01/06/2026

No dia da criança, lembremo-nos dos que sofrem

Hoje é dia da Criança. Um dia feliz, com muitas atividades, alegria, presentes. Um dia diferente para muitas crianças. Mas depois vem-me à lembrança: e as crianças dos países em guerra? 

Apesar de o Dia da Criança se celebrar apenas em alguns países nesta data, é uma oportunidade para refletirmos como vivem as crianças, em particular aquelas que estão em zonas de conflito, as que foram amputadas, as que sobreviveram à morte da sua família e se encontram agora sós. "As crianças são desproporcionalmente afetadas pelos conflitos, as forças combatentes continuam a recorrer à morte, violência sexual, exploração e recrutamento, como “armas de guerra” para infligir deliberadamente danos físicos e mentais que duram muito além do conflito."

Em Gaza, há cerca de 10 mil crianças com deficiências graves diretamente relacionadas com a guerra, muitas delas amputadas. Além disso, estas crianças dificilmente têm acesso a cuidados de saúde, a uma resposta para uma adequada recuperação (próteses, fisioterapia). Depois há ainda a questão de falta de acesso a cuidados básicos, onde se incluem a saúde, higiene, água, alimentação e uma casa. 

Em Gaza, a "infraestrutura de água, saneamento e gestão de resíduos está amplamente destruída." Acrescente-se aqui que, mesmo que existam locais onde conseguem ir buscar água, na sua maioria estes encontram-se contaminados, sendo que "esta crise da água e saneamento é agravada pela acumulação do lixo."

Outro local onde as crianças sofrem com o flagelo da guerra, é a Ucrânia. Segundo a UNICEF, "quatro anos após o início da invasão russa, a vida das crianças ucranianas tornou-se uma questão de sobrevivência." No ano passado, 92 crianças perderam a vida devido à guerra, enquanto outras 652 ficaram com ferimentos graves.

De destacar que cerca de "um terço das crianças estão deslocadas e, em cidades da linha da frente como Kherson ou Kramatorsk, milhares vivem e estudam nos subterrâneos para escapar aos bombardeamentos russos." A infância destas crianças está-lhes a ser roubada por bombardeamentos frequentes, alertas de ataque que as obrigam a fugir e a recolher-se. Crescem quase sem poderem brincar na rua, sem serem crianças. Muitas destas crianças apresentam sinais de "ansiedade e trauma."


Fontes:

https://24noticias.sapo.pt/atualidade/artigos/gaza-tem-o-maior-numero-de-criancas-amputadas-da-historia-moderna#goog_rewarded

https://www.amnistia.pt/criancas-sob-ataque/#gref

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2026-02-24-quatro-anos-de-guerra-na-ucrania-a-infancia-deslocou-se-para-os-subterraneos-5230d09a

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2026-02-19-video-guerra-na-ucrania-criancas-vivem-com-trauma-e-ansiedade-a-15-km-da-linha-da-frente-3c4fd974



20/05/2026

Tiroteio em centro islâmico

Um tiroteio no Centro islâmico de São Diego, na Califórnia, EUA, resultou em cinco vítimas mortais, duas das quais, os dois presumíveis atacantes de 17 e de 19 anos. A situação poderia ter gerado mais vítimas, uma vez que ali funciona uma escola. Segundo testemunhas no local terão sido efetuados mais de trinta disparos. Uma das vítimas era o segurança do centro islâmico que conseguiu impedir que a situação fosse bem pior.

Os dois adolescentes suspeitos de terem sido os atiradores, foram encontrados mortos dentro de "uma viatura nas imediações do edifício," onde funciona a maior mesquita do condado. Estas tragédias, infelizmente, são recorrentes nos EUA e a eles não se pode apontar uma causa única. O fenómeno normalmente emerge "das interações de vários fatores", que se "reforçam mutuamente" criando "um padrão estrutural, não um desvio ocasional." 

Um desses fatores é o acesso quase que indiscriminado a armas de fogo. A “cultura das armas” age como fator identitário, não atuando "apenas como um direito individual. Nos EUA, a arma não é só um instrumento: é símbolo de autonomia individual, virilidade, autodefesa e desconfiança do Estado."  Existe nos EUA não apenas uma mentalidade que convoca ao uso de armas como acessório de defesa, como esse mesmo direito  se encontra salvaguardado constitucionalmente. O direito ao porte de armas foi "reificado culturalmente, blindado contra qualquer ponderação coletiva."

