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29/12/2025

Movimentações

Estamos a terminar 2025... o ano está quase a chegar ao fim, mas permanecemos suspensos em decisões e acordos que não avançam nem recuam. Damos um pontapé numa pedra e saem ideias estúpidas, com remaniscências em ideologias bíblicas ou colonizadora e que, ainda por cima, têm poder económico e bélico, para mandar nos outros, o que não deixa de ser um problema.

Pois, porque tantas reuniões e encontros depois, a guerra da Ucrânia continua. A Rússia não desiste, a Ucrânia não cede. A Rússia exige que a Ucrânia aceite que deve retirar as suas tropas "dos cerca de 20% da região leste de Donetsk que ainda controlam." Putin não quer que a Ucrânia adira à NATO, não quer uma pausa, quer ficar com o que conquistou... e por aí vão os planos de paz, com um moderador que ora parece estar de um lado, ora parece estar a apoiar o seu adversário. Talvez venha a conseguir este acordo... era bom que a guerra acabasse. Mas a que preço?

Houve um cessar fogo em Gaza, mas a situação está longe de estar resolvida - parece que apenas deixamos de falar no problema. Enquanto isso, Israel continua a construir colonatos na Cisjordânia, usando como desculpa que era o que "deus queria." Ocupam terras que não são suas, cultivam-nas e dizem que são um posto avançado de onde irá surgir uma cidade. Acham que o direitos estão escritos nas bíblias, livros antigos que cada um interpreta à sua maneira. Abatem jovens, invadem territórios que não são seus, tentando continuamente esticar o seu território. Algo está muito errado, quando a fé é desculpa para atacar, violar ou matar o outro. Seja em que religião for.

A China faz exercícios militares sobre Taiwan, usando "munições reais." Taiwan negociou a compra de armas com os EUA e Pequin não gostou, ordenando por isso que se fizesse "um exercício militar" sobre a região mostrando a "capacidade de ataque da força aérea e da marinha." A China informou que estas manobras militares são um aviso às "forças separatistas" e à "interferência externa," que segundo a sua opinião está a empurrar os "defensores da independência" para "uma situação perigosa de guerra iminente." E Taiwan quer manter-se independente. Tem esse direito? Sim. E mais uma vez, lá estão os EUA a intrometer-se em políticas externas, a negociar com os dois lados, a reunir ora com uns, ora com outros. Se por um lado, mantém negócios com a China, por outro defende a autonomia de Taiwan e apoia-os com armamento. É que, ao que parece, é preciso que as guerras continuem para que as fábricas de armamento tragam lucro. 

Estamos a terminar 2025 e ainda há quem afirme que as vacinas fazem mal e que a Terra é plana. E assim vai o nosso mundo. O que peço para 2026? Que uns salpicos de inteligência atingissem alguns cérebros que parecem ter parado no século XVI e acham que ainda andamos por aí a matar mouros e a colonizar terras por esse mundo fora. 

Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2025-12-28-russia-apela-a-ucrania-para-que-aceite-retirada-de-tropas-de-donetsk-42e18ea7

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/severo-castigo-china-lanca-exercicios-militares-em-torno-de-taiwan-para-avisar-forcas-separatistas_n1706718

https://pt.euronews.com/2025/12/29/china-responde-a-compra-de-armas-por-taiwan-com-um-exercicio-militar-em-grande-escala

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-no-medio-oriente/2025-12-29-video-expansao-do-territorio-israelita-na-cisjordania-o-povo-de-israel-esta-a-voltar-a-sua-terra-e-isso-e-a-lei-0114a210

21/09/2024

Dia Internacional da Paz

Assim devia ser, todos os dias e... em todo o lado.


Infelizmente, a paz é quase uma utopia, algo impossível de alcançar. Neste dia, os Estados deviam reforçar os ideais de paz, "através da observação de 24 horas de não-violência e de cessar-fogo em todo o mundo."


Mas o que temos?


Numa cultura de paz em que deveria prevalecer o "respeito pela vida, pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais," temos milhares de pessoas deslocadas dos seus países, fugindo praticamente sem nada.


Quando "a promoção da não-violência através da educação, do diálogo e da cooperação" falha, temos escolas a ser destruídas por mísseis, meninos e meninas sem poderem estudar porque as salas onde antes se ensinava para a vida, estão agora a servir-lhes de abrigo. Estas crianças nunca mais sentirão na escola um lugar seguro. As lembranças dos seus dias de infância serão negros e escuros, os seus ouvidos não lembrarão cantigas de roda, mas o silvar das balas e a queda das bombas. Os gritos. A agonia.


Se não se consegue um "compromisso com a resolução pacífica dos conflitos", quem sofre são sempre os mais frágeis, aqueles que menos têm, aqueles que só queriam estar junto das suas famílias nas suas casas. 


Quando falha "a adesão à liberdade, à justiça, à democracia, à tolerância, à solidariedade, à cooperação, ao pluralismo, à diversidade cultural, ao diálogo e à compreensão a todos os níveis da sociedade e entre as nações," falha também a humanidade. Falhamos todos.


A guerra devia ser uma memória que tivesse de ser contada nos livros de história aos alunos, nunca uma vivência para qualquer criança ou jovem, nunca uma ameaça ou, uma certeza. A paz, parece estar cada vez mais longe e a ameaça de um conflito global envolve-nos a todos. Desde que o Homem é Homem, que esta dicotomia faz parte da sua natureza. A humanidade evoluiu tanto e, nisto, fomos incapazes de evoluir, de construir pontes e de quebrar fronteiras. A guerra nunca trouxe nada de positivo, muito pelo contrário, mas é com armas que constroem barreiras entre culturas, é com a morte que se destrói um povo.


Fontes:


https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-internacional-da-paz


 

22/07/2024

Biden dá a vez a Kamala Harris

Depois de inúmeras situações em que as condições de Joe Biden para continuar na corrida à Casa Branca foram postas em causa, ontem o atual presidente dos EUA, acabou mesmo por desistir da sua candidatura e de mostrar o seu apoio à candidatura da sua atual vice-presidente.


A situação não é nova nos EUA. "A última vez que um presidente americano em exercício abandonou a campanha para a reeleição foi em 1968 e o protagonista foi Lyndon Baines Johnson." Joe Biden saiu, na opinião de vários comentadores (e na minha também) por ter sido "empurrado" tantos pela alta esfera democrata, como pelos patrocinadores da campanha, devido aos resultados das sondagens que têm mostrado o baixo apoio demonstrado pelos próprios democratas. A situação piorou depois de Biden, de 81 anos, se ter mostrado muito fragilizado tanto física como cognitivamente, durante "um debate televisivo com Donald Trump, a 27 de junho. Neste debate, Biden mostrou "dificuldade em refutar as afirmações muitas vezes falsas do seu oponente, deu as suas próprias respostas de forma desconexa e, por vezes, olhou fixamente para o espaço." Nos dias seguintes, nas entrevistas e aparições públicas que se sucederam e que serviriam tranquilizar os eleitores e o seu próprio partido, Biden não convenceu, parecendo sempre cansado.


No comunicado transmitido ontem à noite, Biden afirma-se profundamente "agradecimento à sua equipa, em especial à vice-presidente Kamala Harris "por ser uma parceira extraordinária em todo este trabalho".


A decisão do Partido Democrático ainda não está tomada e só será oficializada durante a Convenção Nacional que acontecerá a 19 do próximo mês. Kamala Harris está a receber já apoio de outros democratas, como é o caso do "governador da Califórnia, Gavin Newsom," do "secretário dos Transportes, Pete Buttigieg," e do "governador da Pensilvânia, Josh Shapiro." Além destes, também a "ex-candidata democrata à presidência Hillary Clinton, o ex-presidente Bill Clinton e o ex-secretário de Estado John Kerry", bem como a atual "senadora do Massachusetts, Elizabeth Warren, e a senadora do Minnesota, Amy Klobuchar, que concorreu contra Biden para a nomeação em 2020," mostraram já o seu apoio a Kamala Harris.


Kamala Harris poderá vir a ser a primeira mulher a assumir a presidência dos EUA.


Kamala tem 59 anos e cresceu em Oakland, na Califórnia. É filha de pai "jamaicano-americano e mãe indiana tamil."  Formou-se em direito, tendo-se tornado "procuradora distrital, subindo no sistema jurídico da Califórnia antes de ser eleita procuradora-geral do estado em 2010", função para a qual foi reeleita em 2014. Em 2016, foi "eleita para o Senado dos EUA," onde substituiu "a senadora democrata Barbara Boxer."


