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14/03/2026

Já andamos todos metidos ao barulho

Novamente, Trump. Novamente, a grande potência norte-americana a dizer que não precisa de ninguém, enquanto pede que os outros também entrem na luta. Num dia afirma uma coisa, no seguinte outra completamente diferente. Não há um único dia em que não sejamos surpreendidos - se é que ainda nos deveríamos estar a surpreender com tudo o que Trump diz ou faz.

O ataque ao Irão em junho do ano passado tinha sido apenas o começo, a desculpa de que era preciso acabar com o poder nuclear do Irão, dava-lhe no seu entender o direito de atacar pois havia uma ameaça iminente que era preciso debelar. A justificação até poderia fazer sentido, mas em poucas horas, Trump mandou as suas tropas sair de cena. O ataque tinha vindo na sequência do conflito entre Israel e a Palestina e para muitos, o ataque ao Irão veio para desviar as atenções da Faixa de Gaza, que desde essa altura quase que desapareceu do panorama noticioso. Israel atacava um dos seus arqui-inimigos e retirava parte das suas tropas da Faixa de Gaza.

Entretanto, os EUA andaram ocupados com a Venezuela e com ameaças à Gronelândia. Discutia-se qual seria a intenção das declarações feitas por Trump. Iniciaria uma investida contra um país europeu, distanciando-se dos acordos da NATO? 

Começam-se a assistir a movimentações de navios norte-americanos, à chegada de aeronaves às bases dos EUA na Europa. O arsenal dos EUA não passa despercebido. Muitos passavam oela Base das Lajes, outros ficavam ali estacionados. E o mês de março começa com a investida de um ataque conjunto contra o Irão. EUA e Israel uniam-se agora novamente, com o objetivo de derrubar o governo iraniano e debelar o seu poder militar. Para isso, um dos primeiros objetivos era matar o seu mais alto representante religioso, o Ayatola Khamenei, de 86 anos. O ataque aconteceu e o mais alto governante do estado iraniano foi abatido. 

Depressa Trump se apercebeu de que havia um problema: quem pensavam como sucessor também tinha sido morto: "a maioria das pessoas que tínhamos em mente está morta," afirmava Donald Trump. Mas isso não importava. O Irão resistia e Israel ia atacando os países em redor seguindo os seus interesses. Duas potências a proteger-se uma à outra. O conflito adensa-se e os EUA não apresentam nenhum "estratégia clara de saída."

O que estamos a assistir em "vez de um colapso rápido" é a uma consolidação do regime iraniano, que "respondeu de forma mais agressiva do que os responsáveis norte-americanos esperavam, atacando alvos em todo o Médio Oriente, incluindo petroleiros na região," um dos quais atingido na região do Kuwait.

As vítimas começam-se a somar. Além dos mortos no Irão, onde se inclui o ataque a uma escola, possivelmente atingida por um míssil norte-americano, do qual terão resultado entre 150 a 175 mortos (números não confirmados), há também "treze militares norte-americanos" mortos e outros 140 feridos. 

Enquanto, Trump vai dizendo que está tudo bem, a situação na frente militar agrava-se. "O Irão foi alvo de uma nova vaga de ataques," o que levou a retaliar contra outros países do Golfo, que são aliados dos norte-americanos, alargando o conflito a toda a região. Já não se trata apenas de acabar com um regime, é já um conflito alargado. Mas ninguém está a atacar os EUA diretamente, quem sofre são os seus aliados. O Hezbollah continua vivo e uniu-se ao Irão para um novo ataque a Israel.

Israel por sua vez, reforçou "a sua presença militar no sul do Líbano" usando posições naquela região para atacar o Iraque. No Iraque, por sua vez, as milícias a favor do Irão atacam alvos norte-americanos. Desde o dia 2 deste mês, o balanço é de 632 mortos só no Líbano.

Portugal tenta a retirada de cidadãos nacionais através de voos combinados. As embaixadas europeias nesses países vão ficando vazias. A guerra expande-se e não sabemos quando é que vai terminar. Enquanto nos sentirmos atingidos apenas pela subida dos preços, sem limites à comunicação, sem ataques às nossas estruturas energéticas, não estaremos muito mal. 

Esperamos de braços cruzados a resolução de uma guerra que não é nossa. Acreditamos na nossa segurança, mas não vemos medidas de proteção, nem explicações sobre o que pode acontecer se a Base das Lajes vier a ser atacada. Estamos longe, achamos nós. 

