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06/10/2026

Confrontos e manifestações em França

Em França mais de 400 escolas encontram-se encerradas devido a ações de estudantes (e não só) que exigem ao governo melhores condições de educação. O que está a acontecer - a apenas alguns meses de haver eleições em França - é que os manifestantes estão a exigir "mais professores substitutos, melhores condições de funcionamento dos edifícios escolares" e melhores condições "de ensino." Desde que os protestos pela educação começaram, em meados de setembro, o número de escolas encerradas tem vindo a diminuir. Em relação às consequências, além de não haver aulas, existem para já cerca de "215 estudantes e 715 agentes da polícia" feridos. As forças policiais tentam impor a ordem e foram já feitas mais de "cinco mil" detenções.

Para além de impedirem o acesso às escolas, os manifestantes incendiaram caixotes do lixo e pneus para atrasar ou impedir a intervenção policial. Há ainda a lamentar diversos "danos materiais e confrontos com as forças de segurança, que se repetiram esta segunda-feira em algumas escolas de cidades como Paris e Toulouse, entre outras"

Para afastar os manifestantes, as autoridades estão "a recorrer a gás lacrimogéneo e a outros meios." Entre os feridos está um jovem de 15 anos, que teve a mão amputada devido ao rebentamento de uma granada lançada pela polícia e que o jovem terá agarrado, possivelmente, para a voltar a atirar.

Na passada segunda-feira, um "adolescente de 14 anos" acabou por perder a "maioria dos dentes quando um agente da polícia" o terá alegadamente atingido com "uma granada à queima-roupa," não conseguindo "falar" nem comer, tendo de "uma palhinha", Na quarta-feira, um outro "jovem de 16 anos perdeu a visão do olho direito depois de ter ficado gravemente ferido na cabeça."

Na quinta-feira e num outro local, "uma bola de borracha feriu um jovem de 16 anos no olho." Neste caso, a polícia estaria alegadamente "a responder a dois homens a cerca de 20 metros de distância que tinham disparado fogos de artifício na sua direção."

A violência policial é clara em muitas das imagens. Mas pergunto outra coisa. Muitos destes jovens são menores. Infelizmente, uma "mobilização" que teve início "em setembro, no liceu Saint-Exupéry, em Créteil, na região de Paris," acabou por alastrar e alargar-se a outras escolas. "Os alunos juntaram-se aos professores numa contestação contra a falta de funcionários e de recursos na escola."

Mas deixo a questão, independentemente de terem razões para se queixarem, e nem sequer estou a pôr em causa que as tenham, de que forma é que os pais e encarregados de educação destas crianças e jovens os estão a aconselhar ou a incitar? Um lança-granadas - como dizem - contra uma multidão, estejam presentes crianças ou não, será completamente errado e excessivo, a meu ver. Mas onde estavam os pais ao permitirem que os filhos ali estivessem expostos àquele risco? Saberiam ou teriam autorizado a presença dos menores?

Também são visíveis nas imagens, jovens a ofender agentes de autoridade. Uma coisa é o direito 
à manifestação e o direito à resistência - que não tenho a certeza, pois não conheço assim tão bem as leis francesas, se existe em França - outra coisa é atos de vandalismo, de ofensa e de agressão cometidos pelos manifestantes. Que educação lhes de
ram os pais, tendo em conta que muitos são menores de idade ainda? E volto a frisar, estou totalmente contra a violência policial e achei a resposta dada completamente exagerada e desproporcional na maior parte dos casos que se conseguem ver (não sei o antes nem o depois, e isso também pode alterar a perspetiva). É que há aqui uma outra situação que é a participação e apoio de indivíduos da Extrema-esquerda que podem estar a usar estas crianças e jovens como "frente" para as suas reivindicações, tornando-os desta forma alvos da polícia e incitando a que sejam provocadores para as forças de autoridade. Não nos esqueçamos que estamos apenas a seis meses de eleições em França.

A violência não vem só da parte da polícia. Na passada quinta feira, um "estudante de 17 anos foi detido por alegado envolvimento numa agressão ocorrida durante os protestos," tendo sido acusado de lançar "uma pedra que atingiu uma mulher de cerca de 50 anos num olho, provocando-lhe "perda de visão." Já na sexta-feira, "um estudante de 16 anos" teria "atirado gasolina para cima de uma professora durante um protesto estudantil," na localidade de "La Ciotat, no sul de França." Quando falamos em direitos, há sempre que falar também em alguns dos deveres cívicos que podem aqui não estar a ser respeitados.


