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20/09/2025

Violação do espaço aéreo da NATO ou simples distração?

Nos últimos dias, tenho dado conta de que se fala cada vez mais em drones e em ataques feitos com estes disposoitivos. Temos também assistido, a partir dos blocos noticiosos, a diversos relatos de aeronaves russas que violam o espaço aéreo de países pertencentes à NATO. Embora sem danos diretos, estes voos podem ter diferentes causas e diversas intenções, desde logo, permitir testar as defesas anti-aéreas e os tempos e formas de reação de cada país a um ataque russo.

Desta vez, três caças entraram no espaço aéreo da Estónia e, de acordo com o governo deste país, não tinham "autorização" para o fazer e voaram "durante 12 minutos antes de serem interceptados por F-35 italianos," que estariam na região a participar "numa missão de vigilância do Báltico." Estas aeronaves, não responderam a nenhum a tentativa de "comunicação de rádio bidirecional com o controlo de tráfego aéreo da Estónia e não tinham planos de voo," o que constitui desde logo uma situação grave que podia mesmo ter levado ao abate dos caças. No caso da Estónia, esta foi a quarta vez este ano que tal aconteceu e já levou a que "vários líderes políticos europeus" condenassem "o incidente, entre os quais a ministro da Defesa da Lituânia, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, o chefe da diplomacia alemã, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, bem como os primeiros-ministros da Suécia e da Chéquia."

Situação idêntica tinha acontecido na Polónia, cerca de uma semana antes, "depois de mais de 20 drones russos terem entrado no espaço aéreo do país" e levando a que aviões da NATO tivessem mesmo chegado a abater alguns deles. Este incidente levou a que a NATO, tivesse, ainda no passado sábado, avançado com a ativação da "iniciativa militar Sentinela Oriental, criada para reforçar a defesa do flanco oriental." 

No caso da Polónia, este ato foi considerado como uma provocação, que deve ser levada a sério pela NATO, tendo ainda solicitado "uma reunião extraordinária do conselho de segurança da ONU." Entretanto, "dois caças russos sobrevoaram a baixa altitude a plataforma Petrobaltic, no Mar Báltico," violando a "zona de segurança da plataforma."

Sobre a mesma situação, Portugal, através de Paulo Rangel (Ministro dos Negócios Estrangeiros), "convocou o embaixador russo para pedir explicações" acerca da "invasão do espaço aéreo e da fronteira" da Polónia. Não nos podemos esquecer que o nosso país está, apesar de tudo, envolvido diretamente na defesa do espaço aéreo e marítimo europeu, seja através da sua participação ativa em missões da NATO, seja pela importância da sua localização geográfica, particularmente, da base das Lajes, sita nos Açores.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, já veio, no entanto, em defesa do seu homólogo russo, dizendo que se poderia ter tratado apenas de um "acidente," ou "um erro," embora estes atos estejam a ser vistos por algumas forças da NATO, como testes às defesas aéreas de países que fazem parte da organização, bem como, atos de provocação, para incitar a que outros países se envolvam na guerra. O perigo, é nunca sabermos de que lado é que ele está e, isso sim, é um perigo!

Fontes:

https://www.publico.pt/2025/09/19/mundo/noticia/estonia-denuncia-violacao-espaco-aereo-cacas-russos-2147853

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-09-15-polonia-abate-drone-que-sobrevoava-edificios-do-governo-e3b559fa

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2025-09-20-ucrania-sugere-resposta-energica-a-incursao-de-cacas-russos-na-estonia-bdbb0d64

https://sicnoticias.pt/pais/2025-09-11-portugal-convoca-embaixador-russo-por-causa-de-intrusao-no-espaco-aereo-polaco-1e881941

https://pt.euronews.com/2025/09/19/tres-cacas-russos-invadiram-o-espaco-aereo-da-estonia

https://expresso.pt/internacional/uniao-europeia/2025-09-19-estonia-denuncia-violacao-do-espaco-aereo-por-cacas-russos-e-solicita-reuniao-ao-abrigo-do-artigo-4-da-nato-7533e6fb

11/08/2025

Em Gaza, todos podem ser um alvo a abater

Até os jornalistas.

Seis foram calados, seis que estavam numa tenda "perto do portão principal do hospital de al-Shifa, na Cidade de Gaza". Cinco jornalistas eram da Al Jazeera e um era freelancer, um dos poucos que conseguem entrar no território. Israel, dificulta cada vez mais a entrada de quem pretende mostrar a verdade, de quem quer mostrar os ataques, a fome... a morte. Não foi a primeira vez que o exército israelita, justifica a morte de jornalistas, afirmando que estes "pertencem" a células terroristas.

Esta é uma guerra em que ninguém irá ganhar, mas são principalmente os palestinianos quem está a sofrer mais. Tudo isto é inaceitável. Os ataques indiscriminados, a fome que se propaga, a destruição dos hospitais e, cada vez mais, os ataques à imprensa, a proibição imposta para que as notícias não cheguem. Não querem que saibamos o que se passa - e quanto não saberemos, nunca chegaremos a ver, talvez felizmente - que assistamos ao genocídio de um povo. Um povo a quem nem se deu hipótese de lutar, pois para tal não tem capacidade, perante sucessivos ataques. Um dia, quando não houver mais nada para destruir, estarão lá os reféns ainda, para serem salvos? Estará lá alguém do Hamas à espera de ser "apanhado"? Não me parece. Estarão os mortos e os quase mortos, os desistentes, moribundos e resistentes.

De acordo com as Nações Unidas, já morreram "242 jornalistas palestinianos", no enclave palestiniano, desde 7 de outubro de 2023, numa clara violação do Direito Internacional Humanitário. A situação nesta região não é nova. Felizmente, agora temos conseguido ver, assistir, perceber, ser informados do que se passa. Quem não quer por lá os meios de comunicação social? Quem não quer que se mostre o que se passa?

É preciso pensar nisto.


Fontes:

https://www.jn.pt/mundo/artigo/ataque-israelita-cala-vozes-de-seis-jornalistas-em-gaza/17858136

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/ataque-israelita-mata-jornalistas-da-al-jazeera-em-gaza_n1675590

06/08/2025

A bomba que (se dizia) ter acabado com a guerra...

... e que ainda hoje nos faz tremer quando ouvimos falar em armas nucleares ou mesmo em energia nuclear, foi lançada há precisamente 80 anos.

Se acabou com a guerra? Não acredito que o tenha feito, pelo menos não no que se refere à situação na Europa. Se era necessária e imprescindível o seu lançamento? Só se for por mostrar a força de uma grande potência, atacada, inferiorizada e que teve de se mostrar mais forte. É este o risco do nuclear. Não são as bombas... é quem está atrás do "botão".

Continua então a haver risco... continua então a ser preciso falar disto, todos os anos, todos os dias se preciso for. Para que ninguém se esqueça que a morte está apenas dependente da decisão de alguém. Alguém com poder em mandar...

O material usado para a primeira bomba ("Little Boy") foi o urânio 235. A bomba foi transportada pelo avião "Enola Gay" e o seu rebentamento "causou a morte imediata de 70.000 pessoas, um número que subiu para 140.000 no final daquele ano." Os efeitos foram agravados porque o engenho tinha sido programado para explodir acima do solo e não quando embatesse nele, ou seja, não houve qualquer absorção da energia que se espalhou por vários quilómetros. Na tarde do ataque, uma chuva negra começou a espalhar a radiação, que viria a matar milhares de pessoas e a causar danos irreversíveis em muitas outras.

O que ainda hoje está em causa - em termos históricos, podemos dizer que a bomba foi lançada "ontem", pois ainda há danos a serem atualmente descobertos, pessoas afetadas e seus descendentes ainda vivos - é se o seu lançamento era imprescindível para terminar com a guerra ou se foi apenas uma manifestação do poder americano. E este é um tema que ainda nos nossos dias é complicado de discutir...

Justificar-se-iam os milhares de mortos, ou teria havido outra forma de amedontrar os inimigos e fazê-los depôr as armas? Talvez isso nunca se venha a saber, principalmente devido à forma como a opinião pública à época era levada a entender a guerra e as suas consequências. Hoje vemos imagens terríveis, fotografadas e gravadas logo após a explosão, que nem sequer nos mostram exatamente o que ocorreu no local do impacto, mas na época, a quantas pessoas chegaram essas imagens? Poucas pessoas na Europa tinham acesso naqueles dias a ver as notícias na televisão (em Portugal a televisão pública chegaria em 1957) e ou jornais que chegavam às bancas eram, em muitos casos, sujeitos a censura prévia. Não houve o impacto que teria hoje, afinal, para muitos europeus e americanos foi o cessar de uma ameaça real - os ataques dos japoneses eram vistos como altamente eficazes e mortais, um risco ao qual tinha de ser posto cobro. Já para nem falar que na altura ninguém navegava na Internet... e há aqui muito mais a dizer e a analisar, ainda nos tempos que correm.

A descoberta da fissão nuclear que depois viria a dar origem à bomba, ocorreu "dois meses antes do início da Segunda Guerra Mundial," num laboratório de Berlim. Os três físicos, a que a bomba deve a sua origem, chamavam-se "Otto Hahn, Lise Meitner e Fritz Strassman." Perguntamo-nos para já, como é que começou a II Guerra Mundial.

Apesar de se apontar a invasão da Polónia (em 1939) pelas tropas de Hitler, como fator percursor deste conflito,houve vários acontecimentos que foram alargando as tensões que se viviam desde a Primeira Gue rra. Esta invasão vem no seguimento da assinatura de um "Pacto de Não-Agressão" e de um protocolo secreto que tinha como uma das suas cáusulas a divisão do Leste da Europa entre si.

Aquando da invasão da Polónia, a Inglaterra e a França fizeram um ultimato aos alemães, que dois dias depois daria início ao ataque contra a Alemanha por parte destes países. Poucos dias depois, a Rússia (através do protocolo assinado entre as duas potências) avança também, invadindo a Polónia.