Fontes:

https://cnnportugal.iol.pt/irao/eua/duas-semanas-de-guerra-por-dentro-da-arriscada-decisao-de-trump-de-atacar-o-irao-e-a-corrida-para-conter-as-consequencias/20260314/69b562b4d34e28842c81bf9f#:~:text=Duas%20semanas%20de%20guerra:%20por%20dentro%20da,e%20a%20corrida%20para%20conter%20as%20consequ%C3%AAncias.

https://observador.pt/2026/03/05/irao-lanca-nova-vaga-de-ataques-contra-israel-e-paises-do-golfo/


06/01/2026

Estará a Gronelândia em risco?

Depois da situação ocorrida na Venezuela, outros países começam agora a sentir a ameaça norte-americana. Colômbia, México e Cuba, foram ameaçados pelo presidente Donald Trump, que também manifestou estar a considerar "a aquisição" da Gronelândia. Esta possibilidade é, para Trump, uma necessidade "para dissuadir" aqueles que considera como os seus "adversários na região do Árctico”.


Entre as opções , estão "a compra directa da Gronelândia pelos Estados Unidos ou a criação de um Acordo de Associação Livre (Compact of Free Association, COFA) com o território." No entanto, um acordo deste género acabaria por ficar "aquém da ambição de Trump de integrar plenamente a ilha — com cerca de 57 mil habitantes — nos EUA."


Se o acordo não for conseguido, Trump afirmou que ponderaria usar a força, uma vez que a Gronelândia é considerada como um território "crucial para os Estados Unidos devido às suas reservas de minerais com aplicações importantes nas áreas da alta tecnologia e da defesa." Trump defende que estes recursos precisam de ser explorados, algo que não tem sido feito, em parte "devido à escassez de mão-de-obra, à falta de infra-estruturas e a outros constrangimentos." Então, mas qual a real importância deste território para os EUA? Por um lado, temos a geoestratégia, uma vez que a "Gronelândia ocupa uma posição central no Atlântico Norte, funcionando como ponte natural entre a América do Norte e a Europa." 


Ganhou o seu prestígio durante a Segunda Guerra Mundial, quando esta zona se manteve "fora do alcance aéreo aliado onde submarinos nazis devastaram comboios marítimos." Podemos ainda entender que, “em qualquer nova guerra de grande escala, quem controlar a Gronelândia dominará rotas marítimas vitais do Atlântico," o que aliado ao "sistema de deteção de mísseis de alerta precoce dos Estados Unidos (EUA)," implementado em 1950, dão aos EUA vantagem. "Com o degelo acelerado do Ártico a abrir novas rotas marítimas" nesta região do globo, a importância desta região "tende a crescer" e Trump sabe-o bem. Mas não é apenas o atual presidente dos EUA que está interessado nesta região: Pequim e Moscovo também podem vir a entrar nesta corrida.


E a Europa, que papel tem neste problema? A Gronelândia pertence à Dinamarca e, por isso, a Gronelândia faz parte da Europa. Os EUA, sendo aliados da Europa, deveriam estar a defender este território, o que não deixa de ser uma contradição. A verdade é que uma vez que a "Gronelândia pertence a um Estado-membro da NATO e é um território semiautónomo aliado," e por isso "nada impede Washington de reforçar a sua presença militar, instalar novas bases ou aumentar contingentes. Pelo contrário, existe um tratado com Copenhaga que concede aos EUA liberdade operacional, de portos a pistas de aterragem." Na minha opinião, mesmo com esse tratado, Trump ainda não tem o acesso que tanto deseja - mas o que é que ele deseja no fundo? Se existe esse quase acesso "total" ao território, porque é que deseja a sua soberania?


E porque é que de repente, se voltou a falar disto? Será que a Europa está mesmo a pensar ceder a Gronelândia para evitar conflitos com os EUA, ou não será viável atrasar o processo enquanto esperamos que Trump acabe o seu mandato e as coisas acalmem? Ou haverá mesmo o risco de, mesmo sem Trump no poder, os EUA declararem guerra à Europa? É que a maior questão - à qual eu temo que a resposta seja mesmo a mais óbvia - é se a Europa se vai unir para defender este território ou se irá optar por o deixar escapar.


São tantas questões sem resposta. Estamos a andar sobre uma película muito fina de vidro que se parece estar a quebrar e, se quebra, irá atirar-nos a todos para uma guerra interminável.


Fontes:
https://www.publico.pt/2026/01/06/mundo/noticia/trump-discute-aquisicao-gronelandia-admite-opcao-militar-2160313
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/porque-e-que-a-gronelandia-esta-no-centro-das-ambicoes-de-donald-trump_n1708393


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...