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06/10/2026

Confrontos e manifestações em França

Em França mais de 400 escolas encontram-se encerradas devido a ações de estudantes (e não só) que exigem ao governo melhores condições de educação. O que está a acontecer - a apenas alguns meses de haver eleições em França - é que os manifestantes estão a exigir "mais professores substitutos, melhores condições de funcionamento dos edifícios escolares" e melhores condições "de ensino." Desde que os protestos pela educação começaram, em meados de setembro, o número de escolas encerradas tem vindo a diminuir. Em relação às consequências, além de não haver aulas, existem para já cerca de "215 estudantes e 715 agentes da polícia" feridos. As forças policiais tentam impor a ordem e foram já feitas mais de "cinco mil" detenções.

Para além de impedirem o acesso às escolas, os manifestantes incendiaram caixotes do lixo e pneus para atrasar ou impedir a intervenção policial. Há ainda a lamentar diversos "danos materiais e confrontos com as forças de segurança, que se repetiram esta segunda-feira em algumas escolas de cidades como Paris e Toulouse, entre outras"

Para afastar os manifestantes, as autoridades estão "a recorrer a gás lacrimogéneo e a outros meios." Entre os feridos está um jovem de 15 anos, que teve a mão amputada devido ao rebentamento de uma granada lançada pela polícia e que o jovem terá agarrado, possivelmente, para a voltar a atirar.

Na passada segunda-feira, um "adolescente de 14 anos" acabou por perder a "maioria dos dentes quando um agente da polícia" o terá alegadamente atingido com "uma granada à queima-roupa," não conseguindo "falar" nem comer, tendo de "uma palhinha", Na quarta-feira, um outro "jovem de 16 anos perdeu a visão do olho direito depois de ter ficado gravemente ferido na cabeça."

Na quinta-feira e num outro local, "uma bola de borracha feriu um jovem de 16 anos no olho." Neste caso, a polícia estaria alegadamente "a responder a dois homens a cerca de 20 metros de distância que tinham disparado fogos de artifício na sua direção."

A violência policial é clara em muitas das imagens. Mas pergunto outra coisa. Muitos destes jovens são menores. Infelizmente, uma "mobilização" que teve início "em setembro, no liceu Saint-Exupéry, em Créteil, na região de Paris," acabou por alastrar e alargar-se a outras escolas. "Os alunos juntaram-se aos professores numa contestação contra a falta de funcionários e de recursos na escola."

Mas deixo a questão, independentemente de terem razões para se queixarem, e nem sequer estou a pôr em causa que as tenham, de que forma é que os pais e encarregados de educação destas crianças e jovens os estão a aconselhar ou a incitar? Um lança-granadas - como dizem - contra uma multidão, estejam presentes crianças ou não, será completamente errado e excessivo, a meu ver. Mas onde estavam os pais ao permitirem que os filhos ali estivessem expostos àquele risco? Saberiam ou teriam autorizado a presença dos menores?

Também são visíveis nas imagens, jovens a ofender agentes de autoridade. Uma coisa é o direito 
à manifestação e o direito à resistência - que não tenho a certeza, pois não conheço assim tão bem as leis francesas, se existe em França - outra coisa é atos de vandalismo, de ofensa e de agressão cometidos pelos manifestantes. Que educação lhes de
ram os pais, tendo em conta que muitos são menores de idade ainda? E volto a frisar, estou totalmente contra a violência policial e achei a resposta dada completamente exagerada e desproporcional na maior parte dos casos que se conseguem ver (não sei o antes nem o depois, e isso também pode alterar a perspetiva). É que há aqui uma outra situação que é a participação e apoio de indivíduos da Extrema-esquerda que podem estar a usar estas crianças e jovens como "frente" para as suas reivindicações, tornando-os desta forma alvos da polícia e incitando a que sejam provocadores para as forças de autoridade. Não nos esqueçamos que estamos apenas a seis meses de eleições em França.

A violência não vem só da parte da polícia. Na passada quinta feira, um "estudante de 17 anos foi detido por alegado envolvimento numa agressão ocorrida durante os protestos," tendo sido acusado de lançar "uma pedra que atingiu uma mulher de cerca de 50 anos num olho, provocando-lhe "perda de visão." Já na sexta-feira, "um estudante de 16 anos" teria "atirado gasolina para cima de uma professora durante um protesto estudantil," na localidade de "La Ciotat, no sul de França." Quando falamos em direitos, há sempre que falar também em alguns dos deveres cívicos que podem aqui não estar a ser respeitados.


Fontes:

https://www.jn.pt/mundo/artigo/come-por-uma-palhinha-adolescentes-feridos-em-protestos-de-alunos-do-ensino-secundario/18133988

https://sicnoticias.pt/mundo/europa/2026-10-06-violencia-em-franca-o-que-levou-alunos-a-sair-a-rua-fechou-escolas-e-obrigou-a-milhares-de-detencoes-fc53fb62

https://www.jn.pt/mundo/artigo/estudante-de-15-anos-perde-uma-mao-em-explosao-durante-protestos-em-franca/18133735

29/07/2026

Incêndios em Espanha e França destroem tudo no seu caminho

A situação a que assistimos em diversas regiões da Península Ibérica e de França é assustadora. O verão é uma época que propicía o agravamento das condições atmosféricas favoréveis à ocorrência de grandes deflagrações. As temperaturas só por si não explicam os incêndios, uma vez que tem de existir uma primeira ignição, mas explicam a sua rápida progressão no terreno e a sua duração no tempo.

Em Espanha, na região de "Castellón, perto de Valência," a situação começa a ficar agora mais calma, mas as chamas já consumiram cerca "de 4.300 hectares e obrigou à retirada de mais de 16 mil pessoas." A soma de hectares ardidos atinge já os 77.000 se forem considerados "os incêndios em Madrid, Ávila e Toledo," dos quais se destaca uma área ardida de "50.000 hectares em Ávila." Foi já declarada a "situação de emergência nacional nas províncias de Madrid, Ávila e Toledo por causa dos fogos florestais, que já levaram a confinar ou a retirar de casa mais de 90.000 pessoas desde quinta-feira." 

De lembrar que no sábado tinham seguido para a região de Ávila 128 operacionais portugueses que integraram a FACON. De acordo com a ANEPC, este grupo seguiu "ao abrigo do protocolo em vigor entre a República Portuguesa e o Reino de Espanha sobre ajuda mútua em matéria de Proteção Civil, reforçando a estreita colaboração entre os dois países na resposta a situações de emergência."

Em França, foram já evacuadas cerca de "325 mil pessoas," numa altura em que a região está a ser atravessada por um fenómeno designado como o fenómeno atmosférico “pyrocumulonimbus”, conhecido como “tempestade de fogo”, o que traz à região uma onda de calor onde as temperaturas podem ultrapassar os 40 graus. Este fenómeno pode assemelhar-se a nuvens de fogo, e são na verdade, um incêndio que se alimenta a si mesmo, criando um sistema autónomo extremamente difícil de combater.
Em Gironda, França, o avanço das chamas "já consumiu 240 habitações e cerca de 220 mil pessoas foram retiradas desde quarta-feira." As chamas avançam e estão cada vez mais perto da "área metropolitana de Bordéus – cidade com 850 mil habitantes." Registam-se para já nesta região ferimentos em 75 bombeiros. 

Fontes:

https://observador.pt/2026/07/27/incendios-mais-de-325-mil-pessoas-retiradas-em-franca-e-espanha/

https://www.diarioviseu.pt/2026/07/26/fogo-em-avila-e-o-maior-da-historia-recente-de-espanha/

https://expresso.pt/internacional/2026-07-25-incendios-forca-especial-portuguesa-parte-para-espanha-com-128-operacionais-0256b3b0


27/07/2026

A menina de 12 anos que foi vendida para pagar dívidas

Os anos passam, o mundo parece evoluir, mas depois recebemos estes murros que nos atingem no estômago, no âmago daquilo que temos de mais humano. Felizmente, a história desta menina foi interrompida num aeroporto português. A coragem de quem a mandou parar, só é superada pela coragem daquela criança em contar tudo o que se estava a passar.

Dados que não batiam certo despertaram a atenção para os passaportes de que a menina e a mulher que com ela viajava se faziam acompanhar. Descobre-se então que esta mulher não é afinal a mãe da menina de "apenas 12 anos," e que a criança "terá sido vendida pelos pais para saldar uma dívida familiar. Viajavam desde  "Dakar, no Senegal, para França," onde a criança tinha à sua espera "um homem a quem tinha sido prometida em casamento." 

