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31/07/2026

A invasão de Ceuta que não é uma invasão da Europa

Hoje as notícias mostravam-nos uma praia aonde chegavam milhares de pessoas. Vinham a nado desde Marrocos e entravam em território espanhol. Na sua maioria homens, jovens, embora existissem também mulheres e crianças. Tinham-se lançado ao mar em Marrocos e seguiram a nado até Ceuta. Não atravessaram o Estreito de Gibraltar como algumas notícias fizeram entender. Durante esta travessia, pelo "menos 19 pessoas" perderam a vida (um número que viria depois rapidamente a aumentar). Na praia acumulavam-se boias e garrafas vazias usadas para os ajudar durante a travessia. Em diversas imagens que circulam pelas redes sociais podemos ver "a multidão a correr e a contornar o paredão da fronteira." 

Na Europa começou a falar-se de uma invasão e circulavam rumores de encerramento de fronteiras. Itália declarou a suspensão temporária do acordo de Schengen com a Espanha, com o encerramento de fronteiras aéreas e marítimas (de ressalvar que Ceuta não faz parte do espaço Shengen). O comércio foi fechado, a cidade começou a entrar em "colapso" e as pessoas começaram a acumular-se nas ruas, sem ter para onde ir. 

O que chama desde logo a atenção é que há poucas malas ou mochilas, o que levanta a questão se esta não é mais uma crise geopolítica do que uma crise migratória. O gatilho aqui pode ter sido a visita do "presidente do governo espanhol" à Argélia, "com quem Marrocos também tem relações tensas." Este fenómeno tinha já acontecido em 2021, quando o exclave foi "alvo de outra vaga de migração ilegal, então com menos de 10 mil pessoas, também com a conivência de Marrocos." Este acontecimento em si, não nos pode levar a fechar os olhos para o grave problema das migrações que acontecem pelo Mediterrâneo e que matam todos os anos centenas de pessoas. É que ninguém abandona as suas coisas e vai para outro país de ânimo leve, ainda mais sabendo que depois de todos os riscos que corre, ainda tem a hipótese de ser deportado.

Fala-se também na comunicação social de uma lei que pode ter desencadeado também esta "invasão", não a instigando acabou por facilitá-la. Escutei vários programas em que comentadores dão maior ou menor importância a este facto, sem no entanto, ninguém conseguir provar que foi realmente isso que aconteceu. O que sabemos é que houve gente a morrer tentando chegar a Ceuta, pois via ali uma porta que se abria e onde poderiam ter uma nova oportunidade. "Em causa está uma interpretação emitida a 8 de julho pelo Supremo Tribunal espanhol" que proíbe as "devoluções em quente", ou seja, proíbe que se procedam a "expulsões imediatas na fronteira sem processo," englobando os casos em que os migrantes não encontrem "barreiras de contenção física". Ou seja, "na prática, quem contorna as barreiras a nado ou entra por zonas desprovidas de vedações terrestres deixa de poder ser devolvido na hora pelas autoridades, passando a ter direito a um procedimento ordinário de acolhimento, escuta e formalização de pedidos de asilo."

Muitas destas pessoas foram enganadas, ludibriadas com uma promessa. Como disse Mohamed ao "El País" e citado pela CNN: “Disseram-nos que tínhamos um lugar para ficar e um visto para Algeciras, mas era tudo mentira”. Depois também vimos na televisão aqueles que ali foram apenas para destruir, para fazer confusão. Esses não são os verdadeiros migrantes, misturam-se com eles, aumentam as dimensões dos grupos e causam medo por onde passam.

Ceuta é um território espanhol (cidade autónoma desde 1995), que se localiza na Península de Almina, no norte de África fazendo fronteira com Marrocos e é banhado pelo Mar Mediterrâneo. "A população é composta sobretudo de cristãos e muçulmanos, havendo também uma comunidade judaica e uma pequena comunidade hindu."

Na história Ceuta foi propriedade de Fenícios, de Cartagineses, foi dos Bizantinos e depois caiu nas mãos dos Visigodos. Mais tarde, pertenceu ao Califado de Córdoba e depois à Taifa de Málaga. Na verade, o território foi passando de mão em mão. Anos depois, ficaria sob o jugo de Castela, que a acabaria por perder.

E foi já no início da Expansão Marítima Portuguesa que Ceuta foi conquistada por Portugal, que via ali um importante ponto comercial. "No mundo cristão, a cidade foi reconhecida como possessão portuguesa nos tratados de Alcáçovas (1479) e de Tordesilhas (1494)." Voltaria a ser território espanhol quando em 1640, após o período Filipino, a cidade não aclama o rei D. João IV preferindo ficar sob domínio de Castela. Ceuta é um dos poucos vestígios da colonização europeia em território africano, mas já não é uma colónia e isso deve ficar assente.

Por tudo isto, se pode entender o medo constante de que se volte a repetir uma invasão e que a cidade volte a entrar em guerra. O que não se entende é que exista um aproveitamento político para se instaurar o medo na Europa.

Fontes:




16/12/2025

Apesar dos alertas de mau tempo, dois naufrágios

Nos últimos dias, o mar tem estado revolto, os ventos fortes atingem a costa e fustigam as barras. Apesar de não estarmos em alerta, têm sido emitidos avisos à navegação e tem sido pedido que se reforcem os cuidados. Sair para a pesa é, muitas vezes, mais do que uma decisão a tomar, uma (quase) obrigação. Porque os outros vão... porque nunca acontece nada...

Mas acontece e no domingo, uma embarcação acabou mesmo por naufragar "ao largo de Caminha", com cinco ocupantes. Dois foram resgatados e levados ao hospital e estão ainda "três pescadores indonésios desaparecidos no mar." Apesar das buscas intensas e que se estenderam até Espanha, apenas alguns vestígios do naufrágio foram encontrados. O barco terá naufragado junto de uma zona rochosa, perto da ilha de Ínsua.

Hoje, "os distritos de Faro, Setúbal, Lisboa, Leiria, Beja e Coimbra" encontravam-se "sob laranja devido à agitação marítima forte," e assim estarão até amanhã. Os "distritos do Porto, Viana do Castelo, Aveiro e Braga" estão "sob aviso amarelo até às 03:00 de quarta-feira," com as "barras marítimas de Viana do Castelo, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Douro, Figueira da Foz, Nazaré e Cascais, (...) fechadas a toda a navegação."

Hoje, mais um naufrágio, desta vez ao largo de Aveiro. Uma embarcação que se encontrava por perto e que acorreu às buscas, ainda conseguiu "resgatar três dos sete tripulantes da embarcação, mas um deles não resistiu," acabando por ser posteriormente confirmada a sua morte. Ainda faltam encontrar outros quatro pescadores. Refira-se que a "barra marítima de Aveiro está condicionada a embarcações de comprimento inferior a 35 metros." O barco, com o nome “Carlos Cunha”, "está registado em Vila Praia de Âncora." O mestre é português e penso que saberia dos alertas e avisos, "mas a maioria dos membros da tripulação são de nacionalidade indonésia." O barco tem um comprimento entre os "12 e os 14 metros," dedicando-se à "faina especialmente do espadarte” e estando habitualmente fundeado em Vigo. Como é que temos tantos pescadores de nacionalidade indonésia a operar em barcos portugueses? Em que condições e com que formação e meios é que trabalham?

Neta de um homem do mar (filha de pescadores, mas que era em terra que faziam o seu trabalho), sei o que é esperar por notícias. Sobrinha-neta de pescadores, sei o que é chorar quem se perde na rebelia das ondas. E sei que sempre se arriscou muito. Hoje, com muitos mais recursos e muito mais informações, barcos que estão (ou deveriam estar) equipados com radares, sonares e estações meteorológicas, ainda se choram muitos mortos. Às famílias e amigos, que o mar seja rápido a devolver-vos os vossos. E espero que, depois das buscas, se apurem responsabilidades. Há regras, há licenças, há até formação... esperemos que estas duas embarcações tivessem tudo isso em ordem e que não estivessem a operar de forma "menos" legal.