Em 2019, Kamala chega a lançar a sua campanha, como opositora de Biden, mas depois de alguns fracos resultados, acaba por entrar com ele na campanha às presidenciais em 2020. Quando ganharam as eleições, "Harris tornou-se a primeira mulher, a primeira pessoa negra e a primeira pessoa de origem sul-asiática a servir como vice-presidente dos EUA de uma só vez." Como vice-presidente, ela recebeu de Biden uma pasta com "questões imponentes, entre as quais a imigração e o direito de voto - questões profundamente polémicas que só poderiam ser abordadas através de legislação importante, algo que, por sua vez, exigia o apoio de uma supermaioria do Senado que os democratas não dominavam." As reformas que defendeu, nunca tiveram "sucesso no Capitólio" e o esforço feito "para resolver os problemas de imigração", foram postos em causa numa entrevista em que se mostrou bastante "irritada quando lhe perguntaram porque é que ainda não tinha visitado a fronteira entre os Estados Unidos e o México."


Donald Trump refere que será mais fácil vencer Kamala Harris, caso seja ela a candidata democrata, desvalorizando as suas competências e a sua determinação para assumir a presidência, aproveitando ainda para acusar Biden de ser "corrupto" e "inapto" e acusa ainda "toda a sua equipa de ter mentido sobre a capacidade do presidente dos EUA." 


Fontes:


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/kamala-harris-avanca-para-a-corrida-a-casa-branca-quais-sao-os-passos-seguintes_n1587802


https://pt.euronews.com/2024/07/22/quem-e-kamala-harris-e-sera-ela-a-primeira-mulher-presidente-dos-eua


https://pt.euronews.com/2024/07/21/joe-biden-desiste-da-corrida-a-casa-branca


 


 


 



 

19/07/2024

Estamos todos ligados aos problemas uns dos outros...

Portugal foi um dos muitos países afetado por um problema que atingiu os sistemas da Microsoft pelo mundo fora. O "apagão" afetou a "aviação civil e o transporte ferroviário em vários países", bem como, "bancos, serviços de saúde e estações televisivas, como a britânica Sky News". 


Mas o que originou este "apagão" parece que nem sequer foi nenhum ataque informático, mas sim uma simples atualização no software de uma outra empresa, neste caso, "num serviço da empresa de cibersegurança Crowdstrike, utilizado pela Microsoft." Esta atualização, que eventualmente, tinha um erro, acabou por provocar toda esta situação que levou a que "milhares de computadores com o sistema operativo windows" tivessem ficado bloqueados. Esta espécie de "erro" decorreu mesmo de um antivírus, cuja nova atualização, "não é muito compatível com os sistemas Microsoft."


Em Portugal, as falhas informáticas afetaram "companhias aéreas, segundo avançou a ANA-Aeroportos, com constrangimentos no check-in e no embarque para diversos voos", embora o sistema informático dos aeroportos portugueses não tivesse sido diretamente atingido.


A conclusão a que podemos chegar é que quantos mais serviços de software estiverem interligados, mais vulneráveis ficaremos a este tipo de ocorrências, e que dependemos todos deste tipo de sistemas informáticos para que os nossos sistemas funcionem. Existe, como já se falou por diversas vezes, a necessidade de manter sistemas redundantes que, numa situação como esta, possa permitir o funcionamento dos hospitais, dos transportes e das telecomunicações.


Fontes:


https://observador.pt/2024/07/19/apagao-global-da-microsoft-avioes-em-terra-televisoes-em-baixo-e-bancos-com-problemas/


https://www.rtp.pt/noticias/pais/portugal-falhas-informaticas-atingem-aeroporto-e-varias-organizacoes_v1587233


 

24/06/2024

Dia Internacional das Mulheres na Diplomacia

Assinala-se hoje o Dia internacional das Mulheres na diplomacia, instituída apenas há dois anos por resolução aprovada pela Assembleia-Geral das Nações Unidas. Esta data pretende valorizar o papel que as mulheres desempenham a nível diplomático, mas que muitas vezes é relegado para segundo plano, bem como a importância de dar cada vez mais competências às mulheres desde tenra idade, como acesso à educação e formação superior e acesso a cargos de topo em empresas e organizações.

"Este dia procura apelar à reflexão sobre o desequilíbrio no acesso à carreira diplomática e a sub-representação feminina, em especial, nas posições diplomáticas de topo."

Podemos destacar Minerva Bernardino, nascida em Santa Cruz de El Seibo, em 1907. 

Foi uma diplomata da República Dominicana, tendo promovido "os direitos das mulheres internacionalmente" e sendo conhecida como "uma das quatro mulheres a assinar a Carta das Nações Unidas, o tratado original da Organização das Nações Unidas (ONU)." Ao longo da sua vida, Minerva dedicou o seu trabalho à promoção dos "direitos políticos e, especialmente," ao melhoramento do "sufrágio feminino nos países latino-americanos." Em 1945, Minerva consegue mesmo estar na Conferência de São Francisco "como representante da República Dominicana," enviada pelo ditador Rafael Trujillo, que via este gesto como uma "oportunidade de baixo risco para parecer progressista". No ano seguinte, fez parte da presidência da "Comissão das Nações Unidas sobre o Estatuto da Mulher," comissão que viria a ter grande relevância na adoção de uma "linguagem inclusiva de género na Declaração Universal dos Direitos Humanos," bem como na "criação da Declaração sobre a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres, de 1967."

No ano de 1954, conseguiu incluir na "Convenção sobre os Direitos Políticos das Mulheres," a afirmação dos "direitos das mulheres de votar, concorrer e ocupar cargos." Apoiou também "o direito internacional que asseguraria a igualdade da mulher no casamento e no divórcio," através da "Convenção de Montevidéu sobre a Nacionalidade da Mulher Casada de 1933."

Outra mulher relevante foi a brasileira Bertha Lutz. Filha de Adolfo Lutz, Bertha foi "ativista feminista," tendo-se destacado também como "bióloga, educadora, diplomata e política brasileira." O seu principal papel de destaque foi na "educação no Brasil do século XX."

Bertha iniciou-se na política em 1934, como candidata "à Câmara dos Deputados" pelo "Partido Autonomista do Distrito Federal," chegando mesmo a assumir a posição de deputada em "1936, após a morte do deputado titular Cândido Pessoa." O Estado Novo, instaurado por Getúlio Vargas em 1937, veio pôr fim ao seu mandato. Tal como Minerva, "integrou a delegação brasileira à Conferência das Nações Unidas sobre Organização Internacional em São Francisco, no Estados Unidos, em 1945, onde lutou para incluir menções sobre igualdade de género no texto da Carta das Nações Unidas".

Em Portugal, não posso deixar de destacar o papel de Carolina Beatriz Ângelo, que se tornou a primeira mulher a obter o direito de votar no nosso país, tendo-se tornado "um marco na história das mulheres e da sua luta pelo direito ao voto, à inclusão social e ao direito de participação na vida política."

Um outro nome que não pode ser deixado de lado nesta data é o de Maria de Lourdes Pintassilgo, que ainda "durante o Estado Novo, foi convidada por Marcelo Caetano para se candidatar a deputada à Assembleia Nacional," tornando-se na "primeira mulher a exercer funções como procuradora à Câmara Corporativa nas duas últimas legislaturas deste órgão, até abril de 1974." Foi também presidente do "Grupo de Trabalho para a Participação da Mulher na Vida Económica e Social e à Comissão para a Política Social relativa à Mulher (mais tarde denominada Comissão da Condição Feminina)."

Em 1975, Maria de Lourdes Pintassilgo, "tomou posse como embaixadora junto da ONU para a Educação, Ciência e Cultura" e, entre 1979-1980, foi "a primeira mulher primeira-ministra em Portugal (segunda na Europa, seguindo Margaret Thatcher), a convite de Ramalho Eanes para chefiar o Governo de Gestão." 

Fontes:

https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-internacional-das-mulheres-na-diplomacia

https://pt.wikipedia.org/wiki/Minerva_Bernardino

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bertha_Lutz

https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/Exposicao-As-mulheres-que-mudaram-Portugal.aspx

18/02/2024

Navalny, mais uma morte premeditada ou uma infeliz coincidência?

A Rússia está praticamente a um mês de ir a eleições e poucos duvidam que Putin vai continuar a governar. Afinal, quantos são os seus opositores e que poder têm? As "eleições presidenciais na Rússia," deverão colocar Putin por "mais seis anos no poder."

Navalny, "líder da oposição russa, advogado e ativista político, reconhecido pela sua luta contra a corrupção e autoritarismo,"morreu na prisão possivelmente na tarde desta sexta-feira. De acordo com os serviços prisionais, Navalny "sentiu-se mal depois de uma caminhada", estando as causas da morte a "ser apuradas". De acordo com o "hospital da cidade de Labytnangui, perto da colónia penal," os "médicos que chegaram ao local continuaram as operações de reanimação já efetuadas pelos médicos da prisão durante mais de 30 minutos, mas o óbito acabou por ser declarado no local."