Fontes:

https://www.jn.pt/mundo/artigo/come-por-uma-palhinha-adolescentes-feridos-em-protestos-de-alunos-do-ensino-secundario/18133988

https://sicnoticias.pt/mundo/europa/2026-10-06-violencia-em-franca-o-que-levou-alunos-a-sair-a-rua-fechou-escolas-e-obrigou-a-milhares-de-detencoes-fc53fb62

https://www.jn.pt/mundo/artigo/estudante-de-15-anos-perde-uma-mao-em-explosao-durante-protestos-em-franca/18133735

03/10/2026

Confrontos em Espanha devido à falta de habitação

A população juntou-se nas ruas para se manifestar contra a crise da habitação que se vive em Espanha e contra os despejos. O problema não é novo, nem é único de Espanha, mas a última gota foi o despejo de Maricarmen, uma senhora de 87 anos, obrigada a deixar a casa onde residia desde 1956, devido a uma subida absurda da renda que pagava. Já o tinham tentado fazer em outras três ocasiões, mas "desta vez, a comissão judicial levou o despejo por diante," apesar de haver até um pedido da ONU para que o mesmo fosse suspenso. Maricarmen não pode pagar uma renda que ultrapassa em muito a pensão que recebe e que se situa nos "2.500 euros por mês, mais 247% do que pagava até então. A mulher, com uma deficiência de 50%, nunca conseguiu suportar esse valor." Apoiantes tentaram impedir o despejo, sendo afastados "à bastonada" e "com gás pimenta" pela "Polícia Nacional". 

Ontem, na votação no Congresso, foram rejeitados "os dois decretos-lei sobre habitação promovidos pelo Governo do presidente Pedro Sánchez, impulsionados após o despejo de Maricarmen." 

Milhares de pessoas tinham-se deslocado até junto do "Parlamento para acompanhar o debate e exigir medidas face à crise da habitação." Fala-se em cerca de "70.000" participantes, embora dados não oficiais falem em cerca de meio milhão de pessoas. Muitos espanhóis já se encontram acampados junto à "Puerta del Sol", para onde a marcha seguiu depois de terem sabido da rejeição dos decretos em causa.

Já na região de Valência, um grupo de manifestantes marchou até ao "Palau de les Arts Reina Sofía, sede do congresso de investimentos imobiliários Valencia Real Estate Summit 2026, que conta com oradores como o antigo líder do partido Ciudadanos (Cs), Albert River." A polícia, que fazia um "cordão de segurança", barrando a passagem dos manifestantes, foi atingida com objetos arremessados por alguns elementos do grupo, menos ordeiros. "A polícia respondeu com balas de borracha e gás lacrimogéneo. Várias pessoas conseguiram aceder à parte superior do edifício." 

Mas também em outras cidades, os protestos se fizeram ouvir. "Em Donostia, o protesto cumpre o cumpre o segundo dia consecutivo," enquanto em Cádis," os manifestantes terminaram a sua marcha em frente da "Câmara Municipal" onde procederam à "leitura de um manifesto." Houve ainda "marchas em Las Palmas de Gran Canaria, com outras convocatórias em Lanzarote, Fuerteventura e Tenerife," bem como "em Barcelona."

Em maio, já tinha havido manifestações nas ruas madrilenas contra o governo de Sanchéz, exigindo a demissão do primeiro-ministro. Esta marcha tinha sido "convocada pela Sociedade Civil Espanhola, que coordena mais de 150 associações civis, à qual se juntaram os partidos PP (direita) e Vox (extrema-direita)." Segundo a organização. terá tido uma participação efetiva de cerca de "120.000 pessoas," enquanto representantes do governo, situou os números na casa das "40.000 pessoas." Estas manifestações em França e em Espanha estarão prestes a espalhar-se pelo resto da Europa, ou tratar-se-á de um problema localizado geograficamente?

Fontes:

https://pt.euronews.com/2026/10/03/quase-500-mil-pessoas-protestam-em-madrid-pela-crise-da-habitacao

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/tres-detidos-e-sete-policias-feridos-apos-confrontos-em-marcha-anti-sanchez-em-madrid_n1743071

https://pt.euronews.com/2026/10/02/congresso-rejeita-decretos-da-habitacao-apesar-do-aviso-de-sanchez-serao-julgados-mais-ced

https://pt.euronews.com/2026/09/23/idosa-de-87-anos-despejada-em-madrid-apos-quatro-tentativas-e-apesar-de-pedido-da-onu


11/01/2026

Revolta leva a manifestações no Irão

Pensamos muitas vezes no Irão como um país em que quase toda a gente obedece de forma cega ao poder instituído, mas aquilo a que temos assistido nos últimos dias não é bem isso. 

