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29/01/2026

Depois da tempestade...

... poderia vir a bonança, mas a chuva continua a cair com intensidade e o vento, embora menos forte, continua a fazer estragos. As notícias, que ontem já eram alarmantes e nos davam conta da tragédia que o país estava a viver, mostram-nos hoje que os danos são bem maiores do que inicialmente se previa.

As regiões de Leiria, da Batalha, de Santarém e de Coimbra ficaram praticamente destruídas. Os distritos de Castelo Branco e de Portalegre também sofreram fortes danos. Os rios estão na capacidade máxima e começam a ser abertas as comportas para se libertar os rios da grande pressão a que as barragens estão sujeitas - não se quer que rebentem, então há que as ir escoando. Isto levou a agravar a situação em alguns municípios, como foi o caso de Alcácer do Sal, onde o "Rio Sado acabou por galgar o muro de suporte na frente ribeirinha."

Na zona da Marinha Grande, fortemente atingida por este corredor de tempestades, está a ser feita uma recolha de "mantas e cobertores (em bom estado) para apoiar as pessoas desalojados, após a passagem da depressão Kristin," de forma a salvaguardar algum conforto a quem teve de sair de casa. A autarquia ativou ainda um "Gabinete de Apoio Social para apoiar quem possa estar a sentir dificuldades devido à Tempestade Kristin." Muitas outras câmaras formaram gabinbetes de crise em que se uniram esforços para socorrer quem precisava. E os pedidos des ajuda não pararam ainda de chegar!

Além da destruição direta causada pela tempestade, há agora problemas derivados da afetação dos cabos de linha elétrica e de redes de comunicações. Pelo país são vários os Centros de saúde que se encontram encerrados por não haver eletricidade, o mesmo estando a acontecer com farmácias, escolas, estações de correio, entre outros serviços. Então, parece que pouco se aprendeu com o apagão. Nos serviços municipais, continuam a faltar geradores e, não há água corrente em diversas aldeias e cidades do nosso território. Mais de 24 horas depois da tempestade, ainda há zonas completamente isoladas. Por volta das 6h de ontem, dia 28, havia ainda "cerca de um milhão os clientes da E-Redes sem energia eléctrica em Portugal continental, a maioria nos distritos de Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Portalegre, Leiria, Santarém e Setúbal." As falhas de eletricidade levaram também a falhas nos "abastecimento de água" e no "acesso a telecomunicações." Segundo a E-Redes, só no "distrito de Leiria, o mais afetado pela passagem da depressão Kristin," havia esta manhã, dia 29, cerca "de 260 mil clientes afetados" levando a que fosse ativado o "estado de emergência", tendo a empresa instalado naquela zona "30 geradores e estando a ser mobilizados mais cerca de 200." Foram identificados pelos técnicos da E-Redes, "450 postes de Alta e Média Tensão partidos ou danificados, assim como 24 subestações afetadas, das quais oito permaneciam por ligar, estando as dificuldades de acesso a condicionar a identificação total dos danos e a sua reparação."

No caso de Leiria, algumas habitações começava a ter eletricidade, esta manhã, "mas apenas estão a beneficiar das estações móveis ligadas aos postos de transformação que a E-Redes está a instalar junto das "infraestruturas nevrálgicas", como são os "quartéis de bombeiros, hospital ou centros de saúde." Nesta zona, há ainda a lamentar a destruição do pinhal de Leiria, do "terminal de autocarros," do "estádio municipal Dr. Magalhães Pessoa" e também de uma parte do "Santuário de Nossa Senhora da Encarnação." Em Fátima, o Santuário também teve danos significativos." Em Figueiró dos Vinhos, "cerca de 120 agregados familiares sofreram estragos nos telhados das suas habitações, o que poderá levar a autarquia a proceder a realojamentos" e a "mata municipal do Cabeço do Peão," também ficou com danos que tão cedo serão irreparáveis.

