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25/10/2026

Noite acaba em carga policial

A pergunte que fica é: Onde está o Presidente da República quando a República Portuguesa está a ser debatida nas ruas, entre manifestantes e cargas policiais?

As manifestações juntam, maioritariamente, jovens, mas esta não é uma causa só dos jovens. É uma causa de todos que poucos tentam entender. Não se está a pedir casas gratuitas, não se está a pedir que sejam atribuídas casas sem qualquer critério. O que se está a reivindicar nas manifestações que vão acontecendo nos últimos dias por várias cidades portuguesas, é que haja casas a preços que sejam possíveis de serem assumidos por qualquer português que trabalha. 

O grande problema aqui não são as forças policiais, mas sim quem lhes ordena que avancem sobre os manifestantes. De onde vieram essas ordens? Quem mandou quem fazer o quê?

É que isto começa a cheirar muito mal!

Sou contra manifestações que acabam em pilhagens e em destruição de lojas, de carros, camiões e caixotes do lixo incendiados. Mas isso aconteceu aqui, em Lisboa? No Porto? Chegou-se a esse ponto? Não me parece. Aí, sim, mas mesmo assim, apenas contra aqueles que cometeram esses atos e não contra todos os presentes. Aqui, nestas manifestações, estão milhares de pessoas, estão famílias com crianças, estão pessoas dos vários extratos sociais, mas principalmente estão jovens que vivem numa democracia, que reivindicam um direito básico que apenas tem sido complicado com a nova Lei do Arrendamento. Na prática, esta lei vem permitir que as rendas continuem a subir. Com esta nova lei, será legal um senhorio que até agora poderia pedir "duas rendas antecipadas ou uma caução equivalente," passa a poder pedir ao novo inquilino que pague três rendas em antecipação, eliminando "o limite máximo da caução." Faltava aqui falar do artigo 65º da nossa Constituição e de como este não está a ser devidamente seguido pelos partidos no poder. Mas já que fui buscar o tema da Constituição, vejamos outras coisas.

O Direito à Manifestação está na nossa Lei - ou seja, na Constituição que data de 1976 e das suas alterações. O que está em causa é um decreto de 1974, o decreto lei 406/74 que "Garante e regulamenta o direito de reunião", e que diz que "A todos os cidadãos é garantido o livre exercício do direito de se reunirem pacificamente em lugares públicos, abertos ao público e particulares, independentemente de autorizações, para fins não contrários à lei, à moral, aos direitos das pessoas singulares ou colectivas e à ordem e à tranquilidade públicas." De entre outras coisas, lê-se no Art. 11.º que "As reuniões de outros ajuntamentos objectos deste diploma não poderão prolongar-se para além das 0,30 horas, (...)"

É a este 11º artigo que se estão a "agarrar" as forças policiais para validarem a sua atuação. A questão é: porque é que a polícia investiu contra os manifestantes? E a resposta não tem de vir da polícia, mas sim de alguém de cima que deu a ordem de investida. A questão, não havendo distúrbios como os que estão a acontecer em França, é a justificação para estes atos ser mais político do que uma questão de ordem pública propriamente dita. E volta a estar no ar um cheiro estranho, a mofo... É que já houve outras leis que acabam por anular este decreto, rebatendo-o para segundo plano, de acordo com a interpretação feita da Constituição em vigor. Da minha ótica, o que vigora é a atual Constituição que diz que "Os cidadãos têm o direito de se reunir, pacificamente e sem armas, mesmo em lugares abertos ao público, sem necessidade de qualquer autorização," acrescentando-se no ponto 2 do mesmo artigo que "A todos os cidadãos é reconhecido o direito de manifestação."

E outros casos de manifestações que terminaram em acampamentos prolongados, como por exemplo, nos 40 dias que os Bombeiros Sapadores passaram acampados junto à Câmara Municipal do Porto, e em que foram usadas também tendas e, inclusive, se fez uso de fogo. Também as forças policiais permaneceram embora sem tendas, durante "18 dias e outras tantas noites junto ao Parlamento," em janeiro de 2024. Em nenhum dos casos, foram retirados nem sobre eles foi usada a força.

Se em 1993, o Presidente da República repudiava a intervenção da polícia, na carga feita contra a manifestação da qual viria a nascer o termo "geração rasca", o que se passa agora para que o atual Presidente não o faça? E onde é que ele está, uma vez que ao contrário daquilo que fez quando era líder da Juventude Socialista, agora não vem dar a cara? 

Na prática, a sua atitude é mais contida, tendo convocado os "partidos com representação parlamentar para audiências sobre coesão social, que vão acontecer" já na próxima "quinta-feira," bem como convocou "o Conselho de Estado para 02 de novembro, sobre o mesmo tema." Parece-me pouco e tarde. 

Até lá, o que vai acontecer? A polícia irá continuar a afastar os manifestantes à bastonada e está tudo bem?

Já cheira mal, muito mal. 

Fontes:

https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/406-1974-424767

https://www.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/ConstituicaoRepublicaPortuguesa.aspx

https://www.rtp.pt/noticias/pais/lei-das-rendas-qual-a-melhor-para-combater-a-atual-crise-da-habitacao_n1773675

https://cnnportugal.iol.pt/protestos/habitacao/bastao-e-a-saida-facil-livre-aguarda-posicao-firme-de-seguro-e-vai-pedir-explicacoes-ao-governo-sobre-cargas-policiais/20261025/6addd5c5d34e9a786e75db08

https://sicnoticias.pt/economia/habitacao/2026-10-21-video-acampada-nao-e-caso-unico-foram-varios-os-protestos-semelhantes-nos-ultimos-anos-dos-policias-a-jsd-e39dbe1e

https://www.facebook.com/reel/1886245675699975 


26/09/2026

Somos um Estado Laico!

Quem me conhece sabe que me recuso a ter qualquer religião e que não acredito em nada que se relacione com deus, santos ou pseudo-milagres. Dito isto, respeito quem o faz não entrando em locais de culto quando estes estão a decorrer, ou não tratando essas pessoas de forma diferente. Agora, o que peço, é que me respeitem também a mim. Se eu não entro num local onde está a decorrer uma missa, não interrompendo ou fazendo a minha presença notada, então não entendo porque é que num local em que estão crianças e pais e sem qualquer aviso prévio de que tal iria ocorrer, entra um bispo e um padre para fazerem sei lá o quê. Se me tivessem avisado de que essa intervenção religiosa iria ocorrer, eu não teria lá ido ou sairia do local antes da entrada dessas pessoas. 

E ainda menos entendo o seguinte. Um clube, que tem atletas de várias nacionalidades e, possivelmente, de várias religiões e outros sem religião, não deveria ter informado os encarregados de educação da existência de um ato oficial desta envergadura? Há atletas católicos, há, mas também há os que não o são. E não foi dito na inscrição que qualquer atleta teria de assistir a atos ligados à igreja católica ou a outra qualquer confissão religiosa e, ainda por cima, pediram aos atletas para pousar para uma fotografia com os ditos senhores. Perguntaram a cada um deles se era católico?

E espero que alguém me elucide, com que fundamento científico é que a benção vai fazer diferença à vida utilitária da carrinha e da segurança das crianças e jovens que lá viajarem. Não terá a mesma possibilidade de avaria e de acidente que outra carrinha? Não seria mais correto, estar presente alguém da empresa de seguros e ter sido assinado na presença de todos um seguro contra todos os riscos? Ou ter sido oferecido aos motoristas habituais um curso de transporte coletivo de crianças e de segurança rodoviária? 

Outra coisa, não teria a Junta de Freguesia em causa e a sua respetiva Câmara Municipal, ao se fazerem representar num ato desportivo com tanta gente que participa e que movimenta milhares de atletas, afixar também essa informação de que iriam estar presentes ao lado de entidades da igreja católica, para que, mais uma vez, pudéssemos todos livremente, escolher se estaríamos presentes ou não?

Somos um Estado laico, portanto o concelho onde resido, é laico também, ou estou enganada? Há atos que são públicos, como por exemplo as procissões, mas a esses vai quem quer, quem não gosta, desvia e passa ao lado. Agora, ali, naquele local não havia como o fazer. Senti-me insultada e magoada, como mãe e como cidadã merecedora de respeito. Não falando sequer dos custos que podem ter estado envolvidos.

Mas este não foi caso único. No passado dia 21 de setembro de 2026, o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, realizou uma bênção católica ao edifício escolar durante a cerimónia de inauguração das novas obras da Escola Secundária de Cascais. Estavam também presentes algumas das mais altas figuras do Estado, tais como o Presidente da República, o Primeiro-Ministro e o Ministro da Educação. 

Concordo plenamente com a opinião da Associação República e Laicidade quando refere que "a inclusão de um rito confessional num ato oficial do Estado viola a Lei da Liberdade Religiosa (que dita a separação entre a Igreja e o Estado) e infringe o princípio de que o ensino público é não confessional, discriminando cidadãos de outras religiões ou agnósticos." Neste caso, "A associação considera que “a não confessionalidade do ensino público foi infringida, assim como o direito individual de não assistir a atos religiosos”, tendo existido “também uma discriminação a favor da comunidade católica”. 

