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09/02/2026

Já se elegeu o Presidente da República

Finalmente, o meu coração tranquilizou um pouco. Afinal, o nosso país ainda tem muita gente de bem que não quer voltar a uma memória passada que não pode ser esquecida. Como se esperava, o eleito para Presidente da República foi António José Seguro, deixando em segundo lugar nesta segunda volta o líder do Chega André Ventura. Devido ao mau tempo que se tem feito sentir e que deixou várias zonas do país destruídas, sem água e sem luz, alguns concelhos não foram ainda a votos tendo nestes casos o ato sido adiado para o próximo domingo, dia 15 de fevereiro. 

No fim de contas, ganhou a democracia, a união da esquerda, do centro e de muitos, muitos votantes de direita, contra o risco de termos na Presidêncioa alguém com valores muito pouco humanos e ainda menos democráticos. De lembrar, que André era o homem que dizia que o país precisava de "três Salazares" e que, apesar de ter perdido, afirmou que "o resultado alcançado" servia para colocar o Chega "no caminho para governar o país," reforçando a ideia de que reforçando a ideia de que os portugueses tinham dado "ao partido um sinal de crescimento e de afirmação no panorama político nacional." Felizmente, ainda não foi desta...

Mas quem é o novo Presidente? Confesso que conhecia muito pouco sobre Seguro e que acabei por ler alguns artigos e ver algumas entrevistas para me inteirar sobre o seu percurso. Se na primeira volta, poderei ter andado um pouco indecisa inicialmente, na segunda volta, não houve qualquer dúvida sobre em quem recairia o meu voto.

Nascido a 11 de março de 1962, em Penamacor, licenciou-se "em Relações Internacionais, pela Universidade Autónoma de Lisboa," tirando depois o Mestrado "em Ciência Política, pelo ISCTE-IUL." Destaca como "pilares" de vida, "os valores transmitidos pelos pais, honestidade, ética e trabalho." É casado e tem dois filhos.

"Em criança gostava de brincar ao peão e com berlindes, e com um jogo de futebol, numa tábua de madeira com pregos, feita por um marceneiro de Penamacor," terra com a qual ainda "hoje mantém ligações." Na juventude, esteve sempre ligado "ao associativismo, ao desporto e à cultura" e, como muitos jovens daquela época, fez "parte do jornal da escola," tendo mais tarde fundado o jornal “A Verdade de Penamacor”, do qual acabou por ser diretor. Junto com "o primo Jorge Seguro Sanches," criou uma "associação cívica," denominada "Geração 2000." Escreveu ainda para o "semanário Expresso, cujos artigos estão compilados num dos seus livros - “Compromissos para o Futuro" -, e é também autor do livro "Reforma do Parlamento Português - O controlo político do Governo"." 

Na política, a sua carreira efetivamente começou na "Juventude Socialista (JS)" da qual foi líder na década de 90, começando a "aproximar-se da cúpula do poder socialista quando, no início de 1992, António Guterres bateu Jorge Sampaio na corrida ao lugar de secretário-geral do PS," e lhe dá o lugar de "chefe de gabinete do secretário-geral." Foi também "presidente do Fórum da Juventude da União Europeia (estrutura máxima que representa todas as organizações europeias de juventude, de 1989 a 1993) e vice-presidente da União Internacional das Juventudes Socialistas." 

Nas legislativas de 1991 tinha sido eleito deputado, mas é "a partir de 1994," que comneça a fazer "parte da Comissão Permanente do Secretariado Nacional."

"Com a vitória do PS nas legislativas de outubro de 1995, Seguro assume as funções de secretário de Estado da Juventude," e de cargo do qual sairia para se candidatar, no segundo lugar da lista dos socialistas, às europeias de 1999, atrás do cabeça-de-lista, Mário Soares."

"Entre 1999 e 2001, foi deputado ao Parlamento Europeu, tendo sido co-autor do Relatório do Parlamento Europeu sobre o Tratado de Nice e o futuro da União Europeia. Em 38 anos de participação europeia, António José Seguro foi o único português a quem foi atribuída a responsabilidade de elaboração de um relatório sobre um Tratado Europeu." Ainda na Europa, foi também "vice-presidente do Grupo Parlamentar Socialista, com o pelouro da Organização Mundial do Comércio, presidente da Delegação dos Deputados Socialistas Portugueses e presidente da Delegação para as relações com os países da América Central, México e Cuba."

