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26/02/2025

Três anos de conflito

Três anos...

Há três anos, éramos surpreendidos pela entrada de tropas russas na Ucrânia. Da mesma forma que Putin achava que entrava por ali adentro e derrubava o governo ucraniano, subjugando o seu povo às suas vontades, também o povo daquele país mostrava que não seria com duas cantigas que se renderiam ao arsenal bélico do inimigo. Um inimigo conhecido de longa data, é bom que se diga. 

Os planos do presidente russo, Vladimir Putin, previam uma vitória fácil e poucos "analistas internacionais ousaram contestar essa previsão, dada a disparidade de força entre os dois países." Mas, a verdade, é que o povo ucraniano tem dado provas de que a sua decisão em resistir, não foi uma má escolha e que, mesmo com todas as dificuldades e as perdas em vidas humanas, tem conseguido resistir. Passaram-se três anos e a guerra está num impasse. A Rússia não tem avançado muito, mas também é verdade que a Ucrânia ainda está longe de recuperar as regiões perdidas. Embora os dados sejam difíceis de confirmar, desde o início da invasão, a Ucrânia terá registado "43 mil militares mortos em combate e mais de 370 mil feridos, números abaixo das estimativas de várias entidades." Do lado russo, terão havido cerca de "845.310 baixas desde o começo do conflito."

A Ucrânia pediu ajuda... mas foi muito a medo que a União Europeia e a NATO foram facultando armas e viaturas, não cedendo aos muitos pedidos da Ucrânia para entrar na Organização Transatlântica. Durante todo este tempo, a Ucrânia pediu ajuda e esta lá foi chegando, primeiro mais a medo, depois de forma mais visível, mas sempre sob ameaça da Rússia. Atualmente, "a Rússia controla pouco menos de 20% do território ucraniano, ou cerca de 110 mil quilómetros quadrados." A Ucrânia, conseguiu entretanto avançar também "a província fronteiriça de Kursk, no oeste da Rússia, onde chegou a ocupar cerca de mil quilómetros de quadrados de território, segundo as autoridades militares de Kiev, mas esse número deverá ser atualmente menos de metade."

António Guterres, secretário-geral da ONU, destacou hoje no seu discurso, "o impacto devastador do conflito: milhares de civis mortos, cidades destruídas e infraestruturas essenciais reduzidas a escombros," referindo ainda que a "ONU tem mobilizado todos os seus recursos para aliviar o sofrimento da população e promover uma paz justa e duradoura."

As proporções desta crise humanitária são, apesar de tudo o resto que uma guerra envolve, o mais alarmante: "cerca de cinco milhões de ucranianos enfrentam insegurança alimentar, especialmente nas regiões próximas da linha da frente. A subida dos preços e a destruição das cadeias de abastecimento deixaram muitas famílias sem acesso a alimentos nutritivos, forçando-as a recorrer a medidas extremas, como saltar refeições ou contrair dívidas para comprar comida." 

Foram cerca de "11 milhões" as pessoas forçadas "a abandonar suas casas, com 6,9 milhões registados como refugiados e outros 3,7 milhões deslocados internamente." No que respeita aos civis mortos desde o início do conflito, estes deverão andar próximo aos 2500, "incluindo 669 crianças." Além disso, 28.382 civis, entre os quais 1.833 menores, ficaram feridos, mas os números reais deverão ser "consideravelmente maiores", já que apenas são contabilizados os casos verificados.

Uma das situações mais preocupantes é a "das mulheres e das raparigas na Ucrânia."

"Além disso, a ONU documentou centenas de casos de violência sexual relacionada com o conflito e alertou para o aumento de 36% nos casos de violência doméstica. Em resposta, a ONU Mulheres tem investido em programas de apoio psicossocial, empoderamento económico e participação feminina nos processos de paz e reconstrução." Assinalando esta data, "o executivo comunitário anuncia um pacote de ajuda à segurança energética da Ucrânia e aprova o 16.º pacote de sanções à Rússia."

Os EUA terão sido o país que mais ajuda em termos de armamento enviou para a Ucrânia, mas a relação entre os dois países deixou de ser a mesma desde que Trump chegou ao poder. "Crítico da ajuda norte-americana a Kiev, Trump já suspendeu os financiamentos globais da agência estatal de desenvolvimento USAID. Segundo o Instituto Kiel, os Estados Unidos transferiram 3,4 mil milhões de euros em ajuda humanitária para a Ucrânia desde o começo do conflito."