"Ainda no aeroporto, a criança falou com uma equipa especializada em ajudar vítimas de tráfico de pessoas", tendo-se mostrado ciente da sua situação e com "medo de regressar ao país de origem ou de voltar a ser entregue aos pais," uma vez que, tal como agora, poderia voltar a ser usada "como forma de pagamento de dívidas." 

Foi depois "levada para uma viatura da Cruz Vermelha que a deixou na sede da organização Akto, gestora de um centro de acolhimento para crianças e jovens vítimas de tráfico humano."

Casos de tráfico humano são uma realidade atual, incluindo casos como o desta criança, proveniente do Congo. Muitas acabam em redes de exploração sexual, escravatura ou mendicidade.

A menina de 12 anos, de quem não se sabe a história ou o que sofreu até aqui chegar. teve sorte em que alguém reparasse nela. Quantos passarão sem serem reportados, sem se estranhar os comportamentos? Quantas crianças são ainda vendidas, raptadas, escravizadas?

Fontes:

https://observador.pt/2026/07/27/crianca-de-12-anos-ia-casar-em-franca-para-pagar-divida-dos-pais-psp-deteve-mulher-que-a-traficava-em-lisboa/

https://observador.pt/especiais/o-passaporte-suspeito-um-relato-tranquilo-e-um-casamento-forcado-como-uma-menina-de-12-anos-revelou-ser-vitima-de-trafico-humano/

29/06/2026

Queda de avião mata em França

Existem algumas notícias que nos chamam mais a atenção do que outras. A mim, a queda de uma aeronave numa zona habitada, levanta-me algumas questões: Como e Porquê? 

Penso sempre nas questões de segurança, na negligência e na falha de procedimentos. O acidente que hoje refiro é exemplo disso. Este domingo, uma aeronave caiu na zona de Tomblaine, (perto de Nancy, no Nordeste de França), provocando a morte de todos os 11 ocupantes do aparelho. 

A aeronave pertencia, ao que se sabe através de notícias publicadas, a uma escola de paraquedismo, e estaria registado na Alemanha. Tinha saído do aeródromo de Nancy-Essey, levando a bordo "um grupo de pessoas que iria experimentar paraquedismo." Os cinco alunos que iam fazer o batismo eram enfermeiros. Pouco depois de descolar, ao avião "despenhou-se nas proximidades da pista, não muito longe de uma zona habitacional de Tomblaine e de duas estradas."

Noutro acidente, ocorrido na última sexta-feira, na China, uma pequena aeronave embateu contra o "CITIC Tower, o arranha-céus mais alto do centro financeiro de Pequim," e provocou "a queda de destroços para a via pública." Apenas se sabe da existência de um ferido (uma mulher que teve ferimentos ligeiros e foi transportada para o hospital), não havendo ainda qualquer referência a quem pilotava a aeronave no momento do embate e se há mais feridos ou até mortos.

Fontes:

https://www.publico.pt/2026/06/28/mundo/noticia/aviao-transportava-paraquedistas-cai-nancy-nordeste-franca-2179733

13/05/2026

Morte a bordo

A causa parece ser o norovírus. Um pequeníssimo ser apenas detetado microscopicamente e que conseguiu parar o "Ambassador Cruise Line," com 1700 pessoas a bordo (514 dos quais pertencentes à tripulação). O primeiro caso foi o de "uma pessoa de 90 anos" que apresentou sintomas de doença gastrointestinal (vómitos, diarreia, febre) e acabou por falecer. Cerca de outros 50 passageiros apresentaram sintomas, compatíveis com infeção por este vírus.

A viagem tinha começado a 6 de maio, nas ilhas Shetland (ao largo da costa da Escócia). Fez paragens "em Belfast (Irlanda do Norte), Liverpool (Inglaterra) e Brest (oeste de França) antes de chegar a Bordéus, de onde deveria partir para Espanha." Foi depois da paragem em Liverpool que os casos de doença gastrointestinal começaram a aumentar.

A bordo, a tripulação do navio começou a aplicar os protocolos de saúde pública aconselhados para estas situações, de forma a tentarem diminuir a propagação do vírus. Todos os passageiros ou tripulantes que apresentem sintomas "estão a ser assistidos pela equipa médica do navio e isolados." As autoridades já foram informadas sobre "a situação sanitária a bordo," e as medidas de higiene foram reforçadas. Atualmente, todos os passageiros se encontram confinados dentro do navio que chegou na "noite de terça-feira a Bordéus, sudoeste de França."

Sobre o virus, na realidade ele é muito comum, sendo a causa mais frequente de gastroenterite viral aguda. No entanto, acaba por ser mais contagioso em locais fechados onde ocorre contato físico mais próximo. 

Fontes:

https://www.dn.pt/internacional/um-morto-e-mais-de-1700-pessoas-confinadas-num-cruzeiro-em-bordus-por-suspeita-de-epidemia-de-gastroenterite

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/suspeita-de-norovirus-um-morto-e-1700-pessoas-confinadas-em-navio-em-bordeus_n1740982

https://www.hospitaldaluz.pt/pt/dicionario-de-saude/norovirus-e-gastroenterite-aguda




24/09/2025

Cheias já provocaram várias mortes na Europa

Por aqui, o verão está a começar a despedir-se e antecipa-se a chegada de mau tempo para o próximo fim de semana. Enquanto isso, chuvas torrenciais provocaram cheias e inundações em vários pontos da Europa!

 No noroeste de França, "uma mulher de 55 anos foi encontrada morta dentro do carro na região de Côtes d’Armor," depois de ter "tentado passar uma estrada inundada," onde "acabou por ficar presa. Há, ainda, várias pessoas que estão desaparecidas." No sul do país, na região de Marselha, a forte chuva também provocou danos. Em Espanha, o corpo de uma criança foi encontrado sem vida estando ainda um homem, que se pensa ser o pai do menor, desaparecido, depois do carro onde os dois seguiam ter sido arrastado.

Em Itália, a tempestade despejou volumes de chuva históricos num curtíssimo espaço de tempo. Na região de Alessandria, há "uma pessoa está desaparecida". Devido à chuva intensa, "os bombeiros" continuam numa "operação de salvamento" para tentar resgatar "15 pessoas que ficaram retidas num parque de campismo." Nestas regiões, o terreno inclinado facilita a rápida acumulação de água nos vales, podendo facilitar o aparecimento de enxurradas violentas que arrastam, não apenas água, mas também lama e detritos 

Já na região de Milão, "o rio Seveso transbordou devido às fortes chuvas que começaram logo às cinco da manhã." Apesar das previsões, França e Itália, são países que continuam a sofrer elevados danos sempre que a precipitação ultrapassa o que é considerado normal, tal como aconteceu em Espanha ainda nem há um ano.

Fontes:

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-09-23-video-cheias-na-europa-ja-provocaram-pelo-menos-duas-mortes-3c2dbfee

https://pt.euronews.com/2025/09/22/alerta-de-mau-tempo-inundacoes-e-deslizamentos-de-terras-no-norte-de-italia


13/08/2025

Os incêndios não têm fronteiras

Os incêndios são vistos por muitos, como forças poderosas e, mesmo, como entidades vivas, que nascem, respiram, avançam sem ligar a fronteiras... e não mostram querer parar, querer ceder aos meios aplicados no seu combate.

Não é só Portugal que está a lutar contra as chamas (novamente, digamos que todos os anos é o mesmo, desde que me lembro de ser gente), a situação está muito complicada também em Espanha, em França e na Itália. Estou no centro do país, mas não consigo estar indiferente ao que se está a passar aqui à volta... em Portugal e nos países vizinhos. A situação é muito alarmante por toda a Europa, onde só aqui na vizinha Espanha se registam mais "de 30 incêndios ativos", além de tantos outros em na "Grécia, Turquia e Reino Unido."

Em Espanha, já morreram duas pessoas, vítimas da catástrofe que tem estado a afetar as regiões de "Galiza, Castela e Leão e Extremadura" onde as chamas são alimentadas "pela maior onda de calor de que há registo no país." Duas vítimas que apenas estavam a ajudar, um no combate ao fogo e po outro a tentar salvar os animais de um hipódromo. Lá, tal como aqui, a população está em desespero, está desamparada, queixa-se, reclama mudanças, reclama apoios. Quase "4000 pessoas foram evacuadas em Castela e Leão," onde um grave incêndio ameaça "o Patrimônio Mundial de Las Médulas." Em Espanha, ainda não foi ativado o Mecanismo Europeu de Proteção Civil. Também por lá se reclama ajuda, pois os meios, por muitos que sejam, parecem sempre poucos.