Como refere a associação RiseUp Portugal "O nome do bispo ficou na placa. O do ministro da Educação, pelos vistos, já não coube." A associação acrescenta ainda que "o melhor é que nem no Estado Novo, quando o Plano dos Centenários espalhou milhares de escolas pelo país e até havia crucifixos obrigatórios nas salas de aula, era prática pôr na placa oficial o nome de quem benzia a escola."

E o problema é que isto está a ser normalizado. Porquê? Seria normal se, perante este convite, se tivesse convidado alguém de todas as outras religiões presentes na escola para fazer o seu ritual - assim, não haveria discriminação - e se avisassem aqueles que, como eu, são ateus e que, merecem também ser respeitados na sua não-crença.

Comparo aqui o ensino escolar com um clube de cariz desportivo. Lá porque a direção é católica não pode implementar estes atos nas suas cerimónias, sem avisar os pais e os atletas. Se o quisesse fazer deveria marcar um dia, ao qual apenas iriam os atletas que quisessem participar. Não sendo assim, é vergonhoso que o tenham imposto a quem lá estava.

Fontes:

https://www.instagram.com/p/DdlwUV1tN9b/

https://observador.pt/2026/09/23/associacao-pede-avaliacao-de-ilegalidades-em-bencao-catolica-na-inauguracao-de-escola-publica/

https://web.facebook.com/RiseupPortugal/posts/o-nome-do-bispo-ficou-na-placa-o-do-ministro-da-educa%C3%A7%C3%A3o-pelos-vistos-j%C3%A1-n%C3%A3o-cou/1523242873171554/?_rdc=1&_rdr#


25/08/2026

Atropelamento em Albufeira

Um homem com cerca de 35 anos, embriagado, pegou no carro e avançou sobre as pessoas que passeavam na Avenida Francisco Sá Carneiro, na zona da Oura, em Albufeira. Tinha sido avançado o número de 12 feridos que, entretanto, foi corrigido para 16 feridos, dois dos quais se encontram em estado grave. O indivíduo escolheu aquela zona para passar férias, mas deve ter achado que as férias não ficariam completas sem se embebedar e depois andar a conduzir por ali, ignorando as ordens da GNR e desvalorizando a vida de todas as pessoas que ali estavam. O que fez, fê-lo de forma consciente - 1,29g/l apesar de ser crime, não o deixaria inconsciente - e podia ter matado alguém (o que esperemos não venha a acontecer visto haver ainda vítimas em risco de vida). 

Para quem conhece, aquela zona é vedada ao trânsito, mas é também uma zona de excessos - de álcool, de drogas - numa zona de bares que devia encerrar às 3h da madrugada. Àquela hora, os bares estavam a fechar e ainda havia muita gente na rua. A GNR chegou a disparar tiros para o ar, mas o indivíduo fez inversão de marcha e avançou sobre as pessoas. 

Segundo o Observador, o indivíduo começou por ser "impedido de passar pela GNR e pelas baias que limitam a rua dos bares para impedir a circulação rodoviária," tendo resolvido então seguir "para a Avenida dos Descobrimentos." Ali, voltou a ser "impedido novamente pelos militares, fez inversão de marcha e conseguiu entrar na rua onde atropelou várias pessoas." Dois militares ficaram também feridos. "Ao tentar escapar, o suspeito embateu num outro veículo e terá tentado, depois, fugir a pé." Esta sequência de ações mostra bem que ele sabia que estava a infringir a lei e, por isso, a sua tentativa de fuga. Atropelou, na fuga, mas viu que estavam ali pessoas e não se incomodou de, com os seus atos, as poder matar. Se em vez de dispararem para o ar, tivessem disparado para a viatura e tivessem morto o homem, tinha-se evitado que atropelasse quem por ali circulava. Mas os guardas sabem que, se lhe acertassem, eles é que teriam problemas depois, por terem usado a arma. Infelizmente, estavam limitados na sua ação.

É português (e se não fosse, vinham agora os mesmos do costume falar sobre os imigrantes), e tem carta emitida no Reino Unido (não válida cá) e outra emitida em Angola (que permite que conduza em Portugal), mas o que está aqui em causa é a aceitação que uma pessoa beba até cair, ou até não saber aquilo que está a fazer e pegar num carro. Alguém o viu beber e, de certeza que alguém o viu ir para o carro. A prevenção devia acontecer nesse momento. A lei devia ser mais apertada no que respeita ao consumo de álcool. A bebida pode ter sido aqui o fator agravante, mas não deve desvalorizar os atos cometidos, entre eles, contornar as barreiras de segurança, passando com o carro sobre o passeio, desrespeitar a sinalização vertical e desrespeitar as ordens dadas pelos elementos da GNR no local. As suas ações colocaram várias pessoas em perigo de vida.

Para aqueles que acham graça aos bêbados por aí caídos na rua, ou em dizer a um amigo já alcoolizado, para beber mais uma, este é um exemplo daquilo que pode acontecer, um crime cometido, com várias vítimas, dezasseis pessoas que não conseguiram fugir a tempo de um carro lançado sobre elas a grande velocidade. O foi entretanto apanhado e "detido pelos crimes de ofensa à integridade física qualificada, condução sob efeito de álcool e condução perigosa." 

Espero que a pena seja pesada, e que a acusação não se fique por ali e seja alterada para homicídio na forma tentada, uma vez que ao avançar como se vê nas imagens sobre as pessoas este indivíduo sabia o que estava a fazer. Nada pode perdoar aquilo que esta pessoa fez. Só bebe demais quem quer...


Fontes:

https://www.publico.pt/2026/08/25/sociedade/noticia/atropelamento-albufeira-faz-quatro-feridos-gravidade-2186001

https://www.jn.pt/justica/artigo/quatro-pessoas-atropeladas-em-albufeira-uma-esta-em-estado-grave/18119628

https://www.jn.pt/pais/artigo/atropelamento-em-albufeira-que-causou-12-feridos-foi-um-ato-isolado/18119662


10/08/2026

Forte sismo sentido na Colômbia

Um forte sismo de 7.4 foi sentido esta manhã na Colômbia e no Equador. O epicentro terá tido lugar "perto de San José del Palmar, em Chocó," na costa do Pacífico. Há registo de danos em várias cidades e a contagem de mortos está neste momento ainda a ser iniciada, mas conta para já 20 vítimas (18 em Pereira e 2 em Manizales).

O abalo foi também sentido, embora com menos intensidade, na Venezuela e Panamá. Houve já algumas réplicas e poderão vir a ocorrer outras, não tendo sido acionado qualquer alerta de tsunami. Este sismo, acabou por ocorrer a uma grande profundidade (cerca de 90 quilómetros), o que juntando às diferenças no tipo de construção, diminui os danos em relação ao sismo que ocorreu há menos de dois meses na Venezuela. No entanto, há para já registo de alguns edifícios colapsados nas "cidades de Cali, Pereira, Quibdó e Manizales," havendo pessoas ainda soterradas e, como sabemos, podem demorar dias a encontrar todas as vítimas.

Na sequência do sismo foram já suspensas as "operações aéreas" nos "aeroportos de Pereira, Manizales, Quibdó, Arménia, Cartago e Buenaventura depois de terem sido registados danos" nas diferentes infraestruturas.

Por cá houve um pequeno abalo de Sismo de magnitude 3,3 na escala de Richter sentido em Leiria e Lisboa, o qual foi registado, às 12h31m "nas estações da Rede Sísmica do Continente. Segundo comunicado do IPMA, o epicentro localizou-se a cerca de dez quilómetros sudeste da freguesia de Cadaval." Isto depois de horas antes (03h08m) ter sido sentido um outro pequeno abalo na região de "Odemira, Almodôvar e Santiago Cacém," com magnitude 3,5 e "com epicentro a 18 quilómetros a este de Odemira." Em nenhum dos casos foram registados danos. Estes pequenos abalos são bastante comuns em Portugal e apesar de por vezes serem sentidos pela população, não costumam provocar grandes danos. A questão é se estamos prontos para algo maior.

Fontes:

https://sicnoticias.pt/mundo/2026-08-10-forte-sismo-abala-parte-da-colombia-e-equador-b71c4bb1

https://www.publico.pt/2026/08/10/mundo/noticia/terramoto-costa-pacifico-abala-colombia-ha-danos-registo-feridos-2184639

https://www.publico.pt/2026/08/10/sociedade/noticia/sismo-msisagnitude-33-escala-richter-sentido-leiria-lisboa-2184622

https://www.publico.pt/2026/08/10/local/noticia/sismo-sentido-madrugada-odemira-almodovar-santiago-cacem-2184579

27/07/2026

A menina de 12 anos que foi vendida para pagar dívidas

Os anos passam, o mundo parece evoluir, mas depois recebemos estes murros que nos atingem no estômago, no âmago daquilo que temos de mais humano. Felizmente, a história desta menina foi interrompida num aeroporto português. A coragem de quem a mandou parar, só é superada pela coragem daquela criança em contar tudo o que se estava a passar.

Dados que não batiam certo despertaram a atenção para os passaportes de que a menina e a mulher que com ela viajava se faziam acompanhar. Descobre-se então que esta mulher não é afinal a mãe da menina de "apenas 12 anos," e que a criança "terá sido vendida pelos pais para saldar uma dívida familiar. Viajavam desde  "Dakar, no Senegal, para França," onde a criança tinha à sua espera "um homem a quem tinha sido prometida em casamento." 

