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31/07/2026

A invasão de Ceuta que não é uma invasão da Europa

Hoje as notícias mostravam-nos uma praia aonde chegavam milhares de pessoas. Vinham a nado desde Marrocos e entravam em território espanhol. Na sua maioria homens, jovens, embora existissem também mulheres e crianças. Tinham-se lançado ao mar em Marrocos e seguiram a nado até Ceuta. Não atravessaram o Estreito de Gibraltar como algumas notícias fizeram entender. Durante esta travessia, pelo "menos 19 pessoas" perderam a vida (um número que viria depois rapidamente a aumentar). Na praia acumulavam-se boias e garrafas vazias usadas para os ajudar durante a travessia. Em diversas imagens que circulam pelas redes sociais podemos ver "a multidão a correr e a contornar o paredão da fronteira." 

Na Europa começou a falar-se de uma invasão e circulavam rumores de encerramento de fronteiras. Itália declarou a suspensão temporária do acordo de Schengen com a Espanha, com o encerramento de fronteiras aéreas e marítimas (de ressalvar que Ceuta não faz parte do espaço Shengen). O comércio foi fechado, a cidade começou a entrar em "colapso" e as pessoas começaram a acumular-se nas ruas, sem ter para onde ir. 

O que chama desde logo a atenção é que há poucas malas ou mochilas, o que levanta a questão se esta não é mais uma crise geopolítica do que uma crise migratória. O gatilho aqui pode ter sido a visita do "presidente do governo espanhol" à Argélia, "com quem Marrocos também tem relações tensas." Este fenómeno tinha já acontecido em 2021, quando o exclave foi "alvo de outra vaga de migração ilegal, então com menos de 10 mil pessoas, também com a conivência de Marrocos." Este acontecimento em si, não nos pode levar a fechar os olhos para o grave problema das migrações que acontecem pelo Mediterrâneo e que matam todos os anos centenas de pessoas. É que ninguém abandona as suas coisas e vai para outro país de ânimo leve, ainda mais sabendo que depois de todos os riscos que corre, ainda tem a hipótese de ser deportado.

Fala-se também na comunicação social de uma lei que pode ter desencadeado também esta "invasão", não a instigando acabou por facilitá-la. Escutei vários programas em que comentadores dão maior ou menor importância a este facto, sem no entanto, ninguém conseguir provar que foi realmente isso que aconteceu. O que sabemos é que houve gente a morrer tentando chegar a Ceuta, pois via ali uma porta que se abria e onde poderiam ter uma nova oportunidade. "Em causa está uma interpretação emitida a 8 de julho pelo Supremo Tribunal espanhol" que proíbe as "devoluções em quente", ou seja, proíbe que se procedam a "expulsões imediatas na fronteira sem processo," englobando os casos em que os migrantes não encontrem "barreiras de contenção física". Ou seja, "na prática, quem contorna as barreiras a nado ou entra por zonas desprovidas de vedações terrestres deixa de poder ser devolvido na hora pelas autoridades, passando a ter direito a um procedimento ordinário de acolhimento, escuta e formalização de pedidos de asilo."

Muitas destas pessoas foram enganadas, ludibriadas com uma promessa. Como disse Mohamed ao "El País" e citado pela CNN: “Disseram-nos que tínhamos um lugar para ficar e um visto para Algeciras, mas era tudo mentira”. Depois também vimos na televisão aqueles que ali foram apenas para destruir, para fazer confusão. Esses não são os verdadeiros migrantes, misturam-se com eles, aumentam as dimensões dos grupos e causam medo por onde passam.

Ceuta é um território espanhol (cidade autónoma desde 1995), que se localiza na Península de Almina, no norte de África fazendo fronteira com Marrocos e é banhado pelo Mar Mediterrâneo. "A população é composta sobretudo de cristãos e muçulmanos, havendo também uma comunidade judaica e uma pequena comunidade hindu."

Na história Ceuta foi propriedade de Fenícios, de Cartagineses, foi dos Bizantinos e depois caiu nas mãos dos Visigodos. Mais tarde, pertenceu ao Califado de Córdoba e depois à Taifa de Málaga. Na verade, o território foi passando de mão em mão. Anos depois, ficaria sob o jugo de Castela, que a acabaria por perder.

E foi já no início da Expansão Marítima Portuguesa que Ceuta foi conquistada por Portugal, que via ali um importante ponto comercial. "No mundo cristão, a cidade foi reconhecida como possessão portuguesa nos tratados de Alcáçovas (1479) e de Tordesilhas (1494)." Voltaria a ser território espanhol quando em 1640, após o período Filipino, a cidade não aclama o rei D. João IV preferindo ficar sob domínio de Castela. Ceuta é um dos poucos vestígios da colonização europeia em território africano, mas já não é uma colónia e isso deve ficar assente.

Por tudo isto, se pode entender o medo constante de que se volte a repetir uma invasão e que a cidade volte a entrar em guerra. O que não se entende é que exista um aproveitamento político para se instaurar o medo na Europa.

Fontes:




06/11/2024

O que as eleições nos EUA nos dizem?

