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19/06/2025

Razões que a razão desconhece

Sou só eu que acho que atacar uma central nuclear, pode correr mal, mesmo muito mal?

Ou será que a ideia é destruir a central e, aproveitando, destrruir um ou dois países ali à volta, já que não nos "estamos" a entender com eles? É que, sinceramente, isto está a começar a cheirar muito mal. Segundo afirmou Donald Trump, "ainda não decidiu se vai intervir militarmente," embora exista a possibilidade de "apoio a um ataque israelita às instalações nucleares do Irão." O Irão acusou ainda "a Agência Internacional de Energia Atómica das Nações Unidas de agir como parceira da guerra de agressão de Israel." Aquilo que parece estar aqui em causa, não é só a guerra entre o estado judaico de Israel e o regime autocrático do Irão, mas abrange outras duas grandes potências - os EUA e a Rússia. E está a ser complicado perceber quem está a apoiar quem, havendo interesses que vão muito além da política externa da qual se vai falando por aí.

O Irão acabou, há poucas horas, por se manifestar contra o apoio dos "Estados Unidos" a Israel, "avisando que tal ação teria como consequência uma resposta severa”. Já numa declaração feita numa visita ao Líbano, a intervenção do "Hezbollah, movimento armado libanês apoiado pelo regime iraniano," é visto pelos EUA como uma "péssima decisão."

A guerra entre o Irão e Israel não é nova - aliás tem décadas - mas as coisas parecem ter piorado de uma semana para a outra assim "do nada". Voltemos a 2010, quando um "vírus informático Stuxnet - amplamente atribuído aos serviços secretos norte-americanos e israelitas - desativou as centrifugadoras iranianas." Já em julho de 2020, um ataque alegadamente de origem israelita terá danificado "gravemente uma central de centrifugação em Natanz e, mais tarde nesse ano, o cientista nuclear de topo Mohsen Fakhrizadeh foi assassinado perto de Teerão." No ano seguinte, "o Irão voltou a culpar Israel por um apagão em Natanz e, pouco depois," terá começado "a enriquecer urânio a 60%." Em 2022, estas acusações foram aumentando "ainda mais, com o Irão a acusar Israel de envenenar dois dos seus cientistas nucleares sem apresentar provas." As relações entre os dois estados agravaram-se ainda mais quando, depois dos ataques de 7 de novembro, o Irão "manifestou o seu apoio" ao Hamas. 

Os ataques mútuos, apesar de frequentes, não eram diários e andávamos talvez distraídos com outras guerras. Depois de diversos "atos de sabotagem e ataques aéreos," foi lançada no "início de 2024, uma operação israelita" que resultou em danos num "gasoduto iraniano."  A 1 de abril do mesmo ano, "um ataque com mísseis destruiu o consulado do Irão em Damasco, matando dois generais e 14 outras pessoas."

Em retaliação, "o Irão lançou mais de 300 mísseis e drones num ataque direto a Israel, a maioria dos quais" acabou por ser "intercetada." Em outubro seguinte, "Israel conduziu os seus primeiros ataques diretos no interior do Irão, visando as defesas aéreas e locais onde existiam mísseis." A Mossad tem aqui um papel importante, por ter sido responsável por montar "uma base secreta para drones explosivos no interior do Irão semanas antes da operação, que foi posteriormente utilizada para atacar plataformas de mísseis superfície-superfície."

Na passada sexta-feira, Israel anunciou que iria avançar com "uma operação militar de grande envergadura contra alvos nucleares e militares no Irão, sob o nome de Lion Rising," referindo que pretende “eliminar a ameaça iraniana à existência do Estado hebreu”. Durante esta última semana, a Mossad terá investido pelas "profundezas do território iraniano, visando sistemas de mísseis, defesa aérea e infraestruturas nucleares."

Durante esta noite foram lançados vários mísseis de parte a parte. Um hospital israelita, "em Be'er Sheva, no sul," bem como um outro em "Holon e Ramat Gan, no centro do país," acabaram por ser atingidos. O balanço mais recente é de "65 pessoas" feridas, embora de forma "leve". Israel fala em crime de guerra, porque o ataque atingiu alguns edifícios hospitalares - faz-me lembrar alguma coisa, hum... a vocês não? Um outro míssil iraniano terá também conseguido "furar" a Hiron Dome israelita e acabou por atingir "a base de um arranha-céus na rua Jabotinsky em Ramat Gan, perto do centro de Telavive e a cerca de 200 metros da bolsa de diamantes da cidade."

Entretanto, as "Forças de Defesa de Israel" atacaram "dezenas de alvos militares no Irão e foi emitido um aviso instando os civis a evacuar a área em torno do reator de água pesada de Arak." Os EUA já reforçaram as suas bases militares no Médio Oriente, tentando, entre outras coisas, evitar o "encerramento do Estreito de Ormuz."

O que a mim também não me faz sentido - mas que vindo daqueles lados, já começa a parecer normal - é a intenção demonstrada por Vladimir Putin de ser mediador do "fim do conflito entre Israel e o Irão, ao mesmo tempo que Moscovo intensifica a sua guerra contra a Ucrânia." A Rússia, alertou para as consequências de um "eventual" apoio dos "Estados Unidos contra qualquer intervenção militar no conflito entre o Irão e Israel," dizendo que estas pode ser "verdadeiramente imprevisíveis.” O presidente russo chegou mesmo a sugerir "que o Kremlin poderia ajudar a negociar um acordo que permitisse a Teerão prosseguir um programa nuclear pacífico, ao mesmo tempo que atenuaria as preocupações de segurança de Israel." Que interesse está por trás desta mediação e que solução poderia aqui ser encontrada, tendo em conta os interesses dos envolvidos?

E deixo aqui outra questão. Parece que estamos longe e que não é nada que nos possa atingir, mas sabemos que não é bem assim. De que lado se coloca a UE? As opiniões dividem-se, mas há que explicar que a "UE considera que o Irão é a principal influência desestabilizadora no continente europeu, através do seu apoio militar à Rússia."


