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01/09/2025

Forte sismo abala leste do Afeganistão

Não é a primeira vez que o Afeganistão é afetado por um forte sismo. Ainda não se conhecem os números exatos mas andarão para já, na estimativa das 800 vítimas mortais (com os números a aumentarem a cada minuto e milhares de feridos). O sismo teve epicentro a cerca de "42 quilómetros de Jalalabad, capital da província de Nangarhar," na região leste do Afeganistão e a uma hora a que a maioria dos habitantes se encontraria já em suas casas a dormir. Além do horário e do facto daquela ser uma região bastante montanhosa, o nível de destruição pode sido agravado pela pouca profundidade - "apenas oito quilómetros."

O abalo foi sentido em "Cabul, e também em Islamabad, no Paquistão." Algumas regiões mais remotas só são alcançáveis de helicóptero. "Muitas das áreas gravemente afetadas são remotas e têm redes de telecomunicações limitadas, o que complica os esforços de resgate." Ao primeiro abalo, seguiram-se pelo menos outros dois "de magnitude 5.2," que terão provocado "inúmeros deslizamentos de terras que bloquearam as poucas estradas existentes, isolando por completo dezenas de aldeias."

Nesta região, os sismos são relativamente frequentes, particularmente por causa da junção das placas euroasiática e arábica. A zona mais afetada, Kunar, fica numa "região remota na fronteira com o Paquistão, aninhada nos vales da cordilheira Hindu Kush, cuja população vive principalmente em casas precárias de barro e palha, extremamente vulneráveis a sismos." Num país em que a maioria da população vive em situações por si próprias degradantes, uma catástrofe natural desta grandiosidade, traz sempre elevados danos materiais e humanos.

"Em outubro de 2023, uma série de sismos devastou a província ocidental de Herat, causando mais de 1500 mortos." É importante reforçar que a população habita numa região fortemente afetada pela guerra e pela pobreza, em que as habitações estão extremamente degradadas e são, na sua maioria, de construção frágil, permitindo a que os danos já de si elevados, se tornem rapidamente numa catástrofe.


Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/sismo-no-afeganistao-provoca-mais-de-800-mortos-e-2700-feridos_n1680409

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-09-01-sismo-no-afeganistao-pode-ter-provocado-centenas-de-mortos-e-milhares-de-feridos-366f2569

23/09/2024

Atentado com mina no Paquistão... e continua a troca de ataques no Médio Oriente

Uma comitiva que transportava diplomatas de vários países foi alvo de um "ataque no Paquistão," levando à morte de um polícia e a ferimentos em três outros. Na comitiva seguiam "o embaixador russo e diplomatas portugueses, iranianos, turcomanos, tajiques, cazaques, bósnios, zimbabueanos, ruandeses e vietnamitas." O ataque aconteceu "no vale do Swat, em Khyber Pakhtunkhwa, na fronteira com o Afeganistão." Os diplomatas estariam a participar num encontro para "promover o comércio local, conhecido pelo seu artesanato e pedras preciosas."

Na caravana, composta por 12 diplomatas, "viajava o embaixador português, Frederico Silva, que o Ministério dos Negócios Estrangeiros português confirmou à Lusa estar bem," uma vez que ia a meio do comboio e a viatura onde seguia não chegou a ser atingida. Esta é uma região perigosa por ser um "bastião dos talibãs paquistaneses (TTP), treinados para o combate no Afeganistão e que defendem a mesma ideologia dos talibãs afegãos."

Ontem, escrevi sobre a situação tensa no Médio Oriente e até agora os ataques não cessaram - nem tão cedo se espera que isso aconteça, infelizmente. Nos últimos dias, os ataques contra território libanês já provocou "dezenas de mortos, segundo a Defesa Civil," sendo que "o balanço provisório do atentado de sexta-feira é de 50 mortos e 66 feridos, mas há ainda 11 desaparecidos."

Preocupado com a escalada do conflito, "o secretário-geral da ONU, António Guterres," receia que o conflito no Líbano se torne "uma nova Gaza", numa entrevista dada à CNN.

Depois de aconselhar os habitantes do sul do Líbano a "manterem-se afastados" de edifícios onde o "Hezbollah pode ter armazenadas armas" e que possam ser alvos "do movimento pró-iraniano Hezbollah," Israel lançou esta segunda-feira dezenas de ataques "no sul e no leste do Líbano." Em cerca de meia horam foram lançados "mais de 80 ataques aéreos."

A agência Reuters, descreveu os bombardeamentos desta manhã "como os mais vastos que Israel realizou em simultâneo desde outubro do ano passado." Na última sexta-feira, o exército israelita assassinou "um importante comandante do Hezbollah, Ibrahim Aqil, num bombardeamento em Beirute que fez pelo menos 12 mortos, incluindo cinco crianças."

Este comandante era "procurado há décadas pelos Estados Unidos" acusado de ter sido responsável "pela morte de mais de 300 pessoas nos atentados de 1983 em Beirute." O ataque de 1983 terá morto 307 pessoas que se encontravam num "quartel de uma força internacional de manutenção de paz," entre as quais "241 militares norte-americanos." A explosão de um camião provocou ainda a morte de "63 pessoas na embaixada norte-americana," daquele país.

Fontes:
https://www.publico.pt/2024/09/22/mundo/noticia/comitiva-diplomatas-incluindo-portugueses-alvo-ataque-paquistao-2105094

https://www.dnoticias.pt/2024/9/22/420734-caravana-com-diplomatas-incluindo-portugueses-foi-alvo-de-explosao-no-paquistao/

https://pt.euronews.com/my-europe/2024/09/22/alta-tensao-entre-o-hezbollah-e-israel-eua-uniao-europeia-e-onu-demonstram-preocupacao

https://www.publico.pt/2024/09/23/mundo/noticia/israel-ataca-alvos-sul-leste-libano-2105114

https://www.publico.pt/2024/09/20/mundo/noticia/ibrahim-aqil-comandante-historico-hezbollah-eliminado-israel-tambem-procurado-eua-2104951

14/05/2024

Cheias no Afeganistão

O Afeganistão está também a viver uma situação de calamidade depois do norte do território ter sido atingido por fortes cheias. As chuvas repentinas provocaram deslizamentos de terras que "arrastaram casas, terras de cultivo, pessoas e animais, provocando mais de 300 vítimas mortais, entre elas 50 crianças."


Contabilizam-se já milhares de feridos e desalojados. Tendo em conta o caos "desencadeado por dias de chuvas incessantes e inundações que soterraram cidades inteiras e destruíram infraestruturas essenciais, como pontes e estradas, o regime talibã afirma que o número de vítimas poderá continuar a aumentar."


Muita da ajuda está a ser transportada de burro, uma vez que não há forma de fazer circular camiões nos acessos às regiões mais afetadas. A população pede ajuda, mas desde que os Talibã tomaram conta do país em 2021, a maioria das organizações internacionais reduziram bastante a sua presença. Apesar de tudo, a OMS já enviou para a zona afetada "7 toneladas de medicamentos e kits de emergência." A União Europeia também já tomou a decisão de "enviar 97 toneladas de bens essenciais."


Fontes:


https://radiocomercial.pt/noticias/152043/sobe-para-342-o-numero-de-mortos-nas-cheias-no-norte-do-afeganistao


https://sicnoticias.pt/mundo/2024-05-13-video-afeganistao-indonesia-e-brasil-continuam-buscas-por-sobreviventes-das-cheias-a9498164


 

15/10/2023

Afeganistão não pára de tremer

Depois de ter sido afetado por vários abalos no dia 7 deste mês, o Afeganistão continua a sofrer fortes abalos, que não têm sido muito divulgados. Nessa data, aldeias inteiras foram destruídas por um sismo de magnitude 6,3 que causou mais de mil mortos, 90% dos quais mulheres e crianças, de acordo com o Fundo da ONU para a Infância (UNICEF).


Esta quarta-feira, dia 11, um novo abalo de magnitude 6,3 voltou a atingir as infraestruturas já por si bastante danificadas, lançando o pânico entre uma população traumatizada.


Ontem e hoje, novos abalos voltaram a sacudir a cidade de Herat, no noroeste do território afegão. Os sismo terão deixado pelo menos um morto e mais de uma centena de feridos. Na sequência do primeiro abalo foram sentidos outros dois tremores secundários de menor intensidade. A Organização Mundial de Saúde diz que a maioria das vítimas do terramoto de sábado são mulheres e crianças. A par disso, muitos sobreviventes são antigos refugiados, que perderam o pouco que tinham. Os dados ainda não foram atualizados e o número do mortos pode por isso vir a aumentar.


