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05/06/2026

Violência no namoro e violência doméstica

Bianca tinha apenas 16 anos. 

Por motivos que não me são conhecidos, vivia com uma amiga mais velha e namorava um rapaz de 20 anos. Namorava desde os 14 e já este facto é algo a ter em conta. Na véspera tinha tentado acabar com este namoro. Na quarta-feira à noite, este ex-namorado tocou à campainha de uma vizinha, que facilmente lhe deu acesso ao interior do prédio. Entrou e subiu ao primeiro andar. 

Surpreendida, Bianca, não teve qualquer hipótese. Foi arrastada pelas escadas, a cabeça foi atirada com violência contra o corrimão. Foi esfaqueada cerca de vinte vezes. Os vizinhos que ouvindo os gritos tentaram acudir, afirmam que ainda a viram com vida, mas Bianca acabou por se esvair em sangue. E porque é que eu não me coíbo de fazer esta descrição detalhada? Porque é preciso que se entenda o nível de violência, que se saiba que ela era apenas uma jovem de 16 anos. Esta era uma menor de idade, que já vivia em perigo. O assassino está no hospital em estado grave depois de ter sido atropelado por um camião. Talvez por acidente, talvez tentando tirar a própria vida. Não vou sequer escrever aqui qual acho que devia ser o seu destino.

E temos de falar sobre estes assuntos, de relatar, de sermos firmes! Ainda há uns dias publiquei sobre violência doméstica e hoje já estou a escrever sobre esta morte!

Porque a violência não acontece apenas uma vez e com esta brutalidade - acredito que tenham havido outras agressões anteriores, fossem elas verbais ou físicas. Que razões terão tido estes pais para a deixarem sair de casa com um homem mais velho com apenas 14 anos? Houve fuga? Houve queixas na polícia? O que foi feito pelos pais e por quem mais sabia?

E porque esta história me fez lembrar outra, há uns anos. Uma imagem que nunca mais me vou esquecer. A certeza de que não valia a pena tocar em nada, pois nada do que eu fizesse poderia salvar aquela vida. Ela já se tinha esvaído em sangue. Tinha tanto cortes, tantas facadas, que não fui capaz de os contar. À porta, uma criança ao colo de uma vizinha, apenas nos ia dizendo "A mãe tá xuja"... Aquele menino tinha visto o corpo da mãe, tinha-lhe tocado, tentado acordá-la... "A mãe acodou?" perguntava ele.

Não, aquela mãe nunca acordou. E quem a matou foi o pai. A casa arrumada, os brinquedos com que a criança tinha estado a brincar antes de dormir estavam numa caixa ao canto da sala, numa sala cujas paredes estavam pintadas de sangue. O assassino tirou a própria vida.

Em 2012, Sara, com apenas 16 anos, também foi esfaqueada pelo namorado. Ele tinha 23 anos e ela tentou falar com a mãe, contar-lhe sobre este namoro que estava farta de viver às escondidas. Foi agredida e atingida por vinte e três facadas, que a deixaram em risco de vida. Sara sobreviveu para contar a sua história e fá-lo de forma corajosa. A violência no namoro é apenas uma das vertentes da violência doméstica. Estes agressores conduzem a sua vítima através da manipulação, de palavras que rapidamente passam de doces a amargas, do pseudo-amor que se transforma em ameaças. 

Considera-se Violência no Namoro, quando existe um padrão de comportamento que se repete ao longo do tempo, onde um dos elementos exerce o poder, através da violência (física, psicológica, económica e/ou sexual), com o intuito de controlar, dominar e submeter o outro/a." Pode manifestar-se em agressões verbais ou físicas, em violência sexual, em stalking ou em violência emocional ou psicológica. Tal como na violência doméstica entre dois adultos, as vítimas muitas vezes têm vergonha ou acham que fizeram algo de errado que despoletou esse comportamento, o que é em ambos os casos, completamente errado.