No entanto, temos de nos afastar um pouco e olhar também para o resto das anexações e tratados, que já tinham entretanto começado a delinear os dois grandes blocos que se oporiam: de um lado o Japão (que em 1937 tinha atacado a China), a Alemanha (que em 1938 tinha anexado a Áustria) e a Itália, do outro lado a União Soviética, a China e o Reino Unido. Em 1939, quando a Alemanha viola o Acordo de Munique assinado no ano anterior, ocupando as províncias resultantes do desmantelamento da Checoslováquia e a Itália anexa a Albânia, o clima já estava suficientemente quente para se evitar a Guerra.

O ataque dos japoneses a Pearl Harbour ocorreria em 1941e levaria os EUA a juntarem-se ao conflito, naquela que seria apelidada de "Guerra do Pacífico" e que levou a vários ataques (sobretudo aéreos) sobre Tóquio e outras cidades nipónicas. No mesmo dia em que decorria o ataque ao porto americano e que levou à morte de milhares de soldados, "a aviação japonesa atacou vários objetivos estratégicos: Manila, nas Filipinas, Malásia, Singapura e Hong-Kong, enquanto as forças terrestres desembarcavam no Bornéu britânico e no Norte da Malásia; foi também por essa altura que a Tailândia foi ocupada." A guerra parecia estar a virar e, os americanos, não estavam a conseguir derrotar as tropas japonesas, apesar de vários ataques bem sucedidos. As perdas de vidas eram aos milhares de ambos os lados. Em junho de 1942, os EUA começam a ter novamente algum domínio e recuperam territórios entretanto perdidos para o inimigo.

Entretanto, Roosevelt receberia uma carta de Albert Eistein que o avisava da possibilidade da Alemanha estar a tentar fabricar uma bomba com grande capacidade destrutiva, o que levaria o presidente dos EUA a autorizar o início do Projeto Manhattan, "uma corrida para vencer a Alemanha no desenvolvimento de armas atómicas." Este projeto seria liderado pelo "físico Robert Oppenheimer (1904-1967)," e conduziria os EUA para os dois ataques mais mortíferos da história. A ideia seria a de criar algo que dissuadisse os alemães a usar a energia nuclear - o que mais tarde, viria a designar-se como "o princípio da destruição mútua assegurada (ou MAD), intimamente relacionado com a teoria da dissuasão" - mas o que aconteceu foi um ataque que matou milhares de pessoas.

Apesar dos progressos americanos, a guerra parecia estar a terminar com a queda da Alemanha no ocidente, mas o Japão ainda continuava a atacar territórios defendidos pelos americanos, incluindo a  dominava "a Indochina, grande parte da China continental, a Indonésia e muitas ilhas dispersas." Para os EUA, era impensável desistir e deixar de dominar o Japão, mas isso não iria ser facilmente conseguido. "Perante este cenário, o presidente americano Truman tomou a decisão de lançar a bomba atómica sobre Hiroshima." Iria seguir-se Nagasáqui a 9 de agosto, enquanto a URSS voltava a entrar no conflito, atacando "o Japão nos seus domínios continentais da Manchúria e da Coreia."

Depois do lançamento da bomba sobre Hiroshima, seria lançado um segundo engenho sobre a zona de Nagasáqui. Então, podemos afirmar que foi uma defesa e que era essencial o lançamento das bombas, ou terá sido um aproveitamento, um último recurso contra uma força que, apesar de todos os ataques, não se estava a deixar fragilizar? A ONU, criada em outubro de 1945, viria, anos mais tarde, a propor um Tratado para evitar que Hiroshima e Nagasaki se viessem a repetir. Vários países assinaram o Tratado, mas nem todos se mantém longe da corrida ao armamento de destruição em massa. O Japão foi um dos países que nunca chegou a aderir ao "tratado da ONU sobre a proibição de armas nucleares, assinado em 2017."


Ver também:

https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/dia-internacional-para-a-eliminacao-188777

https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/75-anos-de-hiroshima-292410

https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/50-anos-contra-as-armas-nucleares-283933


Fontes:

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cydzer73zd7o

https://www.publico.pt/2023/08/06/opiniao/opiniao/lancamento-bomba-atomica-78-anos-dilema-etico-2059311

https://sicnoticias.pt/olhares-pelo-mundo/2025-08-06-video-hiroshima-assinala-80-anos-da-bomba-atomica-13d06925

https://theconversation.com/80-anos-depois-o-que-aconteceu-com-os-sobreviventes-de-hiroshima-e-nagasaki-262756

https://www.infopedia.pt/artigos/$guerra-do-pacifico-(1941-1945

 

17/06/2025

Quando se morre... apenas por querer comida!

A cada dia que passa sinto-me dividida. Entre falar das férias que já antecipo, ou do medo de que não se cheguem a realizar... entre escrever sobre a felicidade que é estar numa esplanada a comer um gelado que pinga doçura e a fome de quem nada tem e ainda morre quando aguarda que lhe seja largada comida. Dizer que estou triste, é pouco. Sinto-me sem esperança. E perder a esperança, é o limite a que se chega quando o mundo nos parece um sítio negro.

O mundo tem sido atingido por catástrofes, temos ultrapassado tanta coisa, mas nada se compara à maldade humana. Nada é pior do que a falta de compaixão, a absurda incompetência de quem se acha senhor de um país, dono de um Estado, de pôr fim à barbárie que vai corroendo a superfície deste torrão.

Na Palestina, 45 pessoas foram assassinadas de forma bárbara, enquanto aguardavam que lhes fosse distribuída comida. Os rostos estão magros da fome, os olhos desesperados por algo que não sabem se chega, por alguém que os olhe e os acolha. Segundo "fontes da Defesa Civil de Gaza," estas 45 pessoas, foram "vítimas de disparos israelitas contra o centro de ajuda humanitária." A "agência de notícias norte-americana," chama-lhe "incidente." Apesar de não assumir a culpa desta matança, Israel assume que "nas últimas semanas" foram disparados "tiros de aviso contra pessoas" que se tinham aproximado das forças "de forma suspeita".

"As autoridades sanitárias locais, controladas pelo Hamas, afirmam que foram mortas dezenas de pessoas e centenas ficaram feridas desde a abertura no mês passado de pontos de distribuição de alimentos geridos por um grupo apoiado pelos EUA e Israel." Já no final de maio, as forças "militares israelitas" alvejaram um grupo de pessoas que "invadiu um centro de distribuição de ajuda humanitária em Gaza, provocando 47 feridos." Autoridades, associações e ONG deveriam estar a unir esforços para a paz, não para a guerra. 

"A Organização das Nações Unidas tem reiterado que não há lugar seguro para as crianças na região, e os números são alarmantes: nos últimos meses, milhares de crianças perderam a vida devido aos bombardeamentos das forças armadas israelitas." A abertura de corredores humanitários não tem sido eficiente e, isso tem levado à morte de centenas de bebés. Cerca de "14 mil bebés" encontram-se "em risco de morte iminente devido à falta de alimentos e medicamentos." Locais que deveriam ser seguros, neutros, acolhedores, estão a ser bombardeados. "Escolas e hospitais," acabaram por se tornar "alvos de ataques indiscriminados. Muitas crianças foram mortas ou mutiladas enquanto" se procuravam abrigar "em locais que deveriam protegê-las. A ONU tem apelado repetidamente para um cessar-fogo imediato e para que todas as partes envolvidas respeitem o direito internacional humanitário."

Fontes:

https://www.jn.pt/1578752038/mortos-a-tiro-45-palestinianos-que-esperavam-ajuda-alimentar/

https://iacrianca.pt/2025/06/comunicado-a-tragedia-das-criancas-de-gaza/

01/06/2025

Dia da Criança

A todos os primeiros de junho se repete pelo mundo fora que é preciso fazer mais pelas nossas crianças, que o mundo tem de abrir os olhos e perceber que está a destruir o futuro da humanidade, que continuam a morrer milhares de inocentes, pela fome, pela guerra, pela  ganância dos adultos. E todos os anos se fazem pedidos de mudança, manifestos, reuniões urgentes e planos, muitos planos... e todos os dias se sonha (sonham as crianças, sonhamos nós) que algo venha a ser feito. Que as crianças pudessem brincar, sem se preocuparem com o o som das bombas, sem pisarem destroços, sem pisarem sangue dos seus. 

Todos os anos milhares de crianças morrem. Não de morte natural, não apenas de doenças inevitáveis para as quais a ciência ainda não encontrou cura... mas de fome. De desidratação. De falta de cuidados de saúde e de falta de operacionalidade daqueles que as deviam proteger. Os governos do mundo inteiro estão a falhar na proteção das crianças.

"Em Portugal, o Dia da Criança é festejado no dia 01 de junho. Esta efeméride assinalou-se pela primeira vez em 1950 por iniciativa das Nações Unidas, com o objetivo de chamar a atenção para os problemas das crianças e como forma de reconhecimento de que todas as crianças, independentemente da raça, cor, religião, origem social, país de origem, têm direito a afeto, amor e compreensão, alimentação adequada, cuidados médicos, educação gratuita, proteção contra todas as formas de exploração e a crescer num clima de paz e fraternidade."

Os dados são assustadores... e não vão caber todos aqui.

Em abril último, contava-se cerca "de 1150 bebés com menos de um ano," mortos desde o início "da guerra na Faixa de Gaza." Muitos não tiveram qualquer hipótese de sobrevivência, atingidos pelos bombardeamentos ou sucumbindo à fome e ao frio. A UNICEF vem alertar para os números em Gaza: "50.000 crianças mortas ou feridas desde outubro de 2023"! O que é que será necessário ainda conversar, mostrar? "Desde o fim do cessar-fogo em 18 de março, 1.309 crianças foram mortas e 3.738 ficaram feridas em Gaza."

Outra região em guerra, depois da invasão da Ucrânia por parte do estado russo, tem também sofrido com a guerra. Segundo Pavlo Sadokhav, presidente da Associação de Ucranianos em Portugal, "já morreram mais de 600 crianças na Ucrânia e que quase 20.000 foram levadas para território russo."

Já noutra latitude, as crianças começam desde cedo a ser recrutadas e obrigadas a pegar em armas. Na República Democrática do Congo (RDCongo), cerca "de 375.000 crianças estão impedidas de ir à escola," ficando muito mais vulneráveis a "sofrer violência, incluindo violência sexual, e de recrutamento por grupos armados." Aqui, tal como em muitos outros locais em que a guerra se impõe, as crianças são também as mais afetadas pelos "explosivos" deixados nos "campos perto das aldeias e das escolas," seja quando se deslocam para ir buscar água ou ir até à escola, seja quando brincam ou trabalham nos campos. 

