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09/03/2025

Massacres... a morte em cada esquina

O regime de Bashar al-Assad caiu há apenas três meses, mas a população Síria não tem visto melhorias na sua situação. As "forças do novo regime estão a ser acusadas do massacre de mais de 700 civis", num total de "29 massacres, entre sexta-feira e sábado, na região costeira de Latakia, na zona ocidental do país." Deposto o ditador, ficaram vários grupos, uns fiéis a Assad e outros fiéis ao novo regime. Entre estes grupos têm-se registado vários conflitos num constante clima de tensão "entre as forças governamentais sírias e grupos armados leais ao antigo regime de Bashar al-Assad."

Os mortos espalham-se pelo chão. As imagens que nos chegam, deixam-nos sem palavras para descrever o massacre. A situação agravou-se quando na passada quinta-feira, "grupos armados ligados ao antigo regime - muitos deles antigos soldados e oficiais - lançaram ataques coordenados" investindo contra "as forças de segurança" e conseguiram tomar "o controlo de edifícios governamentais."

Deste então, contando com a situação vivida este fim de semana, contabilizaram-se já quase mil mortos. As forças de segurança não reconhecem a culpa por estas mortes, dizendo que muitas das "execuções sumárias de dezenas de jovens e os ataques a casas e aldeias da comunidade alauita nos últimos dias," se devem a várias "milícias armadas que vieram ajudar as forças de segurança."

A escalada de violência agravou-se "levando a ataques contra civis inocentes, incluindo mulheres e crianças", afirmaram os patriarcas das igrejas cristã ortodoxa, católica melquita e siríacos ortodoxos, num comunicado conjunto." Pensa-se que a "maior parte das vítimas" sejam alauitas, pertencendo à "comunidade religiosa de que descende a família de Bashar al-Assad." A mensagem foi clara: ou entregavam as armas ou sofriam as consequências. 

A fuga levou a que muitos fossem procurar refúgio numa base militar russa.

Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-na-siria/2025-03-09-video-o-sonho-durou-pouco-tres-meses-depois-novo-regime-da-siria-acusado-de-massacre-643dc0b1

https://expresso.pt/internacional/medio-oriente/2025-03-08-siria-autoridades-tentam-restaurar-a-ordem-apos-568-mortes-em-tres-dias-igrejas-condenam-massacres-de-civis-inocentes-fcdc6c0d

https://www.publico.pt/2025/03/09/mundo/noticia/siria-mil-mortos-crescem-receios-perseguicao-religiosa-alauitas-2125274

22/02/2025

Português morre num atentado em França

França foi mais uma vez palco de um "atentado com recurso a uma faca durante uma manifestação", que decorria na cidade de Mulhouse, em "apoio à República Democrática do Congo, que enfrenta uma ofensiva, no leste, do movimento armado M23, apoiado pelo Ruanda."


Durante o ataque, um português de 69 anos, que tentou conter o ataque, foi morto e cinco polícias municipais foram feridos, "sendo que dois estão em estado grave." 


"A unidade nacional de procuradores antiterroristas de França (PNAT), que assumiu o comando da investigação, disse que o suspeito atacou primeiro os polícias municipais." Também o "presidente francês, Emmanuel Macron," se referiu a este ato, como um "ato de terrorismo" e como um ato de origem "islâmica". O suspeito, é um homem de 37 anos que nasceu "na Argélia" e que já "estava sinalizado para efeitos de prevenção de terrorismo." ,Segundo relatos da imprensa francesa, ao avançar com uma faca direito aos manifestantes, "terá gritado “Allahu akbar” (“Deus é grande”, em português)."


Num outro ataque, que aconteceu na noite de ontem, mas neste caso, na Alemanha, um "turista espanhol de 30 anos ficou gravemente ferido." A vítima, foi "atacada aparentemente sem razão conhecida," tendo sido esfaqueada na região do pescoço, "quando visitava o Memorial do Holocausto em Berlim."


O suspeito deste ataque, fugiu, mas acabou por ser detido algumas horas depois. o suspeito deste ataque é um cidadão sírio, com estatuto de refugiado. Terá apenas "19 anos" e "mora em um abrigo para refugiados na cidade de Leipzig, no leste alemão." 


Estas duas situações, além da sua proximidade temporal, nada terão que as relacione. No entanto, o ato que ocorreu na Alemanha, foi relacionado com o "conflito no Oriente Médio", tendo acontecido apenas "dois dias antes das eleições gerais no país." Um país que está em tensão não apenas pelas eleições mas por uma "série de ataques fatais" que aconteceram durante as últimas semanas e "cujos suspeitos são imigrantes," ou refugiados.


Fontes:


https://observador.pt/2025/02/22/um-morto-e-pelo-menos-dois-feridos-em-ataque-com-faca-em-franca-suspeito-foi-detido/


https://www.jn.pt/2156646721/portugues-morre-em-ataque-com-faca-em-franca-macron-fala-em-ato-de-terrorismo/


https://www.dw.com/pt-br/homem-%C3%A9-ferido-em-ataque-no-memorial-do-holocausto-em-berlim/a-71711656

09/12/2024

A guerra civil Síria - a queda de al-Assad

O regime de Bashar al-Hassad na Síria foi derrubado e começam-se a mostrar os horrores daquele que foi um regime com quase 50 anos. Quando achamos que já assistimos aos maiores horrores, eis que nos surge a verdade sobre mais um regime que, além de opressor, assassinou sem dó nem piedade um povo. 


A Síria fica localizada no Médio Oriente, fazendo fronteira com o Iraque, a Jordânia, Israel, o Líbano e a Turquia, é um local de uma riqueza cultural única, não convivessem no seu território "diversos grupos étnicos e religiosos, inclusive árabes, gregos, arménios, assírios, curdos, circassianos, mandeus e turcos. Os grupos religiosos incluem sunitas, cristãos, alauitas, drusos, mandeus e iazidis. Os árabes sunitas formam o maior grupo populacional do país." E é este caldo cultural que faz da Síria uma zona em constante conflito.


A história da Síria remonta à sua capital, Damasco - uma das cidades mais antigas do mundo. Durante "a era islâmica," Damasco tornou-se "a sede do Califado Omíada e uma capital provincial do Sultanato Mameluco do Egito."


Mas foi só depois da "Primeira Guerra Mundial durante o Mandato Francês," que a Síria moderna se estabeleceu, conquistando" a independência como uma república parlamentar em 24 de outubro de 1945." Nessa altura, a Síria tornou-se também "membro fundador da Organização das Nações Unidas, um ato que legalmente pôs fim ao antigo domínio francês — embora as tropas francesas não tenham deixado o país até abril de 1946." O período que se seguiu foi tumultuoso e esta nação árabe acabaria por ser abalada por "vários golpes militares" entre 1949 e 1971.


Hafez al-Assad, governou a Síria entre 1970 e 2000, e Bashar al-Assad, seu filho, era o presidente do país desde 2000, num sistema de governo "amplamente considerado como autoritário," que caiu na última semana. 


Em 2012, arrastada pela Primavera Árabe, que fez cair vários governos do Médio Oriente, começou a guerra civil Síria, "que começou como uma série de grandes protestos populares" a 26 de janeiro de 2011 a que se seguiu "uma violenta revolta armada" a 15 de março de 2011. A "23 de agosto de 2011, a oposição" uniu-se finalmente," formando uma "única organização representativa", chamada "Conselho Nacional Sírio."  


