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22/02/2026

Ainda sobre a destruição causada pelas cheias

Em Portugal já houve outros anos de chuvas intensas e em que os rios saíram das margens invadindo terrenos agrícolas e levando tudo à sua frente. Este ano, parece que as tempestades resolveram juntar-se e entrar pelo território português sem dó nem piedade. Depois da destruição causada pelos ventos, a chuva não deu tréguas, aumentando os caudais dos rios e criando zonas de cheias destrutivas. Se bem que não foi a primedira vez que o caudal do Tejo, do Mondego ou do Sado galgou as suas margens, a verdade é que o povo tem memória curta e se esquece de outras enchentes - felizmente, talvez por nem serem assim tão frequentes. Embora fosse expectável que houvesse cheias este ano, a subida dos caudais acabou por atingir uma população já fragilizada por um comboio de tempestades cujo vento e chuvas fortes detruiram tudo à sua passagem. Telhados arrancados, árvores derrubadas. As terras ficaram encharcadas e, em muitas zonas, acabaram mesmo por deslkizar, escorrendo pelas encostas e arrastando tudo pela seu caminho. As estradas saíram do seu percurso normal, os muros desabaram e as casas acabaram inclinadas, tombadas periclitantes prestes a desabar pelo morro abaixo.

Depois da tempestade Kristin, "a tempestade Leonardo chegou com violência renovada e voltou a devastar comunidades já marcadas pelo caos e pelo sofrimento. A precipitação intensa, concentrada em poucas horas, fez subir rapidamente o caudal dos rios, que transbordaram." Em Coimbra, a autarca acabou por mandar preparar a evacuação de parte da população, "devido ao risco iminente de rutura dos diques do rio Mondego", que tinha atingido o seu limite. Estradas cederam com o rompimento de diques e canais, houve deslizamentos de terras e casas soterradas por terra e rochas. Mas o mpior de tudo foram as dezoito mortes que ocorreram "em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta," e "que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados." Um casal acabou por ser apanhado pelas cheias, tendo a viatura, com os corpos ainda no seu interior, sido encontrada numa estrada que estava claramente intransitável devido à subida do caudal. 

Sem esquecer a queda de parte do tabuleira da A1, na zona de Coimbra. "O troço entre Coimbra Norte e Coimbra Sul encontrava-se já encerrado em ambos os sentidos," por haver um risco calculado de que o dique poderia não aguentar. O desabamento acabou mesmo por ocorrer, por volta das 18 horas, "no ponto de ligação entre o aterro e o viaduto, na zona dos Casais."

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais deste comboio de tempestades.

Apesar de ter sido declarada situação de calamidade, ainda existem situações deveras complicadas e que não terão uma resposta rápida. Ainda há "casas sem energia, empresas sem respostas e setores de atividade à espera de soluções, com prejuízos estimados na ordem dos mil milhões de euros."

No caso de Leiria, das cerca de "84 pessoas" que foram deslocadas, "17 das quais permanecem em situação muito vulnerável, sem casa." De acordo com Paulo Fernandes, "coordenador da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País," existem ainda em Portugal cerca de "374 desalojados (103 famílias) e 130 deslocados (72 famílias)," existindo um "universo possível de 175 edifícios," que ficaram "inabitáveis". Ao fim de tanto tempo, é inimaginável que ainda existam casas sem eletricidade e sem água potável canalizada, mas a verdade é que ainda temos pessoas a viver nessas situações.

Diversas empresas estão paradas e sem previsão de retomar a sua atividade. Centenas de agricultores procuram uma forma de recomeçar, mas sem poderam fazer nada enquanto os campos estiverem alagados. Perdeu-se a comida armazenada para os animais e ainda é preciso reconstruir cercas, estruturas de rega e canais. Um dos maiores problemas é que a falta de energia trouxe enormes custos para se manterem os geradores a funcionar. Não é só em casa que é necessária eletricidade. Esta é fundamental nas estufas, por exemplo. Em relação à sivicultura, a estimativa é de que podem ter sido destruídas entre "cinco a oito milhões de árvores, incluindo exemplares centenários." 

Fontes: 

https://sicnoticias.pt/meteorologia/2026-02-05-da-tragedia-de-1967-na-grande-lisboa-a-ilha-da-madeira-em-2010-as-cheias-que-devastaram-portugal-nas-ultimas-decadas-57d92b39

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-22-video-leiria-ainda-faz-contas-mas-prejuizos-das-tempestades-ja-atingiram-os-800-milhoes-46ad069c

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-20-tempestade-kristin-destruiu-ate-oito-milhoes-de-arvores-em-leiria-d3d3e93e

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-18-pedidos-cerca-de-75-milhoes-de-euros-para-recuperar-habitacoes-danificadas-pelas-tempestades-7c85ee10

https://expresso.pt/tempestades/2026-02-12-video-colapso-junto-do-viaduto-da-a1-em-coimbra-imagens-de-drone-revelam-impacto-do-rebentamento-do-dique-do-mondego-a0a7e56f

 

28/01/2026

Uma noite complicada

Perante os avisos do IPMA e da Proteção Civil, esta noite optámos por ficar em casa e não nos deslocarmos para o ensaio a que deveríamos ter ido. Ontem a noite foi muito complicada, mas felizmente, nós conseguimos ficar em segurança. Como residente no distrito de Setúbal, recebi vários  alertas e pela comunicação social fui-me mantendo informada. De facto foi mesmo uma noite praticamente passada em branco. O nosso distrito "esteve sob avisos meteorológicos associados ao vento e à agitação marítima, tendo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emitido aviso vermelho para a agitação marítima em vários períodos, alertando para ondulação forte e condições perigosas junto à orla costeira."

Aqui pelo concelho do Seixal os danos limitaram-se à queda de estruturas metálicas (cartazes) e algumas árvores e ramos que foram caindo sobre as vias de circulação. "A Proteção Civil da Câmara Municipal do Seixal procedeu ao corte do trânsito, em ambos os sentidos, no início da Avenida Carlos Oliveira, na zona do Cavadas." Esta decisão foi tomada devido "ao estado do muro da antiga Fábrica de Moagem — atualmente convertida em restaurante — que apresenta várias fissuras e infiltrações de água, representando um potencial risco para a segurança pública." 

No concelho do Seixal, estiveram cortados o "troço compreendido entre o cruzamento com a Avenida 6 de Novembro de 1836 e o cruzamento com a Avenida General Humberto Delgado" e a "Avenida Dr. Arlindo Vicente," na zona da Arrentela. Já na Amora, "esteve cortada a Rua Infante Dom Augusto (Estrada do Talaminho), entre a Rua Arquiteto José António Conde (acesso à Quinta da Princesa) e a Avenida 25 de Abril (EN10)." Na Aldeia de Paio Pires, foram cortadas as ruas "José Gregório de Almeida, entre a Avenida Siderurgia Nacional e a Rua Quinta da Galega e na Rua Quinta da Galega (prolongamento da rua do Desembargador), entre a Rua Quinta da Campina e a Rua José Gregório de Almeida." Devido à queda de árvores, foi também preciso "fechar o trânsito na Rua das Artemísias, em Belverde, e na Rua Quinta das Conchas, em Fernão Ferro."

No concelho de Almada, os maiores danos registaram-se também várias ocorrências. Na Costa da Caparica, uma "árvore de grande porte caiu" sobre o estacionamento de uma zona residencial, danificando gravemente "três viaturas ligeiras." Houve também graves danos nas "infraestruturas desportivas da Associação Desportiva de Almada, onde a bancada ficou danificada e, segundo a informação disponível, destruída." Existem registos de "rajadas de vento" muito fortes que "terão chegado aos 140 km/h, contribuindo para a degradação rápida de várias estruturas, incluindo painéis que ficaram dobrados e cadeiras que foram deslocadas, acabando por ficar inutilizáveis."

Registou-se uma morte em Vila Franca de Xira, devido à queda de uma árvore de grande porte sobre a viatura em que seguia. O acidente mortal aconteceu "na N1 em Povos."

Na freguesia de Vieira de Leiria, na Marinha Grande, um homem de 34 anos perdeu a vida, "na sequência do mau tempo," havendo ainda a lamentar "uma dezena de feridos ligeiros, cerca de meia centena de desalojados e uma situação de destruição por todo o território."

No caso de Leiria, há a lamentar pelo menos três mortes "relacionadas com o fenómeno (duas em Carvide, uma mulher com 36 anos e um homem com 58 anos) relacionadas com desabamento de telhados, anexos." Este foi um dos concelhos mais afetados, onde a maioria das ocorrências registadas prendem-se com danos "em equipamentos públicos e em propriedade privada, afetando infraestruturas essenciais, espaços públicos, habitações, atividades económicas e o normal funcionamento da vida comunitária”. Foi por exemplo atingido o Hospital de Leiria e o Estádio Municipal. Responsáveis da autarquia consideram que é "indispensável" ativarem-se "mecanismos extraordinários de apoio, que permitam mobilizqar meios adicionais," sendo ainda salientado salienta que “a dimensão e gravidade dos estragos ultrapassam claramente a capacidade de resposta normal do município, configurando, como tal, uma situação excecional com forte impacto social e económico”. A possibilidade não foi ainda descartada pelo Primeiro-ministro, que já afirmou "ter estado desde a primeira hora atento às necessidades de serviços públicos como o hospital de Leiria, garantindo que estão a ser tomadas todas as diligências para que não haja problemas no fornecimento de energia, até ver por geradores."

Na Figueira da Foz, nove pessoas, pertencentes a "quatro famílias, residentes em três freguesias do município da Figueira da Foz, ficaram desalojadas devido à depressão Kristin." A Câmara está a tratar do seu realojamento. Já em Vila Real, além dos ventos fortes, a neve também veio agravar a situação, provocando o corte de estradas.

Entretanto, devido ao forte vento, Nazaré viu as suas ruas ficarem completamente cobertas por areia. Em Coimbra, o "vento que se fez sentir de madrugada destruiu várias aeronaves e o hangar da empresa de manutenção do Aeródromo Municipal Bissaya Barreto," e em Montemor-o-Velho, o Centro Náutico sofreu também vários prejuízos.