"Ainda no aeroporto, a criança falou com uma equipa especializada em ajudar vítimas de tráfico de pessoas", tendo-se mostrado ciente da sua situação e com "medo de regressar ao país de origem ou de voltar a ser entregue aos pais," uma vez que, tal como agora, poderia voltar a ser usada "como forma de pagamento de dívidas." 

Foi depois "levada para uma viatura da Cruz Vermelha que a deixou na sede da organização Akto, gestora de um centro de acolhimento para crianças e jovens vítimas de tráfico humano."

Casos de tráfico humano são uma realidade atual, incluindo casos como o desta criança, proveniente do Congo. Muitas acabam em redes de exploração sexual, escravatura ou mendicidade.

A menina de 12 anos, de quem não se sabe a história ou o que sofreu até aqui chegar. teve sorte em que alguém reparasse nela. Quantos passarão sem serem reportados, sem se estranhar os comportamentos? Quantas crianças são ainda vendidas, raptadas, escravizadas?

Fontes:

https://observador.pt/2026/07/27/crianca-de-12-anos-ia-casar-em-franca-para-pagar-divida-dos-pais-psp-deteve-mulher-que-a-traficava-em-lisboa/

https://observador.pt/especiais/o-passaporte-suspeito-um-relato-tranquilo-e-um-casamento-forcado-como-uma-menina-de-12-anos-revelou-ser-vitima-de-trafico-humano/

24/07/2026

Descuido ou falta de zelo, o que mais mata em Portugal

Quando um bebé morre por negligência é porque algo falhou muito lá atrás. Quando um bebé morre aos cuidados de uma instituição, falharam diversas coisas, mesmo quando se trata de um acidente.

Fala-se muito de Segurança Infantil e podia até vir aqui criticar de forma fácil, ações e lacunas que são só por si de lamentar. No entanto, espero que os casos que se vão tornando mediáticos sirvam para que todos consigamos rever as nossas ações e os cuidados a ter, diariamente, com as nossas crianças. Não seremos capazes de evitar todos os acidentes, mas há de facto uma responsabilidade que deve ser partilhada. E sim, às vezes temos de nos meter na vida dos outros, às vezes temos de questionar, de perguntar se está tudo bem ou se precisam de ajuda. 

Uma bebé morreu ontem, dentro de uma viatura que a deveria levar à creche. Não foi a primeira vez que uma situação de esquecimento de uma criança numa viatura. Várias já levaram a desfechos idênticos. Quando fazia emergência, tive uma ocorrência para um caso parecido, aqui na zona da Torre da Marinha, Seixal. Lembro-me da ansiedade até chegar ao local e da sensação de raiva que me atingiu. Era um bebé que tinha sido deixado dentro de um carro, desconhecia-se idade ou estado de consciência. Quando lá chegamos, o vidro foi forçado e a porta aberta, a menina, uma bebé estava cheia de sede, tremia, chorava, os olhos a procurar um rosto conhecido no meio de tantas caras estranhas. Estava viva e nós felizes por termos chegado a tempo e, ao mesmo tempo, zangados. Como é que esperaram e ninguém partiu o vidro? Como é que se discutia, enquanto uma criança gritava dentro de um carro, que não se sabia há quantas horas ali estava, se quem partisse o vidro teria de pagar o arranjo? Esta menina, felizmente, não sendo um dia de verão, sobreviveu. E talvez o facto de ser muito novinha a tenha feito esquecer que um dia alguém se esqueceu dela fechada dentro de um carro.

Mas ontem, durante todo o dia, ninguém deu pela falta de uma menina de 18 meses. Eu podia até enumerar diversas ações que poderiam ter sido efetuados (apenas como forma de nos lembrarmos que podemos aprender com os erros dos outros, sejam eles cometidos aqui ao lado, ou numa escola dos EUA) e que mais não seja, por isso, é tão importante se falar e se debater quando a questão envolve a vida de crianças. Porque é que não se passou um registo em que se marcasse a sua falta e se perguntasse à motorista da carrinha "Então, hoje a S. não veio?" ou porque é que quando se deu a contagem para o almoço não se conferiu se quem estava à mesa correspondia aos registos efetuados. Como são feitos os registos de entrada das crianças - manualmente ou digitalmente, em alguma aplicação? Existe uma dupla verificação - e se sim, foi feita, por quem, o que registou? Porque um erro acontece, mas ninguém ter-se dado conta do erro, para mim é o mais estranho.

Não. Não me posso colocar no lugar daquela funcionária, nem de todas as outras quando se aperceberam que teria bastado uma mensagem para os pais ou uma chamada para perguntar se a menina estava bem, se estava doente, se tinha ficado de férias. E talvez até o tivessem feito, ou talvez até tivessem outros procedimentos, não sei, mas algo ali falhou. E todos nós temos de pensar que se uma criança seria demais, a repetição de casos tem de nos fazer parar e refletir: onde é que falhamos - como sociedade, temos de cuidar das nossas crianças, dos nossos seres mais indefesos e dependentes.

Quando a mãe chegou para a ir buscar à creche, deu-se o alarme, e quando foram ao carro e a encontraram lá dentro, "ainda partiram o vidro", para acederem à bebé. Os meios de socorro tentaram salvar aquela vida, mas a chamada de socorro tinha chegado tarde de mais... Ontem nem sequer foi dos dias mais quentes, mas o meu carro esteve ao sol e por volta das 17h marcava 38º, sendo que o que marca nem sempre é a temperatura do ar interior. Agora resta-nos especular enquanto a Polícia Judiciária investiga. 

Fala-se em sobrecarga, em rotinas, mas é sobretudo na falta de zelo que os acidentes deste género acontecem. E não digo como sendo propositado. É quando as rotinas mudam, quando a pessoa que fazia o trabalho vai de férias e alguém a substitui, quando uma viatura da instituição avaria e se substitui por outra. Ainda há muito a esclarecer e estou certa que em breve as respostas a muitas perguntas serão dadas, Mas nada trará a menina de volta nem tirará a dor daquela família. Há questões levantadas em relação ao facto da viatura ser da funcionária e não pertencer à creche, embora tivesse um dístico. Não é referido nas notícias se haveria todas as outras coisas obrigatórias. Isso será importante para se apurar outros aspetos relevantes, mas não trará de volta aquela bebé para a sua família. A lei, não obriga a que os transportes em ligeiros se façam acompanhar de uma auxiliar, mas q se refere porque é que num transporte escolar não estava uma auxiliar, mas aqui poderia ter feito a diferença.

Os acidentes domésticos e aqueles que acontecem tendo como culpados os elementos da própria família ocorrem muitas vezes por situações idênticas. Porque é "já ali" e a criança não se senta na cadeirinha, porque "vou só tomar banho" e a criança se empoleira na janela e cai, porque "vou só acabar de ler mais umas páginas" e o bebé sufoca com algo que encontrou no chão de casa, quando brincava, sossegado.

Como se os nossos corações já não nos doessem suficientemente, ontem, algumas horas mais tarde chegava a notícia de outra morte. Uma criança de apenas três anos de idade, tinha caído "de uma janela situada no segundo andar de um edifício, para as traseiras do mesmo”. A criança ainda foi socorrida e transportada para o Hospital de S. João, mas acabaria por falecer devido à gravidade dos ferimentos. Ao que é apontado nas notícias, haveria gente em casa, mas neste caso a cobertura mediática tem sido bem menor. 

No outro dia, durante a reunião de condomínio do meu prédio, um vizinho olhou-me de lado quando referi que alguém tinha feito bem em ativar a polícia quando o filho dele de dois anos e pouco se debruçou na janela do quarto andar para atirar coisas cá para baixo. Para ele, tinha sido exagerado, pois ele estava em casa, mas "noutra divisão" e a criança deveria estar "a dormir". De referir que estávamos a meio da manhã... e que vários vizinhos tocaram à campainha e bateram com força na porta de casa, além de gritarem cá de baixo a chamar por ele. O meu comentário foi rude, sim, mas se tivesse caído cá em baixo, teríamos um bebé morto e várias pessoas traumatizadas. Não aconteceu nada, não sei sequer se os agentes que ali foram chegaram a criar alguma ocorrência e se aquele criança estará segura com as devidas trancas (bloqueadores de abertura) já colocadas na janela. Falei disso, mas não sei se o senhor me deu atenção. 

Dou formação na área da educação de infância e falo muitas vezes nas questões da segurança. De olharmos o mundo à nossa volta da perspetiva da criança. O que vemos, pode parecer inofensivo para nós mas pode ser mortal para um bebé. Uma janela que abre facilmente, um móvel que é leve e que não está preso na parede, uma embalagem de veneno ou de detergente que fica guardada por baixo do lava-louças e que se abre facilmente. Vamos olhar em volta e ver se a nossa casa é segura? 

E já agora, vamos criar o hábito de colocarmos a nossa mala pessoal com as chaves, a carteira e o telemóvel no banco de trás do carro, pelo menos se transportarmos crianças sejam nossas ou não?