Em 2013, o Estado Islâmico, "começou a reivindicar territórios na região," atacando "qualquer uma das fações," fossem ou não apoiantes de Assad. Em 2014, conseguiram proclamar um Califado na região e iniciaram a sua "expansão militar," subjugando os seus "rivais e impondo a sharia (lei islâmica) nos territórios que controlavam." A NATO começou a intervir contra o EI, enquanto a Rússia e o Irão, vieram apoiar militarmente o regime de Assad.


Já este ano, em novembro e depois de quatro anos de uma aparente acalmia, talvez escondida pelos conflitos nos territórios fronteiriços, "a guerra recomeçou a todo vapor, com as forças rebeldes" a atacar vindas de norte, sul e leste. A "8 de dezembro de 2024, após treze anos de guerra, Bashar al-Assad fugiu de Damasco." Nem a Rússia, nem o Irão, conseguiram pôr cobro à ação que derrubaria "cinquenta e três anos de governo da Família Assad."


O fim desta guerra civil, foi para muitos "um momento  de vitória popular, após anos de miséria" e de "pobreza extrema," mas a estabilidade não será imediata.


"O colapso do regime de Assad pode abrir caminho para uma nova era de esperança, mas também traz o  risco de vácuo de poder, ascensão de fações radicais e perpetuação do sofrimento."


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADria


https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_S%C3%ADria


https://observador.pt/opiniao/a-queda-de-bashar-al-assad-e-o-destino-incerto-do-povo-sirio/

08/12/2024

Queda do regime sírio

O governo sírio, de Bashar al-Assad, "foi derrubado pelos rebeldes neste domingo," depois de, na semana passada, terem conseguido controlar Alepo, a que se seguiu Homs e, hoje, o domínio da capital, Damasco. Com o avanço dos rebeldes sobre a capital, "cerca de 2000 soldados sírios terão mesmo atravessado a fronteira com o Iraquepara procurar refúgio," sinal claro do "colapso das forças governamentais." A Rússia tem sido um dos apoiantes do governo da Síria, Rússia, ajudando a "lançar ataques aéreos contra os rebeldes," mas acabou por diminuir esse apoio quando duas das suas instalações militares, foram colocadas como alvo dos opositores ao governo.


Pensa-se que o presidente do país tenha "embarcado num avião que, depois de descolar, voou em direção à costa síria mas acabou por fazer meia-volta, perdendo altitude e desaparecendo do radar." Há uma forte probabilidade "de que o avião se tenha despenhado" e al-Assad possa ter morrido, mas esta notícia ainda carece de confirmação.


A embaixada do Irão, na Síria, foi atacada e a entrada do Palácio Presidencial foi incendiada, por "forças rebeldes lideradas por islamitas radicais." Os rebeldes libertaram também "todos os prisioneiros" que o governo tinha detido “injustamente.”


Al-Assad, tinha contado com "o apoio militar da Rússia, do Irão e do movimento Hezbollah," na reconquista de "uma grande parte do país em 2015 e a totalidade de Alepo em 2016, cuja parte oriental tinha sido tomada pelas forças rebeldes em 2012."


Jalali, primeiro-ministro sírio, "diz estar disposto a entregar o Governo à oposição, mas exige uma transição pacífica," pedindo "racionalidade e cooperação a ambas as partes." 


A fronteira do Líbano foi reforçada pelo exército libanês, "após a queda" do regime. "Centenas de refugiados sírios residentes no Líbano atravessaram hoje a fronteira de regresso ao seu país, poucas horas depois de ter sido expulso o presidente Bashar al-Assad."


De acordo com o governo do Líbano, estima-se "que cerca de 1,5 milhões de refugiados sírios vivam no país, dos quais mais de 800.000 estão registados na Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR)."


 

Fontes:


https://observador.pt/2024/12/08/onde-esta-bashar-al-assad-ninguem-sabe-ao-certo-mas-fontes-sirias-admitem-que-possa-ter-se-despenhado-num-aviao/


https://www.dn.pt/6886259565/palacio-presidencial-onde-residia-bashar-al-assad-ja-foi-tomado/


https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-na-siria/2024-12-08-queda-de-regime-na-siria-rebeldes-anunciam-fuga-do-presidente-bashar-al-assad-3d14952d#8ac957b7-0362-4a27-9c16-ceafc613ac49


https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-na-siria/2024-12-07-video-guerra-civil-na-siria-rebeldes-terao-entrado-na-cidade-estrategica-de-homs-aedf303c

02/12/2024

A situação crítica que se vive na Siria

No passado sábado, "jatos russos e sírios bombardearam" várias cidades na província de Idlib, que havia caído "sob controle rebelde." Na véspera, a região tinha sido invadida por insurgentes, o que acabou por forçar o "Exército a se remobilizar, no maior desafio ao presidente Bashar al-Assad em anos." De acordo com o exército sírio, dezenas de soldados "foram mortos no ataque."


Idlib é um enclave sob o "domínio dos rebeldes perto da fronteira com a Turquia, onde cerca de quatro milhões de pessoas vivem em tendas e moradias improvisadas."


No dia 1 de dezembro, domingo, forças russas e sírias atacaram diretamente a cidade de Idlib, conseguindo recapturar várias das "cidades que tinham sido invadidas nos últimos dias por rebeldes." Num ataque aéreo, os soldados russos "atingiram a praça junto à Universidade de Alep, matando pelo menos cinco pessoas."


Estes rebeldes são uma coligação secular entre grupos armados "apoiados pela Turquia,"e o grupo islâmico "Hyat Tahrir al Sham." A situação que se vivia este domingo em Alepo, fez com que as ruas da cidade estivessem desertas. Muitos civis escolheram já deixar a cidade, receando o agravamento da situação. Os rebeldes terão entretanto capturado "a cidade de Khansir," numa tentativa de "cortar a principal rota" de fornecimento de material ao exército. Esta ofensiva que teve início na passada quarta-feira já fez mais de 300 vítimas mortais, entre civis, militares e rebeldes.


Fontes:


https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/jatos-russos-e-sirios-bombardeiam-norte-da-siria-apos-ofensiva-de-rebeldes/


https://www.jn.pt/6186843720/cinco-mortos-em-ataque-russo-perto-da-universidade-de-alepo/


 


 

28/07/2024

Ataque mata crianças nos Montes Golã

Voltamos a falar de ataques na zona de Golã, anexada por Israel e onde várias crianças e jovens perderam a vida este sábado, num ataque com um míssil, que foi "atribuído ao Hezbollah libanês." O ataque atingiu um campo de futebol, na cidade de Majdal Shams e matou "12 jovens, com idades entre os 10 e os 16 anos, e feriu cerca de 30 outras pessoas." As crianças atingidas são de origem drusa, ou seja, árabes. O míssil que ontem atingiu o campo de futebol, é do "tipo Falaq, com uma ogiva de 53 quilos." Reforço que não eram soldados, eram crianças e jovens que "jogavam futebol no momento em que o projétil atingiu o campo." De acordo com a mesma fonte, o "incidente feriu ainda dezenas de outras pessoas, tornando-se um dos episódios mais graves de baixas civis na região desde o início das hostilidades na fronteira a 8 de outubro de 2023."