Na Turquia, o fogo também não está a dar tréguas à população obrigando à retirada de "mais de duas mil pessoas." Este incêndio já "destruiu centenas de habitações e carros. Cerca de 50 pessoas foram assistidas por inalação de fumo." Em França, os incêndios que começaram a "5 de agosto foram os mais intensos desde 1949," lamentando-se "uma morte," dezanove bombeiros e seis civis feridos, bem como "várias dezenas de casas" destruídas. O alerta passou de laranja a vermelho, devido ao prognóstico de agravamento da onda de calor que teima em não dar descanso.

Na Croácia também se luta contra as chamas, com as temperaturas a bater recordes. Em Montenegro, "um soldado morreu e um outro ficou gravemente ferido" quando o camião-cisterna onde seguiam para ir apoiar o combate aos fogos, capotou.

Na Albânia, "um idoso morreu e outras oito pessoas ficaram feridas na sequência dos fogos que atingem o país. Houve necessidade de evacuar vilas nas regiões de Elbasan, Vlora e Berat."

Na Grécia, os incêndios começam a ser cada vez mais uma realidade, mas longe de serem normais ou aceitáveis, num país onde "nas últimas 24 horas deflagraram 152 novos incêndios." Estão a combater as chamas cerca de "cinco mil bombeiros." Os incêndios que afetam o território já levaram "à retirada de centenas de pessoas das ilhas de Chios e Zakynthos. Já em Patras, durante a noite, o fogo destruiu casas, empresas e viaturas. Pelo menos 13 bombeiros foram tratados por queimaduras e outros ferimentos."

Em Itália a situação também se aproxima de catastrófica: "um idoso morreu e outras oito pessoas ficaram feridas na sequência dos fogos que atingem o país." Os diversos incêndios que atingem a Península fizeram "evacuar vilas nas regiões de Elbasan, Vlora e Berat." Na região da Sardenha, um menino de apenas quatro anos, "de origem romena," foi deixado numa viatura, acabando por sucumbir.

E por cá?

Por cá esperemos que não se repita 2017...

Por aqui continuam os incêndios a devastar vastas áreas de pinhal, mato e vinhas, a ameaçar casas e animais, a destruir quintais, armazéns e muitos outros bens, pondo a vida da população em risco. Pergunto-me (e muitos se perguntam como eu) o porquê de não se ter ainda ativado o Mecanismo Europeu de Proteção Civil. Foram pedidas imagens de satélite há uns dias, à União Europeia, mas o que é que falta acontecer para que se solicitem meios?

Não é só uma questão de números... mas de desgaste dos operacionais! De desgaste das viaturas, de avarias que são próprias de acontecer perante o esforço a que estas viaturas são sujeitas! A 30 de julho, o "secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha," disse que o Governo estava "a fazer o necessário para garantir a disponibilidade de 76 meios aéreos, insistindo que o contributo destes meios para apagar incêndios depende das caraterísticas dos fogos." Para quem não está no terreno, os meios são os suficientes... como se quem lá estivesse não quisesse fazer mais. Para os autarcas das regiões afetadas, para as pessoas que lá vivem, para quem está a perder aquilo que levou uma vida a conseguir, os meios nunca serão os suficientes. Estou incrédula perante a demora de se perceber que esses meios não estão a atuar, não os 76... e bem que eram necessários! 


Fontes:


https://www.portaltela.com/noticias/meio-ambiente/2025/08/12/incendios-florestais-devastam-o-sul-da-europa-com-temperaturas-acima-de-40c

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/espanha-dois-mortos-e-varios-feridos-nos-incendios_v1676167

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-08-12-video-um-morto-em-incendio-florestal-perto-de-madrid-d40be53b

https://recordeuropa.com/noticias/portugal/incendios-portugal-pediu-imagens-de-satelite-mas-ainda-nao-ativou-o-mecanismo-europeu-de-protecao-civil-30-07-2025-289034

https://pt.euronews.com/2025/08/10/nova-vaga-de-calor-prossegue-sem-treguas-no-sul-da-europa

https://cnnportugal.iol.pt/incendios/calor/italia-calor-vitima-crianca-grecia-152-incendios-em-24-horas-espanha-e-albania-mortes-londres-dois-incendios/20250813/689c7d95d34e3f0baea196e4

06/08/2025

A bomba que (se dizia) ter acabado com a guerra...

... e que ainda hoje nos faz tremer quando ouvimos falar em armas nucleares ou mesmo em energia nuclear, foi lançada há precisamente 80 anos.

Se acabou com a guerra? Não acredito que o tenha feito, pelo menos não no que se refere à situação na Europa. Se era necessária e imprescindível o seu lançamento? Só se for por mostrar a força de uma grande potência, atacada, inferiorizada e que teve de se mostrar mais forte. É este o risco do nuclear. Não são as bombas... é quem está atrás do "botão".

Continua então a haver risco... continua então a ser preciso falar disto, todos os anos, todos os dias se preciso for. Para que ninguém se esqueça que a morte está apenas dependente da decisão de alguém. Alguém com poder em mandar...

O material usado para a primeira bomba ("Little Boy") foi o urânio 235. A bomba foi transportada pelo avião "Enola Gay" e o seu rebentamento "causou a morte imediata de 70.000 pessoas, um número que subiu para 140.000 no final daquele ano." Os efeitos foram agravados porque o engenho tinha sido programado para explodir acima do solo e não quando embatesse nele, ou seja, não houve qualquer absorção da energia que se espalhou por vários quilómetros. Na tarde do ataque, uma chuva negra começou a espalhar a radiação, que viria a matar milhares de pessoas e a causar danos irreversíveis em muitas outras.

O que ainda hoje está em causa - em termos históricos, podemos dizer que a bomba foi lançada "ontem", pois ainda há danos a serem atualmente descobertos, pessoas afetadas e seus descendentes ainda vivos - é se o seu lançamento era imprescindível para terminar com a guerra ou se foi apenas uma manifestação do poder americano. E este é um tema que ainda nos nossos dias é complicado de discutir...

Justificar-se-iam os milhares de mortos, ou teria havido outra forma de amedontrar os inimigos e fazê-los depôr as armas? Talvez isso nunca se venha a saber, principalmente devido à forma como a opinião pública à época era levada a entender a guerra e as suas consequências. Hoje vemos imagens terríveis, fotografadas e gravadas logo após a explosão, que nem sequer nos mostram exatamente o que ocorreu no local do impacto, mas na época, a quantas pessoas chegaram essas imagens? Poucas pessoas na Europa tinham acesso naqueles dias a ver as notícias na televisão (em Portugal a televisão pública chegaria em 1957) e ou jornais que chegavam às bancas eram, em muitos casos, sujeitos a censura prévia. Não houve o impacto que teria hoje, afinal, para muitos europeus e americanos foi o cessar de uma ameaça real - os ataques dos japoneses eram vistos como altamente eficazes e mortais, um risco ao qual tinha de ser posto cobro. Já para nem falar que na altura ninguém navegava na Internet... e há aqui muito mais a dizer e a analisar, ainda nos tempos que correm.

A descoberta da fissão nuclear que depois viria a dar origem à bomba, ocorreu "dois meses antes do início da Segunda Guerra Mundial," num laboratório de Berlim. Os três físicos, a que a bomba deve a sua origem, chamavam-se "Otto Hahn, Lise Meitner e Fritz Strassman." Perguntamo-nos para já, como é que começou a II Guerra Mundial.

Apesar de se apontar a invasão da Polónia (em 1939) pelas tropas de Hitler, como fator percursor deste conflito,houve vários acontecimentos que foram alargando as tensões que se viviam desde a Primeira Gue rra. Esta invasão vem no seguimento da assinatura de um "Pacto de Não-Agressão" e de um protocolo secreto que tinha como uma das suas cáusulas a divisão do Leste da Europa entre si.

Aquando da invasão da Polónia, a Inglaterra e a França fizeram um ultimato aos alemães, que dois dias depois daria início ao ataque contra a Alemanha por parte destes países. Poucos dias depois, a Rússia (através do protocolo assinado entre as duas potências) avança também, invadindo a Polónia.

