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20/09/2025

Violação do espaço aéreo da NATO ou simples distração?

Nos últimos dias, tenho dado conta de que se fala cada vez mais em drones e em ataques feitos com estes disposoitivos. Temos também assistido, a partir dos blocos noticiosos, a diversos relatos de aeronaves russas que violam o espaço aéreo de países pertencentes à NATO. Embora sem danos diretos, estes voos podem ter diferentes causas e diversas intenções, desde logo, permitir testar as defesas anti-aéreas e os tempos e formas de reação de cada país a um ataque russo.

Desta vez, três caças entraram no espaço aéreo da Estónia e, de acordo com o governo deste país, não tinham "autorização" para o fazer e voaram "durante 12 minutos antes de serem interceptados por F-35 italianos," que estariam na região a participar "numa missão de vigilância do Báltico." Estas aeronaves, não responderam a nenhum a tentativa de "comunicação de rádio bidirecional com o controlo de tráfego aéreo da Estónia e não tinham planos de voo," o que constitui desde logo uma situação grave que podia mesmo ter levado ao abate dos caças. No caso da Estónia, esta foi a quarta vez este ano que tal aconteceu e já levou a que "vários líderes políticos europeus" condenassem "o incidente, entre os quais a ministro da Defesa da Lituânia, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, o chefe da diplomacia alemã, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, bem como os primeiros-ministros da Suécia e da Chéquia."

Situação idêntica tinha acontecido na Polónia, cerca de uma semana antes, "depois de mais de 20 drones russos terem entrado no espaço aéreo do país" e levando a que aviões da NATO tivessem mesmo chegado a abater alguns deles. Este incidente levou a que a NATO, tivesse, ainda no passado sábado, avançado com a ativação da "iniciativa militar Sentinela Oriental, criada para reforçar a defesa do flanco oriental." 

No caso da Polónia, este ato foi considerado como uma provocação, que deve ser levada a sério pela NATO, tendo ainda solicitado "uma reunião extraordinária do conselho de segurança da ONU." Entretanto, "dois caças russos sobrevoaram a baixa altitude a plataforma Petrobaltic, no Mar Báltico," violando a "zona de segurança da plataforma."

Sobre a mesma situação, Portugal, através de Paulo Rangel (Ministro dos Negócios Estrangeiros), "convocou o embaixador russo para pedir explicações" acerca da "invasão do espaço aéreo e da fronteira" da Polónia. Não nos podemos esquecer que o nosso país está, apesar de tudo, envolvido diretamente na defesa do espaço aéreo e marítimo europeu, seja através da sua participação ativa em missões da NATO, seja pela importância da sua localização geográfica, particularmente, da base das Lajes, sita nos Açores.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, já veio, no entanto, em defesa do seu homólogo russo, dizendo que se poderia ter tratado apenas de um "acidente," ou "um erro," embora estes atos estejam a ser vistos por algumas forças da NATO, como testes às defesas aéreas de países que fazem parte da organização, bem como, atos de provocação, para incitar a que outros países se envolvam na guerra. O perigo, é nunca sabermos de que lado é que ele está e, isso sim, é um perigo!

Fontes:

https://www.publico.pt/2025/09/19/mundo/noticia/estonia-denuncia-violacao-espaco-aereo-cacas-russos-2147853

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-09-15-polonia-abate-drone-que-sobrevoava-edificios-do-governo-e3b559fa

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2025-09-20-ucrania-sugere-resposta-energica-a-incursao-de-cacas-russos-na-estonia-bdbb0d64

https://sicnoticias.pt/pais/2025-09-11-portugal-convoca-embaixador-russo-por-causa-de-intrusao-no-espaco-aereo-polaco-1e881941

https://pt.euronews.com/2025/09/19/tres-cacas-russos-invadiram-o-espaco-aereo-da-estonia

https://expresso.pt/internacional/uniao-europeia/2025-09-19-estonia-denuncia-violacao-do-espaco-aereo-por-cacas-russos-e-solicita-reuniao-ao-abrigo-do-artigo-4-da-nato-7533e6fb

06/08/2025

A bomba que (se dizia) ter acabado com a guerra...

... e que ainda hoje nos faz tremer quando ouvimos falar em armas nucleares ou mesmo em energia nuclear, foi lançada há precisamente 80 anos.

Se acabou com a guerra? Não acredito que o tenha feito, pelo menos não no que se refere à situação na Europa. Se era necessária e imprescindível o seu lançamento? Só se for por mostrar a força de uma grande potência, atacada, inferiorizada e que teve de se mostrar mais forte. É este o risco do nuclear. Não são as bombas... é quem está atrás do "botão".

Continua então a haver risco... continua então a ser preciso falar disto, todos os anos, todos os dias se preciso for. Para que ninguém se esqueça que a morte está apenas dependente da decisão de alguém. Alguém com poder em mandar...

O material usado para a primeira bomba ("Little Boy") foi o urânio 235. A bomba foi transportada pelo avião "Enola Gay" e o seu rebentamento "causou a morte imediata de 70.000 pessoas, um número que subiu para 140.000 no final daquele ano." Os efeitos foram agravados porque o engenho tinha sido programado para explodir acima do solo e não quando embatesse nele, ou seja, não houve qualquer absorção da energia que se espalhou por vários quilómetros. Na tarde do ataque, uma chuva negra começou a espalhar a radiação, que viria a matar milhares de pessoas e a causar danos irreversíveis em muitas outras.

O que ainda hoje está em causa - em termos históricos, podemos dizer que a bomba foi lançada "ontem", pois ainda há danos a serem atualmente descobertos, pessoas afetadas e seus descendentes ainda vivos - é se o seu lançamento era imprescindível para terminar com a guerra ou se foi apenas uma manifestação do poder americano. E este é um tema que ainda nos nossos dias é complicado de discutir...

Justificar-se-iam os milhares de mortos, ou teria havido outra forma de amedontrar os inimigos e fazê-los depôr as armas? Talvez isso nunca se venha a saber, principalmente devido à forma como a opinião pública à época era levada a entender a guerra e as suas consequências. Hoje vemos imagens terríveis, fotografadas e gravadas logo após a explosão, que nem sequer nos mostram exatamente o que ocorreu no local do impacto, mas na época, a quantas pessoas chegaram essas imagens? Poucas pessoas na Europa tinham acesso naqueles dias a ver as notícias na televisão (em Portugal a televisão pública chegaria em 1957) e ou jornais que chegavam às bancas eram, em muitos casos, sujeitos a censura prévia. Não houve o impacto que teria hoje, afinal, para muitos europeus e americanos foi o cessar de uma ameaça real - os ataques dos japoneses eram vistos como altamente eficazes e mortais, um risco ao qual tinha de ser posto cobro. Já para nem falar que na altura ninguém navegava na Internet... e há aqui muito mais a dizer e a analisar, ainda nos tempos que correm.

A descoberta da fissão nuclear que depois viria a dar origem à bomba, ocorreu "dois meses antes do início da Segunda Guerra Mundial," num laboratório de Berlim. Os três físicos, a que a bomba deve a sua origem, chamavam-se "Otto Hahn, Lise Meitner e Fritz Strassman." Perguntamo-nos para já, como é que começou a II Guerra Mundial.

Apesar de se apontar a invasão da Polónia (em 1939) pelas tropas de Hitler, como fator percursor deste conflito,houve vários acontecimentos que foram alargando as tensões que se viviam desde a Primeira Gue rra. Esta invasão vem no seguimento da assinatura de um "Pacto de Não-Agressão" e de um protocolo secreto que tinha como uma das suas cáusulas a divisão do Leste da Europa entre si.

Aquando da invasão da Polónia, a Inglaterra e a França fizeram um ultimato aos alemães, que dois dias depois daria início ao ataque contra a Alemanha por parte destes países. Poucos dias depois, a Rússia (através do protocolo assinado entre as duas potências) avança também, invadindo a Polónia.

No entanto, temos de nos afastar um pouco e olhar também para o resto das anexações e tratados, que já tinham entretanto começado a delinear os dois grandes blocos que se oporiam: de um lado o Japão (que em 1937 tinha atacado a China), a Alemanha (que em 1938 tinha anexado a Áustria) e a Itália, do outro lado a União Soviética, a China e o Reino Unido. Em 1939, quando a Alemanha viola o Acordo de Munique assinado no ano anterior, ocupando as províncias resultantes do desmantelamento da Checoslováquia e a Itália anexa a Albânia, o clima já estava suficientemente quente para se evitar a Guerra.