Já do lado da Rússia, os principais apoiantes têm sido o Irão e a Bielorrússia. Mas o aliado que se tem mostrado mais na concretização do apoio à Rússia no "campo de batalha é a Coreia do Norte. No âmbito de uma parceria estratégica com a Rússia e a troco de alimentos e cooperação tecnológica e financeira, e ainda de proteção militar mútua, Pyongyang forneceu a Moscovo pelo menos 13 mil contentores de munições de artilharia, 'rockets' e mísseis, segundo o serviço de informações de Seul (NIS), como forma de ambos os países contornarem o isolamento internacional e as sanções ocidentais." O governo de "Kim Jong-Un destacou acima de dez mil militares para lutar ao lado das tropas russas na província russa de Kursk, parcialmente ocupada pela Ucrânia."

Apesar de afirmar que não apoio militarmente a Rússia, "a China é acusada pelas potências ocidentais de alimentar a máquina de guerra do Kremlin, através da venda de componentes para a sua indústria de defesa, e a sua economia por via do comércio e mesmo acontece em relação a outro gigante global, a Índia." Já no que respeita às sanções aplicadas, as mesmas acabaram por não ter os resultados esperados, uma vez que durante os três anos em que esta guerra já dura, "a China surge como o principal cliente de combustíveis fósseis da Rússia, com cerca de 165 mil milhões de euros em importações, bastante à frente da Índia (98 mil milhões), da Turquia (68 mil milhões) e dos países da União Europeia (55 mil milhões)."


Fontes:

https://unric.org/pt/tres-anos-de-guerra-na-ucrania-a-resposta-humanitaria-da-onu/

https://www.publico.pt/2025/02/24/mundo/noticia/ucrania-tres-anos-guerra-mapas-numeros-2123649

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2025-02-24-principais-indicadores-em-tres-anos-de-guerra-na-ucrania-c210fa43

31/03/2023

A perda da inocência

Alexei Moskaliov, é apenas um dos nomes dos muitos russos que têm sido perseguidos por darem a sua opinião ou por, de alguma forma, se mostrarem contra a invasão da Ucrânia, contra o regime, ou em desacordo com a ação dos militares. 


Neste caso, a filha de Alexei fez um desenho na escola, onde estava a sua visão sobre a guerra. A menina acabou separada da família, internada num orfanato e o pai, perseguido e condenado à prisão por manifestar a sua opinião nas redes sociais, fugiu. Acabou por ser ontem captuarado em Minsk, na Bielorússia.


O desenho de Maria que acabou por levar à condenação do pai


Este pai e a sua filha tornaram-se num símbolo da repressão contra os que se opõem à operação militar lançada há mais de um ano contra a Ucrânia. O desenho da menina, foi "um sinal" para irem à procura do pai e, uma vez que ninguém é livre de dar a sua opinião, ambos acabaram detidos (ela num orfanato, ele primeiramente em prisão domiciliária, de onde fugiu). Nesta quarta-feira, o Kremlin afirmou que acompanha de perto o caso e acusou o pai de cumprir as suas "obrigações parentais de maneira deplorável".


Esta menina. Será que alguém, no seu perfeito juízo acha que ela terá pensado nas consequências de um desenho - como é que poderia tê-lo feito, sendo apenas uma criança e estando apenas a desenhar? Que culpa será a dela, com que sentimentos está a ser obrigada a confrontar-se agora, afastada dos que ama e que a amam?


A diretora da escola informou a polícia, que, por sua vez, descobriu que o pai da menina tinha feito comentários contra a ofensiva nas redes sociais. Que medo deste regime terá tido esta diretora para "entregar" uma menina e o seu pai? Em que acredita e o que ensina a estas crianças? Tantas perguntas a que acho que nem quero dar resposta. Nos livros de História, estão no passado muitas das respostas, só não quero olhar para lá, com este olhar de incredulidade, pois o que se escreveu nos manuais não é passado, voltou a ser presente. Está aqui e agora. A repressão, a ditadura, os regimes autoritários. Mudam as personagens mas o filme é apenas um remake de outros que já se viram e reviram.


