónica (quase) incapacitante

Ter dor constante é algo que me limita a nível pessoal e profissional. Há decisões que têm de ser tomadas tendo em conta a dor constante, os gatilhos e os tempos necessários ao descanso. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não nos dá acesso ao Atestado médico de Incapacidade Multiusos, já se encontra na Tabela Nacional de Incapacidades. No entanto, a atribuição deste documento depende da avaliação por uma junta médica que quantifica a incapacidade global resultante da doença. E é nessa junta médica que vai estar a grande dificuldade. É que a dor não se vê - e como se prova que dói muito ou que dói pouco, ou como se explica que ontem não mexia a perna, que hoje a perna parece estar boa e o que me dói é o cotovelo? Como explicar que desde 2018 me dói o ombro, tanto que em alguns dias ele praticamente não mexe, mas todos podem olhar e não há ali nada que prove a minha dor. É assim que se sentem os doentes com fibromialgia. Impotentes.

De facto, quem sofre de dor crónica, acaba por sofrer não só da dor em si, mas da desvalorização por parte dos outros, muitas vezes, familiares e colegas de trabalho. Na verdade, o próprio stress no trabalho agrava a dor e limita-nos naquilo que é a nossa funcionalidade. Por exemplo, uma ocorrência que faça gerar stress no caminho para o trabalho, pode levar a que a pessoa se sinta limitada durante algumas horas, ou mesmo até ao fim do dia. Acaba por acusar mais cansaço generalizado, dificuldade em realizar ou em terminar determinadas tarefas ou até em raciocinar. Ou seja, a dor crónica, "apesar de muitas vezes ser algo invisível e desvalorizado pela sociedade", acaba por ter muitas vezes "repercussões altamente agressivas para o dia a dia das pessoas.

Pedir apoios é difícil e implica diferentes exames e solicitações num processo demorado e que leva muitos doentes a desistir. Na verdade, a Segurança Social naquilo que são os seus canais eletrónicos, é "uma entidade altamente complexa."

Na minha perspetiva e sendo portadora de Fibromialgia e com um diagnóstico de desmineralização óssea, teria de haver um maior e mais facilitado acesso a baixas que permitissem ao doente a recuperação em períodos de crise. 

Explicar que ontem estava bem e que hoje me custa até a andar é complicado pois a causa para essa incapacidade não é visível. O meu joelho inchou, do nada, sem qualquer razão e com dores tão fortes que me impossibilitavam de andar. Consulta, baixa médica e exames. Normal como em qualquer outra situação, só que quando fui fazer os exames (raio-x e ecografia das partes moles) já tinham passado algumas semanas e como seria de esperar nestas situações, já não acusou nada. Eu não menti, várias pessoas atestaram o edema que a articulação apresentava. É que entretanto, com algum repouso e anti-inflamatórios, o edema baixou a dor foi diminuindo e ainda nem fui à consulta marcada para mostrar os exames. 

Os anti-inflamatórios não tratam a fibromialgia mas atuam sobre as zonas inflamadas - normalmente, articulações. Ajudam na diminuição da dor, em conjunto com outros medicamentos. Mas não, não os tomo apenas os "cinco dias e depois pare" como me indica o médico. Parar por um ou dois dias é ter uma crise de dor intensa e de cansaço que me parece destruir por completo, sentindo de imediato um agravamento da dor em determinados pontos do corpo. E vão prejudicar o fígado ou outros órgão em casos de tomas sucessivas. 

Temos depois os gatilhos. Podem ser os mais variados, e às vezes, parecem um pouco estúpidos. Não me assustem, o meu corpo contrai-se e ficarei rígida e as dores não tardarão a aparecer. Into pode acontecer com uma travagem brusca do autocarro, ou com a criança que corre para a estrada enquanto a mãe está distraída no telemóvel. 

Os gatilhos são situações do dia a dia, um grito, uma turma que causa desacatos e que não me deixa trabalhar ou terminar a aula - se para algumas pessoas, isso seria apenas um pequeno percalço, para mim é sentido como se fosse uma espécie de ataque direto que me vai fazer ficar mais stressada e que me vai colocar numa situação de maior alerta. Tudo isto, sem sequer me tocarem, sem me baterem ou empurrarem, pois não é preciso nada disso para que o meu estado de saúde se agrave.

As minhas dores agora (hoje) são piores na coluna, braço direito, em especial no cotovelo, com diminuição da força associada. De certeza que vou escutar: "mas não vinha por causa do joelho?". Pois, é que já passaram quase três meses. A demora leva a que a dor vá e volte, que mude de intensidade e de local. Dores intensas? Sim, todos os dias. Mas tenho vontade de continuar a trabalhar e a desempenhar as minhas funções pessoais, sociais e profissionais da melhor forma, mesmo que isso implique dizer "está tudo bem", quando na verdade o meu corpo parece estar a atacar-me.