Em Gondomar, devido à subida do rio Sousa, uma equipa da Guarda Nacional Republicana, em colaboração com a "Proteção Civil" e com a "Polícia Municipal de Gondomar", ajudaram a "retirar 25 cães de instalações na freguesia de Covelo." Os animais foram postos em segurança.

Os presidentes de junta têm de ir aos quartéis pedir para usar telefones de satélite, quando os há para pedir ajuda. Não estamos preparados. As nossas câmaras estão muito fracas ao nível da proteção civil e não digo que a culpa seja de quem lá está, neste momento, mas culpo sim a falta de preparação e de antecipação. Continuem a fazer simulacros em que está tudo avisado e sai tudo muito bonito e ão vejam o que pode realmente acontecer.

Temos no terreno em apoio direto à população milhares de meios - esses não costumam falhar e trabalham com os parcos recursos que têm - da cruz vermelha e dos bombeiros. Acrescentem-se os homens e mulheres do exército, da GNR, da PSP, das associações de proteção aos animais e muitas mais - eles estão lá a ajudar, a trabalhar diariamente, muitas vezes muito além das suas capacidades. E os grupos de proteção civil pertencentes aos municípios também estão no terreno, funcionários das câmaras municipais, das juntas de freguesia e populares que se uniram para cuidar dos seus, para limpar as ruas, reconstruir telhados... mas não chega! É preciso reforçar as zonas mais atingidas. Foi declarado Estado de Calamidade, o que significa que estão previstos "limites ou condicionamentos à circulação e a fixação de cercas sanitárias. Quem desobedecer, poderá mesmo incorrer num crime." Agora os recursos têm de ser direccionados para as regiões que mais precisam.

Digo só, só tivemos cinco vítimas mortais (as confirmadas até agora), mas porque aconteceu durante a noite e, nisso funcionou muito bem, houve dezenas de alertas às populações, avisos por mensagem ou nas televisões, jornais e rádios. Toda a imprensa se mobilizou e, desta vez, até foi pior do que fizeram crer. Mas as pessoas ficaram em casa - na sua maioria - cumpriram o que lhes era pedido, prepararam-se. O fenómeno é que foi bem mais forte do que nós achavamos que seria possível de atingir o nosso país. Não estamos acostumados, mas temos de nos mentalizar que este tipo de fenómenos vai começar a ser cada vez mais frequente.

Já aqui tinha deixado, num post anterior, referência a muitos dos danos causados pela Ingrid. Muitas pessoas acordaram com o barulho de telhas a cair e de vidros a partirem-se. Logo o vento e a chuva começaram a entrar também dentro das habitações. A destruição, em muitas casas, não foi apenas exterior. Algumas das árvores que caíram, derrubaram chaminés, varandas, rasgaram telhados e abriram fendas nas paredes das casas. Outras esmagaram viaturas como se fossem folhas de papel. Ontem estava a ouvir na rádio, o autarca da Batalha e fiquei de coração apertado. Além dos seis desalojados, muitas casas acabaram por sofrer danos. Descreve um cenário desolador, com centenas de árvores e de poste caídos, havendo ainda "danos significativos" em vários edifícios industriais e "até num pavilhão desportivo." Tal como noutras regiões, também ali a rede SIRESP deixou de funcionar e o autarca precisou de se deslocar até Ourém para pedir auxílio.

Lembro-me da grande tempestade de 1941 (não me lembro, não era nascida, mas ouvi falar dele muitas vezes e tenho vindo a pesquisar sobre os seus efeitos), um ciclone que atingiu o nosso país. Neste caso, o fenómeno "teve origem numa vasta depressão centrada a oeste da Irlanda mas abrangendo a sua influência à Europa Ocidental e a Península Ibérica," provocando elevados estragos numa "vasta área de Portugal e metade do Noroeste da Península Ibérica." No caso do ciclone de 1941, sabe-se que as "tempestuosas velocidades de vento (de nascente) observadas" decorreram da "conjugação de forte actividade ciclogénica com a aproximação e passagem de uma superfície frontal fria." No caso que se passou esta semana, não foi considerado um ciclone, mas sim um "comboio" de tempestades: depois das depressões Ingrid e Joseph, chegou a mais forte de todas, a Kristin. 