As vítimas de violência doméstica, incluindo as vítimas de violência no namoro, acabam por ceder ao medo, mantendo-se nestas relações durante meses e até anos. Mas o que mais me assusta é que perante isto, continuem a haver jovens, miúdos e miúdas entre os 14 e os 18 anos, que já nasceram no século XXI e que ainda consideram "normal" haver ameaças e agressões durante um namoro, alguns dizem aceitar que os namorados ou namoradas controlem aquilo que vestem ou que tenham acesso às suas redes sociais e aos seus telemóveis. Muito facilmente, estes agressores perdem "o controlo quando está perante uma crise de ciúmes e promove a ideia de que ciúmes é sinal de amor." É capaz de ter gestos de humilhação e de desvalorização da vítima, perante outros, ou quando se encontram sozinhos.

Fontes:

Programa "Linha Aberta", SIC, episódio 20, temporada 12, 05/06/2026;

https://www.amcv.org.pt/jovens/violencia-no-namoro

https://www.casa-qui.pt/index.php/perguntas/32-como-saber-se-sou-vitima-de-violencia-no-namoro

https://apav.pt/wp-content/uploads/2024/02/FolhaInformativa_VNamoro_2020.pdf





14/06/2025

Atentado mata ex-Congressista no Minnesota


A violência continua nos EUA e, desta vez, os alvos foram a ex-congressista "democrata do Minnesota," Melissa Hortman, e o seu marido, Mark Hortman. Os corpos de Melissa, que foi também "porta-voz da Câmara de Representantes" pelo Minnesota, e do marido, só foram descobertos depois da polícia ter sido chamada para a casa do "senador estadual John Hoffman (também ele democrata)" e da sua mulher, "Yvette," atacados a tiro. Os dois foram levados em estado grave mas ainda com vida para o hospital e a polícia foi verificar a casa da congressista, encontrando os dois corpos e ainda chegando a trocar tiros com o atacante.


"O governador do estado do Minnesota diz que os ataques têm motivações políticas." O suspeito é "Vance Boelter," um americano de "57 anos, mas ainda encontra em fuga. "Estava vestido" como se fosse "um agente da autoridade e foi assim que conseguiu entrar nas casas dos dois políticos, que distam cerca de 12 quilómetros uma da outra." De acordo com a CNN, o atirador teria dentro da viatura utilizada, "um manifesto com o nome de vários representantes estaduais e outros responsáveis – incluindo o de Melissa Hortman e de John Hoffman, mas também do próprio governador Tim Walz." Desta lista de potenciais alvos, constavam 70  nomes, incluindo "pessoas que prestam serviços para a interrupção voluntária da gravidez, defensores do aborto, e legisladores do Minnesota e de outros estados. A polícia também encontrou um cartão do Dia do Pai dirigido ao suspeito numa mala cheia de munições."


Melissa, "contribuiu para a aprovação de leis que alargaram os direitos ao aborto, legalização da marijuana e baixas médicas, quando os liberais tinham o controlo do Governo daquele estado." A questão do aborto é um ponto sensível na política interna dos EUA. A lei de 1973 que dava este direito às mulheres foi revogada em 2022. Em 2024, "dos 50 estados que compõem os Estados Unidos, em 21 o procedimento" era considerado "ilegal ou restrito." A polarização é bem visível, com "os estados dominados por democratas a manterem o direito à interrupção voluntária da gravidez e os estados dominados por republicanos a proibirem ou restringirem o acesso."



04/08/2024

Venezuela - resultados eleitorais contestados por vários estados

A Venezuela foi a eleições na passada semana, mas passada quase uma semana, os resultados ainda não são explícitos. Ainda não tinha conseguido vir aqui falar deste assunto (sendo que por outro lado estava também a aguardar que a situação deixasse de ser tão ambígua e que as atas fossem realmente apresentadas e a verdade reposta), mas uma semana depois a situação na Venezuela - onde estão milhares de cidadãos portugueses e luso-descendentes - continua tensa.