Já na zona de Lisboa e concelhos limítrofes e, também na região centro e norte do país, a situação foi ainda mais complicada. "Segundo a ANEPC, a depressão Kristin provocou mais de mil ocorrências em todo o país, sobretudo relacionadas com quedas de árvores e de estruturas, que afetaram de forma mais significativa os distritos de Leiria, Coimbra e Lisboa."

A passagem desta depressão afetou ainda, em vários pontos do país, "as redes de fornecimento de eletricidade, deixando dezenas de milhares de consumidores sem energia ao longo da madrugada e início desta manhã. As empresas responsáveis ativaram planos de contingência para repor o serviço de forma gradual."

No que respeita aos transportes, "o temporal provocou estradas cortadas ou condicionadas, interrupções pontuais na circulação ferroviária e atrasos em vários eixos rodoviários, sobretudo devido à queda de árvores e objetos na via pública." Várias escolas estiveram hoje sem aulas, em alguns casos devido à falta de eletricidade e de água, mas noutros apenas devido a não estarem garantidas as condições de transporte e deslocação de crianças para as aulas em segurança.

Em Silves, Faro, uma mulher de 85 anos de nacionalidade holandesa, foi arrastada, na sua viatura, pela subida da água. As equipas de socorro terão recebido "um alerta cerca das 11h50, dando conta de que uma mulher teria tido um acidente e precisaria de socorro, e à chegada ao local iniciaram as buscas para encontrar o veículo, que acabou por ser localizado cerca das 15:20, com a vítima mortal, de 85 anos, no interior." A região continuava inundada ao fim do dia.

A tempestade trouxe ventos fortes e ultrapassou mesmo os valores da tempestade Leslie, tendo sido registada a "maior rajada de vento" que atingiu os "178 km/h e foi registada na Base Aérea de Monte Real." Minutos antes, a "mesma estação militar" tinha registado "uma rajada de 176 km/h. Depois disso, ficou destruída pelo vento. Foi assim batido o recorde nacional, que era de 176,4 km/h, na Figueira da Foz, a 13 de Outubro de 2018, durante a tempestade Leslie."

É impossível referir todas as situações, pois o país está um verdadeiro caos. Só espero que as pessoas afetadas sejam rapidamente ajudadas e que a resolução dos danos sejam apoiada financeiramente, pois ninguém tem culpa da ocorrência destes fenómenos extremos.

Fontes:

https://diariodistrito.sapo.pt/seixal-transito-cortado-na-avenida-carlos-oliveira-devido-a-risco-estrutural/

https://sapo.pt/artigo/arvore-cai-na-costa-da-caparica-e-destroi-tres-carros-6979c15f8be5d9b0998e7f8b

https://sapo.pt/artigo/estrutura-cai-com-a-furia-da-tempestade-e-mata-em-leiria-6979fa610c790b08bd40a00d

https://sapo.pt/artigo/depressao-kristin-duas-mortes-confirmadas-e-elevados-prejuizos-apos-severa-madrugada-de-quarta-feira-em-portugal-6979fa620c790b08bd40a10e

https://observador.pt/liveblogs/passagem-da-depressao-kristin-faz-uma-vitima-mortal-em-vila-franca-de-xira/#liveblog-entry-748667

https://sicnoticias.pt/meteorologia/2026-01-28-os-efeitos-da-passagem-da-depressao-kristin-em-portugal-7a90d84b

 

 

 

06/09/2025

História do elevador da Glória

Muito se tem falado agora do acidente que envolve o ascensor da Glória e, é importante também referir que. além das vítimas que este desastre causou, poder-se-á ter perdido para sempre um ícone da nossa história. O elevador da Glória é um dos muitos monumentos nacionais, visitado por milhares de turistas todos os anos. Podemos até dizer que é um dos muitos postais de visita da cidade de Lisboa e do país (tal como outros ascensores, pontes e diversos monumentos que atraem os visitantes ao nosso país).


O Elevador da Glória pode mesmo ser considerado como um exemplo do desenvolvimento da "engenharia do século XIX", que viria ao longo do século XX" a sofrer diversas alterações para o adaptarem "ao crescimento constante da cidade e ao seu uso." Atualmente, podemos dizer que a engenharia foi evoluindo de forma a adaptá-lo às exigências do "século XXI, combinando tradição histórica com sistemas de segurança modernos."


 

06/08/2025

A bomba que (se dizia) ter acabado com a guerra...

... e que ainda hoje nos faz tremer quando ouvimos falar em armas nucleares ou mesmo em energia nuclear, foi lançada há precisamente 80 anos.

Se acabou com a guerra? Não acredito que o tenha feito, pelo menos não no que se refere à situação na Europa. Se era necessária e imprescindível o seu lançamento? Só se for por mostrar a força de uma grande potência, atacada, inferiorizada e que teve de se mostrar mais forte. É este o risco do nuclear. Não são as bombas... é quem está atrás do "botão".

Continua então a haver risco... continua então a ser preciso falar disto, todos os anos, todos os dias se preciso for. Para que ninguém se esqueça que a morte está apenas dependente da decisão de alguém. Alguém com poder em mandar...

O material usado para a primeira bomba ("Little Boy") foi o urânio 235. A bomba foi transportada pelo avião "Enola Gay" e o seu rebentamento "causou a morte imediata de 70.000 pessoas, um número que subiu para 140.000 no final daquele ano." Os efeitos foram agravados porque o engenho tinha sido programado para explodir acima do solo e não quando embatesse nele, ou seja, não houve qualquer absorção da energia que se espalhou por vários quilómetros. Na tarde do ataque, uma chuva negra começou a espalhar a radiação, que viria a matar milhares de pessoas e a causar danos irreversíveis em muitas outras.

O que ainda hoje está em causa - em termos históricos, podemos dizer que a bomba foi lançada "ontem", pois ainda há danos a serem atualmente descobertos, pessoas afetadas e seus descendentes ainda vivos - é se o seu lançamento era imprescindível para terminar com a guerra ou se foi apenas uma manifestação do poder americano. E este é um tema que ainda nos nossos dias é complicado de discutir...

Justificar-se-iam os milhares de mortos, ou teria havido outra forma de amedontrar os inimigos e fazê-los depôr as armas? Talvez isso nunca se venha a saber, principalmente devido à forma como a opinião pública à época era levada a entender a guerra e as suas consequências. Hoje vemos imagens terríveis, fotografadas e gravadas logo após a explosão, que nem sequer nos mostram exatamente o que ocorreu no local do impacto, mas na época, a quantas pessoas chegaram essas imagens? Poucas pessoas na Europa tinham acesso naqueles dias a ver as notícias na televisão (em Portugal a televisão pública chegaria em 1957) e ou jornais que chegavam às bancas eram, em muitos casos, sujeitos a censura prévia. Não houve o impacto que teria hoje, afinal, para muitos europeus e americanos foi o cessar de uma ameaça real - os ataques dos japoneses eram vistos como altamente eficazes e mortais, um risco ao qual tinha de ser posto cobro. Já para nem falar que na altura ninguém navegava na Internet... e há aqui muito mais a dizer e a analisar, ainda nos tempos que correm.

A descoberta da fissão nuclear que depois viria a dar origem à bomba, ocorreu "dois meses antes do início da Segunda Guerra Mundial," num laboratório de Berlim. Os três físicos, a que a bomba deve a sua origem, chamavam-se "Otto Hahn, Lise Meitner e Fritz Strassman." Perguntamo-nos para já, como é que começou a II Guerra Mundial.

Apesar de se apontar a invasão da Polónia (em 1939) pelas tropas de Hitler, como fator percursor deste conflito,houve vários acontecimentos que foram alargando as tensões que se viviam desde a Primeira Gue rra. Esta invasão vem no seguimento da assinatura de um "Pacto de Não-Agressão" e de um protocolo secreto que tinha como uma das suas cáusulas a divisão do Leste da Europa entre si.

Aquando da invasão da Polónia, a Inglaterra e a França fizeram um ultimato aos alemães, que dois dias depois daria início ao ataque contra a Alemanha por parte destes países. Poucos dias depois, a Rússia (através do protocolo assinado entre as duas potências) avança também, invadindo a Polónia.

No entanto, temos de nos afastar um pouco e olhar também para o resto das anexações e tratados, que já tinham entretanto começado a delinear os dois grandes blocos que se oporiam: de um lado o Japão (que em 1937 tinha atacado a China), a Alemanha (que em 1938 tinha anexado a Áustria) e a Itália, do outro lado a União Soviética, a China e o Reino Unido. Em 1939, quando a Alemanha viola o Acordo de Munique assinado no ano anterior, ocupando as províncias resultantes do desmantelamento da Checoslováquia e a Itália anexa a Albânia, o clima já estava suficientemente quente para se evitar a Guerra.

O ataque dos japoneses a Pearl Harbour ocorreria em 1941e levaria os EUA a juntarem-se ao conflito, naquela que seria apelidada de "Guerra do Pacífico" e que levou a vários ataques (sobretudo aéreos) sobre Tóquio e outras cidades nipónicas. No mesmo dia em que decorria o ataque ao porto americano e que levou à morte de milhares de soldados, "a aviação japonesa atacou vários objetivos estratégicos: Manila, nas Filipinas, Malásia, Singapura e Hong-Kong, enquanto as forças terrestres desembarcavam no Bornéu britânico e no Norte da Malásia; foi também por essa altura que a Tailândia foi ocupada." A guerra parecia estar a virar e, os americanos, não estavam a conseguir derrotar as tropas japonesas, apesar de vários ataques bem sucedidos. As perdas de vidas eram aos milhares de ambos os lados. Em junho de 1942, os EUA começam a ter novamente algum domínio e recuperam territórios entretanto perdidos para o inimigo.

