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04/03/2022

Infância 2020

Pensemos hoje nas nossas crianças. As crianças 2020. 

Será que vão crescer crianças mais fortes, mais realistas, humanos e tolerantes, ou será que ao lhes matarmos a inocência tão cedo as vamos fazer adultos mais amargurados, desumanos e intolerantes? Tiveram de aprender a lidar com uns bichinhos que ninguém vê mas que afastam os pais dos filhos, obrigam a ficar em casa sem os amigos. Aprenderam cedo a usar as tecnologias para assistir a uma aula que devia ser de olhar fixo no professor e não numa tela de uma videoconferência. Aprenderam que os fins de semana são mais seguros em casa a ver desenhos na televisão ou a jogar contra os primos pelo tablet, do que a correr no parque e a cair de uma pereira doce.

As nossas crianças que aprenderam e nos ensinaram que lavar as mãos e não dar beijos era importante, que usar máscara evitava que ficassem doentes e que as vacinas salvam a vida de milhares, têm de aprender agora que as balas e os mísseis matam crianças a leste, que as mães choram agarradas nos seus filhos sem saber onde vão, os pais se despedem sabendo que não se voltarão a ver. Não os podemos guardar num casulo fechado em que só entram balões, unicórnios e beijinhos, pois não? 

As nossas crianças são seres fantásticos! Juntam-se e querem enviar comida e brinquedos para os outros meninos que fogem da guerra. Aprenderam que o vírus se espalha, mas que o amor se pode espalhar ainda mais e têm esperança que esse amor pelo outro vença as diferenças.

Mas quem serão estas nossas crianças no futuro? Que papel terão neste mundo que estamos a moldar para eles e que vão herdar de nós? 

03/03/2022

Dois anos de pandemia

Acordamos agora sem que a primeira manchete seja o Covid, a pandemia, os mortos... ah sim, afinal acordamos com mortos mas estes não são da pandemia que durante dois anos assolou o país, a Europa e o resto do mundo, agora os mortos são Ucranianos e Russos, famílias desfeitas de um dia para o outro. Acordamos agora com preços a subir, quando deveriam estar a descer. Acordamos solidários com um povo em fuga, sem sabermos se ou quando vamos ser nós a precisar de ajuda.


A vida é estranha e ensina-nos que não devemos dar nada como garantido. De que vale uma boa casa, um grande carro se podemos perder tudo de um dia para o outro com um missil? 


Dois anos passados do início da pandemia, Portugal deveria estar agora a dar os primeiros passos para que tudo voltasse ao normal mas sem nos deixarem sequer respirar atiram-nos direto mais para o fundo de um buraco do qual não sabemos quando vamos emergir. 


Temos a sorte de viver num país em paz, em que estamos a vencer a batalha contra o Covid, mas que ainda não se vai recompor tão cedo das duras provações a que fomos sujeitos nos últimos dois anos. Porque não nos permitem que respiremos, sem sombras na nossa mente que nos ofusquem os sonhos?

25/12/2021

Natal em tempos de Covid

O Natal este ano não foi igual. 


Em muita casas festejou-se com menos gente. É o segundo Natal que estamos a passar em pandemia e por isso já estamos muito mais cientes dos riscos e da prevenção necessária, mas também muito mais cansados de estarmos afastados uns dos outros. Tenho a sorte de ter uma família que me recebe a mim e ao meu filho de uma forma sempre maravilhosa e que nos faz sentir parte de algo. Este ano, apesar de todas as indicações que nos fizeram chegar através dos meios de comunicação social, nós voltamos a estar juntos, mais uma vez, após meses e meses de estarmos fechados em casa e de não sabermos quando ou se nos ia este vírus atingir e tirar a vida.


Achamos que os riscos que estavamos a tomar, podiam ser colmatados com algumas precauções. Alguns de nós fazem testes frequentes no local de trabalho, tentamos usar máscaras em casa exceto na hora de comer e as janelas estiveram quase sempre abertas. Sempre que podíamos, vínhamos para a rua ou para a cozinha que, nesta casa, é ampla e arejada. Mas eu não me senti bem. De certa forma acabei por me sentir arrependida de ter ido, passei o almoço com medo que, a qualquer momento, pudesse ficar contagiada e deitasse abaixo todos os cuidados tidos até aqui.


As crianças estiveram felizes, trocamos presentes, conversamos uns com os outros. Algumas das conversas iam dar aos cuidados a ter com esta pandemia, aos culpados, às nossas opiniões que tantas vezes eram diferentes. Aos exageros que uns acham e outros como eu, acham ser apenas cuidados necessários. 


O Natal devia ter sido diferente, mas para nós foi mais um Natal de união, de partilha e de fartura. Muita comida, música, brinquedos, presentes, risos e as normais discussões caraterísticas e familiares que depois nos unem ainda mais. Que o próximo Natal seja assim, mas da próxima vez sem o medo de ficarmos doentes.


Difícil, para muitas famílias, com familiares internados, com a morte a pairar a cada momento como uma espada por cima da suas cabeças. Com lugares vazios na mesa... 


Para mim o Natal já tem a incerteza do próximo ano e por isso talvez o meu nervosismo hoje. Acabei por entrar de baixa devido às dores que têm agravado na coluna por andar todo o dia a conduzir de um lado para o outro. Decidi que se não pusessem a trabalhar em sala, que iria procurar outro trabalho. Sei que vai ser difícil, mas não será impossível e o meu foco agora é esse. Sei que tenho de lutar pelo que quero na minha vida, mas sinto que me falta uma rede de apoio, que me ampare se eu cair. Essa rede, que está na família (e especialmente em alguns membros) não é para mim a solução visível pelo simples facto que não quero sobrecarregar ninguém, porque não quero ser mais um fardo e porque já me chega não os poder seu eu a ajudar e não o contrário.


