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28/10/2026

Colisão entre dois comboios em Toledo, Espanha

Uma decisão errada do centro de controlo poderá estar na origem de uma colisão ocorrida esta manhã e que matou, "pelo menos 68 pessoas." O acidente aconteceu por volta das 9h00, "perto da estação de Urda," mais propriamente, "entre as localidades de Los Yébenes e Urda, em Toledo," e envolveu um comboio da Irvo e outro da Renfe.

"A maioria das vítimas mortais, 44, seguiam no comboio da Iryo, que saiu de Madrid com destino a Sevilha, enquanto os outros 24 estavam no da Renfe, que efetuava a mesma rota." O balanço ainda é provisório. Sabe-se que a situação terá tido início "numa avaria informática pelas 8h30, que levou todos os comboios num troço de quase 70 quilómetros a parar, obrigando a acionar o centro de controlo na estação de Atocha (em Madrid)." Apesar de ter luz vermelha, o comboio da Renfe, terá recebido ordem para avançar, tendo chegado a percorrer cerca de 20 km, a cerca de 200 quilómetros por hora, antes de abalroar o comboio da Irvo que estava parado na mesma linha. Esta colisão, fez com que "pelo menos duas carruagens" tivessem caído por um barranco.

Numa acusação feita pelo próprio governo espanhol, que a ser verdade, é gravíssima, "o operador do centro de controlo terá passado cerca de 17 minutos a ver, nos ecrãs, que os dois comboios estavam em rota de colisão, sem dar qualquer ordem para travar."

A identificação dos corpos pode ainda demorar algumas horas, havendo ainda corpos dentro e debaixo das composições acidentadas que ainda não forma removidos. "Há ainda 58 feridos hospitalizados, dos quais 15 em estado muito grave." Alguns dos feridos, conseguiram sair pelo seu pé e procuram agora atendimento hospitalar. No "comboio da Iryo seguiam 147 passageiros (incluindo um bebé) e no da Renfe mais 397 pessoas." 

Este foi o segundo acidente grave envolvendo a linha férrea espanhola este ano. "A 18 de janeiro, morreram 46 pessoas no acidente em Adamuz (Córdoba) e mais de cem ficaram feridas."

Fontes:

https://www.dn.pt/internacional/espanha-vrios-feridos-aps-coliso-de-dois-comboios-na-zona-de-toledo

https://cadernodiario1983.blogspot.com/2026/01/depois-da-tragedia-comboios-parados-em.html



11/09/2026

Acidente com autocarro na Suíça faz cinco mortos... e os 25 anos dos ataques aos EUA

Um acidente envolvendo um autocarro de turismo resultou em cinco mortos e quarenta feridos, três dos quais considerados feridos graves. O acidente ocorreu ontem no cantão de "Grisões, no estremo leste" da Suíça. O autocarro que fazia a ligação dos "Países Baixos para a Áustria," pertence a uma "empresa turística holandesa", a "Oad," e terá capotado "numa zona em obras numa estrada de montanha." Pelo que se sabe, todos os passageiros eram neerlandeses e estariam em viagem desde segunda-feira. As causas do acidente ainda não foram divulgadas.

Assinalam-se hoje 25 anos desde o "11 de setembro". Um quarto de século - e tanto que já se passou nas nossas vidas desde então! Para aqueles que ainda hoje consideram que o sequestro dos aviões e os ataques 
às "Torres Gémeas" e ao "Pentágono" foram uma farsa, só tenho a dizer que não importa o que acham, pois a cada um caberá tirar as suas ilações sobre o assunto. Eu lembro-me bem demais das imagens que vi, dos pesadelos que tive, da sensação de queda e de vazio debaixo de mim quando estava prestes a adormecer e, não, eu nunca lá estive, mas aquelas imagens marcaram-me. Ali não havia inteligência artificial, nem sequer tempo para modificar ou escolher imagens menos marcantes. Foi tudo visto em cru, sem filtros, apenas com alguns desviares das câmaras nos momentos certos para que não víssemos os corpos a estatelarem-se cá em baixo. 

Durante dias acompanhamos as operações de buscas, dia e noite. Nunca fui de rezar, pois não acredito em nenhum deus nem fantasio com nenhum milagre, mas aos 17 anos, eu tantas vezes pensei na minha cabeça "o que faria se fosse eu a estar ali?" Hoje sou uma mulher, não mais uma jovem cheia de sonhos e projetos, mas naquele dia, morreu parte da minha infância, da minha inocência, separaram-se as águas do bem e do mal. Eu nunca quis acreditar que houvesse um povo bom e um povo mau, uma cultura boa e outra má, nem sequer quis tomar partidos, mas naqueles dias, todos sem exceção levamos uma lavagem cerebral e fomos bombardeados com opiniões e factos que ainda hoje nos marcam e moldam a nossa maneira de pensar quer queiramos quer não. Não foram só os EUA que foram atacados, foi também um tipo de civilização, foram valores, foi a nossa tranquilidade. 

Podem não se lembrar, mas eu na altura tinha a minha mãe ainda em casa e lembro-me de sair para a rua e dela ter medo de que nós não voltássemos, de nos dizer para estarmos atentas e se notássemos algo estranho para voltarmos logo para casa. Ninguém me mandou olhar para o céu, mas nos meses que se seguiram, eu andava sempre atenta ao barulho dos aviões e ficava a ver os seus rastos e a pensar: "Estará tudo bem lá dentro?" 


Fontes:

https://pt.euronews.com/2026/09/11/despiste-de-autocarro-turistico-no-leste-da-suica-causa-varias-mortes

https://cnnportugal.iol.pt/suica/graubunden/acidente-com-autocarro-turistico-na-suica-faz-varios-mortos/20260910/6aa2fce3d34e53c759c71a99


06/09/2026

Acidente em Moçambique mata 25 pessoas

Este sábado, o despiste de um autocarro na Ilha do Fogo, em Moçambique, provocou a morte de 25 pessoas, havendo ainda dois feridos em estado grave. O autocarro transportava quarenta passageiros, e acabou por resvalar e cair numa ribanceira de cerca de 30 metros. Os difíceis acessos acabaram por dificultar o socorro às vítimas. Os feridos foram transportados para o "Hospital Regional de São Francisco de Assis."

De acordo com informações da "Câmara Municipal de São Filipe," (Sábado), o "autocarro transportava alunos jovens, estudantes do ensino secundário dos agrupamentos III e IV de Curral Grande e Ponta Verde, quando durante um passeio entre Chã das Caldeiras e Campanas saiu da estrada e caiu de uma altura de cerca de 30 metros, numa zona rochosa e com uma ribeira de difícil acesso."

Ainda em junho deste ano, um outro acidente com um autocarro na "zona de Cafunpe", província de Manica, provocou três mortos, dos quais dois "foram identificadas, enquanto a terceira viajava sem qualquer documento de identificação." Do acidente resultaram ainda 29 feridos, A viatura seguia da província de Nampula para a cidade de Chimoio, capital provincial de Manica."

Fontes:

https://www.rfi.fr/pt/%C3%A1frica-lus%C3%B3fona/20260906-acidente-com-autocarro-mata-25-pessoas-na-maioria-crian%C3%A7as-e-jovens-na-ilha-do-fogo

https://mznews.co.mz/acidente-de-viacao-autocarro-despista-e-faz-tres-mortos-e-29-feridos-na-n6-em-manica/

https://www.sabado.pt/mundo/detalhe/pelo-menos-22-mortos-em-acidente-com-autocarro-na-ilha-cabo-verdiana-do-fogo


09/08/2026

Sim, há falhas graves na prevenção de acidentes com crianças!

Não vamos falar só em acidentes. O que está a acontecer no nosso país em pleno século XXI é uma grande falha na prevenção. Os acidentes podem acontecer, mas quando deixamos um bebé entregue quase que "à sorte" não podemos falar em acidentes, devemos falar em negligência e em falhas na promoção da sua segurança.

Não venho acusar mães nem pais, não tenho esse direito, não conheço os pormenores das histórias, não sei qual foi o momento em que tudo mudou e, em que um erro, uma distração ou uma má decisão, fez com que o pior acontecesse. Mas tenho de falar em prevenção. Este sábado, um bebé caiu de uma janela. Segundo aquilo que tem sido falado na comunicação social, a queda terá sido de "uma altura entre 12 e 15 metros", o que se pode equiparar a um "quarto andar", uma vez que o "prédio tem lojas e rés do chão elevado." Apesar de ter sido logo assistido e transportado de helicóptero, o bebé acabou por não sobreviver.