Pelas ruas, as pessoas manifestam-se contra o ayatolah Ali Kohamenei, líder do regime, juntamdo-se em acesos protestos que "começaram na capital Teerão, mas depressa se alastraram a outras cidades do país, como Shiraz, Mashad, Isfahan ou Karaj." Há cerca de 2600 detidos e mais de uma centena de mortos. Estes protestos começaram a 28 de dezembro e resultaram da insurgência contra "o custo de vida e a inflação galopante, num país sujeito" a muitas sanções por parte do exterior, em especial dos EUA. Na base destes protestos estiveram a "rápida desvalorização da moeda iraniana, a subida súbita dos preços de bens essenciais," bem como a decisão tomada pelo "banco central de acabar com um mecanismo que permitia a alguns importadores aceder a dólares a um câmbio mais favorável," o que provocou a indignação da população, em especial dos jovens. Depois dpo encerramento de várias lojas e mercados, as reinvindicações que inicialmente eram económicas, foram-se tornando cada vez mais políticas.

Nos últimos dias, as linhas telefónicas foram cortadas, sendo assim mais difícil que se saiba realmente o que se passa no território. A Internet está também em baixo e a "televisão estatal iraniana tem apenas anunciado as mortes entre as forças de segurança, enquanto garante que o regime mantém o controlo sobre a nação." Aos manifestantes que são mortos, o regime apelida de "terroristas." Os protestos são vistos como ameaças ao regime e os participantes nos protestos são vistos como "inimigos de Deus," uma acusação que, no Irão, é punível com a pena de morte. extremamente violenta. As "forças de segurança, incluindo a polícia, a milícia Basij, a Guarda Revolucionária e agentes à paisana, recorreram a munições reais" e ao uso de "balas de metal." Soube-se de atropelamentos usando viaturas contra a multidão. É este o risco que quem ali clama por liberdade corre e, mesmo assim, ali estão às centenas. Aos milhares.

Trump tem publicado declarações nas redes sociais, como vendo sendo hábito, afirmando que o "Irão aspira à liberdade" e que os EUA "estão prontos para ajudar." Enquanto a "ONU manifestou profunda preocupação com o número de mortos," o presidente norte-americano, ameaçou "intervir militarmente caso as forças iranianas continuem a matar manifestantes." Em resposta a esta ameaça de intervenção, o "regime iraniano" já veio acusar "Washington de instigar os protestos."

Também nas redes sociais chegou a circular um vídeo no qual se podia ver um cartaz que dizia "Já não temos medo. Vamos lutar" numa clara manifestação contra a repressão do regime iraniano, que dura já há 47 anos. Muitos dos manifestantes são jovens e exigem a "recuperação da dignidade e o direito a um futuro."

Nas forças de repressão podem até estar já incluídos "membros das Forças de Mobilização Popular do Iraque (Hashel al Shaabi)," mas devido à falta de informação e às poucas imagens disponíveis, torna difícil confirmar o que se acontece. 

Reza Pahlavi, (príncipe herdeiro e filho do último monarca do Irão) fez um apelo público onde exorta "os iranianos a permanecerem nas ruas, definindo explicitamente como objetivo a tomada e manutenção do controlo dos centros das cidades," apelando a "protestos coordenados." Por outro lado, Reza Pahlavi, "apelou a Trump para que esteja preparado para adotar medidas de apoio ao povo iraniano," apelando ainda para que os "sectores económicos mais importantes, nomeadamente o petróleo e a energia," participem ativamente "nas greves nacionais, o que faz eco de uma estratégia utilizada durante os últimos meses do regime do seu pai, em 1979." Os protestos espalharam-se entretanto por outros países, sendo interessante ver que a "liberdade de expressão" é uma das principais exigências. Muitos "iranianos que vivem no estrangeiro ou pessoas de ascendência iraniana," juntam-se em manifestações ou desfiles, afirmando que mais do que um direito, é seu "dever" manifestarem-se e mostrarem "o seu apoio à distância, uma vez que os iranianos no seu país, de todas as idades e origens, continuam a sair à rua para lutar pela sua liberdade."


Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/numero-de-mortos-em-protestos-contra-o-regime-do-irao-atinge-116_n1709289

https://observador.pt/2026/01/11/irao-sem-comunicacoes-ha-tres-dias-e-um-apagao-sem-precedentes-em-que-ate-sinal-da-starlink-esta-na-mira/

https://pt.euronews.com/2026/01/11/manifestacoes-nas-principais-cidades-europeias-em-solidariedade-com-os-protestos-no-irao

https://pt.euronews.com/2026/01/10/porque-e-que-as-proximas-horas-no-irao-sao-criticas-e-porque-e-que-o-silencio-nao-e-uma-op

https://sapo.pt/artigo/o-que-esta-a-acontecer-no-irao-vandalos-ou-sociedade-exausta-protestos-e-o-filho-do-xa-a-re-emergir-como-esperanca-69623469ab728f90f057dd0f

10/11/2025

Manifestação em Lisboa e aviso de Greve Geral

Parece que no próximo dia 11 de dezembro vai haver greve geral. Pelo menos é que se tem vindo a divulgar nos canais de notícias e nas redes sociais. Uma greve que, além de outras coisas, parece estar a reaproximar as duas centrais sindicais - UGT e CGTP - o que já "não acontecia há 12 anos." O anúncio (embora ainda não formal), aconteceu logo depois da marcha "Todos a Lisboa" que este sábado, juntou milhares de portugueses, contra o pacote laboral apresentado pelo "governo PSD/CDS-PP."

Esta manifestação tinha sido convocada pela CGTP e dividiu-se em "duas pré-concentrações na capital: os trabalhadores do setor público juntaram-se nas Amoreiras e os do setor privado no Saldanha, sendo que ambas desaguaram no Marquês de Pombal." Entre os manifestantes foi possível ver várias caras conhecidas, entre os quais os candidatos à presidência da República "Catarina Martins, António Filipe e Jorge Pinto, apoiados respetivamente por BE, PCP e Livre." Fica só uma questão para quem diz não tomar partido - isto não se enquadra em tomar partido?

A proposta feita pelo governo, que já tinha sido dada a conhecer a 24 de julho e que foi designada por “Trabalho XXI” pelo Governo em funções, apresenta uma profunda revisão da legislação laboral e que vão desde "alterações nas licenças parentais, no direito à amamentação e ao luto gestacional, ao "trabalho flexível, formação nas empresas ou período experimental dos contratos de trabalho, prevendo ainda um alargamento dos setores que passam a estar abrangidos por serviços mínimos em caso de greve."

Entre as medidas anunciadas, estão ainda "propostas" que têm como consequência "perpetuar e agravar os baixos salários" dos trabalhadores, a desregulação dos horários de trabalho, a facilitação dos despedimentos e a destruição dos "direitos de maternidade e paternidade," entre outros.

Estas propostas têm tido uma forte oposição dos sindicatos, mas também de uma grande faixa populacional, para quem estes direitos nunca deveriam sequer estar em causa. Acrescento eu, que estes direitos precisam de ser melhorados e não postos em causa. Sobre esta questão, a "CGTP tem vindo a insistir que o anteprojeto do Governo" se vem a apresentar como "um verdadeiro retrocesso" naqueles que são os "direitos dos trabalhadores," apontando "que há propostas de alteração inconstitucionais."

Vamos ver... 

Fontes:

https://expresso.pt/economia/trabalho/2025-11-08-cgtp-e-ugt-convocam-greve-geral-para-11-de-dezembro-8fd17a6f

https://www.rtp.pt/noticias/pais/milhares-de-trabalhadores-marcham-em-lisboa-contra-pacote-laboral-do-patrao_n1696875

https://observador.pt/2025/11/10/trabalhadores-social-democratas-apelam-ao-dialogo-em-concertacao-social-sobre-revisao-da-lei-laboral/

08/06/2025

EUA - Guarda Nacional tenta travar manifestações

Aquilo a que estamos a assistir em Los Angeles é a uma clara limitação da liberdade de expressão. Em resposta a vários protestos anti-ICE, Trump mobilizou a Guarda Nacional, algo que se viu pela última vez na década de 60 do século passado.

O Presidente norte-americano, deu, este sábado, ordem para a mobilização "de 2000 militares da Guarda Nacional para o condado de Los Angeles, na Califórnia, onde centenas de manifestantes protestaram nos últimos dias contra rusgas levadas a cabo pelo ICE" - (Immigration and Customs Enforcement) - "a polícia de estrangeiros e fronteiras dos Estados Unidos." Depois de uma azeda troca de acusações com "o governador Gavin Newscum ['nova escumalha', alcunha de Trump para o governador democrata Newsom], da Califórnia, e a prefeita Karen Bass, de Los Angeles,", Trump colocou os fuzileiros em "prontidão" e autorizou o Departamento de Defesa a mobilizar “quaisquer outros membros das Forças Armadas regulares necessárias” para proteger a "ação das forças federais." Apesar da cidade estar a ser palco de várias manifestações, governador californiano considera que as medidas são exageradas, tendo em conta que os protestos têm estado a ser pacíficos e que, a chegada da Guarda Nacional, só vai intensificar a situação.