Horas antes, Israel tinha "atingido uma escola na Faixa de Gaza," onde "morreram trinta pessoas. Metade das vítimas eram crianças." Mais uma vez, o discurso é o mesmo: o local era um "centro de comando e controlo do Hamas". Todavia, aquilo que se vê é que era um abrigo, onde estavam "dezenas de palestinianos deslocados" e que há dias tinham regressado do Egito. O Irão, forte apoiante do Líbano, veio já avisar Israel das "consequências" que pode ter se empreender "um ataque de retaliação no Líbano." Já a Síria, tem opinião diferente, acusando Israel de ser o verdadeiro culpado deste ataque. "A entidade de ocupação israelita cometeu ontem um crime hediondo na cidade de Majdal Shams, no Golã sírio ocupado desde 1967, e depois culpou a resistência nacional libanesa (Hezbollah) pelo seu crime", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros sírio num comunicado.

Em retaliação, Israel empreendeu já vários ataques, bombardeando "sete regiões do sul e interior do Líbano." Estes ataques foram "dirigidos às zonas libanesas de Sabrinha, Borj El Chmali, Beka'a, Kfar Kila, Rab a-Taltin, al Khyam e Tir Hafa."

Fontes:

https://www.tsf.pt/3526559019/israel-promete-atacar-com-forca-enquanto-se-choram-as-mortes-nos-montes-gola/

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/resposta-ao-ataque-do-hezbollah-israel-ataca-sete-regioes-no-sul-do-libano_n1589206

https://www.jewishfederations.org/blog/all/update-on-majdal-shams-attack-472970


21/07/2024

Israel, Hamas, Hezbollah e Houthis - o que pode correr mal?

Neste momento, o Médio Oriente encontra-se em grande tensão, com Israel no centro dos conflitos. Se por um lado, as forças israelitas se mantém na Faixa de Gaza, onde os bombardeamentos se sucedem, por outro, estamos neste momento a ver o intensificar do conflito entre o Hezbollah e Israel, bem como ataques na região de Golã, tomada pelos israelitas, na Síria.

Nos últimos dias, os ataques têm-se repetido. Esta manhã, o exército israelita intercetou um míssil que se aproximava do país, proveniente do Iémen. Os houthis reivindicaram a responsabilidade pelo lançamento de "vários mísseis balísticos" contra Israel, depois do "ataque israelita no porto iemenita de Hodeida", que causou "seis mortos e mais de 80 feridos." 

Os houthis são um "movimento xiita rebelde apoiado pelo Irão," que há meses, se encontra a atacar "navios que consideram ligados a interesses" de Israel, "ao largo das costas do Iémen." Os houthis estão integrados no "eixo de resistência". Este eixo é de facto "uma coligação liderada pelo Irão" da qual fazem parte também, "entre outros, o grupo islamita palestiniano Hamas e o movimento xiita libanês Hezbollah."

Mas contextualizando um pouco. Este conflito, voltou a estar no plano do dia desde 8 de outubro de 2023 (dia seguinte ao dos ataques a Israel por homens armados do Hamas) quando o grupo armado Hezbollah disparou contra alvos israelitas a partir do Líbano, afirmado estar a agir em apoio a Gaza. Seguiram-se ataques contra aeroportos sírios, da parte de Israel, "enquanto milícias armadas" pelo Irão disparam "mísseis de dentro da Síria" em direção ao território israelita.

Tal como o Hamas, o Hezbollah é classificado por muitos países como "um grupo radical islâmico" e uma organização terrorista, mas é também um partido político. O grupo "surgiu como uma milícia durante a guerra civil do Líbano, quando Israel invadiu o país em 1982", com "o apoio do Irão durante a ocupação israelita, embora as suas raízes ideológicas remontem ao renascimento islâmico xiita no Líbano nas décadas de 1960 e 1970." Apesar de alguns libaneses o considerarem como sendo "uma ameaça à estabilidade do país, o grupo continua a ter uma grande popularidade "entre a comunidade xiita."

Há 18 anos, em 2006, "o Hezbollah e Israel travaram uma guerra brutal que durou um mês, fazendo 1200 mortos do lado libanês e 160 israelitas, na sua maioria militares." Desde então, o Hezbollah e Israel continuam esporadicamente a trocar tiros nas suas fronteiras. Acredita-se que o Hezbollah tem, neste momento, armamento suficiente para se tornar um forte opositor de Israel, especialmente devido ao apoio do Irão. 

O que fez aumentar a violência foi a morte de Mohammed Nimah Nasser, procurado por ser comandante do Hezbollah e cuja viatura foi atingida a 3 de julho, "em plena luz do dia, com um ataque aéreo." Para os apoiantes do Hezbollah, foi considerado um "mártir" e o seu funeral foi cuidadosamente preparado. Depois do enterro, muitos se mostravam prontos para a guerra, para retaliar a morte de um dos seus líderes, num país que neste momento "não tem presidente," mas sim um "governo provisório e uma economia destroçada." 

O Líbano encontra-se dividido: se uns querem seguir os ideais do Hezbollah e avançar para a guerra, outros, a última coisa que querem é voltar a estar em guerra. Infelizmente, muitos acreditam que a saída honrosa é o martírio. "Alguns países como a Alemanha, os Países Baixos, o Canadá e a Arábia Saudita já disseram aos seus cidadãos para deixarem o Líbano imediatamente. O Reino Unido desaconselhou todas as viagens ao país e está aconselhando os britânicos que estão no país a partirem."

À medida que os ataques e contra-ataques entre estas duas forças continuam, muitas famílias sofrem e vários inocentes são mortos. Além do Líbano, na região Síria de Golã, tomada por Israel, está também a ser alvo de ataques do Hezbollah. Nas colinas de Golã, um casal israelita foi morto quando o seu carro foi atingido por fogo do Hezbollah, deixando três filhos adolescentes. Já no sul do Líbano, três crianças entre os quatro e os oito anos, foram mortas num ataque israelita. Apenas dois exemplos entre muitos...

Mas que papel tem a Síria neste conflito? 

É complicado de entender. Se por um lado temos a Síria como apoiante da Palestina, por outro temos vindo a assistir ao longo dos últimos anos a vários ataques sírios contra grupos palestinianos, tal como o que sucedeu em "Yarmouk, um bairro de maioria palestina" que acabou por se tornar num campo de refugiados. Depois de "forças rebeldes tomarem Yarmouk, as tropas de Assad impuseram um cerco, barrando a entrada de comida, medicamentos, energia e outros mantimentos. Como ninguém podia entrar ou sair dali, muitos passaram a se referir ao lugar como a Gaza da Síria".


Fontes:

https://www.bbc.com/portuguese/articles/crgk7xej3k3o

https://www.dw.com/pt-br/o-papel-da-s%C3%ADria-no-conflito-entre-israel-e-hamas/a-67407431

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-07-21-houthis-ameacam-israel-com-continuacao-dos-ataques-f3dd399f

https://sicnoticias.pt/mundo/2023-10-11-O-que-e-o-Hezbollah-movimento-que-nasceu-no-Libano-para-lutar-contra-Israel--a77013b9




03/04/2024

Eua em alerta... devido a ataque de Israel à embaixada do Irão

Na segunda-feira, Israel bombardeou um edifício contíguo à embaixada do Irão, em Damasco, na Síria, o que faz com que os EUA, estejam agora em alerto, com receio de um "ataque do Irão contra ativos israelitas ou norte-americanos no Médio Oriente." Este foi apenas mais um de vários ataques. Já em fevereiro, um ataque com mísseis atingiu um edifício de 10 andares "num bairro que concentra edifícios residenciais, escolas e centros culturais iranianos, e fica perto de um grande complexo dos serviços secretos."