Ainda há uns poucos dias eu aqui falei de um outro caso e contei de uma criança que estava pendurada à janela a atirar coisas cá para baixo. O pai disse que estava em casa, mas "não ouviu" (nem viu porque o bebé estava sozinho noutra divisão da casa). E é aqui que eu digo que nos falta prevenção. Por um lado, prevenção na formação de pais, de pais que olhem à volta e saibam identificar riscos. Por outro lado, prevenção na construção de casas, na colocação de janelas e portadas mais seguras, de fechos de difícil abertura nas janelas e nas portas de acesso a varandas, de redes de proteção nas janelas e nas varandas. Dizem (SIC) que o "alerta foi dado ao fim da manhã por um popular após ter encontrado a criança deitada no chão," e isso levanta-me várias outras perguntas - onde estavam as irmãs, alguém viu o bebé cair? E se não, estava sozinho na varanda? Tudo isto terá uma resposta, mas a questão é que faltou o mais importante - o cuidado, a prevenção, a vigilância. Alguém falhou, ou melhor, aqui houve um sistema que falhou. 

Outras notícias dão-nos exatamente conta disso. Em 2017, um bebé estava em casa com a mãe e caiu de um terceiro andar. Ainda foi visto a cair por quem passava, foi socorrido pelos bombeiros de Mirandela e levado em estado grave para o hospital. Em 2020, "uma bebé de um ano morreu" ao cair "da janela de um terceiro andar no Laranjeiro, Almada." No mesmo ano, outro bebé, de apenas "um ano ficou ferido com gravidade," ao cair de "uma janela, equivalente a um segundo andar, em Celeirós, Braga." E quem não se recorda de um caso que ocorreu já em 2025, de um menino de seis anos que caiu de um quarto andar (que equivalia em altura a um 6º) num prédio em Vila Franca de Xira? E houve outros...

No geral, as nossas casas não estão preparadas para bebés e crianças pequenas. Fazemos o que podemos, quando sabemos onde está o perigo. De acordo com a APSI, "as quedas são a quarta causa de morte acidental e a primeira causa de chamadas para o número de emergência 112 e de internamentos." 

Não queremos que se magoem ou que caiam numa escada. Basta um segundo, uma porta que ficou encostada enquanto o cuidador foi à casa de banho. Uma distração a usar o telemóvel. Basta, às vezes, o achar que "ele não vai para ali", "ele não cabe"," ele não chega tão alto", ou "ele não sabe abrir aquele fecho." Mas chegam, cabem e sabem, muito mais depressa do que nós imaginamos. Reparamos quando se aproximam demasiado do fogão e evitamos que se queimem, ou afastamo-los quando tentam desligar algum aparelho elétrico da tomada. Mas aquela tomada, não vai mudar de local, no máximo colocamos uma proteção. Aquela porta que afinal ele abre, passa a ter algo que bloqueie ou dificulte a sua abertura. 

Na maioria dos casos, os pais fazem o que podem num mundo que é de adultos. E como todos os mundos que são dos adultos, os pais têm de ir trabalhar, alguns mesmo no verão, quando as escolas fecham, quando as creches deixam de receber as crianças. E alguns, mais sortudos, vão para casa dos avós, brincam com os irmãos e os primos, outros têm a possibilidade financeira de frequentar um campo de férias, outros um ATL que de verão transforma o pessoal educativo em animadores e reforça a equipa com alguns monitores, que ali vão ganhando novas experiências e responsabilidades. E alguns, ficam em casa com os irmãos mais velhos e mais responsáveis.

Não venho acusar ninguém de negligência. Mas venho pôr o dedo na ferida! Temos de fazer alguma coisa na prevenção destes acidentes, tem de haver uma forma de os evitar.

Venho dizer que todos nós temos o dever de cuidar mais e melhor das nossas crianças e de lutar por um país que permita aos pais estarem mais tempo em casa com os filhos, que permita que façam férias juntos, que as escolas deixem de ser depósitos de crianças de um de setembro a 31 de julho, algumas até agosto. Estamos todos metidos nisto, quer queiramos quer não. 

E o que está mal aqui? A culpa é afinal de quem?

Da falta de atenção, da falta de experiência, da confiança que se adquire aos poucos, da responsabilidade que vai crescendo não só com a idade mas sim com as várias situações que vão acontecendo e pondo à prova estas mesmas competências? Se uma irmã mais velha não pode cuidar de um bebé? Depende. E se virmos os outros casos que coloquei acima, várias situações idênticas aconteceram e eram pessoas adultas que lá estavam. Eu poderia responder que não, que não deve, mas existem tantas outras coisas que podem estar envolvidas aqui e que me fazem pensar que nunca deve ser atribuída esta responsabilidade a um menor.

Fontes:

https://sicnoticias.pt/pais/2026-08-08-acidente-grave-nas-caldas-da-rainha-bebe-cai-de-terceiro-andar-de-um-predio-c708aacf

https://www.jn.pt/pais/artigo/menino-de-um-ano-morreu-ao-cair-de-terceiro-andar-nas-caldas-da-rainha/18114338

https://tvi.iol.pt/noticias/videos/bebe-caiu-desta-janela-quando-estava-com-a-mae/58de42a70cf25724706166ff

https://tviplayer.iol.pt/programa/tvi-jornal/63ef5eb50cf2665294d5f87a/video/6a798f970cf2b42132dbd414

https://www.publico.pt/2025/02/09/sociedade/noticia/morte-crianca-caiu-4-andar-associacao-alerta-seguranca-construcoes-2121917

24/07/2026

Descuido ou falta de zelo, o que mais mata em Portugal

Quando um bebé morre por negligência é porque algo falhou muito lá atrás. Quando um bebé morre aos cuidados de uma instituição, falharam diversas coisas, mesmo quando se trata de um acidente.

Fala-se muito de Segurança Infantil e podia até vir aqui criticar de forma fácil, ações e lacunas que são só por si de lamentar. No entanto, espero que os casos que se vão tornando mediáticos sirvam para que todos consigamos rever as nossas ações e os cuidados a ter, diariamente, com as nossas crianças. Não seremos capazes de evitar todos os acidentes, mas há de facto uma responsabilidade que deve ser partilhada. E sim, às vezes temos de nos meter na vida dos outros, às vezes temos de questionar, de perguntar se está tudo bem ou se precisam de ajuda. 

Uma bebé morreu ontem, dentro de uma viatura que a deveria levar à creche. Não foi a primeira vez que uma situação de esquecimento de uma criança numa viatura. Várias já levaram a desfechos idênticos. Quando fazia emergência, tive uma ocorrência para um caso parecido, aqui na zona da Torre da Marinha, Seixal. Lembro-me da ansiedade até chegar ao local e da sensação de raiva que me atingiu. Era um bebé que tinha sido deixado dentro de um carro, desconhecia-se idade ou estado de consciência. Quando lá chegamos, o vidro foi forçado e a porta aberta, a menina, uma bebé estava cheia de sede, tremia, chorava, os olhos a procurar um rosto conhecido no meio de tantas caras estranhas. Estava viva e nós felizes por termos chegado a tempo e, ao mesmo tempo, zangados. Como é que esperaram e ninguém partiu o vidro? Como é que se discutia, enquanto uma criança gritava dentro de um carro, que não se sabia há quantas horas ali estava, se quem partisse o vidro teria de pagar o arranjo? Esta menina, felizmente, não sendo um dia de verão, sobreviveu. E talvez o facto de ser muito novinha a tenha feito esquecer que um dia alguém se esqueceu dela fechada dentro de um carro.

Mas ontem, durante todo o dia, ninguém deu pela falta de uma menina de 18 meses. Eu podia até enumerar diversas ações que poderiam ter sido efetuados (apenas como forma de nos lembrarmos que podemos aprender com os erros dos outros, sejam eles cometidos aqui ao lado, ou numa escola dos EUA) e que mais não seja, por isso, é tão importante se falar e se debater quando a questão envolve a vida de crianças. Porque é que não se passou um registo em que se marcasse a sua falta e se perguntasse à motorista da carrinha "Então, hoje a S. não veio?" ou porque é que quando se deu a contagem para o almoço não se conferiu se quem estava à mesa correspondia aos registos efetuados. Como são feitos os registos de entrada das crianças - manualmente ou digitalmente, em alguma aplicação? Existe uma dupla verificação - e se sim, foi feita, por quem, o que registou? Porque um erro acontece, mas ninguém ter-se dado conta do erro, para mim é o mais estranho.

Não. Não me posso colocar no lugar daquela funcionária, nem de todas as outras quando se aperceberam que teria bastado uma mensagem para os pais ou uma chamada para perguntar se a menina estava bem, se estava doente, se tinha ficado de férias. E talvez até o tivessem feito, ou talvez até tivessem outros procedimentos, não sei, mas algo ali falhou. E todos nós temos de pensar que se uma criança seria demais, a repetição de casos tem de nos fazer parar e refletir: onde é que falhamos - como sociedade, temos de cuidar das nossas crianças, dos nossos seres mais indefesos e dependentes.

Quando a mãe chegou para a ir buscar à creche, deu-se o alarme, e quando foram ao carro e a encontraram lá dentro, "ainda partiram o vidro", para acederem à bebé. Os meios de socorro tentaram salvar aquela vida, mas a chamada de socorro tinha chegado tarde de mais... Ontem nem sequer foi dos dias mais quentes, mas o meu carro esteve ao sol e por volta das 17h marcava 38º, sendo que o que marca nem sempre é a temperatura do ar interior. Agora resta-nos especular enquanto a Polícia Judiciária investiga. 

