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01/01/2025

Feliz Ano Novo... dependendo da nossa sorte e de onde vivemos!

Fechamos 2024 e abrimos 2025! A Terra completou mais uma volta ao Sol, um instante na vida do Universo.


Gostava de começar o ano com grandes novidades ou com boas notícias. Sim, comigo está tudo bem e, com a minha família também. Se compararmos o ano de 2024 que agora termina com o de algumas pessoas pelo mundo fora, somos uns sortudos! Este ano, o que mais desejei na passagem de ano foi saúde e criatividade. Pois é delas que eu mais preciso para trabalhar e, claro, sem trabalho, nenhum dos meus objetivos para este ano se poderá realizar.


Mas o mundo está longe de ser a minha bolha, segura e pacífica, sentada de pijama a aproveitar o sol que entra pela janela e a beber o primeiro café do dia. Estou aqui a pensar o que é que vou tirar do congelador para fazer para o almoço... quantos por aí têm essa sorte?


Lá fora, longe daqui, o mesmo sol que me ilumina entra pelos buracos onde antes havia paredes de um hospital. Em Gaza, o sol não aquece o suficiente para salvar um dos muitos bebés que ali naquele espaço destruído, dá o último suspiro. A morte chega prematura, de frio.


Nas minhas mãos, quentinhas pelo café que fumega, não há gretas de frio. Tenho um teto, dinheiro suficiente para comer, posso decidir o que vou fazer hoje e amanhã, se tudo correr bem, levantar-me-ei cedo e irei trabalhar. Começo o dia a pensar que tenho de continuar, de ir em frente, de direcionar as minha energias para o que é mais certo e seguro. Como disse ontem o meu filho, este "é o ano dos teus quarenta e dois" (embora ainda faltem nove meses...).


De ontem para hoje, afinal, passaram apenas algumas horas e, apesar dos fogos de artifício, da música, dos sorrisos, o mundo continua igual. Nada mudou desde o ano passado, apenas a data no calendário que nos próximos dias provalvelmente terei de corrigir várias vezes. 


Não descuidemos aqueles que nos rodeiam, mas não esqueçamos aqueles que vivem longe e que sofrem. Se não pudermos fazer mais nada, pelo menos reflitamos e eduquemos para que amanhã novos cidadãos possam tomar melhores decisões. Quem sabe, à nossa frente possa estar aquele que um dia vai mudar o mundo?

16/06/2023

Greves e falta de motivação

Num ano atípico, onde alguns alunos passaram quase mais tempo "fora" do que dentro da sala de aula, motivar para a realização das provas de 9º ano tem sido uma tarefa hercúlea. É que uns não deram a matéria toda por causa do covid, da falta de professores e das greves, outros deram mas já fizeram contas e basta-lhes ter um 10 para passarem o ano. E assim vai a vontade dos alunos que este ano foram avaliados a matemátia e vão ser avaliados a português.

Fazer um texto? Não é obrigatório concluir a prova toda e se fizerem só a escolha múltipla dá para passar de ano. E continuamos com esta palhaçada. Sem falar das provas de aferição.

Quanto a essas, os alunos sabem que não contam para a nota e que "se calhar" o professor nem vem porque faz greve. Então e o papel dos pais, aqui fica onde? Cansados de tanta greve, já nem obrigam os filhos a estudar porque "é tempo perdido". Verdade que já ouvi isto. Não lhes consigo dar razão, porque mesmo sem testes e sem provas a contar para "passar" a aprendizagem é contínua, e um dia, eles nem um email sem erros serão capazes de enviar.

É para isto que estamos a caminhar. Falta exigência no ensino! Não a exigência que se aplicava nos anos 70, 80 ou 90... algo mais medido e adequado aos tempos que correm! A educação precisa de um novo rumo!

Como é que se chega a um quarto ano sem saber ler? Sim, existem vários casos (e não estou a falar de crianças com Necessidades Educativas Específicas, nem abrangidas por nenhum apoio especial), estou mesmo a falar de meninos e meninas, que vão à escola, não costumam faltar, mas estão ali só a ver passar a marcha. 

Os professores estão sem tempo para nada. Vejo cadernos, de 3º e 4º ano, em que cada palavra tem um erro e em que não se respeitam parágrafos, maiúsculas, pontuação... e nada, nem uma correção a lápis. Novas formas de ensinar, sim de acordo, mas, mesmo que não se assinale, é preciso agir com exercícios em que o aluno consiga atingir aquela meta. Ou escrever a nossa Língua de forma minimamente correta não é uma das várias metas a atingir?