Tinha apenas 47 anos e era um forte opositor ao regime de Vladimir Putin. Era "casado com Yulia, pai de Daria e Zakhar." Nos anos "2000, inicialmente através do seu blog" Navalny começou a expor diversos "casos de corrupção no Governo russo e em empresas estatais como a gigante do gás Gazprom e a gigante do petróleo Rosneft." Ganhos muitos inimigos mas também vários apoiantes. "Em 2020, Navalny" esteve perto da morte depois de ter sido vítima de "envenenamento com o agente nervoso Novichok, um incidente que atraiu condenações internacionais e suspeitas de envolvimento do Governo russo." Fez a sua recuperação na Alemanha e podia ter ficado por lá, mas em janeiro de 2021, resolve voltar a enfrentar o regime e regressar ao seu país. Assim que chega a Moscovo, é novamente detido. "Desde então, tem alternado estadas em confinamento solitário com condições de detenção rigorosas." Foi "acusado de extremismo," levando num somatório de várias penas a uma condenação de cerca de 30 anos, os quais teria de cumprir "numa colónia de regime especial." Este tipo de prisões são as que têm as mais duras "condições de detenção" e, normalmente, estão "reservadas a presos a cumprir pena de prisão perpétua e aos detidos mais perigosos."

Em outubro do ano passado, conseguem isolá-lo um pouco mais, através da detenção de três dos seus advogados e, em dezembro, a família e os seus apoiantes passam cerca de três semanas sem saber do seu paradeiro até que no final de dezembro recebem a notícia de que se encontra numa prisão siberiana. Segundo os seus apoiantes, foi novamente isolado para que não consiga de nenhuma forma interferir nas "eleições presidenciais de março," mas os serviços prisionais informam que tinha estado de quarentena e que, depois disso, teria sido condenado a mais sete dias de solitária por não se ter "identificado" de forma correta.

Por todo o mundo se fala da sua morte, das dúvidas que as declarações prestadas pelos serviços prisionais suscitaram e agora a grande questão que é saber onde está o corpo. Assim que a notícia foi divulgada, "centenas de pessoas em dezenas de cidades russas acorreram com flores e velas a memoriais e monumentos improvisados em homenagem às vítimas da repressão política." Muitas acabaram detidas, por motivos políticos e acusadas de estarem a participar em manifestações contra a guerra. Fala-se já em mais de 400 detenções, sendo que cerca de 200 destas detenções aconteceram apenas em São Petersburgo.

"Fora da Rússia, as manifestações de luto pela morte do opositor de Putin foram mais visíveis," como aconteceu na capital da Estónia, onde muitas pessoas se juntaram em "frente à embaixada de Moscovo e não esconderam as lágrimas nem a raiva pelo que consideram mais um homicídio do regime."

Já na "Áustria, apoiantes de Navalny no exílio reuniram-se num momento solene em memória do ativista junto da missão diplomática russa em Viena." Noutros países europeus, "os momentos de homenagem repetiram-se" marcando a admiração pela coragem de Navalny em "fazer frente ao regime de Putin, mesmo que não tenha sido sempre uma figura consensual no seio da oposição russa."

"Poucos minutos após o anúncio da morte de Alexei Navalny, o Ocidente começou a pronunciar-se e a acusar Putin de ser responsável," incluindo João Gomes Cravinho, ministro dos Negócios estrangeiros de Portugal. O próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acabou por afirmar que Navalny "merece o nosso respeito e admiração pela forma como lutou pelas suas convicções, sabendo os riscos que corria".

Grigory Mikhnov-Voitenko, "sacerdote da Igreja Ortodoxa Apostólica - um grupo religioso independente da Igreja Ortodoxa Russa" - foi um dos detidos. Este sacerdote tinha anunciado "nas redes sociais planos para realizar uma cerimónia em memória de Navalny" e após a sua detenção no sábado de manhã, "foi hospitalizado com um AVC."

Fontes:

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2504190/mais-de-400-detidos-na-russia-em-homenagens-apos-morte-de-navalny

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2504145/das-acusacoes-ao-corpo-escondido-o-que-se-sabe-sobre-a-morte-de-navalny

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-02-16-Quem-era-Navalny-o-principal-opositor-de-Putin-que-morreu-na-prisao-e09ff1db

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-01-09-Opositor-russo-Alexei-Navalny-colocado-de-novo-em-isolamento-99dea3b0

https://sicnoticias.pt/mundo/2023-12-26-Nao-se-preocupem-comigo-Navalny-garante-estar-bem-em-penitenciaria-no-Artico-russo-165312fa

https://sicnoticias.pt/mundo/2023-10-13-Advogados-de-Alexei-Navalny-presos-na-Russia-1d737b1f

https://pt.euronews.com/2024/02/16/russos-prestam-tributo-a-navalny-mesmo-arriscando-a-detencao

31/12/2023

Despede-se 2023

A esta hora já muita gente está em 2024. Eram por cá 10 horas e já Kiritimati, no arquipélago de Kiribati na Oceania era a primeira região a entrar no novo ano. "A pequena ilha no oceano Pacífico, também conhecida como ilha do Natal, tem um fuso horário 14 horas à frente do Tempo Médio de Greenwich."

Seguem-se "Tonga, Samoa e partes da Nova Zelândia, uma hora mais tarde. Uma hora depois, partes mais a leste da Rússia, juntamente com as ilhas Fiji," passam para 2024. É sempre estranho quando penso que estamos uns num ano e outros noutro...

Quando for meia noite em Portugal, "apenas cerca de metade do planeta terá chegado" também ao novo ano. "O último lugar chegar a 2024 serão as ilhas da Samoa Americana, novamente no Pacífico, cerca de 24 horas depois." Vamos acordar e ainda não será 2024 em todo o planeta. 

Por cá preparam-se os fogos de artifício, que embora mais pequenos do que em Sydney ou Dubai, levarão certamente milhares a olhar para os céus. 

Na Coreia do Sul, vive-se uma tradição já "centenária: na passagem da meia noite, o Sino Bosingak toca 33 vezes. Esta cerimónia pretende representar a esperança, a renovação a e sorte." Em França, várias regiões estão em alerta máximo. Especificamente em Paris, "vive-se com a segurança reforçada ao máximo, devido à ameaça de um ataque terrorista." Os receios estão relacionados com aquilo "que está a acontecer em Israel e na Palestina"

Deste ano gostaria de poder deixar para trás muitas das coisas negativas que me acontecerão, mas sei que isso é apenas uma utopia. O mundo amanhã irá acordar um ano mais velho... mas os homens não terão aprendido grande coisa entretanto. 

Adeus 2023 e que 2024 chegue, pelo menos, trazendo algum juízo aos grandes decisores mundiais.

Fontes:

https://portocanal.sapo.pt/noticia/343722

https://sicnoticias.pt/mundo/2023-12-31-Ola-2024-as-celebracoes-do-novo-ano-por-todo-o-mundo-de41bfc5

https://pt.euronews.com/2023/12/31/paris-em-seguranca-maxima-na-passagem-de-ano


09/09/2023

Sismo em Marrocos é sentido em Portugal

Para já começo por dizer que só vi hoje as notícias e que, apesar de estar acordada à hora a que se deu o abalo, não dei por nada. Pelo que se sabe até agora, não houve danos em Portugal.


O sismo de 6,9 ocorreu às 23h11, a uma profundidade de 18,5 quilómetros, e foi registado nas estações da Rede Sísmica Nacional. O epicentro foi na localidade de Ighil, que se situa a 63 quilómetros a sudoeste da cidade de Marraquexe. Um segundo tremor de 4,9 foi registado a nordeste de Taroudant (200 quilómetros a sul de Marraquexe) por volta das 23h30. O tremor foi sentido em cidades do norte, como Larache, a 550 quilómetros do epicentro, bem como em Casablanca e Rabat, a 300 e 370 quilómetros, respetivamente. O sismo foi sentido também no sul de Espanha, onde o serviço de emergências da Andaluzia registou cerca de 20 chamadas provenientes das províncias de Huelva, Sevilha, Málaga e Jaén. De acordo com relatos nas redes sociais, o sismo foi sentido ainda no Mali e na Argélia.


Até agora, estão contabilizados pelo menos 1305 mortos e 1832 feridos, 1220 dos quais em estado grave, segundo informação da televisão estatal do país africano, citada pela Reuters. O número ainda pode aumentar muito, como sabemos de situações anteriores. E quanto a desaparecidos ainda não há dados, principalmente porque ainda há zonas afetadas onde ainda não chegou qualquer ajuda.