A região está em ebulição, o que pode levar a qualquer momento a um alargamento do conflito. Eu acho que é cada vez mais importante tentarmos compreender o que é que este clima de tensão pode vir a trazer e, para o fazermos, é preciso olharmos para a história do Médio Oriente e da sua relação tanto com os EUA como com a Europa. Acho que é preciso compreendermos quem apoia quem (e porquê) bem como quais podem ser as consequências diretas e indiretas desse apoio. O apoio dos EUA a Israel pode levar a que outros países que também pertencem à NATO venham a ser atingidos, pelos estados que se revelam opositores a Netanyau. Por outro lado, o apoio de alguns países - tal como é o caso de Portugal - à população palestiniana, pode ter também consequências graves.

Neste ataque, perderam a vida 16 pessoas, entre as quais poderá estar "um comandante militar iraniano," que pertencia à "Força Quds, o braço paramilitar de elite da Guarda Revolucionária, responsável pelo relacionamento com governos e grupos aliados" de Teerão.

O "chefe do movimento xiita libanês Hezbollah, Hassan Nasrallah," já veio dizer que a resposta do Irão será "inevitável" sem, no entanto, dizer, onde, como e quando esta irá acontecer. Devemos lembrar que, desde o ataque de 7 de outubro, que "o Hezbollah e Israel" se atacam recíprocamente, em particular  "nas regiões fronteiriças entre os dois países." Estes ataques "já provocaram centenas de mortos, na maioria combatentes do Hezbollah e civis libaneses," aumentando "os receios sobre uma extensão do conflito."

São estes receios fundamentados?

Fontes:

https://www.dn.pt/6007382124/estados-unidos-em-alerta-maximo-para-um-eventual-ataque-do-irao/

https://www.dn.pt/6986719600/chefe-do-hezbollah-libanes-considera-inevitavel-resposta-do-irao-a-ataque-israelita-na-siria/

https://pt.euronews.com/2024/02/21/israel-lanca-ataque-contra-damasco-e-faz-dois-mortos

23/03/2024

Ataque a sala de concertos em Moscovo

Ontem, ao final do dia, na Rússia, um grupo de atiradores entrou na sala de concertos Crocus City Hall, "uma sala de espetáculos situada em Krasnogorsk, nos arredores da capital russa, onde se preparava para atuar a banda PikNik," e atacou indiscriminadamente quem lá estava. O balanço ao início da madrugada era de cerca de 40 mortos e mais de cem feridos, mas hoje esses valores já foram atualizados e passam para 140 vítimas mortais e centenas de feridos.


O grupo armado terá também lançado um cocktail "molotov" que incendiou o espaço e causou o pânico das pessoas que tentaram fugir das chamas. O telhado do edifício acabou por desabar parcialmente, ainda estando a decorrer operações de busca e salvamento. "Não foi dada qualquer informação sobre o número de pessoas presas no interior da estrutura."


Uma das falhas apontadas tem sido a falta de segurança do edifício e a demora dos serviços de socorro e de segurança a chegar ao local para socorrer as pessoas. A Rússia começou por apontar logo a mira à Ucránia, através de Dmitri Medvedev, "ex-chefe de Estado e atual vice-chairman do Conselho de Segurança russo," que começou logo por fazer um apelo a "uma forte retaliação caso se descubra uma ligação entre Kiev e o atentado." Putin, manteve-se em silêncio.


A Ucrânia desde logo negou ter "qualquer responsabilidade e os serviços secretos de Kiev" acusaram mesmo "o Kremlin de orquestrar o ataque, para culpar a Ucrânia e justificar uma escalada da guerra, conforme noticiou a agência France-Presse (AFP)." Também outros grupos armados "pró-ucranianos, incluindo a Legião Rússia Livre, ativa em território russo," negaram qualquer envolvimento no ataque.


Entretanto, o atentado já foi aparentemente reinvindicado pelo Estado Islâmico. O Daesh, através da sua célula "Khorasan, ativa no Médio Oriente, Irão, Paquistão, Afeganistão e Ásia Central," terá reinvindicado o ataque" e, ao que parece, "há muito que o país se encontrava na mira do grupo, sobretudo após a participação das forças russas na guerra civil síria, ao lado do regime de Bashar al-Assad."


O Presidente da Câmara de Moscovo, Sergei Sobyanin, anunciou o "cancelamento de todos os eventos públicos deste fim de semana. Os principais museus e teatros da capital também anunciaram que vão fechar as portas." Segundo informações transmitidas pela televisão russa, "foram tomadas medidas de segurança reforçadas, nomeadamente nos aeroportos de Moscovo e noutras grandes cidades do país."


Já foram entretanto efetuadas várias detenções, tendo sido detetado um veículo em fuga "perto da localidade de Jatsun, região de Briansk, a cerca de 340 quilómetros a sudoeste de Moscovo" no qual terá sido encontrada "uma pistola, um carregador para uma arma de assalto e passaportes para o Tajiquistão, noticiou a agência russa TASS." O governo tajique, informa que "a difusão de informação não confirmada e pouco fiável pode prejudicar os cidadãos do Tajiquistão que se encontram atualmente fora do país."


Num comunicado de 7 de março, uma nota emitida pela "embaixada dos Estados Unidos na Rússia apelava aos cidadãos norte-americanos para evitarem ajuntamentos na capital russa, alertando para a possibilidade de um ataque terrorista." 


Este foi é o mais mortífero ataque registado nos últimos anos na Rússia, depois do ataque ao Teatro Dubrovkna, em 2002, e do ataque a uma escola em Beslan, em 2004.


Em 2002, "um comando checheno fez cerca de 850 reféns no teatro Dubrovka" em Moscovo, mas foi durante a "operação de resgate" que se registou um dramático “banho de sangue”, com a morte de pelo menos 170 pessoas.


Já em setembro de 2004, "durante uma cerimónia de início do ano escolar, três dezenas de rebeldes chechenos invadiram o recinto de uma escola em Beslan, mascarados e com cintos explosivos. Exigiam a retirada das tropas russas da região da Chechénia. Durante três dias, mantiveram mais de mil pessoas sequestradas no interior da escola, que armadilharam com bombas, ameaçando explodir o edifício a qualquer momento." A situação terminaria numa terrível falha de atuação, "três dias depois, com a entrada repentina de tropas especiais russas no edifício. As explosões ocorridas no início do sequestro e durante a entrada das tropas russas causariam mais de três centenas de mortes, entre as quais 186 crianças."


Fontes:


https://www.jn.pt/6976308829/onze-detidos-apos-ataque-do-daesh-que-matou-115-pessoas-em-moscovo/


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/ataque-em-moscovo-a-evolucao-da-situacao-na-russia-ao-minuto_e1559470#article_content_1559478


https://www.jn.pt/572632479/ataque-em-moscovo-e-operacao-do-kremlin-acusam-servicos-secretos-ucranianos/


https://www.publico.pt/2024/03/22/mundo/noticia/tiroteio-seguido-explosao-moscovo-faz-varios-mortos-2084600


https://observador.pt/2024/03/23/fotogaleria-ataque-reivindicado-pelo-autoproclamado-estado-islamico-deixa-rastro-de-destruicao-e-morte-em-moscovo/

11/10/2023

Massacre

Estou aqui a tentar encontrar as melhores palavras para iniciar... Em todas as guerras há mortos. Em todas se cometem atrocidades. Israel e Palestina. Estamos a assistir a um autêntico massacre.  Famílias inteiras mortas, queimadas, mutiladas, decapitadas pelo Hamas, em ataques terroristas. Num último balanço, contam-se entre os mais de mil mortos, "260 crianças e 230 mulheres". Cerca de 4600 pessoas ficaram feridas. Logo na sequência dos ataques, o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, anunciou a "preparação de uma ofensiva total contra a Faixa de Gaza que alterará totalmente a situação no terreno".