Fontes:

https://observador.pt/2025/12/14/buscas-no-mar-por-pescadores-depois-de-barco-de-pesca-ter-virado-em-moledo/

https://sicnoticias.pt/pais/2025-12-16-naufragio-de-embarcacao-de-pesca-ao-largo-de-aveiro-ha-quatro-tripulantes-desaparecidos-f948ab0c

https://sicnoticias.pt/meteorologia/2025-12-16-agitacao-maritima-forte-deixa-6-distritos-do-continente-em-aviso-laranja-72464540

https://ominho.pt/barco-de-pescadores-que-naufragou-em-aveiro-e-de-vila-praia-de-ancora/

02/10/2025

O fim da viagem de barco... a ajuda humanitária que nunca chegou

O movimento começou a ser mais conhecido aquando da participação dos portugueses Mariana Mortágua (deputada da Assembleia da República), Sofia Aparício (manequim e atriz), Miguel Duarte e Diogo Chaves, que se juntaram a ativistas de outras quarenta nacionalidades numa viagem com destino a Gaza, onde pretendiam entregar ajuda humanitária e contestar o bloqueio israelita sobre o território palestiniano. Este grupo de barcos que viajou em direção a Gaza, não foi o primeiro a tentá-lo, tendo havido já situações que resultaram em mortes de ativistas.

Desde logo, é de realçar as intenções mediáticas que um transporte por terra não causaria - a intenção também era desde logo marcar uma posição! A ativista sueca Greta Thunberg faz também parte desta missão. A ajuda humanitária, essa não seria assim de grande volume - sendo divergentes as opiniões sobre as quantidades transportadas a bordo - mas fosse o que fosse, seria sempre mais o valor mediático da viagem do que o da própria ajuda em si, mostrando que Israel não permite que se entre na região nem para ajudar quem passa fome. A questão aqui é muito mais complexa. Uma das opiniões é a de que Israel não permitindo que civis ali entrem serve primeiramente como proteção aos próprios, uma vez que aquela é uma zona de guerra. Outras opiniões dizem que este encerramento de fronteiras leva ao agravamento da fome, ao isolamento da população palestiniana e ao seu genocídio. A própria declaração de genocídio não foi ainda aceito por todos os estados da mesma forma.  

Composta por mais de 50 embarcações e com cerca de 500 pessoas a bordo, a flotilha partiu de Barcelona, tendo sofrido vários contratempos que obrigaram a paragens forçadas, começando por terem tido todos de regressar à costa espanhola devido a condições meteorológicas adversas. Devido ao mau tempo que se fez sentir no Mediterrâneo, "cinco dos barcos mais pequenos," acabaram mesmo por não seguir viagem, "por causa das condições do mar." Dias depois, algumas das embarcações chegaram mesmo a ser atacadas por drones.

A 28 de setembro saíram de Creta, mesmo sendo avisados da perigosidade de prosseguirem a viagem. A deputada Mariana Mortágua chegou a dizer, na aproximação ao destino que "o sentimento" era o "de missão mais próxima de ser cumprida e de sucesso na parte em que foi possível pressionar os governos para garantir que a missão chegava até aqui." O facto de se aproximarem de Gaza, levantava agora mais riscos, uma vez que começavam a "entrar em águas que Israel declarou exclusivas." Vários navios começavam então a rodear a flotilha. O governo chegou mesmo a aconselhar que regressassem, uma vez que a posição que queriam mostrar estava alcançada. Itália aconselhou o mesmo, acompanhando até àquela posição os barcos, numa forma de os proteger, mas avisando que a partir daquele ponto já estariam por sua conta se decidissem avançar, sugerindo até que poderiam "entregar a ajuda humanitária noutro lugar que não Gaza."

Semelhantes avisos vieram de Espanha.

Apesar dos avisos e de já estarem sob mira de Israel, decidem prosseguir viagem, avisando que só parariam em Gaza e, é na saída da segurança das águas internacionais que "o exército israelita interveio, detendo a maioria dos ativistas, entre eles os quatro portugueses que se sabe que seguiam a bordo."

No momento em que Mariana Mortágua (coordenadora do Bloco de Esquerda) fazia declarações para a RTP, foi-lhe mandado que atirasse o telemóvel à água assim como a todos os que estavam a bordo. Além desta, outras 12 "embarcações da flotilha foram intercetadas pela Marinha do Estado hebraico. Uma delas terá sido mesmo abalroada em águas internacionais, de acordo com a Flotilha Global Sumud." Mortágua havia ainda conseguido gravar um vídeo, que publicou nas redes sociais, em que apelava "para que os portugueses" se mobilizassem e pressionassem "o Governo português a agir."

De acordo com Paulo Rangel (MNE), todos os que foram detidos estão em segurança e irão estar na presença de um representante da embaixada portuguesa em Telaviv. Paulo Rangel referiu também, que já era esperada esta intervenção israelita, uma vez que "a flotilha saiu das águas internacionais," e que tinha existido sempre um acompanhamento da parte do Estado portuguêsm, dando como exemplo Tunes e explicando que, a intervenção militar, seria desproporcional.

No entanto, apesar do apoio que Portugal está a dar através da embaixada, "as diligências poderão atrasar-se por estas detenções terem ocorrido num período de festividades em Israel, durante as quais os serviços estão parados."

Entretanto, em várias cidades europeias, sucedem-se manifestações que pedem a libertação dos ativistas e voltam a exigir o fim do genocídio em Gaza. Qual é a sua opinião? Existe ou não um genocídio? E não existirá também noutros locais dos quais pouco se fala? 

Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-no-medio-oriente/2025-10-01-iniciada-abordagem-israelita-a-flotilha-global-sumud-a0fc6350

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/do-ultimato-a-abordagem-marinha-israelita-intercetou-flotilha-e-deteve-ativistas_v1687764

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/portugueses-na-flotilha-foram-sempre-acompanhados-pelo-mne-afirma-paulo-rangel_e1687697

https://pt.euronews.com/2025/10/02/flotilha-humanitaria-portugal-junta-se-aos-protestos-mundiais-apos-detencao-de-ativista

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-no-medio-oriente/2025-10-01-video-flotilha-com-ajuda-humanitaria-devera-chegar-esta-quinta-feira-a-gaza-2c99194f

https://sicnoticias.pt/especiais/conflito-israel-palestina/2025-09-28-portugueses-na-flotilha-insistem-em-levar-missao-ate-ao-fim-2824d250

02/06/2025

Os perigos da água... os rios, as praias, as barragens e as piscinas

As notícias ultimamente não têm sido boas... 


No sábado, a descoberta do corpo de um menino de 4 anos, afogado numa piscina que está em obras, após ter (ao que parece) fugido do campo de visão do pai, deixou-me de coração partido. Resta saber quais as circunstâncias em que a criança terá desaparecido e quem lhe facilitou a entrada num espaço que deveria estar vedado. Espero que a culpa não venha a morrer solteira. 


Nos últimos anos, tenho referido aqui no blogue vários casos de afogamento, mas tenho a sensação que este ano ainda está a ser pior. Foi ontem, 1 de junho, encontrado um corpo "na praia da Falca" que poderá ser de uma das crianças que no passado dia 25 de maio, desapareceram no mar na zona de Pedrógão. Este corpo foi encontrado na região que faz "fronteira entre os concelhos de Alcobaça e Nazaré."  Há também a notícia do aparecimento de um outro corpo na "praia de São Pedro de Moel, na Marinha Grande." Nas duas situações, poderemos estar perante os corpos de Celso e Sérgio, dois irmãos angolanos, de 11 e 16 anos, mas só as respetivas autópsias o confirmarão.

Hoje foi ainda encontrado o corpo de um dos dois homens, que desde ontem, se encontravam desaparecidos no "Açude do Vale das Bicas, também conhecido como barragem da Moinhola, na freguesia de Landeira, em Vendas Novas," Évora. O outro encontra-se ainda desaparecido.


Fontes:


https://www.publico.pt/2025/06/01/sociedade/noticia/corpo-encontrado-praia-falca-sera-crianca-desaparecida-mar-pedrogao-2135180


https://www.jn.pt/2926042246/encontrado-corpo-em-praia-da-marinha-grande-pode-ser-um-dos-irmaos-desaparecidos/


https://www.jn.pt/2974302287/encontrado-corpo-que-pode-ser-de-uma-das-criancas-afogadas-em-leiria/


https://sicnoticias.pt/programas/jornais-10---15---20/primeiro-jornal-20/2025-05-26-video-20-minutos-irmaos-menores-de-idade-desaparecidos-no-mar-da-praia-de-pedrogao-3f18a5ca


https://observador.pt/2025/06/01/homem-morre-afogado-e-outro-esta-desaparecido-em-barragem-de-vendas-novas/

31/05/2025

O mar é do Pescador

Celebrou-se este sábado, dia 31 de maio, o Dia do Pescador, um dia muito importante para as gentes de Sesimbra.