Dentro do possível, espero que tenham tido um bom natal.

20/12/2021

Dias cinzentos

Os nossos dias continuam cinzentos e o problema não é da chuva que, finalmente, veio dar um ar da sua graça. O covid continua a limitar as nossas vidas. Obrigatoriedades e limitações que condicionam os empregos, os encontros familiares e as nossas vidas sociais.


Vacinados, estamos em crer que não é suficiente, mas que nos dá um certo sentimento de segurança, sentimento este que nos conduz a facilitar, a tirar a máscara mais vezes, a não ser tão cuidadosos. Quase dois anos depois, acho que não estou a conseguir aguentar mais. Estar em casa, por motivo de incapacidade por causa da minha coluna e da fibromialgia, limita é certo os meus contatos. Mas tive de ir já tratar de colocar em casa comida suficiente para os próximos dias, antecipar as prendas e ajustar o Natal em conjunto com a minha família. E são estas idas à loja, ao supermercado, que são essenciais mas que podem ser um foco de contágio.


Cada vez mais, o teletrabalho é e será o melhor para mim, por forma a limitar os tempos de contato com outras pessoas, ao mesmo tempo que evito andar muito tempo a conduzir. Por outro lado, ajuda-me a criar horários próprios de trabalho, ajustados ao meu corpo e aos momentos em que me sinta capaz de o fazer. E é por isso que tenho feito tudo ao meu alcance para alcançar essa situação.


 

01/07/2021

Afetações e limitações de circulação

Os casos estão a aumentar muito no Seixal e em Sesimbra. Infelizmente, estas regiões têm sido notícia quase todos os dias, expondo-se as nossas gentes ao olhar inquiridor e maldoso de tanta gente.


Hoje em comunicado do Conselho de Ministros, Seixal e Sesimbra são aplicadas as medidas de Risco muito elevado, o que significa entre outras coisas que voltamos a estar confinados das 23h00m às 05h00m. Todas estas medidas são necessárias, embora me incomodem a mim como incomodam muita gente.


A minha vida pessoal não devia estar dependente das medidas anunciadas nas notícias, mas está. Preciso saber diariamente o que se espera de mim, dos meus comportamentos, para saber até onde posso levar as minhas liberdades. Se saio, se vou, se não vou... 


Mas eu tento cumprir as medidas, sempre, pensando em mim e nos outros. Não me sinto com medo, mas acho que se não cumprirmos, não estamos a respeitar o trabalho duro das equipas hospitalares. É tão difícil o seu trabalho.


 


Fontes:


https://www.portugal.gov.pt/pt/gc22/governo/comunicado-de-conselho-de-ministros?i=429

26/06/2021

A luta não termina

Tem sido difícil passar com distinção por este maldito vírus, cumprindo tudo o que nos é imposto mais pela vontade de ajudar e ser parte da solução, do que por medidas e regras que na prática nem todos cumprem.


Esta semana, a turma do meu filho foi colocada em isolamento porque houve um caso positivo. Sou sincera quando afirmo que há muito aguardava que isto acontecesse e que se tivessem passado tantos meses até ao primeiro caso positivo. Aconteceu e ninguém teve culpa, nenhum de nós estava livre (ou está) de contrair e transmitir o vírus.


Estamos na reta final para acabar o ano letivo. Quando falta tão pouco, parece que a sensação é de uma injustiça ainda maior.  O sentimento é de apoio, de compreensão e de ajuda na tentativa de manter todas as crianças bem, naquilo que nos for possível, para que ainda possam regressar daqui a uns dias e se depedirem uns dos outros antes das férias de verão.


No próprio dia, assim que soube, fui comprar dois daqueles testes rápidos da farmácia e hoje o resultado do teste "oficial" confirmou que ele está negativo, e isso traz-nos esperança.


Principalmente, psicologicamente, está-me a afetar como mãe, pondo-me no lugar da mãe da criança que testou positivo. Se estou aflita com o meu e ele está otimo, como estará aquela família?


Eu estou a passar por isto com receio. Receio porque tenho de faltar a um trabalho que ainda há tão pouco tempo consegui, aflita de cada vez que penso que passados uns dias a comida vai começar a acabar e terei de sair de casa ou pedir a alguém que o faça por mim (posso, mas não me sinto confortável em o fazer, é um sentimento estranho, algo que me aprisiona e que não sei explicar).

01/05/2021

A importância do 1º de Maio

No ano passado, as restrições limitavam os ajuntamentos populares, mas isso não impediu a concentração de manifestantes em vários pontos do país. Este ano, também não foi exceção.

Mas o que se comemora e que importância damos a este feriado?

Nesta data assinala-se o Dia Internacional do Trabalhador e destacam-se, não só as conquistas no campo dos direitos dos trabalhadores, como se pretende também sensibilizar para a falta de condições de trabalho que ainda se verificam por todo o mundo. É, por isso, um dia para todos os que defendem uma sociedade mais justa e solidária.

Este dia tem origem na histórica greve geral de Chicago, ocorrida a 1 de maio de 1886, na qual foram reivindicadas melhores condições de trabalho, principalmente a redução da jornada de trabalho diária, que chegava a 17 horas, para oito horas. Em Chicago, a greve atingiu várias empresas. No dia 3 de maio, durante uma manifestação, grevistas da fábrica McCormick saíram em perseguição dos indivíduos contratados pela empresa para furar a greve. São recebidos pelos detetives da agência Pinkerton e policias armados de espingardas. O confronto resultou em três trabalhadores mortos.

No dia seguinte, realizou-se uma marcha de protesto e, à noite, após a multidão se ter dispersado na Haymarket Square, restaram cerca de duzentos manifestantes e o mesmo número de policias. Foi quando uma bomba explodiu perto dos policias, matando um deles. Sete outros foram mortos no confronto que se seguiu.