Segundo Benjamin Netanyahu, caracterizou o ataque do Hamas a Israel como “uma selvajaria nunca vista desde o Holocausto”. Numa conversa telefónica com Joe Biden, o primeiro-ministro israelita, fala numa “centenas de massacres, famílias destruídas nas suas camas, nas suas casas, mulheres brutalmente violadas e assassinadas, mais de uma centena de raptos (…), levaram dezenas de crianças, amarraram-nas, queimaram-nas e executaram, decapitaram soldados”.

Vários líderes europeus têm-se manifestado. Desde Erdogan, da Turquia, a Zelensky presidente Ucraniano. "Numa conferência de imprensa com o chanceler austríaco Karl Nehammer, o líder turco manifestou ainda a sua preocupação com o alastramento do conflito a todo o Médio Oriente após o ataque terrorista do Hamas." O medo invade a Europa. Em Berlim, na Alemanha, manifestações a favor da Palestina foram proibidas por poderem representar, de acordo com as autoridades, “um perigo para a segurança e ordem pública”. Já o presidente da Ucrânia, Zelensky, afirmou "que a Rússia apoia o ataque do Hamas a Israel para promover a desestabilização global." O presidente ucraniano afirma ter "indicações que nos levam a crer que a Rússia está a ajudar a levar a cabo certas operações terroristas", e que “não é a primeira vez que atua desta forma". Dá o exemplo do que se passou na Ucrânia, na Síria e no continente africano. 

Numa mensagem forte e emotiva, Joe Biden afirmou que "os Estados Unidos reforçaram a postura das forças militares na região para fortalecer a dissuasão”, estando armamento a caminho e já tendo mesmo aterrado no país o primeiro avião com munições. Serão cerca de vinte, os cidadãos norte-americanos desaparecidos em Israel e ainda "não é claro se estão entre os reféns capturados pelo Hamas e levados para Gaza, embora a Casa Branca tenha confirmado que um número indeterminado se encontra entre os reféns."

João Gomes Cravinho, "defendeu o regresso à via diplomática, com um diálogo mais aprofundado que inclua ONU e países árabes". Uma família lusodescendente está desaparecia e uma jovem de 25 anos, acabou mesmo por ser encontrada morta. Neumann, luso-israelita, estudava em Tel Aviv e estava "no festival Teva, um dos vários festivais de música perto da fronteira de Gaza que foi invadido por militantes nas primeiras horas da manhã de sábado".

Israel está cercado, os ataques estão a vir de todos os lados. "As forças israelitas adiantaram que estão a responder, com artilharia e morteiros, a um ataque com projéteis não identificados desde a Síria, enquanto prossegue a resposta de Israel contra Gaza na sequência do ataque do Hamas." A maioria terá caído numa zona deserta. Do Líbano, foram lançados vários foguetes que atingiram o território. 

Do lado palestiniano, há também fortes acusações, com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Palestina a acusar Israel "de utilizar bombas de fósforo branco, destruindo um bairro no noroeste da cidade de Gaza". O cerco a Gaza, condena a população que lá permanece. O "rei Abdullah II da Jordânia ordenou o envio de ajuda médica e humanitária para a Faixa de Gaza, face às exigências israelitas para bloquear fundos internacionais à Palestina." Este apoio está a ser coordenado com o Egito, "através da passagem de Rafah", que entretanto foi encerrada depois dos "bombardeamentos israelitas terem atingidos as zonas envolventes".

Israel terá bombardeado "bairro por bairro na Faixa de Gaza, reduzindo prédios a escombros e fazendo com que as pessoas procurassem todos os meios para encontrar segurança no pequeno e isolado território," como retaliação ao ataque surpresa do Hamas. "As organizações humanitárias apelaram à criação de corredores humanitários para levar ajuda a Gaza, alertando que os hospitais locais, sobrelotados com feridos, estão a ficar sem meios e "os Médicos Sem Fronteiras indicaram que não conseguiram contatar as suas equipas em Gaza" depois do governo israelita ter cortado por completo o fornecimento de água e eletricidade à população.

É o povo que sofre. De ambos os lados.

Fontes:

https://expresso.pt/internacional/medio-oriente/2023-10-10-Pelo-menos-900-israelitas-mortos-corpos-de-1500-militantes-do-Hamas-encontrados-no-territorio-de-Israel-c7c68c35#635b448b-a2f7-4e73-a6fa-f5bf867909f0

https://expresso.pt/internacional/medio-oriente/2023-10-10-Jovem-luso-israelita-que-estava-desaparecida-foi-encontrada-morta-205cae46

https://sicnoticias.pt/mundo/2023-10-10-Mais-de-mil-vitimas-mortais-em-Israel-no-ataque-do-Hamas-9a19867b

12/02/2023

Infâncias perdidas - as vítimas perdidas das guerras

Há meninos que vão à escola. Há meninos que fazem birras porque não querem comer a sopa. Há meninos que brincam com carrinhos, constroem puzzles e pintam desenhos coloridos.


Há meninos que são levados em tenra idade e que são sujeitos às maiores atrocidades. Há meninos que em vez de desenhos animados assistem a execuções. Há meninos que são recrutas em ”campos infantis” por toda a Síria e pelo Iraque e fazem parte do Daesh. 


Assinala-se hoje o Dia Internacional contra o Uso de Crianças-soldado. Segundo o mais recente levantamento feito pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, 56 das atuais 57 entidades em guerra têm utilizado crianças nos seus exércitos. Em 2014, foram identificadas oito nações onde as crianças são recrutadas pelas forças de segurança: Afeganistão, Chade, Mianmar, Somália, Sudão do Sul, Sudão e Iêmen. Em países como Iraque e Síria, crianças permanecem vulneráveis ao recrutamento por conta da proliferação de entidades armadas e avanços do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL). No Sudão do Sul, os conflitos internos ainda afectam jovens e, no Iêmen, a participação e o uso de crianças pelas partes em conflito tornaram-se amplamente disseminados desde a escalada das tensões, em Março de 2015.


Há meninos que brincam ao faz-de-conta com armas feitas de pau e cantam "rei, capitão, soldado, ladrão..." e há meninos que gritam antes de dispararem armas verdadeiras, numa idade em que ainda não deveriam saber que a morte é irreversível. Estas crianças são usadas como bombistas suicidas ou para ”transportar armas e material médico nos confrontos”. Enquanto as meninas são vendidas ou entregues aos soldados do Daesh como presentes,  os rapazes são sujeitos a treino religioso e militar, onde aprendem a disparar armas e são obrigados a assistir a vídeos de decapitações.


Em 2016, pensa-se que terão sido 89 as crianças entre os oito e os 18 anos que morreram nas fileiras do Daesh durante um ano. O autoproclamado Estado Islâmico chama-lhes "as crias do califado". São meninos e meninas, provenientes na sua maioria da Síria mas que acabam por morrer em solo iraquiano: 60% dos jovens terá entre 12 a 16 anos, enquanto apenas 6% estão entre os oito e os 12 anos. São tratados como qualquer outro soldado. Estudos apontam para que 39% das crianças que faleceram em nome do Daesh iam a conduzir um veículo armadilhado, enquanto 33% foram mortas como peões no campo de batalha. Os números são ainda mais aterradores quando se descobre que 18% dos rapazes não tinham sequer quaisquer planos de sobreviver, sendo parte de inghimasis, ataques onde os jiadistas mergulham para lá das linhas do inimigo com a intenção de causar o maior número de baixas até eles próprios serem mortos.