Em 2001, acaba por renunciar e substitui Armando Vara, no cargo de "ministro-adjunto do primeiro-ministro," a pedido de António Guterres. Em 2002, acaba por regressar "à Assembleia da República, onde liderou a bancada parlamentar do PS (entre 2004 e 2005), tendo presidido às Comissões Parlamentares de Educação e Ciência (X Legislatura) e de Assuntos Económicos, Inovação e Energia (XI Legislatura). Dirigiu também o Gabinete de Estudos do PS, de 2002 a 2004."

Em 2004, apesar de ter mostrado essa disponibilidade, acaba por não concorrer à liderança do partido socialista, talvez por influência ou a pedido de Jorge Coelho, e é Sócrates que acaba no poder. Seguro foi-se mantendo "na segunda linha, apesar de ter sido cabeça-de-lista por Braga nas eleições legislativas de 2005, 2009 e 2011 e presidente das comissões parlamentares de Educação e de Economia." Em 2007, acabaria esmo por coordenar "os trabalhos de reforma e modernização da Assembleia da República, conhecida como a Reforma de 2007, na base do relatório que ele próprio coordenou no interior do seu grupo parlamentar."

Só em 2011, volta a mostrar que tem vontade de avançar "para a campanha interna para a liderança do PS que o levou ao lugar de secretário-geral ao vencer a disputa com Francisco Assis," ganhando "com 68% dos votos" e sucedendo assim "a José Sócrates como secretário-geral do PS. Foi ainda reeleito, em abril de 2013, com mais de 95% dos votos."

Esteve nesse cargo até "setembro de 2014," altura em que foi então "derrotado por Costa, obtendo cerca de 32% dos votos, demitindo-se assim da liderança do Partido Socialista e renunciando aos mandatos de conselheiro de Estado e de deputado à Assembleia da República."

Dedicou-se nos últimos anos a dar aulas na Universidade Autónoma de Lisboa e no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, mantendo-se praticamente em silêncio sobre questões políticas," salvo em algumas exceções. Continua a produzir "vinho e azeite em homenagem ao pai, projetos que descreve como fonte de felicidade e de ligação às origens." 

Apresentou a sua candidatura a 3 de junho de 2025, "sem qualquer garantia de apoio por parte do Partido Socialista." Mesmo sem esse apoio, avançou e conseguiu "vencer a primeira volta, com 31,11% dos votos." No entanto, estes valores não lhe garantiam o lugar e teve mesmo de ir à segunda volta da qual saiu vencedor, "com o maior número de votos de sempre numas Presidenciais, ultrapassando Mário Soares."

Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-presidenciais/2026/2026-02-08-video-quem-e-antonio-jose-seguro-o-novo-presidente-da-republica--357b8142

https://sicnoticias.pt/podcasts/alta-definicao/2025-09-27-antonio-jose-seguro-gostava-muito-de-ter-sido-primeiro-ministro-mas-essa-possibilidade-nao-se-concretizou.-ha-mais-vida-para-alem-disso-31a2e22c

https://nossaeuropa.eu/pt/direccao/antonio-jose-seguro

https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-presidenciais/2026/2026-02-08-portugueses-votam-este-domingo-na-segunda-volta-das-eleicoes-presidenciais-6812035c

https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-presidenciais/2026/2026-02-08-video-o-discurso-de-andre-ventura-na-integra-67747cb9

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Jos%C3%A9_Seguro

 

21/04/2025

Faleceu Jorge Mario Bergoglio

Hoje o dia amanheceu mais triste, para quem é católico, mas também para muitos que (como eu) não o são. Morreu Francisco. Era Papa, mas antes de o ser já era um homem que se destacava pela sua simplicidade. Como Papa, foi amado por muitos mas também fruto de controvérsias. Amado pelas suas origens e sobretudo, pelas suas mensagens de amor e questionado pelas ideias mais vanguardistas que tentou implementar no seio da igreja.

Jorge Mario Bergoglio nasceu a 17 de dezembro de 1936, no bairro de Flores de Buenos Aires, na Argentina. Era neto de emigrantes, vindos do norte de Itália. O mais velho de cinco irmãos, teve uma educação católica. Em "1957, formou-se em Química," ao que se seguiu aos 21 anos, a sua entrada para o "seminário da Companhia de Jesus" onde se formou "na área da Filosofia."

"Uns anos mais tarde, deu aulas nos colégios da Companhia de Jesus em Santa Fé e em Buenos Aires," onde ensinou "Literatura e Psicologia." Nesta época, uma doença respiratória que lhe surgiu na juventude, piorou e "teve de ser submetido a uma cirurgia para retirar parte de um pulmão." Isso não o fez parar e, a "13 de dezembro de 1969, Jorge Mario Bergoglio foi ordenado sacerdote e, no ano seguinte, graduou-se em Teologia na Faculdade de Filosofia e Teologia de São Miguel, continuando a lecionar em paralelo."

