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11/08/2024

Terminou Paris 2024

Terminaram esta noite os Jogos Olímpicos Paris 2024. Jogos que, desde logo estiveram bastante envolvidos em polémica, fosse pelas condições do Sena, pelo espetáculo de abertura ou pelos casos de discussão acerca das questões de género.

Fui acompanhando os Jogos, principalmente as provas em que concorriam atletas portugueses e lusodescendentes, tentando não me focar nas polémicas que acho que servem mais para criar pressões desnecessárias nas diferentes seleções do que propriamente para resolver problemas fundamentais.

Em jeito de balanço, Portugal conseguiu quatro medalhas e 14 diplomas olímpicos. Na sessão de encerramento, Iúri Leitão e Patrícia Sampaio foram escolhidos para porta-estandarte, dois dos atletas que se destacaram pela positiva com a sua participação.

Iúri conseguiu a medalha de prata no Omnium, mas foi a prova de duplas, que trouxe o ouro para Portugal, com os ciclistas Iúri Leitão e Rui Oliveira a "passaram em primeiro no último sprint, que valia a dobrar," e a cimentaram assim a "primeira posição, com 45 pontos," percorrias as "200 voltas à pista do Velódromo Saint-Quentin-en-Yvelines."

Iúri Leitão junta-se a "Carlos Lopes, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro e Pedro Pablo Pichardo, bem como ao cavaleiro Luís Mena da Silva e ao canoísta Fernando Pimenta a repetir pódios em Jogos, ao conquistar o seu segundo 'metal', o quarto luso em Paris 2024" e tornou-se, "em Paris, o primeiro português a conseguir duas medalhas" na mesma edição dos Jogos Olímpicos."

Já na modalidade de Judo, Patrícia Sampaio, alcançou a medalha de bronze (-78 kg), "depois de derrotar a japonesa Rika Takayama." Esta foi a quarta medalha conquistada pelo "Judo português em Jogos Olímpicos, depois dos bronzes conquistados por Nuno Delgado (Sydney 2000), Telma Monteiro (Rio 2016) e Jorge Fonseca (Tóquio 2020)."

No triplo salto, Pedro Pablo Pichardo, conseguiu a medalha de prata, deixando no ar "a hipótese de encerrar a carreira" por desmotivação e pelo sentimento de falta de apoio e de reconhecimento da parte do governo e do Benfica. O atleta "assume que não quer sair do Benfica", pedindo apenas "mais apoio e ser deixado em paz" pela diretora, solicitando "uma estrutura de treino bem formada." Mas não podemos deixar de pensar que Pichardo, nascido em Santiago de Cuba em 1993, país que representou pela última vez em 2018, conseguiu vir para o Benfica e obter a nacionalidade portuguesa ainda em 2017. "Com a nacionalidade portuguesa, venceu o Campeonato Europeu em pista coberta e sagrou-se Campeão Olímpico nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020." A prata em Paris, devia ser um motivo de orgulho e de reconhecimento, tanto para o país como para o próprio atleta.

No que respeita à canoagem, modalidade que muitos esperávamos que trouxesse pelo menos um pódio para Portugal, nem tudo correu como previsto. Nesta "última manhã da canoagem no estádio náutico de Varnes-sur-Maire," Pimenta "atravessou a formalidade das meias-finais" e ainda conseguiu uma boa partida na final de K1 1000 metros, seguindo em primeiro lugar "até cerca de 300 metros do fim" da prova, onde começou a perder lugares, terminando em 6º lugar. 

Ainda na Canoagem, Teresa Portela, conclui em 3º lugar a série das "meias-finais de K1 500 metros" a menos de meio segundo para o "apuramento para a final A". Já na final B, conseguiu um 2º lugar, "posição que lhe valeu o 10.º lugar entre as 42 atletas inscritas para o K1 500 metros." Um feito que não está ao alcance de todos.

De lamentar o falecimento de José Manuel Constantino, de 74 anos, presidente do Comité Olimpico de Portugal desde 26 de março de 2013, e ex-presidente Instituto de Desporto de Portugal (IDP) - atualmente IPDJ. "Internado há três dias em Lisboa, depois de ter estado a primeira semana a acompanhar os Jogos de Paris 2024," José Constantino liderou também a Confederação de Desporto de Portugal.

Nasceu em Santarém, a 21 de maio de 1950 e foi "o primeiro licenciado em Educação Física (1975) a presidir ao COP, depois de uma vasta experiência na docência, tanto no ensino universitário (1994-2002), como no ensino básico, no início da carreira (1973-1986)." Foi "atleta federado de futebol nos Leões de Santarém (1962-1967), chegou ao dirigismo apenas em 1985 como secretário técnico da direção do Sport Algés e Dafundo, passando posteriormente a assessor da direção da Federação Portuguesa de Halterofilismo (1986-1990)."

Entre 1996 a 2002, foi diretor "do departamento dos Assuntos Sociais e Culturais da Câmara Municipal de Oeiras," assumindo entretanto em 2000 "o seu primeiro projeto de âmbito nacional" quando se aceitou a "presidência da Confederação do Desporto de Portugal, cargo que abandonou em 2002 para comandar o Instituto do Desporto de Portugal (IDP)." 