E haveria ainda muitos outros valores a mostrar, mas será que é preciso fazê-lo? Andaremos todos a dormir, ou viramos apenas a cara para o lado para não ver?

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/dia-da-crianca-marcelo-sublinha-urgencia-de-cuidar-de-todas-as-criancas-sobretudo-em-zonas-de-guerra-e-fome_n1659069

https://www.dn.pt/sociedade/ucranianos-assinalam-dia-da-crian%C3%A7a-com-manifesta%C3%A7%C3%A3o-em-frente-%C3%A0-embaixada-russa-em-lisboa

https://observador.pt/2025/03/06/violencia-afasta-da-escola-cerca-de-375-000-criancas-no-leste-da-republica-democratica-do-congo/

https://www.dn.pt/internacional/mais-de-1100-beb%C3%A9s-com-menos-de-1-ano-mortos-desde-o-in%C3%ADcio-da-guerra-em-gaza

https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2025-05/faixa-gaza-unicef-mais-50-mil-criancas-mortas-desde-outubro-2025.html

26/02/2025

Três anos de conflito

Três anos...

Há três anos, éramos surpreendidos pela entrada de tropas russas na Ucrânia. Da mesma forma que Putin achava que entrava por ali adentro e derrubava o governo ucraniano, subjugando o seu povo às suas vontades, também o povo daquele país mostrava que não seria com duas cantigas que se renderiam ao arsenal bélico do inimigo. Um inimigo conhecido de longa data, é bom que se diga. 

Os planos do presidente russo, Vladimir Putin, previam uma vitória fácil e poucos "analistas internacionais ousaram contestar essa previsão, dada a disparidade de força entre os dois países." Mas, a verdade, é que o povo ucraniano tem dado provas de que a sua decisão em resistir, não foi uma má escolha e que, mesmo com todas as dificuldades e as perdas em vidas humanas, tem conseguido resistir. Passaram-se três anos e a guerra está num impasse. A Rússia não tem avançado muito, mas também é verdade que a Ucrânia ainda está longe de recuperar as regiões perdidas. Embora os dados sejam difíceis de confirmar, desde o início da invasão, a Ucrânia terá registado "43 mil militares mortos em combate e mais de 370 mil feridos, números abaixo das estimativas de várias entidades." Do lado russo, terão havido cerca de "845.310 baixas desde o começo do conflito."

A Ucrânia pediu ajuda... mas foi muito a medo que a União Europeia e a NATO foram facultando armas e viaturas, não cedendo aos muitos pedidos da Ucrânia para entrar na Organização Transatlântica. Durante todo este tempo, a Ucrânia pediu ajuda e esta lá foi chegando, primeiro mais a medo, depois de forma mais visível, mas sempre sob ameaça da Rússia. Atualmente, "a Rússia controla pouco menos de 20% do território ucraniano, ou cerca de 110 mil quilómetros quadrados." A Ucrânia, conseguiu entretanto avançar também "a província fronteiriça de Kursk, no oeste da Rússia, onde chegou a ocupar cerca de mil quilómetros de quadrados de território, segundo as autoridades militares de Kiev, mas esse número deverá ser atualmente menos de metade."

António Guterres, secretário-geral da ONU, destacou hoje no seu discurso, "o impacto devastador do conflito: milhares de civis mortos, cidades destruídas e infraestruturas essenciais reduzidas a escombros," referindo ainda que a "ONU tem mobilizado todos os seus recursos para aliviar o sofrimento da população e promover uma paz justa e duradoura."

As proporções desta crise humanitária são, apesar de tudo o resto que uma guerra envolve, o mais alarmante: "cerca de cinco milhões de ucranianos enfrentam insegurança alimentar, especialmente nas regiões próximas da linha da frente. A subida dos preços e a destruição das cadeias de abastecimento deixaram muitas famílias sem acesso a alimentos nutritivos, forçando-as a recorrer a medidas extremas, como saltar refeições ou contrair dívidas para comprar comida." 

Foram cerca de "11 milhões" as pessoas forçadas "a abandonar suas casas, com 6,9 milhões registados como refugiados e outros 3,7 milhões deslocados internamente." No que respeita aos civis mortos desde o início do conflito, estes deverão andar próximo aos 2500, "incluindo 669 crianças." Além disso, 28.382 civis, entre os quais 1.833 menores, ficaram feridos, mas os números reais deverão ser "consideravelmente maiores", já que apenas são contabilizados os casos verificados.

Uma das situações mais preocupantes é a "das mulheres e das raparigas na Ucrânia."

"Além disso, a ONU documentou centenas de casos de violência sexual relacionada com o conflito e alertou para o aumento de 36% nos casos de violência doméstica. Em resposta, a ONU Mulheres tem investido em programas de apoio psicossocial, empoderamento económico e participação feminina nos processos de paz e reconstrução." Assinalando esta data, "o executivo comunitário anuncia um pacote de ajuda à segurança energética da Ucrânia e aprova o 16.º pacote de sanções à Rússia."

Os EUA terão sido o país que mais ajuda em termos de armamento enviou para a Ucrânia, mas a relação entre os dois países deixou de ser a mesma desde que Trump chegou ao poder. "Crítico da ajuda norte-americana a Kiev, Trump já suspendeu os financiamentos globais da agência estatal de desenvolvimento USAID. Segundo o Instituto Kiel, os Estados Unidos transferiram 3,4 mil milhões de euros em ajuda humanitária para a Ucrânia desde o começo do conflito."

Já do lado da Rússia, os principais apoiantes têm sido o Irão e a Bielorrússia. Mas o aliado que se tem mostrado mais na concretização do apoio à Rússia no "campo de batalha é a Coreia do Norte. No âmbito de uma parceria estratégica com a Rússia e a troco de alimentos e cooperação tecnológica e financeira, e ainda de proteção militar mútua, Pyongyang forneceu a Moscovo pelo menos 13 mil contentores de munições de artilharia, 'rockets' e mísseis, segundo o serviço de informações de Seul (NIS), como forma de ambos os países contornarem o isolamento internacional e as sanções ocidentais." O governo de "Kim Jong-Un destacou acima de dez mil militares para lutar ao lado das tropas russas na província russa de Kursk, parcialmente ocupada pela Ucrânia."

Apesar de afirmar que não apoio militarmente a Rússia, "a China é acusada pelas potências ocidentais de alimentar a máquina de guerra do Kremlin, através da venda de componentes para a sua indústria de defesa, e a sua economia por via do comércio e mesmo acontece em relação a outro gigante global, a Índia." Já no que respeita às sanções aplicadas, as mesmas acabaram por não ter os resultados esperados, uma vez que durante os três anos em que esta guerra já dura, "a China surge como o principal cliente de combustíveis fósseis da Rússia, com cerca de 165 mil milhões de euros em importações, bastante à frente da Índia (98 mil milhões), da Turquia (68 mil milhões) e dos países da União Europeia (55 mil milhões)."


Fontes:

https://unric.org/pt/tres-anos-de-guerra-na-ucrania-a-resposta-humanitaria-da-onu/

https://www.publico.pt/2025/02/24/mundo/noticia/ucrania-tres-anos-guerra-mapas-numeros-2123649

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2025-02-24-principais-indicadores-em-tres-anos-de-guerra-na-ucrania-c210fa43

28/09/2024

Os ataques a Beirute continuam...

...e o líder do Hezbollah terá sido dado como morto. É nesta situação que agora todas as atenções se estão a focar.

Hassan Nasrallah, líder do movimento islamita libanês, terá sido morto "durante um ataque aéreo na sexta-feira à sede da organização em Beirute." Além dele, terão ainda sido eliminados "outros comandantes do Hezbollah que se encontravam no mesmo local, em Dahiyeh, um subúrbio do sul de Beirute, densamente povoado.

A sede do Hezbollah, estaria a funcionar "numa estrutura subterrânea, debaixo de um edifício residencial," o que levou também à morte de vários civis, cujo número ainda não foi revelado. "As forças israelitas dizem não ter ainda essa informação, recusando especificar o tipo de armamento usado no bombardeamento, assim como detalhes sobre a comprovação da morte de Nasrallah." Sabe-se apenas que terá sido através de um dos vários ataques de precisão lançados contra Beirute, com recurso "a um esquadrão de caças F15I munidos de bombas antibunkers."

De acordo com o jornal New York Times, citado pelo Observador, terão sido "lançadas mais de 80 bombas durante vários minutos com o objetivo de matar Hassan Nasrallah," num ataque que teria "começado a ser planeado no início da semana passada, ainda antes de Netanyahu, primeiro-ministro israelita deixar o país para marcar presença na Assembleia Geral das Nações Unidas." 

A situação envolve também o Irão.

Ali Khamenei, líder do Irão, deixou numa "mensagem muito clara sobre as consequências dos ataques militares ao Líbano," que "é obrigatório para todos os muçulmanos apoiar orgulhosamente o povo libanês e o Hezbollah.," contra Israel que acusa de ser um "regime usurpador, cruel e maléfico."

Nasrallah, nasceu em 1960 e tinha 67 anos. "Quando Israel invadiu o Líbano, em 1982, Nasrallah juntou-se a um grupo de combatentes que evoluiria para o atual Hezbollah." Desde 1992 que era líder do movimento "em substituição de Abbas Moussaoui, depois de este ter sido igualmente morto durante um ataque israelita com um helicóptero."

Durante os últimos anos, viveu quase sempre escondido e tornou-se "o homem mais poderoso e influente" do Líbano. A sua popularidade "no seio da comunidade xiita é apoiadas por uma vasta rede de escolas, hospitais e associações ao serviço dos seus apoiantes. Membro do governo e do parlamento, onde nem o seu campo nem os seus opositores têm maioria absoluta, impediu a eleição de um Presidente da República durante quase dois anos."

Entre ontem e hoje, estão ainda a ser retirados do Líbano vários portugueses.

