Um dos maiores nomes da música portuguesa do seu tempo, deixou-nos ontem à noite. Começa a ficar um vazio difícil de preencher quando olhamos para trás e os grandes nomes na música da nossa juventude já começaram a desaparecer. Ficam as suas músicas, fica a letra de cada canção e ficam as muitas imagens gravadas, palavras ditas e escritas para nós e para os que virão, mas deixam de estar as pessoas e isto começa a fazer-nos sentir cada vez mais carentes, mais pobres.
Jorge Palma nasceu a 4 de outubro de 1950, em Lisboa e desde cedo mostrou aptidão para a musica. Brincava com o seu piano, imitando aquilo que ia escutando na rádio e, felizmente, a mãe percebeu que ele podia ter algum potencial e colocou-o logo aos seis anos a "ter aulas de música, tendo ingressado no Conservatório de Música de Lisboa aos 10."
"Em 1963, ficou em segundo lugar num concurso internacional de piano, no Festival Juventudes Musicais, em Palma de Maiorca, Espanha, onde foi também distinguido com uma Menção Honrosa." Aos 14 anos, abandona a música clássica para se dedicar ao pop-rock. Esta mudança poderá ter sido o ponto de viragem na vida do cantor e autor, que desde logo mostrou que a liberdade era um alvo a atingir.
Em 1971, apresentou-se na primeira edição do festival de Vilar de Mouros, com o grupo "Sindicato" e fez ainda parte da banda "Black Boys". Com 22 anos, "em 1972, gravou The Nine Billion Names of God, o primeiro single em nome próprio, cujo pagamento recebeu em eletrodomésticos." É então que é chamado para cumprir o serviço militar e foge para a Copenhaga, na Dinamarca, onde esteve exilado, regressando depois de se dar o 25 de abril de 1974. A sua guerra foi feita fora do país e as armas que usou foram a voz e os instrumentos, principalmente o piano. Ainda no exílio, começou a preparar um novo disco com letras escritas em inglês, mas acaba por alterar as letras para português para que estas fizessem mais sentido a quem as escutasse e fossem compreendidas por mais pessoas. No ano seguinte, edita o primeiro álbum em nome próprio, "Como uma viagem na palma da mão" do qual não são feitas mais de 500 cópias, podendo esta baixa procura ter sido resultado do verão "quente" de 1975 e da instabilidade em que o país vivia. Ainda em 1975, apresenta com Fernando Girão, "Pecado Capital" no Festival da Canção.
Em 1979, editou com Sérgio Godinho, "Na terra dos sonhos", do álbum "Qualquer coisa pá música." Acaba por trocar Lisboa por Paris, onde toca nas ruas e no metro. "Na década de 1980, de volta a Lisboa, retoma os estudos de piano no conservatório, que terminou em 1990. Logo a seguir, grava Só, editado em 1991, a primeira coletânea de carreira de Jorge Palma, na qual revisita, apenas ao piano, canções dos discos das duas décadas anteriores." Nos anos 90 a carreira de Jorge Palma, sofre uma nova viragem com a criação de "Palma's Gang, ao lado de Zé Pedro e Kalu, dos Xutos & Pontapés, e de Flak e Alex Cortez, dos Rádio Macau." Compôs também "para teatro e para outros artistas," tendo ainda integrado o famoso "projeto Rio Grande."
Voltaria aos originais em 2001, com o álbum "É proibido fumar". Em 2002, vence "o Prémio José Afonso, em 2002, com Jorge Palma." Lança "Norte", em 2004, "Voo nocturno", em 2007, e "Com todo o respeito", em 2011.
Em 2012 vence a "primeira edição do Prémio Pedro Osório, da Sociedade Portuguesa de Autores," com o "álbum Com todo o respeito."
Em 2020, recebe "a medalha de mérito cultural da Câmara Municipal de Lisboa, no final de um concerto de celebração dos seus 70 anos," sendo então também "condecorado pelo então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como comendador da Ordem do Infante D. Henrique."
Em 2023, edita o seu último álbum, intitulado "Vida," estreando em 2025 o espetáculo "Três palmas na mão," onde tocava com os seus dois filhos, Vicente e Francisco.
Em abril deste ano, Jorge Palma "distinguido com o Prémio Carreira do 8.º PLAY – Prémios da Música Portuguesa, decidido pela direção da Audiogest." Ali se cantaram excertos das suas canções, pelas vozes de Sérgio Godinho, Tim, Marisa Liz, Miguel Luz, Inês Marques Lucas, Vicente Palma e Francisco Palma. A sua música é marcada por poemas com fortes mensagens, feitas de palavras que ele soube escolher e que, na sua maioria, ficou nos nossos ouvidos. Para quem o quiser recordar deixo a Grande Entrevista, feita por Vitor Gonçalves a Jorge Palma.
Cessa a voz, mas ficam as palavras...
Fontes:
https://observador.pt/2026/09/22/morreu-jorge-palma-um-dos-maiores-nomes-da-musica-portuguesa-cantor-e-compositor-tinha-76-anos/
https://sicnoticias.pt/cultura/musica/2026-09-21-video-morreu-o-musico-jorge-palma-tinha-76-anos-508149f9
https://sicnoticias.pt/cultura/musica/2026-09-22-jorge-palma-uma-vida-dedicada-ao-piano-ao-rock-e-a-liberdade-9a96899d
https://youtu.be/a-LRfO77Y8Y
https://youtu.be/OELFfVKylX4