Este nível de repressão acontece diariamente na Rússia, na Bielorrússia e em outros países. E troca-se a vida, rouba-se a alma de uma criança, quebram-se os galhos dos sonhos, destroem-se a arte, a criatividade, antecipa-se a dureza do crescimento e a passagem para o mundo dos mais crescidos, que nunca souberam (ou já esqueceram) a magia de um desenho, a tranquilidade e a calma de pôr no papel o que nos dói na alma e de "escrever" com linhas e cores aquilo que ainda não sabemos dizer em palavras!


 


Fontes:


https://www.dn.pt/internacional/bielorrussia-detem-russo-separado-da-filha-apos-desenho-sobre-a-guerra-16098408.html


https://www.dn.pt/internacional/meu-heroi-menina-russa-escreve-ao-pai-condenado-por-um-desenho-contra-a-guerra-16094941.html

26/03/2023

Avançando pela Bielorrússia

Parte da URSS durante largos anos, ainda mantém as suas bases soviétivas, ditatoriais e opressoras com Alexander Lukashenko desde 1994 no poder. A sua relação com a Rússia é evidente e acaba por estar isolada dos outros países mantendo uma dependência direta, que pode significar uma possível reunificação.


Os meios de comunicação têm sido limitados pelo regime, levando a que muitos dos habitantes, não façam ideia do que relamente se está a passar. As próprias eleições realizadas em 2020 e que deram o sexto mandato a Lukashenko (com 80,23% dos votos) colocaram no exílio a sua opositora - Svetlana Tikhanovskaia - que está a ser julgada à revelia por acusações de traição.


Este mês, o presidente bielorrusso introduz a pena de morte para os casos de alta traição, para os oficiais do Estado e membros do Exército, a qual até agora só era aplicada nos crimes de homicídio agravado ou de atos de terrorismo. Outra lei, prevê uma pena de prisão para aqueles que desacreditarem as Forças Armadas do país  -  lei semelhante foi aprovada pela Rússia no ano passado, logo depois da invasão do território ucraniano.


Este fim de semana, voltou-se a falar muito neste país, e quem viu ontem o programa "Toda a Verdade" da SIC, teve a oportunidade de saber um pouco mais sobre esta relação - para mim, muito preocupante - entre Putin e Lukashenko.


Aquilo que foi anunciado por Putin neste sábado, foi que chegou a acordo para armazenar armas nucleares na Bielorrússia, uma estratégia de ataque que pode ser tanto à Ucrânia - uma vez que este país faz fronteira com a Ucrânia, permitindo assim a passagem de armas pelo seu território, tal como aconteceu no início do conflito - como à própria União Europeia. O Presidente russo, afirma que não está a violar o Tratado de Não Proliferação Nuclear, mas este é o mesmo homem que dizia estar a salvar cidadão russos das mãos dos nazis na Ucrânia, por isso, sobre as suas afirmações não há mais nada a dizer.


Falar de armas nucleares é pôr na mesa um assunto que deixa as populações com medo, sem saber o que pode estar reservado para o futuro.Esta é uma questão que devia ser inaceitável, se pensarmos bem, e pelo que tem sido referido em vários sites noticiosos, a Rússia tem mais ogivas que os próprios EUA (não sei se este é um facto verdadeiro, mas preocupa-me). Que os EUA tenham armas na Europa - e isso também parece ser facto confirmado - será no nosso caso um fator defensivo, em caso de ataque, mas ninguém sairá bem se o conflito rebentar, envolvendo as formas russas (e os seus aliados) e a própria NATO.


Putin, sente-se de certa forma livre para ir contornando as regras do jogo e tem do seu lado, a Bielorrússia - que pode parecer um país pequeno mas que a nível geoestratégico é muito importante no avanço russo, como também de uma grande potência mundial como é a China. Estas reuniões e encontros não são meras coincidências diplomáticas. Algo mais se prepara em banho-maria, mas se aumentarem o lume, entrará em ebulição e os estragos serão imensos.


Fontes:


https://observador.pt/seccao/mundo/europa/bielorrussia/


https://www.infoescola.com/europa/bielorrussia/


Programa: "Toda a Verdade" -SIC Notícias;


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...