O ataque dos japoneses a Pearl Harbour ocorreria em 1941e levaria os EUA a juntarem-se ao conflito, naquela que seria apelidada de "Guerra do Pacífico" e que levou a vários ataques (sobretudo aéreos) sobre Tóquio e outras cidades nipónicas. No mesmo dia em que decorria o ataque ao porto americano e que levou à morte de milhares de soldados, "a aviação japonesa atacou vários objetivos estratégicos: Manila, nas Filipinas, Malásia, Singapura e Hong-Kong, enquanto as forças terrestres desembarcavam no Bornéu britânico e no Norte da Malásia; foi também por essa altura que a Tailândia foi ocupada." A guerra parecia estar a virar e, os americanos, não estavam a conseguir derrotar as tropas japonesas, apesar de vários ataques bem sucedidos. As perdas de vidas eram aos milhares de ambos os lados. Em junho de 1942, os EUA começam a ter novamente algum domínio e recuperam territórios entretanto perdidos para o inimigo.

Entretanto, Roosevelt receberia uma carta de Albert Eistein que o avisava da possibilidade da Alemanha estar a tentar fabricar uma bomba com grande capacidade destrutiva, o que levaria o presidente dos EUA a autorizar o início do Projeto Manhattan, "uma corrida para vencer a Alemanha no desenvolvimento de armas atómicas." Este projeto seria liderado pelo "físico Robert Oppenheimer (1904-1967)," e conduziria os EUA para os dois ataques mais mortíferos da história. A ideia seria a de criar algo que dissuadisse os alemães a usar a energia nuclear - o que mais tarde, viria a designar-se como "o princípio da destruição mútua assegurada (ou MAD), intimamente relacionado com a teoria da dissuasão" - mas o que aconteceu foi um ataque que matou milhares de pessoas.

Apesar dos progressos americanos, a guerra parecia estar a terminar com a queda da Alemanha no ocidente, mas o Japão ainda continuava a atacar territórios defendidos pelos americanos, incluindo a  dominava "a Indochina, grande parte da China continental, a Indonésia e muitas ilhas dispersas." Para os EUA, era impensável desistir e deixar de dominar o Japão, mas isso não iria ser facilmente conseguido. "Perante este cenário, o presidente americano Truman tomou a decisão de lançar a bomba atómica sobre Hiroshima." Iria seguir-se Nagasáqui a 9 de agosto, enquanto a URSS voltava a entrar no conflito, atacando "o Japão nos seus domínios continentais da Manchúria e da Coreia."

Depois do lançamento da bomba sobre Hiroshima, seria lançado um segundo engenho sobre a zona de Nagasáqui. Então, podemos afirmar que foi uma defesa e que era essencial o lançamento das bombas, ou terá sido um aproveitamento, um último recurso contra uma força que, apesar de todos os ataques, não se estava a deixar fragilizar? A ONU, criada em outubro de 1945, viria, anos mais tarde, a propor um Tratado para evitar que Hiroshima e Nagasaki se viessem a repetir. Vários países assinaram o Tratado, mas nem todos se mantém longe da corrida ao armamento de destruição em massa. O Japão foi um dos países que nunca chegou a aderir ao "tratado da ONU sobre a proibição de armas nucleares, assinado em 2017."


Ver também:

https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/dia-internacional-para-a-eliminacao-188777

https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/75-anos-de-hiroshima-292410

https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/50-anos-contra-as-armas-nucleares-283933


Fontes:

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cydzer73zd7o

https://www.publico.pt/2023/08/06/opiniao/opiniao/lancamento-bomba-atomica-78-anos-dilema-etico-2059311

https://sicnoticias.pt/olhares-pelo-mundo/2025-08-06-video-hiroshima-assinala-80-anos-da-bomba-atomica-13d06925

https://theconversation.com/80-anos-depois-o-que-aconteceu-com-os-sobreviventes-de-hiroshima-e-nagasaki-262756

https://www.infopedia.pt/artigos/$guerra-do-pacifico-(1941-1945

 

20/05/2025

Balanço eleitoral - não foi só Portugal que foi às urnas!

Bem, que ainda falta contar os votos dos emigrantes e que ainda podemos ter mais algumas alterações no Parlamento, todos sabemos, mas hoje venho dar aqui destaque a outros dois atos eleitorais que se realizaram na Europa. 


Na Roménia, as eleições presidenciais foram ganhas pelo "candidato independente pró-ocidental Nicusor Dan," que conseguiu, este domingo, "54%" dos votos. "O seu concorrente, o candidato da extrema-direita George Simion," ficou com "46% dos votos." Mas... e não havia mais nenhum candidato a concorrer? A verdade é que, na primeira volta, realizada a 4 de maio, o vencedor tinha sido "George Simion, o pouco conhecido candidato da extrema-direita. No entanto, as intenções mudaram em apenas "duas semanas" com Nicusor Dan, defensor da UE, a conseguir "dar a volta ao resultado e passar para a frente."


O partido "Aliança para a União dos Romenos - um pequeno partido nacionalista de extrema-direita," de Simion, defendia entre outras coisas, "a integração da Moldova e do sudoeste da Ucrânia na Roménia, o que lhe valeu a proibição de entrar nesses países."


Estes resultados mostram a dicotomia existente no país, ficando assim o "futuro presidente" com um grande desafio em mãos: a reunificação do país." Nicusor Dan, terá ainda de lidar com "a turbulência económica que se aproxima e que assola a Roménia." A Ucrânia e a Moldova não ficaram indiferentes a este resultado, "num momento crucial" para toda a UE, uma vez que se espera que o "presidente eleito," trabalhe "com a atual maioria pró-ocidental no parlamento." Nestas que foram consideradas as eleições mais importantes desde o "fim do comunismo" na Roménia, a polémica tem sido uma constante. A primeira volta, em dezembro, acabou por  ser "anulada" pelo "Tribunal Constitucional, numa decisão inédita, por suspeita de ingerência russa, que teria beneficiado nas redes sociais, nomeadamente no TikTok, o candidato pró-russo Calin Georgescu."


Já na polónia, tudo aponta para a vitória de Rafał Trzaskowski, na primeira volta que também se realizou este domingo, "contra o rival de direita, Karol Nawrocki." A segunda volta irá disputar-se "a 1 de junho." Trzaskowski, do "partido Plataforma Cívica," de onde é também o "primeiro-ministro Donald Tusk," conseguiu "30,8% dos votos, enquanto Nawrocki, apoiado pelo partido populista de direita Lei e Justiça (PiS), obteve 29,1%." Neste caso, estavam em disputa "13 candidatos" (11 homens e 2 mulheres) e nenhum deles conseguiu ter "mais de 50% dos votos, sendo necessária uma segunda volta, que vai agora ser influenciada pelo sentido de voto dos derrotados." Segundo as projeções, o "terceiro colocado será Slawomir Mentzen, candidato da Confederação (extrema-direita), com 15,4% dos votos."


Em ambos os casos, a extrema direita saiu, para já, derrotada. 


Fontes:


https://pt.euronews.com/my-europe/2025/05/18/candidato-pro-ue-lidera-presidenciais-cruciais-na-romenia-segundo-sondagens-a-boca-das-urn


https://expresso.pt/internacional/europa/2025-05-18-eleicoes-presidenciais-na-polonia-candidato-pro-europeu-vence-rival-populista-por-pequena-margem-na-primeira-volta-4dfbe263


https://www.dn.pt/internacional/europe%C3%ADsta-dan-vence-presidenciais-na-rom%C3%A9nia-e-ue-respira-de-al%C3%ADvio


 

26/02/2025

Três anos de conflito

Três anos...

Há três anos, éramos surpreendidos pela entrada de tropas russas na Ucrânia. Da mesma forma que Putin achava que entrava por ali adentro e derrubava o governo ucraniano, subjugando o seu povo às suas vontades, também o povo daquele país mostrava que não seria com duas cantigas que se renderiam ao arsenal bélico do inimigo. Um inimigo conhecido de longa data, é bom que se diga. 

Os planos do presidente russo, Vladimir Putin, previam uma vitória fácil e poucos "analistas internacionais ousaram contestar essa previsão, dada a disparidade de força entre os dois países." Mas, a verdade, é que o povo ucraniano tem dado provas de que a sua decisão em resistir, não foi uma má escolha e que, mesmo com todas as dificuldades e as perdas em vidas humanas, tem conseguido resistir. Passaram-se três anos e a guerra está num impasse. A Rússia não tem avançado muito, mas também é verdade que a Ucrânia ainda está longe de recuperar as regiões perdidas. Embora os dados sejam difíceis de confirmar, desde o início da invasão, a Ucrânia terá registado "43 mil militares mortos em combate e mais de 370 mil feridos, números abaixo das estimativas de várias entidades." Do lado russo, terão havido cerca de "845.310 baixas desde o começo do conflito."