Fontes:

https://expresso.pt/internacional/medio-oriente/guerra-israel-hamas/2024-09-28-nasrallah-esta-morto.-israel-anuncia-morte-do-lider-do-hezbollah-632e727d

https://expresso.pt/internacional/medio-oriente/guerra-israel-hamas/2024-09-28-lider-do-irao-pede-apoio-de-todos-os-muculmanos-ao-libano-e-ao-hezbollah-fc998ed0

https://observador.pt/especiais/como-nasrallah-tornou-o-hezbollah-um-dos-maiores-inimigos-de-israel-e-semeou-o-caos-no-libano/

https://observador.pt/liveblogs/israel-diz-que-matou-lider-do-hezbollah/#liveblog-entry-678580

24/09/2024

E a guerra continua...

E parece que pouco ou nada se pode fazer. 


Nos ataques que Israel levou a cabo contra o Líbano entre ontem e hoje, já se contabilizam 558 mortos - o "número mais elevado desde a última guerra entre o Hezbollah e Israel em 2006." Nesta lista, estão "50 crianças e 94 mulheres." Ao número de mortos, é preciso acrescentar os feridos - "1835 feridos até agora" - muitos deles, graves.


O ministro libanês da Saúde, Firass Abiad, “desmente todas as alegações israelitas de que os alvos são combatentes", acrescentando que "na verdade, infelizmente, a grande maioria, se não todos, são pessoas desarmadas que se encontravam nas suas casas". Muitos habitantes do sul do Líbano acabaram por fugir "em massa para Beirute," devido incessantes bombardeamentos por parte da aviação israelita. "A preocupação também atinge a capital libanesa com habitantes a receberem avisos israelitas nos seus telemóveis e linhas fixas. As escolas foram encerradas em todo o país."


Durante esta manhã, dezenas de rockets foram disparados do Líbano contra Israel, em retaliação, atingindo diversos edifícios. De um lado, ou do outro, quem sofre é o povo...


As companhias aéreas já estão a cancelar os voos para Beirute devido ao risco de insegurança que o intensificar deste conflito está a provocar.


O Irão promete que não vai abandonar o Hezbollah e a escalada de violência não parece parar aqui. Como pode alguém aguentar tudo isto? Como não compreender que, muitas destas pessoas, queiram afinal sair destes territórios, deixando para trás o pouco que tinham?


Hoje começou a "79.ª Assembleia Geral da ONU" onde António Guterres apelou "à comunidade internacional" para que se mobilizasse de forma a que "seja alcançado um acordo de cessar-fogo e de libertação de reféns entre Israel e o Hamas." Referiu ainda que “devemos todos ficar alarmados com a escalada" de violência que está a lcolocar o "Líbano à beira do abismo." Apela a que se faça alguma coisa para que "o Líbano" não "se transforme noutra Gaza."


Fontes:


https://sicnoticias.pt/especiais/conflito-israel-palestina/2024-09-24-ataques-de-israel-no-libano-sobe-para-558-o-numero-de-mortos-cdc2b469


https://www.rfi.fr/pt/geral/20240924-ataques-israelitas-no-l%C3%ADbano-provocaram-mais-de-550-mortos


https://observador.pt/2024/09/24/comeca-agora-a-79-a-assembleia-geral-da-onu-guterres-pede-cessar-fogo-e-diz-que-libano-nao-se-pode-tornar-numa-nova-gaza/


 


 


 


 

01/09/2024

Massacre em Beslan... 20 anos depois

Passaram já 20 anos desde que um grupo terrorista atacou uma escola em Beslan, na Ossétia do Norte, na Rússia.


O ataque começou precisamente a 1 de setembro de 2004, no dia da abertura oficial do ano escolar, com o rapto de mais de 1100 pessoas (das quais, quase 800 eram crianças).


Os raptores eram um "grupo de militantes islâmicos armados, composto principalmente por inguches e chechenos,", ou seja, mais especificamente por "membros do batalhão Ryadus-Salikhin" os quais teriam "sido enviados e instruídos pelo senhor da guerra tchetcheno Shamil Basayev que daquele modo exigia o reconhecimento da independência da Tchetchenia por parte das Nações Unidas e a retirada das tropas russas do seu território."


Às 9h30 da manhã, um grupo de terroristas, invadiu a escola de forma violenta, fazendo reféns todos os que lá se encontravam, entre crianças e jovens, familiares e professores. Os mais novos teriam seis, sete anos. Apenas cinquenta conseguiram escapar, na confusão inicial que se gerou,tendo os restantes passado por "três dias de inferno no ginásio da escola, sob ameaça constante de explosivos, e num calor sufocante."


"Às 10h, os assaltantes começaram a armadilhar com explosivos o ginásio e outros edifícios da escola. Às 10h20, o Presidente russo, Vladimir Putin, cancela as suas férias em Sochi e regressa a Moscovo."


Aos reféns, apesar do calor, foi-lhes recusada qualquer água ou comida.


"As crianças passaram por situações dramáticas e foram obrigadas" a coabitar com os corpos de 20 pessoas que "os terroristas mataram para marcar a sua posição e evitar uma revolta."


"Depois de falhadas todas as tentativas de negociação, a 3 de setembro, as autoridades lançam um assalto à escola" provocando a morte de 334 pessoas que ainda se encontravam lá dentro, entre as quais 186 crianças. As mortes deveram-se aos combates entre as forças russas e os terroristas, o que levou a uma brutal explosão no ginásio onde se encontravam os reféns.


"O assalto à escola de Beslan acabou por ser classificado como o ato de terrorismo mais sangrento levado a cabo em solo russo desde que a Tchetchenia tinha sido declarada independente, em 1991."


Fontes:


https://pt.euronews.com/2014/09/01/relembrar-o-massacre-na-escola-de-beslan-dez-anos-depois


https://expresso.pt/internacional/massacre-de-beslan-foi-o-pior-assalto-a-escolas-mas-nao-o-unico=f902839


 

29/08/2024

Há 25 anos, Timor ganhava algo mais que a independência

Há 25 anos, Timor foi a eleições e, além da independência, ganharia então a vontade de construir uma democracia firme. "Depois de uma colonização de quase cinco séculos, pelos portugueses, e 24 anos de ocupação indonésia, o povo timorense foi chamado no dia 30 de agosto de 1999 para votar se queria livrar-se dos ocupantes ou manter-se sob a sua governação." O ato foi de facto um marco importante, em que a verdadeira vontade daquele povo foi mostrada ao mundo. Na verdade, "ninguém, nem o próprio presidente indonésio, que aceitou o referendo após longa batalha diplomática entre Portugal, Indonésia e as Nações Unidas, esperava tamanha afluência às urnas."


António Guterres, antigo primeiro ministro português, está presente em "Díli para participar nas celebrações dos 25 anos do referendo que levou à restauração da independência do país, pondo fim à ocupação Indonésia" junto com outros representantes nacionais e internacionais. Ao atual secretário-geral da ONU foi atribuída hoje a cidadadina timorense.


Guterres encontrou-se hoje com "o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão", uma das figuras mais importantes em todo este processo, a quem "António Guterres prestou também homenagem", destacando o seu papel "enquanto líder da resistência timorense e pela forma como defendeu a independência do seu povo detido em Jacarta, capital da Indonésia," bem como, no seu papel na "transformação de Timor-Leste num país independente, democrático, respeitador dos direitos humanos e que se afirma internacionalmente com crescente influência."


Guterres referiu ainda, que tinha ficado "impressionado com o compromisso do Governo timorense em matéria de segurança alimentar e investimento na agricultura," o que considerava ser um "desafio crucial para o êxito do desenvolvimento, saúde, educação e infraestruturas."


"Timor-Leste aderiu no início do ano à Organização Mundial do Comércio, é fundador do G7+ e deverá aderir à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) no próximo ano."


Uma outra figura importante neste processo, foi Durão Barroso, que em "1992, enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal," participou em "quatro rondas de negociações" com a Indonésia. Apenas a 5 de maio de 1999, os dois países assinariam "três acordos, nomeadamente sobre a questão de Timor-Leste, outro sobre a modalidade da consulta popular e um terceiro sobre segurança," com o contributo essencial das Nações Unidas. Barroso, salientou ainda que foi "o massacre do cemitério de Santa Cruz" o grande acontecimento que "contribuiu para dar visibilidade à questão de Timor-Leste." Lembro-me ainda hoje desse massacre e eu era bem pequena na altura. Existem imagens que nos ficam gravadas na mente. Se foi "com a ajuda da comunidade internacional," que o povo de Timor-Leste se conseguiu livrar do domínio indonésio, também não se deve esquecer que muitos países não acreditavam que tal fosse possível.


"Os acordos foram assinados por Jaime Gama, na altura chefe da diplomacia portuguesa, pelo seu homólogo indonésio, Ali Alatas, e por Kofi Annan, antigo secretário-geral da ONU." No entanto, o processo não foi fácil e a«s Nações Unidas tiveram mesmo de permanecer no país como força de gestão e manutenção de paz até ao ano de 2012. Durante este período, chegou mesmo a ser necessária a entrada de uma força liderada pela Austrália, devido a ataques de extrema violência causados por milícias apoiadas pela Indonésia.


Fontes:


https://www.tsf.pt/1577666496/timor-ganhou-a-batalha-da-independencia-agora-tem-de-ganhar-a-do-desenvolvimento/


https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2623023/timor-uma-historia-bonita-conseguida-com-dificuldade-e-falta-de-apoio


 

19/08/2024

Dia Mundial da Ajuda Humanitária

Hoje assinala-se o Dia Mundial da Ajuda Humanitária, uma data tão importante quando relevante e necessária, criada "em memória das 22 vitimas do atentado à Nações Unidas em Bagdade, no Iraque." A data foi criada exatamente com o intuito de celebrar o trabalho de todos aqueles que "ao serviço dos outros e na defesa de causas humanitárias, arriscam as suas vidas na frente de combate, muitas vezes, em cenários inóspitos de guerra."