Muito se tem falado na possibilidade de haver um sismo de grandes dimensões a atingir o nosso país e a verdade é que os pequenos abalos têm sido frequentes. Neste caso em específico, o facto do epicentro se ter dado a várias centenas de quilómetros, não trouxe nenhum constrangimento no nosso país.


Entretanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros já entrou em contacto com alguns portugueses que se encontram em Marrocos, informaram em comunicado: "Todos os portugueses com quem, até ao momento, foi estabelecido contacto encontram-se bem, não tendo reportado problemas de saúde ou danos materiais substantivos".


Para sabermos o que se tem vindo a falar nos noticiários, em especial as escalas de que falam, ficam aqui algumas informações. A Escala Richter é uma ferramenta que foi criada em 1935 pelos pesquisadores Charles Francis Richter e Beno Gutenberg e serve para verificar a magnitude de um tremor de terra por meio da medição das ondas liberadas pelo sismo em seu ponto de origem. O cálculo da Escala Richter é feito por meio da utilização de sismógrafos, que indicam a magnitude de um tremor de terra. Por outro lado, a Escala de Mercalli avalia a intensidade, por meio da observação dos impactos gerados pelos tremores de terra.


O substrato terrestre é dinâmico e está em constante movimentação, devido ao deslocamento das placas tectónicas, portanto a ocorrência de terramotos é comum, especialmente em zonas geográficas localizadas nas áreas de contato dessas placas. Quando esse deslocamento envolve maior liberação de energia, ocorrem eventos sísmicos mais intensos, ou seja, de maiores magnitudes na Escala Richter.


Fontes:


https://expresso.pt/internacional/2023-09-09-Sismo-em-Marrocos-ja-ha-820-mortos-e-mais-de-670-feridos.-O-abalo-sentiu-se-em-Portugal-4f528899


https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/sismo-de-69-na-escala-de-richter-causa-pelo-menos-296-mortos-em-marrocos


https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/escala-richter.htm


 


 

01/09/2023

40: um passo em direção ao futuro

images.pngBom dia!



Para começar, dizem que hoje completo 40 anos de vida! E para mim é um dos primeiros marcos da minha vida. Já vivi experiências muito diversas e tenho uma vida (razoavelmente) estável, se comparada a tantas pessoas que vivem em dificuldades.

Nasci na maternidade do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, num parto difícil, a ferros. Apesar de ter tido uma infância feliz em que nada me faltou, olho agora para trás e vejo que os meus problemas de saúde foram começando na infância e na época não foi dada qualquer atenção. Era a chata que dizia ter dores de cabeça para ficar na sala e não ir brincar, implicava com os barulhos e a confusão das festas de aniversário, ficava com febre porque não queria ir ao infantário (como se eu pudesse provocá-la conscientemente)... mais tarde, as dores musculares e articulares limitaram a minha continuidade na ginástica, não fui escolhida para a acrobática e os trampolins levaram a lesões sucessivas e mal curadas, que hoje em dia sei que teriam tido outros cuidados.

Refletindo na minha vida, foram 40 anos a lidar comigo mesma e se acham que sou difícil, acreditem que sozinha comigo, às vezes sou bem pior! Mas foram também 40 anos de grandes conquistas e realizações: ter um filho foi a maior de todas. Hoje em dia, já não me importa o que disseram de mim no passdo, o que me criticaram ou quem se considerava superior a mim. Hoje em dia, o meu foco é na minha vida e na vida do meu filho, no nosso crescimento como pessoas. Hoje em dia, ao contrário daquilo que acontecia há sete ou oito anos atrás, não me vejo uma pessoa cheia de limitações que está prestes a se reformar. Estou num patamar diferente, em que a aceitação das limitações, me levam sim a desafiar os meus próprios limites e a aproveitar cada dia e cada momento mesmo com dores.

Em 40 anos, o mundo tem mudado muito e já não é o mesmo. Em novembro de 1983, um exercício da NATO, (tratava-se dos exercícios militares Able Archer, que se baseavam no cenário hipotético de uma invasão soviética da Europa Ocidental que escalaria ao ponto da NATO realizar um ataque nuclear contra as forças da URSS e do pacto de Varsóvia - bloco comunista) - e que levou a que quase se tivesse entrado numa verdadeira guerra nuclear. Felizmente, tal não chegou a acontecer apesar da tensão constante entre as duas forças.

Mas será que 40 anos mudaram assim tanto o nosso país?

Em Portugal o ano de 1983, foi marcado por diversas greves e manifestações sindicais, em especial da CP, metropolitano e Carris. No dia 7 de Junho de 1983, vários trabalhadores da margem sul do Tejo, das empresas Lisnave, Parry and Sons, Companhia portuguesa de Pescas, Siderurgia Nacional e Mundet, realizam ações de rua, que incluem o corte do trânsito da auto-estrada Lisboa-Setúbal, como protesto contra a situação nestas empresas e o atraso no pagamento de salários.

A 5 de Outubro de 1983, a CGTP promove, em diversos pontos do país, desfiles e manifestações de protesto contra a política do governo, os salários em atraso, os despedimentos (lay-off) e o roubo do 13º mês.

A 6 de Dezembro de 1983, explodem 14 petardos de fraca potência, em Lisboa, Barreiro, Seixal, Cacilhas e Setúbal, espalhando panfletos das FP25 e a 13 de Dezembro a União dos Sindicatos de Lisboa (CGTP) revela que mais de 30 mil trabalhadores do distrito de Lisboa, de 118 empresas repartidas por 15 sectores, têm salários em atraso, num montante de cerca de 2 milhões de contos. O sector mais afetado é o metalúrgico.

A democracia ainda mostrava instabilidade e a nível social o país continuava a mostrar os seus muitos problemas. Ao longo destes anos, várias destas empresas acabaram por fechar, levando milhares de trabalhadores para o desemprego.

Fontes:

https://www.bbc.com/portuguese/geral-56230542

https://cdi.upp.pt/cgi-bin/cronologia.py?ano=1983

06/08/2023

Um Papa que falou para todos

Para Todos.


Foi assim que o Papa caraterizou a Igreja que defende.


Eu, como tenho dito sempre, não acredito na existência de deuses, mas respeito quem crê em algo superior que os guia. A crença e a fé de cada pessoa não deve ser ridicularizada. Cada um de nós é livre de acreditar ou não e eu tenho cá para mim que ninguém pode impor a sua religião aos outros, seja ela qual for. Nestes dias, acompanhei as Jornadas Mundiais da Juventude através da televisão e senti ali uma onda de amor e de dedicação ao outro, que passava entre os voluntários e os peregrinos. Considerado o maior acontecimento da Igreja Católica, a jornada nasceu por iniciativa do Papa João Paulo II, após um encontro com jovens em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.


Esta onda de amor fraterno, entre pessoas que nunca se tinham conhecido, que receberam jovens em suas casas, que receberam os padres, os missionários e lhes deram abrigo é sem dúvida algo lindo que não pode ser esquecido. As Jornadas fizeram-me ver que ainda pode haver fé nos jovens de hoje e que mesmo que não sejam a maioria, estes jovens têm uma grande força e podem, se assim quiserem, transpor para o seu dia a dia as boas atitudes e os bons valores que a sua igreja lhes passa ao longo da vida. 


Acredito nos jovens, que o Papa Franscisco desafiou a fazerem mais e a serem inconformados. Sim, os nossos jovens podem ser agentes de mudança. Esta união entre jovens de vários países, foi uma prova de que ainda há esperança e que se pode viver em comunidade. Mas enquanto uns rezam, outros matam, ferem, agridem! Pelo país, pelo mundo... o sofrimento tem sido uma constante. O respeito pelo outro, na sua diferença, não tem sido mantido. 


O Papa deixou mensagens muito claras, que acho que todos conseguimos compreender. Sejamos cristãos, muçulmanos, hindus, budistas, judeus ou ateus, devemos pegar nas palavras deste homem e de refletir sobre o seu sentido. Independentemente do deus ou deuses em que acreditem (ou não), pelo menos podemos juntos acreditar na humanidade? Na beleza das coisas, em olharmos o outro nos olhos e sermos verdadeiros com quem nos rodeia, com quem nos pede auxílio. O papa considerou ainda que "esta Jornada ajuda tanto a reordenar a nossa vida". "E para pôr ordem na vida não servem as coisas, as distrações e o dinheiro; o que serve é dilatar o coração, por isso não tenham medo: dilatem o coração", disse, renovando o seu apelo de coragem aos jovens.


Sobre os gastos feitos, penso que o país quis mostrar que recebia bem, mas acho que era desnecessário gastar tanto dinheiro. Antes do evento, falava-se já em enormes gastos o que levantou, claro, muita polémica. Não há ainda números globais nem oficiais, mas estimou-se que, no total, a JMJ iria custar cerca de 160 milhões de euros. O Governo avançou com o número de 36 milhões de euros e a Igreja admitiu que iria gastar cerca de 80 milhões.