Vivia-se uma ditadura militar na Argentina quando, durante a década de 1970,  Jorge Bergoglio "foi eleito responsável pela ordem jesuíta" no seu país. "Em 1986 foi para a Alemanha, onde finalizou a tese de doutoramento." Regressou à Argentina em 1992, tendo sido "designado bispo auxiliar de Buenos Aires." Recebe o "título de cardeal" a 21 de fevereiro de 2001. Nesta ocasião, terá convencido "centenas de argentinos a não viajarem para Roma. Em vez de irem ao Vaticano celebrar a nomeação, pediu que dessem o dinheiro da viagem aos pobres."

Em 2005, no conclave que levou à eleição "do alemão Joseph Ratzinger", acabou por ser "o segundo mais votado entre os cardeais."

"Jorge Mario Bergoglio foi o primeiro papa do continente americano, o primeiro pontífice do hemisfério sul, o primeiro chefe da Igreja Católica não europeu desde há mais de 1200 anos e também o primeiro jesuíta a assumir as funções no Vaticano." Foi padre, professor universitário e arcebispo. "Foi também o primeiro papa com o nome Francisco, em referência a São Francisco de Assis, simbolizando humildade e compromisso com os pobres." Disse sempre que não queria ser Papa, mas acabou por ser "eleito pelo Conclave a 13 de março de 2013, apesar de quase nada indicar que seria o escolhido para suceder Bento XVI."

Ontem, o Papa Francisco despediu-se. Já muito debilitado, apareceu pela última vez na Praça e, podemos até dizer que de forma simbólica, teve o seu "último" banho de multidão, tivesse ele consciência disso ou não. No seu último dia de vida, a sua presença foi aplaudida por muitos crentes e transmitida por inúmeros meios de comunicação social. Antecipava-se a sua morte próxima.

Sustentava que a Igreja devia "ser mais aberta e acolhedora," defendendo uma igreja para "todos." Esteve sempre "próximo do povo." Durante o seu papado, deu enfoque à "justiça social" e tentando sempre manter uma "abertura ao diálogo interreligioso." Quis tornar a igreja mais inclusiva, chegando a promover "uma postura mais aberta sobre temas polémicos na Igreja mais conservadora, como o acolhimento a divorciados, de pessoas LGBTQ+ e pessoas em situação de marginalização. Foi também o primeiro a nomear uma mulher para um cargo no Vaticano.

Durante o seu papado, "deu ênfase ao combate de abusos sexuais por membros do clero católico, tornando obrigatórias as denúncias e responsabilizando quem as omite."

Foi sempre um homem dedicado à promoção da paz, tentando "aproximar e fortalecer o diálogo inter-religioso, encontrando-se com líderes islâmicos, judeus e cristãos ortodoxos." Mostrou sempre que condenava "a invasão da Ucrânia pela Rússia ou os ataques na Faixa de Gaza, nos combates entre Israel e o Hamas."

Durante o seu pontificado, "Francisco visitou Portugal em duas ocasiões." A primeira foi em maio de 2017 aquando das "celebrações do Centenário das Aparições de Fátima - tendo estado no Santuário de Fátima, onde canonizou os pastorinhos Jacinta e Francisco Marto." A segunda vez que cá esteve foi em 2023, na tão falada "Jornada Mundial da Juventude" que se em Lisboa. Nessa ocasião, "presidiu a celebrações no Parque Eduardo VII e no Parque Tejo, visitou bairros da capital portuguesa e reuniu com vítimas de abusos na Igreja." Chegou ainda a visitar novamente o santuário de Fátima.

"O estado de saúde de Francisco era frágil há vários anos, tendo-o levado a pelo menos três hospitalizações desde 2023." Este ano, a situação piorou bastante e, chegou a estar 38 dias internado "devido a uma pneumonia bilateral, tendo tido alta em 23 de março." Desde aí, tem estado a recuperar desta situação.

De acordo com informação já divulgada pelo médico "Andrea Arcangeli, responsável pela certidão de óbito," do sumo pontífice, a sua morte ter-se-á devido a um "Acidente Vascular Cerebral (AVC) que provocou uma insuficiência cardíaca irreversível."