Entretanto, Roosevelt receberia uma carta de Albert Eistein que o avisava da possibilidade da Alemanha estar a tentar fabricar uma bomba com grande capacidade destrutiva, o que levaria o presidente dos EUA a autorizar o início do Projeto Manhattan, "uma corrida para vencer a Alemanha no desenvolvimento de armas atómicas." Este projeto seria liderado pelo "físico Robert Oppenheimer (1904-1967)," e conduziria os EUA para os dois ataques mais mortíferos da história. A ideia seria a de criar algo que dissuadisse os alemães a usar a energia nuclear - o que mais tarde, viria a designar-se como "o princípio da destruição mútua assegurada (ou MAD), intimamente relacionado com a teoria da dissuasão" - mas o que aconteceu foi um ataque que matou milhares de pessoas.

Apesar dos progressos americanos, a guerra parecia estar a terminar com a queda da Alemanha no ocidente, mas o Japão ainda continuava a atacar territórios defendidos pelos americanos, incluindo a  dominava "a Indochina, grande parte da China continental, a Indonésia e muitas ilhas dispersas." Para os EUA, era impensável desistir e deixar de dominar o Japão, mas isso não iria ser facilmente conseguido. "Perante este cenário, o presidente americano Truman tomou a decisão de lançar a bomba atómica sobre Hiroshima." Iria seguir-se Nagasáqui a 9 de agosto, enquanto a URSS voltava a entrar no conflito, atacando "o Japão nos seus domínios continentais da Manchúria e da Coreia."

Depois do lançamento da bomba sobre Hiroshima, seria lançado um segundo engenho sobre a zona de Nagasáqui. Então, podemos afirmar que foi uma defesa e que era essencial o lançamento das bombas, ou terá sido um aproveitamento, um último recurso contra uma força que, apesar de todos os ataques, não se estava a deixar fragilizar? A ONU, criada em outubro de 1945, viria, anos mais tarde, a propor um Tratado para evitar que Hiroshima e Nagasaki se viessem a repetir. Vários países assinaram o Tratado, mas nem todos se mantém longe da corrida ao armamento de destruição em massa. O Japão foi um dos países que nunca chegou a aderir ao "tratado da ONU sobre a proibição de armas nucleares, assinado em 2017."


Ver também:

https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/dia-internacional-para-a-eliminacao-188777

https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/75-anos-de-hiroshima-292410

https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/50-anos-contra-as-armas-nucleares-283933


Fontes:

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cydzer73zd7o

https://www.publico.pt/2023/08/06/opiniao/opiniao/lancamento-bomba-atomica-78-anos-dilema-etico-2059311

https://sicnoticias.pt/olhares-pelo-mundo/2025-08-06-video-hiroshima-assinala-80-anos-da-bomba-atomica-13d06925

https://theconversation.com/80-anos-depois-o-que-aconteceu-com-os-sobreviventes-de-hiroshima-e-nagasaki-262756

https://www.infopedia.pt/artigos/$guerra-do-pacifico-(1941-1945

 

11/03/2025

50 anos de democracia - a Intentona de 11 de março

Durante a manhã de 11 de março de 1975, "Lisboa é palco de inesperadas movimentações militares: uma parelha de T6 sobrevoa Lisboa a baixa altitude em ação de intimidação." Mais tarde, pelas 11h50, "forças da Base Aérea n.º 3 atacam o Regimento de Artilharia Ligeira n.º 1 (RAL 1), provocando um morto e 14 feridos." Ao princípio dessa tarde, "o general António de Spínola e os principais implicados no golpe fogem para Espanha." A Intentona de "11 de Março de 1975 apenas é compreensível se analisarmos de uma forma mais ampla os acontecimentos e processos que tiveram lugar desde o 25 de Abril de 1974 e, em particular, a partir do 28 de Setembro."

Ocorre que depois da revolução de abril de 1974, as forças políticas ligadas a Spínola e à direita democrática, queriam que "Portugal liderasse uma organização" em que estivessem incluídas as antigas colónias, e que nestas fossem garantidos os interesses do país. Ora esta posição é oposta à defendida pelos militares que tinham preparado o 25 de Abril, "principalmente os membros do Movimento das Forças Armadas (MFA)." Este Movimento apoiava por sua vez "os partidos totalitaristas marxistas africanos que estavam a consolidar controlo dos territórios recém-independentes, chegando os portugueses do MFA até a posicionar-se contra as organizações de nativos oposicionistas," apoiando a sua "supressão." 

Os "novos regimes africanos em consolidação," não poupam nem os portugueses que por lá se tinham mantido, nem os "autóctones, que são apoiantes do antigo regime ou pertencentes a facções opostas," o que leva a uma situação de precariedade, "com crescentes conflitos, perseguições políticas e exclusões dos processos transicionários na forma de violência, exílios, prisões e mesmo mortes." Spínola queria fazer valer a "independência dos territórios," garantindo a estabilidade dos portugueses, enquanto o MFA, cansado da guerra, queria fazer sair, quão rapidamente fosse possível, as tropas, não se mostrando "dispostos a prolongar a sua presença em África."

Em setembro de 1974, "na tentativa de contrariar uma viragem à esquerda liderada por diversas forças, Spínola" promove "a realização de uma manifestação de apoio à sua política." No entanto, essa manifestação acaba por ser inviabilizada por um grupo de civis apoiantes da esquerda e por "elementos do Movimento das Forças Armadas (MFA)." Em consequência desta derrota, o general Spínola demite-se e é substituído por Costa Gomes. 

Demitem-se também os "ministros da Defesa e da Comunicação Social, Firmino Miguel e Sanches Osório, respetivamente." A 1 de outubro de 1974 toma posse o III Governo Constitucional, que se torna "o segundo mais longo de todo o processo revolucionário português, abrindo uma fase de alguma estabilidade." É constituído ainda o "Conselho dos Vinte, organismo que reúne todos os oficiais com funções político-militares: membros da JSN, da Coordenadora do MFA, comandante-adjunto do COPCON e ex-membros da Coordenadora que, nesse momento, desempenhavam funções de ministro ou Alto-Comissário." Pretendia-se assim articular a "intervenção política dos militares e evitar as decisões de cúpula da JSN."

No entanto, a imagem internacional do país passa a ser uma preocupação. A de março de 1975, Spínola é informado de um possível ataque que visaria a direita. Perante esta suposição denunciada pelos "serviços secretos espanhóis" é preparado um "novo golpe."

Segundo informação que correu então, "1500 pessoas ligadas à direita," estariam sob a mira de forças de esquerda, ligadas ao PCP e à União Soviética. Esta operação (também conhecida como operação matança da Páscoa e que teria entre as personalidades a abater 500 oficiais e 1000 civis apoiantes de Spínola), levou a que no dia 11 de março, o Regimento de Artilharia de Lisboa fosse "atacado por aviões e helicópteros da Força Aérea e por unidades de paraquedistas. Um soldado é morto durante o ataque e, no dia seguinte, regista-se também a morte de um civil." 

Perante tal falha, "Spínola escapa de avião para Espanha e outros oficiais pedem asilo político noutras embaixadas localizadas em Lisboa." Uma das consequências é a radicalização "à esquerda" e a consequente nacionalização (nomeadamente, da banca). Mais tarde, "Vasco Lourenço, implicado nesta alegada ação," acabaria por declarar "que não havia lista nenhuma na operação matança da Páscoa, e que afinal tinham "sido serviços de informação americanos ou russos que puseram a circular essa ideia com o fim de «lançar a casca de banana aos spinolistas»." 

Fontes:

https://50anos25abril.pt/historia/11-de-marco/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Golpe_de_11_de_Mar%C3%A7o_de_1975

https://ensina.rtp.pt/artigo/a-tentativa-de-golpe-de-11-marco-de-1975/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Matan%C3%A7a_da_P%C3%A1scoa

https://50anos25abril.pt/historia/11-de-marco/equilibrios-politicos-no-pos-28-de-setembro/




12/02/2025

Vulcão Kilauea volta a expelir lava

Bem dita a verdade, este vulcão é um dos mais ativos do mundo e voltou a expelir lava.

O Kilauea está localizado "na Ilha Grande do Havai, a cerca de 320 quilómetros de Honolulu" e este foi já o "nono episódio eruptivo" deste sistema desde que voltou a estar ativo no fim do ano passado, "a 23 de dezembro de 2024." Apesar de não haver perigo direto para as populações, "a libertação de gás vulcânico, que pode ocorrer nos próximos dias" merece alguns cuidados.

Sabiam que além de ser um dos mais ativos do mundo, este "vulcão tornou-se uma atração turística a partir de 1840"? Vários hotéis foram construídos na sua proximidade, permitindo aos seus hóspedes observar as erupções, as quais à noite, ainda são mais deslumbrantes. "A atual erupção do Kilauea remonta a janeiro de 1983 e é de longe sua erupção mais longa, bem como uma das erupções mais longas do mundo. A partir de janeiro de 2011, a erupção produziu 3,5 km³ de lava e ressurgiu 123,2 km2 de terra."

Leia também: https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/vulcoes-o-inferno-sob-as-ilhas-401530

Fontes:

https://sicnoticias.pt/olhares-pelo-mundo/2025-02-12-video-vulcao-kilauea-de-novo-em-erupcao-lava-atinge-100-metros-de-altura-84d7764f

https://pt.wikipedia.org/wiki/Kilauea

06/02/2025

Sismos continuam a abalar ilhas gregas

A situação nas ilhas gregas tem levantado preocupações devido aos vários sismos que têm sido sentidos nos últimos dias. A "Grécia declarou esta quinta-feira estado de emergência na região, que durará até 1 de março." Em Santorini as ruas estão praticamente desertas, o comércio e as escolas estão fechadas.

"Desde a semana passada, foram registados 7,700 sismos, entre Santorini e a ilha de Amorgos, que levaram mais de 12 mil residentes e trabalhadores a retirarem-se." Sim, o número est´correto. O mais forte aconteceu ontem, com uma "magnitude 5,2 na escala de Richter" e hoje foram sentidos novos abalos na ilha. Felizmente, não se têm registado danos graves ou feridos, mas as equipas de resgate estão preparadas para atuar em caso de necessidade. 

Apesar da intensidade aparentemente estar a diminuir, os "especialistas ainda não conseguiram dar uma estimativa definitiva de quando esta atividade sísmica vai terminar." Esta região "não registava tamanha atividade sísmica desde que os registos começaram em 1964," sendo que a ilha de Santorini "está sobre um vulcão que entrou em erupção pela última vez em 1950." De acordo com especialistas estes abalos não estarão relacionados com qualquer aumento "atividade vulcânica“.