Em ocasião desta data, refere a OMS que, desde o início do conflito, os "serviços de saúde da Ucrânia sofreram 1940 ataques", naquele que é já o maior número "registado durante uma crise humanitária." Na prática, destes ataques resultou a destruição de cerca de 200 ambulâncias por ano devido a ataques russos na Ucrânia. O grande problema está também naquilo que é chamado de "duplo ataque", em que "um bombardeamento inicial é seguido de um segundo bombardeamento, destinado a matar as equipas de socorro que acorrem em auxílio das vítimas do primeiro." Algo que não pode de forma nenhuma ser tolerado!


Pelo mundo, a OMS acode anualmente a diferentes crises humanitárias, provocadas não só pos conflitos armados, mas também por catástrofes naturais. Os mais afetados são sobretudo as populações mais pobres, e as faixas mais suscetíveis das populaçoes continuam a ser as crianças e os idosos.


Uma das situações mais graves é, sem dúvida, o que se passa na fronteira sudanese, com "aproximadamente 13 milhões de pessoas" deslocadas. Cerca de 800 mil pessoas estão isoladas no Darfur, sem acesso a comida e "sem serviços essenciais."


Fontes:


https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-mundial-da-ajuda-humanitaria


https://www.sapo.pt/noticias/atualidade/oms-contabiliza-1-940-ataques-a-servicos-de_66c3639bcbcd6f42659d0e5b


https://news.un.org/pt/story/2024/07/1834601


 


 


 


 

24/06/2024

Dia Internacional das Mulheres na Diplomacia

Assinala-se hoje o Dia internacional das Mulheres na diplomacia, instituída apenas há dois anos por resolução aprovada pela Assembleia-Geral das Nações Unidas. Esta data pretende valorizar o papel que as mulheres desempenham a nível diplomático, mas que muitas vezes é relegado para segundo plano, bem como a importância de dar cada vez mais competências às mulheres desde tenra idade, como acesso à educação e formação superior e acesso a cargos de topo em empresas e organizações.

"Este dia procura apelar à reflexão sobre o desequilíbrio no acesso à carreira diplomática e a sub-representação feminina, em especial, nas posições diplomáticas de topo."

Podemos destacar Minerva Bernardino, nascida em Santa Cruz de El Seibo, em 1907. 

Foi uma diplomata da República Dominicana, tendo promovido "os direitos das mulheres internacionalmente" e sendo conhecida como "uma das quatro mulheres a assinar a Carta das Nações Unidas, o tratado original da Organização das Nações Unidas (ONU)." Ao longo da sua vida, Minerva dedicou o seu trabalho à promoção dos "direitos políticos e, especialmente," ao melhoramento do "sufrágio feminino nos países latino-americanos." Em 1945, Minerva consegue mesmo estar na Conferência de São Francisco "como representante da República Dominicana," enviada pelo ditador Rafael Trujillo, que via este gesto como uma "oportunidade de baixo risco para parecer progressista". No ano seguinte, fez parte da presidência da "Comissão das Nações Unidas sobre o Estatuto da Mulher," comissão que viria a ter grande relevância na adoção de uma "linguagem inclusiva de género na Declaração Universal dos Direitos Humanos," bem como na "criação da Declaração sobre a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres, de 1967."

No ano de 1954, conseguiu incluir na "Convenção sobre os Direitos Políticos das Mulheres," a afirmação dos "direitos das mulheres de votar, concorrer e ocupar cargos." Apoiou também "o direito internacional que asseguraria a igualdade da mulher no casamento e no divórcio," através da "Convenção de Montevidéu sobre a Nacionalidade da Mulher Casada de 1933."

Outra mulher relevante foi a brasileira Bertha Lutz. Filha de Adolfo Lutz, Bertha foi "ativista feminista," tendo-se destacado também como "bióloga, educadora, diplomata e política brasileira." O seu principal papel de destaque foi na "educação no Brasil do século XX."

Bertha iniciou-se na política em 1934, como candidata "à Câmara dos Deputados" pelo "Partido Autonomista do Distrito Federal," chegando mesmo a assumir a posição de deputada em "1936, após a morte do deputado titular Cândido Pessoa." O Estado Novo, instaurado por Getúlio Vargas em 1937, veio pôr fim ao seu mandato. Tal como Minerva, "integrou a delegação brasileira à Conferência das Nações Unidas sobre Organização Internacional em São Francisco, no Estados Unidos, em 1945, onde lutou para incluir menções sobre igualdade de género no texto da Carta das Nações Unidas".

Em Portugal, não posso deixar de destacar o papel de Carolina Beatriz Ângelo, que se tornou a primeira mulher a obter o direito de votar no nosso país, tendo-se tornado "um marco na história das mulheres e da sua luta pelo direito ao voto, à inclusão social e ao direito de participação na vida política."

Um outro nome que não pode ser deixado de lado nesta data é o de Maria de Lourdes Pintassilgo, que ainda "durante o Estado Novo, foi convidada por Marcelo Caetano para se candidatar a deputada à Assembleia Nacional," tornando-se na "primeira mulher a exercer funções como procuradora à Câmara Corporativa nas duas últimas legislaturas deste órgão, até abril de 1974." Foi também presidente do "Grupo de Trabalho para a Participação da Mulher na Vida Económica e Social e à Comissão para a Política Social relativa à Mulher (mais tarde denominada Comissão da Condição Feminina)."

Em 1975, Maria de Lourdes Pintassilgo, "tomou posse como embaixadora junto da ONU para a Educação, Ciência e Cultura" e, entre 1979-1980, foi "a primeira mulher primeira-ministra em Portugal (segunda na Europa, seguindo Margaret Thatcher), a convite de Ramalho Eanes para chefiar o Governo de Gestão." 

Fontes:

https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-internacional-das-mulheres-na-diplomacia

https://pt.wikipedia.org/wiki/Minerva_Bernardino

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bertha_Lutz

https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/Exposicao-As-mulheres-que-mudaram-Portugal.aspx

18/04/2024

Decisões sobre o Médio Oriente - o que está em causa e, afinal, estamos do lado de quem?

Em primeiro lugar, permitam-me dizer que eu, não estou do lado de nenhum dos dois, e quando aqui coloco como título "de que lado estamos", estou a colocar o enfoque na União Europeia e na "nossa" posição como país, nesse âmbito. 

Analisar estes factos não é fácil, porque estou desde logo a falar de culturas e de ideologias diferentes daquelas com as quais me identifico. Afinal, qual a posição das nações e como é que Portugal se está a posicionar no meio destes conflitos? Penso que Portugal vai na onda da maioria, mas aquilo que todos queríamos é que este conflito tivesse um fim...

E o que é que se passa nesta tríade - Israel, Irão e Palestina? Sabemos que o ataque do Hamas a 7 de outubro foi um ato terrorista que veio abalar a segurança de Israel, resultando na morte de perto de 1400 pessoas e em muitos reféns. Israel, atacou a Faixa de Gaza, com a principal intenção de acabar com o Hamas e recuperar os reféns. O Hamas é apoiado pelo Irão através de grupos como o Hezbollah, O Irão fornece a maioria do armamento de que o Hamas dispõe, colocando assim o Irão na linha direta de ataque de Israel. Apesar do Irão ter negado a sua participação no ataque de 7 de outubro, há sempre a questão da origem das armas utilizadas.

Como está mais do que percebido, os ataques das tropas israelitas, estão a destruir edifícios residenciais, hospitais, escolas e, até, centros de refugiados, com a desculpa de que nesses locais estão homens do Hamas. Mas também se diz que é verdade que os membros deste grupo, usam a população civil como escudo humano. Assim, como é possível que se esteja a debater quem é no meio disto tudo tem razão! Acho que, na verdade, estamos impotentes e que estamos todos a aguardar qual será o próximo ataque, para depois apoiarmos os civis, de um lado ou do outro, minimizando da forma que for possível, os danos causados. E é isto que é triste! Esta impotência!

O primeiro-ministro israelita coloca-se contra todos os países que vêm defender os palestinianos ou mesmo contra aqueles que defendem um cessar-fogo. Sabemos também que, apesar de não haver consenso dentro da União Europeia, uma coisa é certa, os resultados atingidos por Israel ficam muito aquém dos seus objetivos e colocaram a Palestina numa crise humanitária sem precedentes naquela zona.

Enquanto a União Europeia se esforça "por controlar uma potencial retaliação israelita e evitar uma escalada ainda maior," Netanyahu já veio por diversas vezes dizer que já estariam aprovados "planos para uma operação militar no sul de Gaza." 

Na terça-feira, dia 16, os 27 ministros dos Negócios Estrangeiros da UE realizaram por videoconferência "uma reunião extraordinária do Conselho," na qual discutiram "a resposta coletiva à escalada, vista como um ponto de inflexão no conflito no Médio Oriente." Apesar de muitos se terem colocado do lado de Israel, ninguém quer que este conflito escale. Reino Unido e França, estão de facto do lado dos EUA e reconhecem "o direito do Irão a uma resposta ao ataque ao seu consulado" em Damasco, na Síria. As forças destes três Estados participaram de forma ativa "na interseção do ataque iraniano" a Israel, abatendo vários dos drones lançados contra o país. Mas Israel, deve retaliar?

Se Israel retaliar, o conflito irá complicar-se. O presidente iraniano, Ebrahim Raisi, ameaçou que “se o regime sionista fizer a mais pequena invasão" contra o Irão, "os israelitas podem ter a certeza de que enfrentarão uma resposta agressiva e em larga escala”. Mas Israel (cuja população é composta na sua maioria - mais de 75% - por judeus) já atacou diversos alvos do Hezbollah, grupo que é apoiado pelo Irão (regime islâmico).

Os EUA são os principais fornecedores de armamento a Israel e é em parte esse armamento que tem destruído a faixa de Gaza. Apesar de, quando a 9 de abril, Netanyahu afirmou que já existia "uma data para o início das operações militares em Rafah," os Estados Unidos da América terem avisado que não apoiariam qualquer operação que visasse um ataque à "cidade do sul da Faixa de Gaza," parece que afinal agora voltaram com a palavra atrás. Se antes pareciam preocupados com os quase 1,5 milhões de palestinianos que estão encurralados em Rafah, agora parecem ver esse ataque como um mal menor, desde que se evite uma propagação da guerra contra outros países.