Fala-se em sobrecarga, em rotinas, mas é sobretudo na falta de zelo que os acidentes deste género acontecem. E não digo como sendo propositado. É quando as rotinas mudam, quando a pessoa que fazia o trabalho vai de férias e alguém a substitui, quando uma viatura da instituição avaria e se substitui por outra. Ainda há muito a esclarecer e estou certa que em breve as respostas a muitas perguntas serão dadas, Mas nada trará a menina de volta nem tirará a dor daquela família. Há questões levantadas em relação ao facto da viatura ser da funcionária e não pertencer à creche, embora tivesse um dístico. Não é referido nas notícias se haveria todas as outras coisas obrigatórias. Isso será importante para se apurar outros aspetos relevantes, mas não trará de volta aquela bebé para a sua família. A lei, não obriga a que os transportes em ligeiros se façam acompanhar de uma auxiliar, mas q se refere porque é que num transporte escolar não estava uma auxiliar, mas aqui poderia ter feito a diferença.

Os acidentes domésticos e aqueles que acontecem tendo como culpados os elementos da própria família ocorrem muitas vezes por situações idênticas. Porque é "já ali" e a criança não se senta na cadeirinha, porque "vou só tomar banho" e a criança se empoleira na janela e cai, porque "vou só acabar de ler mais umas páginas" e o bebé sufoca com algo que encontrou no chão de casa, quando brincava, sossegado.

Como se os nossos corações já não nos doessem suficientemente, ontem, algumas horas mais tarde chegava a notícia de outra morte. Uma criança de apenas três anos de idade, tinha caído "de uma janela situada no segundo andar de um edifício, para as traseiras do mesmo”. A criança ainda foi socorrida e transportada para o Hospital de S. João, mas acabaria por falecer devido à gravidade dos ferimentos. Ao que é apontado nas notícias, haveria gente em casa, mas neste caso a cobertura mediática tem sido bem menor. 

No outro dia, durante a reunião de condomínio do meu prédio, um vizinho olhou-me de lado quando referi que alguém tinha feito bem em ativar a polícia quando o filho dele de dois anos e pouco se debruçou na janela do quarto andar para atirar coisas cá para baixo. Para ele, tinha sido exagerado, pois ele estava em casa, mas "noutra divisão" e a criança deveria estar "a dormir". De referir que estávamos a meio da manhã... e que vários vizinhos tocaram à campainha e bateram com força na porta de casa, além de gritarem cá de baixo a chamar por ele. O meu comentário foi rude, sim, mas se tivesse caído cá em baixo, teríamos um bebé morto e várias pessoas traumatizadas. Não aconteceu nada, não sei sequer se os agentes que ali foram chegaram a criar alguma ocorrência e se aquele criança estará segura com as devidas trancas (bloqueadores de abertura) já colocadas na janela. Falei disso, mas não sei se o senhor me deu atenção. 

Dou formação na área da educação de infância e falo muitas vezes nas questões da segurança. De olharmos o mundo à nossa volta da perspetiva da criança. O que vemos, pode parecer inofensivo para nós mas pode ser mortal para um bebé. Uma janela que abre facilmente, um móvel que é leve e que não está preso na parede, uma embalagem de veneno ou de detergente que fica guardada por baixo do lava-louças e que se abre facilmente. Vamos olhar em volta e ver se a nossa casa é segura? 

E já agora, vamos criar o hábito de colocarmos a nossa mala pessoal com as chaves, a carteira e o telemóvel no banco de trás do carro, pelo menos se transportarmos crianças sejam nossas ou não?

E convido-vos a ler esta notícia da RTP acerca de um estudo feito numa Universidade dos EUA, sobre o aumento da temperatura dentro de uma viatura e de como isso nos pode afetar. Segundo esse estudo, "em média, o corpo de uma criança atinge a temperatura letal corporal aos 40 graus Celsius." O que também é referido é que "o material de que é feito o revestimento dos veículos, na grande maioria plásticos e fibras, liberta gases tóxicos quando aquecido." Ou seja, não mata só pela subida da temperatura, mas pela libertação de gases tóxicos. Segunda a mesma publicação, " o interior de um carro novo, na sombra e com as janelas fechadas, pode libertar até 800 mg de benzeno, podendo mesmo chegar a 4.000 mg num dia de sol forte."

De acordo com análises feitas durante esse estudo, quando o carro estava apenas "1,4 horas ao sol e cerca de 2,4 horas à sombra e variando sempre de acordo com o tamanho da viatura, uma criança deixada dentro de uma viatura ligeira pequena pode morrer de sobreaquecimento em apenas uma hora." Por isso, num dia de calor no meio de Almada, talvez nem tenham sido necessárias as sete horas de esquecimento para que a situação se tivesse tornado irreversível... Não tenho palavras de conforto para os pais nem para a família, mas aos colegas que socorreram, a única coisa que posso dizer é que a culpa nunca será vossa, mesmo que a sensação de impotência vos esteja a apertar o peito. Deixem que as lágrimas e revolta saia, mas não se condenem.


Fontes:

https://observador.pt/2026/07/24/crianca-de-tres-anos-morre-apos-cair-de-um-predio-na-maia-pais-estavam-em-casa-mas-desconhece-se-circunstancias-do-acidente/

https://rr.pt/noticia/pais/2026/07/24/psp-investiga-morte-de-crianca-que-caiu-de-uma-janela/479445/

https://cnnportugal.iol.pt/pragal/almada/sete-horas-esquecida-numa-viatura-da-creche-o-que-ja-se-sabe-da-morte-de-uma-crianca-de-18-meses-em-almada/20260723/6a625fcbd34ef04b4f3f88e2

https://www.rtp.pt/noticias/pais/efeito-de-estufa-no-interior-dos-carros-pode-ser-mortal_n1078940

29/06/2026

Queda de avião mata em França

Existem algumas notícias que nos chamam mais a atenção do que outras. A mim, a queda de uma aeronave numa zona habitada, levanta-me algumas questões: Como e Porquê? 

Penso sempre nas questões de segurança, na negligência e na falha de procedimentos. O acidente que hoje refiro é exemplo disso. Este domingo, uma aeronave caiu na zona de Tomblaine, (perto de Nancy, no Nordeste de França), provocando a morte de todos os 11 ocupantes do aparelho. 

A aeronave pertencia, ao que se sabe através de notícias publicadas, a uma escola de paraquedismo, e estaria registado na Alemanha. Tinha saído do aeródromo de Nancy-Essey, levando a bordo "um grupo de pessoas que iria experimentar paraquedismo." Os cinco alunos que iam fazer o batismo eram enfermeiros. Pouco depois de descolar, ao avião "despenhou-se nas proximidades da pista, não muito longe de uma zona habitacional de Tomblaine e de duas estradas."

Noutro acidente, ocorrido na última sexta-feira, na China, uma pequena aeronave embateu contra o "CITIC Tower, o arranha-céus mais alto do centro financeiro de Pequim," e provocou "a queda de destroços para a via pública." Apenas se sabe da existência de um ferido (uma mulher que teve ferimentos ligeiros e foi transportada para o hospital), não havendo ainda qualquer referência a quem pilotava a aeronave no momento do embate e se há mais feridos ou até mortos.

Fontes:

https://www.publico.pt/2026/06/28/mundo/noticia/aviao-transportava-paraquedistas-cai-nancy-nordeste-franca-2179733

22/02/2026

Ainda sobre a destruição causada pelas cheias

Em Portugal já houve outros anos de chuvas intensas e em que os rios saíram das margens invadindo terrenos agrícolas e levando tudo à sua frente. Este ano, parece que as tempestades resolveram juntar-se e entrar pelo território português sem dó nem piedade. Depois da destruição causada pelos ventos, a chuva não deu tréguas, aumentando os caudais dos rios e criando zonas de cheias destrutivas. Se bem que não foi a primedira vez que o caudal do Tejo, do Mondego ou do Sado galgou as suas margens, a verdade é que o povo tem memória curta e se esquece de outras enchentes - felizmente, talvez por nem serem assim tão frequentes. Embora fosse expectável que houvesse cheias este ano, a subida dos caudais acabou por atingir uma população já fragilizada por um comboio de tempestades cujo vento e chuvas fortes detruiram tudo à sua passagem. Telhados arrancados, árvores derrubadas. As terras ficaram encharcadas e, em muitas zonas, acabaram mesmo por deslkizar, escorrendo pelas encostas e arrastando tudo pela seu caminho. As estradas saíram do seu percurso normal, os muros desabaram e as casas acabaram inclinadas, tombadas periclitantes prestes a desabar pelo morro abaixo.