A Ucrânia pediu ajuda... mas foi muito a medo que a União Europeia e a NATO foram facultando armas e viaturas, não cedendo aos muitos pedidos da Ucrânia para entrar na Organização Transatlântica. Durante todo este tempo, a Ucrânia pediu ajuda e esta lá foi chegando, primeiro mais a medo, depois de forma mais visível, mas sempre sob ameaça da Rússia. Atualmente, "a Rússia controla pouco menos de 20% do território ucraniano, ou cerca de 110 mil quilómetros quadrados." A Ucrânia, conseguiu entretanto avançar também "a província fronteiriça de Kursk, no oeste da Rússia, onde chegou a ocupar cerca de mil quilómetros de quadrados de território, segundo as autoridades militares de Kiev, mas esse número deverá ser atualmente menos de metade."

António Guterres, secretário-geral da ONU, destacou hoje no seu discurso, "o impacto devastador do conflito: milhares de civis mortos, cidades destruídas e infraestruturas essenciais reduzidas a escombros," referindo ainda que a "ONU tem mobilizado todos os seus recursos para aliviar o sofrimento da população e promover uma paz justa e duradoura."

As proporções desta crise humanitária são, apesar de tudo o resto que uma guerra envolve, o mais alarmante: "cerca de cinco milhões de ucranianos enfrentam insegurança alimentar, especialmente nas regiões próximas da linha da frente. A subida dos preços e a destruição das cadeias de abastecimento deixaram muitas famílias sem acesso a alimentos nutritivos, forçando-as a recorrer a medidas extremas, como saltar refeições ou contrair dívidas para comprar comida." 

Foram cerca de "11 milhões" as pessoas forçadas "a abandonar suas casas, com 6,9 milhões registados como refugiados e outros 3,7 milhões deslocados internamente." No que respeita aos civis mortos desde o início do conflito, estes deverão andar próximo aos 2500, "incluindo 669 crianças." Além disso, 28.382 civis, entre os quais 1.833 menores, ficaram feridos, mas os números reais deverão ser "consideravelmente maiores", já que apenas são contabilizados os casos verificados.

Uma das situações mais preocupantes é a "das mulheres e das raparigas na Ucrânia."

"Além disso, a ONU documentou centenas de casos de violência sexual relacionada com o conflito e alertou para o aumento de 36% nos casos de violência doméstica. Em resposta, a ONU Mulheres tem investido em programas de apoio psicossocial, empoderamento económico e participação feminina nos processos de paz e reconstrução." Assinalando esta data, "o executivo comunitário anuncia um pacote de ajuda à segurança energética da Ucrânia e aprova o 16.º pacote de sanções à Rússia."

Os EUA terão sido o país que mais ajuda em termos de armamento enviou para a Ucrânia, mas a relação entre os dois países deixou de ser a mesma desde que Trump chegou ao poder. "Crítico da ajuda norte-americana a Kiev, Trump já suspendeu os financiamentos globais da agência estatal de desenvolvimento USAID. Segundo o Instituto Kiel, os Estados Unidos transferiram 3,4 mil milhões de euros em ajuda humanitária para a Ucrânia desde o começo do conflito."

Já do lado da Rússia, os principais apoiantes têm sido o Irão e a Bielorrússia. Mas o aliado que se tem mostrado mais na concretização do apoio à Rússia no "campo de batalha é a Coreia do Norte. No âmbito de uma parceria estratégica com a Rússia e a troco de alimentos e cooperação tecnológica e financeira, e ainda de proteção militar mútua, Pyongyang forneceu a Moscovo pelo menos 13 mil contentores de munições de artilharia, 'rockets' e mísseis, segundo o serviço de informações de Seul (NIS), como forma de ambos os países contornarem o isolamento internacional e as sanções ocidentais." O governo de "Kim Jong-Un destacou acima de dez mil militares para lutar ao lado das tropas russas na província russa de Kursk, parcialmente ocupada pela Ucrânia."

Apesar de afirmar que não apoio militarmente a Rússia, "a China é acusada pelas potências ocidentais de alimentar a máquina de guerra do Kremlin, através da venda de componentes para a sua indústria de defesa, e a sua economia por via do comércio e mesmo acontece em relação a outro gigante global, a Índia." Já no que respeita às sanções aplicadas, as mesmas acabaram por não ter os resultados esperados, uma vez que durante os três anos em que esta guerra já dura, "a China surge como o principal cliente de combustíveis fósseis da Rússia, com cerca de 165 mil milhões de euros em importações, bastante à frente da Índia (98 mil milhões), da Turquia (68 mil milhões) e dos países da União Europeia (55 mil milhões)."


Fontes:

https://unric.org/pt/tres-anos-de-guerra-na-ucrania-a-resposta-humanitaria-da-onu/

https://www.publico.pt/2025/02/24/mundo/noticia/ucrania-tres-anos-guerra-mapas-numeros-2123649

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2025-02-24-principais-indicadores-em-tres-anos-de-guerra-na-ucrania-c210fa43

21/11/2024

Ucrânia - breve resumo de mil dias de conflito

O ocidente assinalou esta semana 1000 dias de conflito entre a Rússia e a Ucrânia, mas a verdade é que se perguntássemos a um ucrâniano, esse número seria muito superior. O momento da invasão da Ucrânia pela Rússia deu-se no dia 24 de fevereiro de 2022, mas as tropas russas há muito que se aproximavam das fronteiras daquele país.


Estes dois países "compartilham diversos laços históricos, políticos e culturais e inclusive fizeram parte de uma mesma nação, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), uma das principais potências do século XX, que se fragmentou em diversas repúblicas." Em 1991 a Ucrânia ganha a sua própria independência, mas o novo país quer mais e torna o afastamento à Rússia e a aproximação à União Europeia e à NATO (Tratado do Atlântico Norte), como um dos objetivos a conseguir.


Esta tentativa de aproximação que a Ucrânia tem feito ao Ocidente, de há cerca de trinta anos para cá, desde sempre foi considerada pela Rússia "como uma ameaça à sua soberania" e pode ser apontada como uma das principais causas do conflito entre os dois países. Em 2014, a Rússia "invadiu a Península da Crimeia, parte integrante do território ucraniano," com o "pretexto de proteger os russos nativos que habitam essa região." A região do Donbas, situada no leste da Ucrânia, tem também sofrido com "conflitos separatistas ao longo dos últimos anos."


Apenas quatro dias depois da invasão russa, que ocorreu a 22 de fevereiro de 2022, a Ucrânia, "visando ao apoio político e económico das potências europeias, realizou o pedido oficial para ingressar na União Europeia." A Rússia consegue tomar Kherson a sul, alguns dias depois. Esta cidade é "considerada estratégica pelos dois lados do conflito" devido à sua localização geográfica na foz do rio Dnieper. Entretanto, logo nos primeiros dias de conflito foram milhares as pessoas que abandonaram as suas casas e tentaram sair do território, pedindo asilo um pouco por toda a Europa. Países como a Polónia, a Hungria, a Eslováquia, a Roménia e a Moldova foram os que maior número de refugiados receberam, embora toda a Europa tenha reunido esforços para aceitar a chegada de refugiados, na sua maioria mulheres e crianças e de os apoiar com habitação, alimentação, vestuário e educação.


Segue-se a queda de Mariupol, outra "cidade estratégica, localizada nas margens do mar de Azov" a sudeste, onde se registou aquele que pode ser considerado como "um dos mais sangrentos conflitos" desta guerra, com um elevado "número de civis mortos" às mãos das forças russas.


A 2 de abril de 2022 a Ucrânia consegue recuperar Kiev, aproveitando-se "das dificuldades encontradas pela Rússia" e da consequente mudança "de foco do conflito para o leste ucraniano," onde se localiza província de Lugansk que acabaria nas mãos da Rússia a 3 de julho desse ano, "consagrando assim o objetivo desse país em concentrar seus esforços de guerra na porção leste do território ucraniano."