Numa declaração das autoridades egípcias, a um meio de comunicação do Catar, é hoje dito que os EUA "aceitaram o plano de Israel para avançar com uma ofensiva em Rafah, em troca de não retaliar contra o Irão." Ou seja, será que estou a ler bem? Desde que fiquem dentro daquelas fronteiras, não há problema em apoiar ataques contra milhões de civis que neste momento, nem comida nem água têm?

Segundo informações de órgãos de comunicação internacionais, "pelo menos quatro batalhões do Hamas estão em Rafah, preparados para o início da ofensiva". Em Rafah podem estar escondidos "vários líderes do Hamas" mas também é possível que estejam "reféns israelitas". Mas... e os quase 1,5 milhões de palestinianos que lá estão encurralados?

Ontem, quarta-feira, no decorrer da reunião entre os 27 estados da UE ficou decidido que iriam ser reforçadas as sanções contra o Irão, depois do ataque de sábado. Ao isolarem o Irão, estes estados, esperam conseguir "avançar no sentido de um processo de paz" na região. Mas em parte, alguns dos países que também estão representados na ONU, defendem que "os líderes europeus devem tomar medidas mais concretas contra Israel, incluindo a revogação do reconhecimento diplomático e a aplicação de sanções específicas a funcionários do governo." Ainda há poucos dias, isto foi defendido pela Irlanda e pela nossa vizinha Espanha. Manu Pineda (eurodeputado espanhol) veio afirmar que é "vergonhoso que a União Europeia continue a comprar e a vender armas a Israel, que estão a ser utilizadas em combate e que estão a cair sobre as cabeças das crianças palestinianas na Faixa de Gaza."


Fontes:

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-04-18-video-lideres-da-uniao-europeia-decidem-reforcar-sancoes-contra-o-irao-8f2b31ba

https://sicnoticias.pt/video/2024-04-09-Netanyahu-garante-que-ja-tem-data-para-ataque-a-Rafah-3c908a2d

https://pt.euronews.com/my-europe/2024/04/15/ue-tenta-controlar-repercussoes-do-conflito-entre-israel-e-irao

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-04-17-video-netanyahu-diz-que-agradece-conselhos-dos-lideres-mundiais-mas-decide-sozinho-ataque-ao-irao-75115339

https://pt.euronews.com/my-europe/2024/04/10/albanese-ue-deve-suspender-relacoes-com-israel-devido-ao-genocidio-em-gaza


07/04/2024

1994, o ano da morte no Ruanda

Passaram-se 30 anos, mas ninguém pode esquecer o massacre que aconteceu no dia 7 de abril de 1994 no Ruanda. Lembro-me vagamente de ouvir algumas coisas sobre isto, mas na altura eu tinha apenas 10 anos e, claro, os blocos noticiosos muito mais fechados naquela época, não nos traziam as notícias como no-las trazem hoje.

Há 30 anos, o Ruanda estava em plena guerra civil. "O Ruanda e o Burundi são dois pequenos países africanos que viviam em permanente tensão desde a sua independência, na década de 50. Essa tensão decorria precisamente do conflito entre a maioria Hutu e a minoria Tutsi." 

"No Ruanda, as raízes desta hostilidade remontam ao período colonial." Esta região foi colonizada primeiro pela Alemanha mas, posteriormente, passou para a administração da Bélgica, que "favoreceu a rivalidade entre os dois grupos e promoveu a supremacia da minoria Tutsi." Já os Hutus, mesmo sendo 85% da população, não tinham acesso à mesma educação, nem às mesmas oportunidades que eram dadas aos Tutsis. A raiva contra os Tutsis cresceu e deu origem à segregação em vastos campos de refugiados que se perdiam de vista. O gatilho, já bastante tenso, foi puxado quando o avião onde seguia o presidente Hutu foi abatido e os rebeldes Tutsis considerados culpados pela sua morte.

O genocídio não se fez esperar. Milhares de pessoas foram mortas de forma bárbara. O exército Hutu fechava as estradas e entrava nas casas dizimando todos os que lá estivessem. Os homens da casa eram mortos e depois as mulheres e as adolescentes violadas e assassinadas em seguida. As casas eram saqueadas. Avançavam casa após casa, até não restar ninguém.

Estamos a falar em cerca de dez mil pessoas por dia. Ainda hoje, trinta anos depois, se continuam a descobrir as valas comuns onde jazem cadáveres destas vítimas. "Calcula-se que tenham morrido entre 800 mil a 1 milhão de pessoas durante este período de pouco mais de três meses, enquanto a guerra civil que se seguiu terá causado cerca de 2 milhões de refugiados."

A indignação na altura, não foi  apenas causada pelo horror das imagens dos massacres, mas sobretudo "pela passividade e indiferença das potências mundiais." O contingente militar que a "ONU colocou" no país, revelou-se impotente para travar os ataques! Não conseguiram "proteger as populações. Houve alertas e denúncias de que estava em marcha uma catástrofe humanitária no país, mas nada foi feito."

Durante aqueles dias, a população foi completamente dizimada e "nem os locais de culto serviam como sítios seguros." Há relatos de que "numa igreja na província de Gikondo, controlada pela ordem religiosa polaca dos palotinos, e onde estavam escondidas várias pessoas, cerca de 100 homens pertencentes às milícias ligadas aos hutus entraram no local e levaram a cabo um autêntico massacre."

Quinze dias depois dos ataques começarem, as Nações Unidas retiraram as suas tropas da região. "A França, tradicional aliada dos Hutus, foi posteriormente acusada de ter tido conhecimento dos planos genocidas das elites Hutus e de não ter tomado nenhuma ação. As organizações de defesa dos direitos humanos denunciaram igualmente a hipocrisia e a insensibilidade da comunidade internacional, por se tratar de uma região remota, longe dos centros de poder mundiais."

O massacre, esse só terminou cem dias depois, quando os rebeldes da Frente Patriótica do Ruanda conquistaram a capital. O seu comandante ainda é hoje, o presidente da República do Ruanda. 

Fontes:

https://ensina.rtp.pt/artigo/o-genocidio-no-ruanda/

CNN Portugal 07/04/2024: reportagem sobre os 30 anos do genocídio do Ruanda, transmitido no Jornal CNN Domingo;

 

03/04/2024

Eua em alerta... devido a ataque de Israel à embaixada do Irão

Na segunda-feira, Israel bombardeou um edifício contíguo à embaixada do Irão, em Damasco, na Síria, o que faz com que os EUA, estejam agora em alerto, com receio de um "ataque do Irão contra ativos israelitas ou norte-americanos no Médio Oriente." Este foi apenas mais um de vários ataques. Já em fevereiro, um ataque com mísseis atingiu um edifício de 10 andares "num bairro que concentra edifícios residenciais, escolas e centros culturais iranianos, e fica perto de um grande complexo dos serviços secretos."

A região está em ebulição, o que pode levar a qualquer momento a um alargamento do conflito. Eu acho que é cada vez mais importante tentarmos compreender o que é que este clima de tensão pode vir a trazer e, para o fazermos, é preciso olharmos para a história do Médio Oriente e da sua relação tanto com os EUA como com a Europa. Acho que é preciso compreendermos quem apoia quem (e porquê) bem como quais podem ser as consequências diretas e indiretas desse apoio. O apoio dos EUA a Israel pode levar a que outros países que também pertencem à NATO venham a ser atingidos, pelos estados que se revelam opositores a Netanyau. Por outro lado, o apoio de alguns países - tal como é o caso de Portugal - à população palestiniana, pode ter também consequências graves.

Neste ataque, perderam a vida 16 pessoas, entre as quais poderá estar "um comandante militar iraniano," que pertencia à "Força Quds, o braço paramilitar de elite da Guarda Revolucionária, responsável pelo relacionamento com governos e grupos aliados" de Teerão.

O "chefe do movimento xiita libanês Hezbollah, Hassan Nasrallah," já veio dizer que a resposta do Irão será "inevitável" sem, no entanto, dizer, onde, como e quando esta irá acontecer. Devemos lembrar que, desde o ataque de 7 de outubro, que "o Hezbollah e Israel" se atacam recíprocamente, em particular  "nas regiões fronteiriças entre os dois países." Estes ataques "já provocaram centenas de mortos, na maioria combatentes do Hezbollah e civis libaneses," aumentando "os receios sobre uma extensão do conflito."

São estes receios fundamentados?

Fontes:

https://www.dn.pt/6007382124/estados-unidos-em-alerta-maximo-para-um-eventual-ataque-do-irao/

https://www.dn.pt/6986719600/chefe-do-hezbollah-libanes-considera-inevitavel-resposta-do-irao-a-ataque-israelita-na-siria/

https://pt.euronews.com/2024/02/21/israel-lanca-ataque-contra-damasco-e-faz-dois-mortos

10/12/2023

Dia Internacional dos Direitos Humanos

Assinalando o Dia Internacional dos Direitos Humanos, podemos começar por olhar à nossa volta e, basta isso, para percebermos que ainda há muito caminho a palmilhar. E já passaram setenta e cinco anos desde que a "comunidade internacional concordou com um conjunto de valores e reconheceu que os direitos são inerentes a todos os seres humanos e não concedidos, ou retirados, por um determinado Estado." Ou pelo menos, assim terá sido para um grupo desta comunidade.


"Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da humanidade e que o advento de um mundo em que mulheres e homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade..." 


No seu preâmbulo a Carta Internacional dos Direitos Humanos reflete desde logo a sua origem e encaminha-nos para o seu objetivo fundamental. Criada no período pós Segunda Guerra Mundial, esta Declaração não deixa desde logo de indicar que o primeiro caminho é o da educação, afirmando-se "por meio do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Países-Membros quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição."


Ontem estive num workshop dinamizado na biblioteca do Seixal através da Pirilampos Ed. no qual debatemos sobre a aplicação dos Direitos no nosso dia-a-dia. E ficou-me uma palavra: Utopia! No seu primeiro artigo, que diz que "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos", está todo o resumo da Declaração, mas é preciso depois mais 29 artigos para que se entenda como é que afinal, todos somos iguais à nascença... porque não o somos na realidade... 


O país onde nascemos, pode tornar-nos menos iguais, menos livres, com menos direitos. O sexo com que nascemos torna-nos em tantas circunstâncias menos capazes ao olhar dos outros, menos merecedores. E isto é a realidade para muitos meninos e meninas que não sentem que, passados 75 anos, estejam a ser salvaguardados os seus Direitos e que irão crescer sem se sentirem em tudo iguais.