Depois da tempestade Kristin, "a tempestade Leonardo chegou com violência renovada e voltou a devastar comunidades já marcadas pelo caos e pelo sofrimento. A precipitação intensa, concentrada em poucas horas, fez subir rapidamente o caudal dos rios, que transbordaram." Em Coimbra, a autarca acabou por mandar preparar a evacuação de parte da população, "devido ao risco iminente de rutura dos diques do rio Mondego", que tinha atingido o seu limite. Estradas cederam com o rompimento de diques e canais, houve deslizamentos de terras e casas soterradas por terra e rochas. Mas o mpior de tudo foram as dezoito mortes que ocorreram "em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta," e "que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados." Um casal acabou por ser apanhado pelas cheias, tendo a viatura, com os corpos ainda no seu interior, sido encontrada numa estrada que estava claramente intransitável devido à subida do caudal. 

Sem esquecer a queda de parte do tabuleira da A1, na zona de Coimbra. "O troço entre Coimbra Norte e Coimbra Sul encontrava-se já encerrado em ambos os sentidos," por haver um risco calculado de que o dique poderia não aguentar. O desabamento acabou mesmo por ocorrer, por volta das 18 horas, "no ponto de ligação entre o aterro e o viaduto, na zona dos Casais."

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais deste comboio de tempestades.

Apesar de ter sido declarada situação de calamidade, ainda existem situações deveras complicadas e que não terão uma resposta rápida. Ainda há "casas sem energia, empresas sem respostas e setores de atividade à espera de soluções, com prejuízos estimados na ordem dos mil milhões de euros."

No caso de Leiria, das cerca de "84 pessoas" que foram deslocadas, "17 das quais permanecem em situação muito vulnerável, sem casa." De acordo com Paulo Fernandes, "coordenador da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País," existem ainda em Portugal cerca de "374 desalojados (103 famílias) e 130 deslocados (72 famílias)," existindo um "universo possível de 175 edifícios," que ficaram "inabitáveis". Ao fim de tanto tempo, é inimaginável que ainda existam casas sem eletricidade e sem água potável canalizada, mas a verdade é que ainda temos pessoas a viver nessas situações.

Diversas empresas estão paradas e sem previsão de retomar a sua atividade. Centenas de agricultores procuram uma forma de recomeçar, mas sem poderam fazer nada enquanto os campos estiverem alagados. Perdeu-se a comida armazenada para os animais e ainda é preciso reconstruir cercas, estruturas de rega e canais. Um dos maiores problemas é que a falta de energia trouxe enormes custos para se manterem os geradores a funcionar. Não é só em casa que é necessária eletricidade. Esta é fundamental nas estufas, por exemplo. Em relação à sivicultura, a estimativa é de que podem ter sido destruídas entre "cinco a oito milhões de árvores, incluindo exemplares centenários." 

Fontes: 

https://sicnoticias.pt/meteorologia/2026-02-05-da-tragedia-de-1967-na-grande-lisboa-a-ilha-da-madeira-em-2010-as-cheias-que-devastaram-portugal-nas-ultimas-decadas-57d92b39

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-22-video-leiria-ainda-faz-contas-mas-prejuizos-das-tempestades-ja-atingiram-os-800-milhoes-46ad069c

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-20-tempestade-kristin-destruiu-ate-oito-milhoes-de-arvores-em-leiria-d3d3e93e

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-18-pedidos-cerca-de-75-milhoes-de-euros-para-recuperar-habitacoes-danificadas-pelas-tempestades-7c85ee10

https://expresso.pt/tempestades/2026-02-12-video-colapso-junto-do-viaduto-da-a1-em-coimbra-imagens-de-drone-revelam-impacto-do-rebentamento-do-dique-do-mondego-a0a7e56f

 

21/02/2026

Atropelamento e fuga em Lisboa

Não sabemos o que se passa na cabeça destas pessoas, o que lhes vai na alma. Mas sabemos que um carro pode ser uma arma letal quando nas mãos erradas. 

Há uns dias, vi imagens de uma senhora que guiava de forma descontrolada por uma rua da Trafaria. A mulher conduziu a viatura de "forma irregular, embateu em carros estacionados e acabou por atingir um peão. Já perante a intervenção da GNR, a condutora terá avançado contra uma patrulha, provocando danos e ferimentos num militar de 25 anos."

O que lhe ia na cabeça naquele momento? Que sensações, pensamentos ou fantasmas a atormentavam? Quais eram as suas dores ou as suas razões? Soube-se que era enfermeira, que já lhe tinha sido diagnosticada uma doença psiquiátrica e que teria acompanhamento médico nessa área da saúde. Algo correu mal naquele dia e, poderia ter sido pior se tivesse matado alguém.

Ontem, um automóvel investiu sobre um grupo de pessoas, atropelando de forma grave cinco transeuntes na zona do Chiado, em Lisboa. Esta viatura era conduzida, ao que se sabe por um homem entre os 20 e os 30 anos. A viatura tinha sido furtada momentos antes, enquanto o dono jantava ali perto. Destas vítimas, duas "eram adolescentes e terão ficado com fraturas expostas - uma teve alta" já esta manhã, enquanto a "outra está internada mas em situação estável. As outras duas vítimas foram assistidas no local."

Os carros, matam, não apenas em acidentes, mas também de forma propositada.

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/atropelamento-com-fuga-faz-cinco-vitimas-na-zona-do-chiado-em-lisboa_n1720608

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-16-video-mulher-detida-na-trafaria-depois-de-atropelar-uma-pessoa-e-abalroar-gnr-7707150e

https://sapo.pt/artigo/enfermeira-do-garcia-de-orta-ja-teve-episodio-identico-antes-do-caos-na-trafaria-69941cf8bef01392d90c672d


22/01/2026

Depois da tragédia, comboios parados em Espanha

Depois do acidente de domingo à noite, já ocorreram outros três acidentes, nas linhas de caminhos de ferro espanholas.

O primeiro acidente e, até agora, o mais grave ocorreu na região de Adamuz e fez 43 vítimas mortais e 42 desaparecidos. Mantêm-se nos Cuidados Intensivos ainda 13 feridos graves. Ainda decorre a investigação sobre este acidente, mas alguns indícios apontam para já para "uma falha na soldadura do carril como causa do acidente." Em imagens do local do descarrilamento inicial, é visível "claramente a rutura da soldadura e o desprendimento de uma secção do carril."

Já esta terça-feira, "um comboio de passageiros" colidiu "com um muro de contenção que colapsou sobre os carris em Barcelona." O acidente acvonteceu "ao quilómetro 64 da Rodalies entre Gelida e Sant Sadurní d'Anoia," tendo resultado na "morte de um maquinista de 28 anos que estava em fase de treino." Há ainda a lamentar "cerca de 40 feridos, cinco deles em estado grave." Tal como no acidente de domingo, este local onde ocorreu o acidente de Gelida não seria “considerado um ponto problemático pelos maquinistas”, relembrando que no caso de domingo, o acidente ocorreu numa reta.

Registou-se ainda no mesmo dia um outro acidente, desta vez na região de "Lloret de Mar, na província de Girona," Catalunha. Neste caso, o "comboio terá saído da linha devido a uma pedra na via, na sequência do mau tempo que está a assolar Espanha," não havendo feridos a registar.

O último ocorreu hoje na região de Cartagena, e resultou em ferimentos em seis pessoas, quando "um comboio colidiu com uma grua."

Numa semana considerada trágica, o maior "sindicato espanhol de maquinistas de comboios" (Semaf) anunciou ontem que iriam avançar com uma "greve geral" para "reivindicar garantias de segurança na rede ferroviária de Espanha, depois dos acidentes desta semana, em que morreram mais de 40 pessoas." O sindicato considerou "inadmissível a deterioração" da rede ferroviária espanhola.," pedindo "medidas urgentes, assim como que sejam responsabilizadas penalmente" todos aqueles que tenham falhado na sua obrigação de "garantir a segurança da infraestrutura".

Ontem, "os comboios suburbanos da Catalunha" encontravam-se "todos parados," para que se pudesse proceder a inspeções em "todas as vias, por decisão da empresa Adif, que gere as infraestruturas ferroviárias em Espanha." O sindicato recomendou ainda que os "maquinistas que não se sintam em condições de trabalhar," pela justificável "carga emocional," que os acidentes desta semana lhes tenham provocado, "que não o façam e o comuniquem às chefias."

O acidente de domingo, foi "o mais grave acidente ferroviário ocorrido em Espanha desde o descarrilamento do comboio de alta velocidade (Alvia) de 24 de julho de 2013, em Angrois, perto de Santiago de Compostela, que se saldou em 80 mortos e 144 feridos." Por cá, nos últimos dias, as ferrovias também têm sido tema de conversa, mas felizmente mais pelos atrasos sucessivos. Esperemos que a chegada da tempestade Ingrid à Península Ibérica não venha a agravar a situação das ligações ferroviárias e que não se arrisque circular em vias inundadas ou em zonas de risco de derrocadas. Acho que já chega de tragédias para estes dias.