Instituída em 1997 (1998?), a data pretende mostrar um pouco das artes ligadas à pesca, muitas delas, desconhecidas das gentes mais jovens e que, na minha opinião, não se podem deixar cair no esquecimento. Este ano, as celebrações contam, entre outras manifestações, com a recriação da lota na praia. "Até aos anos 70 do século XX, o peixe era organizado metodicamente no areal," tal como é visível no painel de azulejos que se encontra na Avenida dos Náufragos.


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O mar, celebrado em por tantos poetas, é muitas vezes a última morada dos valorosos homens do mar, que a ele dedicam a vida. No Museu, que fica situado na Fortaleza de Sant'Iago, podemos descobrir registos sobre as embarcações, desde as mais tradicionais até às mais modernas, onde se destacam as "de pesca do Cerco, Longínqua, do Peixe-espada Preto, Polivalente e Costeira, Polivalente Local com Convés e sem Convés" além das embarcações  de "Toneira e Palangre".

A visitar também, o monumento ao Pescador, que se localiza atualmente no Largo de Bombaldes. Este monumento, "datado de 1984, é uma das mais emblemáticas esculturas de homenagem aos homens do mar." Mas este não é o único espaço a merecer uma visita e algumas fotografias!

Na Rotunda de Sampaio, encontramos uma "escultura com três espadartes em pedra, da autoria de Hans Varela e Carlos Bajouca, colocada em 2008, no âmbito do Simpósio da Pedra, que decorreu no Castelo um ano antes, também não passa despercebida a quem circula pela zona."

Espaço Público | Sesimbra é Peixe

O mesmo se passa com a peça escultória "O Homem do Leme", da "autoria de Moisés Preto Paulo, que se encontra na Avenida dos Náufragos, próximo do restaurante Frango à Guia, a caminho do Porto de Abrigo." Na Biblioteca Municipal, podemos também encontrar uma "pintura alusiva à pesca em Sesimbra, de 1960, da autoria de Maria Helena Patrício Leite."

Ainda na vila, mais precisamente no Largo da Marinha, podemos ver "dois painéis de grande formato com imagens antigas que mostram como foi aquele local, ponto de encontro de pescadores," um deles da autoria de "André Semblano, colocado em 2004", retratando a antiga lota "que se realizou até meados de 1970 neste mesmo largo e na praia em frente."

Na Praia do Moinho de Baixo, no Meco, encontramos também "uma escultura criada por Carlos Bajouca, que completou o arranjo da envolvente desta zona balnear." De destacar ainda, por toda a vila, as muitas pinturas realizadas em fachadas e portas de edifícios e nas caixas de iluminação exterior, que representam personalidades da nossa vila.

Fontes:

https://www.sesimbra.pt/agenda-online/evento/dia-do-pescador-21

https://www.facebook.com/CamaraMunicipalSesimbra/posts/sesimbra-homenageou-este-s%C3%A1bado-31-de-maio-dia-do-pescador-a-comunidade-piscat%C3%B3r/1161361079368722/

https://sesimbraepeixe.pt/?p=1415

https://sesimbraepeixe.pt/?p=1206

14/05/2025

Grécia... mais um abalo sísmico

Um sismo com magnitude registada de 6.1 foi esta madrugada sentido na Grécia. O abalo teve "epicentro localizado" no sul do Mar Egeu, a cerca de "15 quilómetros da ilha de Kasos." Este sismo foi também sentido em Israel, Síria e Egito.

"O epicentro do sismo localizou-se a cerca de 100 quilómetros da costa de Creta e da ilha de Santorini." Esta região é frequentemente afetada por fenómenos telúricos, devido às "falhas geológicas" localizadas "no sudeste do Mediterrâneo," tendo sofrido "uma atividade sísmica excecional em janeiro e fevereiro, com milhares de abalos que obrigaram alguns residentes a fugir." Apesar de já se explicarem e de se poderem tomar algumas medidas preventivas, a verdade é que ainda não se conseguem prever atempadamente estes fenómenos e, por isso, quando ocorrem as suas consequências podem ser drásticas. Além das falhas geológicas, os sismos podem estar associados a atividade vulcânica. 

Os sismos com a sua localização no mar, podem provocar tsunamis (ou maremotos). Por isso, também neste caso, a Proteção Civil grega "emitiu um alerta na rede social X para o risco de um possível tsunami na região, aconselhando a população a afastar-se da costa e a seguir as instruções das autoridades locais."


Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/forte-sismo-de-magnitude-61-atinge-kasos-ilha-grega-no-sul-do-mar-egeu_n1654625

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-05-13-sismo-de-61-sentido-na-ilha-de-creta-na-grecia-aa9530a8


 




08/04/2025

Jovem desaparecido na Costa da Caparica

Um jovem de 16 anos encontra-se ainda desaparecido, depois dele e outros dois amigos terem entrado no mar, na praia do Dragão Vermelho, na Costa da Caparica.

O tempo um pouco mais quente e numa semana em que muitas escolas se encontram encerradas para a realização das avaliações intermédias, terá atraído os jovens à praia, mas como tem sido amplamente difundido, acabamos de sair de uma situação de mau tempo e espera-se, a partir do dia de amanhã, as condições atmosféricas venham novamente a piorar. Estas tempestades, trazem normalmente ondulação forte e, as condições atmosféricas e a respetiva acalmia que ainda não se verificou este ano, deixa-nos com uma costa marítima muito perigosa.

"Nas operações de busca," participa para já a Polícia Marítima de Lisboa, tripulantes da Estação Salva-vidas de Cascais e elementos dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas. Desloca-se ainda para "o local o navio NRP Tejo da Marinha Portuguesa e uma aeronave da Força Aérea Portuguesa." Foi também ativado "o Gabinete de Psicologia da Polícia Marítima."

Fontes:

https://sicnoticias.pt/pais/2025-04-08-iniciadas-buscas-por-jovem-desaparecido-em-praia-na-costa-da-caparica-f588e882

https://cnnportugal.iol.pt/costa-da-caparica/afogamento/jovem-desaparece-no-mar-em-praia-da-costa-da-caparica/20250408/67f58dc1d34e3f0bae9caff8

 

14/01/2025

Sismo no Japão

A terra voltou ontem a tremer com violência no Japão.


Um alerta de tsunami foi emitido pouco tempo depois de um "sismo de magnitude 6,8 na escala de Richter," se ter feito sentir na "costa sudoeste do Japão." Algumas medidas de precaução foram tomadas. "Os habitantes de algumas zonas costeiras foram aconselhados a abandonar as casas por precaução, sendo que alguns comboios também deixaram de funcionar."


Felizmente a esperada onda de certa de um metro que era esperada segundo dados da "agência meteorológica do país, apenas atingiu a "costa de Miyazaki e não ultrapassou os 20 centímetros." O Japão, pelo seu historial e, "devido à sua localização no Anel de Fogo, uma região caraterizada pela existência de falhas e vulcões na bacia do Pacífico," é um dos países melhor preparados para a ocorrência de sismos.


Nesta região, registou-se em 2011, um "dos maiores terramotos de sempre." O abalo aconteceu ao "largo da costa leste do Japão," e provocou cerca de 18.000 mortos, "como consequência do terramoto de magnitude 9,0 e do tsunami que se seguiu."


05/12/2024

Sismo perto dos EUA


Esta tarde, os estados norte-americanos da Califórnia e do Oregon, esteve sob alerta de tsunami depois da ocorrência de "um sismo de 7.0". Este forte abalo "ocorreu cerca das 18h44 GMT (10h44 locais) a uma profundidade de 10 Km," a cerca de "nove quilómetros a oeste de Ferndale, uma pequena cidade no condado costeiro de Humboldt."


Poucos instantes antes de se sentir o abalo, "cerca de 19 mil casas ficaram sem eletricidade no condado de Humboldt."


Seguiram-se réplicas mais pequenas, incluindo uma de 4.2 de magnitude "perto de Petrolia." As zonas costeiras chegaram mesmo a ser evacuadas, de forma preventiva.


Os sismos são frequentes nesta área geográfica, sobretudo apo lado da falha de Sº Francisco, onde, em 1906, um forte terramoto a que se seguiu um tsunami, tirou "a vida a cerca de 3 mil pessoas."