A 30 de setembro de 2022 é finalmente formalizado pela Ucrânia o pedido de entrada na NATO, "visando a um apoio militar efetivo da Organização do Tratado do Atlântico Norte. A Rússia nunca deixou de ameaçar que, caso a Ucrânia fosse ajudada por países pertencentes à NATO, estes países estariam sob mira de ataques russos, inclusivé de ataques com mísseis nucleares. E esse fator sempre serviu para que o apoio à Ucrânia fosse feito usando pinças, de forma a evitar que o conflito escalasse e se alargasse a outros territórios. A 5 de outubro de 2022, a Rússia procede à anexação ilegal e não reconhecida das províncias "de Luhansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia."


Um "cessar-fogo de 36 horas entre o meio-dia de 6 de Janeiro e a meia-noite de 7 de Janeiro, coincidindo com a celebração do Natal cristão ortodoxo," é permitido pela Rússia, mas poucos dias depois, a 13 de janeiro de 2023, a Rússia reclama a conquista de Soledar, "alegando ter provocado mais de 500 baixas nas forças de Kiev." Por seu lado, a Ucrânia admitiu uma “situação difícil” na defesa desta localidade, "mas continua sem admitir tê-la perdido para os invasores." Apesar de não haver registo de mortos ou feridos, a verdade é que nas "horas que antecederam o início do cessar-fogo, vários mísseis atingiram um prédio residencial na cidade ucraniana de Kramatorsk, perto da linha de frente oriental, danificando 14 casas." 


Ainda durante o mês de janeiro, a Alemanha anuncia "finalmente o envio de tanques Leopard 2 para a Ucrânia, depois de ter autorizado os países aliados a reexportar os veículos de fabrico alemão, e após dias de pressão, com este tema em cima da mesa." A caminho da Ucrânia estariam catorze veículos "Leopard 2."


Em fevereiro de 2023, quase um ano volvido, realiza-se "em Kiev a cimeira UE-Ucrânia para discutir as reformas necessárias para a adesão da Ucrânia ao bloco europeu." Além dos "tanques Leopard 2, de fabrico alemão," já enviados por Berlim, encontram-se também a caminho de Kiev, "os Challenger 2 britânicos" e trinta e um "Abrams norte-americanos," embora os "pedidos de aviões de guerra, em particular os caças F-16" ainda não tivessem sido atendidos. Quanto a Portugal, iria decidir nos dias seguintes sobre o envio dos Leopard 2 solicitados por Zelensky.


Dias depois das eleições que deram a Trump a vitória, Joe Biden, ainda presidente dos EUA, fez uma declaração em que dizia autorizar a Ucrânia a usar armamento americano para atacar alvos russos em território do invasor. Ou seja, a Ucrânia passou a dispor de uma melhor e mais avançada força bélica para usar contra alvos dentro das fronteiras russas, em vez de a usar apenas como defesa do seu próprio território. Esta mudança de paradigma trouxe logo uma resposta russa, com Vladimir Putin a voltar às ameaças, garantindo que iria atacar quem fosse o proprietário das armas e não apenas quem as usasse.


A 21 de novembro de 2024, a Rússia lança um míssil balístico "de alcance intermédio, capaz de transportar uma ogiva nuclear", o Oreshnik, "contra um alvo militar na cidade ucraniana de Dniepropetrovsk." Este ataque vem na "sequência das autorizações dos Estados Unidos e do Reino Unido para que as Forças Armadas ucranianas usem mísseis de longo alcance ATACMS e Storm Shadow, respectivamente, para atingir alvos militares dentro do território russo." O 
governo russo acusou ainda a "nova base militar dos EUA na Polónia," a qual foi inaugurada no passado dia 13, como sendo "mais um passo extremamente provocador numa série de acções profundamente desestabilizadoras por parte dos norte-americanos e dos seus aliados da NATO”. Esta base de defesa antimísseis de Redzikowo, na Polónia, há muito que foi incluída na lista de alvos prioritários” da Federação Russa “para possível destruição”.

Fontes:


https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/tensao-entre-russia-e-ucrania.htm


https://www.publico.pt/2022/02/24/infografia/russia-invade-ucrania-guia-visual-entender-guerra-661#id44


https://www.publico.pt/2024/11/21/mundo/noticia/kiev-russia-disparou-missil-intercontinental-ucrania-2112767


 


 

29/07/2024

Turquia ameaça avançar sobre Israel

Em resposta aos ataques contra a Palestina, o detentor do segundo maior exército da NATO, ameaçou Israel de poder vir a entrar no seu território com o objetivo de proteger os palestinianos. Erdogan, chegou mesmo a aludir ao apoio dado pela Turquia "ao Azerbaijão durante a Segunda Guerra do Nagorno-Karabakh contra a Arménia, em 2020," bem como ao envio de tropas para a Líbia em apoio ao "Governo de Acordo Nacional da Líbia," reconhecido pelas Nações Unidas, durante o mesmo ano.


Lembremo-nos que estas ameaças já vêm de trás, quando em inícios de dezembro, Israel afirmou que entraria pela Turquia se fosse necessário para combater o Hamas, mas com o agravamento da situação a cada dia que passa, poderemos ver em breve o escalar do conflito, com apoiantes dos dois lados a mostrar o seu poder bélico e a afrontar os seus opositores.


Erdogan criticou a "visita do primeiro-ministro israelita a Washington, onde foi aplaudido por representantes" de ambas as câmaras e acusou "o líder israelita Benjamin Netanyahu de genocídio, suspendendo todo o comércio com Israel e chamando de volta o embaixador turco."


Esta escalada de retórica, vem levantar "receios de um conflito regional mais amplo" que pode vir a envolver a NATO de uma forma mais intensa e direta. Netanuahu veio já comparar Erdogan a Saddam Husseim, relembrando a forma como o ditador iraquiano foi capturado e morto.


Se por um lado espero que "alguém" ponha "mão" em tudo isto e que os sucessivos ataques contra os palestinianos acabem, por outro, a entrada da Turquia nas hostes pode trazer graves consequências com o envolvimento da NATO. O que pode estar em causa é o envolvimento de vários países, alguns dos quais sob regimes ditatoriais que têm no seu território "zonas quentes" detidas por grupos armados.


Depois de, durante a noite passada, Israel "ter atingido uma série de alvos no Líbano," vem também o Hezbollah afirmar que efetuou diversos "ataques contra Israel", embora felizmente, não ter chegado a haver "relatos de vítimas destes ataques".


Fontes:


https://zap.aeiou.pt/turquia-admite-entrar-em-israel-para-proteger-palestinianos-617430


https://executivedigest.sapo.pt/noticias/turquia-ameaca-entrar-em-israel-para-proteger-os-palestinianos/


https://pt.euronews.com/2024/07/29/diplomatas-tentam-evitar-guerra-regional-apos-ataque-ataque-que-matou-12-jovens-nos-montes


 

09/05/2024

Dia da Europa - as ameaças à paz e à estabilidade

Celebra-se hoje o Dia da Europa. A data foi escolhida pelo Conselho Europeu de Milão, de 28 e 29 de junho de 1985 e celebrada pela primeira vez em 1986, de forma a assinalar a Declaração Schuman, e a necessidade de manter "a paz e a unidade do continente europeu."


Considera-se que a atual ideia de União Europeia, teve início com a proposta de Robert Schuman, que apresentou uma nova forma de cooperação política na Europa, que "tornaria impensável uma guerra entre os países europeus." No documento, de 9 de maio de 1950, destaca-se a frase:



"A paz mundial só poderá ser salvaguardada com esforços criativos à medida dos perigos que a ameaçam."



Em 2024, a ideia de uma Europa unida e democrática está presa por fios cada vez mais frágeis. Há muito que as ameaças têm sido ignoradas. Começando pela Lituânia, que alertou para a ameaça da Rússia em 2014, passando pelas palavras dirigidas à Finlândia que tem a maior fronteira terrestre da NATO com o território russo e que já disse estar na posse de "armas e equipamento militar armazenados na Noruega — e poderão fazê-lo igualmente na Suécia." Neste momento, é impossível falar em Europa sem referir a guerra na Ucrânia e a escalada do conflito naquela região. É impossível não nos lembrarmos das ameaças que constantemente são proferidas, seja em tom mais direto ou em tom mais irónico.  


Os EUA, já vieram também colocar em consideração, a possibilidade de usarem a Escandinávia como depósito de armas, "numa resposta clara à possibilidade de agressão russa contra um destes países do norte da Europa." E é por isto que não podemos descansar. É por isto que não podemos enfiar a cabeça na areia e ignorar o que se passa nas fronteiras que fazem parte do território europeu. A ideia de proteção mútua entre os países integradores da União Europeia, faz também com que, se um for ameaçado, os outros se coloquem também na sua pele e se sintam atacados, por meio de atos ou palavras. As palavras... essas que podem ter mais poder que um míssil e causar uma maior devastação, mas que tantas vezes são apenas palavras...