Fontes:

https://pt.euronews.com/2025/06/19/putin-diz-que-russia-pode-mediar-acordo-entre-israel-e-irao-enquanto-intensifica-ataques-a

https://pt.euronews.com/2025/06/19/hospital-no-sul-de-israel-atingido-por-missil-iraniano-informam-as-autoridades

https://pt.euronews.com/my-europe/2025/06/19/ue-dividida-quanto-ao-direito-de-israel-bombardear-o-irao

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/guerra-no-medio-oriente-a-evolucao-do-conflito-entre-israel-e-irao_e1663271

https://pt.euronews.com/2025/06/13/cronologia-como-ocorreu-a-escalada-do-conflito-entre-israel-e-o-irao

26/11/2024

Anunciado cessar-fogo no Líbano

O primeiro ministro de Israel anunciou "um acordo de cessar-fogo no Líbano após uma reunião do Conselho de Segurança de Israel." Este acordo "abre espaço para pôr termo a quase 14 meses de combates iniciados após a resposta israelita ao ataque de 7 de outubro do Hamas." Mas será que o acordo vai ser respeitado?

Entre outras coisas, esta trégua de 60 dias, que foi mediada com os EUA e com a França, "implicaria o fim da presença armada do Hezbollah ao longo da fronteira a sul do rio Litani e exigiria a retirada das tropas israelitas do sul do Líbano," ali colocadas "para combater as milícias xiitas libanesas do Hezbollah." A área situada entre uma e outra região, "ficará sob responsabilidade de uma força de cinco mil soldados das forças armadas libanesas e de contigentes da ONU integrados na UNIFIL." Esta proposta, na qual está incluida "a criação de um comité internacional para monitorizar a aplicação do acordo, liderado pelos Estados Unidos, é muito semelhante àquela que em 2006 foi feita com o apoio norte-americano "e que originou 17 anos de tréguas entre o Hezbollah e Israel. Na altura, constituiu-se uma força das Nações Unidas, a UNIFIL, em apoio ao exército do Líbano, que seria agora reforçada."

No entanto, antes do cessar-fogo ter sido anunciado, os ataques contra Beirute agravaram-se, com o envio da parte de Israel de "uma forte vaga de ataques aéreos" contra a capital do Líbano e que resultaram na morte de, pelo menos, sete pessoas. 

O acordo não é extensível a Gaza, havendo mesmo a intenção de intensificar os ataques na região.

Fontes:

https://pt.euronews.com/2024/11/26/netanyahu-anuncia-cessar-fogo-no-libano-a-partir-desta-quarta-feira

https://pt.euronews.com/2024/11/26/israel-lanca-fortes-ataques-aereos-contra-beirute-antes-de-anunciar-cessar-fogo

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/netanyahu-anuncia-acordo-para-cessar-fogo-entre-israel-e-libano_n1617656

28/10/2024

Israel - os ataques continuam

Israel atacou ontem as "cidades libanesas de Haret Saïda, Aïn Baal e Bourj al-Chemali," provocando pelo menos 21 mortos.


Hoje, a cidade de Tiro (cidade libanesa que alberga locais históricos inscritos pela UNESCO na sua lista de património mundial), provocando, para já, sete mortos e dezassete feridos. O alvo terá sido uma zona residencial. As forças israelitas tinham dado ordens de evacuação ao "início desta manhã,"  emitindo "um aviso de evacuação para várias zonas da cidade," e garantindo que o alvo são os "centros de comando de unidades do Hezbollah." Israel afirma querer "neutralizar o Hezbollah para pôr termo ao lançamento de foguetes" a partir do território libanês "e permitir que dezenas de milhares de pessoas deslocadas regressem a casa."


Enquanto isso, continuam os ataques na Faixa de Gaza, onde um drone israelita terá morto três pessoas. Em Jabalya, "onde o exército israelita tem conduzido uma devastadora ofensiva terrestre e aérea desde 6 de outubro para impedir o Hamas de reagrupar as suas forças", uma "escola convertida em abrigo para pessoas deslocadas" foi também atacada, com o resultado de nove mortos.


Infelizmente, quem sofre no meio de tudo isto, é a população civil... famílias inteiras deslocadas, fome, frio e doenças que levam ao decréscimo da qualidade de vida destas populações. Apesar de várias tentativas de negociação, o cessar-fogo parece estar longe de acontecer...


 


Fontes:


https://www.publico.pt/2024/10/28/mundo/noticia/bombardeamento-israelita-cidade-tiro-faz-menos-cinco-mortos-2109661


https://www.jn.pt/2736835242/israel-ataca-cidade-libanesa-de-tiro-apos-apelos-de-evacuacao/


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/israel-prossegue-ataques-em-gaza-e-ordena-retirada-da-populacao-de-cidade-libanesa_n1610879


 

28/09/2024

Os ataques a Beirute continuam...

...e o líder do Hezbollah terá sido dado como morto. É nesta situação que agora todas as atenções se estão a focar.

Hassan Nasrallah, líder do movimento islamita libanês, terá sido morto "durante um ataque aéreo na sexta-feira à sede da organização em Beirute." Além dele, terão ainda sido eliminados "outros comandantes do Hezbollah que se encontravam no mesmo local, em Dahiyeh, um subúrbio do sul de Beirute, densamente povoado.

A sede do Hezbollah, estaria a funcionar "numa estrutura subterrânea, debaixo de um edifício residencial," o que levou também à morte de vários civis, cujo número ainda não foi revelado. "As forças israelitas dizem não ter ainda essa informação, recusando especificar o tipo de armamento usado no bombardeamento, assim como detalhes sobre a comprovação da morte de Nasrallah." Sabe-se apenas que terá sido através de um dos vários ataques de precisão lançados contra Beirute, com recurso "a um esquadrão de caças F15I munidos de bombas antibunkers."

De acordo com o jornal New York Times, citado pelo Observador, terão sido "lançadas mais de 80 bombas durante vários minutos com o objetivo de matar Hassan Nasrallah," num ataque que teria "começado a ser planeado no início da semana passada, ainda antes de Netanyahu, primeiro-ministro israelita deixar o país para marcar presença na Assembleia Geral das Nações Unidas." 

A situação envolve também o Irão.

Ali Khamenei, líder do Irão, deixou numa "mensagem muito clara sobre as consequências dos ataques militares ao Líbano," que "é obrigatório para todos os muçulmanos apoiar orgulhosamente o povo libanês e o Hezbollah.," contra Israel que acusa de ser um "regime usurpador, cruel e maléfico."