Fontes:


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/estados-unidos-emitem-alerta-de-tsunami-apos-sismo-de-70-na-california_n1619685


https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2684200/emitido-alerta-de-tsunami-apos-sismo-de-magnitude-elevada-na-california


https://sicnoticias.pt/mundo/2024-12-05-sismo-de-magnitude-7-atinge-a-california-b4198f60


 


15/09/2024

Mais um naufrágio no Canal da Mancha

Qual será a solução para o problema dos migrantes? A Europa tem de implementar medidas que venham a pôr cobro aos sucessivos naufrágios, devido às tentativas de travessia em embarcações ilegais, sem condições e com excesso de pessoas a bordo. Acima de tudo, são pessoas e, aquilo que me lembro sempre, é que podia ser um de nós a ter de arriscar a vida num daqueles barcos.

Lamenta-se para já a morte de oito pessoas, mas o número pode vir a aumentar pois as buscas junto a "Ambleteuse, na região de Pas-de-Calais", ainda estão a decorrer. O grupo de migrantes tentava "atravessar o Canal da Mancha, ao largo da costa de França" durante esta madrugada. Também nesta mesma zona, "foram resgatados cerca de 200 migrantes num período de 24 horas entre sexta-feira e sábado à noite."

A questão é, uma vez que não o podem fazer de forma legal, vão sempre tentar ilegalmente, pela calada da noite e pagando a grupos de tráfico humano. Enquanto isto não acabar, continuarão a haver mortes. 

"As autoridades britânicas estimam que, este ano, pelo menos, 22 mil imigrantes e requerentes de asilo tenham chegado à costa do Reino Unido, a partir do norte de França, geralmente embarcando em zonas próximas das cidades de Calais e Dunquerque." Mas o problema não é só britânico, nem só francês! E de todos, uma vez que depois de estarem em espaço europeu, estas pessoas têm depois mais facilidade em transitar entre países e é necessário ajudá-los a ter condições mínimas de sobrevivência - muitos viajam em família, com crianças pequenas.

Tem de haver humanidade, tem de haver solidariedade e tem de haver compreensão. E nem sempre estamos preparados para isso.

Fontes:

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2632320/pelo-menos-oito-migrantes-morreram-a-atravessar-o-canal-da-mancha

03/09/2024

Naufrágio no Canal da Mancha

Infelizmente, há a lamentar mais um naufrágio de uma embarcação que transportava cerca de 70 migrantes e que se dirigia, segundo se sabe, para Inglaterra, vindo do norte de França. O naufrágio deu-se na "costa de Boulonnais", nos mares agitados do Canal da Mancha, e dele resultaram, para já 12 mortes e 2 desaparecidos. "Segundo a BBC, foram já resgatadas mais de 53 pessoas, muitas das quais se encontram em estado crítico e necessitam de cuidados médicos imediatos."


Gérald Darmain, ministro do interior francês, afirmou "que todos os serviços foram mobilizados para localizar os desaparecidos e prestar cuidados aos feridos." Segundo Olivier Barbarin, "presidente da câmara de Le Portel," o fundo do barco ter-se-á rasgado o que contribuiu para que o barco naufragasse mais rapidamente.


"A maior parte das vítimas eram mulheres, algumas com menos de 18 anos, e muitos dos passageiros não tinham coletes salva-vidas, disseram as autoridades, que classificaram este acidente como o mais mortífero acidente com migrantes no canal este ano."


De referir também que, a situação face aos migrantes está a ficar cada vez mais complicada em muitos dos países europeus, em especial em França, estando as regras de asilo a ficar "cada vez mais rigorosas da Europa." Existe inevitavelmente uma "crescente xenofobia" e, o "tratamento hostil dos migrantes têm vindo a empurrá-los para norte." Não menos verdade é que antes deste naufrágio ocorrido esta manhã, contavam-se "pelo menos 30 imigrantes tinham morrido ou desaparecido ao tentarem atravessar para o Reino Unido este ano, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações."


Fontes:


https://cnnportugal.iol.pt/naufragio/migrantes/terrivel-naufragio-de-barco-com-migrantes-no-canal-da-mancha-pelo-menos-12-mortos-incluindo-criancas/20240903/66d7198fd34e94b82904c545


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/naufragio-no-canal-da-mancha-faz-varias-vitimas_n1597366


https://pt.euronews.com/my-europe/2024/09/03/naufragio-de-barco-de-migrantes-no-canal-da-mancha-faz-pelo-menos-13-mortos

20/08/2024

Naufrágio em Palermo

Ocorreu ontem um naufrágio ao largo de Palermo. Segundo as autoridades locais, pode ter-se dado o caso do veleiro ter sido atingido por um pequeno tornado (um fenómeno conhecido como tromba de água), que na altura passou por aquela região, e que pode ter sido a causa para o naufrágio desta embarcação "por volta das 5 horas da manhã de segunda-feira." 

Segundo o relato de várias testemunhas, parece "que o mastro do barco, com 75 metros (um dos mais altos do mundo) quebrou durante a tempestade, o que provocou um desequilíbrio na embarcação e consequente naufrágio."

Durante o dia de ontem chegou a ser "recuperado o corpo de um membro da tripulação, o cozinheiro Ricardo Tomas." Foi também "revelada a identidade dos desaparecidos: Jonathan Bloomer, o presidente do Morgan Stanley International, a sua esposa Anne Elizabeth Judith Bloomer, o empresário britânico Mike Lynch e a sua filha Hanna, o advogado de Lynch, Chris Morvillo e a sua esposa Nada."

Na altura do naufrágio, o "veleiro de cerca de 56 metros tinha 22 pessoas a bordo"e encontrava-se "ancorado" a cerca de "500 metros do porto de Porticello quando uma tempestade inesperada a atingiu". Dentro do iate decorria uma festa. "Pensa-se que as pessoas desaparecidas estivessem nas suas cabines", sendo possível que os corpos ainda estejam no interior do veleiro. 

"As autoridades conseguiram resgatar 15 pessoas do mar," estando um bebé de apenas um ano entre os resgatados. A mãe da criança conseguiu explicar que “enquanto dormiam, a certa altura o iate virou devido ao tornado e eles deram por si na água”. A bebé foi entretanto "transportada para o Hospital Infantil de Palermo." Foi também resgatada a mulher do empresário britânico Mike Lynch.

Infelizmente, a esperança para os desaparecidos é quase nula, mas as buscas ainda continuam. Os destroços do veleiro foram já "encontrados a cerca de 50 metros de profundidade," e os mergulhadores continuam a inspecioná-los. As buscas incluem, além dos mergulhadores, "helicópteros, embarcações da guarda costeira, bombeiros e proteção civil."

Fontes:

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/quem-sao-os-seis-desaparecidos-do-naufragio-em-italia

https://expresso.pt/internacional/europa/italia/2024-08-19-um-morto-e-seis-desaparecidos-apos-naufragio-de-um-iate-ao-largo-da-sicilia-a9858acb


 


 

25/07/2024

Dia Mundial da Prevenção do Afogamento

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Prevenção do Afogamento.


Segundo a APSI, "entre 2002 e 2021 ocorreram 286 afogamentos com desfecho fatal em crianças e jovens," o que nos deve levar a pensar bem em tudo aquilo que estamos ainda a fazer de errado na prevenção. 


É preciso muito pouco para uma criança se afogar. Menos de 30 centímetros de água são suficientes. A vigilância é fundamental e salva vidas! "Segundo a Organização Mundial da Saúde, o afogamento é um processo fisiológico de aspiração de líquido não corporal por submersão ou imersão, que pode conduzir a falta de oxigénio nos tecidos (hipoxia) e a paragem cardíaca. Ao contrário do que muitas vezes se pensa, o afogamento é um processo e os sintomas associados podem ocorrer várias horas após a criança ser retirada da água, nem sempre com um desfecho fatal."


Apesar de até se ter registado uma "redução significativa" no número de acidentes e de mortes por afogamento "ao longos dos anos, é de notar que em 2020 e 2021 o
nº de mortes por afogamento em crianças foi excecionalmente alto (14 e 12
respetivamente) quando comparado com o triénio anterior." 


"Em 2022, a APSI registou 13 casos de afogamento noticiados na imprensa, tendo 6
sido fatais. Em 2021 tinha registado 28, dos quais 9 fatais." Se estendermos os dados desse ano a toda a população, é ainda mais assustador, com 157 pessoas mortas por afogamento "em Portugal, a maioria em locais não vigiados."