Não é expectável que venha a haver, para já, um tsunami, embora não se possa descartar totalmente essa possibilidade. Por outro lado, o risco de erupção também está a ser vigiado, embora com baixa probabilidade de acontecer, uma vez que "a atividade que atualmente ocorre no Mar Egeu é de natureza tectónica, sendo portanto improvável que provoque atividade vulcânica."

O maior risco será o de haver deslizamentos de terra, que já levaram à decisão de encerrar algumas escolas que possam estar em zonas de maior risco. "Os moradores foram ainda aconselhados a evitar portos e reuniões em ambientes fechados."

Sabiam que a ilha de Santorini assumiu a sua forma atual após uma das maiores erupções vulcânicas da história, que terá acontecido por volta de 1600 AC?

27/01/2025

Passaram-se 80 anos desde a libertação de Auschwitz

No dia 27 de janeiro de 1945, soldados das forças soviéticas chegaram ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polónia, onde encontraram aqueles que tinham ficado para trás. Começo por aconselhar a vossa pesquisa sobre esta data - existe muita informação, espalhada por aí. Reforço ainda que esta data não deve ser esquecida! Um dos primeiros locais que vos convido a visitar é o site "A Enciclopédia do Holocausto", onde encontram diversa informação sobre o tema.

"À medida em que as tropas aliadas penetravam na Europa, em uma série de ofensivas contra a Alemanha, os soldados começaram a encontrar e a libertar os prisioneiros dos campos de concentração, muitos dos quais haviam sobrevivido às marchas da morte para o interior da Alemanha. As forças soviéticas foram as primeiras a se aproximar de um campo nazista de grande porte, chegando ao campo de Majdanek próximo de Lublin na Polônia, em julho de 1944. Surpreendidos pelo rápido avanço soviético, os alemães tentaram demolir o campo numa tentativa de ocultar as evidências do extermínio em massa que haviam cometido."

Neste dia, começava a ser posta a descoberto "a escala das atrocidades cometidas pelo regime nazi naquele e noutros locais.

"6 milhões de judeus, minorias e dissidentes políticos foram assassinados durante a Segunda Guerra Mundial pelo regime nazi," e para que isto não se repita, há que lembrar o que se passou e não deixar disseminar as ideologias que, ainda hoje, passados 80 anos, dizem que foi tudo uma invenção.

Assinalando hoje o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto e os 80 anos que passaram sobre a libertação de Auschwitz, António Guterres, chefe das Nações Unidas, ressalta durante o seu discurso "que a lembrança dos eventos do Holocausto é um bastião contra a difamação da humanidade e um apelo à ação coletiva para garantir o respeito pela dignidade e pelos princípios fundamentais."

Os campos de concentração nazi foram erguidos na Alemanha em março de 1933, logo depois de Adolf Hitler se ter tornado Chanceler e do seu Partido ter recebido "o controle da polícia pelo Ministro do Interior do Reich, Wilhelm Frick, e pelo Ministro do Interior prussiano, Hermann Göring." Estes campos eram usados "para prender e torturar" aqueles que eram considerados como "adversários políticos e sindicalistas." Inicialmente, cerca de "45 mil prisioneiros" deram entrada nestes campos. Estima-se que em janeiro de 1945, estivessem em campos de concentração cerca de "715 000" pessoas. Além dos campos de concentração, onde existiam "bases de recursos de trabalho forçado para empresas alemãs," foram também criados "os campos de extermínio." Estes campos foram estabelecidos com apenas um objetivo: matar! Nestes campos, foram assassinadas milhares de pessoas, de todas as idades, a uma escala praticamente "industrial" não só de judeus, mas também de eslavos, comunistas, homossexuais e outros que os nazistas consideravam "Untermensch" (povos inferiores) ou indignos de viver," através das "câmaras de gás." 

Este genocídio do povo judeu por toda a Europa foi a solução encontrada pelo "Terceiro Reich para a questão judaica", o que hoje designamos coletivamente por Holocausto. 

Mas aqueles que conseguiram sobreviver, nunca chegaram a ver a sua vida reposta nem foi feita justiça ao que ali sofreram, muito menos chegou alguma vez a ser feita justiça às mortes causadas às mãos dos nazis.

A "segregação da população judaica na Alemanha," começou com "as leis de Nuremberga," introduzidas a "15 de setembro de 1935 pelo Reichstag, numa reunião especial durante o comício anual em Nuremberga do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães." O objetivo era obrigar à "Protecção do Sangue Alemão e da Honra Alemã." Em "26 de novembro de 1935", as leis foram corrigidas para incluírem, além da população judaica, "os ciganos e os negros." No ano seguinte, "depois dos Jogos Olímpicos de Verão de 1936," que se realizaram em Berlim, começaram as perseguições sob pretexto de pôr em prática estas leis.

"As Leis de Nuremberga tiveram um impacto económico e social incapacitante na comunidade judaica. As pessoas suspeitas de violar as leis do casamento eram detidas, e (a partir de 8 de março de 1938) após terem cumprido as suas condenações, eram novamente presas pela Gestapo e enviadas para campos de concentração nazis."

"Em 1938, já era difícil, se não impossível, os emigrantes judeus encontrarem um país que os aceitasse. Os esquemas para as deportações em massa, como o Plano Madagáscar, mostraram-se impossíveis de realizar, e a partir de meados de 1941, o governo alemão deu início à exterminação em massa dos judeus na Europa." Este plano consistiu numa tentativa de "transferir a população" judaica "da Europa para a ilha de Madagáscar," proposta pelo governo nazi, depois da França entregar a sua colónia à "Alemanha, como parte dos termos de rendição franceses," na 2ª Guerra Mundial. Este plano, acabou por não ir em frente e foi substituído, por uma "evacuação para o leste," mas que não era nada mais nada menos do que a expulsão e perseguição dos judeus em direção ao leste da Europa.

Fontes:


https://www.presidencia.pt/atualidade/toda-a-atualidade/2025/01/presidente-da-republica-assinala-o-80-o-aniversario-da-libertacao-do-campo-de-concentracao-e-exterminacao-de-auschwitz-e-o-dia-internacional-em-memoria-das-vitimas-do-holocausto/


https://expresso.pt/podcasts/o-mundo-a-seus-pes/2025-01-27-80-anos-de-libertacao-de-auschwitz-os-sobreviventes-estao-a-enfrentar-uma-vaga-de-antissemitismo-comparavel-a-dos-anos-30-e-40-082fa212


https://pt.wikipedia.org/wiki/Leis_de_Nuremberg


https://pt.wikipedia.org/wiki/Campos_de_concentra%C3%A7%C3%A3o_nazistas


https://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_de_exterm%C3%ADnio


https://news.un.org/pt/story/2025/01/1844016


https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/liberation-of-nazi-camps


 

19/01/2025

Cessar-fogo entre Israel e o Hamas

Nestes quinze meses de guerra, "as Forças de Defesa de Israel (IDF) bombardearam e ocuparam grande parte do território palestino," no qual o Hamas, domina. Pelo menos "46913 pessoas foram mortas em mais de 15 meses de guerra na Faixa de Gaza." De acordo com este balanço, feito à meia-noite de ontem, registaram-se também "110750" feridos na "Faixa de Gaza, onde a guerra foi desencadeada por um ataque do Hamas a Israel em 07 de outubro de 2023."


O "Hamas é classificado como uma organização terrorista por Israel," bem como pelos "seus aliados ocidentais, assim como por alguns países árabes." Este conflito já terá morto "dezenas de milhares" de pessoas, entre as quais estão vários elementos de "organizações humanitárias" e também vários jornalistas e repórteres.


Na passada quarta-feira (dia 15/01), o Catar anunciou um avanço nas negociações para pôr fim ao conflito armado entre Israel e o Hamas." O acordo foi também mediado pelos EUA, Catar, Egito e Turquia. 


Depois de uma reunião que decorreu ontem e se estendeu por cerca de seis horas, "o governo de Benjamin Netanyahu ratificou o plano," o qual refere que as "armas deverão ser silenciadas inicialmente por seis semanas" a partir de hoje, domingo.


Israel deve começar por retirar as suas tropas da Faixa de Gaza e, ambos os lados, irão "libertar reféns e prisioneiros." Além disso, deverão ser abertos corredores de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza.


"Na primeira fase do cessar-fogo, que deve durar 42 dias, o Hamas deve entregar 33 reféns a Israel," prevendo o acordo a libertação inicial "de todas as crianças e mulheres restantes, seguidas pelos homens com mais de 50 anos de idade." No entanto, é desconhecido quantos dos reféns poderão já ter perdido a vida: até ao "momento, 36 deles foram declarados mortos," e outros 110 foram já "libertados com vida."


Sobre este cessar-fogo que hoje começa, teve grande influência como referi anteriormente, do governo dos EUA. Apesar de ainda estar em funções Joe Biden, Donald Trump tinha já ameaçado o Hamas: "se esses reféns não estiverem de volta quando eu assumir o cargo, o inferno vai explodir no Oriente Médio. E isso não será bom para o Hamas, e não será bom para ninguém".


O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, acusou o Hamas de rejeitar partes do acordo para conseguir "extorquir concessões no último minuto", o que levou ao adiamento do início do cessar-fogo, uma vez que faltava a entrega do nome dos três reféns que seriam libertados. Apesar das negociações, ainda esta manhã, várias "regiões do norte de Gaza foram bombardeadas por Israel."


Pouco depois da entrada em vigor do cessar-fogo, os "primeiros camiões com ajuda humanitária entraram em Gaza." De acordo com um funcionário egípcio, “260 camiões de ajuda humanitária e 16 camiões de combustível” entraram através "da passagem de Kerem Shalom, entre Israel e Gaza, e de Nitzana, na fronteira entre o Egito e Israel."