De facto, podemos dizer que o Afeganistão está a sofrer uma grave crise humanitária, com a retirada generalizada da ajuda estrangeira desde o regresso dos talibãs ao poder, sendo por isso difícil fazer chegar ajuda às populações mais necesskitadas, desde logo, abrigos para o frio. 


Fontes:


https://exame.com/mundo/novo-terremoto-de-magnitude-63-no-afeganistao-deixa-um-morto-e-dezenas-de-feridos/


https://www.publico.pt/2023/10/11/mundo/noticia/afeganistao-atingido-novo-sismo-2066337


https://observador.pt/2023/10/15/novo-sismo-de-magnitude-63-registado-no-afeganistao/


 

08/10/2023

Sismo do Afeganistão faz milhares de mortos e feridos

O Afeganistão foi ontem atingido por um sismo de magnitude 6.3 na escala de Richter, ao qual se seguiram várias réplicas. O governo Talibã, falou em cerca de 2000 mortos na província de Herat, mas ainda podem existir outros tantos soterrados. As várias réplicas que se fizeram sentir - terão ocorrido sete abalos com magnitudes entre 5,5 e 6,3 - dificultaram a chegada aos feridos. O epicentro ocorreu a 40 quilómetros de Herat, a terceira maior cidade do Afeganistão, considerada a capital cultural do país, com quase dois milhões de habitantes.


Este país asiático é muito vulnerável a desastres naturais por estar situado na cadeia montanhosa do Hindu Kush, perto do ponto onde se encontram as placas tectónicas euro-asiática e indiana, numa zona de grande atividade sísmica.


De referir o sismo de 5,9 ocorrido em junho de 2022, tinha sido considerado o mais mortífero no país em quase 25 anos tendo feito mais de mil vítimas mortais e dezenas de milhares de desalojados na província de Paktika. Aguardam-se os dados definitivos para se confirmar que o sismo de ontem terá ultrapassado estes valores, mas penso que já se pode dizer que se ultrapassará aqui o número de vítimas.


Depois dos ataques que aconteceram ontem em Israel, temo que as vítimas deste sismo fiquem esquecidas pela comunidade internacional.


Fontes:


https://observador.pt/2023/10/08/novo-balanco-de-sismo-no-afeganistao-eleva-numero-de-mortos-para-2-mil/


https://pt.euronews.com/2023/10/07/forte-sismo-e-replicas-fazem-mais-de-uma-centena-de-mortos-no-afeganistao


 

15/09/2023

Reabertura da passagem entre o Paquistão e o Afeganistão

Mais de uma semana depois da troca de tiros entre guardas dos dois países, foi reaberto o principal posto fronteiriço entre o Paquistão e o Afeganistão, permitindo a passagem de veículos e peões. Este é mais um ponto quente no médio oriente que pode estar prestes a despontar num conflito armado. 

O lado paquistanês da fronteira esteve paralisado durante dias, com mercados e escritórios fechados e multidões de viajantes a refugiarem-se nas mesquitas vizinhas. Os dois países partilham mais de 2.500 quilómetros de fronteira, a qual é rejeitada por Cabul desde que foi criada a chamada Linha Durand pelo Império Britânico no século XIX.

No Paquistão, em 1977, a lei civil paquistanesa foi substituída pela lei tradicional islâmica, depois da tomada militar do país.

O Afeganistão localiza-se a norte do Paquistão. Alguns monarcas afegãos tentaram modernizar o país, mas as tribos muçulmanas que constituíam a maioria da população resistiram às mudanças. Em 1973, líderes militares depuseram o último monarca e estabeleceram a república. Cinco anos depois, um grupo de comunistas apoiados pela União Soviética depôs o regime militar e estabeleceu um estado marxista governado por um único partido. 

Em 1979, a União Soviética invadiu o Afeganistão, mas foi incapaz de esmagar a resistência afegã no interior, apoiada pelos Estados Unidos que forneceu apoio militar e económico aos rebeldes afegãos. Durante a guerra contra a União Soviética, mais de quatro milhões de afegãos fugiram do seu país, cruzando as fronteiras para o Irão e Paquistão. Em 1988, a União Soviética começa a retirar as suas tropas do Afeganistão.

Fontes:

https://observador.pt/2023/09/15/reabre-posto-fronteirico-entre-afeganistao-e-paquistao-apos-troca-de-tiros/

https://www.educabras.com/artigos/paquistao-e-afeganistao


18/06/2023

Tragédia no Mediterrâneo

A Alarm Phone, rede transeuropeia de apoio a operações de resgate, afirmou ter recebido alertas de pessoas a bordo de um navio em perigo na costa da Grécia na tarde da passada terça-feira e que alertou as autoridades gregas. Quem efetuou o pedido de ajuda estava a bordo do navio. A pessoa que ligou terá dito que havia cerca de 750 pessoas a bordo e informou também que o capitão tinha fugido num pequeno barco.

Barco de migrantes que naufragou na Grécia (Hellenic Coast Guard via AP)Se olharmos para uma fotografia aérea do navio antes de afundar, divulgada pelas autoridades gregas e que tem passado nas redes sociais e nas notícias, podemos ver centenas de pessoas amontoadas no convés e reparar que a maioria não tem coletes salva-vidas. Horas depois do pedido de ajuda, a embarcação acabou mesmo por se afundar.

Aquilo que parece que está a causar ainda mais revolta, é saber se houve ajuda atempada. Ao que parece, a HSRCC enviou um navio adicional de bandeira maltesa, que se aproximou do navio de pesca por volta das 18:00 e forneceu comida e água. 

Posteriormente, um segundo navio, desta vez grego, foi enviado por volta das 21:00 para fornecer água aos passageiros. Por volta das 22:40, um navio da Guarda Costeira Helénica de Creta ter-se-á aproximado do barco de pesca. Até às 02:04 do dia 14 de junho não se notaram problemas de navegação, apesar da situação precária da embarcação. Dez a quinze minutos depois, o navio já estava completamente submerso. Vários passageiros que estavam nos convés externos caíram no mar. Só quando a embarcação naufragou, as equipas de salvamento começaram a atuar. E porquê só nessa altura, podemos questionar nós. É que ao que parece, houve recusa da parte dos migrantes em serem ajudados. De certa forma por receio do que lhes poderia acontecer ao serem levados para outro porto que não o de destino inicial, ou talvez porque não tivessem considerado a realidade da sua situação.

Funcionários do Governo disseram que os migrantes a bordo recusaram repetidamente a ajuda das autoridades gregas: “Era um barco de pesca lotado de pessoas que recusaram a nossa ajuda porque queriam ir para a Itália”, disse o porta-voz da guarda costeira Nikos Alexiou à emissora Skai TV. “Mantivemo-nos ao lado, caso precisassem da ajuda que haviam recusado.” As pessoas a bordo não queriam ajuda com medo de serem levados de volta e, a qualquer tentativa de aproximação, o barco começava a manobrar para longe.

Mas como em tudo, também aqui existem outras versões. Segundo alguns sobreviventes, o que se passou foi um pouco diferente e que o barco terá naufragado quando a “Guarda Costeira grega prendeu a embarcação com uma corda para a rebocar." 

As hipóteses de recuperar o navio afundado são remotas, porque a área de águas internacionais onde ocorreu o incidente é uma das mais profundas do Mediterrâneo e a esperança de encontrar sobreviventes do naufrágio diminui a cada hora. 104 pessoas foram resgatadas com vida, 78 corpos foram retirados do mar, naquele que é um dos naufrágios mais mortais da Europa nos últimos anos.

Os sobreviventes são apenas homens, que viajavam na parte superior. Segundo as testemunhas, as mulheres e crianças viajavam no porão da embarcação e ninguém terá conseguido sair. Um sobrevivente hospitalizado contou que estariam cerca de cem crianças no porão.

Muitos dos sobreviventes estão em estado de choque e querem entrar em contato com as suas famílias para dizer que estão bem, mas muitos deles continuam a perguntar sobre os desaparecidos, uma vez que são seus familiares e amigos.