Nasrallah, nasceu em 1960 e tinha 67 anos. "Quando Israel invadiu o Líbano, em 1982, Nasrallah juntou-se a um grupo de combatentes que evoluiria para o atual Hezbollah." Desde 1992 que era líder do movimento "em substituição de Abbas Moussaoui, depois de este ter sido igualmente morto durante um ataque israelita com um helicóptero."

Durante os últimos anos, viveu quase sempre escondido e tornou-se "o homem mais poderoso e influente" do Líbano. A sua popularidade "no seio da comunidade xiita é apoiadas por uma vasta rede de escolas, hospitais e associações ao serviço dos seus apoiantes. Membro do governo e do parlamento, onde nem o seu campo nem os seus opositores têm maioria absoluta, impediu a eleição de um Presidente da República durante quase dois anos."

Entre ontem e hoje, estão ainda a ser retirados do Líbano vários portugueses.

Fontes:

https://expresso.pt/internacional/medio-oriente/guerra-israel-hamas/2024-09-28-nasrallah-esta-morto.-israel-anuncia-morte-do-lider-do-hezbollah-632e727d

https://expresso.pt/internacional/medio-oriente/guerra-israel-hamas/2024-09-28-lider-do-irao-pede-apoio-de-todos-os-muculmanos-ao-libano-e-ao-hezbollah-fc998ed0

https://observador.pt/especiais/como-nasrallah-tornou-o-hezbollah-um-dos-maiores-inimigos-de-israel-e-semeou-o-caos-no-libano/

https://observador.pt/liveblogs/israel-diz-que-matou-lider-do-hezbollah/#liveblog-entry-678580

24/09/2024

E a guerra continua...

E parece que pouco ou nada se pode fazer. 


Nos ataques que Israel levou a cabo contra o Líbano entre ontem e hoje, já se contabilizam 558 mortos - o "número mais elevado desde a última guerra entre o Hezbollah e Israel em 2006." Nesta lista, estão "50 crianças e 94 mulheres." Ao número de mortos, é preciso acrescentar os feridos - "1835 feridos até agora" - muitos deles, graves.


O ministro libanês da Saúde, Firass Abiad, “desmente todas as alegações israelitas de que os alvos são combatentes", acrescentando que "na verdade, infelizmente, a grande maioria, se não todos, são pessoas desarmadas que se encontravam nas suas casas". Muitos habitantes do sul do Líbano acabaram por fugir "em massa para Beirute," devido incessantes bombardeamentos por parte da aviação israelita. "A preocupação também atinge a capital libanesa com habitantes a receberem avisos israelitas nos seus telemóveis e linhas fixas. As escolas foram encerradas em todo o país."


Durante esta manhã, dezenas de rockets foram disparados do Líbano contra Israel, em retaliação, atingindo diversos edifícios. De um lado, ou do outro, quem sofre é o povo...


As companhias aéreas já estão a cancelar os voos para Beirute devido ao risco de insegurança que o intensificar deste conflito está a provocar.


O Irão promete que não vai abandonar o Hezbollah e a escalada de violência não parece parar aqui. Como pode alguém aguentar tudo isto? Como não compreender que, muitas destas pessoas, queiram afinal sair destes territórios, deixando para trás o pouco que tinham?


Hoje começou a "79.ª Assembleia Geral da ONU" onde António Guterres apelou "à comunidade internacional" para que se mobilizasse de forma a que "seja alcançado um acordo de cessar-fogo e de libertação de reféns entre Israel e o Hamas." Referiu ainda que “devemos todos ficar alarmados com a escalada" de violência que está a lcolocar o "Líbano à beira do abismo." Apela a que se faça alguma coisa para que "o Líbano" não "se transforme noutra Gaza."


Fontes:


https://sicnoticias.pt/especiais/conflito-israel-palestina/2024-09-24-ataques-de-israel-no-libano-sobe-para-558-o-numero-de-mortos-cdc2b469


https://www.rfi.fr/pt/geral/20240924-ataques-israelitas-no-l%C3%ADbano-provocaram-mais-de-550-mortos


https://observador.pt/2024/09/24/comeca-agora-a-79-a-assembleia-geral-da-onu-guterres-pede-cessar-fogo-e-diz-que-libano-nao-se-pode-tornar-numa-nova-gaza/


 


 


 


 

23/09/2024

Atentado com mina no Paquistão... e continua a troca de ataques no Médio Oriente

Uma comitiva que transportava diplomatas de vários países foi alvo de um "ataque no Paquistão," levando à morte de um polícia e a ferimentos em três outros. Na comitiva seguiam "o embaixador russo e diplomatas portugueses, iranianos, turcomanos, tajiques, cazaques, bósnios, zimbabueanos, ruandeses e vietnamitas." O ataque aconteceu "no vale do Swat, em Khyber Pakhtunkhwa, na fronteira com o Afeganistão." Os diplomatas estariam a participar num encontro para "promover o comércio local, conhecido pelo seu artesanato e pedras preciosas."

Na caravana, composta por 12 diplomatas, "viajava o embaixador português, Frederico Silva, que o Ministério dos Negócios Estrangeiros português confirmou à Lusa estar bem," uma vez que ia a meio do comboio e a viatura onde seguia não chegou a ser atingida. Esta é uma região perigosa por ser um "bastião dos talibãs paquistaneses (TTP), treinados para o combate no Afeganistão e que defendem a mesma ideologia dos talibãs afegãos."

Ontem, escrevi sobre a situação tensa no Médio Oriente e até agora os ataques não cessaram - nem tão cedo se espera que isso aconteça, infelizmente. Nos últimos dias, os ataques contra território libanês já provocou "dezenas de mortos, segundo a Defesa Civil," sendo que "o balanço provisório do atentado de sexta-feira é de 50 mortos e 66 feridos, mas há ainda 11 desaparecidos."

Preocupado com a escalada do conflito, "o secretário-geral da ONU, António Guterres," receia que o conflito no Líbano se torne "uma nova Gaza", numa entrevista dada à CNN.

Depois de aconselhar os habitantes do sul do Líbano a "manterem-se afastados" de edifícios onde o "Hezbollah pode ter armazenadas armas" e que possam ser alvos "do movimento pró-iraniano Hezbollah," Israel lançou esta segunda-feira dezenas de ataques "no sul e no leste do Líbano." Em cerca de meia horam foram lançados "mais de 80 ataques aéreos."