A ONU apelou para que os países que têm “influência” sobre Israel, o Hamas e os grupos armados que estão a saquear os comboios, "para que usem a sua influência para que a ajuda possa chegar à população






As três primeiras "reféns israelitas já chegaram ao ponto de encontro definido, no sul do país," de onde seguirão depois para se juntar às “suas mães." Estas "jovens e as suas famílias serão acompanhadas pelas IDF até ao hospital Ramat Gan, onde serão sujeitas a uma primeira avaliação médica.






De acordo com informação transmitida pela Al Jazeera, "já chegaram à prisão de Ofer, na Cisjordânia, os membros da Cruz Vermelha responsáveis por receber 90 palestinianos feitos reféns por Israel," mas a entrega destes reféns, só se daria depois destas "três jovens israelitas," chegarem ao seu país.


Mas mesmo que o cessar-fogo seja respeitado por ambos os lados, o que se irá seguir?


 




Fontes:


https://www.dw.com/pt-br/israel-e-hamas-o-que-se-sabe-sobre-o-acordo-de-cessar-fogo/a-71324717


https://pt.euronews.com/2025/01/19/cessar-fogo-adiado-israel-suspende-entrada-em-vigor-ate-que-o-hamas-entregue-nomes-dos-ref


https://observador.pt/liveblogs/cessar-fogo-na-faixa-de-gaza-suspenso-ate-que-hamas-apresente-lista-de-refens-a-libertar/


 


 

03/01/2025

Mais um sismo sentido no Chile






De acordo com o Serviço Geológico dos EUA, foi ontem sentido um "sismo de magnitude 6.1" na região de "Antofagaste, no Chile, a cerca de 80 km da cidade de Calama, no norte do país."


Este abalo de intensidade já considerável "foi registado pela população em várias partes do país, mas o Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres do Chile informa ainda não ter recebido relatos sobre danos materiais ou vítimas," continuando a avaliar se ocorreram alguns danos na região.


O sismo terá tido o seu epicentro "a cerca de 100 km de profundidade, pelas 17h43 locais (20h43 em Portugal)."


Este país está no chamado "Círculo de Fogo do Pacífico" e, é por isso, uma das regiões mais propensas à ocorrência destes fenómenos. Em julho, um abalo de "magnitude 7,3 atingiu o norte do Chile" tendo sido sentido em regiões tão distantes como "São Paulo," no Brasil. Um outro abalo de "magnitude 6.4" foi sentido na região chilena, no passado dia 13 de dezembro, mais especificamente, na "região montanhosa da Cordilheira dos Andes."


Em 2010, um forte sismo ocorrido no Chile alterou mesmo "o eixo de rotação da Terra e encurtou a duração dos dias na Terra. Cálculos efetuados pela NASA mostram que houve uma alteração de 8 centímetros no eixo do planeta. O dia ficou mais curto 1,26 micro segundos."


E ao que parece este evento não foi o único  provocar estas alterações. Em 2004 , o sismo na Indonésia, que completou há poucos dias 20 anos da sua ocorrência, "mudou em sete centímetros o eixo da Terra."


Fontes:


https://observador.pt/2025/01/02/sismo-de-magnitude-6-1-no-norte-do-chile/


https://g1.globo.com/mundo/noticia/2024/12/13/terremoto-e-sentido-no-chile.ghtml


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/sismo-do-chile-alterou-eixo-de-rotacao-da-terra-e-encurtou-duracao-do-dia_v324494






29/12/2024

Desastre aéreo na Coreia do Sul

Pensavamos que o ano de 2024 já nos tinha dado tudo... mas afinal ainda há mais.


Um "Boeing 737-8AS," da Coreia do Sul, com 181 pessoas a bordo, despistou-se durante a aterragem e acabou por embater numa parede de betão e explodir violentamente. O acidente aconteceu "por volta das 09h07 (00h07 em Portugal continental)", quando a aeronave tentava aterrar "no aeroporto da cidade de Muan, a cerca de 290 quilómetros da capital, Seul."


Ao que se sabe, tinha havido uma primeira tentativa de aterragem que foi abortada por haver aves na pista. Quando fazia novamente a aproximação, a tripulação comunicou problemas com o avião e acabou por lhe ser indicada uma nova pista. Nas imagens, podemos ver que o trem de aterragem não baixou e que os flaps não são visíveis, o que dificultaria a redução de velocidade necessária para imobilizar o aparelho. O avião está praticamente destruído, havendo apenas dois sobreviventes contabilizados até agora, ambos "membros da tripulação."


A "Jeju Air é uma companhia low-cost que opera rotas para o Japão, Tailândia e Filipinas, além de voos domésticos" e foi fundada em 2005. Este voo era proveniente de Banguecoque, na Tailândia e o avião tinha 15 anos. Este foi 
um "dos desastres mais mortíferos da história da aviação sul-coreana. A última vez que a Coreia do Sul sofreu um grande desastre aéreo foi em 1997, quando um avião da Korean Airline se despenhou em Guam, matando 228 pessoas a bordo. Em 2013, um avião da Asiana Airlines despenhou-se em São Francisco, matando três pessoas e ferindo" outras "200."


Fontes:


https://www.publico.pt/2024/12/29/mundo/noticia/aviao-cai-coreia-sul-181-pessoas-bordo-2117146


https://pt.euronews.com/2024/12/29/sobe-para-151-o-numero-de-mortos-depois-de-aviao-se-incendiar-na-pista-na-coreia-do-sul


 

27/12/2024

Naufrágios no Mediterrâneo

As vítimas tentavam chegar a Espanha. Podemos julgar ou condenar as suas decisões? Não estamos na situação em que estas pessoas se encontravam e, por muito que queiramos pensar que haveria outras soluções, a verdade é que esta foi a solução que eles encontraram. 


Seguiam no barco cerca de 80 pessoas e o destino seria as ilhas Canárias, em Espanha, uma das várias portas de entrada na Europa. Destas apenas 11 sobreviveram. Entre as vítimas estão "25 jovens" provenientes do Mali. Os restantes 69 foram dados como mortos.


Mas o naufrágio deste barco aconteceu no passado dia 19 de dezembro, embora a Lusa e outras fontes estejam agora a divulgá-lo, por ocasião do balanço feito todos os anos e que nos dão conta de números assustadores. Este ano, "10.457 pessoas" perderam a vida "na tentativa de chegarem à costa espanhola, numa média de quase 30 por dia e num aumento de 58% em relação ao ano passado." A causa para tanta mortalidade poderá estar na falta de auxílio, com "os protocolos de resgate" a serem tardiamente ativados na maioria das vezes e à "escassez de recursos nas operações de resgate."


"Muitos migrantes que empreendem esta perigosa viagem vêm de países da África Ocidental, como o Mali, o Senegal e a Mauritânia, em busca de melhores condições de vida ou fugindo da violência e da agitação política."


Fontes:


https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2696906/perto-de-70-desaparecidos-em-naufragio-de-um-barco-em-marrocos


https://pt.euronews.com/my-europe/2024/12/27/mais-de-60-migrantes-mortos-apos-naufragio-quando-tentavam-chegar-as-canarias

25/12/2024

Queda de aviões ensombram natal

Hoje, dia de natal, um avião "Embraer 190" pertencente à Azerbaijan Airlines, "com 67 passageiros e cinco tripulantes "a bordo, sofreu um acidente perto da cidade de Aktau, no Cazaquistão."


Durante o dia de natal, as notícias sobre a queda desta aeronave foram-se sucedendo e fomos ficando a saber de mais alguns pormenores sobre o acidente e há mesmo a possibilidade do mesmo ter sido atingido por anti-aéreas russas, embora nas primeiras conjeturas se tivesse falado de um acidente envolvendo o embate com uma ave. Estranho que Vladimir Putin, presidente da Rússia, não tivesse tardado a "entrar em contato com o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, para expressar as suas condolências."


Segundo o relato de alguns sobreviventes, terá sido ouvida "uma explosão seguida pelo que pareciam ser estilhaços a atingirem o avião e a entrarem na fuselagem no aparelho." De facto, o que se vê nas imagens é a tentativa falhada de aterragem, com a aeronave a colidir com o solo. Apesar das tentativas dos socorristas que se dirigiram ao local, já pouco ou nada havia a fazer para 42 das 72 pessoas que seguiam a bordo. 


Dois dias antes, a 23 de dezembro, do outro lado do globo, 10 pessoas perderam a vida na queda de uma aeronave Piper Cheyenne 400, "em Gramado," Rio Grande do Sul. Entre os mortos está um cidadão lusodescendente. O piloto era "o empresário Luiz Claudio Salgueiro Galeazzi. Com ele viajavam vários familiares e um funcionário.


Em terra, registaram-se cerca de 17 feridos, dois dos "quais com gravidade." A aeronave terá atingido "a chaminé de um prédio, depois o segundo andar de uma casa," acabando por se "despenhar contra uma loja de telemóveis num bairro maioritariamente residencial."


Fontes:
https://www.publico.pt/2024/12/23/mundo/noticia/lusodescendente-10-mortos-acidente-aviao-sabado-brasil-2116655


https://www.terra.com.br/diversao/imagens-fortes-video-de-aviao-caindo-no-natal-com-67-passageiros-no-cazaquistao-viraliza-e-choca-a-web,26699e74bb2b5e7fcbd1d6a2c9f423f4gyqsd3q2.html


https://observador.pt/liveblogs/russia-lanca-ataque-em-massa-de-misseis-e-drones-contra-rede-eletrica-ucraniana-na-manha-de-natal/

01/11/2024

Por cá é feriado...

Assinala-se hoje em Portugal o Dia de Todos os Santos, mas para mim, aquilo que faz mais sentido assinalar é - apesar de posterior - a passagem de 269 anos desde o terrível sismo que afetou o nosso país e que, para sempre, ficará na nossa história. Nesta data, saem sempre alguns artigos de opinião sobre a prevalência de sismos no país, sobre a possibilidade de ocorrência de uma grande catástrofe que leve milhares de vidas ou sobre se estamos ou não preparados.


Claramente, não estamos preparados nem para um sismo, nem para um maremoto, como aquele que atingiu o país, destruindo tudo à sua passagem. Mas estamos muito melhor preparados do que estaríamos há quase 270 anos. Se tal acontecesse, iriam haver mortos, muitos deles soterrados pelos escombros dos edifícios, mas porventura muitos menos pelos incêndios que naquele dia deflagraram na capital.