Em 1941, houve um "elevado número de vítimas mortais, superior a uma centena, e o número indefinido de feridos. Muitas das vítimas mortais, em especial, em Lisboa, Alhandra, Sesimbra, Alhos Vedros terão sido por afogamento devido a inundações que ocorreram nas áreas ribeirinhas." Felizmente, agora isso não ocorreu e, penso eu, por dois motivos: a população estava avisada e as casas são agora mais resistentes a este tipo de intempéries do que eram naquela altura.

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ciclone_de_1941

https://www.publico.pt/2026/01/28/azul/noticia/kristin-deixou-tras-cinco-vitimas-mortais-rasto-destruicao-2162842

https://www.jn.pt/pais/artigo/seis-desalojados-na-batalha-e-rede-siresp-deixou-de-funcionar-devido-ao-mau-tempo/18045868

https://sicnoticias.pt/meteorologia/2026-01-29-video-inundacoes-em-alcacer-do-sal-algumas-zonas-tem-um-metro-de-agua-e-situacao-pode-agravar-se--abec9ff6

https://sicnoticias.pt/meteorologia/2026-01-29-depressao-kristin-deixa-rasto-de-destruicao-beb621d0

 

14/11/2025

Depressão Cláudia atinge Portugal e deixa rasto de destruição

Podemos dizer que está na altura da chuva forte e que, no meu tempo, a estes fenómenos se chamava, inverno, mas existem dois aspetos a considerar: o primeiro é que passamos de andar de manga curta para uma tempestade que quase não nos deixava sair de casa e, o segundo, é que apesar de todos os avisos, de passar informação constante nas televisões e na internet (jornais digitais, sites, publicações nas redes sociais) ainda houve quem se deixasse surpreender e achasse estranho tanto vento e tanta chuva, Há dias que se andava a falar nisto!

Infelizmente, as previsões acabaram por se comprovar em muitas regiões: houve cheias rápidas tal como havia sido anunciado, houve deslizamentos de terras e pequenas derrocadas devido às terras soltas que se viram rapidamente infiltradas de águas, houve painéis que tombaram, telhados que levantaram e placas que se soltaram devido aos fortes ventos. O que é de estranhar não é o fenómeno em si, mas a falta de preparação para estes eventos que nós continuamos a acusar, como se houvesse em nós uma confiança inata de que aqui nunca "acertam com as previsões", "o temporal passa ao lado", "dizem que vai chover e afinal foi só umas pinguinhas"... pois é, mas agora, desta vez, houve mortos, houve feridos, gente a precisar de ser resgatada, houve um aumento significativo no número de ocorrências e (pasmem-se!) afinal o número de bombeiros disponíveis já nem sequer é o mesmo em algumas regiões do país do que era no verão. 

Continuamos a sofrer de falta de consciência preventiva. Há falta de reuniões e discussões com a população sobre o que fazer se isto ou aquilo vier a acontecer, andamos sempre a correr atrás do prejuízo. Se na primavera e no verão, os canais televisivos repetem e repetem informações sobre os incêndios, chegamos ao outono e ao inverno e são as cheias, as ondas que galgam os muros, os avisos para que não vão para as zonas de risco! E continuamos assim, ano após ano...

Fomos alertados para chuva forte e pelo agravamento da tempestade ao chegar a terra pela confluência de um "rio atmosférico" (lembram-se? Aquele fenómeno que tantos mortos fez em Espanha no ano passado?) o que levou a que se andasse nos últimos dias em oscilação entre alertas laranjas e vermelhos em diversos pontos do país. Entre os avisos divulgados, esteve o da ANEPC, que "emitiu um aviso à população, apelando à adoção de medidas preventivas para minimizar os efeitos do mau tempo." Entre as recomendações estavam atos práticos e que nãoi deveriam ser guardados para quando a tempestade chega, mas que já deviam ser comuns, especialmente neste período do ano em que as folhas das árvores tendem a causar maiores entupimentos: "a limpeza de sarjetas e sistemas de escoamento de águas," bem como outras recomendações como "a fixação de estruturas soltas" e evitar "deslocações desnecessárias durante os períodos de maior instabilidade."