"Quanto ao local onde ocorrem, as piscinas são os planos de água com maior registo de afogamentos," no caso das crianças. Já no caso dos jovens e adultos, o mar e os rios são os locais com maior número de afogamentos, tendo vindo o "número de afogamentos em barragens" a crescer cada vez mais. Um dos casos aconteceu no passado dia 11, quando um "homem de cerca de 40 anos" perdeu a vida na "Praia Fluvial da Aldeia do Mato, em Abrantes, depois de ter mergulhado e não ter voltado à superfície." O corpo do homem, que na altura "estava acompanhado do filho menor na zona de lazer situada na albufeira da barragem de Castelo de Bode," acabou por aparecer por baixo da piscina que se situa na mesma barragem.


"O maior número de mortes por afogamento ocorre na faixa etária dos 15 aos 19 anos e
o maior número de internamentos na faixa etária dos 0 aos 4 anos." É importante perceber que não basta saber nadar! Existem inúmeros cuidados a ter e a legislação existente deve ser cumprida. 


Deixo aqui 15 regras que podem ajudar na prevenção!


Fontes:


https://www.apsi.org.pt/images/Documentos/Afogamentos_em_crianas_e_jovens_2005-2022_Principais_resultados.pdf


https://sicnoticias.pt/pais/2023-07-25-Portugal-regista-numero-mais-alto-de-mortes-por-afogamento-dos-ultimos-20-anos-b1222bd3


https://cnnportugal.iol.pt/abrantes/praia-fluvial-da-aldeia-do-mato/homem-morre-depois-de-mergulhar-em-praia-fluvial-em-abrantes/20240711/668f807ad34ebf9bbb3fb42b


https://lifestyle.sapo.pt/familia/noticias-familia/artigos/15-regras-para-evitar-acidentes-na-piscina-um-guia-para-um-verao-seguro-perto-da-agua


 

03/07/2024

Pescadores desaparecidos na Marinha Grande

Três tripulantes do barco "Virgem Dolorosa", que adornou de madrugada ao largo das praias de São Pedro de Moel e de Vieira de Leiria, ainda se encontram desaparecidos. Além dos três desaparecidos, três tripulantes morreram e onze foram resgatados. Os desaparecidos são "naturais da Praia da Leirosa, na Figueira da Foz." Durante todo o dia, elementos da Marinha e da Força Aérea estiveram envolvidos nas buscas, que envolvem "um navio patrulha oceânico, uma embarcação salva-vidas, uma equipa de mergulhadores do grupo forense, um drone da Polícia Marítima, viaturas, e dois helicópteros." No entanto, os mergulhadores ainda não conseguiram aceder ao interior do barco naufragado.


Trata-se de "uma traineira com 24 por seis metros", que aportava na Figueira da Foz, sendo de lá a maioria dos tripulantes com exceção de dois indonésios, que foram resgatados com vida. As buscas começaram logo durrante a noite, após o alerta pelas 4h33m, "através de quatro embarcações de pesca que se encontravam nas proximidades."


Dos onze resgatados, sete "deram entrada no Hospital Distrital da Figueira da Foz, um dos quais em estado grave." Este pescador, de 57 anos, acabou por ser "transferido para a Unidade de Cuidados Intensivos dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) com problemas respiratórios."


Fontes:


https://www.noticiasaominuto.com/pais/2591980/buscas-por-vitimas-de-naufragio-continuam-durante-a-noite


https://www.noticiasaominuto.com/pais/2591901/naufragio-marcelo-falou-com-familias-das-vitimas-e-vai-a-figueira-da-foz


https://www.noticiasaominuto.com/pais/2591625/nuno-melo-apresenta-condolencias-as-familias-das-vitimas-no-naufragio


https://www.dn.pt/7811518727/um-pescador-em-estado-grave-transferido-da-figueira-da-foz-para-coimbra-apos-naufragio/


 


 

10/05/2024

Migrantes... morte em fuga da Guiné

Não se sabe ao certo em que dia partiram, mas terá sido em finais de abril. O desastre terá ocorrido nos primeiros dias deste mês. Confirmadas até agora 26 mortes, "a maior parte de pessoas que partiram de Matam, uma das comunas que compõem a cidade de Conacri." Terão perdido a vida "ao largo da costa do Senegal depois do seu barco ter afundado há alguns dias."


Os jovens que saem de Matam escolhem "a rota do Atlântico, que corre a oeste da costa africana e que deveria conduzir à Europa."


Todos os dias, homens, mulheres, jovens... crianças.... vão em busca de uma vida melhor, mas sem saber o que vão encontrar. Estes "refugiados e migrantes cruzam as fronteiras internacionais fugindo de conflitos, perseguições e da pobreza." Por vezes, sozinhos, outras, famílias inteiras. O risco de se meterem num barco que pode não chegar ao seu destino é altíssimo, mas eles arriscam. Buscam melhores condições, que nem sempre encontram. Muitas vezes, sem trabalho e a viver em situações de miséria, guerra, fome e medo, "muitos migrantes também deixam" os seus "países de origem à procura de melhores oportunidades de vida," enfrentando perigos vários.


Muitas vezes, acabam por ser "recebidos com alguma hostilidade e intolerância."


Fontes:


https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/naufragio-mata-26-jovens-guine-conacri-fala-de-hemorragia-migratoria?utm_source=SAPO_HP&utm_medium=web&utm_campaign=destaques


https://observador.pt/2024/05/10/naufragio-mata-26-jovens-guineenses-conacri-fala-de-hemorragia-migratoria/


https://news.un.org/pt/focus/migrantes-e-refugiados


 

16/04/2024

Quedas, acidentes e descuidos

Podemos estar a falar em acidentes ou podemos mesmo estar a falar de crime. Estas duas primeiras situações deixam várias dúvidas. Infelizmente, nos últimos dias, houve várias pessoas a perder a vida em situações cujas causas ainda estão por apurar. Destaco aqui dois casos distintos, em que duas pessoas bastante jovens, aparentemente, foram vítimas de queda em altura. Depois, voltarei ainda a falar dos diversos casos ocorridos nos últimos dias nas nossas praias e barras marítimas. Com diferentes causas, há entre eles algo em comum: uma má avaliação do risco.


Começo por destacar aqui a morte de uma mulher de apenas 26 anos, de nacionalidade alemã, cujo corpo foi ontem encontrado. A mulher terá, aparentememente, caído "de uma arriba com cerca de 40 metros na praia dos Rebolinhos, em Sagres, no concelho de Vila do Bispo."


No domingo, dia 14 de abril, o corpo de um jovem de 19 anos, foi encontrado num dos pátios laterais do Museu Municipal de Coimbra. Este espaço, é um saguão que "serve o Museu Municipal e outros dois edifícios na baixa da cidade." Ao que se sabe até agora, o jovem, que é "filho do deputado Rafael Carvalho, da Assembleia Legislativa da Madeira," terá caído "de forma acidental", da janela de um dos edifícios que partilha aquele mesmo pátio, mas a PJ está a fazer diligências para apurar o que se passou. Jovens de 19 anos, já não caiem de uma janela sem mais nem quê.


Nos últimos três dias, devido à subida das temperaturas, à vontade de voltar à praia, ao mar e aos desportos marítimos, muitas pessoas colocaram-se em situações de risco elevado. Em três dias, quase se chegou aos 250 salvamentos, mas o pior resultado foram de facto, as vítimas que o mar ainda não devolveu. Aquilo que me surpreende é que a maioria das vítimas são adultos, ou jovens já numa idade próxima da idade adulta e que, apesar de todos os alertas sobre as condições do mar, que ainda é, em abril, aquilo que se chama "mar de inverno" continuam a pôr-se em risco apenas por um mergulho num dia quente.


Continua desaparecido Yassine Toukhsi, de 16 anos na praia de Salgueiros, em Canidelo, Gaia, desde sexta-feira. O jovem, de nacionalidade marroquina, terá entrado na água ao final da tarde, com um grupo de amigos e foi arrastado pela corrente. Não saberia nadar. Está também desaparecido um homem de 26 anos na Praia da Vieira e um jovem de 19 anos, da nacionalidade brasileira, na praia da Costa Nova, em Ílhavo.