Em 2017, no programa Grande Reportagem (SIC) com o título "Crianças no Daesh" de Henrique Cymerman, filmada na zona de Mosul no Iraque, podemos ver (se bem que não serei nunca capaz de compreender) o drama de milhares de meninos raptados pelo Estado Islâmico e transformados em terroristas suicidas e soldados, logo a partir dos três anos. Este excelente trabalho de reportagem mostra como uma equipa de resgate tenta libertar das mãos do ISIS crianças e meninas dos 3 aos 15 anos. São crianças e adolescentes que passaram longos períodos nas mãos do Daesh, movimento que chegou a controlar metade da Síria e metade do Iraque. Um dos meninos era Akram, com apenas 10 anos, que mostra aos repórteres como os homens do Estado Islâmico o ensinaram a matar e a cortar o pescoço de seres humanos, começando os "treinos" com bonecas, depois com gatos, cães, e por fim, com pessoas. Akram diz acerto ponto: "Se continuarem a falar em inglês vou ter de os matar."


Segundo uma denúncia das Nações Unidas, em 2022, as autoridades iraquianas mantinham detidas mais de um milhar de crianças (1091), algumas delas com apenas nove anos, acusadas de serem uma ameaça à segurança do Estado e de pertencerem ao Daesh. De facto, a esperança dos líderes do autoproclamado Estado Islâmico é que, mesmo se a organização eventualmente for derrotada, a “missão” pode continuar através de uma nova geração de jiadistas, através dos milhares de crianças que já foram doutrinadas com os seus ensinamentos.


Está tudo errado. 


Estas crianças, são vítimas de guerra. Nunca pediram para estar ali... nunca pediram para que lhes fosse posta uma arma nas mãos... não puderam ser crianças, não puderam brincar, sorrir, cantar, sonhar...


Fontes:


https://visao.pt/atualidade/mundo/2016-01-10-as-criancas-sao-o-futuro-ate-no-daesh/


https://expressodasilhas.cv/mundo/2016/02/27/uma-infancia-a-combater/47798


https://www.publico.pt/2022/02/19/mundo/noticia/mil-criancas-presas-ligacoes-terrorismo-iraque-1996110


https://sicnoticias.pt/programas/reportagemsic/2017-07-14-Criancas-no-Daesh-uma-infancia-roubada


 

30/01/2022

Ataque a uma prisão - continua a guerra na Síria

"O número de mortos num ataque do autoproclamado Estado Islâmico (EI) a uma prisão no nordeste da Síria e os combates entre os ‘jihadistas’ e as forças curdas subiu para 373, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH)." Este ataque aconteceu no dia 20 deste mês, mas as buscas levadas a cabo nos destroços, têm vindo a encontrar corpos e partes de corpos desmembrados tanto de curdos como de jihadistas. 


"Antes dos motins, a prisão albergava cerca de 3500 reclusos de diferentes nacionalidades."


"As Forças Democráticas Sírias (FDS), dominadas pelos curdos e que lideram a luta contra o EI", tinham anunciado na quarta-feira "ter recuperado o controlo da prisão de Ghwayran na cidade de Hassaké, pondo assim fim a seis dias de intensos conflitos", mas no dia seguinte voltaram a registar-se confrontos.


"Pelo menos 700 menores permanecem dentro das instalações e estão a ser usados pelos extremistas para evitar um ataque às suas posições, de acordo com o FDS." Esta prisão era antes uma "antiga escola convertida em centro penal há três anos, após o Daesh ter saído derrotado". De referir que "a grande maioria dos detidos em Ghwayran está neste local há dois anos e meio, num vazio jurídico completo, sem possibilidade de ser julgado de forma justa."


"Os curdos, que controlam regiões do norte e nordeste da Síria, há anos que pedem, em vão, o repatriamento de cerca de 12000 jihadistas de mais de 50 nacionalidades – europeus e outros – detidos nas suas prisões." Desde 2019, que o EI tem vindo a perpetar ataques graves na Síria, mesmo tendo sido "derrotado", através de "células adormecidas".


Fontes:


https://observador.pt/2022/01/30/numero-de-mortos-em-ataque-do-estado-islamico-a-prisao-na-siria-sobe-para-373/


https://expresso.pt/internacional/2022-01-25-forcas-curdo-sirias-recuperam-controlo-de-prisoes-depois-de-motim-ter-levado-a-fuga-de-membros-do-daesh


 

29/12/2020

Refugiados - uma realidade que não se pode deixar esquecida

Atualmente, cerca de 80 milhões de pessoas estão deslocadas. Isso representa 1% da população mundial. Desse total, quase metade é composta por crianças. A situação dos refugiados, é uma realidade que não pode ser esquecida. Mesmo perante o Covid ou, sobretudo, também devido à crise que o próprio Covid provocou também nestes países.


A ajuda huminatária, essencial para garantir a sobrevivência de milhões de pessoas, não chega a todos os lugares. A população de refugiados do Sudão do Sul é a maior da região e uma das mais vulneráveis. Cerca de 2,3 milhões de refugiados vivem em condições extremamente precárias, agravadas pela pandemia COVID-19.


Hoje vamos perceber quais são alguns dos países mais afetados A situação de segurança e humanitária na República Democrática do Congo (RDC) continuou a deteriorar-se, principalmente no leste, palco de uma das mais complexas e longas crises humanitárias permanentes na África. 


A situação na Somália é uma das crises de deslocamento mais antigas do mundo, fruto de um conflito armado em curso. Muitas pessoas continuam a precisar de assistência humanitária urgente e mais de 778.000 refugiados somalis em países anfitriões também continuam a contar com proteção, assistência e apoio na busca por soluções duradouras. Muitos dos deslocados testemunharam atrocidades e mulheres foram vítimas de violência sexual.


Milhares de pessoas foram forçadas a deslocar-se internamente no Iraque depois das suas terras terem sido confiscadas e suas casas e meios de subsistência terem sido destruídos. Existem cerca de 1,4 milhão de deslocados internos no Iraque, mais da metade dos quais vivem deslocados há pelo menos três anos. Há também cerca de 278.600 refugiados iraquianos no Egipto, Jordânia, Líbano, Síria e Turquia.


No caso do Afeganistão, a crise já dura aproximadamente 50 anos e os afegãos são a segunda maior população de refugiados. Em 2020, o país tornou-se o terceiro com maior número de pessoas forçadas a procurar outras regiões onde viver. Com 2,5 milhões de refugiados, 2,8 milhões de deslocados internamente e 240 mil requerentes de asilo, o país está atrás apenas de Síria (com 6,8 milhões entre refugiados e requerentes de asilo e 6,7 milhões de deslocados internamente) e da Venezuela (com 4,9 milhões de deslocados ao todo).


 


Fontes:


https://news.un.org/pt/story/2020/07/1721671


https://csvm.ufg.br/n/146023-para-onde-vao-os-refugiados-afegaos


 

15/08/2019

Migrantes - 130 crianças nas embarcações Vicking Ocean e Open Arms

A problemática da travessia do Mediterrâneo faz todos os anos milhares de mortos. O resgate destas pessoas é em muitos casos feito em alto mar antes de chegarem a portos europeus, mas nem sempre estes resgates têm sucesso ou são executados da melhor forma.

Choca-nos ainda mais quando envolve crianças, que na sua inocência, fogem de conflitos acompanhadas ou não pelos seus progenitores que tentam alcançar portos europeus.