Fontes:

https://expresso.pt/internacional/europa/espanha/2026-01-21-tres-acidentes-em-dois-dias-desastres-ferroviarios-em-espanha-provocam-mais-de-40-mortos-3a902fd0

https://expresso.pt/internacional/europa/espanha/2026-01-21-maquinistas-espanhois-em-greve-para-exigir-seguranca-na-ferrovia-apos-acidentes-desta-semana-148b85a7

https://sicnoticias.pt/mundo/2026-01-22-video-mais-um-acidente-em-espanha-comboio-choca-contra-grua-em-alumbres-d4b081e2

https://sicnoticias.pt/mundo/2026-01-20-video-pelo-menos-1-morto-e-varios-feridos-em-novo-acidente-ferroviario-em-espanha-a110fa3a

19/01/2026

Acidente ferroviário em Espanha

Ao final da tarde de ontem, ocorreu em Ademuz, Córdova, um acidente ferroviário envolvendo dois comboios. A primeira composição, um comboio de alta velocidade pertencente à "companhia Iryo, que tinha partido de Málaga às 18:40 de domingo com destino a Puerta de Atocha com 317 pessoas a bordo, descarrilou os seus três últimos vagões às 19:39 locais, mais uma hora do que em Lisboa, e invadiu a via contígua, pela qual circulava, nesse mesmo momento, outro comboio da Renfe com destino a Huelva, que também descarrilou." Os vagões do primeiro comboio, que "colidiram com os dois primeiros vagões do comboio da Renfe," projetando-os. O acidente aconteceu num "local conhecido como o apeadeiro de Adamuz," onde existe "um ponto de mudança de agulhas."

Deste acidente resultaram 39 vítimas mortais e mais centena e meia de feridos, dos quais 73 estão ainda ingternados e "24 das quais em estado grave." Foram decretados "três dias de luto nacional, de terça a quinta-feira." Estranho foi este acidente ter ocorrido numa reta, numa via que "foi totalmente renovada recentemente" e com um comboio com apenas quatro anos de uso, que tinha sido submetido a uma "inspeção na quinta-feira." Ambos os comboios atingem facilmente velocidades de mais de 200 Km/hora (o primeiro pode mesmo atingir cerca de 400 Km/h). No entanto, a "agência Reuters" relatou que "teve acesso a uma carta do sindicato dos maquinistas espanhóis (SEMAF), enviada em agosto de 2025, em que se alerta para o desgaste severo dos carris da ferrovia de alta velocidade, incluindo no troço onde os dois comboios colidiram." Ñesta carta, o "sindicato apontava, (...) para buracos, irregularidades e desequilíbrios que estavam a provocar avarias frequentes e a danificar os comboios."

Ainda não foram apuradas as causas do acidente, mas relatos indicam que foi encontrada uma peça (uma junta ou união) partida.

Fontes:

https://www.dn.pt/internacional/sobe-para-39-o-nmero-de-mortos-em-acidente-ferrovirio-em-espanha

https://www.ojogo.pt/extra/artigo/dois-cidadaos-portugueses-sinalizados-no-local-do-acidente-com-comboios-em-espanha/18042239

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/espanha-sobe-o-numero-de-mortos-apos-colisao-de-comboios-de-alta-velocidade_n1711326


16/09/2025

Colisão entre comboios turísticos no Algarve

Apesar do aparato, a colisão entre dois comboios turísticos ocorrido esta tarde junto à praia do Barril, não passou de um susto para os seus ocupantes e respetivos maquinistas. A colisão entre as duas composições, acabou por provocar ferimentos ligeiros em cerca de 16 pessoas, mas apenas uma das vítimas teve necessidade de assistência no hospital.


A bordo, seguiam passageiros de diversas nacionalidades. Estes dois comboios intercalam entre si a ligação entre Pedras d'el Rei e a Praia do Barril, transportando entre os dois, cerca de 50 passageiros. O embate ter-se-á devido a uma das composições não ter parado e aguardado na estação de Pedras d'el Rei, entrando na via onde acabaria por colidir com a composição que seguia em sentido inverso.


A gravidade do acidente não foi muita, mas volta a ser posta em causa a utilização segura das linhas de caminho de ferro em Portugal. Falha humana ou material, aquilo que se nota é uma falha da segurança e do não cumprimento dos protocolos instituídos. Ficará o país bem visto, quando queremos trazer para cá turistas, mas não cuidamos devidamente das infraestruturas de que dispomos para os receber? 


Já este sábado, um atropelamento ferroviário resultou na morte de duas pessoas que tiravam fotografias à composição que se aproximava. O atropelamento ocorreu em "Mesão Frio, no distrito de Vila Real, levando ao corte da circulação." No mesmo dia, um outro "atropelamento mortal", ocorreu na zona da "Ribeira de Santarém," envolvendo o "Alfa Pendular na Linha ferroviária do Norte."


Fontes:


CM Tv - "Grande Jornal da Noite", 16/09/2025;


SIC Notícias - "Jornal do Dia", 16/09/2025;


https://www.publico.pt/2025/09/13/sociedade/noticia/tres-vitimas-mortais-atropelamentos-ferroviarios-sabado-2147082


https://expresso.pt/economia/transportes/2025-09-13-alfa-pendular-um-morto-apos-atropelamento-na-linha-do-norte-em-santarem-49cec27b


 

11/09/2025

Desastre de Alcafache

Dias depois do acidente que ocorreu em Lisboa e que voltou a trazer à discussão pública a qualidade dos serviços de caminhos de ferro em Portugal, relembro um outro caso: o da colisão entre um comboio internacional e um comboio regional, que ocorreu a 11 de setembro de 1985, na região norte do país, mais propriamente em Moimenta da Beira. Podem encontrar. com um pouco mais de detalhe, a publicação no meu novo blog: https://pesnahistoria.blogs.sapo.pt/o-maior-acidente-ferroviario-do-seculo-1059?tc=209085692981.


O acidente aconteceu perto do apeadeiro de Moimenta-Alcafache, a 11 de setembro de 1985 e foi mesmo considerado como um dos maiores acidentes ferroviários do país. Esta colisão que envolveu "um comboio internacional e um regional," ficou para a história pela sua violência e quanto ao número de mortos, apenas se pode estimar, "já que a larga maioria dos corpos nunca foram identificados."


É possível ainda lamentar que, teria bastado uma chamada para um dos maquinistas e tudo se poderia ter evitado. Os factos são os seguintes: 


"Às 15h57, parte de Campanhã, no Porto, um comboio Sud-Express com destino a Paris-Austerlitz" e que seguirá caminho passando por Vilar Formoso. "Levava à volta de 400 passageiros, a maior parte emigrantes que tinham vindo passar férias a Portugal. Sai com um atraso de 17 minutos."


Precisamente "às 16h55, parte da estação da Guarda um comboio regional com destino a Coimbra, cumprindo o horário." Uma vez que o "Sud-Express" irá atravessar "a faixa centro-interior portuguesa, ambos os comboios terão de, a certa altura da sua viagem, passar no mesmo troço da Linha da Beira Alta, eixo ferroviário central na região, mas que na maior parte do percurso tem apenas uma única via."


"Com o "ganho de tempo" entretanto conseguido, havia que "alterar o cruzamento do comboio Internacional, onde estariam cerca de 350 passageiros, com o Regional 1439, que circulava no sentido oposto, da Guarda para Coimbra. Como a linha era, e ainda é, de via única, esse cruzamento apenas podia acontecer numa estação, e isso devia agora ocorrer em Nelas — em vez do local habitual, Mangualde."


"O Sud-Express chega a Nelas às 18h19. Entretanto, o comboio regional alcança quatro minutos depois a estação de Mangualde, a poucos quilómetros. Aqui, tendo em conta o atraso do comboio internacional, esta locomotiva devia ter aguardado. Mas não o fez." 


E é aqui que uma decisão provoca um acidente que poderia ter sido evitado. Na época dependiam do "posto de comando em Coimbra" para comunicar "às estações a mudança no cruzamento dos comboios, e aos chefes de estação comunicar entre si antes de mandar avançar comboios, para se assegurarem de que o caminho estava livre."


Mas isso não aconteceu e o "comando em Coimbra, que supervisionava a linha com base nas informações dos chefes de estação, não comunicou a Nelas a necessidade de o Internacional esperar lá pelo Regional. Com essa informação em falta, os chefes de Nelas e Mangualde não sabiam que estavam a enviar dois comboios para uma colisão fatal." O então "responsável da estação de Nelas" ainda chegou a ligar "para a passagem de nível, pedindo que se fizesse sinal para o comboio parar, com petardos na via ou o agitar de uma bandeira," porém, infelizmente, o pedido chegou tarde e "o comboio já tinha passado. O acidente era agora inevitável " e foi confirmado pela visualização de "uma nuvem de fumo a elevar-se no meio do pinhal."