No domigo, um homem de 47 anos morreu afogado, no Rio Cáster, junto ao Parque Urbano de Ovar. A vítima, natural da freguesia da Torreira, Murtosa, terá mergulhado "junto a uma cascata artificial na zona de rio que passa pelo parque."


Um jovem de nacionalidade cabo-verdiana está desaparecido desde domingo nas águas do Tejo. Ele e os amigos, na casa dos 30 anos, estariam alcoolizados e, quando o primeiro caiu ao rio no Cais do Sodré, os outros lançaram-se à água em seu socorro. Os dois amigos saíram da água e foram assistidos, mas aquele que caíra inicialmente, ainda de encontra desaparecido.


Um homem que estava à pesca na zona de Caminha, desapareceu no passado sábado, 9 de abril, sendo que, segundo as autoridades marítimas, esta barra "estava encerrada devido a ondas de quatro metros e rajadas de vento até 30 quilómetros por hora."


Estão ainda desaparecidas duas pessoas, depois de um naufrágio na zona de Tróia, ocorrido no passado dominho, 10 de abril, num caso que ainda vai fazer correr muita tinta, uma vez que ao que parece já se sabe que a embarcação não tinha licença de atividade turística, ficando em causa o pagamento recebido para que a viagem decorresse.


Fontes:
https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/jovem-alema-morre-apos-cair-de-falesia-com-40-metros-em-sagres?ref=DET_RelacionadasInText


https://www.jn.pt/7566278704/salvas-249-pessoas-em-dois-dias-nas-praias-portuguesas/


https://www.noticiasaominuto.com/pais/2540852/corpo-de-jovem-encontrado-em-patio-de-museu-de-coimbra-morte-investigada





 

13/04/2024

É verão em terra e... inverno no mar

Muita gente nas ruas, esplanadas e praias. O calor chegou finalmente para grande alegria da maioria dos portugueses, mas a atenção deve ser redobrada porque a época balnear ainda não começou e o mar está bastante agitado, devido ao vento. Fruto exatamente desta falta de cuidado, foram os casos que se registaram nos últimos dias por todo o país. Infelizmente, nem todos acabaram bem. Nas notícias podemos encontrar vários casos, a maioria deles devidos a comportamentos de risco. Só na praia de Carcavelos, ontem, sexta-feira, já tinham sido "feitos 22 salvamentos."


Um dos casos mais graves é o de "um jovem, de nacionalidade marroquina, que desapareceu na tarde de ontem, dia 12 de abril, após alegadamente ter ido a banhos e ter sido arrastado pela forte corrente que se fazia sentir na praia de Salgueiros, no concelho de Vila Nova de Gaia."  O jovem era "estudante na Escola Secundária Inês de Castro, em Gaia." Pelo fim da tarde foi com alguns amigos até à praia, entrando na água, "apesar de não saber nadar." São vários os meios que têm estado empenhados nas buscas pelo rapaz de 16 anos, que prosseguem, mas até agora sem sucesso. 


Um "homem de 22 anos de nacionalidade brasileira," também está desaparecido "na praia da Vieira, no concelho de Leiria."


Logo pela manhã, os bombeiros foram chamados para um homem de nacionalidade brasileira, que tinha caído enquanto praticava a atividade de pesca lúdica, na zona do Cabo Raso, Cascais. O homem foi resgatado "pelos tripulantes da Estação Salva-vidas de Cascais" com o apoio de uma "embarcação de pesca que se encontrava naquela zona." Este tipo de atividades deve, na minha opinião, ser mais vigiada, bem como penso que seria importante limitar-se os acessos a algumas zonas de arriba da nossa costa. Além de proteger essas zonas, muitas vezes destruídas por quem para lá vai, também se poderia assim diminuir a ocorrência de acidentes, na sua maioria graves. Já no que à atividade de pesca diz respeito, acrescento também aqui a descoberta de um corpo que se pensa ser de um mariscador que estava desaparecido desde 6 de abril. O corpo, que se pensa ser do homem de "nacionalidade nepalesa" foi encontrado na sexta-feira a flutuar "no rio Tejo, em frente ao Terreiro do Paço, em Lisboa."


Na praia do Tamariz, na zona do Estoril, "oito jovens em situação de pré-afogamento foram salvos" por populares e pelos Bombeiros do Estoril. Na primeira ocorrência, os bombeiros foram chamados para "um grupo de quatro jovens," dos quais um rapaz de 15 anos, necessitou mesmo de ser sujeito a manobras de reanimação. Um outro jovem,  necessitou também de ser estabilizado, o que aconteceu "ainda na praia" tendo sido depois "encaminhado para o Hospital de Cascais." Já numa segunda ocorrência, "os bombeiros do Estoril foram acionados para socorrer mais quatro jovens. Um deles em pré-afogamento, que acabou por ser retirado por populares e levado para o areal, antes de ser seguir para o Hospital de Cascais, tal como uma adolescente que se sentiu mal.  Um outro jovem em risco de afogamento foi retirado do mar" e, depois de assistido, recusou transporte à unidade hospitalar. Esta zona, será a primeira a abrir a época balnear, mas só no dia 1 de maio.


Já na praia da Comporta, Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, "três jovens que estavam a nadar sentiram dificuldades em regressar à praia e foram socorridos com ajuda de surfistas e populares presentes na praia."


Na "praia da Baía, em Espinho, foram retiradas três pessoas do mar em situação de pré-afogamento, segundo o Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Área Metropolitana do Porto."


Mas não foram apenas os banhistas e os surfistas que precisaram de resgate. Na zona da Lagoa de Albufeira, em Sesimbra, "os tripulantes da Estação Salva-vidas de Sesimbra" foram chamados para socorrer e evacuar "um homem de 77 anos que alegadamente se sentiu mal a bordo" de uma "embarcação marítimo-turística."


Na maioria dos casos, a culpa não é do mar. É preciso sermos proativos na nossa segurança e prevenirmos situações de risco. É que atrás de quem entra na água, sem saber nadar, ou com o mar em condições adversas e sem saber como estão as areias e os agueiros, vão outros para os ajudar e que podem acabar por morrer. 


 


Fontes:


https://www.facebook.com/photo.php?fbid=445925524500102&set=a.152772453815412&type=3&ref=embed_post


https://www.dn.pt/72028695/pelos-menos-15-pessoas-socorridas-nas-praias-portuguesas-este-sabado/


https://www.jn.pt/3385888941/retomadas-buscas-para-encontrar-jovem-que-se-afogou-na-praia-em-canidelo/


 

09/04/2024

O mar... esse mar traiçoeiro

Ontem escrevi sobre o triste naufrágio que aconteceu na manhã de domingo, mas o mar não roubou apenas estas vidas. Sobre o caso de Tróia, esperemos agora mais desenvolvimentos, até porque as informações que tenho visto na comunicação social têm sido um pouco difusas (e até contraditórias). Hoje trago diferentes casos, todos bastante diferentes, mas que têm o mar em comum.

Mas infelizmente, este fim de semana foi marcado também por outras situações. Na madrugada de sexta para sábado, um carro caiu à água em Póvoa de Varzim, com dois ocupantes. O homem de 57 anos e um jovem de 16 anos morreram neste acidente. Testemunhas relatam que viram duas pessoas entrarem no carro e que pouco depois o caro caiu à água. "Apenas com o nascer do dia, devido à visibilidade, foi possível chegar à viatura, uma vez que as condições de visibilidade dificultaram as operações."

O que faziam ali juntos àquela hora, não sabemos. O que está noticiado é que "as duas vítimas, que não tinham qualquer relação de parentesco, estavam num bar na Póvoa de Varzim após um jogo de futebol do clube onde João Pedro jogava. De acordo com o "JN", Joaquim Leal, que era amigo dos pais de João Pedro, terá oferecido boleia ao jovem." Ao que se sabe, "as equipas de socorro encontraram os corpos das vítimas junto à bagageira do carro."

No domingo, em Nampula, norte de Moçambique, uma embarcação de pesca que, ao que parece, tentou transportar um grupo de pessoas que fugia "a um surto de cólera no continente, com destino à Ilha de Moçambique, tendo o naufrágio acontecido a cerca de cem metros desta costa." O barco não tinha capacidade para transportar tanta gente, mas aqui há um nível de desespero que leva as pessoas a arriscar a vida. Das cerca de 130 pessoas a bordo, 13 sobreviveram, já se confirmaram 98 mortos, entre os quais estão 55 crianças. As restantes estão dadas como desaparecidas.