Este sábado, a cidade de Paramount, serviu de palco a violentos "confrontos entre manifestantes e agentes de vários serviços de segurança norte-americanos," durante a realização de "uma rusga anti-imigração clandestina." As medidas levadas a cabo pela administração Trump, desde que tomou posse, têm estado a ser contestadas, mas a população pouco ou nada pode fazer. As detenções vão-se multiplicando, pondo mesmo em risco aqueles que estão legalmente no país, mas que têm outra nacionalidade.

"Ativistas e membros da comunidade protestaram para tentar impedir as detenções, mas durante mais de duas horas os agentes federais repeliram os manifestantes com gás lacrimogéneo," tendo sido registados "vários feridos entre os manifestantes, atingidos por balas de borracha e granadas lançadas pelas autoridades, que utilizaram táticas militares para dispersar os manifestantes e retirar os detidos." Nem os jornalistas presentes no local foram poupados.

A população reagiu com "atos de vandalismo contra o edifício federal em Los Angeles, assim como contra veículos do ICE na noite de sexta-feira, no final do primeiro dia de rusgas em pelo menos sete locais da cidade," o que ainda veio intensificar mais a operação da Guarda Nacional. "O objetivo do executivo norte-americano é efetuar, pelo menos, 3 000 detenções por dia." Muitos dos detidos são oriundos do México. Claudia Sheinbaum, presidente desse país, veio já exigir "aos Estados Unidos da América" que não tratasse os "migrantes como criminosos e confirmou que foram detidos 35 mexicanos nas manifestações que decorreram na Califórnia nos últimos dias."

A presença da Guarda Nacional, em força nas ruas, acaba por criar um clima de tensão e de medo, em vez de mostrar segurança ou de demover os manifestantes. O uso da força contra a população e contra os próprios repórteres constituiu uma clara repressão à liberdade de expressão. Quando se ataca quem dá as notícias, está-se a atacar a liberdade de um povo em ter acesso à informação e ao conhecimento.

Fontes:

https://www.publico.pt/2025/06/08/mundo/noticia/trump-mobiliza-guarda-nacional-travar-protestos-los-angeles-fuzileiros-prontidao-2135974

https://expresso.pt/internacional/eua/2025-06-08-trump-envia-guarda-nacional-para-travar-protestos-na-california-9776ebc1

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-06-08-presidente-do-mexico-exige-aos-eua-que-nao-tratem-migrantes-como-criminosos-dc0a7c8d

02/08/2024

Tensão em Londres

A situação que se vive em Londres está a tornar-se cada vez mais complicada, com registo de vários confrontos nas ruas, carros destruídos e, pelo menos, uma esquadra incendiada. 

Os confrontos que envolvem manifestantes de extrema-direita e agentes da polícia, estão a acontecer nas ruas mais próximas ao Parlamento e à "residência oficial do primeiro-ministro." 

Na origem destes confrontos estão notícias falsas que começaram a circular nas redes sociais e que diziam que o culpado do ataque com arma branca que ocorreu em Southport, teria sido um migrante requerente de asilo que teria chegado ao país atravessando o Canal da Mancha, o que já se veio a provar ter sido apenas um falso rumor. No entanto, este facto está a ser aproveitado por grupos ligados à extrema-direita para reivindicar medidas mais pesadas e atacando também uma mesquita em Southport.

Durante a primeira noite, em consequência das "manifestações anti-imigração" organizadas "em Hartlepool, Manchester e Aldershot", e que "acabaram em confrontos com a polícia" foram detidas cerca de 100 pessoas e foram feridos cerca de "40 polícias", em resultado de "distúrbios violentos em Southport." Segundo o jornal "The Telegraph, a marcha foi promovida por Tommy Robinson, que tem ligações à extrema-direita."

Fontes:

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-08-01-dezenas-de-detencoes-em-protestos-de-extrema-direita-em-londres-f4dd8113

https://observador.pt/2024/07/31/esfaqueamento-em-southport-manifestantes-em-confrontos-com-a-policia-perto-da-residencia-do-primeiro-ministro/

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-07-31-video-ataque-no-reino-unido-confrontos-entre-manifestantes-e-policia-junto-a-residencia-do-primeiro-ministro-a2acd22f

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...