No dia 12, já se havia avisado que "a frente fria estacionária associada à depressão Claudia" estava "a enviar sucessivas linhas de instabilidade," prevendo-se "que os períodos de chuva ou aguaceiros, inicialmente mais fortes no Minho e Douro Litoral" se tornassem "mais persistentes e fortes em termos de área geográfica abrangida à medida que o sistema frontal" fosse "progredindo de oeste para leste" nas horas seguintes. O IPMA já avisava para a possibilidade de ocorrência de "precipitação forte e persistente, rajadas de vento entre 75 e 90 km/h," que podiam "atingir os 100 km/h em algumas zonas, e ondas que" poderão "atingir 4,5 metros de altura significativa, sobretudo na costa ocidental," ondas estas que poderiam chegar aos "3 e 4,5 metros de altura a partir de quinta-feira" (ontem).

Ou seja, nada indicava que a depressão nos passasse ao lado. Fomos alertados para a "possibilidade da precipitação ser acompanhada de trovoada" e que o vento forte poderia levar ao risco "de danos em infraestruturas e de potenciais quedas de árvores, entre outros possíveis impactos."

Ontem, quinta-feira, "cerca de 20 mil clientes" ficaram "sem energia devido ao mau tempo, sendo Lisboa, Santarém e Setúbal as zonas mais afetadas - um número que pelas 15h já estava reduzido a 7000." No distrito de Setúbal - que se encontrava em alerta vermelho - cerca de "8000 clientes" ficaram sem eletricidade e houve mesmo várias escolas que não chegaram a abrir devido ao mau tempo. 

Entre elas, estiveram as escolas do "Agrupamento de Escolas do Montijo, do Agrupamento de Escolas Poeta Joaquim Serra, da Escola Profissional do Montijo e do Conservatório Regional de Artes do Montijo," bem como, do Agrupamento de Escolas de Sampaio, Sesimbra, o que permitiu evitar a deslocação de alunos por zonas alagadas e perigosas, tanto para quem circula a pé como de carro.

Além das estradas alagadas e que ficaram intransitáveis, houve várias quedas de árvores e de estruturas. "A forte chuva levou também ao corte temporário da Segunda Circular, junto ao aeroporto, cerca das 06h00, devido a uma inundação." Desde o início do evento até à manhã de quinta-feira, tinham sido efetuados "três salvamentos terrestres e cinco aquáticos."

Em Fernão Ferro, aqui mesmo no Seixal, um casal de idosos perdeu a vida, ao que tudo indica por não terem conseguido sair da sua habitação no momento em que a mesma ficou inundada. Nesta freguesia, foram vários os casos de inundações, mas este foi de todos o mais grave. Esta é uma zona vulnerável à ocorrência de cheias, tendo a água isolado "várias ruas da freguesia."

As vias de circulação ferroviária, foram também afetadas, tendo as do "Entroncamento e Santarém, na Linha do Norte," sido as que registaram maiores atrasos na circulação. No que respeita à agitação marítima, 14 barras portuguesas, entre as quais a do "Douro, Esposende, Caminha, Vila Praia de Âncora, Póvoa do Varzim, Vila do Conde" entre outras, foram encerradas à navegação. "As barras de Aveiro, Figueira da Foz, Albufeira e Portimão, ficaram também "condicionadas à navegação."

E o mau tempo vai ainda continuar nos próximos dias, por isso, mantenham-se em segurança! 