No entanto, temos de nos afastar um pouco e olhar também para o resto das anexações e tratados, que já tinham entretanto começado a delinear os dois grandes blocos que se oporiam: de um lado o Japão (que em 1937 tinha atacado a China), a Alemanha (que em 1938 tinha anexado a Áustria) e a Itália, do outro lado a União Soviética, a China e o Reino Unido. Em 1939, quando a Alemanha viola o Acordo de Munique assinado no ano anterior, ocupando as províncias resultantes do desmantelamento da Checoslováquia e a Itália anexa a Albânia, o clima já estava suficientemente quente para se evitar a Guerra.

O ataque dos japoneses a Pearl Harbour ocorreria em 1941e levaria os EUA a juntarem-se ao conflito, naquela que seria apelidada de "Guerra do Pacífico" e que levou a vários ataques (sobretudo aéreos) sobre Tóquio e outras cidades nipónicas. No mesmo dia em que decorria o ataque ao porto americano e que levou à morte de milhares de soldados, "a aviação japonesa atacou vários objetivos estratégicos: Manila, nas Filipinas, Malásia, Singapura e Hong-Kong, enquanto as forças terrestres desembarcavam no Bornéu britânico e no Norte da Malásia; foi também por essa altura que a Tailândia foi ocupada." A guerra parecia estar a virar e, os americanos, não estavam a conseguir derrotar as tropas japonesas, apesar de vários ataques bem sucedidos. As perdas de vidas eram aos milhares de ambos os lados. Em junho de 1942, os EUA começam a ter novamente algum domínio e recuperam territórios entretanto perdidos para o inimigo.

Entretanto, Roosevelt receberia uma carta de Albert Eistein que o avisava da possibilidade da Alemanha estar a tentar fabricar uma bomba com grande capacidade destrutiva, o que levaria o presidente dos EUA a autorizar o início do Projeto Manhattan, "uma corrida para vencer a Alemanha no desenvolvimento de armas atómicas." Este projeto seria liderado pelo "físico Robert Oppenheimer (1904-1967)," e conduziria os EUA para os dois ataques mais mortíferos da história. A ideia seria a de criar algo que dissuadisse os alemães a usar a energia nuclear - o que mais tarde, viria a designar-se como "o princípio da destruição mútua assegurada (ou MAD), intimamente relacionado com a teoria da dissuasão" - mas o que aconteceu foi um ataque que matou milhares de pessoas.

Apesar dos progressos americanos, a guerra parecia estar a terminar com a queda da Alemanha no ocidente, mas o Japão ainda continuava a atacar territórios defendidos pelos americanos, incluindo a  dominava "a Indochina, grande parte da China continental, a Indonésia e muitas ilhas dispersas." Para os EUA, era impensável desistir e deixar de dominar o Japão, mas isso não iria ser facilmente conseguido. "Perante este cenário, o presidente americano Truman tomou a decisão de lançar a bomba atómica sobre Hiroshima." Iria seguir-se Nagasáqui a 9 de agosto, enquanto a URSS voltava a entrar no conflito, atacando "o Japão nos seus domínios continentais da Manchúria e da Coreia."

Depois do lançamento da bomba sobre Hiroshima, seria lançado um segundo engenho sobre a zona de Nagasáqui. Então, podemos afirmar que foi uma defesa e que era essencial o lançamento das bombas, ou terá sido um aproveitamento, um último recurso contra uma força que, apesar de todos os ataques, não se estava a deixar fragilizar? A ONU, criada em outubro de 1945, viria, anos mais tarde, a propor um Tratado para evitar que Hiroshima e Nagasaki se viessem a repetir. Vários países assinaram o Tratado, mas nem todos se mantém longe da corrida ao armamento de destruição em massa. O Japão foi um dos países que nunca chegou a aderir ao "tratado da ONU sobre a proibição de armas nucleares, assinado em 2017."


Ver também:

https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/dia-internacional-para-a-eliminacao-188777

https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/75-anos-de-hiroshima-292410

https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/50-anos-contra-as-armas-nucleares-283933


Fontes:

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cydzer73zd7o

https://www.publico.pt/2023/08/06/opiniao/opiniao/lancamento-bomba-atomica-78-anos-dilema-etico-2059311

https://sicnoticias.pt/olhares-pelo-mundo/2025-08-06-video-hiroshima-assinala-80-anos-da-bomba-atomica-13d06925

https://theconversation.com/80-anos-depois-o-que-aconteceu-com-os-sobreviventes-de-hiroshima-e-nagasaki-262756

https://www.infopedia.pt/artigos/$guerra-do-pacifico-(1941-1945

 

10/06/2025

Ataque violento na Áustria mata alunos de escola secundária

Um ataque numa escola secundária está a chocar a comunidade da cidade de Graz, na Áustria. O tiroteio terá começado por volta das 10 horas da manhã (1 hora menos em Lisboa). As notícias ainda estão em atualização, mas os alunos já foram evacuados. Até agora, a contagem é de 10 mortos, um dos quais será o suspeito do ataque, que terá tirado a própria vida. "Há ainda notícia de vários alunos e professores feridos," o que pode vir a justificar a atualização do número de vítimas mortais.

Informações ainda não confirmadas e veiculadas pelo "jornal Salzburger Nachrichten" indicavam que "o suspeito seria um antigo aluno, com 22 anos de idade, equipado com duas armas: uma pistola e uma caçadeira," contrariando a informação transmitida por estações de rádio portuguesas durante a manhã e que indicavam tratar-se de um menor.  Estes casos, muito mais comuns nos EUA, têm vindo a crescer por toda a Europa e também pelo Brasil. Os motivos podem ser vários e, hoje, não vou aqui alargar-me sobre a minha opinião - até porque ainda não se sabe o que terá estado na origem deste ataque - mas vão desde razões religiosas, étnicas e culturais, às quais não são alheias razões de ordem económica, social e educacional. Fatores psicológicos, despoletados por casos de violência, bullying e exclusão, podem também servir de gatilho para a ocorrência destes ataques (aparentemente) indiscriminados.

Também esta manhã, uma auxiliar de ação educativa foi assassinada à porta de uma escola por um aluno de apenas 15 anos. O ataque aconteceu em "Nogent, no leste de França," enquanto a auxiliar realizada um "controlo de mochilas," comum na região depois de, "em março, um rapaz de 17 anos ter morrido durante uma rixa em frente a uma escola secundária do departamento de Essone, na região de Paris."

"Em 2020, morreram quatro pessoas e outras 22 ficaram feridas quando um extremista islâmico condenado pela justiça disparou indiscriminadamente no centro de Viena. Em novembro de 1997, um mecânico de 36 anos abateu seis pessoas em Mauterndorf, antes de cometer suicídio."

Já a 3 de maio de 2023, um outro ataque, desta vez em Belgrado, na Sérvia, matou 9 adolescentes e 1 segurança. O "massacre na Escola Vladislav Ribnikar," foi "cometido por Kosta Kecmanovic, um adolescente de 13 anos." Em fevereiro deste ano, um homem entrou numa escola para adultos, em Risbergska, na Suécia e matou pelo "menos dez pessoas" ferindo ainda outras cinco. Neste caso, o atirador, que foi encontrado morto, foi identificado "como Rickard Andersson, de 35 anos."

Por cá, alguns aproveitam o feriado para descansar, para passear ou, como no meu caso, para trabalhar um pouco em grelhas e manuais de formação e para tentar pôr a escrita em ordem. 

Bom feriado.

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/incompreensivel-tiroteio-em-escola-secundaria-na-austria-faz-uma-dezena-de-mortos_n1661043

https://pt.euronews.com/my-europe/2025/02/06/atirador-pode-ter-frequentado-a-escola-sueca-onde-matou-dez-pessoas-diz-policia

https://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_na_Escola_Vladislav_Ribnikar

https://cnnportugal.iol.pt/nogent/ataque-em-escola/assistente-educacional-morre-esfaqueada-por-aluno-de-15-anos-a-porta-de-escola-em-franca/20250610/684812ddd34e3f0bae9f397e


22/02/2025

Português morre num atentado em França

França foi mais uma vez palco de um "atentado com recurso a uma faca durante uma manifestação", que decorria na cidade de Mulhouse, em "apoio à República Democrática do Congo, que enfrenta uma ofensiva, no leste, do movimento armado M23, apoiado pelo Ruanda."


Durante o ataque, um português de 69 anos, que tentou conter o ataque, foi morto e cinco polícias municipais foram feridos, "sendo que dois estão em estado grave." 