Em consequência desses eventos, os sindicalistas anarquistas Albert Parsons, Adolph Fischer, George Engel, August Spies e Louis Lingg, foram condenados à forca, apesar da inexistência de provas. Louis Lingg cometeu suicídio na prisão, ingerindo uma cápsula explosiva. Os outros quatro foram enforcados em 11 de novembro de 1887, dia que ficou conhecido como Black Friday. Três outros foram condenados à prisão perpétua.

Em 1893, eles foram considerados inocentes e reabilitados pelo governador de Illinois, que confirmou ter sido o chefe da polícia quem organizara tudo, inclusive encomendando o atentado para justificar a repressão que viria a seguir.

No dia 20 de junho de 1889, a segunda Internacional Socialista, reunida em Paris, decidiu convocar anualmente uma manifestação, com o objetivo de lutar pela jornada de 8 horas de trabalho. A data escolhida foi o primeiro dia de maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago.

Em 1 de maio de 1891, uma manifestação no norte de França foi dispersada pela polícia, resultando na morte de dez manifestantes. Esse novo drama serviu para reforçar o significado da data como um dia de luta dos trabalhadores. Meses depois, a Internacional Socialista de Bruxelas proclamou a data como dia internacional de reivindicação de condições laborais.

Na Europa, o «Dia do Trabalhador» é celebrado e, por norma, comemora-se a 1 de maio, data que pode variar de país para país. Em França, o governo diminuiu a carga horária de trabalho para as 8 horas, em 1919, e proclamou o dia 1 de maio como feriado.

Nos Estados Unidos e no Canadá celebra-se o Dia do Trabalho na primeira segunda-feira de setembro. Alega-se que esta escolha nos Estados Unidos foi feita para evitar associar a festa do trabalho com o movimento socialista, então com alguma relevância no país

Em Portugal, o feriado começou a ser assinalado logo em 1890. Todavia, as comemorações cessaram com o início do regime do Estado Novo. Posteriormente, o 1.º de maio voltou a ser festejado em maio de 1974, 8 dias após a Revolução dos Cravos. O Dia Mundial do Trabalhador é comemorado em todo o país, com manifestações, comícios e festas de carácter reivindicativo, promovidos pela central sindical CGTP-IN (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical) nas principais cidades de Lisboa e Porto, assim como pela central sindical UGT (União Geral dos Trabalhadores).

Este ano, o 1º de maio assinalou também a entrada em vigor de algumas das regras de desconfinamento em Portugal e em França, ocorreram confrontos entre manifestantes e forças da autoridade, resultando em 34 pessoas detidas em Paris e em 27 polícias feridos na cidade de Lyon.

Fontes:

https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-internacional-do-trabalhador-2021

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_do_Trabalhador

05/04/2021

Cheias em Timor e Indonésia provocam dezenas de mortos

Como se não bastasse a situação de pobreza que afeta esta zona do globo, Indonésia e Timor estão a ser afetados por fortes chuvadas. Em Timor, as cheias repentinas provocaram a morte a, pelo menos, 27 pessoas, embora tenham sido encetados esforços para evacuar a população das áreas mais afetadas. "Há ainda várias pessoas dadas como desaparecidas, algumas delas estarão soterradas na sequência de deslizamentos de terra." A capital, Dili, foi a zona mais afetada. Para complicar ainda mais a frágil situação que ali se vive, o país está a braços com um dos maiores surtos de Covid desde que a pandemia foi declarada. 


"As inundações afetaram várias estruturas usadas no combate à doença, como o Centro de Isolamento de Vera Cruz, onde estão três doentes considerados moderados e um doente grave, e que tiveram que ser realojados no Hospital de Lahane. Registaram-se ainda inundações no Laboratório Nacional e no centro de isolamento de Tasi Tolu, bem como no Serviço Autónomo de Medicamentos e Equipamentos de Saúde (SAMES), a farmácia central timorense."


Já na Indonésia, "o número de óbitos confirmados ultrapassa as sete dezenas mas há ainda muitos desaparecidos." Os estragos são incalculáveis, levando milhares de pessoas a procurar abrigo em centros de acolhimento. As equipas de resgate tentam ainda resgatar possíveis sobreviventes que tenham ficado presos nas infraestruturas, principalmente, na ilha das Flores, mas muitos podem estar soterrados na lama. "O dilúvio fez transbordar reservatórios de água e inundou milhares de casas, enquanto as equipas de resgate lutavam para prestar assistência às vítimas."




 



Fontes:


https://pt.euronews.com/2021/04/05/cheias-em-timor-leste-e-indonesia-provocam-dezenas-de-mortes


https://rr.sapo.pt/noticia/mundo/2021/04/04/o-maior-desastre-natural-em-timor-leste-cheias-ja-causaram-11-mortos/233114/


https://www.dnoticias.pt/2021/4/5/256613-pelo-menos-66-mortos-em-cheias-e-deslizamento-de-terras-na-indonesia/

03/03/2021

Maria José Valério

Hoje a cultura ficou mais pobre com a morte (pelas notícias que li terá sido mais uma vítima de Covid19) de Maria José Valério, que estaria internada desde 20 de Fevereiro no hospital de Santa Maria. A artista, cuja imagem de marca era a sua franja verde, notabilizou-se pela forte presença nos grandes palcos e, também, por ter sido a intérprete da "Marcha do Sporting". 


Maria José, nasceu a 6 de maio de 1933, na Amadora. 


Começou a cantar em 1950, no Liceu D. João de Castro, onde era colega da atriz Lurdes Norberto.