Em 2001, tornou-se membro do "Conselho de Fundadores da Fundação do Desporto e de 2001 a 2005 integrou o Conselho Superior do Desporto" e foi "também presidente da Comissão de Coordenação Nacional do Ano Europeu de Educação pelo Desporto (2003–2004)."  Entre 2006 e 2013 "presidiu ao Conselho de Administração da Oeiras Viva, EEM."

Fontes:

https://www.abola.pt/mais-desporto/noticias/faleceu-jose-manuel-constantino-presidente-do-cop-2024081121161831732

https://sicnoticias.pt/especiais/jogos-olimpicos/2024-08-10-iuri-leitao-e-rui-oliveira-conquistam-medalha-de-ouro-nos-jogos-olimpicos-ea0b1300

https://comiteolimpicoportugal.pt/noticias/detalhe-da-noticia/?id=NEW-1e4edc60-96d4-4964-b571-751a3839c167

https://www.publico.pt/2024/08/10/desporto/noticia/fernando-pimenta-falha-terceira-medalha-olimpica-curriculo-2100436

https://www.slbenfica.pt/pt-pt/agora/noticias/2024/08/10/canoagem-benfica-resultado-teresa-portela-final-b-k1-500-metros

https://www.publico.pt/2024/08/09/desporto/noticia/pichardo-admite-retirarse-ficar-aqui-2100411

 

30/09/2021

Afegãos em Portugal e a seleção juvenil de futebol feminino

O Afeganistão está, mais uma vez, sob domínio de fundamentalistas islâmicos, tornando-se a cada dia a situação insustentável para todos, muito em especial para os jovens. Vivendo num país livre, não me consigo imaginar sujeita a todas as limitações que as mulheres sofrem no Afeganistão e noutros países onde os direitos humanos não são respeitados, nem tão pouco os direitos das mulheres, dos jovens e das crianças do país. "O cerco do Talibã em Cabul ocorre 20 anos depois do grupo extremista" ter sido expulso da capital afegã pelos Estados Unidos, que invadiram o país apenas alguns dias depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, às Torres Gémeas.

As jogadoras da Seleção Feminina de futebol do Afeganistão,  viram o seu sonho de poderem continuar a joga à bola desmoronar-se desde o avanço dos talibãs, em agosto deste ano. O medo, levou-as a "abandonarem as suas casas, escaparem de perto dos vizinhos que sabiam do seu papel como futebolistas, e apagarem qualquer vestígio desse histórico." 

As jovens atletas, perceberam que se queriam continuar a defender o desporto e a liberdade a ele inerente, não poderiam permanecer no seu país. A questão era acima de tudo a sua sobrevivência, uma vez que "muitas delas eram facilmente identificáveis como ativistas e defensoras dos direitos das mulheres e a confiança nas promessas dos novos governantes de que respeitarão as minorias e os opositores é escassa, se não inexistente."

A fuga do país aconteceu finalmente, depois de várias tentativas frustradas. Entre cerca de 80 pessoas no total iam as 26 jovens (entre 14 e 16 anos), "foram sendo passadas de casa em casa, escondidas enquanto figuras como Robert McReary, que trabalhou no gabinete do Presidente George W. Bush e com forças especiais americanas no Afeganistão, e Nic McKinley, um ex-membro da CIA que agora gere um grupo humanitário para realojar afegãos, coordenavam um plano de fuga – Operação Bolas de Futebol – com aliados no terreno e com os próprios talibãs."

Deixaram para trás tudo o que tinham, incluindo as famílias. "Na retaguarda estava Farkhunda Muhtaj, capitã da seleção afegã feminina, que vive agora no Canadá e ajudou a coordenar a operação. Era ela quem falava com o grupo regularmente para manter a calma e dar-lhes esperança." 

Quando lhes informaram que tinham uma janela de oportunidade de apenas 3 horas para poderem deixar o país, não olharam para trás. "Conseguiram finalmente sair do Afeganistão a bordo de um voo charter" a caminho de Portugal, país de onde é originário um dos seus ídolos. Portugal deu-lhes asilo e a possibilidade de continuarem a treinar.

No dia 19 de setembro aterraram em Lisboa e tinham à sua espera a "capitã da seleção nacional de futebol do Afeganistão, que participou na operação de resgate das meninas a partir da sua casa no Canadá."

 

Fontes:

https://rr.sapo.pt/noticia/pais/2021/09/23/selecao-feminina-do-afeganistao-feliz-e-pronta-para-sonhar-em-portugal/254214/

https://www.cm-tv.pt/atualidade/detalhe/sinto-me-livre-jovens-da-selecao-de-futebol-feminino-afega-refazem-a-vida-em-portugal

https://ge.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/selecao-feminina-do-afeganistao-teme-pela-vida-apos-retorno-do-taliba-ao-poder-afirma-ex-capita.ghtml

 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...