É indiscritível e assustadora a imagem da "certeza assustadora de choque frontal." Esta impossibilidade de "comunicar, na altura, com dois comboios em andamento, os passageiros e funcionários circulando em ambas as viaturas rumam a um desastre inevitável," que ocorreria "às 18h37, quando o internacional 315 e o regional 1324 chocaram com estrondo e violência, descarrilando ao longo de dezenas de metros num espaço florestal." Embora tivessem sido os homens que se encontravam na passagem de nível e de uma ambulância que passava na estrada no momento a dar o alerta, acabaram por ser os populares os primeiros a tentar ajudar, resgatando mortos e feridos por entre os ferros retorcidos, que a deflagração de violentos incêndios, que "o derrame de gasóleo das locomotivas gerou" nas carruagens e "no pinhal em redor," tornou impossível.


Os bombeiros que, algum tempo depois, ali chegaram e que "participaram na operação de salvamento descreveriam um cenário de absoluto horror. Desde terem de descolar literalmente o que restava de corpos de pessoas, inclusive pais abraçados aos filhos num acto derradeiro e desesperado de proteção." Muitas das vítimas morreram carbonizadas. "A demora no auxílio deveu-se ao facto de o local onde ocorreu o acidente ser remoto, mas também à falta de organização dos meios, num país pouco habituado à gestão deste género de tragédias."


O presidente da República da altura, Ramalho Eanes, visitou o local e falou com sobreviventes. Foi no seu "helicóptero que acabaria por ser transportado para o hospital" de São José, em Lisboa, um dos feridos graves, depois realizada "uma análise do próprio médico presidencial." Também a "Força Aérea Portuguesa e o Exército colaboraram activamente nas operações, nomeadamente no resgate dos feridos e no transporte dos mesmos por via aérea."


No local da catástrofe, "Eanes, ciente da importância do sucedido e também dos fantasmas de um país que dez anos antes vivera sob um ditadura que controlava as notícias, declarou que o país tinha o direito de saber o que se passara ali, e na hora." As imagens, recolhidas por um operador de vídeo que foi ao local do acidente, naquele dia, que havia registado tudo o que lhe tinha sido possíveis, foram depois enviadas para "os estúdios da RTP no Porto" para serem transmitidas e, assim, se mostrar aos portugueses o resultado daquele desastre. "Na sequência desta transmissão televisiva, centenas de cidadãos dirigiram-se aos hospitais para dar sangue."


Ainda hoje não se sabe exatamente o número de vítimas, estando atualmente assumidas como mortas, as vítimas contabilizadas à época como desaparecidas. As contagens, foram sendo feitas ao longo dos anos, mas nunca se soube um número exato. "Algumas estimativas colocam o número de vítimas de Alcafache na ordem dos 150."


No local do acidente foi aberta "uma vala comum. Aqui se reuniram todos os pedaços soltos de corpos e cinzas calcinadas possíveis e, depois de uma pequena cerimónia, fechou-se então esta sepultura improvisada."


"O primeiro-ministro, Mário Soares, chegou uma hora depois, anunciando ao país três dias de luto nacional e um inquérito para apuramento dos factos." Este inquérito, "rapidamente concluiu que este acidente foi causado por erro humano." Depois de quatro anos de julgamento, o juís absolveu os arguidos pois era a palavra de um contra a do outro e não existiam registos.


No mesmo ano, tinham já sido registados oito "desastres ferroviários," embora de menor dimensão. "Antes de 1985, os fatídicos desastres na Linha Porto-Póvoa em 1963, com entre 91 e 102 mortos, e em Santa Clara, Odemira, dez anos antes, registando 54 vítimas, habituaram o país a esta realidade. Aliás, um ano antes do desastre de Alcafache-Moimenta, a colisão entre uma camioneta e uma automotora em Recarei causa 17 mortos.


Naquele dia, não houve forma de evitar esta catástrofe e, hoje, haveria? Sim ainda existem linhas que em algumas regiões se tornam em pontos de circulação únicos e este "erro" que esteve na origem deste cenário “aterrador”, poderia voltar a repeir-se uma vez que "Portugal ainda tem linhas dependentes de chamadas entre estações para controlar os comboios." No entanto, depois deste desastre "foi instalada uma rede de sistemas mais avançados de comunicação e sinalização do tráfego, o que teria impedido este desastre, e ocontrolo de velocidade, que tornou estes desastres muito mais difíceis de acontecer." Ocorreu ainda a "introdução desistemas de rádio solo, que permitem que os maquinistas comuniquem entre si e com as centrais de controlo."


Apesar disso, não nos podemos esquecer que "quarenta anos depois, a presença do cantonamento telefónico em quatro linhas significa que há 412,5 quilómetros da ferrovia portuguesa onde um erro humano pode ter consequências mais graves." Este sistema, que data do século XIX, consiste num "sistema de operação de uma linha ferroviária onde os agentes numa estação pedem autorização à estação seguinte para que o trem ou comboio possa avançar." Inicialmente, chegou a ser feita por telégrafo. Atualmente, tal como era na época do acidente de Alcafache, "para controlar a circulação ferroviária, as linhas são divididas por cantões, que não podem ser ocupados por mais do que um comboio ao mesmo tempo. Esses cantões tanto podem corresponder a toda a linha entre duas estações — o que acontece no sistema telefónico e no de interpostos — como espaços mais reduzidos, de poucas centenas de metros, num equilíbrio entre a capacidade necessária na linha e a velocidade permitida aos comboios."


Fontes:


https://www.nationalgeographic.pt/historia/11-setembro-1985-quando-a-linha-da-beira-alta-foi-palco-de-uma-tragedia-nacional_4197


https://www.rtp.pt/noticias/pais/alcafache-40-anos-jose-augusto-sa-nunca-encontrou-nem-o-pai-nem-a-irma_a1682895


https://pt.wikipedia.org/wiki/Cantonamento_telef%C3%B3nico


https://pesnahistoria.blogs.sapo.pt/o-maior-acidente-ferroviario-do-seculo-1059?tc=209085692981

06/09/2025

História do elevador da Glória

Muito se tem falado agora do acidente que envolve o ascensor da Glória e, é importante também referir que. além das vítimas que este desastre causou, poder-se-á ter perdido para sempre um ícone da nossa história. O elevador da Glória é um dos muitos monumentos nacionais, visitado por milhares de turistas todos os anos. Podemos até dizer que é um dos muitos postais de visita da cidade de Lisboa e do país (tal como outros ascensores, pontes e diversos monumentos que atraem os visitantes ao nosso país).


O Elevador da Glória pode mesmo ser considerado como um exemplo do desenvolvimento da "engenharia do século XIX", que viria ao longo do século XX" a sofrer diversas alterações para o adaptarem "ao crescimento constante da cidade e ao seu uso." Atualmente, podemos dizer que a engenharia foi evoluindo de forma a adaptá-lo às exigências do "século XXI, combinando tradição histórica com sistemas de segurança modernos."


 

03/09/2025

Descarrilamento do Ascensor da Glória

O elevador da Glória descarrilou esta tarde, embatendo num prédio na rua da Glória. Infelizmente, o número de vítimas mortais é bastante elevado e irá ser decretado um dia de luto nacional. Fala-se em cerca de quinze mortos, a confirmar, pois ainda decorrem as operações de socorro às vítimas e de resgate dos corpos. O número de feridos é também elevado (18 feridos), cinco dos quais estão em estado grave. As noticias foram chegando praticamente em direto, através dos órgãos de comunicação social que se deslocaram ao local.


O acidente aconteceu pouco depois das 18 horas. O veículo que estava em baixo, na mesma rua, descaiu cerca de um metro e meio chamando a atenção a quem passava na rua e que tentou desde logo ajudar com os feridos leves que se encontravam na primeira composição. Rapidamente, apercebendo-se da composição que vinha desgovernada pela rua abaixo, as pessoas fugiram.


O veículo que descarrilou, descendo pela Rua da Glória e embatendo num prédio, ficou praticamente desfeito, numa enorme amálgama de ferro. Ambos os veículos teriam muita gente, antevendo-se que além dos ocupantes dos veículos, tenham também sido atingidos alguns peões que pudessem circular na rua, àquela hora.


Além das muitas ambulâncias do INEM e dos Bombeiros (Sapadores e Voluntários), foi ainda ativada a Viatura de Intervenção em Catástrofe do INEM, duas VMER's e um Posto de Comando Avançado. A causa do acidente ainda não foi apurada, mas a situação poderá ter tido como causa a quebra de um cabo de tração, que liga o elevador ascendente ao descendente (por "um cabo subterrâneo"), tendo o descendente ficado completamente destruído. De estranhar que os próprios travões (freios) não terem funcionado.


O elevador da Glória, foi inaugurado a 24 de outubro de 1885 e liga a "Praça dos Restauradores ao Bairro Alto." Este elevador constitui "uma das principais atrações turísticas de Lisboa e transporta anualmente mais de três milhões de passageiros." O primeiro elevador do género foi o ascensor do Lavra, inaugurado um ano antes "graças à iniciativa da Nova Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa." O ascensor tinha inicialmente funcionado a água, depois a carvão e, atualmente, funciona através de um sistema elétrico.