Frequentou o Curso de Direito mas a música era a sua paixão e com o apoio do seu tio, o maestro Frederico Valério, conseguiu passar nos testes necessários para começar a frequentar o Centro de Preparação de Artistas da Rádio, na então Emissora Nacional, ficando a fazer parte do elenco, com 17 anos apenas. Na verdade, este foi o ponto de partida de uma carreira que logo nos anos 50 viveu um período de grande sucesso, participando em vários espetáculos de variedades da mesma Emissora Nacional mas também nas emissões experimentais da RTP, feitas na Feira Popular, em Lisboa. 


Protagonizou outros êxitos como "Olha o Polícia Sinaleiro" e "As Carvoeiras". 


Também se destacou no cinema, com participação no filme "O Homem do Dia" (1958), de Henrique Campos e Teresita Miranda, protagonizado pelo ciclista Alves Barbosa.


Na década de 1960, foi eleita rainha da Rádio de Goa, território então sob administração portuguesa.


Em 1962, casou com o matador de touros José Trincheira, que marcou a atualidade da época, com transmissão em direto pela RTP. O casamento foi celebrado pelo então cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Cerejeira, na igreja do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, tendo o Papa mandado tocar os sinos em Roma, em sinal de bênção.


A artista gravou, em homenagem ao marido, do qual se veio a separar, o 'pasodoble' "Trincheira", no qual exalta as suas qualidades toureiras. O toureiro despediu-se das arenas em 1989.


Nos anos 90, participou na série televisiva "Um Solar Alfacinha" ao lado de Deolinda Rodrigues, Pedro Pinheiro, Carlos Cabral, Natalina José e Natália de Sousa, entre outros.


Em 2000, participou na série televisiva "Casa da Saudade", de autoria de Filipe la Féria, tendo contracenado com Carmen Dolores, Anita Guerreiro, Virgílio Teixeira, Raul Solnado, João d'Ávila, Helena Rocha e Artur Agostinho, entre outros.


Em 2004, recebeu a Medalha de Mérito da Cidade de Lisboa, grau ouro. Em maio de 2009, o município da Amadora inaugurou um centro cultural com o seu nome, na freguesia da Venteira.


Em 2017, liderou, com o cantor António Calvário, o espetáculo "Do musical à revista".


Maria José Valério internada após cair em casa e perder os sentidos


O seu repertório, dividido entre o fado e a canção ligeira, inclui temas como "Cantarinhas", "Fado da Solidão", "Expedicionário", "Um Dia", "Casa Sombria", "Deixa Andar", "Férias em Lisboa", "Longos Dias", "Lisboa, Menina Vaidosa", "Nunca Mais", muitos da dupla de autores Eduardo Damas e Manuel Paião, que assinam também a "Marcha do Sporting". Pouco tempo depois de se ter estreado na vida artística, Maria José Valério apresentou-se ao vivo numa festa do Sporting Clube de Portugal, o Clube do seu coração, realizada no Pavilhão dos Desportos (agora Pavilhão Carlos Lopes).


 


 


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Jos%C3%A9_Val%C3%A9rio


https://www.wikisporting.com/index.php?title=Maria_Jos%C3%A9_Val%C3%A9rio


 

22/02/2021

Um ano depois: ainda o bicho que nos destrói a vida

Há um ano, a Europa já sabia (parcialmente, é certo) da situação na China, mas não estava preparada para o que aí vinha. Em Portugal, ainda não tínhamos casos positivos, embora se começassem a testar casos suspeitos. 

Foi no último dia de 2019 que o gabinete da Organização Mundial de Saúde da China deu a notícia: mais de 20 pessoas foram diagnosticadas com uma pneumonia desconhecida em Wuhan, na província de Hubei, na China. No dia seguinte, foi encerrado um mercado da cidade. A suspeita vinha de lá. Todos os doentes tinham ligação ao local e os mesmos sintomas: febre, arrepios e dores no corpo. Dias depois, o número de casos subiu. A causa veio logo a seguir: um novo tipo de coronavírus. Sabe-se agora que é o SARS-CoV-2. Nos dias seguintes, o vírus alastrou para outras províncias chinesas e foram diagnosticados os primeiros casos fora da China. Primeiro na Tailândia, depois no Japão.

Segundo aquilo que a OMS apuraria depois, os primeiros casos na Europa registaram-se em Janeiro de 2020 em França, mas estudo posteriores demonstraram que o caso º 1 na Europa ocorreu na Alemanha. Itália, há um ano, debatia-se com o início da pandemia. Os casos começaram a aumentar substancialmente e a espalhar-se pelo resto da Europa. Ao mesmo tempo, nos EUA também se começa a assistir a um aumento do número de casos. O caos estava instalado e a partir daí, já todos sabemos o que aconteceu.

Em Portugal, a diretora-geral da Saúde falou pela primeira vez sobre o novo coronavírus a 15 de janeiro, quando a propagação em massa ainda não era uma hipótese. O surto estaria contido, segundo Graça Freitas. No entanto, continuavam a surgir novos casos noutros países além da China.

No dia 23, foi confirmado o primeiro caso de um português infetado: Adriano Maranhão, canalizador no navio Diamond Princess, atracado no porto de Yokohama, no Japão. Nesta altura, vários países confirmaram os primeiros infetados. Foram os casos da Grécia, Holanda, Paquistão e México. O aviso chegou da Organização Mundial de Saúde: o mundo tinha de se preparar para uma eventual pandemia. Dias depois, o nível de ameaça foi aumentado para "muito elevado". No dia 11 de março, foi declarado como uma pandemia.

As imagens dos hospitais de algumas cidades italianas, assustavam-me já nessa altura, embora por cá, não houvesse ainda uma grande preocupação. Há um ano, não sabíamos bem o que nos esperava - acho que um ano depois, ainda há muito que não sabemos. 