E convido-vos a ler esta notícia da RTP acerca de um estudo feito numa Universidade dos EUA, sobre o aumento da temperatura dentro de uma viatura e de como isso nos pode afetar. Segundo esse estudo, "em média, o corpo de uma criança atinge a temperatura letal corporal aos 40 graus Celsius." O que também é referido é que "o material de que é feito o revestimento dos veículos, na grande maioria plásticos e fibras, liberta gases tóxicos quando aquecido." Ou seja, não mata só pela subida da temperatura, mas pela libertação de gases tóxicos. Segunda a mesma publicação, " o interior de um carro novo, na sombra e com as janelas fechadas, pode libertar até 800 mg de benzeno, podendo mesmo chegar a 4.000 mg num dia de sol forte."

De acordo com análises feitas durante esse estudo, quando o carro estava apenas "1,4 horas ao sol e cerca de 2,4 horas à sombra e variando sempre de acordo com o tamanho da viatura, uma criança deixada dentro de uma viatura ligeira pequena pode morrer de sobreaquecimento em apenas uma hora." Por isso, num dia de calor no meio de Almada, talvez nem tenham sido necessárias as sete horas de esquecimento para que a situação se tivesse tornado irreversível... Não tenho palavras de conforto para os pais nem para a família, mas aos colegas que socorreram, a única coisa que posso dizer é que a culpa nunca será vossa, mesmo que a sensação de impotência vos esteja a apertar o peito. Deixem que as lágrimas e revolta saia, mas não se condenem.


Fontes:

https://observador.pt/2026/07/24/crianca-de-tres-anos-morre-apos-cair-de-um-predio-na-maia-pais-estavam-em-casa-mas-desconhece-se-circunstancias-do-acidente/

https://rr.pt/noticia/pais/2026/07/24/psp-investiga-morte-de-crianca-que-caiu-de-uma-janela/479445/

https://cnnportugal.iol.pt/pragal/almada/sete-horas-esquecida-numa-viatura-da-creche-o-que-ja-se-sabe-da-morte-de-uma-crianca-de-18-meses-em-almada/20260723/6a625fcbd34ef04b4f3f88e2

https://www.rtp.pt/noticias/pais/efeito-de-estufa-no-interior-dos-carros-pode-ser-mortal_n1078940

07/07/2026

E o sonho acabou...

Ontem, quem tinha os pés na terra sabia que era muito mais provável que a seleção portuguesa "caísse" frente à seleção espanhola. Por muito que quiséssemos acreditar no contrário, não havia muita margem para que saíssemos vencedores. No entanto e como no futebol tudo é incerto, assistimos ao jogo com a convicção de que tudo poderia dar certo. Era uma Espanha, a campeã do europeu de 2024 que ali estava, contra a seleção campeã do europeu de 2016. No Mundial de 2018, tinha havido um empate a três golos na fase de grupos entre as duas seleções, num jogo em que a Espanha dominou a posse de bola e os remates e em que os três golos portugueses foram tiros certeiros de Cristiano Ronaldo.
Até mais ou menos aos 90 minutos, enquanto o empate a zeros estava no ecrã, fomos acreditando. Mas a Espanha também não estava com vontade de voltar e num último fôlego, deu a volta e acabou com a esperança de milhões. Até ao golo da Espanha, o jogo foi sendo disputado com algum equilíbrio, em que a Espanha atacava mais, mas Portugal ia conseguindo cortar as melhores jogadas às vezes por poucos milímetros. Mas bastou o golo, só um, para que a seleção das quinas começasse a parecer um ninho de formigas pisado. A equipa desfez-se e se até ali pelo menos tinham conseguido manter a calma e defender, saindo em contra-ataque, agora perdiam o trabalho de equipa e era cada um por si.
Só me resta dar os parabéns à Espanha. 
E agora começa a dança... 
Sai o treinador, Roberto Martínez - que no fim do jogo anunciou que aquele tinha sido o seu último jogo à frente dos destinos da seleção - a comunicação social continua a querer por as culpas em Ronaldo que acaba por responder de forma confusa aos jornalistas e os portugueses deixam, de repente, de apoiar os seus jogadores. Para mim, sempre achei estranho, num país tão nacionalista, haver um estrangeiro à frente da seleção - fosse ele brasileiro ou espanhol. A seleção nacional é um conjunto formado por portugueses, nascidos ou nacionalizados, o que me remete para a questão: o selecionador não faz parte dessa equipa? Bem, vendo algumas das opções tomadas por Martinez, a verdade é que se calhar não faz. E não digo com isto que ele fez escolhas más de propósito, mas que no seu inconsciente estava ali a vontade de ver o seu país ser campeão. O próprio mostrou estar em divergência quando anuncia a saída, minutos depois do fim do jogo, demonstrando que essa decisão já estava tomada antes mesmo de iniciar a partida (talvez se vencessem, a saída tivesse sido adiada, mas a decisão de sair após o final do jogo de eliminação, estava tomada e era aceite por ambas as partes).
Os portugueses têm, no geral, mau perder. E uma vez que na vida se perde sempre mais do que se ganha, não entendo. O que me interessa se joga o A ou o B - não sou eu que estou a jogar, nem sou eu que recebo dinheiro - a escolha não é minha. Gosto quando ganhamos? Sim, mas com tanto de pedantismo que vejo, por vezes até fico feliz quando a seleção de futebol masculina sai derrotada. Sobre o Ronaldo? Não me interessa falar, pois já se falou demais. É um jogador como os outros, tem uma história de vida interessante e até já foi um dos melhores. Já não o é, e mesmo ele, sabe bem disso, mas claro que a vaidade está acima de tudo o resto. Este é um caso onde se pode dizer que a imagem falou mais alto do que a qualidade. 
São horas e horas de notícias, comentários e jogos de futebol. E se equilibrassem com outros desportos? Enquanto isso, fomos campeões mundiais, sim, mas de outras modalidades. Alguém sabe de quais e o nome dos atletas? Poucos saberão. 
Uma coisa digo: as intrigas e interferências externas, que chegam ao cúmulo da perseguição, criadas pelo mediatismo que envolve os jogadores, também nos faz perder jogos. Podem ganhar milhões, mas são pessoas. Por isso, se o sonho de vencer este mundial acabou, a culpa, essa nunca será apenas dos jogadores mas de toda uma indústria criada à sua volta.
E já agora, parabéns à seleção de Cabo Verde, que festejou mais, apesar da derrota, do que nós alguma vez soubemos celebrar qualquer vitória!

Fontes:

04/07/2026

A subida de temperatura, o abandono das zonas rurais e a época de incêndios

Todos os anos, o drama se repete. As queixas são comuns, os piores cenários são-nos transmitidos pelas imagens das reportagens que nos mostram a realidade nacional. Passa-se o inverno e a primavera a falar sobre o que se deve fazer (limpezas preventivas, limitação de combustíveis...) mas quando chega o verão e as temperaturas sobem, tudo se repete. O que se passa? 

A verdade é que isto não acontece apenas no nosso país e deveria ser visto como um problema mais alargado e menos como algo localizado. Os incêndios afetam-nos a todos direta ou indiretamente e, as causas, essas, acabam por ser difíceis de explicar pois na sua génese podem envolver diferentes fenómenos de origem humana ou natural. 

Neste momento, estamos com um incêndio de grandes dimensões na região de Vouzela, o qual deflagrou na passada quinta-feira e que conta com mais de mil operacionais no terreno, "apoiados de 384 veículos e seis aeronaves, segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC)." Ontem, foi ativado o "Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil" e tiveram de ser efetuadas evacuações preventivas em "duas aldeias na Serra do Caramulo: Matadegas e Mançores, na União de Freguesias de São João do Monte e Mosteirinho." Fala-se em cerca de mais de 12 mil hectares ardidos, até agora, tendo o incêndio entretanto reativado na região de Tondela. O balanço final ainda não pode, por isso, ser feito, embora já se saiba que os prejuízos são avultados, no que respeita a danos no património natural, na atividade agrícola e agropecuária, bem como em algumas empresas e habitações.

Deste incêndio terão ainda resultado "dois feridos graves, um homem de 55 anos que sofreu queimaduras de segundo e terceiro grau quando tentava combater o fogo e outro, de 34 anos, que sofreu um traumatismo craniano grave ao cair de uma carrinha particular que transportava água para o combate às chamas." Além destes, terão ainda sido registados ferimentos em "dois bombeiros."

Entretanto, terá já sido acionada e já se encontra em trabalho uma "equipa da Unidade Militar de Emergências de Espanha, composta por 120 operacionais e 30 veículos." Esta equipa está a "apoiar o combate ao incêndio de Vouzela, no âmbito do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, ativado preventivamente na sexta-feira pelo Governo." Este mecanismo europeu é na prática uma rede a (rescEU) que funciona "como uma reserva estratégica de meios para dar resposta a situações de emergência que são coordenadas pelo instrumento europeu quando um país faz um pedido de ajuda."

Esta ativação deve-se ao calor elevado que se faz sentir em todo o território nacional e que, aliado a fatores de seca e de vento, propiciam uma situação de risco muito elevado. É muito importante referir o acionamento deste protocolo de forma tão imediata, uma vez que em anos anteriores, terá demorado muito mais a pô-lo em marcha, algo que eu nunca entendi.

Existe ainda outro incêndio que no dia de ontem causava preocupação, mas que acabou por ser controlado durante a noite. Este, na região de Setúbal terá tido início numa ignição num automóvel que se incendiou e cujas chamas se espalharam ao mato envolvente. Neste caso, registaram-se "10 feridos ligeiros (oito bombeiros e dois civis) e levou, por precaução, à retirada de 25 pessoas, não havendo registo de feridos graves. Pelas 14h deste sábado, 148 operacionais e 46 veículos estavam em São Sebastião no combate às chamas."