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/morreu-o-papa-francisco-lider-da-simplicidade-que-a-igreja-catolica-foi-buscar-quase-ao-fim-do-mundo_es1533890

https://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Francisco

https://www.publico.pt/2025/04/21/mundo/noticia/morreu-papa-francisco-lider-igreja-catolica-desde-2013-2123551


 


 

17/04/2025

Faleceu o cantor Nuno Guerreiro e perdeu-se mais uma grande voz

Faleceu Nuno Guerreiro. Para mim, uma das maiores vozes portuguesas da atualidade. Ainda no outro dia, mostrava ao meu filho a canção "Caçador de sóis", uma das minhas preferidas.

https://youtu.be/SYV6MECcouI

Nascido em Loulé, a 5 de Setembro de 1972, cedo Nuno quis ir para a capital estudar. Estudou na Escola de Dança do Conservatório Nacional, para onde foi com apenas 16 anos para tentar uma carreira como bailarino, mas foi com a limpidez e singularidade da sua voz que se destacou. Dançou no palco do Teatro São Luiz, tendo também sido neste palco que cantou pela primeira vez, numa colaboração "com o grupo Diva de Natália Casanova." 

Carlos Paredes viu-o a cantar e convidou-o "a participar, em 1992," nos seus concertos de Lisboa e do Porto. "Colaborou também com o ex-Madredeus Rodrigo Leão." Mais tarde, integraria a "Ala dos Namorados", convidado por João Gil e Manuel Paulo.

Gravou a solo o álbum "Carta de Amor", e o álbum "Tento Saber" em 2002. Juntou-se a outros grandes nomes para um tributo a José Afonso (com Olavo Bilac, dos "Santos & Pecadores" e Tozé Santos da banda "Per7ume"). Em 2014 lança o álbum "Felicidade." Em 2021 participou no programa "A Máscara" da SIC, onde desempenhou brilhantemente o papel de "Coruja".

Atualmente, Nuno era colaborador no Cineteatro de Loulé, na área da produção e estava também envolvido num projeto intitulado "Nuno Guerreiro & Mau Feitio, composto pelos músicos do Algarve Ricardo J. Martins, João Palma, Vítor Bacalhau e Vasco Moura. O grupo deu vários concertos recentemente." Chegou mesmo a dar dois espetáculos, "com casa cheia", nos dias 30 e 31 de março, juntamente com os 'Mau Feitio' e com a Banda Filarmónica da Sociedade Recreativa Artistas de Minerva. 

Nuno Guerreiro tinha apenas 52 anos. Lançou o seu último trabalho como vocalista da banda Ala dos Namorados em 2023. O seu último trabalho a solo tinha sido lançado no ano anterior e encontrava-se ainda a colaborar com a AR para a produção de um evento nas celebrações do 10 de Junho deste ano.

Uma enorme perda para o nosso panorama musical... fica por saber o que esta voz ainda teria para nos dar, tal o seu talento! 


Fontes:

https://sicnoticias.pt/cultura/musica/2025-04-17-morreu-nuno-guerreiro-vocalista-da-ala-dos-namorados-893846d5

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nuno_Guerreiro_(cantor)

https://famashow.pt/famosos/2025-04-17-revelada-causa-da-morte-de-nuno-guerreiro-vocalista-da-ala-dos-namorados-039c910f


 


 

25/11/2024

25 de novembro - o que leva a tanta discórdia sobre uma data e porque é que a devemos (ou não) comemorar?

O 25 de abril de 1974 trouxe grandes mudanças na governação do país, o que levou a uma clara distinção "entre aqueles que pretendiam prosseguir a revolução com o MFA, incluindo-se aqui o governo liderado por Vasco Gonçalves e os que entendiam que o caminho se deveria fazer com os partidos políticos sufragados em eleições."

As opiniões dividiam-se e o país acabou por assistir, nos meses seguintes, a vários "episódios de violência de grupos mais ou menos organizados da extrema-esquerda e da extrema-direita. Sentia-se no ar "a ameaça de uma guerra civil." O que se passou no dia 25 de novembro, foi um entre tantos momentos importantes, naquele período de dois anos que vai de 1974 a 1976. Foram dois anos complicados, em que se sucederam diferentes governos provisórios, em que uns se demitiram e outros se revoltaram. Não se fala disto nos livros de História e, só se o formos pesquisar, é que encontramos alguma informação sobre esta data e sobre os vários acontecimentos que se sucederam à Revolução de Abril. Parece que foi apenas uma data e que no dia seguinte, a democracia estava instalada. Nada disso.

Em julho de 1975, Vasco Gonçalves, faz a proposta de recentrar "a autoridade no Conselho da Revolução, e a liderança política num diretório que incluiria também Costa Gomes (na altura Presidente da República) e Otelo Saraiva de Carvalho." Vasco Gonçalves, ficaria conhecido como "companheiro Vasco" e já em finais de 1973, tinha integrado o movimento dos capitães e participado na comissão responsável pela elaboração do "programa do Movimento das Forças Armadas (MFA), assegurando também a ligação ao general Costa Gomes," sendo por isso uma das várias personalidades importantes e que é tantas vezes esquecido.