Temos de continuar na luta, especialmente na prevenção, pois a cura está ainda muito longe. Muito se conquistou, com danos diretos e colaterais que nos vão ainda afetar daqui a vários anos. O mundo sofreu um embate muito forte, mas somos fortes e vamos conseguir ultrapassar. Ainda vão haver muitas baixas desta guerra, poderão haver muitos portugueses a não conseguir sobreviver, a perder amigos, a sentir a saudade dos seus familiares, a perder os empregos... mas estarão cá os sobreviventes para levantar o país, a Europa e o Mundo, que nunca mais serão iguais.


Fontes:

https://media.noticiasaominuto.com/files/naom_6033c2269a881.pdf

https://crlisboa.org/wp/newsletter-tematica-covid-19/

https://sicnoticias.pt/especiais/coronavirus/2020-11-17-1-ano-de-Covid-19.-O-que-mudou-num-mundo-a-meio-gas

10/02/2021

Abraços virtuais

Sou mãe e educadora, adoro escrever, gosto muito de ler. Na minha vida passei por muitas coisas, conheci muitas pessoas que me enriqueceram e passei por várias situações que quis esquecer.


Neste momento, trabalho com crianças do 1º ciclo. Um desafio diário, que abracei há pouco mais de um ano e que me traz, todos os dias, uma enorme satisfação. Mas o desafio agora, é conseguir chegar-lhes todos os dias, recebê-los nos meus braços, acarinhá-los. E isso não é possível. Já no Centro, com as máscaras e o distanciamento tinham acabado os abraços e os beijos. Não podíamos. Era triste, mas havia sempre um bocadinho para conversar, para saber como tinha corrido o dia, para os escutar. Eu estou aqui, na mesma com toda a disponibilidade, e por isso às vezes é tão difícil terminarmos os trabalhos de casa! Não dá tempo, porque queremos conversar, trocar experiências, falar do que sonhamos e nos assustou. As minhas crianças (que são um pouquinho minhas, me desculpem os pais) estão a passar por situações difíceis. Estão fechadas em casa, sem os amigos. Começar um 1º ano traz marcas - que normalmente serão boas lembranças, os primeiros amigos, os primeiros professores, o dente que caiu, a bola que foi para o telhado... mas este ano? Este 1º ano, que memórias irá deixar nestes meninos? Quero tanto fazer a diferença, quero tanto dar-lhes boas memórias!


Ser professora, ser educadora, é isto, é proporcionar experiências, aprendizagens. E abraçá-los.


E no meio disto tudo, junto o ser mãe, o estar do outro lado, o "ouvir" as aulas do meu filho, os colegas que estão com ele desde a pré e que no 5º ano continuam juntos. E, confesso, quando os oiço, choro tantas vezes. Não consigo explicar porquê, mas tenho pena destes meninos, tenho pena do meu filho não estar a viver a sua passagem da infância para a adolescência com a devida liberdade. 

08/02/2021

O novo confinamento

Quando em Março do ano passado, o país "fechou" eu fui daquelas pessoas que achou a medida extremamente necessária para controlar a evolução da pandemia. Não sabíamos quanto tempo íriamos ficar fechados, nem o que iria acontecer quando se levantassem as medidas mais restritivas. 


No meu trabalho, ensino crianças de várias idades num centro educativo, consegui ficar em teletrabalho, aprendi a trabalhar com o Zoom, a descarregar livros de fichas para o computador, inscrevi-me em muitas plataformas dirigidas a pais e a professores. Fez-me crescer como profissional, abriu-me novos horizontes, fui "obrigada" a pensar o ensino de outra forma, para que os alunos se mantivessem ativos e interessados nas minhas aulas.


Digo-vos que o pior foi sentir-me impotente perante o avançar da pandemia, mas a esperança voltou com o desconfinamento, com o regresso das crianças para as férias (mesmo com todas as medidas de proteção e cuidados, conseguimos ter sempre diversão).


Neste momento, entramos num novo confinamento. Já sabemos que vai ser difícil. E só passaram alguns dias e já me sinto mais cansada do que se andasse a trabalhar fora. Era durante a viagem para lá e para cá, um momento em que a rádio é a minha companhia, que a minha cabeça tinha tempo para espairecer, pensar na vida. Tinha tempo de almoço, ia comer e ia caminhar na praia quando o tempo estava bom, ou ficava dentro do carro a ler um livro. Havia um sentimento de solidão mas não fazia mal porque me ocupava com coisas mais interessantes.


Em casa, por incrível que pareça, esse tempo desapareceu. Faço as mesmas horas on-line, mas o tempo de preparação, de organização de conteúdos, leva-me o resto do dia. Ao fim de 8, 9 horas no computador, só quero um banho e cama. Gostava de ir fazer uma caminhada, mesmo aqui à volta do prédio só para esticar as pernas, mas depois a inércia vence e visto o pijama em vez do fato de treino! Às vezes faço um pouco de ioga, faço alongamentos, (tenho fibromialgia e problemas de coluna, por isso fazer aulas com saltos por exemplo não consigo).


Com vocês, como é? Também sentem que o trabalho on-line é mais cansativo? 

12/01/2021

O novo ano pode ser pior que 2020?

Ao tocar as badaladas do novo ano, não senti que tivesse havido uma mudança. Não saí de casa, apenas espreitámos da janela o fogo de artifício, mas o sentimento era de angústia.


Este ano, apenas pedi saúde, mesmo sabendo que o ritual é uma estupidez, mas não quis arriscar a perder uma oportunidade de pedir saúde, mesmo que seja a mim mesma. As mudanças partem em primeiro lugar de nós mesmos e não de milagres.


Mas tal como previra, o novo ano, não trouxe milagres. Terminados os festejos do Natal e do Ano novo, o balanço é trágico. Basta olharmos como estão os hospitais.