Das nacionalidades das vítimas sabe-se que a bordo iam egípcios, sírios, paquistaneses, afegãos e palestinianos e que a embarcação tenha saído da Líbia, país que tem pouca estabilidade e segurança, e que é um ponto de partida para aqueles que tentam chegar à Europa por mar e que tivesse Itália como destino. As redes de tráfico de pessoas são dirigidas principalmente por fações militares que controlam as áreas costeiras.

Os sobreviventes foram levados para Kalamata. Muitos foram tratados no hospital por hipotermia ou ferimentos leves e estão agora instalados provisoriamente em armazéns transformados em abrigos. Entretanto, as autoridades gregas prenderam nove alegados traficantes de pessoas. São oriundos do Egito e suspeitos de planear a viagem ilegal de centenas de pessoas da Líbia para Itália, depois de partirem do Egito com a embarcação. É provável que um procurador apresente várias acusações contra o grupo, incluindo a de homicídio em massa, sendo que o capitão pode estar fugido ou ter morrido.

As Nações Unidas registam mais de 20 mil mortes e desaparecimentos no Mediterrâneo central desde 2014. Esta rota é a travessia de migrantes mais perigosa do mundo.

Fontes:

https://cnnportugal.iol.pt/migrantes/mediterraneo/isto-poderia-ter-sido-evitado-o-que-aconteceu-no-naufragio-no-mediterraneo-que-tera-causado-a-morte-de-centenas-de-migrantes/20230615/648acf4ad34ea91b0aad8e48

https://expresso.pt/internacional/2023-06-15-O-que-sabemos-ate-agora-do-naufragio-na-Grecia-qual-foi-a-causa-quantas-vitimas-estao-confirmadas-e-quantos-migrantes-estavam-no-barco--6537a171

https://observador.pt/2023/06/15/os-sobreviventes-estao-em-estado-choque-autoridades-da-grecia-continuam-buscas-apos-naufragio/

Imagem: https://cnnportugal.iol.pt/grecia/migrantes/guarda-costeira-grega-defende-que-respondeu-a-embarcacao-que-naufragou-na-grecia/20230616/648ce897d34ef47b8754fe31

https://cnnportugal.iol.pt/grecia/migrantes/naufragio-na-grecia-nove-alegados-traficantes-detidos-manifestantes-protestam-contra-legislacao-migratoria-da-uniao-europeia/20230616/648c184cd34ea91b0aad98b1

 


 


 

05/06/2023

Agressões em escolas

Armas, sejam elas quais forem, são sempre um problema em escolas. Há diariamente um clima de instabilidade e de insegurança nas escolas que está a afetar alunos, funcionários e professores. Pelo mundo, os casos são vários...

Hoje falo aqui do caso de um homem com cerca de 30 anos, que saltou o gradeamento da Escola Secundária Ruy Luís Gomes, no Laranjeiro e entrou no recinto escolar, munido de uma faca. Ameaçou um funcionário que o abordou e provocou um corte ligeiro na mão de um aluno de 15 anos que o tentou conter. Entretanto, fugiu da escola mas acabou por ser detido, pelas 11h20m pelos polícias da Esquadra de Investigação Criminal de Almada, que recuperaram também a faca, que tinha sido deitada fora durante a fuga.

Segundo a PSP, o objetivo do homem quando entrou na escola era jogar à bola com os alunos. Ninguém no seu perfeito juízo entra numa escola para jogar à bola, armado com uma faca que rapidamente sacou para atacar. Esfaqueou um podia ter esfaqueado mais, o que nos leva a pensar como é que está a ser feita a segurança das nossas escolas. Este homem acabou acusado dos crimes de introdução em lugar vedado ao público, ameaças a funcionário e agressão com arma branca a um aluno e terá de comparecer na terça-feira no Tribunal de Almada, no distrito de Setúbal. Continua na minha cabeça que aquele homem entrou ali com um objetivo muito específico, com intenções de atacar alguém, mas que não conseguiu finalizar a sua intenção. Haverá  algum tipo de relação familiar deste homem com algum dos alunos desta escola, ou foi uma escolha aleatória? Estou curiosa sobre esse facto, porque me parece muito estranho.

Numa outra escola, em Felgueiras, um aluno de 16 anos atacou um professor de 46, batendo-lhe com um ferro na cabeça. O ataque aconteceu na manhã desta segunda-feira, dentro de uma sala de aula da Escola Básica 2,3 de Lagares. A agressão terá acontecido depois de uma chamada de atenção do professor ao aluno, por este ter tido um comportamento “impróprio” com um colega. Alertado que seria alvo de um processo disciplinar, o aluno saiu da sala e regressou no final com um ferro, com o qual agrediu o professor. A vítima foi transportada para o hospital de Penafiel, já depois das 10h00. Uma patrulha da GNR foi chamada à escola e localizou e identificou o estudante, que frequenta o ensino especial.  O tutor do jovem foi informado do caso, que foi remetido pela GNR ao Ministério Público.

Poderia aqui relatar vários casos, apenas deste ano, mas aproveito apenas para acrescentar ainda o caso de um aluno que devido a uma "brincadeira", foi severamente agredido e ficou com lesões graves. O rapaz de 13 anos, aluno na EB 2,3 de Alfena, em Valongo, foi agredido com violência por três colegas, acabando por ficar inconsciente. A agressão aconteceu na passada terça-feira, à hora do almoço, e o estudante agredido teve de ser transportado para o Hospital de S. João, no Porto. Aqui o que salta logo à vista é que a reação à suposta "brincadeira", não foi de um, mas de três.

Não sabemos o que se passou em concreto, mas logo à partida há aqui uma óbvia desvantagem. Outro fator é a falta de funcionários que consigam por fim a estas situações rapidamente. Quem conhece a realidade das escolas, sabe bem do que estou a falar. Há formação, mas ainda falta muita preparação para lidar com estas situações. E o pior é que muitas vezes, os agressores estão identificados por casos menos graves, mas espera-se que algo corra muito mal para colocá-los fora da escola. Terá sido o primeiro ataque destes alunos? Fica aqui a minha questão.

De acordo com o pai, Ricardo Sousa, o rapaz sofreu ferimentos sobretudo na zona da cabeça. "Tem a boca rebentada por dentro, partiram-lhe um dente e abalaram mais três. Fizeram-lhe uma TAC e detetaram uma lesão no cérebro. Ainda vai fazer mais exames para ver como evolui", referiu o encarregado de educação, que apresentou queixa na GNR. 

Tudo terá começado na cantina da escola, quando os alunos se preparavam para almoçar. O pai, conta como tudo se terá passado, de acordo com a versão do filho e de outros colegas que assistiram: "Foi uma brincadeira, em que supostamente o meu filho tirou o chapéu da cabeça de um amigo. Mas nada justifica tamanha violência; o miúdo foi brutalmente agredido" por colegas de "13, 14 e 15 anos", afirma Ricardo Sousa, referindo que o rapaz, que frequenta o 7.º ano, "levou chutos ou murros na cabeça e ficou inconsciente". Na sequência das agressões, o educando "nem sequer consegue comer ou falar", lamenta. Ricardo Sousa denunciou nas redes sociais as agressões de que o filho foi alvo, com o objetivo de lançar um alerta para situações análogas. "Quero alertar os outros pais, porque podia ser o filho de qualquer pessoa, e podia-se ter matado uma criança", diz, adiantando que foi informado que "os alunos foram suspensos" e que a escola "está a fazer averiguações internas". Nestes casos, mesmo que os danos não sejam tão graves como o deste aluno, os pais têm um papel preponderante, para que se acabe com estas situações. O problema aqui é mesmo manter a calma e não lhes dar um tratamento igual. 

Mas hoje as notícias referentes à violência e a ataques em escolas não se centram apenas em Portugal. No Afeganistão, país onde domina o regime Talibã, oitenta raparigas foram envenenadas em ataques a duas escolas. Até agora, não está claro quem é o culpado, quais são suas motivações, nem o possível tipo de veneno usado contra as crianças.