Trump é o vencedor das eleições americanas, "depois de ter vencido as eleições presidenciais norte-americanas à candidata democrata, Kamala Harris."


As eleições americanas são de facto bastante diferentes daquilo a que estamos acostumados a ver por cá. Desde logo, pela organização do Congresso (que poderíamos comparar ao nosso Parlamento) e que está "dividido entre Câmara dos Representantes (435 lugares), a câmara baixa do Congresso, e do Senado (100 lugares), definida como câmara alta do Congresso norte-americano."



Uma das caraterísticas a ter em conta é que não será votada a totalidade da câmara alta do Congresso - "composta por 100 senadores (dois por cada estado do país, independentemente do número de habitantes)" - mas sim "um terço, ou seja, 34 lugares," nos quais se incluem "os altos cargos do Governo e dos juízes do Supremo Tribunal Federal."



Trump, apresentou-se usando "a mesma retórica populista e anti-imigração que o fez conquistar, em 2015, o apoio da ala mais conservadora do Partido Republicano e atraiu antigos eleitores democratas desiludidos com a estagnação económica e um sistema político que sentiam ser injusto." E esta retórica fê-lo ganhar as eleições, conseguindo "pela primeira vez o voto popular numa eleição, algo que não conseguiu nem em 2016 contra Hillary Clinton nem em 2020 contra Biden."


A maior das suas apostas era o "controlo da imigração ilegal", definindo como prioridade "continuar a construção do muro na fronteira com o México e travar a entrada de pessoas não autorizadas." Além disso, prometeu que faria a maior deportação "em massa de imigrantes ilegais de sempre." E mesmo assim, os americanos acharam que este seria o caminho a seguir e deram-lhe o seu voto, tendo o candidato ganho o condado da Flórida onde existe uma graande comunidade hispânica. 


Trump afirmou também que, caso "fosse eleito, colocaria um fim à guerra da Rússia contra a Ucrânia em 24 horas com um par de telefonemas." O que significariam esses "telefonemas" para nós, europeus e membros na NATO e da UE?


A tomada de posse será apenas em janeiro de 2025, mas as consequências já começam a ser visíveis, por exemplo na bolsa de valores, onde o euro começou a perder valor perante o dólar. Órban, presidente da Hungria, já veio felicitar e mostrar o seu apoio a Trump. 


Kamala perde por vários motivos, mas um dos principais foi o descontentamento "de parte do eleitorado norte-americano face ao apoio incondicional dos Estados Unidos a Israel."  Devido ao apoio demonstrado a Telavive, muitos ativistas garantiram que não irão dar o seu voto à democrata Kamala Harris, "direcionando o seu voto para candidatos independentes."


Esta demoonstração de insatisfação com o apoio dado a Israel "tem sido visível desde as eleições primárias, no início do ano, quando milhares de democratas decidiram votar em branco." No entanto, é Trump quem se tem mostrado um grande apoiante de Netanyahu.


Fontes:


https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-nos-eua/2024-11-06-video-donald-trump-regressa-a-casa-branca-como-presidente-dos-estados-unidos-8060a5bc


https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-nos-eua/2024-11-06-republicanos-asseguram-maioria-no-senado-dos-estados-unidos-341e66f5


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/donald-trump-reivindica-vitoria-politica-nunca-antes-vista_e1612788#article_content_1612841

15/09/2024

Mais um naufrágio no Canal da Mancha

Qual será a solução para o problema dos migrantes? A Europa tem de implementar medidas que venham a pôr cobro aos sucessivos naufrágios, devido às tentativas de travessia em embarcações ilegais, sem condições e com excesso de pessoas a bordo. Acima de tudo, são pessoas e, aquilo que me lembro sempre, é que podia ser um de nós a ter de arriscar a vida num daqueles barcos.

Lamenta-se para já a morte de oito pessoas, mas o número pode vir a aumentar pois as buscas junto a "Ambleteuse, na região de Pas-de-Calais", ainda estão a decorrer. O grupo de migrantes tentava "atravessar o Canal da Mancha, ao largo da costa de França" durante esta madrugada. Também nesta mesma zona, "foram resgatados cerca de 200 migrantes num período de 24 horas entre sexta-feira e sábado à noite."

A questão é, uma vez que não o podem fazer de forma legal, vão sempre tentar ilegalmente, pela calada da noite e pagando a grupos de tráfico humano. Enquanto isto não acabar, continuarão a haver mortes. 

"As autoridades britânicas estimam que, este ano, pelo menos, 22 mil imigrantes e requerentes de asilo tenham chegado à costa do Reino Unido, a partir do norte de França, geralmente embarcando em zonas próximas das cidades de Calais e Dunquerque." Mas o problema não é só britânico, nem só francês! E de todos, uma vez que depois de estarem em espaço europeu, estas pessoas têm depois mais facilidade em transitar entre países e é necessário ajudá-los a ter condições mínimas de sobrevivência - muitos viajam em família, com crianças pequenas.

Tem de haver humanidade, tem de haver solidariedade e tem de haver compreensão. E nem sempre estamos preparados para isso.

Fontes:

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2632320/pelo-menos-oito-migrantes-morreram-a-atravessar-o-canal-da-mancha

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...