À porta, há pessoas idosas, que continuam a ser abandonadas pelos seus na época festiva. Não é novidade que nos dias antes do Natal há um acréscimo de velhos doentes, que são deixados nas urgências para que a família passe a quadra sem o trabalho que dá a sua presença. Vão depois buscá-los uns dias depois da passagem de ano. Assisti a diversas situações dessas na primeira pessoa quando trabalhava como socorrista. Alguns diziam descaradamente que essa era a sua intenção, como se não percebessemos que os estavam a abandonar. Era vê-los arrancar com o carro já carregado de malas para irem passar o natal ou o ano novo a qualquer lado, enquanto nós levamos o seu ente para a urgência. O Covid não veio mudar isso... as pessoas só fingem que estão melhores, mas no fundo, continua a desumanidade.


Este ano, vêm-se nas salas de espera onde as máquinas de comida não são abastecidas, à espera que alguém os vá buscar ou, pelo menos, que lhes leve uma sopa. O ser humano é assim mesmo. Miserável.


Um homem, seus 80 anos, agarra a porta do carro de uma mulher e abre-a, tentando sentar-se no lugar do pendura, pedindo que o leve a casa, por favor, que "se esqueceram dele ali". A pandemia não justifica a miséria humana, a falta de amor ao próximo. A família, que reza ao jantar de Natal e reclama por ter de estar agora confinada, ou sem trabalhar, é a mesma que sobrecarrega os serviços hospitalares com o abandono dos seus, enquanto outros morrem dentro da célula sanitária de uma ambulância sem chegar a dar entrada no hospital por falta de espaço.


E não acredito que as coisas vão melhorar nos próximos tempos. Mesmo com as vacinas, vendo aquilo que nós estamos a ver na comunicação social, ainda há tanto a fazer. Mas o amor ao próximo não vem numa vacina!

26/12/2020

As Vacinas - não é a cura mas será uma ajuda no combate

Assinalado pela ministra Marta Temido como um "marco histórico para todos nós", a chegada a Portugal do primeiro lote das vacinas contra a Covid-19, irá ficar guardado numas instalações no concelho de Montemor-o-Velho, arredores de Coimbra. O primeiro lote de 9750 doses de vacina, será reforçado com a antecipação da entrega de mais 70 200 doses, que têm chegada prevista para dia 28 de dezembro.

 

Escoltada por forças de segurança, a viatura que transportou as vacinas – duas caixas que, no total, pesam 41 quilos – entrou no perímetro da unidade de armazenamento cerca das 9h45 desta manhã. O processo de abertura da viatura, que estava selada, foi acompanhado no local por responsáveis do Governo. Segundo Marta Temido, "hoje foi entregue a primeira quantidade, nos próximos dias vamos ter um reforço, ao longo de janeiro haverá mais um conjunto de entregas".

 

Falta agora fazer a distribuição pelos hospitais onde amanhã se iniciará o processo de vacinação, através de equipas do próprio sistema Nacional de Saúde. A campanha de vacinação contra a Covid-19 arranca no domingo em Portugal, à semelhança de outros países da União Europeia. A vacina é facultativa, gratuita e universa.

 

Marta Temido disse que os profissionais de saúde dos centros hospitalares universitários do Porto, São João, Coimbra, Lisboa Norte e Lisboa Central seriam os primeiros a ser vacinados.

 

Segundo o presidente do Infarmed as condições de segurança serão mantidas. "As pessoas podem estar tranquilas, porque estamos a assegurar todas as condições para que as vacinas cheguem desde o ponto de fabrico ao ponto de administração nas condições em que têm de estar”. Explica ainda que são aplicados "um conjunto de regras que são as relacionadas com a distribuição de medicamentos, que se iniciam na fábrica, na Europa, e se mantêm durante o transporte e durante o armazenamento”. 

 

O Primeiro-Ministro António Costa reforçou ainda que este é "um extraordinário esforço da Ciência" e "uma coordenação exemplar da União Europeia", acrescentando que agora "temos pela frente vários meses de trabalho bem planeado. Agora temos a certeza de que há luz ao fundo do túnel", mas que ainda é muito cedo para "baixar a guarda e relaxar nas medidas de proteção".

 

O Governo lançou também uma nova página exclusivamente dedicada ao processo de vacinação contra a Covid-19, como já tinha sido anunciado previamente pelo coordenador da task-force responsável pela elaboração do Plano de vacinação contra a Covid-19, Francisco Ramos.

 

Fontes:




 

25/12/2020

Um Natal diferente

Este ano está a ser estranho... 


Desde março que andamos mais fechados em casa devido aos sucessivos confinamentos e neste natal foi também recomendado que ficássemos em casa. Temos cumprido mas hoje acabamos por reunir uma parte da família em casa da minha irmã. Para alguns de nós pode ser o último natal juntos, não sabemos o que nos reserva o amanhã. E, com muitos cuidados, lá se fez mais um Natal, com muitos brinquedos espalhados pela sala, risos das nossas crianças (os nossos olhares embevecidos e orgulhosos), barulho e música. 


Eu pessoalmente senti-me nervosa durante todo o dia e passei grande parte do dia no exeterior, onde estava frio mas havia menos risco. Dentro de casa, lá andavamos de máscara, mas à mesa, estávamos todos juntos a comer e a conversar. Mas como eu digo, foi estranho. Aqui tem corrido tudo bem e não houve ainda ninguém que tivesse de ser internado, mas em muitas famílias, hoje foi um dia triste pela perda recente de entes queridos e por outros estarem internados ou em isolamento. Um dia vamos ultrapassar isto, mas as perdas já são gigantes e muitas casas têm hoje lugares vazios à mesa.