A agência Reuters, descreveu os bombardeamentos desta manhã "como os mais vastos que Israel realizou em simultâneo desde outubro do ano passado." Na última sexta-feira, o exército israelita assassinou "um importante comandante do Hezbollah, Ibrahim Aqil, num bombardeamento em Beirute que fez pelo menos 12 mortos, incluindo cinco crianças."

Este comandante era "procurado há décadas pelos Estados Unidos" acusado de ter sido responsável "pela morte de mais de 300 pessoas nos atentados de 1983 em Beirute." O ataque de 1983 terá morto 307 pessoas que se encontravam num "quartel de uma força internacional de manutenção de paz," entre as quais "241 militares norte-americanos." A explosão de um camião provocou ainda a morte de "63 pessoas na embaixada norte-americana," daquele país.

Fontes:
https://www.publico.pt/2024/09/22/mundo/noticia/comitiva-diplomatas-incluindo-portugueses-alvo-ataque-paquistao-2105094

https://www.dnoticias.pt/2024/9/22/420734-caravana-com-diplomatas-incluindo-portugueses-foi-alvo-de-explosao-no-paquistao/

https://pt.euronews.com/my-europe/2024/09/22/alta-tensao-entre-o-hezbollah-e-israel-eua-uniao-europeia-e-onu-demonstram-preocupacao

https://www.publico.pt/2024/09/23/mundo/noticia/israel-ataca-alvos-sul-leste-libano-2105114

https://www.publico.pt/2024/09/20/mundo/noticia/ibrahim-aqil-comandante-historico-hezbollah-eliminado-israel-tambem-procurado-eua-2104951

22/09/2024

Situação muito tensa no Médio Oriente

Não tem havido dia em que não se fale da tensão vivida no Médio Oriente e, esta semana, a situação não foi diferente. Este foi mais um fim de semana sangrento em que nenhum dos lados teve paz.


Um dos ataques mais importantes - não pela ocorrência de vítimas, mas pelo seu simbolismo - foi sem dúvida o encerramento da estação de televisão Al-Jazeera, por forças israelitas que "entraram nas instalações do canal de rosto coberto e fortemente armados," dando ordens de encerramento da "redação em Ramallah, na Cisjordânia ocupada." O encerramento foi ordenado "45 dias." Quando se retira do povo o direito a ter acesso ao que se passa, através dos meios de comunicação social, retira-se uma importante parte dos seus direitos. Já no passado dia 12 de setembro, o Governo israelita tinha anunciado "a retirada de acreditações aos jornalistas da Al-Jazeera, cujas emissões já tinham sido proibidas em inícios de maio por, alegadamente, violarem a segurança do Estado." Estes atos vão contra a liberdade de imprensa, defendida pelo direito internacional.


Israel poderá ter estado por trás do ataque feito através de "materiais explosivos" colocados em "pagers que foram vendidos ao Hezbollah e que explodiram na terça-feira, provocando pelo menos nove mortos e 2.800 feridos." Os aparelhos de comunicação portáteis "explodiram, de forma quase simultânea, no Líbano,"  ferindo "centenas de membros do grupo xiita," entre os quais o próprio "embaixador do Irão no Líbano, Mojtaba Amani."


Apenas algumas horas depois deste ataque, foram usados "aviões de guerra israelitas" para efetuar dezenas de ataques no sul do Líbano, respondendo à ameaça de retaliação feita pelo "líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah", que sobreviveu ao ataque feito "com explosivos em pagers e walkie-talkies, nos últimos dias."


A situação entre Israel e Líbano está a escalar cada vez mais depressa. O "Hezbollah disparou mais de 100 projéteis durante a noite," atingindo várias aldeias e "obrigando milhares de residentes e refugiarem-se em abrigos antiaéreos." Como resposta ao ataque feito através do território libanês, Israel lançou centenas de mísseis, tendo atingido, segundo informação do exército israelita, "cerca de 400 alvos no sábado, incluindo lança-foguetes do Hezbollah, e que irá continuar a atacar o movimento apoiado pelo Irão." Em Israel foram já encerradas "todas as escolas" e foram restringidos "ajuntamentos no norte do país."


No que respeita ao outro lado do conflito, Gaza foi novamente atacada este sábado, tendo sido atingida "uma escola que abrigava milhares de desalojados no sul de Gaza." Contam-se já oito crianças entre as desassete vítimas mortais. Contam-se ainda 30 feridos. As "vítimas são maioritariamente mulheres e crianças que estavam abrigadas na escola para fugir à guerra naquela região."


Na mesma zona de Gaza, foi também "registado um ataque a outra escola, onde várias pessoas ficaram feridas." Os números mais recentes apontam para 60 mortos desde sexta-feira, provocados por "bombardeamentos israelitas na Faixa de Gaza," entre os quais estão três palestinianos que perderam a vida, no ataque a um autocarro que "transportava deslocados," perto da "passagem de al-Abas." 


"Em Rafah, no sul, pelo menos 14 habitantes de Gaza foram mortos em dois ataques israelitas, segundo a Defesa Civil, 13 deles numa única casa bombardeada, e mais uma pessoa foi morta quando conduzia numa mota na zona de Khirbet al-Adas."


Fontes:


https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/medio-oriente-israel-invade-e-encerra-redacao-da-al-jazeera-na-cisjordania/


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/israel-lanca-grandes-ataques-contra-o-libano_a1601288


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/israel-tera-colocado-explosivos-nos-pagers-utilizados-pelo-hezbollah_n1600673


https://sicnoticias.pt/especiais/conflito-israel-palestina/2024-09-21-pelo-menos-17-mortos-em-ataque-contra-escola-com-deslocados-em-gaza-d5591bf0

29/07/2024

Turquia ameaça avançar sobre Israel

Em resposta aos ataques contra a Palestina, o detentor do segundo maior exército da NATO, ameaçou Israel de poder vir a entrar no seu território com o objetivo de proteger os palestinianos. Erdogan, chegou mesmo a aludir ao apoio dado pela Turquia "ao Azerbaijão durante a Segunda Guerra do Nagorno-Karabakh contra a Arménia, em 2020," bem como ao envio de tropas para a Líbia em apoio ao "Governo de Acordo Nacional da Líbia," reconhecido pelas Nações Unidas, durante o mesmo ano.