Não há memória de um acidente deste tipo, apesar de em 2018 (a 7 de maio) ter-se registado um descarrilamento, mas do qual não resultaram vítimas. Nessa data, o "serviço do elevador foi interrompido durante cerca de um mês," e a inspeção feita às infraestruturas levou que fossem postas "a nu graves falhas na manutenção dos rodados dos veículos, o que levou a que os rodados saltassem para fora dos carris." Existem ainda em Lisboa, o "Elevador de Santa Justa" de 1885, que "liga a Rua do Ouro, na Baixa Lisboeta, ao Largo do Carmo," e o elevador da Bica que faz a ligação entre o Largo do Calhariz e a Rua de São Paulo, de 1982.


Fontes:


"Jornal do dia," e "Grande Edição", da SIC Notícias;


https://www.dn.pt/sociedade/elevador-da-gl%C3%B3ria-descarrilou-perto-da-avenida-da-liberdade;


https://sicnoticias.pt/pais/2025-09-03-descarrilou-o-elevador-da-gloria-em-lisboa-0761e662


https://www.publico.pt/2025/09/03/local/noticia/descarrilou-ascensor-gloria-lisboa-2145917#113915

12/06/2025

Queda de avião na Índia

Poucos segundos depois de descolar do "Aeroporto Internacional Sardar Vallabhbhai Patel," em "Ahmedabad", na Índia, um "Boeing 787-8 Dreamliner colidiu com um prédio usado como alojamento para médicos do Hospital Civil e da Faculdade de Medicina Byramjee Jeejeebhoy." A aeronave não terá atingido a velocidade necessária para a subida, acabou por parar e perder altitude, despenhando-se numa área residencial. A bordo seguiam 230 passageiros, dos quais sete deles tinham nacionalidade portuguesa. Havia ainda 169 indianos, 53 britânicos, um canadiano, além de 12 tripulantes. Apenas um homem sobreviveu, tendo saído do local do acidente a andar pelo seu pé. Dos sete passageiros com dupla-nacionalidade e que detinham passaporte português, “cinco estão registados no consulado de Londres e dois em Manchester," não tendo que se saiba, família a residir em Portugal.


"De acordo com a torre de controlo de tráfego aéreo do aeroporto, o avião chegou a emitir um mayday, sinalizando uma situação de emergência, mas não deu nenhum sinal depois disso. Os dados de voo terminam com o avião a uma altitude de 190 metros." A bola de fogo que se seguiu ao embate, terá tido origem nos depósitos de combustível do avião, que tinha Londres, em Inglaterra, como destino. 


De acordo com as equipas de resgate, foram evacuadas do local "41 pessoas" com "ferimentos graves, mas informações avançadas pelo comissário da polícia apontam para a morte das 242 pessoas a bordo do avião e de outras que estavam no local de embate. Pelo menos 204 corpos foram retirados das zonas junto ao desastre e ainda há pessoas ainda sob os escombros de alguns edifícios."


Ficamos agora a aguardar que as investigações (em que a FAA estará envolvida) tragam algumas respostas. Ficam as histórias de uma mulher que perdeu o voo e a de um rapaz que terá saltado de um 2º andar para fugir do local da colisão, escapando assim à morte, apesar de alguns ferimentos. Este é um dos piores desastres aéreos registado nos últimos anos.


No Japão, em janeiro do ano passado, uma colisão entre um "avião da Guarda Costeira" e um "Airbus A350," resultou na mortes dos "cinco passageiros do avião da guarda costeira."  Já o "avião civil operado pela Japan Airlines aterrou em Haneda em chamas" e os "367 passageiros e 12 tripulantes que se encontravam a bordo," acabaram por se salvar, tendo sido "retirados em segurança."


"Em julho, um Bombardier CRJ200 da Saurya Airlines, do Nepal, despenhou-se logo após a descolagem em Catmandu," levando à morte de "dezoito pessoas." Apenas o piloto sobreviveu ao desastre.


Em agosto, assistimos pelas redes sociais, à queda de "um ATR-72 da companhia aérea brasileira Voepass oriundo da cidade de Cascavel, no estado do Paraná." A aeronave "perdeu sustentação e caiu em espiral em Vinhedo, no interior de São Paulo. Todos os ocupantes, 58 passageiros - incluindo uma portuguesa - e quatro tripulantes, morreram."


Fontes:


https://www.bbc.com/portuguese/articles/ceqg3pg0ly0o


https://www.publico.pt/2025/06/12/mundo/noticia/sabemos-desastre-aereo-india-2136418


https://www.dn.pt/internacional/avi%C3%A3o-com-destino-a-birmingham-despenha-se-no-aeroporto-de-ahmedabad-na-%C3%ADndia


https://www.jn.pt/3273869093/acidentes-aereos-os-ultimos-desastres-que-causaram-centenas-de-vitimas/


 

02/06/2025

Os perigos da água... os rios, as praias, as barragens e as piscinas

As notícias ultimamente não têm sido boas... 


No sábado, a descoberta do corpo de um menino de 4 anos, afogado numa piscina que está em obras, após ter (ao que parece) fugido do campo de visão do pai, deixou-me de coração partido. Resta saber quais as circunstâncias em que a criança terá desaparecido e quem lhe facilitou a entrada num espaço que deveria estar vedado. Espero que a culpa não venha a morrer solteira. 


Nos últimos anos, tenho referido aqui no blogue vários casos de afogamento, mas tenho a sensação que este ano ainda está a ser pior. Foi ontem, 1 de junho, encontrado um corpo "na praia da Falca" que poderá ser de uma das crianças que no passado dia 25 de maio, desapareceram no mar na zona de Pedrógão. Este corpo foi encontrado na região que faz "fronteira entre os concelhos de Alcobaça e Nazaré."  Há também a notícia do aparecimento de um outro corpo na "praia de São Pedro de Moel, na Marinha Grande." Nas duas situações, poderemos estar perante os corpos de Celso e Sérgio, dois irmãos angolanos, de 11 e 16 anos, mas só as respetivas autópsias o confirmarão.

Hoje foi ainda encontrado o corpo de um dos dois homens, que desde ontem, se encontravam desaparecidos no "Açude do Vale das Bicas, também conhecido como barragem da Moinhola, na freguesia de Landeira, em Vendas Novas," Évora. O outro encontra-se ainda desaparecido.


Fontes:


https://www.publico.pt/2025/06/01/sociedade/noticia/corpo-encontrado-praia-falca-sera-crianca-desaparecida-mar-pedrogao-2135180


https://www.jn.pt/2926042246/encontrado-corpo-em-praia-da-marinha-grande-pode-ser-um-dos-irmaos-desaparecidos/


https://www.jn.pt/2974302287/encontrado-corpo-que-pode-ser-de-uma-das-criancas-afogadas-em-leiria/


https://sicnoticias.pt/programas/jornais-10---15---20/primeiro-jornal-20/2025-05-26-video-20-minutos-irmaos-menores-de-idade-desaparecidos-no-mar-da-praia-de-pedrogao-3f18a5ca


https://observador.pt/2025/06/01/homem-morre-afogado-e-outro-esta-desaparecido-em-barragem-de-vendas-novas/

29/04/2025

O apagão de que "todos" falam

Ontem, a grande maioria dos portugueses foi surpreendida por uma falha de energia elétrica. O que nos primeiros minutos se pensou ser algo mais localizado, era de facto uma falha que atingia também Espanha e uma zona de França. Não atingiu toda a Europa como ainda se chegou a ouvir. Aliás, durante o dia de ontem (e hoje ainda mais, pois hoje é que as pessoas foram regressando às redes) tem sido divulgada muita informação duvidosa. E se numas vezes, pode ser mesmo por desconhecimento e por tentativa de encontrar uma causa para esta situação, noutras terá mesmo sido divulgada informação falsa com a intenção de lançar o caos e de prejudicar os envolvidos. Nem uma nem outra coisa deveriam ter sido feitas e era bom que se encontrassem os responsáveis por começarem a lançar teorias da conspiração através (não apenas, mas principalmente) na Internet.

No meio disto tudo, e apesar de em algumas regiões do país a eletricidade ter regressado ao final da tarde, muitas pessoas acabaram por estar sem luz, sem comunicações e sem água até perto das 23h00 (sendo que nalgumas regiões a situação só se restabeleceu pela manhã de hoje).

A falha de eletricidade num país vai afetar, não apenas o consumidor final desse tipo de energia, como também outros sistemas que dependem de eletricidade para funcionar, como é caso do fornecimento de água, cujas bombas são elétricas, e o caso das torres de telemóveis, que ao longo do dia foram ficando sem sinal.

O que nunca nos abandonou foi a rádio. Neste dia, muitas das rádios estiveram em transmissão ininterrupta, trabalhando para encontrar e transmitir à população o máximo de informação possível. Mesmo com as dificuldades de filtragem de toda a informação, a rádio acabou por prestar um excelente serviço à comunidade - tenham sido as rádios nacionais, tenham sido as rádios locais. 