E daí advém outro fenómeno que ocorre quando os portadores dessas armas se "vangloriam de possuírem rifles semiautomáticos" ou "carregadores de alta capacidade." Muitas vezes, como resultado do acesso fácil a armas, acaba por haver uma "circulação massiva de armas de alto poder letal" especialmente "em ambientes onde conflitos psíquicos e sociais são frequentes."

Fontes:

https://sicnoticias.pt/mundo/eua/2026-05-18-tiroteio-em-centro-islamico-em-san-diego-na-california-eaaff0db

https://aterraeredonda.com.br/tiroteios-nos-eua/


17/05/2026

Ébola, um vírus que continua a matar

O ébola é uma doença viral, que apresenta "uma taxa de mortalidade entre os 60% e os 80%." Transmite-se "por fluidos corporais" e os sintomas passam por "febre hemorrágica altamente contagiosa." Atualmente, a doença continua ativa e a matar, "apesar das vacinas e tratamentos recentes." Esta taxa de mortalidade elevada, tem como principal causa o facto de existirem diferentes estirpes e de as vacinas apenas serem eficazes "contra a estirpe Zaire," a qual é "responsável pelas maiores epidemias registadas."

Na República Democrática do Congo, a doença provocou já 88 vítimas mortais, havendo ainda 336 casos suspeitos. No Uganda, foram reportados dois casos de pessoas que viajaram da República Democrática do Congo. Apesar dos valores, a OMS alertou já "para um surto potencialmente muito maior do que o que está a ser detectado atualmente". Isto pode acontecer devido, principalmente, à "insegurança persistente, a mobilidade populacional" mas também à "presença de serviços de saúde informais," incapazes de dar o devido acompanhamento aos doentes ou até atuar de forma preventiva. Neste surto, o caso inicial terá sido o de um enfermeiro, do "Centro Médico Evangélico (CME) em Bunia," que faleceu a "24 de abril de 2026, na zona de saúde de Rwampara" e que terá apresentado "sintomas sugestivos de doença pelo vírus ébola: febre, hemorragia e vómitos com intensa fraqueza." detalha o documento.

As recomendações da OMS, incluem "rastreios de saúde em aeroportos e postos fronteiriços, envolvimento da comunidade na identificação de casos, funerais seguros e formação para profissionais de saúde," alertando ainda que "qualquer novo caso suspeito deve ser notificado imediatamente e tratado como uma emergência de saúde pública." Foi também enviado material médico e especialistas "da capital, Kinshasa, para Bunia, de forma a reforçar a resposta na linha da frente."

Em 2025, houve um outro surto de ébola nesta região, do qual resultaram "pelo menos 34 mortes." No entanto, o surto mais mortífero registado naquela região ocorreu entre 2018 2 2020 e "provocou quase 2.300 mortes." E porque é que esta doença ainda mata tanto? De facto, a alta taxa de mortalidade tem ligação direta com fatores de prevenção (este vírus tem um período de incubação que pode durar até 21 dias sem sintomas visíveis, o que dificulta a deteção precoce) e de tratamento (embora já existam vacinas e tratamentos avançados para algumas estirpes, certas variantes continuam a não ter uma cura específica aprovada). O ébola provoca febres hemorrágicas graves e falência múltipla de órgãos, podendo levar à morte até 90% dos infetados, dependendo da variante e da rapidez com que o doente recebe cuidados médicos.

Fontes:

https://www.jn.pt/mundo/artigo/oms-declara-emergencia-de-saude-publica-mundial-devido-a-surto-de-ebola/18085149

https://www.jn.pt/mundo/artigo/surto-de-ebola-na-republica-democratica-do-congo-ja-fez-80-mortos/18084845



14/05/2026

Dor crónica (quase) incapacitante

Ter dor constante é algo que me limita a nível pessoal e profissional. Há decisões que têm de ser tomadas tendo em conta a dor constante, os gatilhos e os tempos necessários ao descanso. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não nos dá acesso ao Atestado médico de Incapacidade Multiusos, já se encontra na Tabela Nacional de Incapacidades. No entanto, a atribuição deste documento depende da avaliação por uma junta médica que quantifica a incapacidade global resultante da doença. E é nessa junta médica que vai estar a grande dificuldade. É que a dor não se vê - e como se prova que dói muito ou que dói pouco, ou como se explica que ontem não mexia a perna, que hoje a perna parece estar boa e o que me dói é o cotovelo? Como explicar que desde 2018 me dói o ombro, tanto que em alguns dias ele praticamente não mexe, mas todos podem olhar e não há ali nada que prove a minha dor. É assim que se sentem os doentes com fibromialgia. Impotentes.