"A unidade nacional de procuradores antiterroristas de França (PNAT), que assumiu o comando da investigação, disse que o suspeito atacou primeiro os polícias municipais." Também o "presidente francês, Emmanuel Macron," se referiu a este ato, como um "ato de terrorismo" e como um ato de origem "islâmica". O suspeito, é um homem de 37 anos que nasceu "na Argélia" e que já "estava sinalizado para efeitos de prevenção de terrorismo." ,Segundo relatos da imprensa francesa, ao avançar com uma faca direito aos manifestantes, "terá gritado “Allahu akbar” (“Deus é grande”, em português)."


Num outro ataque, que aconteceu na noite de ontem, mas neste caso, na Alemanha, um "turista espanhol de 30 anos ficou gravemente ferido." A vítima, foi "atacada aparentemente sem razão conhecida," tendo sido esfaqueada na região do pescoço, "quando visitava o Memorial do Holocausto em Berlim."


O suspeito deste ataque, fugiu, mas acabou por ser detido algumas horas depois. o suspeito deste ataque é um cidadão sírio, com estatuto de refugiado. Terá apenas "19 anos" e "mora em um abrigo para refugiados na cidade de Leipzig, no leste alemão." 


Estas duas situações, além da sua proximidade temporal, nada terão que as relacione. No entanto, o ato que ocorreu na Alemanha, foi relacionado com o "conflito no Oriente Médio", tendo acontecido apenas "dois dias antes das eleições gerais no país." Um país que está em tensão não apenas pelas eleições mas por uma "série de ataques fatais" que aconteceram durante as últimas semanas e "cujos suspeitos são imigrantes," ou refugiados.


Fontes:


https://observador.pt/2025/02/22/um-morto-e-pelo-menos-dois-feridos-em-ataque-com-faca-em-franca-suspeito-foi-detido/


https://www.jn.pt/2156646721/portugues-morre-em-ataque-com-faca-em-franca-macron-fala-em-ato-de-terrorismo/


https://www.dw.com/pt-br/homem-%C3%A9-ferido-em-ataque-no-memorial-do-holocausto-em-berlim/a-71711656

27/01/2025

Passaram-se 80 anos desde a libertação de Auschwitz

No dia 27 de janeiro de 1945, soldados das forças soviéticas chegaram ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polónia, onde encontraram aqueles que tinham ficado para trás. Começo por aconselhar a vossa pesquisa sobre esta data - existe muita informação, espalhada por aí. Reforço ainda que esta data não deve ser esquecida! Um dos primeiros locais que vos convido a visitar é o site "A Enciclopédia do Holocausto", onde encontram diversa informação sobre o tema.

"À medida em que as tropas aliadas penetravam na Europa, em uma série de ofensivas contra a Alemanha, os soldados começaram a encontrar e a libertar os prisioneiros dos campos de concentração, muitos dos quais haviam sobrevivido às marchas da morte para o interior da Alemanha. As forças soviéticas foram as primeiras a se aproximar de um campo nazista de grande porte, chegando ao campo de Majdanek próximo de Lublin na Polônia, em julho de 1944. Surpreendidos pelo rápido avanço soviético, os alemães tentaram demolir o campo numa tentativa de ocultar as evidências do extermínio em massa que haviam cometido."

Neste dia, começava a ser posta a descoberto "a escala das atrocidades cometidas pelo regime nazi naquele e noutros locais.

"6 milhões de judeus, minorias e dissidentes políticos foram assassinados durante a Segunda Guerra Mundial pelo regime nazi," e para que isto não se repita, há que lembrar o que se passou e não deixar disseminar as ideologias que, ainda hoje, passados 80 anos, dizem que foi tudo uma invenção.

Assinalando hoje o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto e os 80 anos que passaram sobre a libertação de Auschwitz, António Guterres, chefe das Nações Unidas, ressalta durante o seu discurso "que a lembrança dos eventos do Holocausto é um bastião contra a difamação da humanidade e um apelo à ação coletiva para garantir o respeito pela dignidade e pelos princípios fundamentais."

Os campos de concentração nazi foram erguidos na Alemanha em março de 1933, logo depois de Adolf Hitler se ter tornado Chanceler e do seu Partido ter recebido "o controle da polícia pelo Ministro do Interior do Reich, Wilhelm Frick, e pelo Ministro do Interior prussiano, Hermann Göring." Estes campos eram usados "para prender e torturar" aqueles que eram considerados como "adversários políticos e sindicalistas." Inicialmente, cerca de "45 mil prisioneiros" deram entrada nestes campos. Estima-se que em janeiro de 1945, estivessem em campos de concentração cerca de "715 000" pessoas. Além dos campos de concentração, onde existiam "bases de recursos de trabalho forçado para empresas alemãs," foram também criados "os campos de extermínio." Estes campos foram estabelecidos com apenas um objetivo: matar! Nestes campos, foram assassinadas milhares de pessoas, de todas as idades, a uma escala praticamente "industrial" não só de judeus, mas também de eslavos, comunistas, homossexuais e outros que os nazistas consideravam "Untermensch" (povos inferiores) ou indignos de viver," através das "câmaras de gás." 

Este genocídio do povo judeu por toda a Europa foi a solução encontrada pelo "Terceiro Reich para a questão judaica", o que hoje designamos coletivamente por Holocausto. 

Mas aqueles que conseguiram sobreviver, nunca chegaram a ver a sua vida reposta nem foi feita justiça ao que ali sofreram, muito menos chegou alguma vez a ser feita justiça às mortes causadas às mãos dos nazis.

A "segregação da população judaica na Alemanha," começou com "as leis de Nuremberga," introduzidas a "15 de setembro de 1935 pelo Reichstag, numa reunião especial durante o comício anual em Nuremberga do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães." O objetivo era obrigar à "Protecção do Sangue Alemão e da Honra Alemã." Em "26 de novembro de 1935", as leis foram corrigidas para incluírem, além da população judaica, "os ciganos e os negros." No ano seguinte, "depois dos Jogos Olímpicos de Verão de 1936," que se realizaram em Berlim, começaram as perseguições sob pretexto de pôr em prática estas leis.

"As Leis de Nuremberga tiveram um impacto económico e social incapacitante na comunidade judaica. As pessoas suspeitas de violar as leis do casamento eram detidas, e (a partir de 8 de março de 1938) após terem cumprido as suas condenações, eram novamente presas pela Gestapo e enviadas para campos de concentração nazis."

"Em 1938, já era difícil, se não impossível, os emigrantes judeus encontrarem um país que os aceitasse. Os esquemas para as deportações em massa, como o Plano Madagáscar, mostraram-se impossíveis de realizar, e a partir de meados de 1941, o governo alemão deu início à exterminação em massa dos judeus na Europa." Este plano consistiu numa tentativa de "transferir a população" judaica "da Europa para a ilha de Madagáscar," proposta pelo governo nazi, depois da França entregar a sua colónia à "Alemanha, como parte dos termos de rendição franceses," na 2ª Guerra Mundial. Este plano, acabou por não ir em frente e foi substituído, por uma "evacuação para o leste," mas que não era nada mais nada menos do que a expulsão e perseguição dos judeus em direção ao leste da Europa.

Fontes:


https://www.presidencia.pt/atualidade/toda-a-atualidade/2025/01/presidente-da-republica-assinala-o-80-o-aniversario-da-libertacao-do-campo-de-concentracao-e-exterminacao-de-auschwitz-e-o-dia-internacional-em-memoria-das-vitimas-do-holocausto/


https://expresso.pt/podcasts/o-mundo-a-seus-pes/2025-01-27-80-anos-de-libertacao-de-auschwitz-os-sobreviventes-estao-a-enfrentar-uma-vaga-de-antissemitismo-comparavel-a-dos-anos-30-e-40-082fa212


https://pt.wikipedia.org/wiki/Leis_de_Nuremberg


https://pt.wikipedia.org/wiki/Campos_de_concentra%C3%A7%C3%A3o_nazistas


https://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_de_exterm%C3%ADnio


https://news.un.org/pt/story/2025/01/1844016


https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/liberation-of-nazi-camps


 

08/01/2025

Charlie Hebdo - 10 anos depois, o que mudou?

Fez ontem 10 anos que o mundo olhou em choque para as imagens de uma redação de um jornal francês a ser atacado. O ataque "matou 12 pessoas nas instalações do jornal satírico francês Charlie Hebdo," dos quais "oito membros da redação."