E sim, começo ao longo dos anos a perceber o que me faz bem e a afastar-me do que me faz mal. Mesmo que muitas vezes tenha de dizer que estou bem, mesmo não estando, para não ver certos olhares ou ouvir alguns comentários.

O doente com dor crónica, fibromialgia ou outra doença, é uma pessoa incompreendida pelas outras. Imaginem a dor de partir um braço e ficar três meses sem o mexer e terem depois durante algum tempo, dores devido à recuperação. Eu não parti o braço, mas as minhas são tão incapacitantes como se o tivesse partido. Recupero aos poucos para depois, bastando um gatilho, a dor voltar a aumentar ou, até me começar a doer de forma incapacitante outra zona do meu corpo. E como se explica isso a quem não vê sinais de dor? A quem quer perceber mas não sabe, nunca sentiu, esta dor?

É viver.

Fontes:

https://app.parlamento.pt/webutils/docs/doc.pdf?path=6148523063484d364c793968636d356c6443397a6158526c63793959566b786c5a7939555a58683062305a70626d46735547563061574e765a584d764e3255344d6d46694e546b744e6a6b774d4330305a6a41314c546b354e7a6b745954553059544d34597a5a694e5459794c6e426b5a673d3d&fich=7e82ab59-6900-4f05-9979-a54a38c6b562.pdf&Inline=true

https://observador.pt/programas/conversas-sobre-dor/que-apoios-sociais-para-as-pessoas-com-dor-cronica/

30/03/2023

Prejudicados mais uma vez

Segundo algumas notícias, os preços dos medicamentos deverão subir a partir de abril e podem ficar até 5,6% mais caros. O Governo diz que a medida é para combater a rutura de medicamentos nas farmácias.


Ao que parece, “os medicamentos com PVP até 10 euros têm o preço atualizado em 5% e aqueles com preços entre 10 e 15 euros serão atualizados em 2%”.


Os mais caros, segundo o ministro, podem até baixar de preço, em compararção com outros países.


Para mim esta medida não tem lógica nenhuma, na conjuntura económica e social em que vivemos. Eu levei agora um aumento na renda de casa e, devido aos meus problemas de saúde, tenho de tomar vários medicamentos. Além disso, tomo suplementos que não são comparticipados e dos quais necessito, como por exemplo o magnésio, que cada vez são mais caros. Alguns medicamentos, estão a ser difíceis de encontrar nas farmácias e por isso ás vezes sou obrigada a aceitar a troca por mais caros, em vez daqueles de valor mais baixo. 


Prejjudica-nos a todos estas medidas. Quem não pode comprar, deixa de tomar a medicação? Que apoios estão pensados para estas pessoas? Já nem falo de mim porque trabalho e consigo (com dificuldade e muita gestão de cada cêntimo) comprar o que vou precisando - optando pelos mais urgentes e muitas vezes até diminuindo as dosagens para que chegue para mais tempo!


Esta regulação prejudica quem menos tem, tantas vezes com baixas reformas, com doenças crónicas e prolongadas com as quais já têm de lidar diariamente, sendo uma vez mais lesados.


 


Fontes:


https://www.rtp.pt/noticias/pais/medicamentos-mais-caros-a-partir-de-1-de-abril_v1476593 


https://expresso.pt/sociedade/2023-01-18-Medicamentos-mais-caros-para-travar-ruturas-0c48a989

25/03/2023

Tai Chi Chuan

Este ano tinha definido como um dos meus objetivos, começar a fazer uma atividade física. Por um lado, para calar a implicância das médicas que me dizem que eu "tenho de me mexer" e por outro porque sinto que se não começar depressa a fazer alguma atividade, nunca o vou conseguir fazer e quanto mais tarde pior.


Tenho procurado, mas sem grande vontade e a verdade é que está a terminar o terceiro mês do ano. Entretanto, esta semana, mandei mensagem a pedir informações num grupo de Tai-Chi e hoje fiz a primeira aula. Por um lado, trabalha com a respiração e com movimentos lentos e controlados, o que evita lesões de impacto e, por outro lado trabalha com a energia e ajuda a prevenir várias doenças. Pesquisei um pouco sobre os benefícios e o que descobri foi importante na minha escola desta arte marcial.