A 10 e 11 de agosto, dos resgates feitos pelo Ocean Viking - operado pelos Médicos sem Fronteiras e a SOS Méditerranée, ambas anteriormente responsáveis pelo navio Aquarius -  a grande parte dos migrantes resgatados eram também homens sudaneses que fugiam da Líbia. A 12 de agosto, o navio humanitário "Ocean Viking" resgatou outros 105 migrantes nas águas internacionais ao largo da Líbia, aumentando o número de pessoas a bordo para 356. Só que ainda aguardam um porto seguro para desembarcar.

No caso da embarcação Open Arms, mais de 150 migrantes resgatados estão retidos, alguns há mais de 10 dias, a bordo do navio da ONG espanhola ao largo de Lampedusa à espera de um porto seguro para desembarcar.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, a verdade é que são cerca de 130 crianças no total que estão atualmente nas embarcações Viking Ocean e Open Arms, que aguardam para desembarcar na Europa após resgate no mar Mediterrâneo. As pessoas não foram autorizadas a desembarcar, uma vez que Itália e Malta não aceitaram receber os ocupantes e as ONGs que fretaram as embarcações disseram que não devolveriam os sobreviventes à Líbia por falta de segurança nos portos do país.

A agência destaca relatos de que apenas 11 das 103 crianças a bordo do navio humanitário Ocean Viking estão acompanhadas por um dos pais ou adulto responsável. A verdade é que muitas vezes estas crianças acabam por se perder durante as viagens, ou são mesmo raptadas pelos traficantes que as tentam trazer para a Europa. Quando eventualmente são resgatadas, não trazem documentos, têm graves problemas de saúde e de desnutrição. Outras tantas, morrem durante a viagem, muitas das quais nem são contabilizadas uma vez que não são feitas contagens oficiais.

Segundo os dados mais recentes da Organização Internacional para as Migrações (OIM), 39.289 migrantes e refugiados chegaram à Europa através do Mar Mediterrâneo entre 01 de janeiro e 04 de agosto de 2019, cerca de 34% menos que em igual período de 2018. Deste total, o maior número de pessoas chegou à Grécia (18947), seguindo-se a Espanha (13568), Itália (3950), Malta (1583) e Chipre (1241). No mesmo período, 840 pessoas morreram durante a travessia do Mediterrâneo, segundo a organização.

Fontes:

https://news.un.org/pt/story/2019/08/1683581

https://expresso.pt/sociedade/2019-08-06-O-Ocean-Viking-ja-esta-no-mar-1

https://observador.pt/2019/08/12/ocean-viking-faz-novo-resgate-no-mediterraneo-e-tem-agora-356-migrantes-a-bordo/


12/02/2019

Dia Internacional contra o uso de Crianças-soldado

12 de fevereiro foi a data escolhida para alertar a comunidade internacional para esta trágica e chocante realidade que afeta  centenas de crianças que continuam a ser raptadas, abusadas e utilizadas em conflitos armados. Entende-se por criança-soldado qualquer pessoa que tenha menos de 18 anos e faça parte de qualquer tipo de força armada organizada ou não organizada. A definição refere-se também a crianças que usem ou tenham usado armas e aplica-se a crianças que possam ter desempenhado no grupo armado funções tão diversas como transportar equipamentos, cozinhar ou servir de mensageiros. Neste momento, a definiçaõ inclui também as raparigas que tenham sido recrutadas para fins sexuais ou para «casamentos» forçados.


Estima-se que existam cerca de 250 mil crianças soldados, recrutadas à força em conflitos armados em mais de 20 países em todo o mundo. Estes meninos e meninas perdem o direito a brincar, a sonhar, a ser crianças. Estas crianças, correm sérios riscos de rapto, mutilação ou de morte, de serem recrutadas como soldados, de exploração e abusos sexuais. Ficam ainda privadas do acesso à saúde, à escola, ou mesmo a uma casa. Em 2007, durante a Conferência Internacional de Paris sobre as Crianças-soldado, os 58 países presentes comprometeram-se a lutar pela libertação incondicional destas crianças. Entre os compromissos assumidos num documento que resultou da conferência, pede-se aos Estados que as crianças-soldado sejam vistas como vítimas antes de serem acusadas de crimes aos olhos do direito internacional. A fragilidade dos acordos de paz assinados pelas partes envolvidas nos conflitos e tantas vezes violados também contribui para o fracasso da tentativa de desmobilização das crianças-soldado. Acresce que muitas das crianças ex-soldado quando regressam a casa não têm já uma estrutura familiar à sua espera.


No Afeganistão, as crianças chegam a ser usadas como bombistas suicidas, para fabricar armas ou transportar explosivos. Crianças e jovens em condições mais vulneráveis são os alvos preferenciais de governos, regimes e grupos armados. A guerra é apresentada como ato de heroísmo, no “marketing militar”.  o recrutamento de crianças é sempre muito fácil e a sua preparação para o campo de batalha torna-se muito simples. Elas são facilmente aliciadas – quando não raptadas –, facilmente treinadas para cumprir as ordens mais atrozes, são mais obedientes, não questionam ordens, são manipuláveis e sobretudo mais controláveis. A sua imaturidade não lhes permite ter discernimento sobre os atos que cometem, não são capazes de medir as consequências das suas ações, nem valorá-las, pois os mecanismos de limitação de comportamento estão ainda em fase de desenvolvimento pelo que, nos ambientes mais hostis, tomam atitudes que não seriam tão facilmente tomadas por adultos.


No Iraque e na Síria, as crianças com 12 anos, são submetidas a treino militar, sendo posteriormente usadas como informantes ou em patrulhas, em postos de controlo ou para guardar pontos estratégicos. Em alguns casos, também são utilizadas como bombistas suicidas ou para levar a cabo execuções. Na República Democrática do Congo, cerca de duas mil crianças estão a ser utilizadas por grupos armados sobretudo nas províncias orientais do Kivu do Norte e do Sul. 


Cerca de 40% das crianças soldados são meninas. A maioria sofre violência sexual. Se conseguem fugir, podem enfrentar o preconceito da família por terem sido violadas. O Boko Haram, responsáveis pelo sequestro de 276 meninas, em janeiro de 2015 usa uma  “menina-bomba”, de apenas 10 anos, num atentado a um mercado da cidade de Maiduguri, nordeste da Nigéria.  Na Colômbia, o alistamento voluntário de meninas é um modo de empoderamento e fuga de situações de violência, mas violência e discriminação acompanham-nas durante o período junto ao grupo armado e na sua reinserção na sociedade.


No Uganda, após o golpe de estado na República Centro-Africana, em 24 de Março de 2013, tornou-se mais difícil para as crianças-soldado ugandesas – raptadas para ingressarem nos grupos rebeldes que atuam naquele país– regressarem à sua terra natal.


 

Fontes:


https://www.acegis.com/2016/02/dia-internacional-contra-a-utilizacao-de-criancas-soldado/


https://www.apagina.pt/?aba=7&cat=166&doc=12279&mid=2


https://veja.abril.com.br/mundo/aos-12-anos-fui-uma-crianca-soldado


https://www.acn.org.br/republica-centro-africana-impede-o-retorno-de-criancas-soldados-ugandesas/


https://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/27808


 

14/04/2018

Ataques à Síria

Mais uma vez me preocupa a interferência de terceiros nos conflitos armados. Desta vez, os EUA avançaram com um ataque à Síria, com o apoio da França e do Reino Unido. Pergunto-me qual é a posição da NATO em relação a este ataque...