Mas qual a causa destes incêndios que todos os anos nos afetam?

O aquecimento global, visto como o grande papão, os eucaliptos vistos como os invasores terroristas ou o abandono das zonas rurais? Existem muitos estudos, várias conclusões, mas o problema mantém-se. "As condições meteorológicas extremas, mais frequentes e intensas devido às alterações climáticas, não bastam para explicar a dimensão dos desastres que se têm verificado nos últimos anos." A má gestão das espécies arbóreas e a falta de limpeza dos terrenos acaba por tornar estas ondas de calor cada vez mais perigosas. A temperatura elevada só provoca incêndios de grandes dimensões em zonas que não estejam devidamente cuidadas, ou seja, temos sempre de aliar as condições atmosféricas propícias ao próprio risco existente, sendo que aqui entraríamos também pela questão das causas. 

Uma deflagração precisa de uma ignição e as árvores não pegam fogo sozinhas. Sabemos de antemão - através de muitos estudos que vão sendo realizados ao longo dos anos - que muitos dos incêndios são de origem criminosa e de mau uso do fogo. Então, porque é que a prevenção não funciona? Porque na verdade, a prevenção falha na sua execução, porque as pessoas pensam que "não vai acontecer nada"  e continuam a ter comportamentos de risco, ou porque as autarquias não têm capacidade de gerir a sua própria área florestal. Existe ainda uma cultura de "posso fazer o que quero porque o terreno é meu," "limpo se quiser" ou até de abandono das próprias terras. 

A saída das pessoas das zonas rurais com destino a grandes cidades (e que teve o seu auge entre meados do século XIX a meados do século XX) levou ao abandono de muitas terras que antes eram cultivadas e onde pastavam grandes rebanhos e manadas. Quando o terreno é cuidado e cultivado tem menos tendência para arder. Por outro lado, as pessoas sabiam fazer uso do fogo como um aliado, o que agora muitas vezes não acontece. As queimas controladas passaram a ser proibidas uma vez que eram causadoras de grandes incêndios, e porquê? Ora se antes se faziam queimas e queimadas, o que mudou? Mudou a sabedoria de uma prática usada desde tempos ancestrais. mas mudaram também as espécies cultivadas e as arbóreas que agora são plantadas. A floresta autóctone começou a desaparecer, dando lugar a extensões sem fim de monoculturas. E uma monocultura arde mais depressa do que um terreno que esteja dividido em parcelas de plantação diversificada- 

O fenómeno do abandono dos terrenos. acontece muito frequentemente quando não há tempo nem disponibilidade financeira para cuidar de terras herdadas, ou porque se vive noutro ponto do país ou se emigrou para o estrangeiro. Mas devia existir uma responsabilidade social, uma responsabilização que obrigasse a cuidar. O problema é que não existe ainda uma franca gestão das propriedades, mesmo daqueles que são baldios ou que pertencem às câmaras municipais.

A verdade é que ano após ano se choram vítimas de incêndios, se lamentam milhares de hectares ardidos e de casas, armazéns, fábricas e diversos outros bens perdidos. E parece que por muitos estudos que se façam, não se aprende nada.

Fontes:

https://www.publico.pt/2026/07/04/sociedade/noticia/incendios-calor-nao-abranda-ha-1700-operacionais-combater-chamas-2180526
https://www.publico.pt/2026/07/03/politica/noticia/governo-activa-mecanismo-europeu-proteccao-civil-prevencao-incendios-2180453

28/06/2026

Sobre o sismo na Venezuela...

Hoje volto a escrever sobre este sismo e sobre o elevado número de vítimas que provocou. Ainda estamos numa fase em que falta encontrar centenas de pessoas e em que, com o passar do tempo, a janela de oportunidade para as retirar com vida dos escombros se está a esgotar. Ontem de manhã, houve "um novo abalo este sábado de 5,6 na escala de Richter na região de Aragua." Muitas vítimas, ainda soterradas, podem ter sucumbido nessa altura. Em vários locais, os edifícios voltaram a mover-se, caíram pedras, as estruturas ainda não estão, pelo que se visualiza nas imagens, escoradas. Em breve, o resgate será trocado pela recolha e identificação de corpos.

Ao dia de hoje, estão no terreno meios humanos e materiais de vários países. Portugal e Espanha por exemplo. Países que querem ajudar e que estão prontos a trabalhar. Mas que ficaram parados, aguardando ordens, aguardando autorização, para terem uma missão durante várias horas. Não consigo imaginar como se sentiram durante esse tempo em que tiveram de ficar a aguardar, sabendo que qualquer minuto conta nestas situações. Por isso, devemos estar gratos a que existam pessoas que são capazes de manter a calma nestas situações. Estarão no terreno agora cerca de "1.600 socorristas" prontos "para prestar assistência às vítimas dos terramotos," a que se juntou um apoio de "cinco milhões de euros", em "ajuda de emergência," enviada pela "União Europeia."

Portugal, enviou para já "dois aviões da Força Aérea", onde seguiram "64 elementos da Unidade Especial de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), dos Sapadores Bombeiros de Lisboa e do INEM." Estas equipas estão preparadas para ajudar. Seguiu também a bordo cerca de "23 toneladas" de ajuda humanitária, Já se encontram em trabalho, colaborando com equipas de outros países, unindo esforços para tentar resgatar com vida, em tempo útil, as vítimas que ainda se encontram debaixo dos escombros.

Segundo o Ministro dos Negócios Estrangeiros português, o "número de portugueses e lusodescendentes mortos devido aos sismos na Venezuela subiu para 51." E o número de desaparecidos ainda é bastante elevado. De acordo com o "presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez Gómez," o número de mortos nos dois sismos que atingiram a Venezuela aumentou para 1430." E segundo a "ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas."

Infelizmente, o território afetado é muito vasto e existem ainda vários locais, bastante afetados, que ainda só contam com ajuda de populares. Pessoas que, voluntariamente, procuram com as próprias mãos e sem qualquer segurança, pelos sobreviventes. Pessoas que não querem desistir.

Por cá, como que para nos lembrarmos que devemos estar preparados, foi sentido "um sismo de magnitude 4.1 (Richter) com epicentro a cerca de 70 quilómetros a sudoeste do Cabo de São Vicente." Foi pouco sentido e não terá causado danos, mas se fosse mais forte? Estaríamos preparados?

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/venezuela-numero-de-portugueses-e-lusodescendentes-mortos-sobe-para-51_n1750018

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/1600-socorristas-ja-estao-na-venezuela_v1750027

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/numero-de-mortos-nos-sismos-na-venezuela-ultrapassa-os-1400-41-sao-portugueses-e-lusodescendentes_n1749922

https://www.publico.pt/2026/06/27/sociedade/noticia/sismo-venezuela-numero-portugueses-lusodescendentes-mortos-sobe-36-2179689

https://www.publico.pt/2026/06/28/sociedade/noticia/sismo-ligeiro-sentido-algarve-2179726


03/06/2026

Greve geral... ou nem tanto

 A ideia era realizar uma greve geral contra o Pacote Laboral, considerado por muitos como um retrocesso. 

No caso da Educação, que é a área que, não desfazendo das outras, mais me interessa neste momento, as consequências da aprovação deste Pacote Laboral, são as seguintes:

  • a facilitação dos despedimentos;
  • a prevalência da satisfação de necessidades permanentes com recurso à contratação a termo;
  • a possibilidade de recurso ao outsourcing para satisfazer, transitoriamente, necessidades do sistema educativo;
  • o agravamento da desregulação do tempo de trabalho;
  • a introdução do banco de horas individual com aumento de até 10 horas semanais, sem aumento da remuneração (até ao limite de 150 horas);
  • a limitação do período de amamentação até aos 2 anos de idade da criança;
  • no setor privado, ainda maior facilitação da caducidade da contratação coletiva, o que terá também inevitáveis consequências no quadro da negociação coletiva previsto para a administração pública;
  • a exclusão dos trabalhadores temporários das regras da contratação coletiva;
  • a atribuição ao patrão do direito de escolher a convenção que for, para si, mais favorável, impondo-a aos respetivos trabalhadores;
  • o ataque à liberdade sindical;
  • a limitação, ou mesmo a extinção, na prática, o direito à greve;
  • a drástica fragilização da situação geral dos trabalhadores nas relações laborais, o que não deixará de ter consequências muito negativas na área da administração pública e, em particular da educação e da investigação, com consequências em processos como o da revisão do ECD e outros.
Agora que o dia está a chegar ao fim, é preciso olhar para esta greve com a devida cautela. De entre várias consequências, podemos destacar "os constragimentos nos transportes públicos," na saúde e no acesso a alguns serviços. No caso das escolas, há dados que indicam que cerca de "48% dos alunos não puderam realizar a prova de Língua Portuguesa" (ModA).