Não vou divagar muito sobre este tema, uma vez que acho que, apesar de ser muito importante, está a ser, erradamente, aproveitado para se fazer campanha política. Acho, no entanto, que devo dar os parabéns àqueles profissionais que, mais uma vez, continuaram a trabalhar para que a situação regressasse à normalidade o mais rapidamente possível. E um destaque para os funcionários dos supermercados: parabéns pela vossa paciência, para aturar coisas que não lembra a ninguém.

A nossa sociedade continua a não estar preparada para eventos destes. A marioria das pessoas não sabia o que fazer, não estava organizada com a família para que fossem tomadas decisões assertivas. Dou um exemplo que aconteceu com algumas famílias. Por não conseguirem encontrar transporte, muitas pessoas entraram em pânico por não conseguirem contatar com ninguém para o filho ou a filha serem recolhidos da escola, ou da creche. Foram vários casos destes que aconteceram e, claro, é natural que se fique ansioso, mas tem de haver um plano familiar pré-definido que, nestes casos, possa ser executado. As creches, Jardins de Infância e escolas de 1º ciclo e 2º ciclo, não poem crianças sozinhas no meio da rua e mesmo nas escolas em que os alunos são mais velhos, a ordem foi para só se deixar sair aqueles alunos que, já nos outros dias, saem sozinhos. 

O que eu senti, e que entendo perfeitamente, foi a necessidade das pessoas resolverem a sua própria situação no imediato, numa impaciência motivada talvez pela falta de comunicação das entidades competentes. Mas temos de nos lembrar que, no decorrer destas horas, muitas das pessoas ligadas às entidades competentes estavam a gerir situações. E essa gestão, feita de acordo com procedimentos organizados, tem ordens de prioridades e obedece a tempos que muitas vezes não são os mesmos que a cada um de nós poderia interessar.

De acordo com informação do "operador de rede de distribuição de eletricidade E-Redes", a meia noite estariam já "ligadas parcialmente 424 subestações," o que dava para fornecer energia a cerca de 6,2 milhões de clientes" dos 6.5 milhões de consumidores.

Não acho, porém, que tenha sido um bom dia. Houve situações graves que podiam ter corrido muito mal e se, ainda, não temos registos de mortos, foi porque no meio do possível caos que se começou a fazer sentir, houve algumas pessoas que usaram uma capacidade que se chama resiliência, enquanto outras usavam o "chico-espertismo." Por favor, isto não foi nada bom, podia ter sido bem pior. Agora que já passou, podemos refletir - a nível pessoal e familiar, o que correu bem ou mal, o que podia ter sido feito de outra forma e, claro, a nível comunitário, encontrando não tanto soluções, mas caminhos. 

Este apagão acabou por levar ao encerramentos dos aeroportos, ao "congestionamento nos transportes e no trânsito nas grandes cidades," ao encerramento de lojas e serviços e à "falta de combustíveis," e de ter sido até considerado como um dos mais graves a acontecer na Europa nos últimos anos. Para muitos, foi um incómodo, um dia diferente que nos surpreendeu e transtornou, mas para algumas pessoas, foi mesmo uma situação de uma gravidade extrema, principalmente naqueles casos em que a presença de uma tomada elétrica pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

Foi o caso de doentes que necessitam de dispositivos como ventiladores, bipap, cipap ou outros (apesar de haver baterias, por vezes, as pessoas esquecem-se de as carregar e de ter baterias extra caso aquelas se tenham de gastar até ao fim ou avariem), ou podem sofrer um agravamento da sua situação devido ao stress causado pela falha elétrica em si. Outros casos bastante graves - as pessoas que ficaram retidas em comboios, elétricos e elevadores (felizmente a falha começou às 11h30 porque se fosse na hora de ponta em que os transportes vão completamente apinhados, acredito que aí sim a situação teria sido bem pior), as que estavam em veículos suspensos (teleféricos) ou em gruas e estruturas elevatórias. Muitos destes sistemas funcionam a eletricidade e, apesar de terem sistemas de descida redundantes (por exemplo, manuais) ou hidráulicos.

Esperemos que uma situação destas não se volte a repetir, mas que esta tenha servido de aprendizagem para muitas pessoas. Principalmente no que se refere à prevenção.

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/apagao-corte-de-energia-eletrica-atinge-portugal-e-outros-paises-europeus_e1650845

 

01/04/2025

Incêndio em gasoduto na Malásia


Uma fuga num gasoduto provocou "um incêndio de grandes dimensões num posto de abastecimento de combustível, perto da capital da Malásia, Kuala Lumpur." O incêndio visível a quilómetros de distância levou à evacuação de várias pessoas. Houve ainda a lamentar várias pessoas com queimaduras quando as suas casas foram atingidas pelas chamas.





"Sete moradores, incluindo dois idosos, tiveram de ser resgatados. Várias casas arderam e muitas outras habitações tiveram que ser evacuadas."


Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/fuga-de-gasoduto-causa-incendio-na-malasia_v1644923



31/03/2025

Explosão numa mina em Espanha


A explosão de uma máquina que estava a ser utilizada na extração de "minério para o fabrico de grafite," provocou cinco mortos quatro feridos. O acidente aconteceu na mina de carvão, de Cerredo, nas Astúrias, norte de Espanha. A explosão desta máquina, provocou várias "queimaduras e traumatismos nas pessoas que se encontravam nas proximidades."



16/03/2025

Incêndio mata em discoteca

Neste caso, com a vida dos outros. Se não houve, alguém, uma cabeça com um mínimo de inteligência que olhasse para o arraial ali montado e visse que algo não estava bem?

Hoje, acordei um pouco agressiva, talvez, mas seja aqui ou na Macedónia do Norte, há coisas que eu só posso chamar de homicídio (intencional ou por negligência, se irá saber) e, se acaso não foi intenção, então só o posso colocar na categoria da ignorância. Para mim, só é negligente quem não sabe o que está a fazer ou as suas consequências. Usar fogo dentro de um espaço fechado, onde existem diversos materiais inflamáveis, iria correr bem, só no pensamento de alguns.

O número provisório do incêndio que terá "sido causado pela utilização de dispositivos pirotécnicos no interior da discoteca, "é de 51 mortos e mais de 100 feridos. Nas imagens, é perceptível o uso de fogo de artifício dentro do estabelecimento noturno. Parece fazer parte da atuação, mas as faíscas, porventura maiores que o desejado, atingem o teto que muito rapidamente se incendeia. Culpam os jovens que assistiam à atuação da banda, mas não é ignífugo aquele material, e não foi fogo de artifício lançado para o telhado que incendiou o espaço. Há muito ainda a explicar.

Com também houve (ou ainda há) a explicar em ouros casos de que logo me lembrei ao ver esta notícia. De origens diferentes, o fogo e o pânico mataram quem se divertia naqueles fatídicos locais. Que sirvam de alerta para uma atitude mais preventiva e de maior fiscalização dos espaços, o da discoteca Luanda, em Alcântara (em 2000), o de Amarante (em 1997) e o de uma discoteca que ardeu no Brasil (em 2013).

Num espaço que poderia ter 360 pessoas, estavam cerca de mil. Tantas quantas as que sentindo os efeitos do gás pimenta, tentaram sair para a rua. Em vez de saídas de emergência, encontraram portas fechadas a cadeado e grades. Na discoteca, de nome "Luanda", com clientes na sua maioria africanos, morreram 7 pessoas.

Em 1997, a discoteca "Mea Culpa" é incendiada em Amarante. "Três homens armados," atearam fogo ao estabelecimento, depois de o regarem com gasolina e trancar lá dentro clientes e empregados. Morreram 13 pessoas. José Queirós, autor moral, é considerado culpado e condenado à pena de 25 anos de prisão, mas sempre recusou a culpa pelo desfecho trágico.

A 27 de janeiro de 2013, uma tragédia semelhante "foi provocada por um engenho pirotécnico usado por uma banda, os Gurizada," que atuavam numa discoteca , no Brasil. Os primeiros a tentar sair, viram a sua intenção rogada pelos seguranças e pelas portas fechadas. Muitos, em pânico tentaram esconder-se nas casas de banho, onde morreram asfixiados. Outros foram esmagados no meio do desespero. "Quando os bombeiros chegaram, tiveram de abrir um buraco na parede para tentar retirar mais jovens da discoteca." Além dos muitos feridos, alguns dos quais em estado grave, registaram-se 231 mortos.

Fontes:

https://www.jn.pt/7584010460/incendio-em-discoteca-faz-51-mortos-na-macedonia-do-norte/

https://www.publico.pt/2013/01/27/mundo/noticia/portas-da-discoteca-onde-morreram-232-pessoas-fechadas-tempo-de-mais-1582298

https://www.publico.pt/2000/04/18/jornal/tragedia-ainda-sem-explicacao-142792

https://observador.pt/2017/04/14/autor-moral-do-massacre-na-boite-meia-culpa-em-amarante-continua-preso-apos-20-anos/


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...