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11/10/2026

Ataque ao aeroporto de Riade, na Arábia Saudita

O Médio Oriente continua em guerra. E quando pensamos que os ânimos começam a acalmar-se, eis que há um novo e mortífero ataque ao aeroporto Rei Khalid, em Riade, do qual resultam 12 mortos e quase três centenas de feridos. Os mortos são oriundos de vários países, incluinto um norte-americano. Apesar dos Houthis não terem ainda reivindicado a autoria deste ataque, a verdade é que acabaram por assumir a autoria dos dois atentados da semana anterior ao mesmo aeroporto e já tinham feito avisos às companhias internacionais. Este ataque pode ter sido uma retaliação ao país, uma vez que a Arábia Saudita está a conduzir "uma campanha aérea contra os Houthis para apoiar a guerra terrestre do governo iemenita contra o grupo apoiado pelo Irão," dando ainda apoio militar no terreno.

Na semana anterior, este aeroporto tinha sofrido outros dois ataques que fizeram quatro mortos e provocaram "danos graves" numa "aeronave comercial saudita." Entretanto, a companhia nacional de aviação do Kuwait, anunciou "a interrupção das ligações com a capital saudita." 

"A coligação liderada pela Arábia Saudita" já afirmou que será dada "uma resposta firme, classificando o ataque como um crime grave contra infraestruturas civis."

Os Houthis, "também conhecidos como Ansar Allah," já fizeram saber que os ataques podem continuar, alertando para que "as companhias aéreas internacionais", evitem voar "através do espaço aéreo saudita, afirmando que a região se tornou palco das suas operações militares — com exceção do espaço aéreo sobre as cidades sagradas de Meca e Medina," os quais são considerados locais sagrados para os muçulmanos. O grupo político-militar do Iémen e que é "apoiado pelo Irão," controla uma "grande parte do norte do país, incluindo a capital, Sanaa," combatendo, desde há vários anos, "o governo iemenita reconhecido internacionalmente." 

Este ataque aumenta o risco de uma escalada do conflito. Hoje, um porta-voz do governo iemenita veio acusar o governo de Riade de um ataque aérea que atingiu uma casa na capital, Sanaa, e que resultou na morte de "uma criança" e em ferimentos em outras "seis pessoas." De acordo com a mesma fonte, "91 iemenitas foram mortos e 168 feridos" em ataques realizados pelo grupo liderado pela Arábia Saudita.

"A emissora Al-Masirah, controlada pelos houthis no Iêmen, relatou neste domingo um ataque que teria sido realizado pela Arábia Saudita contra o Aeroporto Internacional de Sanaa." A possibilidade de intervenção dos EUA, ponderada por Trump, pode vir a agravar a situação relativa à navegação na região do Golfo Pérsico.


22/03/2026

Quando de mexe num ninho de vespas

 Quando as vespas se sentem incomodadas, atacam. 

São capazes até de matar, se estiver em causa o seu ninho. Uma vespa, é mais pequena que a maioria dos animais e, se for apanhada, pode ser esborrachada, pisada, morta. O problema da vespa, não é a vespa, é a comunidade, é a salvaguarda da espécie. Mas isto não é sobre vespas...

O Irão veio agora demonstrar que, apesar de ter sido fortemente atacado nos últimos dias, ainda tem força para contra-atacar. Conseguiu lançar dois mísseis balísticos de longo alcance contra a base militar de Diego Garcia, uma base partilhada entre os Estados Unidos e o Reino Unido, que se localiza no arquipélago de Chagos, no oceano Índico a cerca de 4000 quilómetros da costa iraniana. Este ataque ocorreu antes mesmo do Reino Unido ter vindo declarar publicamente a autorização para que os EUA usassem as suas bases militares. A base, operada pelos EUA, possui um "pista para bombardeiros pesados" e dispões ainda de um "porto natural profundo" capaz de albergar "submarinos nucleares e navios de guerra." Apesar de nenhum dos dois mísseis ter acertado o seu alvo (um por problemas durante o voo, outro por ter sido detetado) a questão que se coloca é que a distância de 2000 quilómetros está claramente ultrapassada. Que cidades estão no seu raio de alcance, é agora uma questão que se coloca.

Foi também atingido o complexo de nuclear de Dimona, em Israel. Apesar de não haver registos de níveis anormais de radiação, a questão é que o complexo é de facto suscetível de ser atacado. Este ataque vem assim em resposta ao ataque à central de Natanz, um complexo de enriquecimento nuclear localizado no Irão, que já tinha sido alvo na chamada "guerra dos doze dias" em julho passado. Além de Dimona, foi também atingida a cidade de Arad. 