O recinto da jornada com cerca de 100 hectares, (concelhos de Lisboa e Loures), tinha a ponte Vasco da Gama como pano de fundo. Para unir os dois concelhos foi construída uma ponte sobre o Rio Trancão.


Apesar da comitiva que trazia ser grande, o Papa é uma pessoa simples. Poderiam ter gasto em melhores condições para os peregrinos e para os voluntários, bem como em melhoria nas condições de trabalho das forças de segurança e de saúde que esstiveram presentes neste evento em vez de terem gasto num palco enorme que não reflete aquilo que este Papa defende. É a minha opinião, a opinião de quem viu o evento de fora.


O Papa agradeceu hoje aos voluntários, dizendo que sem eles o evento não teria sido possível. “Quem ama não fica de braços cruzados, mas apressa o passo para alcançar os outros. E vós, quanto correstes nestes meses e nestes dias”, disse.


Com temperaturas sempre a subir - hoje estavam 40º aqui no Seixal quase às 18h - os números de participantes foram também muito elevados. Segundo as autoridades, cerca de 500 mil pessoas estiveram no Parque Eduardo VII para assistir à cerimónia de acolhimento, a primeira com a presença do Papa e que se realizou na quinta-feira. Na sexta-feira, aponta-se em 800 mil participantes, os que marcaram presença no Parque Eduardo VII para a Via-Sacra, presidida pelo Papa Francisco, segundo a sala de imprensa da Santa Sé. Na visita a Fátima estiveram presentes 200 mil pessoas. A Santa Sé estimou que 1,5 milhões de pessoas assistiram à vigília no Parque Tejo, no sábado à noite.


Os serviços de imprensa da Santa Sé avançam que estão cerca de um milhão e meio de pessoas estão este domingo, no Parque Tejo, em Lisboa, na missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), presidida pelo Papa Francisco.


Hoje, domingo, os números de participantes contiunuam elevados, apesar do calor. "As autoridades locais confirmaram a presença de cerca de um milhão e 500 mil pessoas no Parque Tejo para a Santa Missa”, divulgou a Santa Sé. Também presentes, a concelebrar com o Papa, estão 30 cardeais, 700 bispos e 10 mil sacerdotes.


Durante a JMJ, o Banco Alimentar promoveu uma campanha de sensibilização para o desperdício alimentar dirigida aos jovens de todo o mundo que participaram no encontro. No entanto, no fim do evento e apesar dos participantes terem usado as caixas para deixar alimentos que seriam depois enviados a famílias carenciadas, estes não chegaram a ser recolhidos e estão a estargar-se ao sol. 


Fontes:


https://pt.euronews.com/2023/08/06/jmj-ultimo-dia-do-papa-francisco-em-portugal


https://www.rtp.pt/noticias/pais/jornada-mundial-da-juventude-o-ultimo-dia-do-evento-religioso-em-lisboa_e1505428


https://rr.sapo.pt/noticia/religiao/2023/08/06/jmj-cerca-de-15-milhoes-de-pessoas-na-missa-do-envio/341931/


https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/jmj-e-banco-alimentar-lancam-campanha-contra-o-desperdicio-alimentar-nao-desperdice-partilhe


https://expresso.pt/sociedade/jornada-mundial-da-juventude/2023-07-30-JMJ-conheca-os-principais-numeros-em-torno-da-vinda-do-Papa-Francisco-a-Portugal-97cb37b5


 

04/06/2023

Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão

Assinala-se hoje o Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão. Na designação atribuída a este dia, até se podia suprimir o termo "inocentes", ou será que neste mundo, no meio de tantos conflitos, tantas guerras, há crianças culpadas? Pois, eu penso que culpados são os adultos e que as crianças ainda só deveriam estar naquele mundo de sonho e de esperança caraterístico da sua condição. Mas no mundo real, temos de ter um dia em que se fala de violência contra crianças, em que se alerte, se grite, se discuta sobre este tema e sobre o que fazer!


Violência contra crianças há no outro lado do mundo, mas também há na casa do lado. As crianças sofrem agressões físicas, devido à guerra mas também sofrem em tempo de paz nas escolas, em casa onde deviam ser protegidas ou nas instituições que as deviam acolher. As crianças são muitas vezes armas de arremesso entre pais que se divorciam, ou são alvos fáceis de fúrias acumuladas.


Foi proclamado o Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão através da Resolução ES-7/8 adotada na Assembleia Geral da ONU de 19 de agosto de 1982, com o objetivo de evidenciar e reconhecer a realidade em que tantas crianças têm que viver, desde contextos de guerra, violência sexual ou sequestro. 


As crianças são as mais afetadas pela guerra e respetivas consequências, dada a sua vulnerabilidade. Assim, é também um dia de consciencialização e reflexão dedicado à dor de todas as crianças vítimas de abusos físicos, mentais e emocionais. 


Esta data traduz o compromisso da ONU de proteger as crianças através da «Convenção dos Direitos da Criança». O tratado internacional de direitos humanos foi o mais ratificado da história. 


Em 2020, a APAV apoiou 1841 crianças e jovens, das quais 432 foram vítimas de violência sexual.


Podemos destacar diversos tipos de abuso, de entre os quais os casamentos forçados. Mais de um terço dos 15,4 milhões de vítimas de casamentos forçados tinha menos de 18 anos aquando do casamento, a maioria eram mulheres e meninas (84%). Estima-se que 650 milhões de meninas e mulheres vivas hoje, se tenham casado quando eram ainda crianças e, até 2030, outros 150 milhões de meninas com menos de 18 anos se venham a casar nas mesmas condições.


Além disso, uma preferência extrema por filhos em vez de filhas em alguns países, alimentou a seleção de sexo ou a negligência extrema, resultando em 140 milhões de “mulheres desaparecidas”, que poderiam ter sobrevivido num mundo sem discriminação.


Pelo menos 19 práticas nocivas – que variam desde o achatamento dos seios até testes de virgindade – são consideradas violações dos direitos humanos, de acordo com o relatório do UNFPA. O relatório concentra-se nas três práticas mais comuns: mutilação genital feminina, casamento infantil e preferência por filhos homens. 


O que significa que, apesar de seus direitos humanos inerentes, o seu corpo, a sua vida e seu o futuro não lhes pertencem. A maioria das mulheres e meninas enfrenta muitas barreiras à igualdade em virtude da discriminação.


Vários tratados internacionais de direitos humanos e outros acordos, firmados por quase todos os países, exigem que os Estados atuem para impedir estas e outras práticas nocivas. A Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, por exemplo, estipula a tomada de todas as medidas apropriadas a fim de eliminar preconceitos e práticas baseadas na discriminação de género.


O Programa de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento de 1994 reconhece explicitamente a mutilação genital feminina como uma violação dos direitos básicos que deve ser proibida onde quer que exista.


O que torna mais difícil acabar com estas práticas, é que na sua maioria são  realizadas por membros da família, comunidades religiosas, prestadores de serviços de saúde, empresas comerciais ou instituições do Estado.











Fontes:


https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-internacional-das-criancas-inocentes-vitimas-de-agressao


https://apav.pt/apav_v3/index.php/pt/2745-4-de-junho-dia-internacional-das-criancas-inocentes-vitimas-de-agressao


https://www.acegis.com/2020/07/casamento-infantil-e-mutilacao-genital-praticas-nocivas-que-fazem-milhoes-de-vitimas/


https://news.un.org/pt/story/2021/06/1752452


 


 

16/03/2023

Crise anunciada

Esta semana tem-se ouvido falar em Crise Financeira, algo que muitos analistas já andavam a falar, mas que tem sido um pouco desvalorizado. Se bem que já vivemos em crise há vários anos e que estes últimos meses têm sido bem difíceis, a verdade é que parece que a coisa está mesmo a instalar-se e com tendência a piorar.


Há uns dias o fundo imobiliário americano (BlackStone), que falhou o pagamento de um reembolso de obrigações no valor de cerca de 500 milhões de euros, vê-se agora na obrigação de vender ativos de forma acelerada para evitar falhar outros pagamentos.


Estas crises são cíclicas porque o problema está no financiamento a médio e longo prazo. Como houve uma grande emissão de dinheiro pelos bancos centrais em 2007 e 2008 para amenizar os efeitos da crise das novas tecnologias que já vinha a afetar os mercados, nos anos seguintes os estados não tiveram forma de recuperar e de pagar a dívida. Esta crise económica foi depois também acentuada por outros problemas, como a própria pandemia e a guerra na Ucrânia. Estados mais frágeis e endividados estão agora numa grave crise de dívida soberana, Portugal incluído.