No passado domingo, ainda faltava terminar a contagem de várias mesas eleitorais, já Nicolás Maduro alegava ter ganho com 51,20% dos votos contra 44,2% da oposição, liderada por Edmundo Urrutia. Logo depois, a oposição reivindicava que, mesmo sem a contagem total, já tinham conseguido derrubar o governo de Maduro por quase 80% dos votos. Perante esta dualidade de resultados e com a falta de apresentação das atas definitivas, a verdade é que uma semana depois, a situação não está devidamente esclarecida e Maduro não foi ainda legitimado para iniciar o seu terceiro mandato consecutivo como presidente da Venezuela. Vários estados vieram já pedir a divulgação das atas eleitorais, ainda mais, depois de ter sido recusada a entrada de representantes europeus e pan-americanos.

Por sua vez, Maria Corina Machado, afirma que Edmundo Urrutia venceu com 70% dos votos, levando a que milhares de venezuelanos viessem para a rua protestar por fraude eleitoral. Corina Machado, depois de alegar que tinha tido de se esconder e que temia pela sua própria vida, acabou por aparecer na manifestação, pedindo "mobilização para exigir transparência no resultado eleitoral e defender a alegada vitória de Edmundo González."

Aquilo que está em causa não é apenas a contagem dos votos, mas sobretudo os atos de violência que estão a ser executados contra quem se opõe a Maduro ou quem se mostre apoiante da oposição. Desde domingo passado, já se registaram vários conflitos, os quias levaram à morte de, pelo menos, 20 pessoas, entre as quais estava um jovem de apenas 15 anos.

Fora da Venezuela, os Estados Unidos já vieram reconhecer a "vitória de Edmundo Gonzales", considerando "válida a contagem de votos apresentada pela oposição, liderada por María Corina Machado, que representa 80% das assembleias de voto." 

Na sexta-feira, Nicholás Maduro já veio anunciar que 1200 pessoas tinham sido "detidas em protestos pós-eleitorais na Venezuela" e que outras 1000 estavam "a ser procuradas por destruírem 300 esquadras" no país, alegando ainda que estes "alegados criminosos" tinham sido "treinados nos Estados Unidos, na Colômbia, no Peru e no Chile."

Brasil, Colômbia e México, já vieram apelar para que "os atores políticos e sociais" exerçam as suas manifestações com a "máxima cautela e contenção" para que possa ser evitada "uma escalada de episódios violentos," bem como a que seja realizada "uma verificação imparcial dos resultados" das eleições presidenciais. O Brasil assumiu entretanto a representação da Argentina, depois dos diplomatas de sete países terem sido expulsos aquando do rompimento diplomático entre Caracas e Argentina, Chile, Costa Rica, Peru, Panamá, República Dominicana e Uruguai. Os governos desses países foram acusados pelo governo de Maduro de "intromissão" e de "desconhecerem os resultados eleitorais". A apoiar Maduro estão países como a China e a Rússia...

Fontes:

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-08-02-venezuela-29-ex-chefes-de-estado-pedem-a-lula-e-petro-para-reconhecerem-gonzalez-como-presidente-f3b4e0c2

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-08-02-video-eua-reconhecem-vitoria-da-oposicao-na-venezuela-maduro-pede-que-tirem-o-nariz-do-pais-c14f7584

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-08-02-capturamos-mais-de-1.200-criminosos-e-estamos-a-procura-de-mais-mil-395ac041

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-08-01-brasil-colombia-e-mexico-pedem-verificacao-dos-resultados-na-venezuela-d1691590

https://sicnoticias.pt/mundo/2024-08-01-video-ja-morreram-pelo-menos-20-pessoas-nos-protestos-contra-a-reeleicao-de-nicolas-maduro-bf0040e9-1


 





 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...