Reconhecer a Carta dos Direitos Humanos é dar-lhe uma aplicação prática, eficiente e integrada na sociedade, mas só podemos aplicá-la na globalidade quando a conhecermos ao pormenor e formos capazes de a interpretar tendo por base os princípios da universalidade, inaliabilidade, indivisibilidade e interdependência. 


A ONU define os direitos humanos como “garantias jurídicas universais que protegem indivíduos e grupos contra ações ou omissões dos governos que atentem contra a dignidade humana”.


Os direitos humanos devem ser "garantidos internacionalmente, juridicamente protegidos". Devem-se centrar "na dignidade do ser humano", "não podem ser suprimidos nem negados e são iguais e interdependentes: isto é, nenhum deles é mais importante do que os demais e o gozo de qualquer um afeta o gozo dos restantes (por exemplo, é pouco provável que alguém com fome – vítima de violação do direito humano a uma alimentação adequada – consiga exercer a sua liberdade de expressão em igualdade de condições com alguém que não passe fome)."


A Carta dos Direitos Humanos tem, visível para quem a quiser e souber interpretar, a exigência de que se cumpram deveres para com os outros, para com o próximo, para com a sociedade. Inalienável de todos os meus direitos, estão os meus deveres como cidadã e isso tem de estar intrínseco nas minhas ações. Nas palavras de Eleanor Roosevelt, “a liberdade faz uma exigência enorme a cada ser humano. Com a liberdade vem a responsabilidade. Para a pessoa que está relutante em crescer, para a pessoa que não quer carregar o seu próprio fardo, esta é uma perspectiva assustadora.” 


Uma das personalidades que por vezes esquecemos foi Eleanor Roosevelt. Nos anos 40 do século passado, Eleanor "apoiou a criação da Organização das Nações Unidas (ONU)". Em 1943, ela criou a United Nations Association of the United States of America que deu suporte à criação da ONU. "Foi diplomata e embaixadora dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas entre 1945 e 1952, por nomeação do presidente Harry Truman", tendo presidido à "comissão que elaborou e aprovou a Declaração Universal dos Direitos Humanos." 


Celebra-se este ano precisamente a passagem dos 75 anos sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos. "Os 30 artigos da Declaração transcendem valores, culturas e fronteiras, sistematizando um conjunto de direitos universais, indivisíveis e inalienáveis, reconhecendo a igual dignidade e valor de cada pessoa."


A Utopia está também na sua aplicação à luz das visões político-económicas que hoje estão em vigor e que exigem a sua atualização constante. António Guterres, atual Secretário-geral das Nações Unidas, alertou hoje no seu discurso sobre a celebração dos 75 anos da Declaração, para "a crescente ameaça que a desigualdade, o autoritarismo e os conflitos armados representam para os direitos e liberdades da população do planeta."


Não posso deixar de referir, a existência de outros importantes Convenções e Tratados, dos quais a "nível regional europeu, o tratado mais conhecido será porventura a Convenção Europeia dos Direitos Humanos, cuja violação é suscetível de dar lugar a queixa para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos".


Além de Portugal, sabe quais foram os países que subscreveram a Carta?


Olhar para a lista, faz-me pensar que alguns só assinaram para "parecer bem", pois na prática... nada foi feito nesse sentido.


Fontes:


https://www.presidencia.pt/atualidade/toda-a-atualidade/2023/12/dia-internacional-dos-direitos-humanos/


https://pt.wikipedia.org/wiki/Eleanor_Roosevelt


https://www.unicef.org/brazil/declaracao-universal-dos-direitos-humanos


https://www.cmjornal.pt/sociedade/detalhe/onu-alerta-para-crescente-ameaca-da-desigualdade-no-aniversario-dos-direitos-humanos


https://gddc.ministeriopublico.pt/pagina/o-que-sao-os-direitos-humanos


 

08/11/2023

A liberdade das palavras e a situação em Gaza

E hoje regresso às palavras do secretário-geral da ONU, António Guterres, que ao contrário do que muitos queriam, não foi afastado do seu cargo e que afirma que o número de civis mortos na Faixa de Gaza mostra que há algo "claramente errado" com as operações militares de Israel contra o Hamas. Os números assustadores são do próprio grupo terrorista e por isso, não sabemos se é o verdadeiro número de vítimas ou se foi empolado, mas quando pensamos em quase 10 mil mortos, torna-se claramente assustador. Há registo também de mais de 32 mil feridos, de acordo com informações do Ministério da Saúde de Gaza, que afirma também que de todos os mortos, quase quatro mil serão crianças. Não se esqueçam aqui os cerca de 1400 mortos em Israel há um mês.

Além disso, milhares tentam fugir do norte de Gaza para o sul, mas são impossibilitados! Israel sabe que o Hamas os usa como escudos humanos! E continua a atacá-los! Sabe bem que os membros do Hamas, na sua maioria está protegido e que quem está a sofrer é a população civil. Mata um comandante, por cada mil civis assassinados? 

Foram milhares os palestinianos que obedeceram às ordens militares israelitas e fugiram a pé para o sul de Gaza na quarta-feira, durante uma janela de quatro horas para evacuação. Milhares de pessoas percorreram a principal autoestrada- Salah al-Din - apenas com o que podiam carregar nos braços. Alguns levavam panos brancos, improvisando bandeiras de forma a se identificarem... o que pensariam aquelas pessoas enquanto caminhavam, que sentido tem a sua vida nestes dias?

Em colaboração com os Estados Unidos, o governo do Qatar tenta mediar com o Hamas a libertação de alguns dos reféns que mantém desde 7 de outubro, em troca de Benjamin Netanyahu permitir uma pausa humanitária em Gaza.

Ontem, o governo de Israel afirmou ter invadido a cidade de Gaza por terra e identificado o bunker onde está o líder do Hamas (Yahya Sinwar, considerado como o número 2 do grupo). Numa emissão da televisão israelita, Yoav Gallant (ministro da defesa), declarou rejeitar qualquer ideia de cessar-fogo, e que as Forças de Defesa de Israel estão “no coração” da cidade de Gaza.

Yahya Sinwar, fundou o grupo Izzedine al-Qassam Brigades, considerado um braço armado do Hamas. Entre as ações que com ele estão relacionadas, estão vários ataques suicidas e o lançamento de mísseis contra Israel. O líder do Hamas passou mais de 20 anos preso em Israel, após ser condenado a quatro penas perpétuas na década de 1980. Entre os crimes pelos quais foi condenado estão acusações de homicídio e de rapto. A sua liberdade foi conseguida quando o Hamas negociou a libertação de um soldado israelita (Gilad Shalit). Em troca deste combatente, Israel abriu mão de mais de mil prisioneiros palestinianos, entre os quais estariam membros do grupo terrorista Hamas.

Já no passado dia 3 deste mês, foi anunciada por Israel a morte de Mustafa Dalul, um outro comandante do grupo Hamas, pertencente ao batalhão de Sabra Tel al-Hawa. A informação foi confirmada pela Força de Defesa de Israel (IDF) e pelo Serviço de Segurança (Shin Bet) do país, na manhã da passada sexta-feira.


Fontes:

https://pt.euronews.com/2023/11/08/milhares-de-palestinianos-caminham-em-direcao-ao-sul-da-faixa-de-gaza?dicbo=v2-yzysMeA

https://www.metropoles.com/mundo/israel-afirma-ter-identificado-esconderijo-de-lider-do-hamas-em-gaza

https://www.metropoles.com/mundo/comandante-hamas-morto-israel

25/10/2023

O que dizem das palavras de Guterres

Antes de começar, não é este um post em defesa de quem quer que seja. Sou muito pragmática. Não defendo nenhuma guerra e muito menos quando se usa a "desculpa" esfarrapada de que uma qualquer entidade atribuiu o quê a quem quer que seja. Ainda estou numa fase de incompreensão perante tamanha barbárie que se está a passar. Sou completamente contra este conflito e acho que isto tem de acabar. Apetece dizer para pegarem numa régua e dividirem a meio aquilo tudo, metade para a direita metade para a esquerda! No meio disto tudo, ninguém tem razão. Não há nenhuma razão, nenhum motivo para matar inocentes. Nem de um lado, nem do outro!

Mas hoje resolvi também vir falar das palavras de um português. Um homem que agora está a ser posto em causa por aquilo que disse - meus caros, ele é cidadão português e nós somos livres de dizer e escrever as nossas opiniões - e não estou com isto a dizer que concordo com ele. As afirmações que fez no Conselho de Segurança da ONU não foram felizes. Esteve mal, mas quem o condena agora, não está melhor.

Antes da reunião do Conselho de Segurança, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, condenou os atos "de terror" e "sem precedentes" perpetrados pelo Hamas a 7 de outubro, salientando que "nada pode justificar o assassínio, o ataque e o rapto deliberados de civis". No entanto, durante o seu discurso, Guterres acabou por afirmar que seria "importante reconhecer" que os ataques do grupo "não aconteceram do nada", frisando que o povo palestiniano "foi sujeito a 56 anos de ocupação sufocante". Estas palavras não agradaram o embaixador Gilad Erdan, que pediu a António Guterres que se demitisse "imediatamente".

Palavras mal medidas, mal ponderadas, mas que consigo de certa forma compreender no sentido em que tantas vezes as emoções estão à "flor da pele" e nos impedem de pensar de forma mais pragmática. Imagens desoladoras, trágicas e desconcertantes tinham precedido este discurso e sem aquele filtro a que seria obrigado, Guterres deixou escapar o seu lado mais humano e menos ponderado. Por vezes, temos momentos assim - quem nunca? A sua posição porém é diferente da "nossa". A ele, não são perdoados escapes de língua, desabafos e, nem tão pouco, tentativas de justificação de algo injustificável.