Se lamentamos os feridos de Israel, sim, mas também lamentamos os mortos e feridos do Líbano, onde só neste mês de março, terão sido mortos 34 profissionais de saude - isto sem contar com as restantes vítimas que resultaram dos "bombardeamentos israelitas contra a organização Hezbollah em Beirute e no sul do país."

Além de ataques contra Israel, o Irão tem vindo a retaliar contra outros países como os Emirados Árabes, o Kuwait, Bahrain, Omã ou o Catar. Foram ainda atingidas as bases aéreas de "Príncipe Sultan" que se localiza na Arábia Saudita e a de "Erbil, no Curdistão iraquiano."

E assim continuamos em ataques e contra-ataques. Mas porque é que se achou que seria interessante mexer no ninho das vespas? Andarão os EUA atentar incitar novas cruzadas?

Fontes:

https://expresso.pt/medio-oriente/2026-03-21-teerao-tenta-atacar-base-britanica-de-diego-garcia-a-4000-km-de-distancia-47f403bf

https://pt.euronews.com/2026/03/21/irao-ataca-base-de-diego-garcia-localizacao-e-importancia-estrategica

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/israel-diz-que-irao-usou-um-missil-de-longo-alcance-pela-primeira-vez-desde-o-inicio-do-conflito_e1728183

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2959703/estados-unidos-e-israel-atacam-complexo-nuclear-iraniano-de-natanz

https://sicnoticias.pt/especiais/tensao-eua-irao/2026-03-21-novos-cacas-e-avioes-de-guerra-dos-eua-chegam-a-base-das-lajes-f27c65da

 

20/11/2025

A ida de um português à Casa Branca

Podia ser só isso. Um português, reconhecido pelo seu trabalho, foi convidado a ir à Casa Branca. E um convite do Presidente dos EUA não se recusa.

Mas não foi só isso.

O português em causa, é reconhecido por muitos como um símbolo do país, quase como um "embaixador" embora não o sendo formalmente. O português em causa veste a camisola de Portugal e, onde quer que vá, está a ser olhado e todas as suas ações, atitudes e palavras estão a ser avaliadas. Esse português foi à Casa Branca por ser um homem de sucesso, por ter dinheiro, porque é apreciado por muitos em todo o mundo. Mas não levou (formalmente) Portugal com ele. Levou a Arábia Saudita. Ou melhor, foi levado... como um troféu do princípe Saudita. O regime que lhe paga milhões para representar um dos maiores clubes, o Al-Nassr Football Club. E foi no mesmo dia, viajou no mesmo avião e sentou-se à mesma mesa que "Mohammed bin Salman, primeiro-ministro saudita, príncipe herdeiro e líder do Fundo de Investimento Público, que gere o Al Nassr".

E o que é que está mal aqui?

O regime. Não o facto de se tratar de uma monarquia absoluta, mas de esta monarquia ainda matar quem não concorda com as suas ideias, em pleno século XXI. 

O estado que terá sido responsável pelo brutal assassinato e desmembramento de Jamal Khashoggi, dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul, que ocorreu em 2018. "Um caso que até foi relembrado por um jornalista durante o encontro entre Donald Trump e Mohammed bin Salman, mas que o presidente norte-americano fez questão de desvalorizar, mesmo que um relatório da CIA confirme o envolvimento do príncipe no assassínio."

O estado que, desde que "Mohammed bin Salman assumiu o poder," condenou "muitas pessoas" consideradas ativistas "a longas penas de prisão simplesmente porque exerceram pacificamente os seus direitos à liberdade de expressão, associação e reunião," silenciando "todos os que tentam expor e combater as violações de direitos humanos."

O mesmo país que está no "topo dos países que mais praticam a pena de morte, com dezenas de pessoas a serem executadas a cada ano, muitas delas em terríveis decapitações públicas" e onde os tribunais "continuam a decretar a flagelação como punição para muitas ofensas, muitas vezes no seguimento de julgamentos injustos." Entre estes castigos estão as chicotadas, as "amputações e as chamadas amputações cruzadas (amputação da extremidade de um membro superior de um dos lados do corpo e da extremidade de um membro inferior do lado oposto)."

Que Trump diga coisas com as quais não concordamos - acho que vamos estando habituados. Que mande calar jornalistas e que os intimide, também não é novidade. Novidade é termos uma figura que é, quer queiramos quer não, um símbolo do país, a partilhar da mesma mesa e da companhia de um tirano. A este jogador, a este português, livre (aqui no seu país e livre no país que o recebeu à mesa) poder-se-ia exigir uma voz de protesto? Uma voz de denúncia? Mas isso seria abdicar da riqueza... penso que não seja só isso, talvez algum medo intrínseco... pois estes regimes têm garras que ultrapassam a segurança das fronteiras e são muito mais poderosos do que imaginamos. 