De acordo com um artigo apresentado pela CNN Portugal, a ocorrência de um sismo com caraterísticas idênticas às de 1755 iria por exemplo levar à morte de muitos bebés e crianças, uma vez que "centenas de berçários e infantários estão instalados em edifícios de habitação antigos, que vão colapsar ou sofrer danos severos." Isto ocorre com mais frequência nas grandes cidades e, com menos frequência, no interior e em pequenas localidades. As escolas públicas precisam, na sua maioria, de um reforço estrutural e muitas estão localizadas em quotas baixas que seriam facilmente atingidas em caso de tsunami.


Segundo o mesmo artigo, a "maioria dos hospitais públicos também não resistiria a um sismo violento. Os dois hospitais centrais de Lisboa - Santa Maria e São José – são vulneráveis." 


O hospital de São José - que desde 1759 funciona no Convento de Santo Antão (de onde foram expulsos os Jesuítas por Marquês de Pombal) - é um dos mais antigos do país nasceu porque neste convento se passou "a abrigar os doentes provenientes do Hospital de Todos-os-Santos então destruído pelo terramoto de 1755." Atualmente, podemos dizer que se pratica aqui "medicina moderna em edifícios velhos e reconstruídos." No entanto, deixo aqui a questão, apesar da sua vulnerabilidade, não podemos deixar de reparar que o edifício principal sobreviveu ele próprio ao sismo de 1755. Nesse ano, "estima-se que entre 30 mil e 40 mil pessoas tenham perdido a vida," quantas perderíamos agora?


Das perdas desse dia, contam-se inúmeras infraestruturas importantes: "os seis hospitais da cidade, incluindo o de Todos-os-Santos, 33 palácios da grande nobreza, o Palácio Real, a Patriarcal, o Arquivo Real, a Casa da Índia, o Cais da Pedra, a Alfândega palácios, igrejas, bibliotecas, a faustosa Ópera do Tejo, inaugurada sete meses antes..."


Mas não posso deixar de referir que este acontecimento trágico trouxe uma grande mudança e que nesta mudança podemos encontrar aspetos positivos. A resposta dada inicialmente a este "desastre", que teve uma "magnitude estimada entre 8,5 e 9" e que "atingiu violentamente a capital e grande parte do sul de Portugal", foi coordenada por Sebastião José de Carvalho e Melo, conhecido como "Marquês de Pombal."


O Marquês "liderou os esforços de reconstrução, aplicando medidas urbanísticas inovadoras que moldaram a Lisboa moderna." Ganhou-se também "uma cidade nova, muito moderna para a época em que foi construída e, pormenor importante, edificada de acordo com um sistema anti-sísmico – a famosa estrutura flexível de madeira dos edifícios, «em gaiola»."


Por outro lado, a sociedade também sofreu uma mudança profunda, com clara influância no "pensamento filosófico e científico da época, especialmente sobre questões religiosas e de justiça divina, numa Europa iluminista que começava a questionar os fundamentos do mundo natural." Com esta catástrofe vieram-se a "equacionar questões importantes que mexiam com a religião, com os conceitos filosóficos, com o papel atribuído ao homem no palco do mundo."



«As nossas casa tremiam como folhas das árvores, e os nossos corações como as nossas casas. Imaginai, ó vindouros, o pavor com que o ranger e o ribombar da queda dos edifícios, que ruíam em massa, nos abrasava, como um fogo, até à medula dos ossos. Aqui uma caterva de gente contorcia-se sob os escombros, nas mais cruenta agonia. Além gritos lancinantes de morte coavam através das pedras e da terra, e a ninguém era possível acudir aos desventurados que se debatiam sozinhos. Mas além um desgraçado rasgava as unhas e a carne até aos ossos, a fim de salvar a sua pobre vida de uma cova – tal, porém, para nada mais lhe valendo senão para se tornar em coveiro de si mesmo, porquanto, com suas mãos, preparava o próprio túmulo».


(J.R.A. Piderit )



Fontes:


https://www.chlc.min-saude.pt/hospital-de-sao-jose/


https://cnnportugal.iol.pt/sismo/terramoto/terramoto-de-1755-vai-repetir-se-e-ceifar-a-geracao-de-portugueses-mais-jovem/20241101/6724b229d34ea1acf270247d


https://sicnoticias.pt/pais/2024-11-01-terramoto-de-1755-lisboa-recorda-o-dia-em-que-a-terra-tremeu-e-o-mar-engoliu-a-cidade-739e1a6a


https://aventar.eu/2010/02/07/o-terramoto-de-1755-e-a-cultura-europeia-da-epoca/

05/10/2024

O 5 de Outubro contado desde os seus alicerces

Conhecemos o que se passou a 5 de outubro de 1910 e que veio a ditar que amanhã se assinale a Implantação da República, proclamada por José Relvas da varanda da Câmara Municipal de Lisboa, mas muitos factos acabam por ficar esquecidos, tais como as conferências da geração de 70, a implicação do Ultimato Inglês ou a formação dos partidos políticos que iriam mudar o país.


O Republicanismo não era uma ideia nova em Portugal. Já em 1820, a ideia começava a dar ares da sua graça durante a Revolução Liberal, mas é em 1883 que o Partido Republicano Português é finalmente fundado. O objetivo defendido pelos republicanos "era o de substituir a monarquia e a figura do rei por um regime presidencial apoiado numa assembleia que reunisse representantes votados pela população."


Se até ao início do século XIX, Portugal poderia ser considerado uma grande potência europeia, com o Brasil a proclamar "a sua independência em 1822," Portugal fica "privado da sua principal fonte de receitas" e teve "de reconfigurar a sua economia, apostando na indústria e reativação da agricultura para aumentar a produção interna."


Portugal vivia numa democracia constitucional, (reflexo das ideias das Revoluções Americana e Francesa e das revoluções liberais), a ser governado por "dois partidos, o Regenerador e o Progressista, ambos fiéis ao rei." 


No entanto, a instabilidade causada pelas lutas "entre liberais e absolutistas que se estenderam até 1834 não permitiram o arranque económico." O país ia passando por sucessivos conflitos internos que levaram a tentativas de implementar diversos projetos políticos e económicos, dos quais se destacam as propostas setembristas e cabralistas. Desde logo o "projeto setembrista" (primeiro em 1836 e mais tarde em 1842), tentou "estimular a indústria através de medidas protecionistas," enquanto o cabralismo, (que 1842 sucedeu ao projeto setembrista e, novamente em 1846), embora seguindo também por ideais protecionistas, lançou um amplo pacote de reformas tendentes a obter receitas, através de mais impostos e de impopulares reformas políticas," acabou por lançar "o país em revoltas anti fiscais, como foi o caso da Maria da Fonte," provocando uma "nova guerra civil entre 1846 e 1847."


Em 1851, a Regeneração, permitiu o lançamento do desenvolvimento material e trouxe uma aparente estabilidade ao país.


Nos anos 70, debatia sobre os problemas do país um grupo de intelectuais, naquelas que seriam chamadas as "conferências democráticas, também conhecidas como conferências do casino." Este grupo, onde se incluiam entre outros, "Antero de Quental, Eça de Queiroz, Oliveira Martins e Teófilo Braga," era designado pela "geração de 70," e debruçava-se sobre os problemas do país, aproveitando "a onda de mudança que se vivia noutros pontos da Europa." Receando a interferência destes na política e nas "leis" do país, a coroa acabou por interromper e proibir a realização destas conferências, através de uma portaria emitida em 1871.


D. Luís e D. Carlos não conseguiam pôr cobro às sucessivas revoltas e chegaram a recorrer "amiúde à dissolução do parlamento, forçando eleições, mas as mudanças nunca resultavam e apenas descredibilizavam o sistema político português."


A 11 de janeiro de 1890, "Inglaterra lança um ultimato a Portugal para que abandonasse o território entre as suas colónias africanas de Angola e Moçambique," acabando com a proposta do “mapa cor-de-rosa” que Portugal queria impôr. "O Governo português, com o apoio do rei D. Carlos, cede de imediato ao Ultimato, gerando reações nacionalistas e antibritânicas, assim como um movimento de contestação à Monarquia."


O Parlamento acabou por ratificar "um tratado anglo-luso," que acabaria por conduzir ao fim "do regime monárquico em Portugal" e à "emergência do movimento republicano."


Esta cedência do rei e do próprio Parlamento, causou ações em resposta.


Um dos opositores ao regime monárquico foi Guerra Junqueiro, que também fazia parte do grupo de notáveis da Geração de 70, e que viria depois a tornar-se uma das personagens relevantes na Implantação da República. A imprensa incentivava o ódio contra os ingleses:  “Nas lojas de Lisboa, não se vendia a ingleses; nos alfaiates, não se costuravam figurinos ingleses; nas docas, não se descarregavam barcos ingleses; nos hotéis, não havia quartos para ingleses. (...)" 


Um ano depois do Ultimato, a 31 de Janeiro de 1891, ocorre na cidade do Porto "a primeira tentativa de implantação da República em Portugal."


"Alves da Veiga, advogado republicano," chegou mesmo a subir "à varanda da Câmara Municipal do Porto para proclamar a República. Boa parte da acção foi organizada por militares e, no empolgamento, foi esmagada por outros militares fiéis ao monarca. Os líderes do golpe exilaram-se e mais de quinhentos revoltosos foram presos."


Este acontecimento, apesar do fracasso, viria a trazer importantes lições "sobre o que não se fazer quando se quer derrubar um rei."


Do ponto de vista republicano, "só um verdadeiro governo baseado nos ideais liberais da Revolução Francesa – Liberdade, Igualdade, Fraternidade – podia responder aos problemas do país." Parte desta revolta foi também a composição de "A Portuguesa", por "Alfredo Keil e Henrique Lopes de Mendonça," que se mostrou como um autêntico "manifesto de nacionalismo e de resistência aos britânicos." Este seria "adotado como Hino Nacional após a Revolução Republicana de 5 de Outubro de 1910."