Infelizmente, nestes dias, existem sempre aqueles que se aproveitam para causar confusão e para tentar denegrir a imagem dos manifestantes. Felizmente, ainda são um valor residual. Outra questão a ter em conta e que eu considero muito importante é que se o direito à Greve existe, também existe o direito a não fazer greve. Isso devia ser desde logo algo assumido por todos. Os que querem ir trabalhar, deviam poder fazê-lo sem que isso fosse alvo de agressões ou insultos. No entanto, houve casos em que não existiu esse respeito. Também de referir que, quando alguém faz greve, o seu posto de trabalho não pode ser substituído. Houve casos de trabalhadores em prestação de serviços a realizar funções que competiriam a funcionários em Greve, o que não se enquadra nos serviços mínimos.

No entanto, houve muita gente a escolher ir trabalhar e não fazer greve, o que fez com que em alguns serviços o impacto da greve não fosse o esperado. Mais uma vez, assistimos a uma discrepância enorme entre os dados apresentados pelo governo e os dados apresentados pelas centrais sindicais. E depois havia aqueles que, entrevistados para as estações de televisão e rádio que faziam a cobertura da greve, nem sequer sabiam o que se estava a passar ou quais os motivos que levaram à paralisação. Será que têm estado a dormir, ou aterraram agora em Portugal vindos não se sabe bem de onde?

Pelas suas consequência imediatas podemos dizer que prejudicou o país, mas sinceramente, na prática, eu não sei se fará assim tanta mossa na vontade deste governo que nos tem vindo a surpreender com as suas decisões pouco democráticas.

Fontes:

https://www.spn.pt/Artigo/greve-geral-3-jun

https://www.publico.pt/2026/06/03/sociedade/noticia/grave-residual-expressiva-greve-geral-dois-tons-2177062

https://www.gov.pt/noticias/greve-geral-de-3-de-junho-servicos-publicos-e-transportes



03/05/2026

O desaparecimento de um dos maiores comunicadores do "meu tempo" e a Liberdade de Imprensa

 Hoje fazia tenções de escrever apenas sobre a Liberdade de Imprensa, mas acabei de saber que tinha falecido esta madrugada um dos maiores radialistas e voz-off da minha geração. De voz inconfundível, Cândido Mota foi um comunicador que se distinguiu pela clareza e força da sua voz. Uma voz que conhecemos antes da imagem.

Atualmente a viver na Casa do Artista, Cândido Mota foi locutor de rádio, apresentador de televisão e ator, particularmente em pequenos sketches feitos com Herman José.

Nascido em Espinho a 28 de setembro de 1943, Cândido começou a trabalhar no Rádio Clube Português com apenas 17 anos. Na RDP (Rádio Difusão Portuguesa) fez programas inovadores para a época como o "Em Órbita" ou o "Passageiro da Noite" (1979). no qual as pessoas podiam ligar para a rádio e falar em direto sobre diferentes temas.

Foi contraponto em muitos programas televisivos, trabalhando por exemplo com Herman José com quem tinha uma cumplicidade indisfarçável, por exemplo em "A Roda da Sorte" (1991) ou "Com a Verdade m'enganas", ambos da RTP. Estávamos numa época em que havia pouca variedade, mas uma qualidade superior, principalmente ao nível dos concursos e do entretenimento. 

Quanto ao tema que me propunha falar em primeiro lugar, outras oportunidades virão, mas não poderia deixar de relembrar que a liberdade de um povo se vê na liberdade da sua imprensa. Tal como nos lembrou António José Seguro, existem muitos países em que os jornalistas "são frequentemente alvo de censura, ameaças e mesmo violência." Eu acrescentaria que existem países onde os jornalistas são perseguidos e assassinados, onde estar identificado como "press" não significa estar em segurança. A nossa democracia deve muito à imprensa que, tantas vezes, foi tentando contornar as ordens do regime.

Agora deixo a questão: existe liberdade de imprensa no nosso país?


Fontes:

https://sicnoticias.pt/pais/2026-05-03-presidente-da-republica-diz-que-voz-inconfundivel-de-candido-mota-ficara-na-memoria-coletiva-1d65f8b7

https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2ndido_Mota_(locutor)

https://diariodistrito.sapo.pt/liberdade-de-imprensa-em-risco-alerta-de-antonio-jose-seguro/

20/03/2026

A extensão de uma guerra que só ia durar uns dias

Donald Trump dizia que a guerra ia durar pouco. Talvez estivesse a comparar o Irão à Venezuela. Um regime como este não cai assim. Parece uma forte árvore que quanto mais é podada, mas forte cresce, estendendo os seus ramos até onde consegue, usando-os para asfixiar o seu povo e quem quer que lhe mostre oposição. Trump, entretanto chamou "cobardes" aos países aliados da NATO, perante a tomada de posição destes em não apoiarem diretamente os EUA nesta fase do conflito.

Sobre isto, ouvia hoje o podcast de Maria João Simões na rádio Observador e em que intervinha o major-general Arnaut Moreira, que explicava um pouco da posição dos países europeus e da própria NATO. A defesa apresentada pelos países europeus para não cederem ao pedido de ajuda de Donald Trump foi a falta de consulta prévia e a falta de informações sobre as operações militares a decorrer, Como nos explicava Arnaut Moreira, os navios europeus fariam escolta e os meios aéreos norte-americanos dariam apoio, mas isso não foi aceite pelos líderes europeus. E ainda bem. A própria NATO, como também o Major-general explicou, estaria assim diretamente envolvida num combate fora da sua área de intervenção, sendo que embora isso já tenha acontecido no passado, a questão é que nenhum país da NATO foi atacado e que, quem iniciou o conflito foram, na realidade, os EUA e Israel. 

E a cada dia que passa, a situação vai piorando. Não apenas no Médio Oriente, mas também na própria Europa. O ministro dos negócios estrangeiros iraniano veio já acusar o Reino Unido de ser cúmplice dos EUA por permitir o uso das suas bases militares. Na Turquia, a defesa aérea da NATO, interceptou já dois mísseis disparados do Irão. O governo turco interpreta estes ataques como uma tentativa de provocar a entrada da Turquia na guerra, mas afirma que não tem intenções de ceder, reforçando ainda que os ataques contra o Irão devem cessar.

A própria Polónia (membro da NATO desde 1999) veio já retirar as suas tropas da zona do Iraque, onde se encontravam desde 2016.

Khamenei, que "não é visto em público" desde a sua nomeação como sucessor do seu pai, o Ayatolla Ali Khamenei, morto nos primeiros dias deste conflito, já se pronunciou também sobre a morte do porta-voz da Guarda Nacional do Irão, declarando que os culpados não devem "viver em segurança". Além de Ali-Mohammad Naini, foi também "morto o ministro dos Serviços de Informações, Esmail Khatib." O atual porta voz do Irão, veio também ameaçar que "parques, áreas de lazer e destinos turísticos" podem ser alvos, deixando de ser seguros "para os inimigos de Teerão." O clima de medo é uma das formas de luta do regime iraniano, pois pode não atacar diretamente os EUA ou Israel, mas ataca todos os que venham a mostrar o seu apoio aos mesmos, ou que não se aliem ao próprio Irão.

Países como o Bahrein, o Kuwait e a Arábia Saudita, continuam a ser atacados com mísseis e drones iranianos. O Irão continua a atacar as "infraestruturas energéticas no Golfo," tendo atingido uma "refinaria saudita." No Qatar, foi atingida uma "instalação de gás natural liquefeito." Estes ataques a estruturas energéticas são uma forma de o Irão responder aos "ataques israelitas ao campo de gás de South Pars/North Dome."

No Bahrein, já foram interceptados desde o início da guerra a "28 de fevereiro," cerca de 139 mísseis e 238 drones" com origem no Irão. Destes, um resultou num "incêndio num armazém." No Kuwait, foi atacada as refinarias de Mina Abdullah e Mina Al-Ahmadi, tendo sido registados vários focos de "incêndio em algumas das suas unidades."

Por cá, fala-se de crise, mas ainda estamos bem. Os preços sobem, principalmente os combustíveis e os os fertilizantes, culpa dos bloqueios no Estreito de Ormuz. Apesar de o governo se dizer "sensível" ao aumento dos preços dos combustíveis, não há grandes alterações nem irá haver, pelo menos para já, uma imposição de um limite na subida dos preços. Apenas no que se refere ao gasóleo profissional, o governo irá introduzir durante os próximos 3 meses, "um mecanismo extraordinário" que visará as "empresas de passageiros e de mercadorias," (onde se incluem também os táxis e as corporações de bombeiros) e que se irá traduzir num "reembolso de 10 cêntimos por litro até 15 mil litros por veículo." A ministra do ambiente, Maria da Graça Carvalho, veio já anunciar que "estamos perto dos critérios" para que seja declarada uma crise energética, sendo que será necessária uma decisão do próprio conselho europeu para que se possam tomar realmente medidas nesse sentido.

Fontes:

https://sapo.pt/artigo/morreu-porta-voz-da-guarda-revolucionaria-iraniana-israel-lanca-nova-onda-de-ataques-no-coracao-de-teerao-69bd10db31c55356067a76de

https://www.noticiasaominuto.com/economia/2957918/do-gas-aos-combustiveis-passando-pelo-travao-aos-precos-o-que-vem-ai

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2955757/turquia-teme-que-netanyahu-possa-estar-a-cometer-um-genocidio-no-libano?dicbo=v2-UBZF785

https://observador.pt/programas/o-dominio-da-guerra/o-irao-so-nao-atinge-a-europa-porque-nao-quer/

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/portugal-perto-dos-criterios-para-declarar-crise-energetica_e1727869

15/03/2026

A guerra parece longe, mas estamos a sentir o seu impacto

Esta é sempre a grande questão, não é? 