Lembremo-nos que estas ameaças já vêm de trás, quando em inícios de dezembro, Israel afirmou que entraria pela Turquia se fosse necessário para combater o Hamas, mas com o agravamento da situação a cada dia que passa, poderemos ver em breve o escalar do conflito, com apoiantes dos dois lados a mostrar o seu poder bélico e a afrontar os seus opositores.


Erdogan criticou a "visita do primeiro-ministro israelita a Washington, onde foi aplaudido por representantes" de ambas as câmaras e acusou "o líder israelita Benjamin Netanyahu de genocídio, suspendendo todo o comércio com Israel e chamando de volta o embaixador turco."


Esta escalada de retórica, vem levantar "receios de um conflito regional mais amplo" que pode vir a envolver a NATO de uma forma mais intensa e direta. Netanuahu veio já comparar Erdogan a Saddam Husseim, relembrando a forma como o ditador iraquiano foi capturado e morto.


Se por um lado espero que "alguém" ponha "mão" em tudo isto e que os sucessivos ataques contra os palestinianos acabem, por outro, a entrada da Turquia nas hostes pode trazer graves consequências com o envolvimento da NATO. O que pode estar em causa é o envolvimento de vários países, alguns dos quais sob regimes ditatoriais que têm no seu território "zonas quentes" detidas por grupos armados.


Depois de, durante a noite passada, Israel "ter atingido uma série de alvos no Líbano," vem também o Hezbollah afirmar que efetuou diversos "ataques contra Israel", embora felizmente, não ter chegado a haver "relatos de vítimas destes ataques".


Fontes:


https://zap.aeiou.pt/turquia-admite-entrar-em-israel-para-proteger-palestinianos-617430


https://executivedigest.sapo.pt/noticias/turquia-ameaca-entrar-em-israel-para-proteger-os-palestinianos/


https://pt.euronews.com/2024/07/29/diplomatas-tentam-evitar-guerra-regional-apos-ataque-ataque-que-matou-12-jovens-nos-montes


 

28/07/2024

Ataque mata crianças nos Montes Golã

Voltamos a falar de ataques na zona de Golã, anexada por Israel e onde várias crianças e jovens perderam a vida este sábado, num ataque com um míssil, que foi "atribuído ao Hezbollah libanês." O ataque atingiu um campo de futebol, na cidade de Majdal Shams e matou "12 jovens, com idades entre os 10 e os 16 anos, e feriu cerca de 30 outras pessoas." As crianças atingidas são de origem drusa, ou seja, árabes. O míssil que ontem atingiu o campo de futebol, é do "tipo Falaq, com uma ogiva de 53 quilos." Reforço que não eram soldados, eram crianças e jovens que "jogavam futebol no momento em que o projétil atingiu o campo." De acordo com a mesma fonte, o "incidente feriu ainda dezenas de outras pessoas, tornando-se um dos episódios mais graves de baixas civis na região desde o início das hostilidades na fronteira a 8 de outubro de 2023."

Horas antes, Israel tinha "atingido uma escola na Faixa de Gaza," onde "morreram trinta pessoas. Metade das vítimas eram crianças." Mais uma vez, o discurso é o mesmo: o local era um "centro de comando e controlo do Hamas". Todavia, aquilo que se vê é que era um abrigo, onde estavam "dezenas de palestinianos deslocados" e que há dias tinham regressado do Egito. O Irão, forte apoiante do Líbano, veio já avisar Israel das "consequências" que pode ter se empreender "um ataque de retaliação no Líbano." Já a Síria, tem opinião diferente, acusando Israel de ser o verdadeiro culpado deste ataque. "A entidade de ocupação israelita cometeu ontem um crime hediondo na cidade de Majdal Shams, no Golã sírio ocupado desde 1967, e depois culpou a resistência nacional libanesa (Hezbollah) pelo seu crime", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros sírio num comunicado.

Em retaliação, Israel empreendeu já vários ataques, bombardeando "sete regiões do sul e interior do Líbano." Estes ataques foram "dirigidos às zonas libanesas de Sabrinha, Borj El Chmali, Beka'a, Kfar Kila, Rab a-Taltin, al Khyam e Tir Hafa."

Fontes:

https://www.tsf.pt/3526559019/israel-promete-atacar-com-forca-enquanto-se-choram-as-mortes-nos-montes-gola/

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/resposta-ao-ataque-do-hezbollah-israel-ataca-sete-regioes-no-sul-do-libano_n1589206

https://www.jewishfederations.org/blog/all/update-on-majdal-shams-attack-472970


21/07/2024

Israel, Hamas, Hezbollah e Houthis - o que pode correr mal?

Neste momento, o Médio Oriente encontra-se em grande tensão, com Israel no centro dos conflitos. Se por um lado, as forças israelitas se mantém na Faixa de Gaza, onde os bombardeamentos se sucedem, por outro, estamos neste momento a ver o intensificar do conflito entre o Hezbollah e Israel, bem como ataques na região de Golã, tomada pelos israelitas, na Síria.

Nos últimos dias, os ataques têm-se repetido. Esta manhã, o exército israelita intercetou um míssil que se aproximava do país, proveniente do Iémen. Os houthis reivindicaram a responsabilidade pelo lançamento de "vários mísseis balísticos" contra Israel, depois do "ataque israelita no porto iemenita de Hodeida", que causou "seis mortos e mais de 80 feridos." 

Os houthis são um "movimento xiita rebelde apoiado pelo Irão," que há meses, se encontra a atacar "navios que consideram ligados a interesses" de Israel, "ao largo das costas do Iémen." Os houthis estão integrados no "eixo de resistência". Este eixo é de facto "uma coligação liderada pelo Irão" da qual fazem parte também, "entre outros, o grupo islamita palestiniano Hamas e o movimento xiita libanês Hezbollah."

Mas contextualizando um pouco. Este conflito, voltou a estar no plano do dia desde 8 de outubro de 2023 (dia seguinte ao dos ataques a Israel por homens armados do Hamas) quando o grupo armado Hezbollah disparou contra alvos israelitas a partir do Líbano, afirmado estar a agir em apoio a Gaza. Seguiram-se ataques contra aeroportos sírios, da parte de Israel, "enquanto milícias armadas" pelo Irão disparam "mísseis de dentro da Síria" em direção ao território israelita.