Fontes:

https://www.dn.pt/sociedade/homem-detido-depois-de-ter-entrado-numa-escola-em-almada-munido-de-uma-faca-16481816.html

https://sicnoticias.pt/pais/2023-06-05-Felgueiras-aluno-de-16-anos-ataca-professor-com-ferro-dentro-de-escola-33ea6faf

https://clubefmradio.com/noticia/1393484/professor-agredido-na-cabeca-por-aluno-em-escola

https://veja.abril.com.br/mundo/pelo-menos-80-meninas-foram-envenenadas-em-escolas-no-afeganistao

https://www.jn.pt/justica/aluno-de-13-anos-de-escola-de-alfena-foi-agredido-por-colegas-e-ficou-inconsciente--16459742.html

https://tvi.iol.pt/noticias/envenenamento/ataque/quase-80-raparigas-envenenadas-em-escolas-primarias-do-afeganistao/20230605/647dcf9ed34ef47b87549b0d

 

22/03/2023

Sismo em zona de guerra: Paquistão e Afeganistão

Na madrugada desta terça-feira, ocorreu um sismo que atingiu a índia, o Afeganistão e o Paquistão. Numa zona fortemente afetada por constantes conflitos, este evento acabou por afetar a população de forma muito negativa.


No distrito de Swat, no Paquistão, pelo menos 150 pessoas ficaram feridas e os hospitais declararam estado de emergência. Também as unidades de saúde do Afeganistão estão em alerta. segundo dados divulgados pelo Governo paquistanês. Entre as vítimas mortais estão duas crianças.


E do lado afegão, pelo menos quatro pessoas morreram e 70 ficaram feridas. Por enquanto, ainda se fazem buscas, por isso estes números podem aumentar.


O terramoto atingiu uma magnitude de 6,5 na escala de Richter e o seu epicentro localizou-se a 40 quilómetros a sudeste de Jurm, na cordilheira Hindu Kushno que se localiza no nordeste do Afeganistão. O abalo - que durou cerca de 30 segundos - teve origem a 187,6 km de profundidade.


O sismo foi sentido numa área de 1000 quilómetros quadrados que chegou também ao Uzbequistão, Tajiquistão, Cazaquistão, Quirguistão e Turcomenistão. Esta zona já está a viver uma crise humanitária provocada pela guerra, pela pobreza generalizada e falta de recursos da população, e que agora se agrava com a ocorrência deste sismo.


 


Fontes:


https://sicnoticias.pt/mundo/2023-03-22-Sismo-no-Afeganistao-e-Paquistao-faz-pelo-menos-13-mortos-0771014a


https://sicnoticias.pt/mundo/2023-03-21-Forte-sismo-atinge-Afeganistao-abalo-sentido-no-Paquistao-e-na-India-6e491aca


https://www.tsf.pt/mundo/sismo-de-magnitude-65-atinge-afeganistao-16046006.html


 


 

12/02/2023

Infâncias perdidas - as vítimas perdidas das guerras

Há meninos que vão à escola. Há meninos que fazem birras porque não querem comer a sopa. Há meninos que brincam com carrinhos, constroem puzzles e pintam desenhos coloridos.


Há meninos que são levados em tenra idade e que são sujeitos às maiores atrocidades. Há meninos que em vez de desenhos animados assistem a execuções. Há meninos que são recrutas em ”campos infantis” por toda a Síria e pelo Iraque e fazem parte do Daesh. 


Assinala-se hoje o Dia Internacional contra o Uso de Crianças-soldado. Segundo o mais recente levantamento feito pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, 56 das atuais 57 entidades em guerra têm utilizado crianças nos seus exércitos. Em 2014, foram identificadas oito nações onde as crianças são recrutadas pelas forças de segurança: Afeganistão, Chade, Mianmar, Somália, Sudão do Sul, Sudão e Iêmen. Em países como Iraque e Síria, crianças permanecem vulneráveis ao recrutamento por conta da proliferação de entidades armadas e avanços do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL). No Sudão do Sul, os conflitos internos ainda afectam jovens e, no Iêmen, a participação e o uso de crianças pelas partes em conflito tornaram-se amplamente disseminados desde a escalada das tensões, em Março de 2015.


Há meninos que brincam ao faz-de-conta com armas feitas de pau e cantam "rei, capitão, soldado, ladrão..." e há meninos que gritam antes de dispararem armas verdadeiras, numa idade em que ainda não deveriam saber que a morte é irreversível. Estas crianças são usadas como bombistas suicidas ou para ”transportar armas e material médico nos confrontos”. Enquanto as meninas são vendidas ou entregues aos soldados do Daesh como presentes,  os rapazes são sujeitos a treino religioso e militar, onde aprendem a disparar armas e são obrigados a assistir a vídeos de decapitações.


Em 2016, pensa-se que terão sido 89 as crianças entre os oito e os 18 anos que morreram nas fileiras do Daesh durante um ano. O autoproclamado Estado Islâmico chama-lhes "as crias do califado". São meninos e meninas, provenientes na sua maioria da Síria mas que acabam por morrer em solo iraquiano: 60% dos jovens terá entre 12 a 16 anos, enquanto apenas 6% estão entre os oito e os 12 anos. São tratados como qualquer outro soldado. Estudos apontam para que 39% das crianças que faleceram em nome do Daesh iam a conduzir um veículo armadilhado, enquanto 33% foram mortas como peões no campo de batalha. Os números são ainda mais aterradores quando se descobre que 18% dos rapazes não tinham sequer quaisquer planos de sobreviver, sendo parte de inghimasis, ataques onde os jiadistas mergulham para lá das linhas do inimigo com a intenção de causar o maior número de baixas até eles próprios serem mortos.


Em 2017, no programa Grande Reportagem (SIC) com o título "Crianças no Daesh" de Henrique Cymerman, filmada na zona de Mosul no Iraque, podemos ver (se bem que não serei nunca capaz de compreender) o drama de milhares de meninos raptados pelo Estado Islâmico e transformados em terroristas suicidas e soldados, logo a partir dos três anos. Este excelente trabalho de reportagem mostra como uma equipa de resgate tenta libertar das mãos do ISIS crianças e meninas dos 3 aos 15 anos. São crianças e adolescentes que passaram longos períodos nas mãos do Daesh, movimento que chegou a controlar metade da Síria e metade do Iraque. Um dos meninos era Akram, com apenas 10 anos, que mostra aos repórteres como os homens do Estado Islâmico o ensinaram a matar e a cortar o pescoço de seres humanos, começando os "treinos" com bonecas, depois com gatos, cães, e por fim, com pessoas. Akram diz acerto ponto: "Se continuarem a falar em inglês vou ter de os matar."


Segundo uma denúncia das Nações Unidas, em 2022, as autoridades iraquianas mantinham detidas mais de um milhar de crianças (1091), algumas delas com apenas nove anos, acusadas de serem uma ameaça à segurança do Estado e de pertencerem ao Daesh. De facto, a esperança dos líderes do autoproclamado Estado Islâmico é que, mesmo se a organização eventualmente for derrotada, a “missão” pode continuar através de uma nova geração de jiadistas, através dos milhares de crianças que já foram doutrinadas com os seus ensinamentos.


Está tudo errado. 


Estas crianças, são vítimas de guerra. Nunca pediram para estar ali... nunca pediram para que lhes fosse posta uma arma nas mãos... não puderam ser crianças, não puderam brincar, sorrir, cantar, sonhar...


Fontes:


https://visao.pt/atualidade/mundo/2016-01-10-as-criancas-sao-o-futuro-ate-no-daesh/


https://expressodasilhas.cv/mundo/2016/02/27/uma-infancia-a-combater/47798


https://www.publico.pt/2022/02/19/mundo/noticia/mil-criancas-presas-ligacoes-terrorismo-iraque-1996110


https://sicnoticias.pt/programas/reportagemsic/2017-07-14-Criancas-no-Daesh-uma-infancia-roubada


 

30/09/2021

Afegãos em Portugal e a seleção juvenil de futebol feminino

O Afeganistão está, mais uma vez, sob domínio de fundamentalistas islâmicos, tornando-se a cada dia a situação insustentável para todos, muito em especial para os jovens. Vivendo num país livre, não me consigo imaginar sujeita a todas as limitações que as mulheres sofrem no Afeganistão e noutros países onde os direitos humanos não são respeitados, nem tão pouco os direitos das mulheres, dos jovens e das crianças do país. "O cerco do Talibã em Cabul ocorre 20 anos depois do grupo extremista" ter sido expulso da capital afegã pelos Estados Unidos, que invadiram o país apenas alguns dias depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, às Torres Gémeas.

As jogadoras da Seleção Feminina de futebol do Afeganistão,  viram o seu sonho de poderem continuar a joga à bola desmoronar-se desde o avanço dos talibãs, em agosto deste ano. O medo, levou-as a "abandonarem as suas casas, escaparem de perto dos vizinhos que sabiam do seu papel como futebolistas, e apagarem qualquer vestígio desse histórico." 