Outros, seriam os integrantes de um grupo organizado e composto por "um conjunto de militares moderados e pertencentes ao Conselho da Revolução," designado de “Grupo dos Nove." Este grupo vem propor que "o poder seja exercido pelos partidos políticos.

Este grupo, "composto por militares conotados com a ala moderada do Movimento das Forças Armadas (MFA)", lançaram a 7 de agosto de 1975, um documento que ficaria conhecido como o “Documento dos Nove”, em que se "opunham aos modelos socialistas da União Soviética e da Europa do Leste, assim como à social-democracia europeia."

Vieram ainda a propor um "sólido bloco social de apoio a um projeto nacional de transição para o socialismo", mas que fosse de forma inequívoca, "inseparável da democracia política”.

No entanto, acabam por ser mesmo afastados do "Conselho na sequência dessa tomada de posição," e  em resultado do confronto entre as diversas forças políticas durante o chamado " Verão Quente de 1975," Vasco Gonçalves acaba também por ser afastado do poder, "não voltando à ribalta política."

No dia 12 de novembro desse ano, "houve uma manifestação reivindicativa que contou com dezenas de milhares de trabalhadores e que cercou o Palácio de São Bento durante dois dias," impedindo que os deputados que estavam lá dentro pudessem sair "durante dois dias." O Ministério do Trabalho recusa-se a receber os manifestantes o que conduz a ações mais radicais e à mobilização contra o VI Governo Provisório. 

Na semana seguinte o governo - algo que eu nunca pensei que pudesse acontecer - "entra em greve por falta de condições para exercer o seu mandato." O país acaba por ficar num limbo em que não tem quem o governe.

É a 25 de novembro que toda esta tensão chega ao limite, "com setores da esquerda radical a tentarem um golpe de estado," com o Grupo dos Nove a ser responsável por "organizar e desencadear as operações do 25 de Novembro fazendo a tal correção para a via democrática, liberal." Este golpe acabou por sair frustrado pelos militares que se encontravam em conluio com o “Grupo dos nove”, apoiados por um "plano militar liderado por Ramalho Eanes."

Mas qual o motivo de tanta discórdia, se a verdade é que este golpe pôs fim aos extremos (da esquerda e da direita)?

Para Joaquim Vieira, autor da biografia de Mário Soares, “o 25 de Novembro assinalaria o fim do PREC e a entrada de em fase de normalização democrática, com a consagração do projeto constitucional e a realização dos atos eleitorais nele previstos." O resultado, acabou por ser a vitória da chamada "ala moderada do Movimento das Forças Armadas (MFA)," que "marcaram o fim do chamado Processo Revolucionário Em Curso (PREC)."

Diz também o autor que, o próprio Mário Soares, se fosse vivo, teria recusado participar nestes festejos. O seu papel foi, no entanto, preponderante na vitória da democracia conseguida nessa data. Mário Soares era, na época, "ministro sem pasta do IV Governo Provisório," e como representante do PS, assinaria "o primeiro pacto constitucional MFA-Partidos," em abril de 1975. Depois da sua demissão, "juntamente com os restantes ministros do PS, a 10 de julho de 1975," e da "demissão dos ministros do PSD", a crise agravar-se-ia.

A 23 de novembro, o discurso que faz durante a "manifestação do PS na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa," acabou por ser um marco simbólico "na mobilização que visava conter os setores mais radicais do processo revolucionário português." Este ano, pela primeira vez, a data será celebrada na Assembleia da República - assinalando-se a passagem de 49 anos desde o acontecimento. Porquê só este ano - ou porquê este ano?

Fontes:

https://ensina.rtp.pt/artigo/25-de-novembro-uma-tentativa-de-golpe-falhada/

https://ensina.rtp.pt/artigo/vasco-goncalves-o-companheiro-vasco/

https://zap.aeiou.pt/mario-soares-foi-o-grande-vencedor-do-25-de-novembro-hoje-recusaria-comemoracoes-642928

https://www.museu.presidencia.pt/pt/conhecer/presidentes-da-republica-biografias/presidentes-da-democracia/mario-soares/

https://observador.pt/2024/04/24/o-principal-aliado-civil-do-25-de-novembro-foi-o-ps-e-nele-mario-soares-declara-marcelo-rebelo-de-sousa/

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...