Tal como o Hamas, o Hezbollah é classificado por muitos países como "um grupo radical islâmico" e uma organização terrorista, mas é também um partido político. O grupo "surgiu como uma milícia durante a guerra civil do Líbano, quando Israel invadiu o país em 1982", com "o apoio do Irão durante a ocupação israelita, embora as suas raízes ideológicas remontem ao renascimento islâmico xiita no Líbano nas décadas de 1960 e 1970." Apesar de alguns libaneses o considerarem como sendo "uma ameaça à estabilidade do país, o grupo continua a ter uma grande popularidade "entre a comunidade xiita."

Há 18 anos, em 2006, "o Hezbollah e Israel travaram uma guerra brutal que durou um mês, fazendo 1200 mortos do lado libanês e 160 israelitas, na sua maioria militares." Desde então, o Hezbollah e Israel continuam esporadicamente a trocar tiros nas suas fronteiras. Acredita-se que o Hezbollah tem, neste momento, armamento suficiente para se tornar um forte opositor de Israel, especialmente devido ao apoio do Irão. 

O que fez aumentar a violência foi a morte de Mohammed Nimah Nasser, procurado por ser comandante do Hezbollah e cuja viatura foi atingida a 3 de julho, "em plena luz do dia, com um ataque aéreo." Para os apoiantes do Hezbollah, foi considerado um "mártir" e o seu funeral foi cuidadosamente preparado. Depois do enterro, muitos se mostravam prontos para a guerra, para retaliar a morte de um dos seus líderes, num país que neste momento "não tem presidente," mas sim um "governo provisório e uma economia destroçada." 

O Líbano encontra-se dividido: se uns querem seguir os ideais do Hezbollah e avançar para a guerra, outros, a última coisa que querem é voltar a estar em guerra. Infelizmente, muitos acreditam que a saída honrosa é o martírio. "Alguns países como a Alemanha, os Países Baixos, o Canadá e a Arábia Saudita já disseram aos seus cidadãos para deixarem o Líbano imediatamente. O Reino Unido desaconselhou todas as viagens ao país e está aconselhando os britânicos que estão no país a partirem."

À medida que os ataques e contra-ataques entre estas duas forças continuam, muitas famílias sofrem e vários inocentes são mortos. Além do Líbano, na região Síria de Golã, tomada por Israel, está também a ser alvo de ataques do Hezbollah. Nas colinas de Golã, um casal israelita foi morto quando o seu carro foi atingido por fogo do Hezbollah, deixando três filhos adolescentes. Já no sul do Líbano, três crianças entre os quatro e os oito anos, foram mortas num ataque israelita. Apenas dois exemplos entre muitos...

Mas que papel tem a Síria neste conflito? 

É complicado de entender. Se por um lado temos a Síria como apoiante da Palestina, por outro temos vindo a assistir ao longo dos últimos anos a vários ataques sírios contra grupos palestinianos, tal como o que sucedeu em "Yarmouk, um bairro de maioria palestina" que acabou por se tornar num campo de refugiados. Depois de "forças rebeldes tomarem Yarmouk, as tropas de Assad impuseram um cerco, barrando a entrada de comida, medicamentos, energia e outros mantimentos. Como ninguém podia entrar ou sair dali, muitos passaram a se referir ao lugar como a Gaza da Síria".


Fontes:

https://www.bbc.com/portuguese/articles/crgk7xej3k3o

https://www.dw.com/pt-br/o-papel-da-s%C3%ADria-no-conflito-entre-israel-e-hamas/a-67407431

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-07-21-houthis-ameacam-israel-com-continuacao-dos-ataques-f3dd399f

https://sicnoticias.pt/mundo/2023-10-11-O-que-e-o-Hezbollah-movimento-que-nasceu-no-Libano-para-lutar-contra-Israel--a77013b9




30/04/2024

Sul do Líbano - as consequências do conflito com Israel

As Nações Unidas já alertaram que os bombardeamentos aéreos israelitas estão a atingir o Líbano de forma “cada vez mais profunda” e que "já deixaram 344 mortos, incluindo 18 jovens." Como resultado destes ataques, "as principais infraestruturas das estações de água foram destruídas, deixando cerca de 100 mil pessoas sem acesso a água potável” e "23 unidades de saúde, que atendem 4 mil pessoas," foram também encerradas.


De certa forma, a situação em Gaza acaba por estar a afetar o Líbano, provocando também aí o agravamento da situação humanitária, "aumentando a insegurança alimentar, especialmente entre as crianças que vivem em acampamentos informais para deslocados." Uma das consequências, além da fome, é o aumento do trabalho infantil. Há casos de crianças com quatro anos ou até menos que estão a ser "forçadas a trabalhar na agricultura. Nos centros de saúde, os médicos relataram casos de crianças de sete anos com problemas nas costas por causa das pesadas cargas de lixo que carregam diariamente." Além do mais, o risco aumenta com a grande "quantidade de explosivos não detonados que existem agora" em muitas das zonas agrícolas.


A violência exercida por Israel contra territórios palestinianos e que se tem vindo a agravar cada vez mais, chegou também ao Líbano, onde "Israel lançou uma série de ataques contra o que disse serem fábricas de armamento do Hamas não só na Faixa de Gaza, mas também no sul do Líbano." A verdade, é que a organização terrorista Hamas "tem uma forte influência junto dos campos de refugiados palestinianos" que se localizam na região sul deste país. Os ataques de Israel vêm também em "resposta a uma chuva de rockets, na sua maioria intercetados pela cortina de ferro israelita, disparados a partir de território libanês." 


Mas este conflito está longe de ser novo. A tríade Israel, Líbano e Síria, assim como várias milícias não-estatais que atuam no Líbano, estão esm guerra desde há muitos anos e a situação está longe de ser resolvida.


Fontes:


https://news.un.org/pt/story/2024/04/1830996


https://pt.euronews.com/2023/04/07/espiral-de-violencia-chega-ao-libano


 

21/02/2024

Situação de tensão continua a alastrar no Médio Oriente

10 de março, Ramadão, foi a data limite que o "primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu" impôs para que o Hamas "liberte os reféns israelitas", informando que se tal não acontecer "a ofensiva terrestre vai seguir para Rafah, junto à fronteira com o Egito, onde neste momento se concentram já milhão e meio de civis palestinianos."