O tempo passa quase sem darmos por isso e, neste caso, foi ontem ter visto algumas publicações que me direcionavam para a frase "Je suis Charlie" que me fez lembrar o ataque. Nesse dia, lembro-me que estava a trabalhar e que me senti revoltada com a situação. Não tinha sido aqui, nem perto de ninguém conhecido, mas fez-me pensar que estamos expostos a uma catrefada de doidos que por aí andam. Felizmente, o nosso cantinho ainda está protegido.... diziam alguns. Não me parece que estivesse na altura ou que esteja agora. Só que nós não temos nenhum jornal que arrisque publicar uma fotografia de um profeta em poses mais eróticas. Arriscou algo parecido Gil Vicente, pondo a nú muitos dos celeumas sociais da época, incluindo uma clara imagem da devassidão do clero da época...mas depois dele, poucos o terão feito.

O movimento de apoio sob o lema "Je suis Charlie", encheu as redes sociais e preencheu capas de jornais, acabando por correr mundo. Se algo de positivo podemos tirar desta memória triste, é que nos fez falar sobre a liberdade de expressão. 10 anos volvidos, será que ainda há medo?

A 7 de janeiro, dois irmãos franceses de origem argelina, entraram "de kalashnikov em punho," dando início a "três dias de horror na região de Paris, que terminaram com a morte de 17 inocentes," (12 neste ataque e, outros cinco, num outro ataque no dia seguinte). Ficaram ainda feridas 11 pessoas, cinco das quais com gravidade. Os irmãos "Kouachi," terão reagido perante a publicação "de uma representação caricaturada do profeta Maomé," a qual foi considerada ofensiva para muitos muçulmanos. Um desenho que, no entender de muitos muçulmanos, era um insulto direccionado ao seu profeta e à própria religião.

No mesmo dia, um outro muçulmano de nacionalidade francesa, e que estaria "ligado aos atacantes do jornal," atacou um polícia na região de Montrouge. No dia seguinte, o mesmo indivíduo "invadiu um supermercado kasher perto de Porte de Vincennes," tendo assassinado quatro dos reféns que ali fez. "Este novo ataque" só "terminou após a invasão do estabelecimento pela polícia francesa." Esta não tinha sido a primeira publicação a despertar o ódio contra os cartoonistas deste jornal. Em 2011, a capa de uma das suas edições, com o título "Charia Hebdo, mostrava uma caricatura do profeta islâmico Maomé," o que resultou num ataque à bomba às instalações do jornal.

Apesar disto, em 2012, o jornal voltou a mostrar que uma caricatura é uma forma de crítica, apresentando "uma série de caricaturas de Maomé, incluindo caricaturas de nudez," no seguimento de "uma série de ataques contra as embaixadas dos Estados Unidos no Oriente Médio, supostamente em resposta ao filme anti-islâmico Innocence of Muslims." Estes ataques tinham levado "o governo francês a fechar embaixadas, consulados, centros culturais e escolas internacionais em cerca de 20 países de maioria muçulmana." A publicação tentava mostrar que, as ameaças iniciadas por uma religião, faziam um país como a França, encerrar a sua presença nesses países, cedendo de certa forma, às ameaças.

Charb, que seria depois um dos principais alvos no massacre de 2015, estaria desde 2013 "na lista dos mais procurados pela Al-Qaeda, juntamente com três funcionários do Jyllands-Posten: Kurt Westergaard, Carsten Juste e Flemming Rose." Mesmo com conhecimento desta situação e de haver uma atenção redobrada sobre estas publicações ("Charlie Hebdo", em França e "Jyllands-Posten", na Dinamarca), as autoridades não foram capazes de interceptar o ataque.

A 8 de janeiro, era mostrada na capa, uma caricatura da autoria de "Michel Houellebecq," acompanhado de um dos desenhos de Charb que, nessa mesma edição, ilustrava a frase "Ainda nenhum ataque terrorista na França."

Apesar do ocorrido, o jornal parisiense não cedeu e continua o seu trabalho tendo mesmo sido feito um concurso no final de 2024 para que os cartoonistas ilustrassem o tema: "Rir de Deus", mostrando através do seu trabalho, a sua "cólera perante o controlo que todas as religiões exercem sobre as suas liberdades". 

E por cá? Somos um Estado laico, (o mesmo princípio foi "consagrado na legislação francesa em 1905, e em 1945 passou a fazer parte da Constituição), mas ainda há muito medo em nos manifestarmos contra a religião (mas se for a favor, está tudo bem). Ainda temos um país em que anda o "credo" na boca do povo e em que a religião católica faz gastar milhões ao país. Somos verdadeiramente livres ou, teremos afinal, medo de dizer o que pensamos sobre os tantos deuses e profetas que por aí andam?

Fontes:

https://pt.euronews.com/2025/01/06/ataque-ao-charlie-hebdo-foi-ha-dez-anos

https://pt.euronews.com/2015/02/07/charile-hebdo-franca-nao-esquece-vitimas-dos-atentados

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/ataque-terrorista-ao-jornal-satirico-charlie-hebdo-foi-ha-dez-anos_a1625741

https://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_do_Charlie_Hebdo

19/12/2024

Moçambique chora mortes devido à passagem de ciclone Chido

De acordo com dados atualizados na quarta-feira, 73 pessoas morreram e outras "600 ficaram feridas em Cabo Delgado, Nampula e Niassa, na passagem do ciclone tropical Chido." Este ciclone formou-se a 5 deste mês "no sudoeste do oceano Indício," e depois de passar na ilha de Mayote no sábado, "entrou no domingo pelo distrito de Mecúfi, em Cabo Delgado, com ventos que rondaram os 260 quilómetros por hora e chuvas fortes."


"O Governo moçambicano decretou esta quinta-feira dois dias de luto nacional a partir de sexta-feira." Ociclone terá, segundo as autoridades, destruído total ou parcialmente, "52476 casas," afetado "49 unidades hospitalares, 26 casas de culto, 11 torres de telecomunicação e 34 edifícios públicos."


Este foi o mesmo ciclone que também fez 30 vítimas mortais e centenas de feridos e desalojados, na ilha francesa de Mayote. O presidente Macron, "decretou o estado de calamidade excecional no arquipélago para poder permitir uma gestão mais rápida e eficaz das medidas de urgência", tendo visitado hoje a ilha. Consido, no avião, seguiam também "mais de 4 toneladas de bens alimentares, medicamentos e material hospitalar, além de várias equipas de médicos e socorristas."


"Um navio da marinha francesa também já chegou ao arquipélago com mantimentos."


Fontes:


https://www.cmjornal.pt/mundo/detalhe/governo-mocambicano-decreta-dois-dias-de-luto-apos-73-mortos-pelo-ciclone-chido


https://www.cmjornal.pt/mundo/detalhe/pelo-menos-70-mortos-e-quase-600-feridos-pelo-ciclone-chido-em-mocambique


https://sicnoticias.pt/mundo/2024-12-19-video-ciclone-chido-macron-leva-bens-alimentares-medicamentos-e-medicos-a-mayotte-b95712e7


https://www.jn.pt/1085698377/numero-de-mortos-pelo-ciclone-chido-em-mocambique-sobe-para-73/

17/12/2024

Vanuatu atingida por sismo

"Um sismo de magnitude 7,3 atingiu esta terça-feira a capital do arquipélago do Pacífico Vanuatu, Porto Vila, provocando a queda de pontes, aluimentos de terras e danos em edifícios." Foi confirmada a morte de 14 pessoas e ferimentos em outras 200, chegando a ser lançado um "alerta de tsunami," que cerca de duas horas depois seria levantado.


Após o forte abalo, a "embaixada dos EUA em Porto Vila sofreu danos consideráveis" e encontra-se encerrada "até novo aviso, revelou um porta-voz da missão diplomática norte-americana na Papua-Nova Guiné. Também a embaixada francesa e britânica, que fica no mesmo edifício, sofreu danos."


Vanuatu é constituído por "um grupo de 80 ilhas onde vivem cerca de 300 mil pessoas," e é um dos países mais vulneráveis a este tipo de eventos, uma vez que se encontra localizado no Anel de Fogo do Pacífico, "zona de intensa atividade sísmica e vulcânica que se estende do Sudeste Asiático à bacia do Pacífico." 