Depois rimo-nos quando vemos nas notícias, caixas de texto com erros, acentos usados ao contrário e outros pontapés na gramática e na ortografia. Lá fazemos umas piadinhas sobre isso, mas a culpa é de quem? Do ensino, da sua falta de exigência, da falta de motivação dos alunos? E da falta de motivação dos professores? Não será também?

Há tanto a fazer, mas só se fala em anos, meses e dias, merecidos e devidos sim, mas que não vão resolver os problemas de base do nosso sistema educativo que se está a afundar. 

08/02/2021

O novo confinamento

Quando em Março do ano passado, o país "fechou" eu fui daquelas pessoas que achou a medida extremamente necessária para controlar a evolução da pandemia. Não sabíamos quanto tempo íriamos ficar fechados, nem o que iria acontecer quando se levantassem as medidas mais restritivas. 


No meu trabalho, ensino crianças de várias idades num centro educativo, consegui ficar em teletrabalho, aprendi a trabalhar com o Zoom, a descarregar livros de fichas para o computador, inscrevi-me em muitas plataformas dirigidas a pais e a professores. Fez-me crescer como profissional, abriu-me novos horizontes, fui "obrigada" a pensar o ensino de outra forma, para que os alunos se mantivessem ativos e interessados nas minhas aulas.


Digo-vos que o pior foi sentir-me impotente perante o avançar da pandemia, mas a esperança voltou com o desconfinamento, com o regresso das crianças para as férias (mesmo com todas as medidas de proteção e cuidados, conseguimos ter sempre diversão).


Neste momento, entramos num novo confinamento. Já sabemos que vai ser difícil. E só passaram alguns dias e já me sinto mais cansada do que se andasse a trabalhar fora. Era durante a viagem para lá e para cá, um momento em que a rádio é a minha companhia, que a minha cabeça tinha tempo para espairecer, pensar na vida. Tinha tempo de almoço, ia comer e ia caminhar na praia quando o tempo estava bom, ou ficava dentro do carro a ler um livro. Havia um sentimento de solidão mas não fazia mal porque me ocupava com coisas mais interessantes.


Em casa, por incrível que pareça, esse tempo desapareceu. Faço as mesmas horas on-line, mas o tempo de preparação, de organização de conteúdos, leva-me o resto do dia. Ao fim de 8, 9 horas no computador, só quero um banho e cama. Gostava de ir fazer uma caminhada, mesmo aqui à volta do prédio só para esticar as pernas, mas depois a inércia vence e visto o pijama em vez do fato de treino! Às vezes faço um pouco de ioga, faço alongamentos, (tenho fibromialgia e problemas de coluna, por isso fazer aulas com saltos por exemplo não consigo).


Com vocês, como é? Também sentem que o trabalho on-line é mais cansativo? 

04/06/2019

Faleceu a escritora Agustina Bessa-Luís

Mais conhecida como Agustina Bessa-Luís, a escritora nascida em Vila Meã, Amarante, a 15 de outubro de 1922, faleceu ontem. Desde muito jovem que Agustina se interessou por livros, descobrindo na biblioteca do avô materno, os clássicos da literatura espanhola, francesa e inglesa, marcantes na sua formação literária. Os locais onde viveu a sua meninice, marcam a sua escrita.

Estreou-se com a novela "Mundo Fechado" em 1949,  e em 1954, o romance "A Sibila", acaba por lhe trazer enorme sucesso e reconhecimento geral. Escreveu mais de cinquenta obras, entre romances, contos, peças de teatro, biografias romanceadas, crónicas de viagem, ensaios e livros infantis. 

O realizador Manoel de Oliveira, com quem manteve uma relação de amizade e de colaboração próxima, adaptou algumas das suas obras ao cinema, tais como: "Fanny Owen" (que deu origem ao filme de nome "Francisca" em 1981), "Vale Abraão" (filme homónimo, 1993), "As Terras do Risco" (que deu origem ao filme "O Convento", 1995) ou "A Mãe de um Rio" (que deu origem a "Inquietude" em 1998).

Foi também autora de peças de teatro e guiões para televisão, tendo o seu romance "As Fúrias" sido adaptado para teatro e encenado por Filipe La Féria, em 1995 no Teatro Nacional D. Maria II.

Em 2005, participou no programa da RTP "Ela por Ela" e em julho de 2006, pouco depois de terminar a sua última obra, "A Ronda da Noite", deixou de escrever e retirou-se da vida pública, devido a razões de saúde (possivelmente pelo acidente vascular cerebral que sofreu).


Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Agustina_Bessa-Lu%C3%ADs

https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$agustina-bessa-luis

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...