De facto, quem sofre de dor crónica, acaba por sofrer não só da dor em si, mas da desvalorização por parte dos outros, muitas vezes, familiares e colegas de trabalho. Na verdade, o próprio stress no trabalho agrava a dor e limita-nos naquilo que é a nossa funcionalidade. Por exemplo, uma ocorrência que faça gerar stress no caminho para o trabalho, pode levar a que a pessoa se sinta limitada durante algumas horas, ou mesmo até ao fim do dia. Acaba por acusar mais cansaço generalizado, dificuldade em realizar ou em terminar determinadas tarefas ou até em raciocinar. Ou seja, a dor crónica, "apesar de muitas vezes ser algo invisível e desvalorizado pela sociedade", acaba por ter muitas vezes "repercussões altamente agressivas para o dia a dia das pessoas.

Pedir apoios é difícil e implica diferentes exames e solicitações num processo demorado e que leva muitos doentes a desistir. Na verdade, a Segurança Social naquilo que são os seus canais eletrónicos, é "uma entidade altamente complexa."

Na minha perspetiva e sendo portadora de Fibromialgia e com um diagnóstico de desmineralização óssea, teria de haver um maior e mais facilitado acesso a baixas que permitissem ao doente a recuperação em períodos de crise. 

Explicar que ontem estava bem e que hoje me custa até a andar é complicado pois a causa para essa incapacidade não é visível. O meu joelho inchou, do nada, sem qualquer razão e com dores tão fortes que me impossibilitavam de andar. Consulta, baixa médica e exames. Normal como em qualquer outra situação, só que quando fui fazer os exames (raio-x e ecografia das partes moles) já tinham passado algumas semanas e como seria de esperar nestas situações, já não acusou nada. Eu não menti, várias pessoas atestaram o edema que a articulação apresentava. É que entretanto, com algum repouso e anti-inflamatórios, o edema baixou a dor foi diminuindo e ainda nem fui à consulta marcada para mostrar os exames. 

Os anti-inflamatórios não tratam a fibromialgia mas atuam sobre as zonas inflamadas - normalmente, articulações. Ajudam na diminuição da dor, em conjunto com outros medicamentos. Mas não, não os tomo apenas os "cinco dias e depois pare" como me indica o médico. Parar por um ou dois dias é ter uma crise de dor intensa e de cansaço que me parece destruir por completo, sentindo de imediato um agravamento da dor em determinados pontos do corpo. E vão prejudicar o fígado ou outros órgão em casos de tomas sucessivas. 

Temos depois os gatilhos. Podem ser os mais variados, e às vezes, parecem um pouco estúpidos. Não me assustem, o meu corpo contrai-se e ficarei rígida e as dores não tardarão a aparecer. Into pode acontecer com uma travagem brusca do autocarro, ou com a criança que corre para a estrada enquanto a mãe está distraída no telemóvel. 

Os gatilhos são situações do dia a dia, um grito, uma turma que causa desacatos e que não me deixa trabalhar ou terminar a aula - se para algumas pessoas, isso seria apenas um pequeno percalço, para mim é sentido como se fosse uma espécie de ataque direto que me vai fazer ficar mais stressada e que me vai colocar numa situação de maior alerta. Tudo isto, sem sequer me tocarem, sem me baterem ou empurrarem, pois não é preciso nada disso para que o meu estado de saúde se agrave.

As minhas dores agora (hoje) são piores na coluna, braço direito, em especial no cotovelo, com diminuição da força associada. De certeza que vou escutar: "mas não vinha por causa do joelho?". Pois, é que já passaram quase três meses. A demora leva a que a dor vá e volte, que mude de intensidade e de local. Dores intensas? Sim, todos os dias. Mas tenho vontade de continuar a trabalhar e a desempenhar as minhas funções pessoais, sociais e profissionais da melhor forma, mesmo que isso implique dizer "está tudo bem", quando na verdade o meu corpo parece estar a atacar-me.