As jovens atletas, perceberam que se queriam continuar a defender o desporto e a liberdade a ele inerente, não poderiam permanecer no seu país. A questão era acima de tudo a sua sobrevivência, uma vez que "muitas delas eram facilmente identificáveis como ativistas e defensoras dos direitos das mulheres e a confiança nas promessas dos novos governantes de que respeitarão as minorias e os opositores é escassa, se não inexistente."

A fuga do país aconteceu finalmente, depois de várias tentativas frustradas. Entre cerca de 80 pessoas no total iam as 26 jovens (entre 14 e 16 anos), "foram sendo passadas de casa em casa, escondidas enquanto figuras como Robert McReary, que trabalhou no gabinete do Presidente George W. Bush e com forças especiais americanas no Afeganistão, e Nic McKinley, um ex-membro da CIA que agora gere um grupo humanitário para realojar afegãos, coordenavam um plano de fuga – Operação Bolas de Futebol – com aliados no terreno e com os próprios talibãs."

Deixaram para trás tudo o que tinham, incluindo as famílias. "Na retaguarda estava Farkhunda Muhtaj, capitã da seleção afegã feminina, que vive agora no Canadá e ajudou a coordenar a operação. Era ela quem falava com o grupo regularmente para manter a calma e dar-lhes esperança." 

Quando lhes informaram que tinham uma janela de oportunidade de apenas 3 horas para poderem deixar o país, não olharam para trás. "Conseguiram finalmente sair do Afeganistão a bordo de um voo charter" a caminho de Portugal, país de onde é originário um dos seus ídolos. Portugal deu-lhes asilo e a possibilidade de continuarem a treinar.

No dia 19 de setembro aterraram em Lisboa e tinham à sua espera a "capitã da seleção nacional de futebol do Afeganistão, que participou na operação de resgate das meninas a partir da sua casa no Canadá."

 

Fontes:

https://rr.sapo.pt/noticia/pais/2021/09/23/selecao-feminina-do-afeganistao-feliz-e-pronta-para-sonhar-em-portugal/254214/

https://www.cm-tv.pt/atualidade/detalhe/sinto-me-livre-jovens-da-selecao-de-futebol-feminino-afega-refazem-a-vida-em-portugal

https://ge.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/selecao-feminina-do-afeganistao-teme-pela-vida-apos-retorno-do-taliba-ao-poder-afirma-ex-capita.ghtml

 

05/09/2021

Linhas fronteiriças em guerra - ataque Talibã

Um bombista suicida numa motorizada carregada de 6 kg de explosivos foi contra um comboio da polícia, num posto fronteiriço em Quetta, capital da província de Baluchistão, na fronteira com o Afeganistão. Segundo as autoridades locais, citadas pela CNN, o ataque foi levado a cabo por um bombista suicida e já foi reivindicado pelo movimento talibã no Paquistão. Três pessoas morreram, uma delas o atacante e 15 ficaram feridas.

O que significa a morte para estas pessoas? De que tamanho é o seu ódio, a sua cólera?

O pior ataque realizado este ano pelo grupo militante foi em abril, quando uma explosão fora de um hotel de luxo em Quetta matou quatro pessoas e feriu outras 12. Em agosto de 2016, um ataque contra um hospital civil fez 70 mortos e 56 feridos. Na ocasião, a deflagração de um engenho explosivo fez um morto e um ferido grave, levado para o hospital. Depois disto, vários homens armados abriram fogo no hospital. A maioria dos feridos foram advogados e jornalistas que tinham ido saber notícias ao local, ou seja, foi usado um engodo para os juntar numa mesma área para causar o amior dano possível.

Esta província tem visto uma insurgência de décadas de separatistas que exigem a independência do Paquistão, citando o que eles dizem ser o monopólio do estado e a exploração dos recursos minerais da província.

Fontes:

https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/ataque-suicida-atinge-soldados-na-cidade-paquistanesa-de-quetta/

https://brasil.elpais.com/noticias/atentados-suicidas/

https://www.abogacia.es/pt/actualidad/noticias/al-menos-53-muertos-en-el-atentado-contra-abogados-en-un-hospital-de-quetta-pakistan/

https://rr.sapo.pt/noticia/mundo/2021/09/05/atentado-no-paquistao-provoca-pelo-menos-tres-mortos-e-20-feridos/252013/


 


 

17/08/2021

Fuga do Afeganistão: em busca da liberdade, ou ficar à espera da morte?

Os soldados americanos estiveram presentes no Afeganistão durante vários anos, mas agora, vão sair. Segundo Joe Biden, o objetivo dos EUA nunca foi construir uma democracia no país, mas derrotar os terroristas responsáveis pelos ataques de 11 de setembro e garantir que a Al-Qaeda não pudesse novamente usar o Afeganistão como base para atacar os Estados Unidos.


O país, fica assim entregue à sua sorte, regressando às mãos (ou ao poder das armas) dos Talibãs, depois de 20 anos, conduzindo a uma tentativa de fuga em massa da população.


 Os Estados Unidos, que assumiram o controle aéreo do terminal aéreo, retomaram os seus voos militares destinados a repatriar cidadãos americanos, pessoal diplomático e milhares de afegãos que trabalharam com as suas forças. 


Nas televisões, vê-se o aeroporto de Cabul, cheio de gente aflita. Desesperada mesmo, pela sua (falta de) sorte, pelo medo de morrer. Os soldados norte-americanos e franceses selecionam quem poderá embarcar num dos voos de repatriação. Pais separam-se dos filhos. Muitos tentaram embarcar em aviões civis que não descolaram e tentaram parar aviões militares em que não conseguiram embarcar. O primeiro avião alemão que iria buscar cidadãos do país, teve que ser desviado para o Uzbequistão. Centenas de pessoas cercaram um avião militar que estava a sair e agarraram-se onde conseguiram do lado de fora. O avião descolou e acabaram por cair enquanto a aeronave ganhava altura. Pelo menos sete pessoas morreram no aeroporto, algumas delas após cairem do avião. 


Homens e mulheres, com o sentimento de tristeza por terem de deixar tudo para trás, sentem também culpa, por abandonarem o seu país. O DN conta-nos a história de Jibran, que teve de deixar toda sua vida para trás. O simples facto de trabalhar como motorista para uma empresa estrangeira torna-o suspeito aos olhos dos talibãs, explica. "Saí do Afeganistão apenas com a roupa que trazia no corpo e com a minha família. Fui direto do trabalho para casa. Tranquei a porta e seguimos para a embaixada da França", conta este homem com cerca de 40 anos. Nos bolsos, carregava sete passaportes - o dele, o da esposa e os dos cinco filhos - e 2000 afegâni (moeda afegã), correspondente a menos de 20 euros.


Outro caso relatado é o de Masud, que conseguiu fugir com a esposa e quatro filhos. Repórter fotográfico em Jalalabad, cidade do leste do Afeganistão que foi alvo de atentados dos talibãs e do Estado Islâmico nos últimos anos, estava em Cabul quando os talibãs entraram na cidade. A família fugiu de carro e conseguiu encontrar-se com ele na embaixada. O grupo escapou o mais rápido possível, sem mala, nem sequer uma fralda para o bebé de dois meses e meio.


A memória que têm da anterior ocupação Talibã, fá-los fugir sem olhar para trás, sem nada. Centenas acabam por entrar pela rampa da cauda de um avião de carga militar - 640 afegãos saíram do aeroporto de Cabul, capital do Afeganistão, com destino ao Catar este domingo. Apesar da carga, e do risco que corriam, os pilotos do C-17 decidiram descolar. De acordo com a revista, o modelo de avião da Boeing teria capacidade para acomodar 134 soldados com os seus equipamentos, embora pudesse aguentar uma carga de 800 pessoas.


A informação foi confirmada nesta segunda-feira por um porta-voz militar do Comando Central dos EUA: “O número incomum de passageiros a bordo deste avião que deixou o HKIA (Aeroporto Internacional Hamid Karzai) naquela noite foi o resultado de um ambiente de segurança ativo que exigia uma rápida tomada de decisões por parte da tripulação, o que, em última instância, garantiu que esses passageiros fossem retirados do país com segurança”, disse a Tenente Coronel Karen Roxberry dos EUA.