Fontes:


https://ensina.rtp.pt/explicador/os-obstaculos-a-modernizacao-portuguesa-na-primeira-metade-do-seculo-xix/


https://ensina.rtp.pt/artigo/a-suspensao-das-conferencias-do-casino/


https://ensina.rtp.pt/artigo/guerra-junqueiro-1850-1923/


https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/Ultimato-britanico.aspx

04/10/2024

O almirante que não chegou a ver a República






De origem Cabo-verdiana, Cândido dos Reis nasceu em 1852 e morreu em 1910, na Travessa das Freiras, em Arroios e foi uma das figuras que preparou a revolução mas que acabou por não assistir à mesma. Por esse e outros motivos, acabou por ficar pouco conhecido da maioria dos portugueses, mas este vice-almirante teria um papel muito relevante "na insurreição republicana iniciada em Lisboa à uma da manhã" do dia 4 de outubro de 1910. No entanto, tudo correu mal e ele não chegou a "comandar a marinha de guerra," como estava previsto.


Como combinado, o almirante cobriu a farda de gala com um sobretudo e ficou "no Cais da Viscondessa" a aguardar "transporte para os navios de guerra fundeados no Tejo – os cruzadores S. Rafael, Adamastor e D. Carlos." Mas à "hora marcada, não encontrou o barco previsto, acabou por tentar embarcar noutro, que não estava pronto para navegar, e por fim vieram dizer-lhe que tudo falhara."


Alguém lhe etrá comunicado que estava tudo tranquilo em Lisboa e Cândido "acabou por se recolher à casa de uma irmã, na rua D. Estefânia. Durante a madrugada, concluiu provavelmente que a aventura revolucionária só servira para o comprometer."


Na manhã de 05 de outubro, Cândido de apenas 58 anos, apareceria "morto na travessa das Freiras, em frente ao hospital de Arroios. Matara-se com um tiro de pistola." Nunca chegaria a saber que "os navios de guerra acabaram mesmo por se revoltar e que umas centenas de sargentos e de soldados insurrectos, acampados na Rotunda (hoje praça Marquês de Pombal), resistiriam o tempo necessário para a monarquia constitucional se desconjuntar." Por um lado, este suicídio, bem como as fugas que ocorreram a essa data, vieram revelar "o carácter caótico da conspiração."


Para que os revolucionários não desmotivassem ao saber do suicídio, chegaram mesmo a "imprimir um panfleto a anunciar que" Cândido dos Reis era o vice-almirante responsável pelo avanço das "tropas da marinha," fazendo com que muita gente tenha acreditado que era ele "quem dirigia a revolução."4


De facto, as primeiras "grandes cerimónias da república" foram mesmo as exéquias de Cândido dos Reis e do médico "Miguel Bombarda, considerado o chefe civil da revolução" acabou por ser "assassinado por um doente na manhã de 3 de Outubro," o que "fez recear a revolução." Se no caso da morte do vice-almirante, "a hipótese de suicídio" tivesse sido "sustentada por um estudante que lhe dedicou uma tese defendida na Faculdade de Medicina de Lisboa em Dezembro de 1911," o caso de Miguel Bombarda terá sido mesmo um atentado.


Sem a participação de Reis ou de Bombarda, provavelmente a revolução republicana não teria acontecido em outubro de 1910. A função de Cândido dos Reis, que pertencia à maçonaria, teria sido a de "recrutar oficiais na marinha e no exército para um golpe armado contra a monarquia constitucional."


"Na última reunião dos conspiradores, às oito meia da noite de 3 outubro," Cândido dos Reis mostrou ser um dos mais decididos, mas o governo tinha posto "a guarnição de Lisboa de prevenção," e isso fez com que alguns achassem "que tudo devia ser adiado. Reis, extremamente exaltado, contrariou a tendência" da maioria. 


Além de ser maçon, Reis também se dava "com jornalistas republicanos." No entanto, "nada disso o impedira de fazer uma carreira cheia de promoções e de condecorações na marinha, com serviço nas colónias," sendo também bastante estimado pelo "rei D. Carlos," que o considerava um “homem de bem”.










Bombarda, que "também não era militante do PRP," era um "crente na ciência como única base legítima do conhecimento, e como tal inimigo do clero católico tradicionalista, especialmente dos jesuítas." No entanto, "isso não o impedira de ser deputado da monarquia e de apoiar o primeiro governo nomeado por D. Manuel II em 1908."


Bombarda só aderiria ao ideal revolucionário em "1909, quando julgou perceber que a influência clerical apenas poderia ser desfeita através de uma mudança de regime."


O suicídio de Cândido dos Reis é muito significativo, principalmente devido à sua reputação de “austeridade”, de vida “espartana”. Era um homem simples e "de opções violentas, que não aceitava calculismos nem transigências." Terá até referido várias vezes que o suicídio seria uma possibilidade caso a revolução fracassasse, repetindo em cada reunião que seria “vitória ou morte."


Nessa madrugada, "o almirante não deve ter suportado a ideia" de vir a ser preso, julgado e deportado.










"Mais do que os tribunais da monarquia, receava provavelmente a imprensa republicana, que havia de o culpar pela precipitação e pelo fracasso do golpe," lembrando-se como tinha terminado "a sublevação do 31 de Janeiro de 1891, no Porto, com a imprensa republicana a renegar a iniciativa e os presos a acusarem-se uns aos outros."


Também os "nove oficiais do exército que deviam ter comando as tropas concentradas na Rotunda" fugiram, e os "líderes do Partido Republicano" acabaram por se esconder e desaparecer: "a maioria só tornou a ser vista na tarde do dia 5 de outubro," já depois de ter sido "proclamada a república."


Foi possivelmente devido às más comunicações que o vice-almirante se acabou por ver "sozinho na madrugada do dia 4 e acreditou que tudo falhara. Mas este caos também salvou a revolução. Se a conspiração tivesse tido uma estrutura centralizada, dirigida por Reis, a sua morte poderia ter comprometido tudo."






Este movimento, que acabou por não ser liderado pelo Partido Republicano, acabou por corresponder em vez disso "à divisão e à alienação das elites da monarquia constitucional," e a revolução acabou assim por ser organizada por dissidentes da monarquia, como Bombarda, e consumada por activistas desconhecidos, como Machado Santos."

 

Será que com Bombarda e Reis, vivos, os primeiros governos teriam tomado outro rumo?

 

Fontes:



 

 









 

 



20/09/2024

Dias negros... luto nacional

Hoje o dia acordou cinzento, com algumas nuvens e chuva em alguns pontos do país. Chuva que veio trazer algum alívio às populações, mas que tem de ser olhada também com alguma precaução. Como sempre, depois de grandes incêndios, as áreas ardidas e as zonas adjacentes ficam cobertas de cinza e de muitos inertes que podem ser arrastados pelas encostas, poluindo os cursos de água. É natural e expectável que isto aconteça, é mais uma consequência dos incêndios (que não é contabilizada na pena dos incendiários). As zonas atingidas pelos incêndios podem agora sofrer deslizamentos de terras para as quais a população deve estar atenta e mostrar uma atitude preventiva.


O país está de luto. Pelas vidas humanas perdidas foi declarado pelo governo que hoje seria dia de luto nacional. Mas não chega... temos de exigir mais! "Morreram sete pessoas e 166 ficaram feridas, devido aos fogos que atingem desde domingo sobretudo as regiões Norte e Centro do país, nos distritos de Aveiro, Porto, Vila Real, Braga, Viseu e Coimbra, e que destruíram dezenas de casas." (Pelas contas da ANEPC são apenas contabilizados "cinco mortos, excluindo da contagem dois civis que morreram de doença súbita").


De acordo com a ministra da Administração Interna, Margarida Blasco, em apenas quatro dia (de 14 a 18 de setembro) foram registadas "1044 ignições, 416 das quais em período noturno," a que respeita uma área ardida de cerca de "94.146 hectares." 


A ministra informou também que foram "detidas 11 pessoas, suspeitas de crime de incêndio florestal, sendo que oito delas foram apanhadas em flagrante delito."


O incêndios ainda não estão completamente extintos. Os dois incêndios que deflagravam em Castro de Aire, no distrito de Viseu, ainda não foram dominados. O incêndio de "Penalva do Castelo, distrito de Viseu, entrou esta madrugada em fase de resolução." Também o incêndio que começou em Alvarenga, Arouca, na quarta-feira, entrou "em fase de resolução."


Os incêndios de Sabroso de Aguiar e de Veria de Jales e Quintã, apesar de já terem estado em fase de resolução, acabaram ontem por sofrer "reativações", na zona de Vila Pouca de Aguiar, no distrito de Vila Real.



Agora está na hora de avaliar os prejuízos e esperar que as seguradoras façam a sua parte. O governo tem de apoiar agora estas autarquias, para que possam numa perspetiva de maior proximidade, apoiar as suas populações. São as autarquias, as assistentes sociais, as entidades locais (cruz vermelha, bombeiros, associações...) que sabem o que cada família necessita, que conhecem as empresas e aquilo que foi realmente perdido e danificado. Tenho estado a ver diversas entrevistas e reportagens televisivas e as perdas são muito grandes para cada uma destas pessoas. Em Castro Daire, Codeçais, são as quinze cabras que sobreviveram com ferimentos que dão agora alento a este pequeno produtor que teve de abandonar tudo para salvar a sua própria vida. Este senhor, perdeu mais de uma centena de animais (que são de uma raça autóctone transmontana, e por isso valiosa), mas além dos animais perdeu também alfaias, reboques, maquinarias, mais de dez quilómetros de cercas e terras... contabilizar tudo isto e agora multiplicar por outros produtores e pequenos empresários que perderam aquilo que tinha sido até aqui a sua vida. (Entrevista na Sic Notícias)


Falta agora pasto para os animais, ardeu o que estada dentro dos estábulos, dos armazéns e lojas. Ardeu a lenha que muitas pessoas já armazenavam para o inverno, e que lhes traria algum conforto no inverno frio que se aproxima. Arderam as arcas onde havia carne congelada para alimentação das famílias.


No "município de Albergaria-a-Velha" 41 famílias "perderam a casa, por causa das chamas."