O ataque teve o objetivo de destruir armamento e centros de investigação para o uso de armas quimicas e deu-se depois do ataque químico na cidade de Douma, na Síria, na semana passada. É esta a justificação. 


O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o ataque e, segundo o Pentágono, uma hora após o anúncio de Trump, foram atingidos três alvos específicos, todos relacionados com o desenvolvimento e estocagem de armas químicas: um centro de pesquisa científica localizado em Damasco, um depósito de armas químicas e um posto de comando, que também servia como depósito, ambos localizados em Homs. Os danos causados ainda não foram calculados.


Segundo a Reuters, os ataques aéreos realizados por Estados Unidos, França e Reino Unido contra alvos militares sírios podem dar ao terrorismo uma oportunidade de se expandir na região, disse no sábado o Ministério das Relações Exteriores do Iraque.


As armas químicas vieram transformar a guerra, alterando os alvos e afetando as populações de outras formas. Ainda não sei descrever o que senti quando vi as imagens dos ataques da semana passada. Foi desumano e levou à morte de dezenas de pessoas. O regime de Assad foi acusado de lançar bombas com substâncias químicas venenosas contra civis, no decorrer de uma ofensiva das forças do governo sírio a Duma. Os socorristas que assistiram as vítimas, referem que famílias inteiras foram encontradas sufocadas pelo gás nas suas casas ou em abrigos. Muitas das imagens mostravam crianças mortas e outras em aflitiva procura por respirar.


 


Fontes:


https://observador.pt/2018/04/14/o-que-aconteceu-e-o-que-pode-acontecer-na-siria-depois-do-ataque-contra-assad/


https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2018-04/ataque-siria-missionaria-brasileira.html


https://www.reuters.com/article/siria-iraque-ataques-expansao-terrorismo-idBRKBN1HL0UK-OBRTP


 


 

11/01/2018

Crianças usadas em combate e como escudos humanos

A emoção desponta quando começo a tentar escrever sobre a participação das crianças na guerra. Podia estar apenas a falar sobre mais um ataque à bomba, o que infelizmente só por si já seria muito mau, mas ainda o ano vai no princípio e já quase que se está a tornar banal verem-se imagens de pessoas mortas no chão e outras a correr no meio do pó e da destruição.

Mas dá-se um nó, um aperto no peito enquanto as lágrimas tentam ganhar caminho... são as imagens de crianças que aprendem a usar armas que me estão a colocar um nó dentro do peito. É revoltante aquilo que se está a fazer com todos aqueles rapazes, que deviam estar a brincar com carrinhos, a correr atrás de uma bola e não a usar armas de fogo! Mas os factos estão diante dos nossos olhos, todos os dias, na televisão ou na internet.

Começo por falar do Afeganistão, onde os meninos aprendem as "leis" do Estado Islâmico. Praticamente derrotado na Síria e no Iraque (ou pelo menos assim nos querem fazer crer), o auto-denominado grupo terrorista "Estado Islâmico" segue firme no Afeganistão, onde uma série de atentados ao longo dos últimos 18 meses deixou centenas de mortos. 

Quando em 2014, as tropas da NATO começaram a deixar o Afeganistão, o Estado Islâmico levantou sobre a população a sua mão pesada, fazendo-se sentir através de ações do grupo EI-K (como se autodenomina o grupo local). Em meados de 2015, a ONU alertou que este grupo já estava presente em 25 das 34 províncias. E as crianças, que deveriam estar a ser protegidas, são as que mais sofrem neste conflito.

Em julho de 2016, o grupo El-K chegou a Cabul. O primeiro ataque na capital afegã foi um dos mais mortais já executados na cidade. Duas explosões atingiram membros do grupo étnico xiita hazara, matando cerca de 85 pessoas e ferindo mais de 400. E sabiam que só no Afeganistão, quase 700 crianças foram mortas nos primeiros 9 meses do ano passado?

Mas infelizmente, não acontece apenas no Afeganistão. Em zonas de conflito por todo o mundo, as crianças tornaram-se alvos de primeira linha. São usadas como escudos humanos, mortas, mutiladas ou recrutadas para combater. Violações, casamentos forçados, raptos e escravatura tornaram-se tácticas recorrentes em todos estes conflitos, desde o Iraque ao Sudão do Sul, passando pela Síria, Iémen, Nigéria ou Myanmar. 

Em alguns contextos, as crianças raptadas por grupos extremistas são abusadas e quando libertadas são novamente detidas por forças de segurança. Milhões de crianças estão a pagar o preço destes conflitos: sofrem de má nutrição, de doenças e ficam para sempre com traumas graves. Os serviços básicos são-lhes negados – incluindo o acesso a comida, água, saneamento e serviços de saúde – danificados ou destruídos pelos confrontos.

Segundo dados divulgados pela UNICEF, pelo menos 5000 crianças foram mortas ou ficaram feridas no Iémen, durante os cerca de 1000 dias de confrontos. No entanto, estima-se que os números reais sejam muito mais elevados! No total, cerca de 1,8 milhões de crianças sofrem de má nutrição – das quais 385000 estão gravemente malnutridas e em risco de morrer se não forem tratadas com urgência. 

No Iraque e na Síria, crianças têm sido usadas como escudos humanos. Ficam presas em zonas cercadas e acabam por ser alvo de atiradores furtivos, além de serem atingidas por bombardeamentos intensos. A violência está presente e é visível na forma como interagem socialmente umas com as outras - não aprendem a brincar, aprendem a sobreviver e isso implica lutar e, nalguns casos, até matar.

Na região do Kasai da República Democrática do Congo, a violência obrigou 850000 crianças a abandonarem as suas casas, numa região onde mais de 200 unidades de saúde e 400 escolas foram atacadas e destruídas. Um total estimado de 350000 crianças são vítimas de má nutrição aguda severa.

Em Myanmar, as crianças Rohingya sofrerem e testemunharam casos chocantes de violência generalizada, sendo atacadas e obrigadas a abandonar as suas casas no estado de Rakhine, enquanto outras crianças em zonas fronteiriças remotas dos estados de Kachin, Shan e Kayin continuam a sofrer as consequências das tensões entre as forças armadas do Myanmar e vários grupos étnicos armados. 

No nordeste da Nigéria e nos Camarões, o Boko Haramterá recorrido a pelo menos 135 crianças como bombistas suicídas - quase cinco vezes mais do que em 2016. Na República Central Africana, depois de meses de novos confrontos, registou-se um aumento dramático dos níveis de violência com crianças a serem mortas, violadas, raptadas e recrutadas por grupos armados.

Na Somália, foram reportados 1740 casos de recrutamento de crianças nos primeiros dez meses de 2017 - estes são aqueles dos quais se sabem. No Sudão do Sul, onde o conflito e a economia em colapso levaram à declaração de fome em algumas partes do país, mais de 19000 crianças terão sido recrutadas por forças e grupos armados e mais de 2300 crianças acabaram mortas ou gravemente feridas desde o início do conflito em dezembro de 2013.

A UNICEF apela a todas as partes envolvidas em conflitos que cumpram com as suas obrigações decorrentes da legislação internacional para que cessem imediatamente todo e qualquer tipo de violação contra as crianças, assim como os ataques contra infra-estruturas civis, incluindo escolas e hospitais.

Fontes:

https://www.dw.com/pt-br/estado-isl%C3%A2mico-sobrevive-no-afeganist%C3%A3o/a-42117855

https://www.plataformaongd.pt/noticias/numero-de-criancas-sob-ataque-nunca-foi-tao-elevado


Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...