Merkel foi uma das pessoas que tentou obrigar a União Europeia a fazer reformas estruturais ao nível das economias ocidentais, mas estas foram poucas ou mesmo nenhumas. Talvez desta vez, os banqueiros centrais se pareçam estar a lembrar dos princípios mais básicos daquilo que é a base da política monetária. Esta crise não poderá ser resolvida com uma nova emissão de dívida, pois isso só iria avolumar o problema.


Nos próximos tempos poderemos não ficar satisfeitos ao ouvir falar de congelamento de contas, uma vez que essa legislação já existe e permite a imposição de moratórias aos levantamentos bancários e resgate de ativos em massa. Foi aprovada discretamente pelo Conselho Europeu e pelo Parlamento Europeu por proposta do BCE.


Muito têm os nossos governantes que fazer, mas parece que andam a discutir outras coisas e não se impõem medidas que evitem as falências de restaurantes, de pequenos negócios, bem como de setores inteiros da economia, assim como evitem o aumento desmesurado do crédito mal parado dos bancos. Tiremos a venda dos olhos!


Mas deixemos de olhar por momentos lá para fora e foquemos a nossa atenção cá dentro. Uma apresentação do Banco Central Europeu (BCE) num encontro de governadores dos bancos centrais do sistema demonstrou que as margens de lucros das empresas tinham aumentado, quando, por via do aumento dos custos, deveriam estar a diminuir. Perante isto, podemos concluir que as subidas de preço, que contribuem para o agravamento da taxa de inflação, estão a servir para aumentar os rendimentos das empresas à custa da perda de compra dos consumidores. É verdade isto? Irão manter-se as subidas desenfreadas de preços?


Os cabazes alimentares básicos estão a aumentar muito! A ASAE inspecionou vários super e hipermercados e verificou a inflação dos preços em diversos produtos alimentares. Ao mesmo tempo, o Governo reconhece que há “aumentos exagerados” nos preços dos bens essenciais e garante que está “atento” para identificar situações de especulação.


 


Fontes:


https://expresso.pt/economia/2023-03-02-A-inflacao-deve-se-a-subida-das-margens-de-lucro-das-empresas--O-BCE-suspeita-que-sim--pelo-menos-em-parte--ccab5609


https://expresso.pt/sociedade/2023-03-01-Ha-um-aumento-exagerado-de-precos-e-situacoes-de-margem-de-lucro-bruta-acima-dos-50-como-a-ASAE-esta-a-fiscalizar-os-supermercados-7b582bc1


https://www.jornaldenegocios.pt/economia/europa/detalhe/tombo-do-silicon-valley-bank-contagia-mercados-internacionais-banca-cai-quase-5


 

14/02/2023

A guerra dos balões

Não são extraterrestres mas são OVNI's que sobrevoam os céus dos EUA. Parece que são os seus "amigos" chineses a tentarem saber como se vive por lá e se dará jeito investir naquela zona.


Por outro lado, os americanos dizem "não" ter sobrevoado o território chinês e que essas acusações são infundadas. Os balões e drones afinal não são de ninguém. Uns não andam a espiar os outros e até nem queremos saber o que cada um vai tendo de arsenal para se entreatacarem.


Parece também que os ditos são apenas balões meteorológicos e, se assim for, fazem falta mas se calhar deviam pensar em pôr um comando ou um gps nos mesmos, para que apenas sobrevoassem espaço "amigo". É que assim evitavam-se estas guerras diplomáticas só para verem se está a chover do outro lado do mundo. 


Cá por mim, esperava que parassem de brincar porque balões apenas nas festas e mesmo esses... enfim... Fora de brincadeiras, este ato pode ter sido uma provocação ou um erro, mas todos sabemos que entre estas potências nada do que se faz é por graça ou sem intenção.


Os balões que ao que parece foram enviados por Pequim, poderiam ter-se tornado numa situação comprometedora entre as duas potências, devido à perigosa rivalidade que está "adormecida": pela primeira vez, os norte-americanos testemunharam um símbolo evidente do desafio que Pequim coloca à segurança nacional.


O aparelho representou uma ameaça de segurança relativamente modesta e de baixa tecnologia em comparação com a espionagem multicamadas, a rivalidade económica, cibernética, militar e geopolítica que aumenta todos os dias. Mas enquanto percorria os céus americanos antes de ser abatido, no sábado, ao largo das Carolinas [Carolina do Norte e Carolina do Sul], o balão criou um momento súbito em que a ideia de uma ameaça da China à pátria dos EUA não era nem distante, nem teórica, nem invisível, nem no futuro. E mostrou como na América polarizada de hoje, a primeira reação de Washington perante uma ameaça é apontar o dedo em vez de unificar.


Não foi a primeira vez que algo assim aconteceu, sendo que desta vez aquilo que foi simultaneamente um momento de alto risco geopolítico e grande comédia, a Casa Branca lutou para explicar porque não tinha rebentado imediatamente o balão, uma vez que as autoridades da Carolina do Sul avisaram as pessoas para não dispararem contra o intruso chinês com as suas espingardas.


As Forças Armadas dos Estados Unidos devem explicar porque é que o balão não foi abatido antes de atravessar o continente, e o incidente ameaça abrir tensões entre o Pentágono e uma Casa Branca sob fogo acerca do incidente, bem como o debate sobre o que fazer da próxima vez.


O balão foi entretanto abatido por um míssil disparado por um caça americano. Fica a questão de saber se o voo foi um ato deliberado para provocar os EUA ou se foi um erro. 


 


Fontes:


https://cnnportugal.iol.pt/baloes/balao/porque-a-crise-dos-baloes-chineses-pode-ser-um-momento-decisivo-na-nova-guerra-fria/20230207/63e18b540cf2665294d46888

06/02/2023

Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina

Este ano, o tema das Nações Unidas para esta data é a “Parceria com Homens e Meninos para Transformar Normas Sociais e de Género para Acabar com a Mutilação Genital Feminina.” Esta é uma situação dramática pela qual ainda passam muitas meninas e mulheres, às "mãos" de costumes antigos e, digo eu, bárbaros e infundados. É uma manifestação do poder que algumas sociedades patriarcais têm e que mostra a forma como as mulheres ainda sofrem e são desvalorizadas no nosso mundo. Mas o que este tema nos traz este ano é a ideia de que têm de ser destacados os elementos masculinos destas comunidades para que intevenham e para que tenham um papel decisivo na mudança destes pardigmas e costumes. Desta forma, o Fundo da ONU para a Infância caba por destacar "que a onda de aliados masculinos, como líderes religiosos e tradicionais, profissionais de saúde, agentes da lei, membros da sociedade civil e organizações de base, leva a conquistas notáveis na proteção de mulheres e meninas."


António Guterres afirma que "a mutilação genital feminina é uma violação abominável dos direitos humanos fundamentais com danos permanentes à saúde física e mental de mulheres e meninas."


De acordo com Mónica Ferro - diretora do Escritório de Genebra do Fundo da ONU para a População - a mutilação genital feminina "viola os direitos de meninas e mulheres e limita as suas oportunidades de viverem uma vida com saúde, com educação e em dignidade."


As comunidades de migrantes são dos maiores desafios. Um dos exemplos é a "comunidade de cidadãos da Guiné-Bissau," onde continuam a acontecer situações de "mutilação genital em Portugal ainda que realizados no exterior."


Esta prática traz inúmeros riscos para a saúde, os quais "incluem dor intensa, infecção, hemorragia e, nos piores casos, a morte da pessoa mutilada. Os riscos a longo prazo incluem infecções genitais, reprodutivas e urinárias crónicas, problemas menstruais, infertilidade e complicações obstétricas."


A sua prática foi proibida em 22 dos 26 países da Região Africana da OMS, "mas continua a ser permitida nos Camarões, no Mali, na República Democrática do Congo e na Serra Leoa." Esta prática pode ser documentada através do setor da saúde, tal como começou a ser feito, por exemplo, no Burquina Faso que "integrou a prevenção da mutilação genital feminina, bem como os cuidados prestados às mulheres e raparigas afectadas por esta prática, no programa de formação em obstetrícia." Este país "elaborou um modelo de vigilância baseado na documentação produzida sobre a mutilação genital feminina no contexto dos cuidados pré-natais."


E vocês? Que medidas acham que ainda podem ser tomadas para combater esta situação?


Fontes:


https://news.un.org/pt/story/2023/02/1809242


https://www.afro.who.int/pt/regional-director/speeches-messages/dia-internacional-da-tolerancia-zero-mutilacao-genital-feminina


 

04/01/2023

Ly Hao Nam, a fragilidade dos pequenos anjos

Soube-se que infelizmente, não foi possível salvar o menino de 10 anos que caiu num buraco com 35 metros de profundidade, no passado sábado, no Vietname. As equipas de resgate passaram quase 100 horas a tentar libertar Ly Hao Nam, mas não conseguiram atingir o seu objetivo, que era chegar até ele a tempo. Talvez os ferimentos já o tivessem levado, talvez o frio... 