Num outro caso, a OIM(1) declarou hoje que "foram recuperados 38 corpos, incluindo crianças, após um trágico naufrágio ao largo da costa do Djibuti, com pelo menos seis outros desaparecidos." Esta rota, chamada "rota oriental" e que faz a ligação entre o Corno de África, o Iémen e os Estados do Golfo Pérsico está entre as "mais perigosas" do mundo. "Pelo menos, 698 pessoas, incluindo mulheres e crianças, morreram no ano passado nessa rota, que atravessa o Golfo de Aden, de Djibuti para o Iémen, na esperança de chegar à Arábia Saudita, de acordo com o Projeto de Migrantes Desaparecidos da OIM."

Desde o final da tarde de ontem, que "um homem de 67 anos," está a ser procurado na zona entre Moledo e Vila Praia de Âncora. O homem terá saído para pescar e acabou por desaparecer. "A sua viatura foi encontrada próxima da zona costeira, entre Vila Praia de Âncora e Moledo." Segundo o capitão da capitania de Vila Praia, "a barra de Caminha estava na segunda-feira encerrada, com o mar alteroso a apresentar ondas de quatro metros e o vento a soprar com o equivalente a 30 quilómetros por hora."

Notas:

1) OIM - Organização Internacional para as Migrações;

Fontes:

https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/carro-com-varios-ocupantes-caiu-ao-mar-na-povoa-de-varzim

https://magg.sapo.pt/atualidade/atualidade-nacional/artigos/homem-de-57-anos-e-jovem-de-16-morrem-afogados-na-povoa-de-varzim-carro-caiu-ao-mar

https://www.jn.pt/2122305042/pelo-menos-55-criancas-morreram-no-naufragio-em-mocambique/

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2536944/pelo-menos-38-migrantes-morrem-apos-naufragio-ao-largo-de-djibuti

https://observador.pt/2024/04/09/autoridades-procuram-pescador-ludico-de-67-anos-desaparecido-em-moledo/

08/04/2024

Naufrágio ao largo da Comporta

O nosso domingo acordou com a notícia de uma tragédia ao largo das praias oceânicas de Tróia. Pelas sete horas, o barco de pesca onde seguiam 5 pessoas fez-se ao mar. Segundo as declarações do timoneiro do barco, propriedade de uma empresa privada, depois de perceber que as condições do mar não seriam as mais apropriadas, tentou dar a volta e regressar a terra. Uma vaga de maiores dimensões, ao que diz o único sobrevivente confirmado até agora, fez o barco virar e projetou-os a todos para fora da embarcação. Ao que parece, só a criança levava colete salva-vidas. "Os dois irmãos, de 24 e 33 anos, e o homem com cerca de 40 anos, seguiam sem colete, sendo que o uso é obrigatório por lei nas atividades de pesca e fortemente recomendado pela Autoridade Marítima e pela Marinha sempre que se vai para o mar, como lembra o comandante José Sousa Luís, porta-voz da Autoridade Marítima e da Marinha."

O homem que trabalhava para a empresa e que conduzia a embarcação, conseguiu aguentar-se ao de cima de água, até por volta das 10 horas dessa manhã, ao que parece agarrado a uma bóia, até ser resgatado por um outro barco que ali passava. "À chegada a terra, o timoneiro explicou que a embarcação pertencia ao fundador do empreendimento Sol Tróia," afirmando ainda "que não conhecia os outros tripulantes e que iam fazer pesca desportiva na embarcação de recreio." 

Este homem, poderá vir a ser responsabilizado, uma vez que poderá ter havido aqui a ocorrência de um ou de mais crimes. Para efetuar essa averiguação, "foram instaurados dois inquéritos paralelos ao naufrágio: um inquérito criminal no Ministério Público e um processo marítimo pelo próprio Porto de Setúbal, com o objetivo de averiguar as condições em que o acidente ocorreu."

De acordo com o que Serrano Augusto afirmou, este processo marítimo pode resultar "numa contraordenação se houver alguma infração ao edital da capitania ou à lei geral". De acordo com o que referiu à comunicação social o "comandante José Sousa Luís, porta-voz da Autoridade Marítima e da Marinha," aquilo que se passa na prática é que "não existe um processo de registo da saída dos barcos dos respetivos portos." Segundo ele, é da responsabilidade de quem vai para o mar, “verificar as condições meteorológicas e oceanográficas, se a barra está aberta ou fechada, se está tudo ok com a embarcação, se têm o material segurança."

Quando ontem vi as imagens na televisão, uma das coisas que me saltou logo à vista é que, não pareciam estar muito longe da costa. O acidente ter-se-á dado apenas "a cerca de milha e meia (aproximadamente três quilómetros) de Tróia, Grândola (Setúbal)."

Seria ainda de noite, mas o sol não tardaria a despontar. Outra coisa que hoje em dia é muito mais fácil de perceber, do que seria há uns anos atrás, são as condições do mar. Pelas notícias dos últimos dias, têm sido feitas previsões que dão conta de agitação marítima. O vento também tem estado com rajadas bastante fortes. A diferença é que, a uma ou duas milhas da costa, o vento pode estar mais fraco ou mais forte, dependendo das frentes que se fazem sentir. A questão aqui, não seria tanto a de adivinhar como estaria o mar, mas sim, olhar para os instrumentos.

Hoje em dia, os satélites permitem imagens quase em tempo real e previsões muito mais corretas. A tecnologia trouxe mais segurança à vida do mar, embora, como em tudo, os acidentes possam acontecer. Quem tripula uma embarcação, sabe que não controla todas as variantes. Hoje em dia, sair para o mar embora ainda possa ser uma "aventura" com vários perigos associados, é muito mais seguro do que era antes, uma vez que existem mapas de satélite, existem boletins marítimos, existem gráficos que nos informam a direção e a predominância do vento e das ondas, dos diferentes tipos de correntes. Pode, claro que sim, pode ter sido apenas um trágico acidente, mas quais e quantos destes recursos, é que foi avaliado antes de se sair do cais?

O mar, esse é traiçoeiro. No mais calmo mar, pode vir uma vaga maior e derrubar uma embarcação de grandes dimensões. Uma onda mais forte, faz deste tipo de barquinhos, um brinquedo. Parece que foi um "golpe de mar" aquilo que aconteceu. Um golpe de mar é quando uma vaga maior, com um pico acima da média restante, se ergue "no meio do nada" e o perigo está, precisamente, na sua imprevisibilidade. Mas aqui está a incoerência. Quando se dá uma destas ondas inusitadas, há um mar mais calmo, que depois desta onda maior, volta a ficar mais calmo. O que diz o timoneiro, não bate certo, com esta história do "golpe de mar" (ou então quem a noticiou não usou o termo correto), uma vez que aquilo que disse foi que "o mar estava muito forte e que não conseguiu ver nenhuma das outras pessoas que se encontravam a bordo" (depois de terem caído todos ao mar).

Mas, não sei, a mim parece-me que não era um mar calmo, aquele que estava àquela hora da madrugada quando saíram. Havia tanto vento em terra, não haveria também no mar (sendo que aqui, falamos perto da costa, a uma distância de cerca de três quilómetros)? Durante as noites anteriores tinha estado bastante vento e o mar tem estado agitado. Para um barco maior, poderá não fazer diferença, mas para este tipo de embarcações de recreio, vagas ligeiramente maiores, podem fazer grandes estragos.

Para mim e acredito que para muita gente, isto não nos diz nada, mas para quem tem um barco nas mãos, estas informações não são apenas factos generalistas. O meu avô não sabia uma letra do tamanho de um comboio, mas bastava-lhe abrir a janela e sentir o cheiro do vento para saber se o barco ia ou não ao mar. A quem conhece o mar, até a posição das aves quando se ajeitam para dormir, lhes dá sinais importantes se está prestes a chegar uma tempestade, se os ventos estão a aumentar ou se vem trovoada. A esta sentia-a na pele e no cheiro do ar, que dizia estar "carregado."

Hoje em dia, basta ligar o telemóvel ou um simples computador e entrar no site do IPMA ou do ECMWF (onde temos mapas dinâmicos muito interessantes). Hoje em dia a meteorologia é uma ciência bastante desenvolvida que, apesar de ser influenciada por um grande número de variáveis, é hoje em dia muito fiável (de certeza bem mais fiável do que o nariz do meu avô).