E sim, começo ao longo dos anos a perceber o que me faz bem e a afastar-me do que me faz mal. Mesmo que muitas vezes tenha de dizer que estou bem, mesmo não estando, para não ver certos olhares ou ouvir alguns comentários.

O doente com dor crónica, fibromialgia ou outra doença, é uma pessoa incompreendida pelas outras. Imaginem a dor de partir um braço e ficar três meses sem o mexer e terem depois durante algum tempo, dores devido à recuperação. Eu não parti o braço, mas as minhas são tão incapacitantes como se o tivesse partido. Recupero aos poucos para depois, bastando um gatilho, a dor voltar a aumentar ou, até me começar a doer de forma incapacitante outra zona do meu corpo. E como se explica isso a quem não vê sinais de dor? A quem quer perceber mas não sabe, nunca sentiu, esta dor?

É viver.

Fontes:

https://app.parlamento.pt/webutils/docs/doc.pdf?path=6148523063484d364c793968636d356c6443397a6158526c63793959566b786c5a7939555a58683062305a70626d46735547563061574e765a584d764e3255344d6d46694e546b744e6a6b774d4330305a6a41314c546b354e7a6b745954553059544d34597a5a694e5459794c6e426b5a673d3d&fich=7e82ab59-6900-4f05-9979-a54a38c6b562.pdf&Inline=true

https://observador.pt/programas/conversas-sobre-dor/que-apoios-sociais-para-as-pessoas-com-dor-cronica/

13/05/2026

Morte a bordo

A causa parece ser o norovírus. Um pequeníssimo ser apenas detetado microscopicamente e que conseguiu parar o "Ambassador Cruise Line," com 1700 pessoas a bordo (514 dos quais pertencentes à tripulação). O primeiro caso foi o de "uma pessoa de 90 anos" que apresentou sintomas de doença gastrointestinal (vómitos, diarreia, febre) e acabou por falecer. Cerca de outros 50 passageiros apresentaram sintomas, compatíveis com infeção por este vírus.

A viagem tinha começado a 6 de maio, nas ilhas Shetland (ao largo da costa da Escócia). Fez paragens "em Belfast (Irlanda do Norte), Liverpool (Inglaterra) e Brest (oeste de França) antes de chegar a Bordéus, de onde deveria partir para Espanha." Foi depois da paragem em Liverpool que os casos de doença gastrointestinal começaram a aumentar.

A bordo, a tripulação do navio começou a aplicar os protocolos de saúde pública aconselhados para estas situações, de forma a tentarem diminuir a propagação do vírus. Todos os passageiros ou tripulantes que apresentem sintomas "estão a ser assistidos pela equipa médica do navio e isolados." As autoridades já foram informadas sobre "a situação sanitária a bordo," e as medidas de higiene foram reforçadas. Atualmente, todos os passageiros se encontram confinados dentro do navio que chegou na "noite de terça-feira a Bordéus, sudoeste de França."

Sobre o virus, na realidade ele é muito comum, sendo a causa mais frequente de gastroenterite viral aguda. No entanto, acaba por ser mais contagioso em locais fechados onde ocorre contato físico mais próximo. 

Fontes:

https://www.dn.pt/internacional/um-morto-e-mais-de-1700-pessoas-confinadas-num-cruzeiro-em-bordus-por-suspeita-de-epidemia-de-gastroenterite

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/suspeita-de-norovirus-um-morto-e-1700-pessoas-confinadas-em-navio-em-bordeus_n1740982

https://www.hospitaldaluz.pt/pt/dicionario-de-saude/norovirus-e-gastroenterite-aguda




03/05/2026

O desaparecimento de um dos maiores comunicadores do "meu tempo" e a Liberdade de Imprensa

 Hoje fazia tenções de escrever apenas sobre a Liberdade de Imprensa, mas acabei de saber que tinha falecido esta madrugada um dos maiores radialistas e voz-off da minha geração. De voz inconfundível, Cândido Mota foi um comunicador que se distinguiu pela clareza e força da sua voz. Uma voz que conhecemos antes da imagem.