Há por isso um sentimento de tristeza pela situação que se está a viver, de insegurança por não sabermos se amanhã vamos ter trabalho e de esperança, que em 2021 possamos todos estar numa situação melhor. Eu tenho estado sempre a trabalhar mas muito daquilo que fiz durante estes últimos meses foram aulas online. Tem sido um desafio, mas confesso que nesse aspeto tem sido bom para mim, porque deixo de ter de me deslocar. No entanto, durante alguns meses recebi menos de metade do que deveria ter recebido. Estou a passar por várias dificuldades mas tenho conseguido, com uma enorme gestão, seguir a minha vida. Eu compreendo que haja dificuldade em nos manter a todas a trabalhar, mas a verdade é que todas recebemos um grande corte no que recebíamos, no meu caso quase por metade, mas nem todas estamos a trabalhar... Nos últimos dias, já estando nas salas com as crianças, acabamos por estar mais expostos, mas até agora tudo tem corrido bem.


O Natal este ano não tem abraços, nem beijos como antes... mas no meu caso teve aquilo que é mais importante, a família reunida e as crianças felizes.

01/10/2020

Dia dos mais velhos

Hoje assinala-se o Dia Internacional do Idoso. "Este dia foi instituído em 1991, pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de sensibilizar a sociedade para as questões do envelhecimento e a necessidade de proteger e cuidar da população mais idosa." A vida passa e um dia, não muito longe, chegarei a velha. Ou talvez não chegue, que importa. Penso sempre que não quero estar cá para sofrer ou para dar trabalho aos outros, mas não sei o que vou pensar daqui a uns anos. Agora, só sei que a vida de velho é extremamente difícil na sociedade em que vivo.


A velhice é um conceito que tem evoluído ao longo dos anos e, hoje em dia, ser avó, não é mais sinal de se estar a entrar na terceira idade. Cada vez mais, a esperança média de vida é maior e as mulheres conseguem ganhar aos homens.


A velhice em Portugal está infelizmente marcada pela solidão e pelo abandono. E em pleno Covid, são os idosos aqueles que mais têm sofrido com os confinamentos sucessivos, com o afastamento dos seus, com a doença e com a morte. Este ano em especial tem sido particularmente complicado para quem é velho, especialmente para aqueles que estão em instituições e para aqueles que vivem sozinhos.


Se os confinamentos sucessivos têm sido complicados para todos nós, não têm sido menos dolorosos para os idosos que têm estado fechados nos lares. Alguns, já não conseguem entender o que se passa à sua volta e não compreendem que o motivo de ninguém os ir visitar é que há uma pandemia. Muitos não percebem que os filhos e os netos têm muito medo de os ir ver e de lhes passarem esta terrível doença, que isso os leve a ficar doentes, que isso os leve a uma morte prematura.


Temos medo da culpa. Este vírus, é terrível por isso, porque no fundo, quando se trata de transmissão, todos sentimos que tivemos a culpa. E não é para menos porque os números são assustadores.


Os nossos idosos, sendo uma parte da população que pela sua idade e pelas comorbilidades está mais frágil, acaba por sofrer também de outros modos. São também vítimas da info-exclusão. A tecnologia que usamos diariamente para estar com os nossos, para trabalhar, para conversar e para nos distrairmos, está-lhes muitas vezes inacessível. E mesmo acessível, não substitui os afetos que querem receber, a atenção que lhes deveríamos estar a dar. Uma vídeo-chamada não substitui o abraço dos netos. 


Nesta data, há também a saudade daqueles que hoje poderiam aqui estar e já não estão. Da mãe que nunca teve a oportunidade de conhecer os netos que as filhas a seu tempo vieram a ter. 


Fontes:


https://www.sns.gov.pt/noticias/2016/09/30/dia-internacional-do-idoso/

29/08/2020

Morrer nos lares

Desde que a pandemia nos atingiu, os lares têm sido os locais onde se registam mais mortes, apesar de serem também aqueles onde as regras aplicadas são, tecnicamente, as mais apertadas. A 24 de abril deste ano, já o Público revelava que “Quatro em cada dez pessoas que morreram por covid-19 em Portugal eram idosos que viviam em lares”. Ainda a pandemia estava no início em Portugal e os números não tardaram a subir.


Infelizmente, tal como eu e muitos de nós sabemos, há muita coisa errada nos lares que acolhem os nossos idosos, desde já a falta de recursos humanos e materiais. Em Matosinhos, 24 pessoas já perderam a vida do Lar do Comércio. Num lar de Reguengos de Monsaraz morreram 18 pessoas. Apesar de todos os esforços, têm sido várias as dificuldades para controlar os surtos que nestes locais se espalham como pólvora. De acordo com o Polígrafo, "fonte oficial do Ministério da Saúde indica que até quarta-feira, dia 12 de agosto, estavam confirmadas 681 mortes por Covid-19 em lares. Este valor representa 38,7% do total de 1.761 óbitos provocados pelo novo coronavírus em Portugal, desde o início da pandemia."


Numa conferência de imprensa, o relatório da Ordem dos Médicos revelou que não era possível cumprir "o isolamento diferenciado para os infetados ou sequer o distanciamento social para os casos suspeitos" em vários dos lares do nosso país, como aconteceu no caso de Reguengos.


Fontes:


https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/covid-19-ha-lares-com-falta-de-funcionarios


https://www.dnoticias.pt/2020/4/24/55479-quatro-em-cada-dez-pessoas-que-morreram-por-covid-19-estavam-em-lares


https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/mortes-em-lares-representam-40-do-total-de-obitos-por-covid-19-em-portugal


 

02/06/2020

Mas onde tem esta gente a cabeça?

Começa a ser difícil aguentar, quando nós temos de ficar em casa e outros andam pelas ruas como se nada fosse.


Em Portugal morreram 12 pessoas nas últimas 24 horas, mas ainda não estamos tão mal como outros países.


Mesmo assim, por cá, o desconfinamento não é total e não abrange ainda todos os setores. Hoje faz precisamente 3 meses que foi detetado o primeiro caso Covid no nosso país e isto ai da está tão longe de terminar! 