Sobre a saída dos soldados americanos deste território, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que já há relatos arrepiantes de abusos de Direitos Humanos em todo o Afeganistão e que está particularmente preocupado com a situação das mulheres e meninas.




 



 


Fontes:


https://www.dn.pt/internacional/fugir-do-afeganistao-viagem-marcada-pelo-medo-violencia-e-culpa-14054840.html


https://brasil.elpais.com/internacional/2021-08-17/a-fuga-de-640-afegaos-a-bordo-de-um-aviao.html


https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2021/08/16/afegaos-desesperados-invadem-aeroporto-de-cabul-e-se-agarram-a-aviao-para-fugir-do-taliba.ghtml


 


 

29/12/2020

Refugiados - uma realidade que não se pode deixar esquecida

Atualmente, cerca de 80 milhões de pessoas estão deslocadas. Isso representa 1% da população mundial. Desse total, quase metade é composta por crianças. A situação dos refugiados, é uma realidade que não pode ser esquecida. Mesmo perante o Covid ou, sobretudo, também devido à crise que o próprio Covid provocou também nestes países.


A ajuda huminatária, essencial para garantir a sobrevivência de milhões de pessoas, não chega a todos os lugares. A população de refugiados do Sudão do Sul é a maior da região e uma das mais vulneráveis. Cerca de 2,3 milhões de refugiados vivem em condições extremamente precárias, agravadas pela pandemia COVID-19.


Hoje vamos perceber quais são alguns dos países mais afetados A situação de segurança e humanitária na República Democrática do Congo (RDC) continuou a deteriorar-se, principalmente no leste, palco de uma das mais complexas e longas crises humanitárias permanentes na África. 


A situação na Somália é uma das crises de deslocamento mais antigas do mundo, fruto de um conflito armado em curso. Muitas pessoas continuam a precisar de assistência humanitária urgente e mais de 778.000 refugiados somalis em países anfitriões também continuam a contar com proteção, assistência e apoio na busca por soluções duradouras. Muitos dos deslocados testemunharam atrocidades e mulheres foram vítimas de violência sexual.


Milhares de pessoas foram forçadas a deslocar-se internamente no Iraque depois das suas terras terem sido confiscadas e suas casas e meios de subsistência terem sido destruídos. Existem cerca de 1,4 milhão de deslocados internos no Iraque, mais da metade dos quais vivem deslocados há pelo menos três anos. Há também cerca de 278.600 refugiados iraquianos no Egipto, Jordânia, Líbano, Síria e Turquia.


No caso do Afeganistão, a crise já dura aproximadamente 50 anos e os afegãos são a segunda maior população de refugiados. Em 2020, o país tornou-se o terceiro com maior número de pessoas forçadas a procurar outras regiões onde viver. Com 2,5 milhões de refugiados, 2,8 milhões de deslocados internamente e 240 mil requerentes de asilo, o país está atrás apenas de Síria (com 6,8 milhões entre refugiados e requerentes de asilo e 6,7 milhões de deslocados internamente) e da Venezuela (com 4,9 milhões de deslocados ao todo).


 


Fontes:


https://news.un.org/pt/story/2020/07/1721671


https://csvm.ufg.br/n/146023-para-onde-vao-os-refugiados-afegaos


 

12/02/2019

Dia Internacional contra o uso de Crianças-soldado

12 de fevereiro foi a data escolhida para alertar a comunidade internacional para esta trágica e chocante realidade que afeta  centenas de crianças que continuam a ser raptadas, abusadas e utilizadas em conflitos armados. Entende-se por criança-soldado qualquer pessoa que tenha menos de 18 anos e faça parte de qualquer tipo de força armada organizada ou não organizada. A definição refere-se também a crianças que usem ou tenham usado armas e aplica-se a crianças que possam ter desempenhado no grupo armado funções tão diversas como transportar equipamentos, cozinhar ou servir de mensageiros. Neste momento, a definiçaõ inclui também as raparigas que tenham sido recrutadas para fins sexuais ou para «casamentos» forçados.


Estima-se que existam cerca de 250 mil crianças soldados, recrutadas à força em conflitos armados em mais de 20 países em todo o mundo. Estes meninos e meninas perdem o direito a brincar, a sonhar, a ser crianças. Estas crianças, correm sérios riscos de rapto, mutilação ou de morte, de serem recrutadas como soldados, de exploração e abusos sexuais. Ficam ainda privadas do acesso à saúde, à escola, ou mesmo a uma casa. Em 2007, durante a Conferência Internacional de Paris sobre as Crianças-soldado, os 58 países presentes comprometeram-se a lutar pela libertação incondicional destas crianças. Entre os compromissos assumidos num documento que resultou da conferência, pede-se aos Estados que as crianças-soldado sejam vistas como vítimas antes de serem acusadas de crimes aos olhos do direito internacional. A fragilidade dos acordos de paz assinados pelas partes envolvidas nos conflitos e tantas vezes violados também contribui para o fracasso da tentativa de desmobilização das crianças-soldado. Acresce que muitas das crianças ex-soldado quando regressam a casa não têm já uma estrutura familiar à sua espera.


No Afeganistão, as crianças chegam a ser usadas como bombistas suicidas, para fabricar armas ou transportar explosivos. Crianças e jovens em condições mais vulneráveis são os alvos preferenciais de governos, regimes e grupos armados. A guerra é apresentada como ato de heroísmo, no “marketing militar”.  o recrutamento de crianças é sempre muito fácil e a sua preparação para o campo de batalha torna-se muito simples. Elas são facilmente aliciadas – quando não raptadas –, facilmente treinadas para cumprir as ordens mais atrozes, são mais obedientes, não questionam ordens, são manipuláveis e sobretudo mais controláveis. A sua imaturidade não lhes permite ter discernimento sobre os atos que cometem, não são capazes de medir as consequências das suas ações, nem valorá-las, pois os mecanismos de limitação de comportamento estão ainda em fase de desenvolvimento pelo que, nos ambientes mais hostis, tomam atitudes que não seriam tão facilmente tomadas por adultos.


No Iraque e na Síria, as crianças com 12 anos, são submetidas a treino militar, sendo posteriormente usadas como informantes ou em patrulhas, em postos de controlo ou para guardar pontos estratégicos. Em alguns casos, também são utilizadas como bombistas suicidas ou para levar a cabo execuções. Na República Democrática do Congo, cerca de duas mil crianças estão a ser utilizadas por grupos armados sobretudo nas províncias orientais do Kivu do Norte e do Sul. 


Cerca de 40% das crianças soldados são meninas. A maioria sofre violência sexual. Se conseguem fugir, podem enfrentar o preconceito da família por terem sido violadas. O Boko Haram, responsáveis pelo sequestro de 276 meninas, em janeiro de 2015 usa uma  “menina-bomba”, de apenas 10 anos, num atentado a um mercado da cidade de Maiduguri, nordeste da Nigéria.  Na Colômbia, o alistamento voluntário de meninas é um modo de empoderamento e fuga de situações de violência, mas violência e discriminação acompanham-nas durante o período junto ao grupo armado e na sua reinserção na sociedade.


No Uganda, após o golpe de estado na República Centro-Africana, em 24 de Março de 2013, tornou-se mais difícil para as crianças-soldado ugandesas – raptadas para ingressarem nos grupos rebeldes que atuam naquele país– regressarem à sua terra natal.


 

Fontes:


https://www.acegis.com/2016/02/dia-internacional-contra-a-utilizacao-de-criancas-soldado/


https://www.apagina.pt/?aba=7&cat=166&doc=12279&mid=2


https://veja.abril.com.br/mundo/aos-12-anos-fui-uma-crianca-soldado


https://www.acn.org.br/republica-centro-africana-impede-o-retorno-de-criancas-soldados-ugandesas/


https://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/27808


 

16/06/2018

Atentado em Cabul, no Afeganistão

Um atentado suicida deixou pelo menos vinte e cinco mortos e mais de cinquenta feridos na zona oeste da capital, Cabul. O Estado Islâmico assumiu a autoria deste ataque que ocorreu um dia antes da data prevista para o cessar-fogo anunciado pelo grupo Talibã, no último sábado. Este acordo, seria o primeiro do género em sete anos de conflitos após a ação dos Estados Unidos no país.