As guerras estão lá longe e nós (aqueles que ainda se vão interessando pelo que vai acontecendo no mundo) acompanhamos pela televisão, ou seguimos uns podcasts onde se vai atualizando os conflitos e as frentes de guerra. Lembro-me bem daquele primeiro contato que tive com a guerra vista aqui deste lado. Anos 90 e eu em casa da minha avó. A emissão da RTP a prolongar-se noite dentro e de manhãzinha lá estava eu agarrada ao televisor a ver uns pontos brancos (ou seriam verdes?) a percorrer a noite. Era a invasão do Kuwait e confesso que ainda fui algumas vezes espreitar à janela para ver se avistava alguma daquelas estrelas cadentes. Tinha seis anos e aprendi que havia mais duas letras no alfabeto e terras com nomes esquisitos de que nunca tinha ouvido falar.

Naquele tempo, já se falava de que o Irão estava a "violar impunemente os princípios do direito internacional", palavras de Cavaco Silva em declarações ao país. Era a guerra do Golfo e o petróleo estava no centro de tudo. 

Hoje só não está informado quem não quer, quem não se importa com o que se passa no mundo, ou quem prefere esconder a cabeça na areia e fingir que vive num mundo perfeito e florido. Estou fora desse grupo - acho que já perceberam isso. Hoje, as imagens de guerra já são tão frequentes, que não as estranhamos. Quase que nos habituámos a cenários de guerra, à visão da destruição e da morte e, enquanto estas apenas nos atingirem de longe, tudo nos parece "bem". Não nos temos de esconder dos ataques, não temos de ouvir o som das bombas a cair. A guerra parece longe. Mas não tão longe o suficiente que não nos preocupe. 

O facto é que, embora tenhamos a noção de estarmos, de certa forma, seguros, as consequências acabam por nos atingir como ondas de choque que se vão repercutindo. Pertencemos à União Europeia, pertencemos à NATO, temos um pacto de não-agressão assinado com Espanha, enfim, nem sequer nos queremos muito meter em assuntos internacionais, para não ferir susceptibilidades, e temos como outros países europeus, uma base que pertence aos EUA. Ali é solo norte-americano.

E o que nos afeta? Por um lado, o uso da Base das Lages. Não sei quanto a vocês, mas ter aviões americanos pousados aqui tão perto, aflige-me um pouco. Nada contra os aviões, nem contra os militares americanos, a questão é estes serem um alvo mais facilmente atingível em território português do que em território norte-americano.

Por outro lado, temos a questão do Estreito de Ormuz, que o Irão bloqueou, interrompendo a passagem de petróleo de que muitos países dependem. Este bloqueio produz fortes danos na economia e desencadeia uma crise energética a nível global. Os preços dos combustíveis aumentaram ainda antes de se ter de ir comprar os ditos barris e aquilo que se espera é continuem a aumentar nas próximas semanas. 

A grande questão é se a guerra no Médio Oriente é, realmente, a causa única para estes aumentos? É que temos de associar ao aumento do valor dos barris, que reflete o aumento do custo no seu transporte, o aumento do preço de outros produtos, como é o caso dos cereais e até dos fertilizantes. 

Há quatro anos, a invasão da Ucrânia por parte da Rússia, trouxe-nos uma situação semelhante. Entretanto, a economia acabou por estabilizar, embora os preços não tenham regressado aos valores que tinham antes do conflito. Agora, com este bloqueio à passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, a inflação acaba por vir agravar a situação económica em que já nos encontrávamos.


Fontes:

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/1990-invasao-do-kuwait/

https://cnnportugal.iol.pt/irao/eua/duas-semanas-de-guerra-por-dentro-da-arriscada-decisao-de-trump-de-atacar-o-irao-e-a-corrida-para-conter-as-consequencias/20260314/69b562b4d34e28842c81bf9f

22/02/2026

Ainda sobre a destruição causada pelas cheias

Em Portugal já houve outros anos de chuvas intensas e em que os rios saíram das margens invadindo terrenos agrícolas e levando tudo à sua frente. Este ano, parece que as tempestades resolveram juntar-se e entrar pelo território português sem dó nem piedade. Depois da destruição causada pelos ventos, a chuva não deu tréguas, aumentando os caudais dos rios e criando zonas de cheias destrutivas. Se bem que não foi a primedira vez que o caudal do Tejo, do Mondego ou do Sado galgou as suas margens, a verdade é que o povo tem memória curta e se esquece de outras enchentes - felizmente, talvez por nem serem assim tão frequentes. Embora fosse expectável que houvesse cheias este ano, a subida dos caudais acabou por atingir uma população já fragilizada por um comboio de tempestades cujo vento e chuvas fortes detruiram tudo à sua passagem. Telhados arrancados, árvores derrubadas. As terras ficaram encharcadas e, em muitas zonas, acabaram mesmo por deslkizar, escorrendo pelas encostas e arrastando tudo pela seu caminho. As estradas saíram do seu percurso normal, os muros desabaram e as casas acabaram inclinadas, tombadas periclitantes prestes a desabar pelo morro abaixo.

Depois da tempestade Kristin, "a tempestade Leonardo chegou com violência renovada e voltou a devastar comunidades já marcadas pelo caos e pelo sofrimento. A precipitação intensa, concentrada em poucas horas, fez subir rapidamente o caudal dos rios, que transbordaram." Em Coimbra, a autarca acabou por mandar preparar a evacuação de parte da população, "devido ao risco iminente de rutura dos diques do rio Mondego", que tinha atingido o seu limite. Estradas cederam com o rompimento de diques e canais, houve deslizamentos de terras e casas soterradas por terra e rochas. Mas o mpior de tudo foram as dezoito mortes que ocorreram "em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta," e "que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados." Um casal acabou por ser apanhado pelas cheias, tendo a viatura, com os corpos ainda no seu interior, sido encontrada numa estrada que estava claramente intransitável devido à subida do caudal. 

Sem esquecer a queda de parte do tabuleira da A1, na zona de Coimbra. "O troço entre Coimbra Norte e Coimbra Sul encontrava-se já encerrado em ambos os sentidos," por haver um risco calculado de que o dique poderia não aguentar. O desabamento acabou mesmo por ocorrer, por volta das 18 horas, "no ponto de ligação entre o aterro e o viaduto, na zona dos Casais."

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais deste comboio de tempestades.

Apesar de ter sido declarada situação de calamidade, ainda existem situações deveras complicadas e que não terão uma resposta rápida. Ainda há "casas sem energia, empresas sem respostas e setores de atividade à espera de soluções, com prejuízos estimados na ordem dos mil milhões de euros."

No caso de Leiria, das cerca de "84 pessoas" que foram deslocadas, "17 das quais permanecem em situação muito vulnerável, sem casa." De acordo com Paulo Fernandes, "coordenador da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País," existem ainda em Portugal cerca de "374 desalojados (103 famílias) e 130 deslocados (72 famílias)," existindo um "universo possível de 175 edifícios," que ficaram "inabitáveis". Ao fim de tanto tempo, é inimaginável que ainda existam casas sem eletricidade e sem água potável canalizada, mas a verdade é que ainda temos pessoas a viver nessas situações.

Diversas empresas estão paradas e sem previsão de retomar a sua atividade. Centenas de agricultores procuram uma forma de recomeçar, mas sem poderam fazer nada enquanto os campos estiverem alagados. Perdeu-se a comida armazenada para os animais e ainda é preciso reconstruir cercas, estruturas de rega e canais. Um dos maiores problemas é que a falta de energia trouxe enormes custos para se manterem os geradores a funcionar. Não é só em casa que é necessária eletricidade. Esta é fundamental nas estufas, por exemplo. Em relação à sivicultura, a estimativa é de que podem ter sido destruídas entre "cinco a oito milhões de árvores, incluindo exemplares centenários." 

Fontes: 

https://sicnoticias.pt/meteorologia/2026-02-05-da-tragedia-de-1967-na-grande-lisboa-a-ilha-da-madeira-em-2010-as-cheias-que-devastaram-portugal-nas-ultimas-decadas-57d92b39

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-22-video-leiria-ainda-faz-contas-mas-prejuizos-das-tempestades-ja-atingiram-os-800-milhoes-46ad069c

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-20-tempestade-kristin-destruiu-ate-oito-milhoes-de-arvores-em-leiria-d3d3e93e

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-18-pedidos-cerca-de-75-milhoes-de-euros-para-recuperar-habitacoes-danificadas-pelas-tempestades-7c85ee10

https://expresso.pt/tempestades/2026-02-12-video-colapso-junto-do-viaduto-da-a1-em-coimbra-imagens-de-drone-revelam-impacto-do-rebentamento-do-dique-do-mondego-a0a7e56f

 

21/02/2026

Atropelamento e fuga em Lisboa

Não sabemos o que se passa na cabeça destas pessoas, o que lhes vai na alma. Mas sabemos que um carro pode ser uma arma letal quando nas mãos erradas. 