A autarquia de Penalva do Castelo, registou "danos em equipamentos municipais no valor de cerca de 200 mil euros." Em Aveiro, os incêndios já se encontram "completamente dominados", mas "60 casas foram atingidas pelos fogos."


Em São Pedro do Sul, "arderam duas casas de primeira habitação," cerca de dez casas "de segunda habitação" e ainda vários "palheiros."


Fontes:


https://www.rtp.pt/noticias/pais/dia-de-luto-nacional-chuva-alivia-bombeiros-mas-ainda-ha-chamas_n1601289


https://www.rtp.pt/noticias/pais/concelhos-fazem-contas-aos-estragos-causados-pelos-incendios_n1601329


https://pt.euronews.com/my-europe/2024/09/19/cerca-de-quatro-mil-bombeiros-no-terreno-combatem-17-incendios-em-curso


 

09/09/2024

Fugas mediáticas das prisões portuguesas

Na ordem do dia está a fuga de cinco homens da cadeia de Vale de Judeus, os quais são considerados perigosos e que ainda não foram encontrados. Mas claro que esta não foi a primeira vez que isto aconteceu.


Segundo informação da Direção Geral das Políticas de Justiça, publicados no Público, nos "últimos 15 anos fugiram 160 reclusos ao sistema prisional português." 


Hoje vamos aqui ver algumas dessas fugas, a maior das quais terá acontecido também na cadeia de Vale de Judeus, há 44 anos. A 17 de julho de 1978, 124 homens conseguiram fugir "por um túnel," com 35 metros de comprimento e 80 centímetros de diâmetro, que terá demorado entre um a "três meses a escavar." Só quando os guardas prisionais "foram fazer a habitual contagem de turno, por volta das dez e meia da noite", repararam que a maioria dos reclusos já lá não estava - para trás ficaram apenas "76 reclusos."


Uma outra fuga famosa foi a que aconteceu em 1986, quando seis reclusos da prisão de Pinheiro da Cruz, incluindo os “manos Cavaco”, mataram "três guardas e escaparam num carro celular." Os homens acabaram por se separar "mas foram todos apanhados, à exceção de um que se suicidou."


Já em agosto de 2007, fugiram seis reclusos do estabelecimento prisional de Guimarães. Os fugitivos "usaram ferros das cadeiras para manietar três guardas," a quem roubaram as armas. Conseguiram depois fugir numa carrinha de transporte de comida.


Em novembro de 2012, "três estrangeiros escaparam da cadeia anexa" à Polícia Judiciária do Porto, removendo as grades de uma janela e descendo, como nos filmes, usando uma "corda de lençóis atados."


A criatividade não pára aqui e, em 2017, "três reclusos da Prisão de Caxias serraram as grades da janela," de onde conseguiram sair para o exterior das celas "e depois cortaram a rede para conseguir fugir" do estabelecimento prisional de Caxias. Neste grupo estava o luso-israelita Joaquim Bitton Matos, que "ficou conhecido pelo vídeo em que faz de super-homem a provocar a então ministra da Justiça Francisca Van Dunem." O homem poderá estar atualmente em "Israel, mas o país não extradita os seus nacionais." 


Mas o que se destaca são as sucessivas fugas de Mark Roscaleer, um dos homens que se encontra a monte junto com outros quatro fugitivos. Mark Roscaleer tinha-se já conseguido evadir da "cadeia de Kirkham, em Inglaterra" tendo-se entregue às autoridades políciais "após nove dias em fuga." Já em Portugal, a 18 de agosto de 2019, o inglês que "tinha sido transferido da prisão de segurança média de Silves, de onde já tentara escapar", resolveu fazer uma nova tentativa. "Partiu a janela a cela onde estava preso" e com "o corpo todo" coberto de óleo, tentou "passar pelas grades." Por volta das 23 horas, os guardas prisionais aperceberam-se desta "tentativa de evasão e travaram a fuga do recluso."


 

Fontes:


https://sicnoticias.pt/pais/2024-09-08-video-fugas-e-tentativas-em-15-anos-fugiram-160-reclusos-das-prisoes-portuguesas-91f796bd


https://observador.pt/2024/09/07/vale-de-judeus-ja-foi-palco-da-fuga-mais-espetacular-do-pais-em-1978-mais-de-100-homens-fugiram-por-um-tunel/


https://www.jn.pt/4877244163/um-tunel-grades-serradas-e-cordas-de-lencois-cinco-fugas-coletivas-nas-cadeias-portuguesas/


https://www.jn.pt/5562450428/fugitivo-britanico-esfregou-se-em-oleo-para-fugir-da-cadeia-de-lisboa-em-2019/


https://tviplayer.iol.pt/programa/cnn-domingo/619396440cf2c7ea0f08f9e9/video/66ddece90cf2f130c2996e85

08/09/2024

Fuga da prisão - só saíram cinco?

Durante a manhã de ontem, sábado, cinco reclusos da cadeia de Vale de Judeus, evadiram-se daquelas instalações. Contaram com ajuda do exterior e, vamos a saber se não terão tido também ajuda do interior, mas o que salta desde logo à vista, é a facilidade com que o plano foi colocado em prática e as falhas que têm estado a ser faladas nos meios de comunicação social. Falhas essas que não são novidade para ninguém - e que provavelmente eram do conhecimento dos reclusos. Aquilo que acaba por me espantar no meio de tudo o que tenho estado a ver nas notícias é, como é que só saíram cinco?


Porventura, os restantes não quiseram arriscar o agravamento das suas penas ou, talvez cá fora as condições para serem recebidos na sociedade não fossem as melhores se se apresentassem como fugitivos, resolvendo por isso, que seria muito mais benéfico cumprirem o resto das suas penas. Mas para estes cinco reclusos, fugir foi uma opção em que tiveram tempo de pensar, e se bem o pensaram, melhor o fizeram.


Sem brincadeiras, estes homens são considerados muito perigosos (quatro deles tinham “medidas especiais de segurança”) e devíamos todos estar bastante preocupados com o facto de eles se encontrarem à solta e sem sabermos exatamente se ainda estão no país ou se já seguiram viagem para outro lado. É que só deram pela fuga quarenta minutos depois e, durante esse lapso temporal, os mesmos tiveram tempo de se pôr bem longe dali. Vale de Judeus fica em Alcoentre, perto de Lisboa, numa zona em que com facilidade se tem acesso a autoestradas (já para não falar da possibilidade de terem saído de barco ou de avião para outro lado, o que com documentos falsos não terá sido assim tão difícil).


Mas como é que o fizeram? Até agora, o que se sabe é tiveram ajuda do exterior, havendo "três suspeitos envolvidos," e o apoio de de duas viaturas para a fuga (uma de marca Mercedes e outra de marca Volvo). Os reclusos saíram pelo pátio, recorrendo a uma escada e a uma corda que lhes foram lançadas do exterior, sem que os guardas dessem conta. Isto foi possível por haver uma clara “falta de meios humanos (haverá 20 guardas para cerca de 500 reclusos)," facto que tem sido sucessivamente desvalorizado pelas diferentes tutelas. Outro factor que terá ajudado à fuga, ou pelo menos facilitado a sua execução, é que devido às últimas obras realizadas na prisão de Vale de Judeus, "as torres de vigia foram retiradas e substituídas por câmaras de vigilância." Estas câmaras são visualizadas por apenas um guarda, o que é humanamente impossível.


E quem são estes homens?


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Rodolfo Lohrmann é "um criminoso argentino que chegou a ser um dos dez homens mais procurados da América Latina" e que por cá era conhecido como "El Ruso". É acusado de crimes de rapto, sequestro e homicidio. Uma das suas vítimas foi "Christian Schaerer (na altura com 21 anos), filho de um político argentino." Apesar de ter sido pago um "resgate de 277 mil dólares (cerca de 249 mil euros)" pela família, o jovem nunca veio a aparecer. Neste crime esteve também envolvido um cúmplice de nome Horacio Maidana. "Os dois acabariam por ser detidos em Aveiro, onde estariam a preparar assaltos a carrinhas de transporte de valores, e eram suspeitos de serem os autores de vários assaltos a bancos na zona de Lisboa e Odivelas. Ambos aguardaram julgamento na prisão de alta segurança do Monsanto, em Lisboa."


Fernando Pereira, foi "condenado com duas penas, uma de seis anos e outra de 24 por crimes como tráfico de droga e assaltos à mão armada," o que em Portugal perfaz apenas 25 anos.


Fábio Loureiro, de 33 anos e natural de Lagoa, no Algarve, cumpria também uma pena de 25 anos, "por vários crimes, incluindo sequestro e associação criminosa." É conhecido pela alcunha de "Cigano", e "foi considerado um dos maiores traficantes de droga do Algarve."


Mark Roscaleer, estava a cumprir 9 anos, acusado de crimes de roubo e sequestro. De nacionalidade britânica, Mark tem 39 anos e "já tinha fugido da prisão no seu país de origem."


Shergili Farjani, de 40 anos, é georgiano e estava a cumprir uma pena menor, de apenas 5 anos, "pelo crime de ofensa à integridade física." De notar que nesta prisão de alta segurança, estão, além de criminosos condenados a penas mais longas, estão também muitos reclusos estrangeiros.


O que pergunto é, se eles eram tão perigosos, deviam estar juntos, num espaço não vigiado? E entre muitas outras coisas que nos devem preocupar, é que havia alertas de falta de efetivos no meio prisional. Já se falava há muitos anos do fraco investimento nas prisões e das más condições de trabalho. Todos sabemos que existem telemóveis dentro das cadeias (um meio que facilita a comunicação com o exterior e ajuda na preparação deste tipo de fugas).


Vale de Judeus, está sem diretor e sem chefe dos guardas! Mas que mais tem sido feito e, o que é que foi feito, pelo menos nesta prisão, desde que se soube desta fuga? Algo mudou lá dentro?


Fontes:


https://www.dn.pt/3562177618/uma-escada-e-cordas-a-porta-de-saida-de-cinco-reclusos-da-prisao-de-vale-de-judeus/


https://regiao-sul.pt/algarve-na-tv/fabio-cigano-foi-considerado-um-dos-maiores-traficantes-de-droga-do-algarve-tvi/681864#google_vignette


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...