A multidão celebrava este cessar-fogo e pouco tempo antes dezenas de membros dos Taliban desarmados entraram em Cabul e em outras cidades do Afeganistão para celebrar o cessar-fogo, que coincide com o fim do jejum do Ramadão, com soldados e militantes trocando abraços e fazendo "selfies". Os Taliban, com as vestes tradicionais, entraram em Cabul pelos portões do sul e sudeste da cidade. Formaram-se vários engarrafamentos, com as pessoas a parar para tirar fotos dos combatentes com as suas bandeiras. Estes estariam desarmados, uma vez que tinham entregue as suas armas ao entrar na cidade.


Penso que é muito importante tentarmos perceber o que se passa noutros locais do mundo, mais não seja para podermos valorizar a segurança em que parece que vivemos. Este tipo de atentados são muito comuns no Afeganistão, onde diferentes grupos se debatem pelo controlo do país. Neste caso, um ato de festejo pelo cessar fogo de poucos dias, levou a pelo menos dois ataques. O de hoje e o de sábado passado.


 


Fontes:


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/pelo-menos-25-pessoas-morreram-e-54-ficaram-feridas-em-atentado-no-afeganistao_n1082164


https://exame.com/mundo/estado-islamico-reivindica-ataque-que-matou-26-pessoas-no-afeganistao/


 

30/04/2018

Jornalistas e crianças - as vítimas dos ataques suicidas no Afeganistão

Os jornalistas, operadores de câmara e fotógrafos são aqueles que avançam para as zonas de conflito, enquanto outros tentam fugir. Tentam ser dos primeiros a chegar e por isso, colocam diariamente as suas vidas em risco. Tudo isto para que nas redações dos seus jornais não faltem as notícias.


Estão lá em direto, com risco da sua própria vida e com a esperança de que um colete com a palavra PRESS estampada os distinga e os salve das balas e dos fragmentos das explosões.  Espera-se que haja respeito pela profissão, que entre amigos e inimigos, se respeite o seu direito a trabalhar - ali, entre fações contrárias - naquele local, naquele momento.


Durante o tempo que estão a desempenhar as suas tarefas, são também eles alvos fáceis, (às vezes demasiado fáceis) e esquecemo-nos que sem o seu trabalho, não saberíamos o que se está a passar nestes países. Não lhes damos o devido valor, mas eles são também heróis.


Hoje vários destes heróis morreram. Assassinados quando uma explosão sincronizada das bombas de dois terroristas suicidas fez, pelo que se sabe até agora, 25 mortos – nove deles jornalistas, segundo o Comité de Segurança dos Jornalistas Afegãos (AJSC), citado pela agência EFE – e quase 40 feridos no centro de Cabul. 


Estes jornalistas estavam no local a cobrir uma primeira explosão que tinha acontecido pouco tempo antes nas proximidades do escritório do Serviço de Inteligência (NDS), muito perto de uma escola de inglês no bairro de Shash Darak. Dessa explosão resultaram quatro mortos e cinco feridos, todos civis. O bairro de Shash Darak abriga a sede da NATO e os escritórios de várias ONGs internacionais. O chefe da polícia de Cabul, Dawood Amin, disse numa mensagem pública que a segunda explosão aconteceu perto do local onde um grupo de jornalistas se tinha reunido enquanto esperavam atrás de um cordão de segurança a centenas de metros de distância do local do primeiro ataque.


Cerca de meia hora após o atentado original, um homem-bomba que portava uma câmera e fingia ser jornalista, levando uma câmara ao ombro, fez-se explodir.


Segundo um comunicado do Estado Islâmico, os "apóstatas das forças de segurança, dos meios de comunicação e outras pessoas foram para o local da operação, onde um segundo irmão camicase os surpreendeu com seu colete explosivo”. 


O primeiro-ministro afegão, Abdullah Abdullah referiu que estava "muito triste com o ataque terrorista de segunda-feira contra civis e jornalistas em Cabul. Um ataque aos meios de comunicação é um ataque à democracia e uma tentativa de silenciar a voz daqueles que não tem voz”.


Dos que tentavam dar voz ao povo e foram assassinados, conta-se Shah Marai, fotógrafo da agência France Presse (AFP) que deixa mulher e seis filhos - o mais novo com apenas semanas de vida, Khair Muhammad, da rede afegã Tolo News, e Ebadullah Hananzai, da emissora Azadi Radio. O fotógrafo Shah Marai, da A. France Press, o cinegrafista Nawroz Rajabi e o repórter Ghazi Rasouli da ITV, foram mortos no ataque. Um jornalista da Jahan TV, que ainda não foi identificado, também morreu.


Ainda hoje, um outro ataque levou à morte de mais inocentes: 11 crianças perderam a vida e outras 17 pessoas ficaram feridas, entre elas cinco soldados romenos da NATO. Tudo se deveu a um ataque suicída, contra um comboio das forças aliadas na província de Kandahar, no sul do Afeganistão. O suicida detonou um carro-bomba contra o comboio da NATO quando este passava perto de uma mesquita, causando uma forte explosão que derrubou um muro fino que cercava o pátio do centro religioso, no bairro de Daman. As crianças, que estavam no pátio da mesquita, perderam a vida quando foram atingidas por estilhaços e esmagadas por pedaços do muro destruído pela explosão.


Num outro ataque assumido pelo grupo jihadista, há uma semana, um ataque suicida contra um centro de registro eleitoral no oeste de Cabul, fez 69 mortos e 120 feridos. Um dos piores ataques deste ano, ocorreu no fim de janeiro pelos talibãs com uma ambulância-bomba que explodiu em plena rua em um bairro central de Cabul, matando mais de cem pessoas. Em qualquer dos casos, houve um aproveitamento da confiança das pessoas para provocarem ainda mais mortes.


Fontes:


https://brasil.elpais.com/brasil/2018/04/30/internacional/1525065943_395987.html


https://oestecapital.clicrdc.com.br/Blog/Geral/Duplo_ataque_a_bomba_mata_25_no_Afeganist%C3%A3o;_6_s%C3%A3o_jornalistas


https://www.bemparana.com.br/exterior/serie-de-ataques-no-afeganistao-mata-11-criancas-e-9-jornalistas-que-noticiavam-atentado/

24/02/2018

Vários ataques no Afeganistão - o dia a dia da população

No Afeganistão, a instabilidade continua a ser visível após uma série de novos ataques. O ano ainda vai no início e já são vários os casos retratados nas notícias. Começa quase a ser uma banalidade, de tão frequente que é, mas isto não pode ser considerado como rormal. Mas o que é que nós podemos fazer? Basicamente, nada, a não ser continuar a divulgar, noticiar e não deixar cair no esquecimento.


O que é que nós temos a ver com isto? Talvez nada ou talvez tudo. Não sei e isso agora não importa, porque o que aqui está em causa é a morte de pessoas que estavam apenas a viver a sua vida, a tentar ter uma vida normal, mais um dia normal...


Um bombista suicida matou hoje pelo menos duas pessoas e feriu outras sete após se fazer explodir em Cabul. O ataque ocorreu na área de Shash Darak, perto da sede da NATO e não muito longe da embaixada dos Estados Unidos. O grupo Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade pelo ataque de Cabul num comunicado publicado seu site.


Pelo menos 18 soldados foram mortos num atentado na província ocidental de Farah e outros dois ficaram feridos. O número de mortos poderá aumentar nas próximas horas. Neste caso tratou-se de um posto de controlo que foi atacado por insurgentes talibãs. Num comunicado, o porta-voz dos talibãs, Qari Yusouf Ahmadi, afirmou que este ataque foi da responsabilidade do grupo.




 

Um outro bombista suicida atacou perto de outra base militar na capital de Helmand, Lashkar Gah, sendo que uma pessoa dos serviços de segurança foi morta e outros sete civis ficaram feridos. O porta-voz dos talibãs informou também que ambos os ataques suicidas em Helmand foram de responsabilidade do grupo.

 

Segundo o relatório anual da ONU, em 2017, perto de 3,5 mil pessoas morreram e cerca de 7 mil sofreram ferimentos. Os números representam uma descida em relação ao ano anterior. É a primeira vez que isso acontece desde 2012. A ONU refere ainda que ataques suicidas e bombas caseiras causaram o maior número de mortos e feridos, mostrando a intenção de atingir civis, não poupando mulheres nem crianças. Segundo dados da mesma entidade, a responsabilidade em 65% dos casos, é atribuída às forças que lutam contra o governo. Seguem-se os Talibã, culpados por 42% vítimas. O movimento terrorista autodenominado Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, foi responsável por 10% das vítimas. Noa no passado, 2017, o maior ataque foi o de 31 de maio, em Cabul, quando um homem-bomba causou a morte de 92 pessoas e feriu perto de 500. 