As equipas tentaram fazer o resgate de variadas formas. Quando uma ideia não resultava, tentavam outra. Nestes casos não existem fórmulas mágicas! Não se pode chegar ali e mandar uma escada para ele subir. Desta vez, o tempo esteve contra a criança e contra quem a tentava resgatar. Quando o fizeram, estava sem vida...


Mais do que o salvamento em si que falhou, pergunto-me apenas, o que fazia ali aquela criança de dez anos? Portanto, quem estava com ele e que sociedade é esta? Quantos Ly Hao têm de morrer para o mundo proteger as suas crianças? Estes meninos, não têm asas, não são anjos, mas morrem jovens, uns enquanto brincam, outros enquanto trabalham e ganham sustento para si e para as suas famílias. Ele era apenas mais um menino... a apanhar sucata? Porquê?


Fontes:


https://www.publico.pt/2023/01/05/mundo/noticia/morreu-crianca-vietnamita-caido-buraco-35-metros-profundidade-2033819


https://observador.pt/2023/01/02/autoridades-vietnamitas-tentam-resgatar-rapaz-de-10-anos-que-caiu-a-poco-de-35-metros-na-vespera-de-ano-novo/

05/02/2022

Resgate das profundezas da terra... Rayan

O mundo tem os olhos postos num buraco que se abriu para as profundezas e onde um menino, 5 anos, caiu.


O mundo tem os olhos postos nas ações das equipas que o tentam tirar de lá, esperando o erro, para criticar, dizer fazer, mas não é todo o mundo que está lá... são eles que cavam a terra suja e dura nas suas mãos e com o coração apertado tentam um último esforço, talvez no fim já sabendo que nada havia a fazer por ele...


Só o querendo resgatar do coração da terra, dar-lhe finalmente o calor de um colo, de uma manta, de um toque humano...


O mundo tem os olhos no pai que coloca a mão sobre a mãe e a conforta quando, talvez já o soubessem dentro do coração sangrante, adivinham o fim trágico de um da sua prole...


O mundo tem os olhos na mãe e nos seus gestos, no conforto que ela tenta dar à comunidade que a apoia com comida em tom de agradecimento, quando ela mesma sabe que é apenas o que pode fazer, esperar e agradecer...


O mundo quer estar ali, para ajudar, mas não está, estamos do lado de cá do ecrã a espreitar ocasionalmente o buraco, onde caiu o menino que uniu por horas o mundo, além de credos, regiões e religiões.


E ele descansou, deixou-se levar no embalo do sono, do frio, da fome... alheio ao murmurinho do mundo.


 


Fontes:


https://www.jn.pt/mundo/rayan-resgatado-com-vida-de-poco-em-marrocos-14562477.html


https://observador.pt/2022/02/04/rayan-o-menino-de-cinco-anos-que-luta-pela-vida-a-32-metros-de-profundidade/


 


 

11/12/2021

UNICEF fez 75 anos

O Fundo de Emergência Internacional para Crianças das Nações Unidas (UNICEF) foi criado há 75 anos, precisamente no dia 11 de dezembro de 1946, em Nova Iorque, através da Administração de Reabilitação de Ajuda da ONU para fornecer socorro imediato a crianças e mães afetadas pela Segunda Guerra Mundial.  Em 1953, a organização tornou-se parte permanente do Sistema das Nações Unidas. Desde a sua criação,  após a Segunda Guerra Mundial, tem estado na linha de frente em crises humanitárias, conflitos armados e desastres naturais. 


Esta é uma agência das Nações Unidas responsável por fornecer recursos humanitários e de desenvolvimento vocacionada para dar ajuda a crianças por todo o mundo, sendo uma das mais reconhecidas, com presença em 193 Estados membros. As atividades do UNICEF incluem o fornecimento de imunizações e prevenção de doenças, administração de tratamento para crianças e mães com HIV, melhoria da nutrição infantil e materna, melhoria do saneamento, promoção da educação e fornecimento de ajuda de emergência em resposta a desastres.


Os seus objetivos são fundamentalmente baseados na Convenção sobre os Direitos da Criança, a partir do qual promove os direitos e o bem-estar de todas as crianças e todos os adolescentes em tudo o que faz. Estes objetivos seguem o compromisso de atuar no benefício de crianças e adolescentes nas áreas de pobreza, nutrição, saúde, educação, água e saneamento e igualdade de género. Acreditam que não pode haver desenvolvimento sustentável, prosperidade ou paz sem equidade – oportunidades justas para cada criança e cada adolescente.


Se as crianças e os adolescentes mais desfavorecidos não compartilham desse progresso, ele não será sustentável. As pessoas jovens podem ajudar a mudar sua própria vida e suas comunidades – elas têm ideias, energia ilimitada para a ação e a maior participação no futuro. Capacitadas e fortalecidas pelo conhecimento e pela consciência dos seus direitos e das necessidades urgentes do mundo, elas podem ajudar a garantir que os gestores cumpram os compromissos assumidos.


De entre estes vários objetivos, destaco o da Educação, o qual aborda o acesso a oportunidades de aprendizagem e a qualidade do ensino e visa assegurar que a educação esteja acessível a todas as crianças, independentemente de seu género, condição física, raça ou etnia ou local de moradia.


Em Portugal, o comité foi criado apenas em 1979, no mesmo ano em que a ONU declara 1979 como o Ano Internacional da Criança para alertar a comunidade internacional para os direitos da criança. 


Fontes:


 https://pt.wikipedia.org/wiki/Fundo_das_Na%C3%A7%C3%B5es_Unidas_para_a_Inf%C3%A2ncia


https://www.unicef.org/brazil/objetivos-de-desenvolvimento-sustentavel


https://www.unicef.org/brazil/75-anos-do-unicef


https://www.unicef.org/brazil/unicef-no-mundo


 


 


 

26/11/2021

Dia Internacional para a eliminação da Violência contra as mulheres

Assinala-se hoje o dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Que se se tenha de assinalar um dia destes é por si só uma falta de civilidade e de humanidade e, ao mesmo tempo, uma necessidade latente que ao fim de 40 anos continua presente.  


Temos visto por toda a Europa diversas manifestações em defesa dos direiros das mulheres. No que concerne à pandemia e ao enclausuramento a que todos tivemos de nos submeter, este pode ter tido um efeito muito negativo na vida de muitas mulheres que se viram "presas" com os seus agressores na mesma casa. Se antes, quando iam trabalhar e passavam pela porta de esquadras, centros de saúde ou de um vizinho, não pediam ajuda, com a pandemia ainda menos o fariam. As mulheres que são vítimas não o são por quererem, mas é delas que vem o passo mais importante para se livrare m dos abusos a que são sujeitas.


Nos últimos anos, a televisão portuguesa tem feito um trabalho excelente na divulgação de situações de violência doméstica, mediatizando e acusando fortemente estas situações, assim como divulgando os meios de ajuda e reinvindicando a atuação das autoridades.


No que aos direitos humanos diz respeito, existem ainda países e comunidades em que o caminho ainda não foi iniciado. Não basta que se assinem convenções, há que as pôr em prática. 


Na Hungria, o governo recusou a Convenção de Istambul, justificando que não há diferença de género, mas apenas uma diferença biológica entre homens e mulheres. O que isto pode significar para estas pessoas que governam na Hungria, deixa-me com sérias questões. Sim há diferenças biológicas, isso é óbvio, mas o que a Convenção pode trazer vai muito além da afirmação da diferença de género. Ter sido redigida em Istambul, na Turquia, é por si só um facto histórico, quando os direitos das mulheres ainda são tão violados nesse mesmo país.


Portugal ainda não evoluiu muito. Em muitas, mas muitas, casas, ainda há um patriarcado afirmado em diferentes formas de tratamento, em que é o homem que se assume com o direito mandatário. 


E enquanto morrerem mulheres em Portugal, vítimas de violência doméstica, ainda há muito a fazer! 


 


Fontes:


https://apav.pt/apav_v3/index.php/pt/2149-25-novembro-2019-dia-internacional-pela-eliminacao-da-violencia-contra-as-mulheres


https://www.cig.gov.pt/2021/11/dia-internacional-pela-eliminacao-da-violencia-contra-as-mulheres-campanha-portugalcontraaviolencia/


 

08/11/2021

Direitos da criança e da mulher - casamentos infantis, arranjados ou forçados - uma prática que ocorre ainda em Portugal

Sabiam que segundo a Lei portuguesa, é permitido casar aos 16 anos? No entanto, a UNICEF em Portugal diz que é uma violação dos direitos das criança e não devia ser permitido. Nos últimos cinco anos, foram registados 536 casamentos que envolveram pessoas com menos de 18 anos. E sim, apenas em Portugal, onde poderíamos pensar que este fenómeno já estaria erradicado. 