Esta semana, no discurso da tomada de posse de Putin, este referiu que estava aberto a dialogar com o ocidente de forma "sincera" - acrescentando as seguintes palavras: "veremos se continuam a travar o desenvolvimento do nosso país e a exercer pressão sobre o nosso país ou se procuram formas de cooperar connosco”. Um diálogo com cheirinho a ameaça...


Em 2024, são esses esforços criativos que estão a faltar. A guerra entrou pela porta da Eupopa, mas ainda não passou mais adiante por influência de vários fatores políticos. Espero, muito sinceramente, que as eleições europeias não nos venham a trazer nenhuma surpresa desagradável.


Fontes:


https://european-union.europa.eu/principles-countries-history/symbols/europe-day_pt


https://infoeuropa.mne.gov.pt/Nyron/Library/Catalog/winlibimg.aspx?doc=35178&img=2661


https://expresso.pt/internacional/russia/2024-05-07-putin-toma-posse-pela-quinta-vez-e-garante-que-russia-nao-recusa-dialogo-com-ocidente-ccdd4edf


https://expresso.pt/internacional/guerra-na-ucrania/2024-05-06-putin-ja-puxa-dos-galoes-nucleares-vizinhos-armados-ate-aos-dentes-e-um-verao-que-cheira-a-nato-803-dias-em-guerra-9e6792a6


 


 

04/04/2024

75 anos de Aliança democrática... o mesmo inimigo comum

A NATO comemora 75 anos. E 75 anos depois, será que continua a fazer sentido a sua existência, com o renascer da guerra dentro da Europa? Sim, quando falamos de um inimigo que não sendo novo, se voltou novamente a erguer: a Rússia. Para celebrar esta data, o documento original que data de 1949, "viajou de Washington até Bruxelas," onde ficará hoje e amanhã em "exposição na sede da NATO."

Esta aliança militar, que começou com 12 membros e tem hoje 32, foi assinado num período de plena "oposição entre os blocos ocidental e oriental no âmbito da Guerra Fria" e, mantém ainda como "inimigo", já não a União Soviética, mas a Federação Russa. Os primeiros 12 países participantes foram os "Estados Unidos, Canadá, Bélgica, Dinamarca, França, Grã-Bretanha, Itália, Islândia, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos e Portugal." Em 1955, dando resposta "à adesão da República Federal da Alemanha (RFA) à NATO", o bloco de Leste criou "o Pacto de Varsóvia, uma aliança militar composta por oito países (URSS, Albânia, Bulgária, Roménia, Hungria, Polónia, Checoslováquia e Alemanha de Leste) e que acabou "dissolvido em 1991."

Recordo, que num discurso à nação russa, Putin, "fez acusações ao Ocidente, sobretudo aos EUA, à NATO e destacou o poderio militar russo" não deixando de salientar "a ameaça nuclear." Referindo-se à atual corrida ao armamento, comparou-a ao período da Guerra Fria, reforçando que os países que fazem parte da Aliança Atlântica, "têm de entender que nós também temos armas que os podem derrotar no seu próprio território". Foi nesta mesma declaração que Putin acusou a NATO (ou melhor, o "Ocidente") de ser a culpada de ter provocado "um conflito na Ucrânia, no Médio Oriente e noutras regiões do mundo e", pasmem-se, de "continua a mentir." Referindo-se a um período específico da II Guerra Mundial, em que a URSS saiu vitoriosa sobre a Alemanha, lembrou o "destino daqueles que uma vez enviaram tropas para o território" russo.

Sabiam que França, apesar de ter sido um dos países fundadores, esteve "fora" da Aliança entre 1966 e 2009? Bem, a sua saída foi apenas no âmbito militar, continuando a participar no âmbito político de forma a "desafiar a hegemonia americana no seio da organização."

O primeiro envolvimento militar da NATO, foi em 1993, durante a "guerra na Bósnia-Herzegovina, que se seguiu ao desmembramento da Jugoslávia." Em 1999, interviu também no conflito do Kosovo em 1999.

Em 2001, de forma a dar "resposta aos ataques terroristas nos Estados Unidos" a NATO invocou pela primeira e única vez até agora, "o Artigo 5.º"que "consagra o princípio da defesa coletiva" e estipula que, "um ataque contra um membro da NATO, é considerado como um ataque contra todos os Aliados."

Em 2014, para dar "resposta à anexação ilegal e ilegítima da Crimeia pela Rússia" e a invasão da Ucrânia em 2022, "a presença militar da NATO tem sido progressivamente reforçada na parte oriental do seu território para apoiar a sua postura de dissuasão e defesa." Assim, além do contingente militar que se encontra distribuído por oito países, enviou, também,  "navios para o Mar Báltico e para o Mediterrâneo," além de ter aumentado o "nível de prontidão operacional das suas tropas." A vigilância aérea foi também reforçada.

Os últimos países a entrar para a NATO, foram a Finlândia (em abril de 2023) e a Suécia (março de 2024) o que veio pôr "fim à sua tradição de neutralidade militar e de não-alinhamento."

Fontes:

https://www.dn.pt/5362597734/putin-sobre-a-nato-e-a-ameaca-nuclear-eles-tem-de-entender-que-tambem-nos-temos-armas/

https://pt.euronews.com/my-europe/2024/04/04/75-anos-da-nato-o-tratado-de-washington-em-exposicao-em-bruxelas



 

03/04/2024

Eua em alerta... devido a ataque de Israel à embaixada do Irão

Na segunda-feira, Israel bombardeou um edifício contíguo à embaixada do Irão, em Damasco, na Síria, o que faz com que os EUA, estejam agora em alerto, com receio de um "ataque do Irão contra ativos israelitas ou norte-americanos no Médio Oriente." Este foi apenas mais um de vários ataques. Já em fevereiro, um ataque com mísseis atingiu um edifício de 10 andares "num bairro que concentra edifícios residenciais, escolas e centros culturais iranianos, e fica perto de um grande complexo dos serviços secretos."

A região está em ebulição, o que pode levar a qualquer momento a um alargamento do conflito. Eu acho que é cada vez mais importante tentarmos compreender o que é que este clima de tensão pode vir a trazer e, para o fazermos, é preciso olharmos para a história do Médio Oriente e da sua relação tanto com os EUA como com a Europa. Acho que é preciso compreendermos quem apoia quem (e porquê) bem como quais podem ser as consequências diretas e indiretas desse apoio. O apoio dos EUA a Israel pode levar a que outros países que também pertencem à NATO venham a ser atingidos, pelos estados que se revelam opositores a Netanyau. Por outro lado, o apoio de alguns países - tal como é o caso de Portugal - à população palestiniana, pode ter também consequências graves.

Neste ataque, perderam a vida 16 pessoas, entre as quais poderá estar "um comandante militar iraniano," que pertencia à "Força Quds, o braço paramilitar de elite da Guarda Revolucionária, responsável pelo relacionamento com governos e grupos aliados" de Teerão.

O "chefe do movimento xiita libanês Hezbollah, Hassan Nasrallah," já veio dizer que a resposta do Irão será "inevitável" sem, no entanto, dizer, onde, como e quando esta irá acontecer. Devemos lembrar que, desde o ataque de 7 de outubro, que "o Hezbollah e Israel" se atacam recíprocamente, em particular  "nas regiões fronteiriças entre os dois países." Estes ataques "já provocaram centenas de mortos, na maioria combatentes do Hezbollah e civis libaneses," aumentando "os receios sobre uma extensão do conflito."

São estes receios fundamentados?

Fontes:

https://www.dn.pt/6007382124/estados-unidos-em-alerta-maximo-para-um-eventual-ataque-do-irao/

https://www.dn.pt/6986719600/chefe-do-hezbollah-libanes-considera-inevitavel-resposta-do-irao-a-ataque-israelita-na-siria/

https://pt.euronews.com/2024/02/21/israel-lanca-ataque-contra-damasco-e-faz-dois-mortos

01/03/2024

Funeral de Navalny e as ameaças russas aos países da NATO

A morte de opositores ao governo russo já não é novidade, mas não posso deixar de referir que, enquanto familiares e amigos tentam fazer o funeral de Navalny, muita gente está a ser detida apenas por ir depositar flores. Segundo tem sido noticiado, a mãe de Navalny foi "alvo de chantagem por parte das autoridades russas, que a terão tentado forçar a realizar uma cerimónia fúnebre secreta, sem outros participantes." Várias agências funerárias foram ameaçadas para que não realizassem o transporte do corpo. Independentemente do lado em que cada um possa estar, isto é levar a opressão a um povo ao seu máximo, não permitindo sequer que se façam homenagens nem se manifeste apoio a uma causa. Dúvidas, se as existiam, penso que não há.