Fontes:


https://observador.pt/2024/12/17/sismo-de-magnitude-73-atinge-arquipelago-do-pacifico-vanuatu-testemunha-afirma-ter-visto-cadaveres-apos-abalo/


https://pt.euronews.com/2024/12/17/terramoto-de-magnitude-73-na-escala-de-richter-atinge-vanuatu


 


 

16/12/2024

Ilha de Mayote - destruição depois da passagem do ciclone Chido

A ilha francesa de Mayote, uma das mais pobres de França, localizada no "arquipélago das Comores," no oceano Índico, foi este sábado atingida por um ciclone, que ganhou o nome "Chido".

Este ciclone atingiu a ilha com "ventos superiores a 220 km/h, arrancando telhados de casas no arquipélago," e deixou a ilha de Mayote sem eletricidade, sem água e sem locais disponíveis para abrigar a população, depois de "bairros inteiros de barracas e cabanas de metal" terem sido arrasados. O cenário é de caos! A torre de controlo do "aeroporto internacional de Mamoudzou" foi danificada, assim como a maioria das estradas, deixando grande "parte das infraestruturas do arquipélago" inacessível.

França tem estado a enviar ajuda para a ilha, mas ainda não se sabe o número exato de vítimas. "Mais de 100 socorristas e bombeiros de França e do território vizinho da Reunião foram destacados para Mayotte e um reforço adicional de 140 pessoas" já seguiu para o arquipélago.

Este ciclone passou também pelo "sudeste do Oceano Índico, afetando também as ilhas vizinhas de Comores e Madagáscar."

Fontes:

https://pt.euronews.com/my-europe/2024/12/16/autoridades-admitem-varias-centenas-de-mortos-em-mayotte-apos-passagem-do-ciclone-chido

https://observador.pt/2024/12/15/pelo-menos-14-mortos-no-arquipelago-frances-de-mayotte-devido-ao-ciclone-chido/

09/12/2024

A guerra civil Síria - a queda de al-Assad

O regime de Bashar al-Hassad na Síria foi derrubado e começam-se a mostrar os horrores daquele que foi um regime com quase 50 anos. Quando achamos que já assistimos aos maiores horrores, eis que nos surge a verdade sobre mais um regime que, além de opressor, assassinou sem dó nem piedade um povo. 


A Síria fica localizada no Médio Oriente, fazendo fronteira com o Iraque, a Jordânia, Israel, o Líbano e a Turquia, é um local de uma riqueza cultural única, não convivessem no seu território "diversos grupos étnicos e religiosos, inclusive árabes, gregos, arménios, assírios, curdos, circassianos, mandeus e turcos. Os grupos religiosos incluem sunitas, cristãos, alauitas, drusos, mandeus e iazidis. Os árabes sunitas formam o maior grupo populacional do país." E é este caldo cultural que faz da Síria uma zona em constante conflito.


A história da Síria remonta à sua capital, Damasco - uma das cidades mais antigas do mundo. Durante "a era islâmica," Damasco tornou-se "a sede do Califado Omíada e uma capital provincial do Sultanato Mameluco do Egito."


Mas foi só depois da "Primeira Guerra Mundial durante o Mandato Francês," que a Síria moderna se estabeleceu, conquistando" a independência como uma república parlamentar em 24 de outubro de 1945." Nessa altura, a Síria tornou-se também "membro fundador da Organização das Nações Unidas, um ato que legalmente pôs fim ao antigo domínio francês — embora as tropas francesas não tenham deixado o país até abril de 1946." O período que se seguiu foi tumultuoso e esta nação árabe acabaria por ser abalada por "vários golpes militares" entre 1949 e 1971.


Hafez al-Assad, governou a Síria entre 1970 e 2000, e Bashar al-Assad, seu filho, era o presidente do país desde 2000, num sistema de governo "amplamente considerado como autoritário," que caiu na última semana. 


Em 2012, arrastada pela Primavera Árabe, que fez cair vários governos do Médio Oriente, começou a guerra civil Síria, "que começou como uma série de grandes protestos populares" a 26 de janeiro de 2011 a que se seguiu "uma violenta revolta armada" a 15 de março de 2011. A "23 de agosto de 2011, a oposição" uniu-se finalmente," formando uma "única organização representativa", chamada "Conselho Nacional Sírio."  


Em 2013, o Estado Islâmico, "começou a reivindicar territórios na região," atacando "qualquer uma das fações," fossem ou não apoiantes de Assad. Em 2014, conseguiram proclamar um Califado na região e iniciaram a sua "expansão militar," subjugando os seus "rivais e impondo a sharia (lei islâmica) nos territórios que controlavam." A NATO começou a intervir contra o EI, enquanto a Rússia e o Irão, vieram apoiar militarmente o regime de Assad.


Já este ano, em novembro e depois de quatro anos de uma aparente acalmia, talvez escondida pelos conflitos nos territórios fronteiriços, "a guerra recomeçou a todo vapor, com as forças rebeldes" a atacar vindas de norte, sul e leste. A "8 de dezembro de 2024, após treze anos de guerra, Bashar al-Assad fugiu de Damasco." Nem a Rússia, nem o Irão, conseguiram pôr cobro à ação que derrubaria "cinquenta e três anos de governo da Família Assad."


O fim desta guerra civil, foi para muitos "um momento  de vitória popular, após anos de miséria" e de "pobreza extrema," mas a estabilidade não será imediata.


"O colapso do regime de Assad pode abrir caminho para uma nova era de esperança, mas também traz o  risco de vácuo de poder, ascensão de fações radicais e perpetuação do sofrimento."


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADria


https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_S%C3%ADria


https://observador.pt/opiniao/a-queda-de-bashar-al-assad-e-o-destino-incerto-do-povo-sirio/

06/12/2024

E cai mais um governo...

Na passada quarta-feira, na "sequência de uma moção de censura na Assembleia Nacional (câmara baixa do parlamento)," em que "a coligação de esquerda Nova Frente Popular (NFP) e o partido de extrema-direita Rassemblement National (RN) votaram em massa" contra Michel Marnier, o "governo do primeiro-ministro francês" caiu. Barnier tinha utilizado "o n.º 3 do artigo 49.º da Constituição para fazer aprovar o plano orçamental da Segurança Social para 2025, sem votação parlamentar," o que não agradou aos seus opositores. Em vez de resolver a situação, "o orçamento de austeridade proposto por Barnier - que corta 40 mil milhões de euros em despesas e aumenta os impostos em 20 mil milhões de euros - apenas aprofundou as divisões, inflamando as tensões na câmara baixa e desencadeando um confronto político dramático."



Esta decisão do primeiro-ministro Michel Barnier, "foi tomada após vários dias de negociações com a extrema-direita de Le Pen, a quem fez várias concessões," entre elas a de eliminar "um imposto sobre a eletricidade," e a de acabar com "a ajuda médica aos imigrantes ilegais," no entanto, não ter cedido ao "adiamento do aumento das pensões por meio ano para contrariar a inflação," fez com que o orçamento não tivesse sido aprovado. Assim, optou por tomar a decisão nas suas mãos e avançar com o orçamento sem votação parlamentar e, tal como muitos receavam que acontecesse, a esquerda acabou por se aliar à extrema-direita e uma moção de censura foi levada em diante.



"No total, 331 deputados apoiaram a moção, de um total de 577 legisladores. Eram necessários, no mínimo, 288 votos. Michel Barnier tornou-se assim o inquilino mais efémero do Matignon, a residência oficial do Primeiro-Ministro francês, na história moderna do país. Foi a primeira moção de censura bem sucedida desde 1962."


Na manhã seguinte, Barnier apresentava a sua demissão de forma oficial. Com a "queda do Executivo," França volta a enfrentar um "cenário de crise política," que aliado "ao risco de uma grave crise financeira" pode também colocar Macron em risco.


"Embora o mandato presidencial de Macron se prolongue até à primavera de 2027, alguns partidos estão a pedir a demissão do chefe de Estado devido ao caos político que se seguiu à sua decisão de dissolver o parlamento." Emmanuel Macron tem agora de voltar a nomear um novo primeiro-ministro, "já que não pode convocar novas eleições antes de julho de 2025, uma vez que dissolveu a Assembleia Nacional em junho deste ano."


Apesar de toda esta situação, "Emmanuel Macron afastou o cenário de demissão e garantiu que irá continuar como presidente de França até ao fim do seu mandato."


Quanto ao orçamento de Estado, voltou à estaca zero e esta é uma situação que tem de ser resolvida para que o país continue a funcionar. Se este "não for votado até 20 de dezembro, o governo pode usar os seus poderes constitucionais" para o aprovar por decreto.