Há uns dias, vi imagens de uma senhora que guiava de forma descontrolada por uma rua da Trafaria. A mulher conduziu a viatura de "forma irregular, embateu em carros estacionados e acabou por atingir um peão. Já perante a intervenção da GNR, a condutora terá avançado contra uma patrulha, provocando danos e ferimentos num militar de 25 anos."

O que lhe ia na cabeça naquele momento? Que sensações, pensamentos ou fantasmas a atormentavam? Quais eram as suas dores ou as suas razões? Soube-se que era enfermeira, que já lhe tinha sido diagnosticada uma doença psiquiátrica e que teria acompanhamento médico nessa área da saúde. Algo correu mal naquele dia e, poderia ter sido pior se tivesse matado alguém.

Ontem, um automóvel investiu sobre um grupo de pessoas, atropelando de forma grave cinco transeuntes na zona do Chiado, em Lisboa. Esta viatura era conduzida, ao que se sabe por um homem entre os 20 e os 30 anos. A viatura tinha sido furtada momentos antes, enquanto o dono jantava ali perto. Destas vítimas, duas "eram adolescentes e terão ficado com fraturas expostas - uma teve alta" já esta manhã, enquanto a "outra está internada mas em situação estável. As outras duas vítimas foram assistidas no local."

Os carros, matam, não apenas em acidentes, mas também de forma propositada.

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/atropelamento-com-fuga-faz-cinco-vitimas-na-zona-do-chiado-em-lisboa_n1720608

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-16-video-mulher-detida-na-trafaria-depois-de-atropelar-uma-pessoa-e-abalroar-gnr-7707150e

https://sapo.pt/artigo/enfermeira-do-garcia-de-orta-ja-teve-episodio-identico-antes-do-caos-na-trafaria-69941cf8bef01392d90c672d


09/02/2026

Já se elegeu o Presidente da República

Finalmente, o meu coração tranquilizou um pouco. Afinal, o nosso país ainda tem muita gente de bem que não quer voltar a uma memória passada que não pode ser esquecida. Como se esperava, o eleito para Presidente da República foi António José Seguro, deixando em segundo lugar nesta segunda volta o líder do Chega André Ventura. Devido ao mau tempo que se tem feito sentir e que deixou várias zonas do país destruídas, sem água e sem luz, alguns concelhos não foram ainda a votos tendo nestes casos o ato sido adiado para o próximo domingo, dia 15 de fevereiro. 

No fim de contas, ganhou a democracia, a união da esquerda, do centro e de muitos, muitos votantes de direita, contra o risco de termos na Presidêncioa alguém com valores muito pouco humanos e ainda menos democráticos. De lembrar, que André era o homem que dizia que o país precisava de "três Salazares" e que, apesar de ter perdido, afirmou que "o resultado alcançado" servia para colocar o Chega "no caminho para governar o país," reforçando a ideia de que reforçando a ideia de que os portugueses tinham dado "ao partido um sinal de crescimento e de afirmação no panorama político nacional." Felizmente, ainda não foi desta...

Mas quem é o novo Presidente? Confesso que conhecia muito pouco sobre Seguro e que acabei por ler alguns artigos e ver algumas entrevistas para me inteirar sobre o seu percurso. Se na primeira volta, poderei ter andado um pouco indecisa inicialmente, na segunda volta, não houve qualquer dúvida sobre em quem recairia o meu voto.

Nascido a 11 de março de 1962, em Penamacor, licenciou-se "em Relações Internacionais, pela Universidade Autónoma de Lisboa," tirando depois o Mestrado "em Ciência Política, pelo ISCTE-IUL." Destaca como "pilares" de vida, "os valores transmitidos pelos pais, honestidade, ética e trabalho." É casado e tem dois filhos.

"Em criança gostava de brincar ao peão e com berlindes, e com um jogo de futebol, numa tábua de madeira com pregos, feita por um marceneiro de Penamacor," terra com a qual ainda "hoje mantém ligações." Na juventude, esteve sempre ligado "ao associativismo, ao desporto e à cultura" e, como muitos jovens daquela época, fez "parte do jornal da escola," tendo mais tarde fundado o jornal “A Verdade de Penamacor”, do qual acabou por ser diretor. Junto com "o primo Jorge Seguro Sanches," criou uma "associação cívica," denominada "Geração 2000." Escreveu ainda para o "semanário Expresso, cujos artigos estão compilados num dos seus livros - “Compromissos para o Futuro" -, e é também autor do livro "Reforma do Parlamento Português - O controlo político do Governo"." 

Na política, a sua carreira efetivamente começou na "Juventude Socialista (JS)" da qual foi líder na década de 90, começando a "aproximar-se da cúpula do poder socialista quando, no início de 1992, António Guterres bateu Jorge Sampaio na corrida ao lugar de secretário-geral do PS," e lhe dá o lugar de "chefe de gabinete do secretário-geral." Foi também "presidente do Fórum da Juventude da União Europeia (estrutura máxima que representa todas as organizações europeias de juventude, de 1989 a 1993) e vice-presidente da União Internacional das Juventudes Socialistas." 

Nas legislativas de 1991 tinha sido eleito deputado, mas é "a partir de 1994," que comneça a fazer "parte da Comissão Permanente do Secretariado Nacional."

"Com a vitória do PS nas legislativas de outubro de 1995, Seguro assume as funções de secretário de Estado da Juventude," e de cargo do qual sairia para se candidatar, no segundo lugar da lista dos socialistas, às europeias de 1999, atrás do cabeça-de-lista, Mário Soares."

"Entre 1999 e 2001, foi deputado ao Parlamento Europeu, tendo sido co-autor do Relatório do Parlamento Europeu sobre o Tratado de Nice e o futuro da União Europeia. Em 38 anos de participação europeia, António José Seguro foi o único português a quem foi atribuída a responsabilidade de elaboração de um relatório sobre um Tratado Europeu." Ainda na Europa, foi também "vice-presidente do Grupo Parlamentar Socialista, com o pelouro da Organização Mundial do Comércio, presidente da Delegação dos Deputados Socialistas Portugueses e presidente da Delegação para as relações com os países da América Central, México e Cuba."

Em 2001, acaba por renunciar e substitui Armando Vara, no cargo de "ministro-adjunto do primeiro-ministro," a pedido de António Guterres. Em 2002, acaba por regressar "à Assembleia da República, onde liderou a bancada parlamentar do PS (entre 2004 e 2005), tendo presidido às Comissões Parlamentares de Educação e Ciência (X Legislatura) e de Assuntos Económicos, Inovação e Energia (XI Legislatura). Dirigiu também o Gabinete de Estudos do PS, de 2002 a 2004."

Em 2004, apesar de ter mostrado essa disponibilidade, acaba por não concorrer à liderança do partido socialista, talvez por influência ou a pedido de Jorge Coelho, e é Sócrates que acaba no poder. Seguro foi-se mantendo "na segunda linha, apesar de ter sido cabeça-de-lista por Braga nas eleições legislativas de 2005, 2009 e 2011 e presidente das comissões parlamentares de Educação e de Economia." Em 2007, acabaria esmo por coordenar "os trabalhos de reforma e modernização da Assembleia da República, conhecida como a Reforma de 2007, na base do relatório que ele próprio coordenou no interior do seu grupo parlamentar."

Só em 2011, volta a mostrar que tem vontade de avançar "para a campanha interna para a liderança do PS que o levou ao lugar de secretário-geral ao vencer a disputa com Francisco Assis," ganhando "com 68% dos votos" e sucedendo assim "a José Sócrates como secretário-geral do PS. Foi ainda reeleito, em abril de 2013, com mais de 95% dos votos."

Esteve nesse cargo até "setembro de 2014," altura em que foi então "derrotado por Costa, obtendo cerca de 32% dos votos, demitindo-se assim da liderança do Partido Socialista e renunciando aos mandatos de conselheiro de Estado e de deputado à Assembleia da República."

Dedicou-se nos últimos anos a dar aulas na Universidade Autónoma de Lisboa e no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, mantendo-se praticamente em silêncio sobre questões políticas," salvo em algumas exceções. Continua a produzir "vinho e azeite em homenagem ao pai, projetos que descreve como fonte de felicidade e de ligação às origens." 

Apresentou a sua candidatura a 3 de junho de 2025, "sem qualquer garantia de apoio por parte do Partido Socialista." Mesmo sem esse apoio, avançou e conseguiu "vencer a primeira volta, com 31,11% dos votos." No entanto, estes valores não lhe garantiam o lugar e teve mesmo de ir à segunda volta da qual saiu vencedor, "com o maior número de votos de sempre numas Presidenciais, ultrapassando Mário Soares."

Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-presidenciais/2026/2026-02-08-video-quem-e-antonio-jose-seguro-o-novo-presidente-da-republica--357b8142

https://sicnoticias.pt/podcasts/alta-definicao/2025-09-27-antonio-jose-seguro-gostava-muito-de-ter-sido-primeiro-ministro-mas-essa-possibilidade-nao-se-concretizou.-ha-mais-vida-para-alem-disso-31a2e22c

https://nossaeuropa.eu/pt/direccao/antonio-jose-seguro

https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-presidenciais/2026/2026-02-08-portugueses-votam-este-domingo-na-segunda-volta-das-eleicoes-presidenciais-6812035c

https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-presidenciais/2026/2026-02-08-video-o-discurso-de-andre-ventura-na-integra-67747cb9

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Jos%C3%A9_Seguro

 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...