Isto, no dia seguinte à Rússia ter ameaçado usar armas nucleares contra os países da NATO. Esta ameaça vem no seguimento das declarações de vários representantes da Aliança Atlântica que estão a começar a ponderar um envolvimento mais direto no apoio à Ucrânia. 



Vladimir Putin garante que "não vai permitir que ninguém interfira nos assuntos internos da Rússia" (como se a Ucrânia fosse apenas um assunto interno) e ameaçou mesmo "os países da NATO com um ataque nuclear, caso a Aliança Atlântica envie tropas para a Ucrânia". Nas palavras de Putin, “sem uma Rússia forte e soberana não pode haver uma ordem estável no mundo”.


Informando que tinha armas capazes de atingir territórios de países da Aliança, Putin deixou ainda outro alerta: "agora que a Suécia e a Finlândia tiveram luz verde para se juntarem à Aliança Atlântica, a Rússia terá de fortalecer as suas capacidades militares destacadas junto a esses dois países." Não nos podemos esquecer que a Finlândia tem uma longa fronteira terrestre com a Rússia. 


Fontes:


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/russia-ameaca-paises-da-nato-com-ataque-nuclear_v1554019



10/02/2024

A idade dos candidatos importa? O futuro da América e do mundo.

Eu tenho estado a acompanhar as notícias sobre as próximas eleições nos EUA. Portugal, que faz parte da NATO e que, constantemente, está a ser afetado pelas decisões políticas tomadas lá por fora, não pode ficar indiferente àquilo que se vai passando e, apesar de não termos força para mudar nada, pelo menos podemos ter os olhos abertos e ir observando o que se está a passar. Mais não seja, porque temos portugueses que vivem em comunidades espalhadas por vários países por todo o mundo.


As eleições serão apenas em novembro, mas até lá, terão ambos de "sobreviver" à dureza da campanha eleitoral e ao que ainda aí está para vir, especialmente, tendo Biden de honrar os seus compromissos como atual presidente, em especial no que concerne ao papel dos Estados Unidos na Nato e àquilo a que se comprometeram no que respeita aos conflitos atuais na Ucrânia e na faixa de Gaza.


Os dois candidatos à presidência dos EUA são Biden e Trump, ambos já com uma idade avançada. "Donald Trump tem 77 anos e Joe Biden 80. São os candidatos mais velhos de sempre à presidência dos Estados Unidos." Mas o problema, não está na idade em si, mas nas inúmeras gafes e situações constrangedoras por que ambos têm passado e que fazem muitos pensar se estarão de facto capazes de presidir ao destino da América e de tudo o que isso poderá vir a implicar. 




Numa situação que aqui serve de exemplo, "Donald Trump começou" um dos seus discursos agradecendo "aos cidadãos de Sioux Falls por terem votado nele em massa no passado. Mas o candidato republicano às presidenciais de 2024 não estava em Sioux Falls, no Dakota do Norte, mas sim em Sioux City, no Iowa. Não entendeu os gritos da multidão até que um político local lhe soprou ao ouvido que estava numa cidade diferente." Outras situações foram-se sucedend, entre as quais ter-se referido a "que ganhou a eleição contra Barack Obama (contra quem nunca concorreu), confundiu a Hungria com a Turquia e tem chamado húmus ao movimento islamita Hamas." Será este o homem que os americanos querem ver a ser eleito? O problema é que parece que sim... 


Mas o seu concorrente e atual presidente dos EUA também não se encontra melhor. Com mais 4 anos de idade que Trump, Biden tem tido também inúmeras situações em que seu estado mental e a sua memória podem ser postos em causa. Há uns dias, "Joe Biden, cometeu uma gafe e confundiu o mandatário da França, Emmanuel Macron, com François Mitterrand, morto em 1996. "Poucos dias depois, durante um evento de campanha, o presidente americano mencionou outra conversa que teria tido em 2021 com o ex-chanceler alemão Helmut Kohl, falecido em 2017."



Numa conferência de imprensa na Casa Branca na noite de quinta-feira, 8 de fevereiro, onde tentava "refutar as acusações sobre a deterioração das suas faculdades mentais," Biden conseguiu piorar "a situação, referindo-se ao presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi como o presidente do México."


As suas gafes não são uma novidade. "No início da guerra entre Rússia e Ucrânia," em 2022, "Biden confundiu o povo ucraniano e o povo iraniano." Na altura fez a seguinte declaração: “Putin pode cercar Kiev com tanques, mas nunca conquistará os corações e as almas do povo iraniano."


Num país de tão grandes dimensões, não haverá mais ninguém? É que se não roçar o ridículo, roça o triste... e o perigoso. Pois daqui poderão vir muitos perigos em decisões mal tomadas, em afirmações e mal entendidos que possam levar outros a se ofender e atacar. É que ès vezes brincamos e dizemos, quanto mais velho, mais teimoso... mas não esqueçamos que Putin também já vai com 71... e assim vai o mundo.



Fontes:


https://www.dn.pt/internacional/cicatrizes-da-inflacao-julgamentos-e-rejeicao-popular-marcam-revanche-biden-trump-17283329.html/


https://www.terra.com.br/noticias/mundo/biden-comete-gafe-e-confunde-macron-com-mitterrand,8c0c33cab0d29a50e0ce9ea0ec4223a5ll8int17.html?utm_source=clipboard


https://oantagonista.com.br/mundo/confusoes-gafes-e-lapsos-joe-biden-esta-caducando/#google_vignette



03/01/2024

Ataque ao Irão


O ano ainda nem teve tempo de começar e já se sobrepõe atentados. Infelizmente, além dos ataques dos russos aos ucranianos e vice versa e nos constantes bombardeamentos na Faixa de Gaza, hoje regista-se um outro ataque que vem impor uma tensão maior no já quente Médio Oriente.


Ainda não se sabe quem foram os autores do ataque que matou pelo menos 103 pessoas e fez 141 feridos, "na província de Kerman, no sul do Irão, durante uma cerimónia de homenagem ao general Qassim Soleimani", suspeitando-se que tenha sido um ataque terrorista possivelmente obra do Estado Islâmico. Entre os mortos, cuja contagem ainda não foi encerrada, estão também várias crianças. 


A dupla explosão, ocorreu perto da mesquita Saheb al-Zaman, onde se encontra o túmulo de Qassem Soleimani, comandante de uma força de elite da Guarda Revolucionária, que foi morto em janeiro de 2020 num ataque de um 'drone' (aeronave sem tripulação) norte-americano no Iraque, e que é aclamado como "um herói do regime iraniano." Durante o seu funeral, "em 2020, registaram-se tumultos que causaram a morte de pelo menos 56 pessoas e ferimentos em mais de 200, quando milhares de pessoas se juntaram ao cortejo."






O presidente do Irão, Ebrahim Raisi, condenou os ataques “hediondos e desumanos”, enquanto o líder supremo do Irão, o ayatollah Khamenei prometeu “vingança”.


Quanto a Israel, o governo liderado por Benjamin Netanyahu não se pronunciou sobre o que aconteceu em Kerman, apesar de ser frequente que Teerão culpe Telavive de apoiar e incentivar grupos anti-Irão.


O Conselho de Segurança das Nações Unidas já veio a público condenar o ataque que apelidou de “cobarde” e deu condolências às famílias das vítimas e ao governo iraniano. Este ataque ao Irão é o mais sanguinário desde 1978 - ainda antes da Revolução Islâmica - quando mais de 370 pessoas morreram num cinema de Abadan, atingido por um incêndio. Em 2022, o grupo reivindicou um ataque a um santuário xiita que matou 15 pessoas.