Fontes:


https://pt.euronews.com/my-europe/2024/12/04/governo-frances-caiu-o-que-e-que-acontece-a-seguir


https://pt.euronews.com/my-europe/2024/12/05/macron-recusa-demitir-se-apos-queda-do-governo-frances-vou-cumprir-o-mandato-ate-ao-fim


https://pt.euronews.com/2024/12/05/michel-barnier-apresenta-formalmente-a-sua-demissao


https://sicnoticias.pt/mundo/2024-12-04-video-governo-frances-cai-mocao-de-censura-foi-aprovada-83ebedaa

26/11/2024

Anunciado cessar-fogo no Líbano

O primeiro ministro de Israel anunciou "um acordo de cessar-fogo no Líbano após uma reunião do Conselho de Segurança de Israel." Este acordo "abre espaço para pôr termo a quase 14 meses de combates iniciados após a resposta israelita ao ataque de 7 de outubro do Hamas." Mas será que o acordo vai ser respeitado?

Entre outras coisas, esta trégua de 60 dias, que foi mediada com os EUA e com a França, "implicaria o fim da presença armada do Hezbollah ao longo da fronteira a sul do rio Litani e exigiria a retirada das tropas israelitas do sul do Líbano," ali colocadas "para combater as milícias xiitas libanesas do Hezbollah." A área situada entre uma e outra região, "ficará sob responsabilidade de uma força de cinco mil soldados das forças armadas libanesas e de contigentes da ONU integrados na UNIFIL." Esta proposta, na qual está incluida "a criação de um comité internacional para monitorizar a aplicação do acordo, liderado pelos Estados Unidos, é muito semelhante àquela que em 2006 foi feita com o apoio norte-americano "e que originou 17 anos de tréguas entre o Hezbollah e Israel. Na altura, constituiu-se uma força das Nações Unidas, a UNIFIL, em apoio ao exército do Líbano, que seria agora reforçada."

No entanto, antes do cessar-fogo ter sido anunciado, os ataques contra Beirute agravaram-se, com o envio da parte de Israel de "uma forte vaga de ataques aéreos" contra a capital do Líbano e que resultaram na morte de, pelo menos, sete pessoas. 

O acordo não é extensível a Gaza, havendo mesmo a intenção de intensificar os ataques na região.

Fontes:

https://pt.euronews.com/2024/11/26/netanyahu-anuncia-cessar-fogo-no-libano-a-partir-desta-quarta-feira

https://pt.euronews.com/2024/11/26/israel-lanca-fortes-ataques-aereos-contra-beirute-antes-de-anunciar-cessar-fogo

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/netanyahu-anuncia-acordo-para-cessar-fogo-entre-israel-e-libano_n1617656

21/10/2024

Itália e França atingidas pelo mau tempo

O mau tempo tem estado a assolar várias regiões de Itália e do centro de França. "A região italiana de Emilia Romagna foi a mais atingida."  Na cidade de Pianoro, "uma pessoa morreu" quando a sua viatura foi arrastada pela força das águas. Os rios Icice, Elsa e Salto, bem como o ribeiro Crostolo, um afluente do rio Pó, transbordaram, provocando "inundações repentinas." Nos primeiros dias desta catástrofe, "uma pessoa de 75 anos que foi apanhada pela chuva enquanto caminhava na floresta perto de Génova acabou por falecer." Na cidade de Siena, "os caminhos-de-ferro ficaram cobertos de água."

Já há cerca de um mês, a região tinha sido afetada por fortes chuvas. Nessa altura, a tempestade Boris levou a que os rios transbordassem "em muito pouco tempo e houve vários deslizamentos de terras."

Em França, as fortes chuvas levaram também à ocorrência de graves inundações que "causaram danos generalizados e cortes de eletricidade," tendo a "pequena aldeia de Limony, no sudeste do país," sido "particularmente afetada." Em Annonay, França, "as águas subiram repentinamente quando a barragem de Ternay, ao norte, transbordou." Os rios Deûme e Gier, também transbordaram. Várias estradas tiveram de ser encerradas de forma a evitar vítimas.

Por cá, o mau tempo ameaçou, mas a situação não teve nem comparação com o que se está a passar nestes dois países. A situação foi pior nas zonas de Lisboa e Vale do Tejo, tendo-se registado várias inundações e quedas de árvores.

Fontes:

https://pt.euronews.com/my-europe/2024/10/20/cheias-causam-mortes-e-estragos-em-italia-e-franca

https://www.trt.net.tr/portuguese/europa/2024/10/18/chuvas-fortes-provocam-cheias-em-italia-registou-se-1-morto-2200300

https://www.rfi.fr/br/fran%C3%A7a/20241017-chuvas-provocam-fortes-enchentes-e-alagamentos-no-sudeste-da-fran%C3%A7a

https://observador.pt/2023/10/20/mau-tempo-portugal-continental-com-2-694-ocorrencias-ate-as-22h00/


 

02/10/2024

Os perigos de uma guerra em marcha...

Depois de Israel ter avançado com "ataques terrestres" contra o "Hezbollah na zona fronteiriça do sul do Líbano", tal como avisou, o "Irão lançou um ataque de cerca de 180 mísseis contra Israel." Isto depois da "morte de vários líderes de grupos armados," ou seja, numa clara "resposta à morte do líder do braço político do Hamas, Ismail Haniye," bem como em resposta "à morte do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, num bombardeamento israelita contra a capital libanesa."

Israel "está a enviar mais tropas para a fronteira do Líbano, com unidades regulares de infantaria e blindados a juntarem-se à operação terrestre." A questão agora será saber quem está do lado de quem. EUA e França, claramente do lado de Israel contra o Irão. com o gveno dos EUA a juntarem-se a Israel para avaliar a "resposta a dar a Teerão."

Já a França declara que "mobilizou" esta terça-feira os seus "meios militares no Médio Oriente para fazer face à ameaça iraniana," "condenando "com a maior firmeza os novos ataques do Irão contra Israel."

A situação está claramente a descambar numa guerra envolvendo vários países, com Israel, Irão e Libano, no centro de todo este conflito. Mas qual o objetivo central? De um lado, fala-se de direito de auto-defesa, do outro, do combate a uma invasão...

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, presidente "italiana do G7 convocou para esta tarde uma reunião de líderes para discutir o agravamento da situação no Médio Oriente, após o ataque com mísseis do Irão contra Israel."

Do outro lado, o "ayatollah Ali Khamenei," líder do Irão, acusou "os Estados Unidos" e outros "países europeus" de serem "a principal causa dos problemas no Médio Oriente," situação essa que "provoca conflitos, guerras, preocupações e hostilidades," e que como diz Khamenei resulta "da presença das mesmas pessoas que afirmam defender a paz e a tranquilidade na região."

Num comunicado, o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Israel Katz, declarou, referindo-se a Guterres, secretário geral da ONU, que "qualquer pessoa que não possa condenar inequivocamente o ataque hediondo do Irão a Israel não merece pôr os pés em solo israelita. Estamos a lidar com um secretário-geral anti-Israel, que apoia terroristas, violadores e assassinos."

A situação é bastante preocupante! 

No nordeste da Síria, "um grupo de jovens curdos" encontra-se neste momento a criar grupos armados, recrutando "crianças, aparentemente para eventual transferência" para integrarem esses mesmos grupos armados. De acordo com a HRW (organização Human Rights Watch), o "Movimento Revolucionário da Juventude da Síria" já está a recrutar várias "raparigas e rapazes com apenas 12 anos, retirando-os das suas escolas e casas, negando às suas famílias o contacto com eles e rejeitando os esforços frenéticos das famílias para os encontrar".

Portugal já retirou 40 cidadãos do Líbano e outros países estão a fazer o mesmo. Espanha enviou já "dois aviões da Força Aérea para Beirute, com o objetivo de trazer de volta para casa os espanhóis que queriam sair do Líbano," havendo já "uma lista de 350 cidadãos." Os ataques têm estado a intensificar-se e põe em risco as populações locais, mas também os cidadãos estrangeiros que trabalham, estudam ou residem na região.

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/irao-ataca-israel-com-vaga-de-misseis-a-situacao-ao-minuto_e1603817

https://www.jn.pt/6097283999/irao-acusa-eua-e-paises-europeus-de-causarem-problemas-na-regiao/

https://www.jn.pt/7673135344/persona-non-grata-guterres-proibido-de-entrar-em-israel/

https://www.jn.pt/2042814647/autoridades-da-siria-apoiam-recrutamento-de-criancas-para-grupos-armados/

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2642853/ao-minuto

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...