Quando cheguei a Belverde, encontrei um grupo pequeno e logo depois dos primeiros minutos senti-me integrada. À minha esquerda estava uma senhora que eu acho que se não tem a idade da minha avó, está lá pertinho e que se move com uma delicadeza e uma determinação invejáveis. Estava lá outra senhora, com idade mais próxima da minha e depois, mais dois senhores, também mais velhos. O mestre é o Max. Tratamo-nos todos por "tu". Depois de hora e meia neste grupo, além de descobrir que quero ficar e aprender mais, já tenho um almoço marcado e um evento no próximo sábado em que vou participar. 


Descobri que no Tai-chi temos movimentos circulares, com nomes engraçados, mas com grandes objetivos, como promover a circulação do Chi (ou energia), permitir a mobilização de todo o corpo, e no fim, usar a maior força no movimento de ataque ou de defesa. O mestre durante a aula foi explicando sobre cada movimento e isso dava-me a entender que há muitos nomes que ainda vou ter de saber. O Tai Chi Chuan previne algumas doenças ao diminuir a tensão arterial. Um dos aspetos que logo reparei é que a nossa concentração é muito estimulada, pois os movimentos são muito lentos e exigem foco e concentração na sua execução. Assim, apesar de estar a praticar uma atividade que exige esforço físico, este acaba por reduzir o stress e a ansiedade, enquanto estimula o sistema nervoso e imunológico e também fortalece os músculos e as articulações.


Algumas horas depois, sinto no corpo as dores musculares. Isto vai exigir mais de mim a nível mental do que físico, porque se quero continuar e se quero mudar a minha vida este ano, não me posso deixar cair na rotina e tenho de ser eu a impulsionadora desta mudança.

03/01/2022

Dedicar

Este meu post vem com uma mensagem de força para todos aqueles que neste novo ano, querem melhorar a sua vida, continuar trabalhando e lutando. 


Temos de ser persistentes, de dedicar o nosso esforço em objetivos específicos. A motivação é importante, mas eu acho que tem mesmo de vir de dentro de nós. Posso ouvir mil vezes me dizerem que sou capaz, mas se eu não acreditar que isso é verdade, eu nunca me vou esforçar o suficiente para conseguir!


Não basta querer, é preciso avançar, ter iniciativa, ir em frente, não desistir. Mas fazer implica gasto de energia, depende não apenas de mim mas também dos outros e das coisas chatas que nos podem acontecer. Querer muito não chega, quando depois acabamos por esbarrar em obstáculos. Muitos podem pensar nos obstáculos como paredes lisas e impossíveis de escalar enquanto outros, vêm nos obstáculos pequenas fissuras onde se podem agarrar para subir.


Subir implica esforço. Vem da nossa força anímica. Começa com a capacidade de me levantar da cama de manhã e de definir as metas. 

12/07/2021

Férias - e o que sofro a trabalhar enquanto eles se divertem!

Ir à praia com crianças é, para mim e para mais algumas pessoas, um drama! Chego a casa, em ponto de "não me toquem nem com uma pluma!"


Adoro praia mas passar o dia a contar cabeças - ou melhor chapéuzinhos iguais, torna-se mais do que cansativo, num stress diária. E isso porque o meu sentido de responsabilidade triplica, ou quadriplica nestes dias. A praia está cheia de gente e todos os cuidados são poucos. Começa logo nos dias anteriores com toda a preparação necessária para a própria viagem - seja para a praia, para a piscina, para uma visita a um museu... as carrinhas tem de estar impecáveis - regras, mecânica, cintos, banquinhos! Não sendo eu a responsável neste campo, o facto de ser uma das motoristas faz com que tenha de ter alguns cuidados, em especial, quando as crianças entram e saem, na viagem em si, no caminho escolhido, nos horários, engtre outras coisas...


E não se fica por aqui. Um diz que "no carro do pai já não usa o banquinho", o outro não quer ir na primeira volta e outros vão o caminho a bater com os pés no meu banco e a gritar! Ai que bom que é levar os meninos para a praia!


O trânsito? Tranquilo, primeira volta. Um pouco mais difícil, na segunda volta... na terceira já fico com cãibras de estar no pára arranca e tenho de parar para esticar as pernas, enquanto eles estão ansiosos para ir a banhos! Será óbvio que nem sempre as entidades patronais entendam - uns percebem isso, outros não, as dores não estão na cara. No primeiro dia, até se aguenta, mas depois, no segundo, terceiro, o corpo está rígido, tenho espasmos musculares, dormência durante a condução. Mas é tão bom ir para a piscina quatro semanas seguidas! É bom mas não é para mim... 


Se me posso negar, até podia, mas a recibos... ou faço ou salto fora da equipa. Adoro a parte d ensinar, de brincar, de corrigir trabalhos, de fazer projetos, de meter as mãos no barro... mas detesto as idas à praia! Please! Que este verão acabe rápido!!!


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...