Fontes:


https://sicnoticias.pt/mundo/2024-01-03-Irao-Guterres-condena-ataque-que-matou-mais-de-100-pessoas-3596cec1

https://pt.euronews.com/2024/01/03/pelo-menos-20-mortos-em-explosoes-durante-cerimonia-de-aniversario-da-morte-do-general-sol

https://visao.pt/atualidade/mundo/2024-01-03-guterres-condena-ataque-que-matou-mais-de-100-pessoas-no-irao/



30/12/2023

Ataques em grande escala... a guerra está longe de terminar

O Natal não fez a Rússia recuar e a Ucrânia foi mais uma vez atacada em grande escala. De um lado e do outro, intensificaram-se os ataques e mais uma vez é a população que sofre. De ambos os lados da fronteira, há a morte de crianças a lamentar e, se não fosse por mais nada, a última semana do ano é já uma semana negra.


Mais de 160 mísseis e dezenas de drones kamikaze foram lançados contra alvos ucranianos, muitos deles atingindo edifícios civis, armazéns, um centro de escritórios, uma estação de metro e até uma maternidade. Será que eram alvos militares para os russos? Em Kharkiv, junto à fronteira russa, foram atingidos "um hospital, uma escola, várias empresas e prédios" de habitação. 


Cerca de 31 mortos e 160 feridos, é o balanço provisório do mais grave ataque desde o início do conflito. Os ataques começaram ainda de madrugada. A Rússia começou por lançar "dezenas de drones Shahed de fabrico iraniano contra o país vizinho. A seguir, vários aviões de combate e navios dispavam 110 mísseis de cruzeiro. A maioria foi abatida mas os poucos que chegaram aos destinos causaram morte e destruição."


O presidente ucraniano garantiu que o “terror russo” não ficaria sem resposta, enquanto "o conselheiro presidencial ucraniano Andriy Yermak" pedia "ao ocidente mais ajuda para enfrentar os ataques russos." O porta-voz de António Guterres, afirmou que "os ataques contra civis e infraestruturas civis violam o direito humanitário internacional".


Em resposta aos ataques, a Ucrânia atacou hoje o território russo, naquele que foi considerado até agora o ataque mais mortífero perpetrado pelo exército ucraniano, que deixou pelo menos 14 mortos e mais de 100 feridos. "Segundo o comunicado das autoridades russas, entre os mortos há duas crianças. Os tiros da artilharia ucraniana atingiram vários edifícios da cidade de Belgorod, capital da província russa homónima, que partilha 552 quilómetros de fronteira com a Ucrânia. Entre as infraestruturas visadas estão a sede do governo regional e uma universidade."


Na sequência deste ataque, o Kremlin pediu já uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.


Num comunicado, o ministério russo da defesa definou o ataque como um "crime," e que a Ucrânia "está a tentar desviar a atenção da derrota na frente e também a provocar-nos a cometer atos semelhantes". Será que está a ver os acontecimentos pela correta sequência temporal?


A Ucrânia, por seu lado, contrapõe que "esta foi uma represália pelo ataque maciço de sexta-feira de madrugada, em que a Rússia enviou mais de 160 mísseis e drones para vários pontos da Ucrânia, fazendo pelo menos 39 mortos e 160 feridos."


O conflito, que está longe de terminar, está agora em risco cada vez maior de envolver a Polónia, que diz que um míssel russo percorreu cerca de 40 quilómetros do seu espaço aéreo sem autorização. Não nos esqueçamos que a "Polónia faz fronteira com a Ucrânia e é membro da NATO e da União Europeia."


No seguimento desta informação, o "presidente polaco, Andrzej Duda, convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional," e o "secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, revelou que já entrou em contacto com o presidente polaco para manifestar o apoio da Aliança Atlântica." Temo que apesar do frio do inverno, as coisas estejam a começar a aquecer cada vez mais e que não tarde estejamos todos envolvidos.


Enquanto isso... por cá vamos passar o ano com um governo sem Primeiro-ministro e preocupados com o aumento da mortalidade devido aos cada vez maiores focos gripais que estão a levar já ao regresso do uso das máscaras de proteção.


 


Fontes:


https://observador.pt/2023/12/29/o-maior-ataque-aereo-russo-desde-o-inicio-da-guerra-fez-31-mortos-e-mais-de-160-feridos/


https://pt.euronews.com/2023/12/30/ucrania-ataca-territorio-russo-e-faz-pelo-menos-14-mortos


https://pt.euronews.com/2023/12/29/polonia-diz-que-missil-russo-dirigido-a-ucrania-entrou-no-espaco-aereo-do-pais


 

24/10/2020

75 anos de ONU

A 24 de outubro de 1945, na cidade de S. Francisco na Califórnia, EUA, é criada a Organização das Nações Unidas (ONU), como resultado das conferências de paz realizadas no final da Segunda Guerra Mundial. Foram 50 os países que assinaram inicialmente a Carta das Nações Unidas. Hoje celebram-se os seus 75 anos.

A ONU era uma segunda tentativa de criar uma união de nações com o propósito de estabelecer relações amistosas entre os países. A primeira tentativa ocorreu com a formação da Liga das Nações, que aconteceu no fim da Primeira Guerra Mundial, mas que acabou por fracassar. No seu preâmbulo pode ler-se:

“Nós, os povos das Nações Unidas, decididos: a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra que por duas vezes, no espaço de uma vida humana, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade; a reafirmar a nossa fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, assim como das nações, grandes e pequenas”.

A ONU tem como principal objetivo: “Manter a paz e a segurança internacionais e para esse fim: tomar medidas coletivas eficazes para prevenir e afastar ameaças à paz e reprimir os atos de agressão, ou outra qualquer ruptura da paz e chegar, por meios pacíficos, e em conformidade com os princípios da justiça e do direito internacional, a um ajustamento ou solução das controvérsias ou situações internacionais que possam levar a uma perturbação da paz”.

Inicialmente foram criados cinco órgãos fundamentais: a Assembleia Geral, composta por todos os países-membros; o Conselho de Segurança, formado por cinco membros permanentes (URSS, EUA, Inglaterra, França e China) e mais dez membros provisórios eleitos pela Assembleia Geral. Também se criou um Secretariado, presidido pelo Secretário-Geral e com a atribuição de administrar e organizar a instituição, um Conselho Económico e Social, ao qual estão ligados diversos órgãos, como a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e a OMC (Organização Mundial do Comércio). O quinto órgão é a Corte Internacional de Justiça, órgão jurídico da ONU com sede em Haia, na Holanda.

Apesar de afirmar a ideia da participação igual dos países, a ONU acabou por dar um peso maior às potências militares saídas da 2ª Guerra Mundial, principalmente aos EUA e à URSS, em virtude do papel principal que era exercido pelo Conselho de Segurança na resolução de conflitos militares. Nem sempre a resolução de conflitos foi bem conseguida.

Nas últimas décadas também se empenhou na implementação de projetos de desenvolvimento em países necessitados. Portugal não integrou o núcleo fundador da organização e apenas em 1955, dez anos depois do seu aparecimento, é que foi tomada a decisão de integrar a ONU.

Fontes:

https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/criacao-onu-apos-ii-guerra-mundial.htm

https://ensina.rtp.pt/artigo/historia-da-organizacao-das-nacoes-unidas/

31/03/2020

A Macedónia do Norte tem lugar na NATO

A República da Macedónia do Norte é oficialmente membro da NATO, depois da ratificação pelos outros 29 membros a 27 de março. No dia 06 de fevereiro deste ano, o chanceler do país, tinha já assinado o protocolo de adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte, ou seja, à NATO, passando a ser o seu 30º membro. Para que isso acontecesse, o país teve de primeiro resolver a disputa com a Grécia, que resultou num acordo para a mudança de nome do país. 

Segundo o primeiro ministro da Macedónia do Norte, Zoran Zaev, relatado pela EuroNews em finais de 2019, "a Macedónia do Norte participa, ativamente, na coligação mundial na luta contra o DAESH." O mesmo acrescentou que reafirmava que "a estrutura nacional e a integração na NATO se baseiam num trabalho incansável, para alcançar os resultados necessários, em conformidade com o programa de prossecução das nossas reformas", 

A adesão da Macedónia do Norte e de outros países dos Balcãs à NATO é criticada pela Rússia. Moscovo afirma que a Aliança está a desestabilizar a segurança na região.

Atualmente, o secretário-geral da NATO é Jens Stoltenberg. Sobre este território, podemos dizer que ficou dividido entre a Sérvia, a Bulgária e a Grécia depois da guerra dos Balcãs, já em 1912-1913. Após a Primeira Guerra Mundial os sérvios da (Vardar)-Macedónia passaram a fazer parte do Reino da Jugoslávia.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o território chamava-se Banovina do Vardar e foi ocupada entre 1941 e 1944 pela Albânia, governada por italianos, que anexou as regiões ocidentais povoadas por albaneses, e a Bulgária pró-alemã, ocupou o restante. As potências de ocupação perseguiram os habitantes da província que se opunham ao regime. No período do pós-guerra fez parte da República Socialista Federativa da Jugoslávia, o que não fez diminuir as tensões entre a etnia da (Vardar)-Macedónia e a Sérvia.