E se cada um faz aquilo que quer, a pergunta é, e quando o Ronaldo não quiser ou quando quiser mostrar publicamente a sua discordância? Poderá fazê-lo?

Fontes:

https://www.amnistia.pt/arabia-saudita-10-coisas-que-precisa-saber-sobre-um-reino-de-crueldade/#gref

https://sicnoticias.pt/especiais/cristiano-ronaldo/2025-11-19-video-obrigado-senhor-presidente-ronaldo-agradece-a-donald-trump-pela-rececao-na-casa-branca-baf02d25

https://cnnportugal.iol.pt/cristiano-ronaldo-casa-branca/donald-trump-e-cristiano-ronaldo/cristiano-ronaldo-foi-a-casa-branca-numa-tentativa-saudita-de-distrair-a-opiniao-publica-do-registo-atroz-de-direitos-humanos-cometeu-um-erro-de-imagem-que-vai-transportar-ate-aos-100-anos/20251119/691e1eb3d34e2bd5c6d42fa7


 

12/10/2023

A mão do Irão na guerra entre Israel e a Palestina

De vários lados chegam suspeitas do envolvimento do Irão no apoio a grupos militantes opostos a Israel. Se de facto isto for verdade, o conflito poderá ter outras repercussões e alastrar a outros países, envolvendo outros grupos armados. Mas por enquanto, apesar das suspeitas serem muitas, as provas não nos permitem afirmar com toda a certeza esse envolvimento. E isto faz-nos pensar no que ainda possa estar para vir...

De facto, os lideres iranianos não escondem o seu apoio ao Hamas, tanto a nível do financiamento como no próprio armamento. A suspeita é de que se trate mesmo de uma espécie de coligação liderada pelo Irão, uma vez que segundo Gilad Erdan (embaixador de Israel), o Presidente do Irão, Ebrahim Raisi, ter-se-á reunido "com os líderes do Hamas há várias semanas." Raisi disse mesmo saber que se reuniram "na Síria e no Líbano".

Em contrapartida, estas acusações são negadas pelo Irão, que se referiu aos ataques de dia 7 como um ato de "auto-defesa" dos palestinianos, no qual se estima que cerca de 900 israelistas tenham perdido a vida e várias dezenas de outros foram sequestrados.

Mas há outros envolvidos, como o Teerão que procura consolidar a sua influência no Líbano, Síria e Iémen, bem como na Faixa de Gaza, mas que também acabou por negar o seu envolvimento. Sabe-se no entanto que a "Jihad Islâmica Palestiniana - um grupo militante baseado em Gaza, mais pequeno do que o Hamas, mas que constitui uma importante força de combate no enclave costeiro - tem tido uma longa e pública aliança com Teerão."

As autoridades iranianas realizam reuniões regulares com o Hamas e com o Hezbollah, considerados terroristas por outros países da União Europeia e pelos EUA. Já duranto o mês de agosto deste ano, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Hossein Amir-Abdollahian, se terá deslocado a Beirute para se encontrar com o líder do Hamas, com a Jihad Islâmica Palestiniana e com outros grupos anti-Israel ativos no Líbano.

Israel estava a tentar reatar relações com alguns países árabes, relações essa às quais o Irão se opõe. Uns dias antes dos atentados em Israel, Ali Khamenei, o líder supremo do Irão, afirmou que esse estabelecimento de relações por parte de Israel era um "esforço completamente fútil."

Netanyahu, primeiro ministro israelita declarou que estavam em guerra contra o Hamas e que a resposta israelita aos ataques do "irá mudar o Médio Oriente".

 A Arábia Saudita, que antes dos ataques estaria em sérias conversações com Israel, vem agora defender publicamente a solução de dois Estados e apresenta-se novamente como um firme apoiante da população palestiniana. A questão da Palestina, volta assim a estar presente através das ações do Hamas, que "recordam claramente aos sauditas que a questão palestiniana não deve ser tratada como mais um subtópico nas negociações de normalização", escreveu Richard LeBaron, membro sénior não residente do Conselho do Atlântico. 

Fontes:

https://www.dw.com/pt-002/qual-%C3%A9-o-papel-do-ir%C3%A3o-no-conflito-israel-hamas/a-67056316

https://www.dw.com/pt-002/guerra-israel-gaza-ter%C3%A1-o-hamas-redefinido-a-agenda-israelo-%C3%A1rabe/a-67049727

https://cnnportugal.iol.pt/guerra/israel/o-hamas-e-o-irao-sao-aliados-de-longa-data-tera-teerao-ajudado-no-ataque-a-israel/20231010/65248ff4d34e371fc0b88682

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...