Isto até parece uma espécie de "brincadeira" não fosse a gravidade de tudo o que se está a passar. Quase 30 000 pessoas terão já morrido na Faixa de Gaza devido a estes constantes ataques e cerca de 70 000 feridos já foram registados! Têm sido muitos os pedidos para um novo cessar-fogo, mas Tel Aviv pelo contrário pretende expandir a sua ofensiva "contra a cidade de Rafah, mais ao sul, onde cerca de metade dos 2,4 milhões de habitantes de Gaza estão abrigados, depois de deslocados pelo conflito."

Aquilo que me fica quando leio estas notícias e vou acompanhando estes discursos, é que não há fronteiras que parem a violência e que estamos todos sobre tensão, apesar se o conflito ainda estar, pelo menos geograficamente, longe das nossas portas. Mas eu não esqueço que a Europa ainda há pouco tempo passou por duas guerras mundiais. E que desde aí a paz nunca se chegou a instalar completamente. Pouco tempo, sim, porque se fizermos um pouco de pesquisa, ainda há pessoas vivas que passaram pela Segunda Grande Guerra, ainda há feridas por curar, gente que nunca chegou a regressar à sua casa, à sua cidade... E se ainda há memória viva, se ainda se escrevem biografias, ainda há segredos por confessar, então não foi assim há tanto tempo. De facto, se analisarmos um pouco da nossa história e refletirmos nas notícias que hoje invadem a nossa televisão à luz de alguns acontecimentos passados, compreendemos que decisões tomadas durante a segunda metade do século XIX e durante o século XX estão agora nas bases destes conflitos. 

Mas regressemos so Médio Oriente, onde o "conflito começa agora a ganhar uma verdadeira dimensão regional, depois de as forças israelitas terem levado a cabo pelo menos dois ataques aéreos na cidade costeira de Ghaziyeh, no sul do Líbano." O "grupo armado libanês Hezbollah, apoiado pelo Irão," tem estado envolvido em conflitos incessantes contra o exército israelita.

Numa visita à Etiópia no passado domingo, Lula da Silva, mete mais achas na fogueira já incandescente acusando Netanyahu de estar a exterminar os palestinos e comparou a situação em Gaza "ao extermínio de judeus na Alemanha" nazi, depois de anteriormente também ter acusado "Israel de genocídio no Tribunal Internacional de Justiça da ONU." O que o presidente brasileiro terá dito que o "confronto entre um exército muito preparado contra mulheres e crianças" nunca se tinha visto antes na história, a não ser "quando Hitler decidiu matar os judeus" durante a Segunda Guerra Mundial.

Decorre durante esta semana mais um encontro do G20 no Brasil e Antony Blinken, secretário de Estado norte-americano, encontra-se com o presidente brasileiro, de forma a resolver "questões bilaterais e globais" e tentar minimizar a tensão criada com Israel. "O chefe da diplomacia brasileiro, Mauro Vieira, convocou o embaixador israelita para comparecer hoje no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro, onde participa na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros do G20." Opiniões e razões à parte, estamos perante acusações mútuas entre duas grandes forças, mas que na verdade nada trazem de positivo para as pessoas que continuam a ser mortas, na faixa de Gaza mas não só, também nos países que fazem fronteira como por exemplo o Líbano.

Fontes:

https://pt.euronews.com/2024/02/20/numero-de-mortos-em-gaza-ultrapassa-29-mil-tensao-no-libano-segue-em-crescendo

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-02-20-Antony-Blinken-no-Brasil-de-olho-no-G20-Gaza-Russia-e-Venezuela-fd2b26a9

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-02-19-Telavive-insiste-que-Lula-peca-desculpa-e-desdramatiza-retirada-de-embaixador-brasileiro-03e96358

https://www.cartacapital.com.br/mundo/hamas-reporta-28-985-mortos-em-gaza-devido-a-guerra-com-israel/

03/11/2023

Enquanto isso, o Hezbollah...

Continua a preocupação. Os conflitos no Médio Oriente não são novidade, mas desta vez, parecem estar a escalar e a expandir-se a um ritmo maior, envolvendo várias fações. Nem mesmo as tentativas de negociação para a entrada de ajuda estão a resultar.


Enquanto Israel continua a atacar a faixa de Gaza, avançando para o interior da Faixa de Gaza com o objetivo de conseguir atingir as forças do Hamas, outro grupo terrorista ataca o norte de Israel a partir do Líbano. No dia seguinte ao ataque do Hamas, o Hezbollah, que é apoiado pelo Irão, atacou o Estado de Israel em solidariedade com o grupo terrorista.


Ontem, segundo a agência Reuters, o Hezbollah atacou 19 locais no norte de Israel, recorrendo a drones explosivos, mísseis guiados e outras armas. 


O Israel respondeu ao ataque, lançando mísseis contra vários alvos no sul do Líbano.


Este é um grupo de muçulmanos xiitas do Líbano que tem um partido político com representação no Congresso do país, bem como as suas próprias forças armadas. Este grupo radical islâmico que surgiu como uma milícia durante a guerra civil do Líbano, quando Israel invadiu o país em 1982, embora as suas raízes ideológicas remontem ao renascimento islâmico xiita no Líbano nas décadas de 1960 e 1970. Alguns libaneses consideram-no uma ameaça à estabilidade do país, mas continua a ter popularidade entre a comunidade xiita.


Fontes:


https://g1.globo.com/mundo/noticia/2023/11/02/hezbollah-ataca-norte-de-israel-em-19-locais-ao-mesmo-tempo.ghtml


https://sicnoticias.pt/mundo/2023-10-11-O-que-e-o-Hezbollah-movimento-que-nasceu-no-Libano-para-lutar-contra-Israel--a77013b9


 

13/10/2023

Jornalista da Reuters morre no Líbano e professora é morta em França

Quando um conflito não tem limites, até os repórteres são vítimas. A agência Reuters confirmou a morte de um jornalista que se encontrava no território libanês, vítima de um ataque israelita, que feriu também outros seis jornalistas. Issam Abdallah, videógrafo, fazia parte da equipa daquela agência norte-americana que estava a transmitir em direto a partir daquele país.


Segundo informações de outros jornalistas que assistiram a tudo, a equipa estava num espaço aberto, no cimo de um monte, visivelmente identificada e todos usavam capacetes e coletes à prova de bala a dizer “press”. O bombardeamento aconteceu depois de uma troca de disparos na fronteira entre os dois países, com soldados israelitas e militantes do Hezbollah envolvidos.