Ontem, dia da criança, eu iría retomar a minha atividade laboral fora de casa. Mas ainda não foi autorizada a abertura dos centros de estudo e não podemos correr riscos. Já começou a reabertura do pré escolar, por isso se tudo correr bem, em breve abrimos nós.


Pelo que tenho visto aqui na minha zona, mais perigoso do que juntar crianças, é juntar adolescentes. Na porta da escola, juntam-se em amena cavaqueira. Seria normal, se não estivessemos a passar por uma pandemia. Eles que são o futuro, não tem escolaridade suficiente para entender e cumprir regras? E perante este total incumprimento, ninguém atua?


É difícil cultivar nas pessoas o sentimento de proteção em relação aos outros. Os mais jovens que não estavam a ser tão afetados, estão a colocar-se cada vez mais em risco. Quando vou caminhar, andam poucas pessoas de máscara, mantendo o distanciamento, mas também andam outros e, na sua maioria jovens, em grupos e passando junto de outras pessoas, sem qualquer cuidado. 


Vê-se que nem todos são maiores de idade, terão 13, 14 anos, mas o pior é haver um sentimento de impunidade. Ninguém os vai multar ou prender. Eles sabem disso, não têm medo, acham que são invencíveis e que com eles nada vai acontecer.


E ai se alguém ralhasse com aqueles meninos, que podiam até levar a mal ou fazer queixinhas. E aí, os pais (que agora não estão a responsabilizar-se pelos comportamentos dos miúdos), sairiam em sua defesa, ofendidos por alguém ter feito o trabalho que a eles cabia. 


A mim assusta-me esta impunidade. Assusta-me o aumento da criminalidade. Nada como se vê nos EUA, mas receio bem que se caminhe para algum próximo dessa realidade. Já se começam a ver movimentos pela Europa...


Assusta-me que alguns portugueses menos informados e educados, possam aderir ou querer trazer para cá essas ideias estúpidas!

02/05/2020

Mil...

Passámos a marca dos mil mortos! E ainda há quem ande aí a brincar com tudo isto, a passar desinformação, a passear na rua.


Há cuidados a ter e sem outros preâmbulos, somos livres de os seguir ou não. Mas olhemos o número de mortos! Mil. Passámos esta marca que é de refletir! E se não estivessemos em quarentena, teríamos chegado até ela muito mais cedo! E é por isso que temos de nos continuar a proteger!


Ainda há quem diga que a doença não passa de um embuste... uma simples gripe que não mata! Digam isso às famílias destas 1000 pessoas!


Temos de fazer alguma coisa - mesmo que seja, nada fazer. O primeiro-ministro já fez saber que estão proibidas as deslocações entre concelhos, mas ontem, houve pessoas a ir da margem sul até Lisboa para celebrar o 1º de maio...  Entretanto, a Covid ajudou a "libertar" muitos dos reclusos presos nas nossas cadeias por crimes considerados "menores". Um regime excecional proclamado que deu a libertação a 1867 presos para evitar a propagação da doença entre a população prisional - mesmo contra a opinião da oposição - incluindo "4 indultos concedidos na segunda-feira pelo Presidente da República a presos com mais de 65 anos e com graves problemas de saúde."


E os lares? Sabe-se que a doença castiga mais a população idosa. "Cerca de 15% das vítimas mortais por covid-19" em Portugal, até agora, foram de "idosos que viviam em lares." O que vai o governo fazer para travar isto? O que é que está a falhar? As medidas de proteção, o afastamento social ou os tratamentos?


Fontes:


https://www.psd.pt/pt/grupo-parlamentar/noticias/so-14-de-1867-reclusos-foram-libertados-por-causa-da-covid-19


https://www.dnoticias.pt/2020/4/28/54844-regime-excepcional-permitiu-libertar-1867-reclusos


https://www.publico.pt/2020/04/09/sociedade/noticia/cerca-15-mortos-covid19-idosos-viviam-lares-1911793


 

01/05/2020

1º de Maio

Num normal 1º de MAIO, enchem-se as ruas de Lisboa com manifestantes. Hoje não é um dia normal porque estamos em Pandemia.

Num dia em que não estivessemos proibidos de sair do nosso concelho, estaria a Alameda cheia de gente! Hoje não estamos autorizados a circular livremente entre concelhos... como é que toda esta gente saiu de casa e veio até Lisboa?


Na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa, a manifestação foi feita tentando manter o distanciamento social, mas nas imagens passadas nas estações televisivas, poucos são os que estão de máscara (bem colocada). Num dia normal, sem pandemia, concordava com as manifestações e com os festejos do Dia do Trabalhador - concordo perfeitamente com muitas das ideias e reinvindicações que hoje saíram à rua - só não concordo que tenham "mesmo saído". Podiam ter feito de outra forma, porque desta forma, colocando-se acima das recomendações da DGS, para ficarmos em casa, acho que se mostraram irresponsáveis. Muitas daquelas pessoas, até se calhar não foram informadas dos riscos, ou não ponderaram bem, mas alguém as deixou passar nos pontos de controlo das deslocações que se fazem em várias estradas. Não pode haver agora um concerto ali no mesmo parque, na mesma Alameda? Mas isto pode haver.


Outras talvez tenham pensado apenas que não fazia mal.


Eu acho que é uma questão também de respeito pelo outro e, acho que como eu, outras pessoas que não podem sair de casa para ir trabalhar e visitar as famílias se sentiram injustiçadas ao ver estas imagens.


https://rr.sapo.pt/video/actualidade/2020/05/01/cgtp-assinala-1-de-maio-na-rua-contra-o-aproveitamento-do-virus-para-a-exploracao-de-trabalhadores/238592/

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...