Nos primeiros nove meses deste ano, foram contabilizados 85 casamentos que envolveram menores de idade, valor que ultrapassou já os 79 matrimónios com menores de 18 anos realizados em 2020. O que leva a que estes casamentos aconteçam tão precocemente? O Casamento Precoce ou Infantil é aquele em que a pessoa que se está a casar não tem ainda 18 anos. O Casamento Arranjado é aquele em que a união é acordada pelas famílias (habitualmente, os pais) podendo haver aceitação ou não da parte de quem se casa.

A contração de matrimónio entre os 16 e os 18 anos implica a emancipação do menor que se casar, sendo uma das consequências a possibilidade de deixar de frequentar a escola, passando a deter o poder de decisão da realização da matrícula escolar. Para a Unicef, este é um dos problemas mais sonantes do casamento em idade menor, uma vez que “a evidência tem demonstrado que as raparigas não concluem a escolaridade obrigatória.”

Em 2021, foram instaurados dois inquéritos pela Procuradoria-Geral da República por casamento forçado, um crime público desde 2015. Alterar este quadro legal, de modo a só ser possível casar a partir da maioridade, é o objetivo de um grupo de trabalho do Governo dedicado a esta matéria, segundo a diretora de Políticas de Infância e Juventude, Francisca Magano. 

O Governo português pretende prevenir os casamentos infantis, precoces e forçados. Para isso, foi criado um grupo de trabalho que vai apresentar um Livro Branco até ao final de 2021.

As crianças e mulheres são os grupos mais sujeitos à violência e exploração sexual porque são, ainda, em muitas partes do mundo, os grupos mais vulneráveis. Os casamentos forçados são uma forma de violência praticada, na maior parte das situações, contra raparigas, retirando-lhes, de forma dramática, a sua liberdade, direitos, acesso à educação e saúde, em especial a saúde sexual e reprodutiva e originando, invariavelmente, abusos e violência.

A Organização das Nações Unidas (ONU) define Casamento Forçado como a união entre duas pessoas, em que, pelo menos, uma delas não deu o consentimento pleno e livre para participar dessa união. É considerado pela mesma organização como uma violação dos Direitos Humanos, pois vai contra os direitos básicos de autonomia e liberdade.

Em todo o mundo, uma em cada três mulheres casou antes dos 15 anos de idade. Mais de 700 milhões de mulheres em todo o mundo casaram antes de atingir a maioridade. As consequências físicas e psicológicas são váriadas e graves, nomeadamente porque uma menina que casa ainda enquanto criança não se encontra com o seu desenvolvimento físico e emocional concluído. Deste modo, estão mais vulneráveis a violência e abusos por parte dos maridos.

Por outro lado, são conhecidas complicações mais frequentes durante as gravidezes e partos destas meninas e raparigas, o que muitas vezes conduz à morte. Também no que respeita ao acesso à educação e a trabalho por parte destas meninas, o casamento precoce promove bastantes constrangimentos pois, se por um lado o papel social da mulher é desvalorizado em relação ao do homem, o facto de casarem e engravidarem cedo impede-as de continuar ou iniciar essas atividades.

Existem argumentos culturais e relacionados com tradições que serem para justificar os casamentos forçados, arranjados e precoces, sendo muitas vezes vistos pelas próprias meninas como algo que é preciso manter e de que se orgulham. Em algumas comunidades, uma menina que tem um casamento arranjado desde cedo é melhor vista e aceite pela comunidade e, pelo contrário, quando tal não acontece, são marginalizadas e discriminadas.

Para algumas raparigas de países em desenvolvimento, poderem casar com homens mais velhos que residem na Europa constitui uma oportunidade para alcançar melhores condições de vida, conseguindo muitas vezes continuar os estudos e trabalhar, sendo que muitas delas, quando chegam à Europa, conseguem também escapar do casamento e viver uma vida melhor comparativamente ao seu país de origem.

Apesar destas razões, existem casos em que a prática dos casamentos orçados, arranjados e precoces, têm consequências extremas, levando a atos de violência e até à morte.

Fontes:

https://observador.pt/2021/11/08/desde-2017-foram-realizados-mais-de-500-casamentos-envolvendo-menores-de-idade/

http://www.apf.pt/violencia-sexual-e-de-genero/casamentos-forcados

https://expresso.pt/sociedade/2021-11-08-Portugal-regista-mais-de-500-casamentos-envolvendo-menores-desde-2017-a96b5992

29/12/2020

Crimes contra a liberdade de expressão - assim vai o nosso mundo

Num ano complicado, em que os media foram essenciais para nos dar a conhecer o estado do mundo, foram muitos os crimes cometidos contra os jornalistas.


50 jornalistas foram mortos em 2020 no exercício da sua profissão, sobretudo em países considerados em paz e durante manifestações, um número estável em comparação com os 53 casos registados em 2019, mas preocupante, pois 34 jornalistas foram mortos em países que oficialmente não estavam em guerra. Registaram-se 8 casos no México, 4 na Índia, 4 no Paquistão, 3 nas Filipinas e 3 nas Honduras. A proporção de jornalistas mortos em países em guerra como na Síria e Iémen, ou assolados por conflitos de baixa ou média intensidade, como no caso do Afeganistão ou do Iraque é de 32%. A grande maioria foram deliberadamente alvejados e assassinados, em condições particularmente bárbaras e sórdidas, com destaque para o México e a Índia, onde jornalistas foram decapitados, esquartejados ou mortos à facada. Os jornalistas de investigação são particularmente visados, devido ao seu trabalho na investigação de casos de corrupção e desvio de fundos públicos, inquéritos sobre a máfia e o crime organizado ou por investigação sobre temas ligados a questões de meio-ambiente.


Registaram-se ainda 367 jornalistas detidos desde janeiro. Há a destacar um aumento de 35% do número de mulheres jornalistas detidas arbitrariamente, bem como o aumento das violações de liberdade de imprensa, devido às leis de excepção ou medidas de emergência adoptadas devido à pandemia da Covid-19.


Em 2020, registaram-se porém sete repórteres foram mortos enquanto cobriam protestos, dos quais 4 no Iraque, 2 na Nigéria e 1 na Colômbia. Dos vários casos podemos destacar o do jornalista Julio Valdivia Rodríguez, no México, que trabalhava para o diário El Mundo, que foi encontrado decapitado no estado de Veracruz e do seu colega Víctor Fernando Álvarez Chávez, redactor-chefe do site de notícias local Punto x Punto Noticias, que foi esquartejado em Acapulco.


Na Índia, o repórter Rakesh Singh “Nirbhik”, do diário Rashtriya Swaroop, foi queimado vivo, depois de ser borrifado com uma solução alcoólica altamente inflamável, enquanto Isravel Moses, correspondente de uma estação de televisão do estado de Tamil Nadu (sul), foi esfaqueado e não resistiu aos ferimentos.


No Iraque, três jornalistas foram baleados na cabeça por homens armados não identificados, no decorrer da cobertura de protestos. Um outro jornalista morreu no Curdistão enquanto tentava escapar dos confrontos que opunham polícias e manifestantes. Casos semelhantes ocorreram na Nigéria e na Colômbia.


Quando nos queixamos dos nossos direitos e da liberdade de expressão que, por vezes, sentimos não ter, recordemos o que se passou este ano, com a prisão e a morte de vários joranalistas. Um dos casos mais recentes é o de Zam.


No dia 12 de dezembro, depois de um julgamento que não teve nada de justo, o jornalista Rouhollah Zam, foi condenado à morte por enforcamento. E não estamos na Idade Média, estamos em pleno século XXI. Zam, que dirigia um canal na plataforma de mensagens criptografadas Telegram, chamado Amadnews, foi considerado culpado de desempenhar um papel ativo no protesto do inverno de 2017-2018. Em outubro de 2019, foi acusado por Teerão de ter desempenhado o papel de agente em nome da França, embora o Irão não tenha especificado o local ou a data dos factos da acusação.


E assim vai a justiça pelo mundo fora...


 


Fontes:


https://www.rfi.fr/pt/mundo/20201229-rsf-50-jornalistas-mortos-em-2020-sobretudo-em-pa%C3%ADses-n%C3%A3o-em-guerra


https://expresso.pt/internacional/2020-12-08-Irao.-Confirmada-sentenca-de-morte-do-jornalista-Rouhollah-Zam-acusado-de-ser-agente-em-nome-de-Franca


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...