São estes homens e mulheres que trazem até nós imagens sobre o que se passa do outro lado do mundo, enquanto estamos confortáveis nos sofás de nossa casa. A eles, todo o meu respeito.


Já em França, aconteceu outro ataque de grande gravidade também, quando um indivíduo de cerca de 20 anos, entrou numa escola armado com uma faca e esfaqueou várias pessoas. Uma professora acabou mesmo por perder a vida devido aos ferimentos. O "suspeito autor do ataque, de nacionalidade chechena, terá gritado Allahu Akbar".


Recorde-se que a "França está em alerta máximo devido ao terrorismo, dado que, por norma, quando existem conflitos no Médio Oriente o país sofre repercussões. Por este motivo, o Governo francês mobilizou "10.000 agentes da autoridade para vários locais, especialmente ligados à comunidade judaica," embora para já, nada aponte "para uma ligação entre o ataque e os recentes acontecimentos em Israel e em Gaza."


Fontes:


https://cnnportugal.iol.pt/guerra/israel/al-jazeera-confirma-morte-de-jornalista-apos-ataque-israelita-com-descricao-a-primeira-pessoa-de-outro-colega/20231013/65297346d34e371fc0b8ae70


https://sicnoticias.pt/mundo/2023-10-13-Ataque-com-faca-numa-escola-em-Franca-aab38d77


 

29/12/2020

Refugiados - uma realidade que não se pode deixar esquecida

Atualmente, cerca de 80 milhões de pessoas estão deslocadas. Isso representa 1% da população mundial. Desse total, quase metade é composta por crianças. A situação dos refugiados, é uma realidade que não pode ser esquecida. Mesmo perante o Covid ou, sobretudo, também devido à crise que o próprio Covid provocou também nestes países.


A ajuda huminatária, essencial para garantir a sobrevivência de milhões de pessoas, não chega a todos os lugares. A população de refugiados do Sudão do Sul é a maior da região e uma das mais vulneráveis. Cerca de 2,3 milhões de refugiados vivem em condições extremamente precárias, agravadas pela pandemia COVID-19.


Hoje vamos perceber quais são alguns dos países mais afetados A situação de segurança e humanitária na República Democrática do Congo (RDC) continuou a deteriorar-se, principalmente no leste, palco de uma das mais complexas e longas crises humanitárias permanentes na África. 


A situação na Somália é uma das crises de deslocamento mais antigas do mundo, fruto de um conflito armado em curso. Muitas pessoas continuam a precisar de assistência humanitária urgente e mais de 778.000 refugiados somalis em países anfitriões também continuam a contar com proteção, assistência e apoio na busca por soluções duradouras. Muitos dos deslocados testemunharam atrocidades e mulheres foram vítimas de violência sexual.


Milhares de pessoas foram forçadas a deslocar-se internamente no Iraque depois das suas terras terem sido confiscadas e suas casas e meios de subsistência terem sido destruídos. Existem cerca de 1,4 milhão de deslocados internos no Iraque, mais da metade dos quais vivem deslocados há pelo menos três anos. Há também cerca de 278.600 refugiados iraquianos no Egipto, Jordânia, Líbano, Síria e Turquia.


No caso do Afeganistão, a crise já dura aproximadamente 50 anos e os afegãos são a segunda maior população de refugiados. Em 2020, o país tornou-se o terceiro com maior número de pessoas forçadas a procurar outras regiões onde viver. Com 2,5 milhões de refugiados, 2,8 milhões de deslocados internamente e 240 mil requerentes de asilo, o país está atrás apenas de Síria (com 6,8 milhões entre refugiados e requerentes de asilo e 6,7 milhões de deslocados internamente) e da Venezuela (com 4,9 milhões de deslocados ao todo).


 


Fontes:


https://news.un.org/pt/story/2020/07/1721671


https://csvm.ufg.br/n/146023-para-onde-vao-os-refugiados-afegaos


 

04/08/2020

Explosão em Beirute

A zona do porto de Beirute foi afetada por uma violentíssima explosão que provocou mais de 100 mortos e cerca de 4 mil feridos, além de muitos desaparecidos. Segundo as notícias, esta explosão causou destruição em larga escala e quebrou vidros a vários quilómetros de distância. Alguns barcos que navegavam próximos à costa do Líbano chegaram a ser balançados pela força da explosão, tendo uma embarcação da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) sido também danificada após a explosão no porto. Num comunicado, os capacetes azuis informaram que alguns membros da missão de paz se feriram e foram transferidos para hospitais do país.


A onda de choque projetou para o mar pessoas que estavam na área e que obrigaram à mobilização de meios marítimos para o seu resgate. Poderão ainda haver pessoas presas nos escombros e dentro de casas nos arredores danificadas pela onda de choque a precisar de ajuda.


A explosão que também foi ouvida em Larnaca, no Chipre, a pouco mais de 200 km da costa libanesa, poderá ter tido origem num armazém que guardava nitrato de amónio (um tipo de fertilizante), o qual é bastante perigoso. A extensão dos danos ainda não foi totalmente avaliada, uma vez que as buscas no local irão continuar.


Este tipo de fertilizante, reage ao calor, e as causas podem ter sido várias desde um incêndio, tubos superaquecidos, fiação defeituosa ou relâmpagos, que podem ter sido suficientes para desencadear uma reação em cadeia. Noutros países, também já se registaram casos de explosões envolvendo este fertilizante, por isso, a sua forma de armazenamento não pode ser deixada ao acaso.


Fica a dúvida, sobre de onde veio este fertilizante, o que estava ali a fazer e quem saberia do seu armazenamento. O presidente do Líbano, Michel Aoun, afirmou ser "inaceitável" que 2.750 toneladas do composto fossem estocadas em um depósito, sem a segurança necessária. O primeiro-ministro do país, Hassan Diab, afirmou que o depósito onde o nitrato de amónio estava armazenado existia desde 2014. As imagens, essas sim, são impressionantes.


Ontem, outro acidente, desta vez na China e do qual também dei conta aqui, também terá tido origem no armazenamento de grandes quantidades de produtos químicos.


Fontes:


https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/08/04/explosao-em-beirute.ghtml


https://www.uol.com.br/tilt/noticias/bbc/2020/08/04/o-que-e-nitrato-de-amonio-principal-suspeito-de-ter-causado-megaexplosao-em-beirute.htm


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...