Podemos olhar para as reuniões entre Putin e Trump, Trump e Zelenski, como algo distante... mas não é nem assim. É preciso pensarmos bem que, aquilo que se decidir, vai influenciar o futuro da Europa e não apenas o futuro da Ucrânia (tal como a guerra nos continua a afetar a todos, apesar de, aparentemente nos termos adaptado e parecer que nada se passa).
Quando olho para estes encontros - e como me tenho debruçado sobre a história do século XX e das guerras que tanto afetaram as populações - parece-me sempre que algo anda a ser cozinhado e que nós só vamos saber quando o cozinhado estiver pronto. Há coisas que vamos sabendo, mas há muitas conversas, vários acordos que são feitos sem que se saiba na comunicação social - fazem parte destes, as reuniões de preparação dos grandes encontros, esses sim, mais mediáticos. Lembro-me dos acordos que foram fechados à margem dos Tratados oficiais, do que foi combinado e que acabou por não resultar no Armistício, e que, depois acabaram por levar à Segunda Guerra Mundial. Lembro-me das perdas que os vencidos tiveram e das cedências que foram obrigados a fazer. O que é se passa agora nos corredores, o que é que se diz à porta fechada nos gabinetes?
Esta Cimeira (por cá, mencionada em diversos canais televisivos, mas devido ao flagelo dos incêndios, sem o devido destaque), juntou dois homens no Alasca, no dia 15 de agosto, dois lideres que têm como aspeto comum a sua forte personalidade, mas enquanto Trump é mais explosivo, Putin é mais reservado. O seu semblante não transparece os seus pensamentos. E isso não me tranquiliza...
Vladimir Putin, foi recebido "no Alasca com uma exibição aérea de F-35 e F-22, e um sobrevoo do bombardeiro estratégico B-2, numa demonstração de força que não passou despercebida." O palanque em que Putin foi recebido, estava "ladeado por quatro caças F-22."
Para quê? Com que intenção?
Fala-se em cedências de territórios e na instalação de militares europeus na Ucrânia... alguém acredita que isso vai acontecer? Temos um homem que, quer queiramos quer não, tem uma forte personalidade e uma enorme dominância, e que sabe que muitos receiam as suas ações. Quando esse homem, é recebido pelo presidente dos EUA, numa "base militar perto de Anchorage," no Alasca, e os dois apertam as mãos e seguem no mesmo veículo, estamos sim perante um encontro histórico. Histórico é também este local. "Durante a Guerra Fria, desempenhou um papel central na dissuasão e monitorização das projeções da força militar soviética e, desde a queda da Cortina de Ferro, tem mantido um papel discreto e puramente militar."
O que resultou desta reunião, para já, pouco ou nada sabemos. Mas sabemos que enquanto se discutia (supostamente) a paz, o "exército russo" bombardeava a Ucrânea lançando "85 drones e um míssil." Coincidência ou provocação?
Os dois, acabaram por não se reunir a sós, mas claro que houve hipótese de acordar determinados pontos aos quais por enquanto não teremos acesso. "Marco Rubio" e o "enviado especial, Steve Witkoff," estiveram presentes no Air Force One, "na parte bilateral das conversações." Na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro entre os dois líderes, teve Putin a primeira palavra, tendo começado logo designar Donald Trump "como vizinho " e "recordou as raízes russas no estado norte-americano do Alasca."
Sabe-se que Zelensky já terá conversado com Trump e que haverá um encontro entre os dois, em que poderão participar também outros líderes europeus. Ao contrário do que Trump chegou a afirmar, muito dificilmente os três se sentarão à mesma mesa.
Esperemos que estes encontros realmente sejam espaços de discussão de ideias que visem a Paz na Ucrânia, o regresso do povo ucraniano à sua terra, às suas casas e à não perda na necionalidade, da cultura, da língua... isto não pode acontecer, mas receio, será talvez um mal necessário, uma cedência para a Paz...
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