Atualmente a viver na Casa do Artista, Cândido Mota foi locutor de rádio, apresentador de televisão e ator, particularmente em pequenos sketches feitos com Herman José.

Nascido em Espinho a 28 de setembro de 1943, Cândido começou a trabalhar no Rádio Clube Português com apenas 17 anos. Na RDP (Rádio Difusão Portuguesa) fez programas inovadores para a época como o "Em Órbita" ou o "Passageiro da Noite" (1979). no qual as pessoas podiam ligar para a rádio e falar em direto sobre diferentes temas.

Foi contraponto em muitos programas televisivos, trabalhando por exemplo com Herman José com quem tinha uma cumplicidade indisfarçável, por exemplo em "A Roda da Sorte" (1991) ou "Com a Verdade m'enganas", ambos da RTP. Estávamos numa época em que havia pouca variedade, mas uma qualidade superior, principalmente ao nível dos concursos e do entretenimento. 

Quanto ao tema que me propunha falar em primeiro lugar, outras oportunidades virão, mas não poderia deixar de relembrar que a liberdade de um povo se vê na liberdade da sua imprensa. Tal como nos lembrou António José Seguro, existem muitos países em que os jornalistas "são frequentemente alvo de censura, ameaças e mesmo violência." Eu acrescentaria que existem países onde os jornalistas são perseguidos e assassinados, onde estar identificado como "press" não significa estar em segurança. A nossa democracia deve muito à imprensa que, tantas vezes, foi tentando contornar as ordens do regime.

Agora deixo a questão: existe liberdade de imprensa no nosso país?


Fontes:

https://sicnoticias.pt/pais/2026-05-03-presidente-da-republica-diz-que-voz-inconfundivel-de-candido-mota-ficara-na-memoria-coletiva-1d65f8b7

https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2ndido_Mota_(locutor)

https://diariodistrito.sapo.pt/liberdade-de-imprensa-em-risco-alerta-de-antonio-jose-seguro/

24/04/2026

O que se discute nas vésperas de se celebrar o 25 de Abril

Muito já se falou sobre o 25 de Abril, muito se contou sobre a sequência de acontecimentos que culminaram no exílio de Marcello Caetano e na criação da Junta de Salvação Nacional. Então, porque é que precisamos de falar sobre a Censura e sobre a opressão, ou porque é que discutimos tanto de antes era melhor ou pior? 

Precisamente porque ainda temos pessoas que querem regressar àquele tempo. E porque ainda encontro jovens que não sabem porque é que teve de haver uma revolução naquele dia. 

Não estou a brincar quando digo que, apesar de se falar nas escolas sobre o 25 de Abril, não se fala da forma correta e sem medos. Temos de ser mais diretos pois parece que a mensagem está a ser passada de uma forma simplista e sem grande significado. Falamos de cravos e de que agora podemos dizer o que queremos ou ler os livros que queremos, mas não se fala nas torturas implementadas, no medo em que se vivia, nas más condições de vida em que a maioria da população vivia. Não se fala da guerra colonial da forma correta, de forma verdadeira. Das suas consequências. Não se fala também do que veio depois... salta-se para a União europeia como de tivéssemos dado um salto imediato.

Não, não correu tudo bem e é preciso falar-se de forma aberta sobre isso. Sobre o estado em que se encontrava o país na década de 20 do século XX e de como os governos autocráticos se podem instalar facilmente num país, mesmo naqueles que se acham desenvolvidos. De como se podem levar multidões a acreditar em palavras "doces" quando não se tem a capacidade de interpretar o que realmente está a ser dito e de como certas coisas ditas de forma "gritada" podem ser aceites pelas pessoas, mesmo quando ão ideias pouco inteligentes.

É preciso saber o que se viveu e o porquê. É preciso não apenas ouvir, mas também analisar aquilo que se ouve. Há tanta coisa que poderia ter sido diferente.

Que se continue a celebrar Abril e a Liberdade. Que se festeje a vitória da democracia e que não se esqueçam os heróis de Abril, sejam eles soldados ou atores, cantores ou escritores, pintores ou jornalistas!

No dia da criança, lembremo-nos dos que sofrem

Hoje é dia da Criança. Um dia feliz, com muitas atividades, alegria, presentes. Um dia diferente para muitas crianças. Mas depois vem-me à l...