"Face às condições adversas, a Proteção Civil recomenda especial cuidado na circulação e permanência em áreas arborizadas e aconselha precaução junto à orla costeira e zonas ribeirinhas. Pede ainda que sejam evitadas atividades relacionadas com o mar, como pesca desportiva, desportos náuticos, passeios à beira-mar ou o estacionamento de veículos junto à linha de costa." Evitem também circular em zonas alagadas, caso não tenham percebido, compraram um carro, não um submarino! E podem correr o risco de "arrastamentos ou quedas em buracos e caixas de esgoto abertas." Por último, mas não menos importante, por favor protejam também os vossos animais! Sim, ainda há alguns "animais" que deixam os seus animais presos a trelas no exterior e nem sequer se lembram de que em caso de subida rápida das águas, eles podem afogar-se! 

Fontes:

https://www.tempo.pt/noticias/previsao/a-partir-desta-hora-a-depressao-claudia-vai-agravar-se-em-portugal-chuva-e-vento-geram-preocupacao-nestes-distritos.html

https://expresso.pt/sociedade/meteorologia/2025-11-13-mau-tempo-deixa-milhares-de-pessoas-sem-eletricidade-em-lisboa-setubal-e-santarem-montijo-encerra-escolas-e398385f

https://expresso.pt/sociedade/meteorologia/2025-11-12-depressao-claudia-traz-chuva-intensa-e-ventos-fortes-a-quase-todo-o-pais--apenas-quatro-distritos-escapam-ao-aviso-laranja-8487e839

https://www.sesimbra.pt/noticia-74/mau-tempo-causa-estragos-em-todo-o-concelho

https://sapo.pt/artigo/inundacoes-e-quedas-de-arvores-depressao-claudia-provoca-198-ocorrencias-nas-ultimas-horas-6918578cf7bc778b434b2196

17/02/2025

Sismo sentido em Portugal

Esta tarde, por volta da hora de almoço a casa abanou. Senti o meu maior abalo até hoje, talvez por me encontrar sentada no sofá. Aqui em casa não houve barulho, apenas um balançar durante alguns segundos, mas o suficiente para me desiquilibrar. Pelas descrições que tenho visto, o sismo fez-se sentir de forma mais intensa em algumas zonas, mas a verdade é que o epicentro foi aqui bem pertinho e, isso, sim, assusta um bocadinho.

O sismo teve uma "intensidade 4,7 na escala de Richter," e ocorreu pelas 13h24m, com "epicentro a 14 quilómetros a oeste-sudoeste de Seixal, no distrito de Setúbal, e a cerca de sete quilómetros de profundidade," com localização inicialmente registada no mar, "a cerca de quatro quilómetros da costa atlântica." Em Sesimbra, há a registar alguns danos na falésia da praia da Califórnia.

Por aqui a autarquia informou que "devido ao sismo verificado no concelho, algumas escolas e centros de saúde locais foram evacuados por iniciativa dos respetivos delegados de segurança, sem haver registo de danos pessoais ou materiais." Em Sesimbra algumas escolas procederam à evacuação dos alunos para o exterior seguindo os procedimentos adequados, enquanto outras, ignoraram completamente a evacuação. Mesmo sem grandes danos, seria uma boa oportunidade para treinar as crianças (e os adultos) para saberem o que fazer nestes casos, uma vez que as crianças sentiram o abalo. Daqui para a frente, valorização e colocar-se-ão em segurança?

O sismo do Seixal, afinal ocorreu na falha da Lagoa de Albufeira e de "acordo com o IPMA, o epicentro foi a 14 quilómetros a oeste-sudoeste de Seixal (no mar), mas o USGS (United States Geological Survey) assinalou o “epicentro em terra, na zona da Charneca da Caparica”.

Não sei em que ficamos... talvez entretanto resolvam este diferendo. Tinha havido ontem um pequeno sismo de "magnitude 1,6, por volta das 22h48," na mesma zona, mas o qual não pode ser classificado como "um sismo premonitório", como que uma espécie de aviso para um evento maior ou se foi apenas coincidência, ou seja, se "foi um sismo em frente casual."

Em agosto do ano passado, um outro sismo fez a terra tremer em Portugal e foi também sentido com alguma intensidade nesta zona, deixando alguns danos, embora sem vítimas a registar, felizmente. "Nessa altura, o tremor de terra terá tido um impacto de 5,3 na escala de Richter, segundo dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), com epicentro no Atlântico, 70 km a sudoeste de Sesimbra. Também nesse caso não houve registo de vítimas nem de danos materiais." Agora foi bem mais perto...