Em consequência porém das palavras que Guterres proferiu, Israel começou logo por bloquear vistos a funcionários da ONU. Gilad Erdan anunciou que foi já recusado o visto de entrada em Israel ao subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários. As palavras que fizeram Israel reagir, talvez tenham sido uma espécie de contextualização dos ataques, em que Guterres diz que "o povo palestiniano tem estado sujeito a 56 anos de ocupação sufocante." Nas palavras do secretário-geral, que penso não venham legitimar os ataques, mas vêm em defesa da Palestina como povo e de como acabaram por ter de "aceitar" a sua situação com o Hamas, acrescentou ainda que os palestinianos viram "as suas terras serem constantemente devoradas por colonatos e assoladas pela violência, a sua economia sufocada, o seu povo deslocado e as suas casas demolidas." Acrescentou que a esperança "numa solução política para a sua situação têm vindo a desaparecer". 

Por vezes, é preciso medir as palavras e ponderar a capacidade de aceitação de quem as escuta. Nem sempre estão todos os ouvintes no momento certo para compreender o que se afirma, outras vezes o que quer ser transmitido como mensagem tem o efeito contrário à intenção pretendida. Fossem quais fossem as palavras transmitidas nesse dia, e nos que se seguem, serão sempre uma ofensa para Israel se defendem a Palestina e uma ofensa para a Palestina se legitimarem Israel. O entendimento neste caso são duas paredes de betão, cujo único ponto em comum é se reprimirem e afastarem mutuamente.

Aproveitando esta situação, Eli Cohen, cancelou uma reunião agendada com Guterres (não seria uma oportunidade de se confrontar e explicar o seu ponto de vista?)mas prefere Israel dizer com todas as letras que "é tempo de ensinar uma lição" à ONU, insistindo na demissão do secretário-geral da organização.

Guterres recusa ter justificado os atos de terror do Hamas, mas os protestos de Israel encontraram eco em vários membros dos governos britânico e italiano, que já vieram a público dizer que discordam dos comentários do Secretário-Geral da ONU sobre Israel e as alegadas violações dos direitos humanos.

Acusando a ONU, desde sempre - não é de agora e nem foram as palavras do seu secretário-geral a despoletar esta opinião - de estar contra Israel, afirmou Erdan que "a partir de agora, todos os dias em que ele estiver neste edifício, a não ser que peça desculpa imediatamente, não há justificação para a existência deste edifício. Este edifício foi criado para evitar atrocidades." Será uma ameaça à própria ONU e aos seus funcionários? Matar a população, sem qualquer limite nem consciência, fazendo com os seus ataques mais mortes do que contra os seus foram cometidos, pior do que "olho por olho, dente por dente", é aceitável para um homem que representa um país? É aceitável pelos seus? Nós não concordamos com muito do que se passa pelo mundo e não saíamos por aí a lançar bombas a torto e a direito! 

Fontes:

https://cnnportugal.iol.pt/onu/nacoes-unidas/demonstra-compreensao-pela-campanha-de-homicidio-em-massa-de-criancas-mulheres-e-idosos-embaixadores-de-israel-na-onu-e-em-portugal-acusam-guterres-de-nao-estar-apto-para-liderar/20231024/65381014d34e371fc0b914e8

https://pt.euronews.com/2023/10/25/israel-abre-guerra-a-onu-pelas-criticas-de-guterres

 

17/10/2023

As migrações ao longo da História

As migrações acompanham o Homem desde antes mesmo do conceito de História. Atualmente, as rotas do Mediterrâneo continuam a ser usadas como caminhos de fuga a conflitos e são, para milhares de pessoas, a única esperança de sobrevivência. No Observador podemos ler que o "fluxo de migrantes no Mediterrâneo Central quadruplicou este ano, um aumento de 376% face ao ano passado, devido nomeadamente à chegada às costas italianas, que já recebeu 91 mil pessoas em 2023." O ano ainda não terminou e por isso os números ainda são mais preocupantes, tendo em conta que neste momento existem vários conflitos ativos que podem propiciar novas fugas.


Na pré-históricas, as migrações ocorreram por diversos fatores: busca de melhores condições, caçadas de grandes manadas, guerras, embora estivessem mais frequentemente relacionadas com mudanças climáticas. As migrações pré-históricas do Homo Sapiens terão começado a partir do continente africano há 70 mil anos e foram-se movimentando para a atual Europa e Ásia, seguindo para a América do Norte. Sabe-se também que há cerca de 70.000 anos, os nativos australianos foram o primeiro grupo a separar-se de outros agrupamentos humanos modernos, o que vem desafiar a teoria do estágio único da migração a partir do continente africano.


Pelos estudos efetuados, foi possível perceber que outros grupos seguiram diretamente para a Ásia em pequenas embarcações à cerca de 50 mil anos atrás, alcançando as ilhas menores do Oceano Pacífico e o atual território da Austrália. Devido às suas baixas temperaturas, o continente antártico não apresenta qualquer registo de ocupação humana.


Atualmente, atravessar o Mar Mediterrâneo é a principal forma que muito migrantes têm para entrar na Europa, onde ficam clandestinamente ou pedem asilo, consoante os países da União Europeia onde conseguem entrar, após passarem dias no mar com risco da sua própria vida. São aos milhares aqueles que acabam por morrer de doenças, de frio, ou afogados. A maioria que o arrisca, fá-lo porque nos seus locais de origem, já não há condições de vida e o medo acaba por ser superado, muitas vezes apenas com o intuito de encontrarem um sítio onde possam ficar sem ser perseguidos e onde consigam, pelo menos, alimentar os filhos.


Terão os países de destino condições para os receber?Ou quererão fazê-lo? Em que condições?


"A ilha de Lampedusa, o território italiano mais próximo da costa africana, continua a ser o principal ponto de chegada dos pequenos barcos com migrantes, tendo recebido mais de 90.000 pessoas entre o início do ano e meio de outubro, o que representa 70% de todas as chegadas de migrantes este ano." Na Sicília e na Itália continental, os migrantes de Lampedusa são acomodados em centros de acolhimento, onde são registados. Mas as condições por muito que se queira são degradantes. A maioria destas pessoas pretende seguir viagem para o norte, até países como Alemanha, França ou Áustria. "Os centros de acolhimento não são fechados e os migrantes podem deixar o local por conta própria." no entanto, as fronteiras começam-se a apertar. De facto, a "França voltou a reforçar" o controlo nas suas fronteiras com a vizinha Itália e a "Áustria fez o mesmo" na sua fronteira sul. No caso da Alemanha, este país estabeleceu novamente os seus controlos fronteiriços entre o estado da Baviera e o território austríaco.


No último mês, a Alemanha e a França acabaram por suspender "por completo o acolhimento voluntário de migrantes vindos da Itália. Em 2022, 3.500 foram transferidos do país mediterrâneo para outras nações da UE." O Secretário-geral da ONU afirmou que "o fluxo inclui quem migra por questões económicas", admitindo que deve "ser possível identificar quem merece o status de refugiado, observando o respeito aos direitos humanos."


Fontes:


https://www.infoescola.com/historia/migracoes-pre-historicas/


https://observador.pt/2023/10/17/fluxo-de-migrantes-no-mediterraneo-central-aumenta-376-este-ano/


https://www.dw.com/pt-br/lampedusa-a-ilha-italiana-no-centro-da-crise-migrat%C3%B3ria/a-66826153


 

21/06/2023

Bem vindo verão

A primavera deixa-nos, dando lugar ao verão.

O solstício de verão, que marca o início astronómico de uma nova estação, ocorre no hemisfério norte, quando o polo sul se encontra mais inclinado na direção do Sol onde tem uma maior exposição à luz do dia. E assim temos o dia mais longo do ano. O oposto acontece no hemisfério sul, ou seja, é o dia com menos luz solar e corresponde ao solstício de inverno. 

Desde a pré-história, o solstício de verão é visto como uma época significativa do ano em muitas culturas e é marcado por festivais e rituais. 

Ao longo da história da humanidade, tornou-se uma data marcante, carregada de simbolismo e celebrada desde tempos imemoriais. Os ritos pagãos, que ligam este dia à renovação da natureza, ao sol, à fertilidade e aos ciclos das colheitas, foram mais tarde incorporados pelo cristianismo. As celebrações dos santos vieram apenas, em muitos países, dar um novo nome a festas ancestrais. Em Portugal, os Santos Populares não são mais do que a junção dos rituais pagãos à fé nos santos do cristianismo. Saltar a fogueira, lançar balões de papel iluminados, o alho-porro e o manjerico são tudo exemplos dessa origem pagã das festas de junho, que marcam o início da estação das colheitas.

Há monumentos que indicam que já na pré-história o solstício de verão era um fenómeno astronómico conhecido, como é o caso de Stonehenge, em Inglaterra. Quem está no centro do monumento megalítico, no dia do solstício, pode contemplar o nascer do Sol sobre Heel Stone, um megalito que se ergue no exterior do círculo principal.

O monumento permitia, três mil anos antes de Cristo, determinar datas significativas, como os solstícios. As pirâmides do Egito são outro exemplo de monumento que revela noções antigas de astronomia: as Grandes Pirâmides foram construídas de forma que o Sol se ponha exatamente entre duas das pirâmides, no solstício de verão, quando visto a partir da Grande Esfinge de Gizé.

Atualmente, ONU celebra a 21 de junho o Dia Internacional do Solstício. Conhecido como a incorporação da unidade de culturas e tradições centenárias. Este dia foi criado pela Assembleia Geral da ONU como uma forma de fortalecer os laços entre os povos com base no respeito mútuo e em ideais de paz e de boa vizinhança.

A cultura é um conjunto de características emocionais, intelectuais, materiais e espirituais da sociedade e de grupos sociais. Abrange a arte, a literatura, estilos de vida e formas de convivência, assim como sistemas de valores, tradições e crenças.


Solstício de verão, hoje dia 21 de Junho celebra-se o dia mais longo do ano


Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Solst%C3%ADcio_de_ver%C3%A3o

https://www.noticiasaominuto.com/tech/2345700/hoje-e-dia-de-solsticio-e-a-chegada-oficial-do-verao

https://news.un.org/pt/story/2021/06/1754182

https://myplanet.pt/solsticio-de-verao/

(imagem) = https://surftotal.com/noticias/nacionais/item/23395-solsticio-de-verao-hoje-dia-21-de-junho-celebra-se-o-dia-mais-longo-do-ano

 


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...