Outra a coisa que a mim me surpreende é a demora na colocação de um heli no ar. O naufrágio foi reportado pouco depois das dez da manhã, mas só "por volta das 13:10, Serrano Augusto indicou que estava a chegar ao local um helicóptero Koala da Força Aérea Portuguesa (FAP) para participar nas buscas." 

Os corpos do menino, que se sabe tinha apenas 11 anos, e de um dos outros ocupantes, foram encontrados e recuperados durante o dia de ontem, faltando ainda encontrar dois dos ocupantes. E aqui a palavra correta é mesmo "recuperar" uma vez que quando falamos em ocorrências que envolvam vítimas de naufrágios e falamos em vivos, estes são resgatados, quando se fala em corpos, estes são recuperados. É que ontem, ao mudar de canal e ouvir uma jornalista dizer "o menino foi resgatado" o meu coração pulou de alegria, até perceber que afinal, não foi o menino que foi resgatado, foi o seu corpo que foi recuperado. Não é a mesma coisa e devia haver mais cuidado da parte dos jornalistas que dizem certas coisas.

Fontes:

https://www.ipma.pt/pt/maritima/boletins/

https://www.ecmwf.int/

https://observador.pt/2024/04/07/troia-um-barco-de-pesca-naufragou-uma-crianca-e-um-homem-morreram-e-dois-estao-ainda-desaparecidos/

https://tvi.iol.pt/noticias/naufragio/troia/embarcacao-afundou-completamente-homem-resgatado-do-mar-era-o-timoneiro-e-tem-62-anos/20240407/66129a56d34ebf9bbb3c28ab

https://tvi.iol.pt/noticias/troia/naufragio/um-golpe-de-mar-que-acabou-em-tragedia-foi-isto-que-aconteceu-no-naufragio-ao-largo-de-troia/20240408/6613d7dcd34e0498921f802f

06/04/2024

Ilegalidades, acidentes e coisas que nos fazem pensar

Hoje é sábado. Depois de um dia bastante preenchido, acabo por me sentar para escrever. Gosto sempre de rever o que se passou durante a semana, especialmente alguns blocos noticiosos. Aquilo que, ultimamente, me tem preocupado mais, é claro a situação do conflito na Ucrânia, embora outras situações mereçam também alguma reflexão.


Começo por apontar uma situação, sobre a qual já tenho estado para escrever várias vezes: a apanha ilegal de amêijoa. No dia 26, dois homens de nacionalidade nigeriana que se dedicavam à apanha de amêijoa, desapareceram e só no dia 4, o corpo de um deles foi recuperado, na zona da Moita. O outro, ainda permanece desaparecido. Na reportagem da TVI, fala-se das operações policiais que são realizadas, mas não é verdade que o sejam de forma diária. Aqui no Seixal, pelo menos não é isso que eu vejo. Se o rio o permitir, ou seja, sempre que está maré baixa, váriass pessoas entram no lodo e começam a tirar de lá os bivalves. Uma das "entradas" fica mesmo em frente da esquadra da PSP, uma outra, em frente da estátua ao Pescador ou, também, é possível vê-los a entrar, junto ao pontão da Arrentela, na rampa do museu, nas escadinhas onde descansa o "nosso" amigo ganso. Podemos vê-los logo de madrugada, mesmo em dias de muito frio, numa vida que não é fácil, certamente. Em muitos casos, trata-se de migrantes, que chegam ao nosso país e são logo encaminhados para este tipo de tarefas, mas noutros que eu conheço, tratam-se de escolhas, como o caso de famílias aqui da zona do Seixal. Estes que desapareceram (um dos quais, o corpo já foi encontrado) são apenas dois de muitos que se põem em perigo diariamente. E, se estão a fazer uma coisa que é ilegal, qual a razão de não serem detidos e presentes a tribunal? Várias destas pessoas, homens e mulheres, são já caras conhecidas e, nos outros locais eu não sei, mas aqui circulam completamente à vontade, a pé ou de bicicleta (já nem falo de carro) com o balde cheio de um produto ilegal - logo com a prova do seu crime à vista de todos. Bem, mas aqui o que lamento é a morte de mais uma pessoa, que se calhar nem "usufruia" do crime que praticava.


Já no passado sábado, dia 30, desapareceu também um homem de 43 anos, que andava a fazer mergulho "junto ao ilhéu dos Fradinhos, na ilha Terceira, Açores. Um amigo da vítima deu o alerta quando percebeu que o mesmo não tinha regressado. Ainda foram iniciadas buscas no dia do seu desaparecimento mas, devido às condições meteorológicas, as buscas foram suspensas, tendo sido retomadas assim que as condições o permitiram.


Ontem, na praia do Pinheirinho, na zona de Grândola, dois homens entraram na água e acabaram por se ver em grandes dificuldades. Um deles ainda conseguiu sair, embora já em hipotermia, mas o outro acabou por morrer afogado. Os dois homens, ambos de "nacionalidade canadiana, foram auxiliadas por um popular que se encontrava nas proximidades."


Bem, mas por cá as notícias não são só sobre os perigos do mares e rios. Há outros perigos que são bem mais traiçoeiros.


Um grupo de extrema-direita sediado em Portugal (grupo que se autodenomina "1143" em referência ao ano do "nascimento" de Portugal e à vitória sobre os "mouros")  - faz-me lembrar um tal de senhor que se fazia representar de espada e escudo na mão tal "salvador da pátria" - terá convocado "todos os patriotas a marcarem presença" no Porto para mostrarem "oposição à invasão de imigrantes, que é a principal razão para o aumento brutal do preço da habitação". Claro que rapidamente, este grupo de gente "pacífica" começou "a estourar petardos na praça."


Isto na semana em que foram, finalmente, apresentados ao país, os novos ministros e os 41 secretários de estado (mais um do que no anterior governo) e, em que a primeira medida, foi a alteração do "logótipo adotado pelo anterior Executivo" trazendo de volta "a esfera armilar, as quinas e os castelos" que tinham sido excluídos pelo governo de António Costa. Esta decisão tinha sido uma promessa feita por Montenegro em novembro. Agora, falta fazer a atualização, por exemplo, nas redes sociais onde a imagem ainda não está atualizada.


Antes que me esqueça. Parece que ontem houve um sismo nos EUA, com 4.8 na escala de Richter e que terá sido sentido nos estados de Nova Iorque, Nova Jérsia, Conneticut e Massachusetts. O sismo (1) "teve epicentro perto da localidade de Lebanon, em Nova Jérsia," mas sem registo de danos materiais nem de vítimas.


-/-


Notas:


1. Os EUA sofrem de eventos deste género com bastante frequência, embora a maioria dos terramotos nos EUA ocorra "nas áreas pouco povoadas ao longo do Golfo do Alasca e da cadeia de ilhas no Mar de Bering." Os terramotos mais conhecidos e até, mediáticos, têm ocorrido "ao longo da Falha de San Andreas, densamente povoada, que se estende de norte a sul por mais de 1000 quilómetros através da Califórnia." Esta área faz parte do chamado "Anel de Fogo do Pacífico," onde a placa do Pacífico, que se encontra sob a placa da América do Norte, "regularmente causa tensões tectónicas nas zonas de subducção." Explicando de outra forma, esta falha separa duas placas: uma onde se localiza Los Angeles e, outra, onde fica São Francisco. "Los Angeles fica na placa do Pacífico, enquanto São Francisco fica na placa continental da América do Norte. À medida que a placa do Pacífico se move para o norte, a placa norte-americana" desloca-se para sul. Ou seja, "Los Angeles e São Francisco" estão de facto a aproximar-se "em média de 6 cm por ano." 


Fontes:


https://cnnportugal.iol.pt/videos/homem-desaparecido-encontrado-morto-na-moita-nas-margens-do-tejo/660eaea20cf2a41c2ecd5a23


https://www.dnoticias.pt/2024/4/1/400014-buscas-por-mergulhador-desaparecido-na-ilha-terceira-interrompidas/#


https://pt.euronews.com/2024/04/05/nova-iorque-sacudida-por-terramoto-de-48-na-escala-de-richter-o-maior-em-mais-de-40-anos


https://eco.sapo.pt/2024/04/05/sismo-sacode-area-metropolitana-de-nova-iorque-residentes-receberam-alertas-para-ficarem-em-casa/


https://www.dadosmundiais.com/america/usa/terremotos.php


 

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