Fontes:

https://cnnportugal.iol.pt/sismo-em-lisboa/sismo-seixal/sismo-de-4-7-leva-a-evacuacao-de-escolas-e-centros-de-saude-no-seixal/20250217/67b36efdd34ef72ee44264e1

https://expresso.pt/sociedade/2025-02-17-sismo-em-lisboa-teve-baixa-magnitude-mas-proximidade-a-zonas-habitadas-e9df896e

https://expresso.pt/sociedade/2025-02-17-sismo-de-47-na-escala-de-richter-sentido-em-lisboa-4cfa8ad1

13/04/2024

É verão em terra e... inverno no mar

Muita gente nas ruas, esplanadas e praias. O calor chegou finalmente para grande alegria da maioria dos portugueses, mas a atenção deve ser redobrada porque a época balnear ainda não começou e o mar está bastante agitado, devido ao vento. Fruto exatamente desta falta de cuidado, foram os casos que se registaram nos últimos dias por todo o país. Infelizmente, nem todos acabaram bem. Nas notícias podemos encontrar vários casos, a maioria deles devidos a comportamentos de risco. Só na praia de Carcavelos, ontem, sexta-feira, já tinham sido "feitos 22 salvamentos."


Um dos casos mais graves é o de "um jovem, de nacionalidade marroquina, que desapareceu na tarde de ontem, dia 12 de abril, após alegadamente ter ido a banhos e ter sido arrastado pela forte corrente que se fazia sentir na praia de Salgueiros, no concelho de Vila Nova de Gaia."  O jovem era "estudante na Escola Secundária Inês de Castro, em Gaia." Pelo fim da tarde foi com alguns amigos até à praia, entrando na água, "apesar de não saber nadar." São vários os meios que têm estado empenhados nas buscas pelo rapaz de 16 anos, que prosseguem, mas até agora sem sucesso. 


Um "homem de 22 anos de nacionalidade brasileira," também está desaparecido "na praia da Vieira, no concelho de Leiria."


Logo pela manhã, os bombeiros foram chamados para um homem de nacionalidade brasileira, que tinha caído enquanto praticava a atividade de pesca lúdica, na zona do Cabo Raso, Cascais. O homem foi resgatado "pelos tripulantes da Estação Salva-vidas de Cascais" com o apoio de uma "embarcação de pesca que se encontrava naquela zona." Este tipo de atividades deve, na minha opinião, ser mais vigiada, bem como penso que seria importante limitar-se os acessos a algumas zonas de arriba da nossa costa. Além de proteger essas zonas, muitas vezes destruídas por quem para lá vai, também se poderia assim diminuir a ocorrência de acidentes, na sua maioria graves. Já no que à atividade de pesca diz respeito, acrescento também aqui a descoberta de um corpo que se pensa ser de um mariscador que estava desaparecido desde 6 de abril. O corpo, que se pensa ser do homem de "nacionalidade nepalesa" foi encontrado na sexta-feira a flutuar "no rio Tejo, em frente ao Terreiro do Paço, em Lisboa."


Na praia do Tamariz, na zona do Estoril, "oito jovens em situação de pré-afogamento foram salvos" por populares e pelos Bombeiros do Estoril. Na primeira ocorrência, os bombeiros foram chamados para "um grupo de quatro jovens," dos quais um rapaz de 15 anos, necessitou mesmo de ser sujeito a manobras de reanimação. Um outro jovem,  necessitou também de ser estabilizado, o que aconteceu "ainda na praia" tendo sido depois "encaminhado para o Hospital de Cascais." Já numa segunda ocorrência, "os bombeiros do Estoril foram acionados para socorrer mais quatro jovens. Um deles em pré-afogamento, que acabou por ser retirado por populares e levado para o areal, antes de ser seguir para o Hospital de Cascais, tal como uma adolescente que se sentiu mal.  Um outro jovem em risco de afogamento foi retirado do mar" e, depois de assistido, recusou transporte à unidade hospitalar. Esta zona, será a primeira a abrir a época balnear, mas só no dia 1 de maio.