 

 

Fontes:



 

27/01/2018

Ambulância usada em ataque causa mais de 100 mortos

O uso de uma ambulância armadilhada em Cabul foi a forma de cometer um dos maiores massacres feitos pelo grupo Talibã, tendo causado, pelo menos 103 mortos e 235 feridos.


O alvo exato dos terroristas ainda não está claro. A explosão, deu-se num dos bairros centrais de Cabul, próximo do Ministério do Interior, da sede da polícia e da delegação da União Europeia (UE) na capital afegã. Vários departamentos do ministério ainda funcionam na antiga sede, que fica perto de um escritório dos Diretório Nacional de Segurança, a principal agência de inteligência do Afeganistão.


A região onde aconteceu o atentado está repleta de lojas e mercados, que estavam lotados.


O bombista suicida utilizou uma ambulância para passar as primeiras barreiras de segurança, indicando que levava um paciente para o hospital Jamuriate, nas proximidades.


Na segunda barreira, ao ser identificado, detonou a carga explosiva que levava a bordo da viatura. Este homem, foi considerado um mártir pelo porta-voz do grupo Talibã. Testemunhas indicam um mar de sangue e de destroços, com o número de vítimas a ultrapassar já a capacidade dos hospitais.


A utilização de uma ambulância em atentados é um dos cenários mais temidos pela segurança que têm por costume verificar todas as ambulâncias de forma exaustiva nos postos de controlo, com o interior vasculhado enquanto o condutor é obrigado a sair da viatura.


Os ataques têm sido muito comuns nos últimos dias e o número de mortos e de feridos bastante elevado. No último fim de semana, 20 pessoas morreram no Hotel Intercontinental de Cabul durante um ataque realizado por seis terroristas. 


Esta quarta-feira, um ataque do reinvindicado pelo Estado Islâmico contra a sede da ONG Save the Children em Jalalabad, no leste do país, provocou a morte de quatro funcionários da organização, um civil e um membro das forças de segurança que estavam no local.


Fontes:


https://visao.pt/atualidade/mundo/2018-01-27-ambulancia-mata-103-pessoas-em-massacre-em-cabul/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=ambulancia-mata-103-pessoas-em-massacre-em-cabul


https://www.terra.com.br/noticias/atentado-mata-mais-de-100-em-cabul,8b0af9dc3dbc1047bc5e180ca5030e6e0zju9byf.html


 

11/01/2018

Crianças usadas em combate e como escudos humanos

A emoção desponta quando começo a tentar escrever sobre a participação das crianças na guerra. Podia estar apenas a falar sobre mais um ataque à bomba, o que infelizmente só por si já seria muito mau, mas ainda o ano vai no princípio e já quase que se está a tornar banal verem-se imagens de pessoas mortas no chão e outras a correr no meio do pó e da destruição.

Mas dá-se um nó, um aperto no peito enquanto as lágrimas tentam ganhar caminho... são as imagens de crianças que aprendem a usar armas que me estão a colocar um nó dentro do peito. É revoltante aquilo que se está a fazer com todos aqueles rapazes, que deviam estar a brincar com carrinhos, a correr atrás de uma bola e não a usar armas de fogo! Mas os factos estão diante dos nossos olhos, todos os dias, na televisão ou na internet.

Começo por falar do Afeganistão, onde os meninos aprendem as "leis" do Estado Islâmico. Praticamente derrotado na Síria e no Iraque (ou pelo menos assim nos querem fazer crer), o auto-denominado grupo terrorista "Estado Islâmico" segue firme no Afeganistão, onde uma série de atentados ao longo dos últimos 18 meses deixou centenas de mortos. 

Quando em 2014, as tropas da NATO começaram a deixar o Afeganistão, o Estado Islâmico levantou sobre a população a sua mão pesada, fazendo-se sentir através de ações do grupo EI-K (como se autodenomina o grupo local). Em meados de 2015, a ONU alertou que este grupo já estava presente em 25 das 34 províncias. E as crianças, que deveriam estar a ser protegidas, são as que mais sofrem neste conflito.

Em julho de 2016, o grupo El-K chegou a Cabul. O primeiro ataque na capital afegã foi um dos mais mortais já executados na cidade. Duas explosões atingiram membros do grupo étnico xiita hazara, matando cerca de 85 pessoas e ferindo mais de 400. E sabiam que só no Afeganistão, quase 700 crianças foram mortas nos primeiros 9 meses do ano passado?

Mas infelizmente, não acontece apenas no Afeganistão. Em zonas de conflito por todo o mundo, as crianças tornaram-se alvos de primeira linha. São usadas como escudos humanos, mortas, mutiladas ou recrutadas para combater. Violações, casamentos forçados, raptos e escravatura tornaram-se tácticas recorrentes em todos estes conflitos, desde o Iraque ao Sudão do Sul, passando pela Síria, Iémen, Nigéria ou Myanmar. 

Em alguns contextos, as crianças raptadas por grupos extremistas são abusadas e quando libertadas são novamente detidas por forças de segurança. Milhões de crianças estão a pagar o preço destes conflitos: sofrem de má nutrição, de doenças e ficam para sempre com traumas graves. Os serviços básicos são-lhes negados – incluindo o acesso a comida, água, saneamento e serviços de saúde – danificados ou destruídos pelos confrontos.

Segundo dados divulgados pela UNICEF, pelo menos 5000 crianças foram mortas ou ficaram feridas no Iémen, durante os cerca de 1000 dias de confrontos. No entanto, estima-se que os números reais sejam muito mais elevados! No total, cerca de 1,8 milhões de crianças sofrem de má nutrição – das quais 385000 estão gravemente malnutridas e em risco de morrer se não forem tratadas com urgência. 

No Iraque e na Síria, crianças têm sido usadas como escudos humanos. Ficam presas em zonas cercadas e acabam por ser alvo de atiradores furtivos, além de serem atingidas por bombardeamentos intensos. A violência está presente e é visível na forma como interagem socialmente umas com as outras - não aprendem a brincar, aprendem a sobreviver e isso implica lutar e, nalguns casos, até matar.

Na região do Kasai da República Democrática do Congo, a violência obrigou 850000 crianças a abandonarem as suas casas, numa região onde mais de 200 unidades de saúde e 400 escolas foram atacadas e destruídas. Um total estimado de 350000 crianças são vítimas de má nutrição aguda severa.

Em Myanmar, as crianças Rohingya sofrerem e testemunharam casos chocantes de violência generalizada, sendo atacadas e obrigadas a abandonar as suas casas no estado de Rakhine, enquanto outras crianças em zonas fronteiriças remotas dos estados de Kachin, Shan e Kayin continuam a sofrer as consequências das tensões entre as forças armadas do Myanmar e vários grupos étnicos armados. 

No nordeste da Nigéria e nos Camarões, o Boko Haramterá recorrido a pelo menos 135 crianças como bombistas suicídas - quase cinco vezes mais do que em 2016. Na República Central Africana, depois de meses de novos confrontos, registou-se um aumento dramático dos níveis de violência com crianças a serem mortas, violadas, raptadas e recrutadas por grupos armados.

Na Somália, foram reportados 1740 casos de recrutamento de crianças nos primeiros dez meses de 2017 - estes são aqueles dos quais se sabem. No Sudão do Sul, onde o conflito e a economia em colapso levaram à declaração de fome em algumas partes do país, mais de 19000 crianças terão sido recrutadas por forças e grupos armados e mais de 2300 crianças acabaram mortas ou gravemente feridas desde o início do conflito em dezembro de 2013.

A UNICEF apela a todas as partes envolvidas em conflitos que cumpram com as suas obrigações decorrentes da legislação internacional para que cessem imediatamente todo e qualquer tipo de violação contra as crianças, assim como os ataques contra infra-estruturas civis, incluindo escolas e hospitais.

Fontes:

https://www.dw.com/pt-br/estado-isl%C3%A2mico-sobrevive-no-afeganist%C3%A3o/a-42117855

https://www.plataformaongd.pt/noticias/numero-de-criancas-sob-ataque-nunca-foi-tao-elevado


Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...