Com a morte do presidente Tito em 1980 e com a crise da República Socialista Federativa da Jugoslávia, a República Socialista da Macedónia tentou obter a independência, mas a presença de uma larga minoria albanesa e as objeções impostas pelo governo grego sobre a ideia de nascer um Estado com o mesmo nome de uma região do norte da Grécia tornou a transição difícil. Depois da Croácia e da Eslovénia se terem separado da Jugoslávia, a República Socialista da Macedónia, por recear o domínio sérvio, foi também conduzida a declarar a independência da Jugoslávia em 1991, ano em que foi adoptada uma nova constituição que consagrou o multipartidarismo.


Fontes:

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/02/06/macedonia-do-norte-assina-protocolo-de-adesao-a-otan.ghtml

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ades%C3%A3o_da_Maced%C3%B4nia_do_Norte_%C3%A0_Organiza%C3%A7%C3%A3o_do_Tratado_do_Atl%C3%A2ntico_Norte

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/1438794/macedonia-do-norte-assina-adesao-a-nato

https://pt.euronews.com/2019/06/03/macedonia-do-norte-integra-nato-em-2020

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_Maced%C3%B3nia_do_Norte




30/04/2018

Jornalistas e crianças - as vítimas dos ataques suicidas no Afeganistão

Os jornalistas, operadores de câmara e fotógrafos são aqueles que avançam para as zonas de conflito, enquanto outros tentam fugir. Tentam ser dos primeiros a chegar e por isso, colocam diariamente as suas vidas em risco. Tudo isto para que nas redações dos seus jornais não faltem as notícias.


Estão lá em direto, com risco da sua própria vida e com a esperança de que um colete com a palavra PRESS estampada os distinga e os salve das balas e dos fragmentos das explosões.  Espera-se que haja respeito pela profissão, que entre amigos e inimigos, se respeite o seu direito a trabalhar - ali, entre fações contrárias - naquele local, naquele momento.


Durante o tempo que estão a desempenhar as suas tarefas, são também eles alvos fáceis, (às vezes demasiado fáceis) e esquecemo-nos que sem o seu trabalho, não saberíamos o que se está a passar nestes países. Não lhes damos o devido valor, mas eles são também heróis.


Hoje vários destes heróis morreram. Assassinados quando uma explosão sincronizada das bombas de dois terroristas suicidas fez, pelo que se sabe até agora, 25 mortos – nove deles jornalistas, segundo o Comité de Segurança dos Jornalistas Afegãos (AJSC), citado pela agência EFE – e quase 40 feridos no centro de Cabul. 


Estes jornalistas estavam no local a cobrir uma primeira explosão que tinha acontecido pouco tempo antes nas proximidades do escritório do Serviço de Inteligência (NDS), muito perto de uma escola de inglês no bairro de Shash Darak. Dessa explosão resultaram quatro mortos e cinco feridos, todos civis. O bairro de Shash Darak abriga a sede da NATO e os escritórios de várias ONGs internacionais. O chefe da polícia de Cabul, Dawood Amin, disse numa mensagem pública que a segunda explosão aconteceu perto do local onde um grupo de jornalistas se tinha reunido enquanto esperavam atrás de um cordão de segurança a centenas de metros de distância do local do primeiro ataque.


Cerca de meia hora após o atentado original, um homem-bomba que portava uma câmera e fingia ser jornalista, levando uma câmara ao ombro, fez-se explodir.


Segundo um comunicado do Estado Islâmico, os "apóstatas das forças de segurança, dos meios de comunicação e outras pessoas foram para o local da operação, onde um segundo irmão camicase os surpreendeu com seu colete explosivo”. 


O primeiro-ministro afegão, Abdullah Abdullah referiu que estava "muito triste com o ataque terrorista de segunda-feira contra civis e jornalistas em Cabul. Um ataque aos meios de comunicação é um ataque à democracia e uma tentativa de silenciar a voz daqueles que não tem voz”.


Dos que tentavam dar voz ao povo e foram assassinados, conta-se Shah Marai, fotógrafo da agência France Presse (AFP) que deixa mulher e seis filhos - o mais novo com apenas semanas de vida, Khair Muhammad, da rede afegã Tolo News, e Ebadullah Hananzai, da emissora Azadi Radio. O fotógrafo Shah Marai, da A. France Press, o cinegrafista Nawroz Rajabi e o repórter Ghazi Rasouli da ITV, foram mortos no ataque. Um jornalista da Jahan TV, que ainda não foi identificado, também morreu.


Ainda hoje, um outro ataque levou à morte de mais inocentes: 11 crianças perderam a vida e outras 17 pessoas ficaram feridas, entre elas cinco soldados romenos da NATO. Tudo se deveu a um ataque suicída, contra um comboio das forças aliadas na província de Kandahar, no sul do Afeganistão. O suicida detonou um carro-bomba contra o comboio da NATO quando este passava perto de uma mesquita, causando uma forte explosão que derrubou um muro fino que cercava o pátio do centro religioso, no bairro de Daman. As crianças, que estavam no pátio da mesquita, perderam a vida quando foram atingidas por estilhaços e esmagadas por pedaços do muro destruído pela explosão.


Num outro ataque assumido pelo grupo jihadista, há uma semana, um ataque suicida contra um centro de registro eleitoral no oeste de Cabul, fez 69 mortos e 120 feridos. Um dos piores ataques deste ano, ocorreu no fim de janeiro pelos talibãs com uma ambulância-bomba que explodiu em plena rua em um bairro central de Cabul, matando mais de cem pessoas. Em qualquer dos casos, houve um aproveitamento da confiança das pessoas para provocarem ainda mais mortes.


Fontes:


https://brasil.elpais.com/brasil/2018/04/30/internacional/1525065943_395987.html


https://oestecapital.clicrdc.com.br/Blog/Geral/Duplo_ataque_a_bomba_mata_25_no_Afeganist%C3%A3o;_6_s%C3%A3o_jornalistas


https://www.bemparana.com.br/exterior/serie-de-ataques-no-afeganistao-mata-11-criancas-e-9-jornalistas-que-noticiavam-atentado/

22/02/2018

Embaixada dos EUA atacada em Montenegro

Um homem atirou uma bomba contra a embaixada dos Estados Unidos em Podgorica, capital de Montenegro, e depois suicidou-se detonando outro explosivo.


O atentado ocorreu na madrugada desta quinta-feira, pouco depois da meia-noite. Segundo comunicado divulgado pelo governo montenegrino no Twitter, o artefato lançado contra a sede diplomática dos EUA era, provavelmente, uma "bomba caseira". O atacante foi a única vítima, mas a zona ficou sob forte vigilância.


O autor do ataque era um ex-militar do antigo Exército Popular Jugoslavo (JNA), identificado como Dalibor Jaukovic, de 43 anos.


Na sua página do Facebook, ele dizia ter recebido uma medalha por méritos no campo militar em 1999, das mãos do então presidente da Jugoslávia, Slobodan Milosevic (1941-2006), que era acusado de crimes de guerra na Bósnia, na Croácia e no Kosovo. Além disso, o suposto terrorista era contrário à adesão de Montenegro à Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).


Montenegro, uma nação com cerca de 630 mil habitantes, tornou-se independente em 2006 na sequência da dissolução da antiga Jugoslávia. Foi um dos vários países a nascer no sudeste do continente europeu na sequência da última guerra dos Balcãs. Em outubro de 2016, as autoridades montenegrinas evitaram um golpe de Estado e o assassinato do então primeiro-ministro Milo Dukanovic. O objetivo era impedir a adesão da nação à NATO. O país acabou por aderir em 2017, tornando-se no vigésimo nono membro.


 


Fontes:


https://www.terra.com.br/noticias/mundo/embaixada-dos-eua-em-montenegro-e-alvo-de-atentado,a0953c43536c69457979ad4949b3904acta04tnc.html


https://expresso.pt/internacional/2018-02-22-Embaixada-dos-EUA-em-Montenegro-alvo-de-ataque-com-granada


https://pt.euronews.com/2017/06/05/montenegro-nato-adesao


 


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...