Já na praia da Comporta, Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, "três jovens que estavam a nadar sentiram dificuldades em regressar à praia e foram socorridos com ajuda de surfistas e populares presentes na praia."


Na "praia da Baía, em Espinho, foram retiradas três pessoas do mar em situação de pré-afogamento, segundo o Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Área Metropolitana do Porto."


Mas não foram apenas os banhistas e os surfistas que precisaram de resgate. Na zona da Lagoa de Albufeira, em Sesimbra, "os tripulantes da Estação Salva-vidas de Sesimbra" foram chamados para socorrer e evacuar "um homem de 77 anos que alegadamente se sentiu mal a bordo" de uma "embarcação marítimo-turística."


Na maioria dos casos, a culpa não é do mar. É preciso sermos proativos na nossa segurança e prevenirmos situações de risco. É que atrás de quem entra na água, sem saber nadar, ou com o mar em condições adversas e sem saber como estão as areias e os agueiros, vão outros para os ajudar e que podem acabar por morrer. 


 


Fontes:


https://www.facebook.com/photo.php?fbid=445925524500102&set=a.152772453815412&type=3&ref=embed_post


https://www.dn.pt/72028695/pelos-menos-15-pessoas-socorridas-nas-praias-portuguesas-este-sabado/


https://www.jn.pt/3385888941/retomadas-buscas-para-encontrar-jovem-que-se-afogou-na-praia-em-canidelo/


 

30/04/2023

As armas nas mãos erradas

Setúbal, perto do Bairro da Bela Vista, o bairro Azul, acorda com tiros de caçadeira. Cedo, aproveitando as primeiras horas da manhã, um homem regava a sua horta, enquanto dois amigos esperavam a chegada de uns pombos. Os cães do atirador estariam a ladrar, entusiasmados com as movimentações que por ali se faziam sentir, talvez. O que se terá passado, as palavras proferidas, só eles terão sabido, o atirador matou os dois colombófilos e ainda o homem que regava a horta ali perto. Depois, disparou uma última vez e terminou com a sua própria vida. Em pouco tempo, se perderam quatro vidas e porquê? Por pombos? Pelo barulho do ladrar de uns cães?


Sem acesso a armas, teria a discussão ficado em palavras, talvez uns empurrões e umas ofensas verbais. Quatro mortos, não seriam de certeza. Valentes as pessoas que acorreram a ajudar e que nem se aperceberam na altura que também podiam ter sido vítimas deste homem, ainda de arma em punho e aparentemente, já sem nada a perder.


Segundo o site Notícias ao Minuto,  "as autoridades depararam-se com quatro corpos e uma arma, que foi, entretanto, apreendida."


Mais tarde, já com algumas informações adicionais, esclareceu-se que a idade do atirador, Cesário, seria de 65 anos, e embora inicialmente se desconhecessem os motivos, dava-se a conhecer para as câmaras que já haveria divergências entre os homens por causa dos terrenos e da criação dos animais e que Cesário, já tinha ameaçado os vizinhos. Embora outros dissessem para as câmaras que ele era um homem pacato, que já tinha trabalhado numa escola e que morava ali numas barracas, as opiniões começavam a divergir conforme se iam sabendo mais informações.


Crimes cometidos sem que percebamos os motivos são muitos pelo mundo fora, mas basta-nos olhar para as notícias do nosso país e vamos perceber que o uso de armas para defender terrenos e para defender a "honra" ainda é muito comum. Infelizmente, ainda é hábito empunhar-se uma caçadeira, levando-a para uma discussão! 


 


Fontes:


https://www.noticiasaominuto.com/pais/2310692/desentendimento-sobre-pombos-levou-a-tiroteio-em-setubal-o-que-se-sabe


https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/desentendimentos-antigos-na-origem-das-quatro-mortes-em-setubal


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...