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27/09/2026

Faleceu o ator Adelino Tavares

Faleceu ontem o ator Adelino Tavares, no Hospital Pulido Valente, em Lisboa. Adelino Tavares foi "fundador da Orquestra Dramática O Bife", depois de ter terminado a sua formação no Chapitô, em 1989. Para trás, "deixa um legado e um contributo incontornáveis no panorama das artes performativas."

Do seu trabalho constam peças e "espetáculos com títulos deliberadamente provocadores", tais como: “O Discurso da Cenoura” (1990), “La Cromagnona + 1 peça para um colchão” (1990/91), “A Lei dos 3 tomates” (1995/96), “O Meu Carro é Mais Dramático que o Teu” (1993) ou “Um dia levanto-me e mato todos os gajos que não pensam”.

Participou ainda na novela "Jardins Proibidos" e na série "Inspetor Max," bem como em "Bocage" e "O Dia do Regicídio". No cinema, a sua colaboração como ator destacou-se em "I’ll see you in my dreams" (2003), um "filme de Filipe Melo e Miguel Ángel Vivas. Mais recentemente, participou também em "Ubu" (2023), de Paulo Abreu.

Fontes:

https://observador.pt/2026/09/27/morreu-adelino-tavares-fundador-da-orquestra-dramatica-o-bife-e-figura-do-teatro-de-vanguarda-portugues/

https://rr.pt/noticia/amp/vida/2026/09/27/morreu-ator-adelino-tavares-fundador-da-orquestra-dramatica-o-bife/487029/


22/09/2026

Perdeu-se a icónica voz de Jorge Palma

Um dos maiores nomes da música portuguesa do seu tempo, deixou-nos ontem à noite. Começa a ficar um vazio difícil de preencher quando olhamos para trás e os grandes nomes na música da nossa juventude já começaram a desaparecer. Ficam as suas músicas, fica a letra de cada canção e ficam as muitas imagens gravadas, palavras ditas e escritas para nós e para os que virão, mas deixam de estar as pessoas e isto começa a fazer-nos sentir cada vez mais carentes, mais pobres.

Jorge Palma nasceu a 4 de outubro de 1950, em Lisboa e desde cedo mostrou aptidão para a musica. Brincava com o seu piano, imitando aquilo que ia escutando na rádio e, felizmente, a mãe percebeu que ele podia ter algum potencial e colocou-o logo aos seis anos a "ter aulas de música, tendo ingressado no Conservatório de Música de Lisboa aos 10."

"Em 1963, ficou em segundo lugar num concurso internacional de piano, no Festival Juventudes Musicais, em Palma de Maiorca, Espanha, onde foi também distinguido com uma Menção Honrosa." Aos 14 anos, abandona a música clássica para se dedicar ao pop-rock. Esta mudança poderá ter sido o ponto de viragem na vida do cantor e autor, que desde logo mostrou que a liberdade era um alvo a atingir.

Em 1971, apresentou-se na primeira edição do festival de Vilar de Mouros, com o grupo "Sindicato" e fez ainda parte da banda "Black Boys". Com 22 anos, "em 1972, gravou The Nine Billion Names of God, o primeiro single em nome próprio, cujo pagamento recebeu em eletrodomésticos." É então que é chamado para cumprir o serviço militar e foge para a Copenhaga, na Dinamarca, onde esteve exilado, regressando depois de se dar o 25 de abril de 1974. A sua guerra foi feita fora do país e as armas que usou foram a voz e os instrumentos, principalmente o piano. Ainda no exílio, começou a preparar um novo disco com letras escritas em inglês, mas acaba por alterar as letras para português para que estas fizessem mais sentido a quem as escutasse e fossem compreendidas por mais pessoas. No ano seguinte, edita o primeiro álbum em nome próprio, "Como uma viagem na palma da mão" do qual não são feitas mais de 500 cópias, podendo esta baixa procura ter sido resultado do verão "quente" de 1975 e da instabilidade em que o país vivia. Ainda em 1975, apresenta com Fernando Girão, "Pecado Capital" no Festival da Canção.

Em 1979, editou com Sérgio Godinho, "Na terra dos sonhos", do álbum "Qualquer coisa pá música." Acaba por trocar Lisboa por Paris, onde toca nas ruas e no metro. "Na década de 1980, de volta a Lisboa, retoma os estudos de piano no conservatório, que terminou em 1990. Logo a seguir, grava Só, editado em 1991, a primeira coletânea de carreira de Jorge Palma, na qual revisita, apenas ao piano, canções dos discos das duas décadas anteriores." Nos anos 90 a carreira de Jorge Palma, sofre uma nova viragem com a criação de "Palma's Gang, ao lado de Zé Pedro e Kalu, dos Xutos & Pontapés, e de Flak e Alex Cortez, dos Rádio Macau." Compôs também "para teatro e para outros artistas," tendo ainda integrado o famoso "projeto Rio Grande." 

Voltaria aos originais em 2001, com o álbum "É proibido fumar". Em 2002, vence "o Prémio José Afonso, em 2002, com Jorge Palma." Lança "Norte", em 2004, "Voo nocturno", em 2007, e "Com todo o respeito", em 2011. 

Em 2012 vence a "primeira edição do Prémio Pedro Osório, da Sociedade Portuguesa de Autores," com o "álbum Com todo o respeito."

Em 2020, recebe "a medalha de mérito cultural da Câmara Municipal de Lisboa, no final de um concerto de celebração dos seus 70 anos," sendo então também "condecorado pelo então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como comendador da Ordem do Infante D. Henrique."

Em 2023, edita o seu último álbum, intitulado "Vida," estreando em 2025 o espetáculo "Três palmas na mão," onde tocava com os seus dois filhos, Vicente e Francisco.

Em abril deste ano, Jorge Palma "distinguido com o Prémio Carreira do 8.º PLAY – Prémios da Música Portuguesa, decidido pela direção da Audiogest."  Ali se cantaram excertos das suas canções, pelas vozes de Sérgio Godinho, Tim, Marisa Liz, Miguel Luz, Inês Marques Lucas, Vicente Palma e Francisco Palma. A sua música é marcada por poemas com fortes mensagens, feitas de palavras que ele soube escolher e que, na sua maioria, ficou nos nossos ouvidos. Para quem o quiser recordar deixo a Grande Entrevista, feita por Vitor Gonçalves a Jorge Palma.

Cessa a voz, mas ficam as palavras...

Fontes:

https://observador.pt/2026/09/22/morreu-jorge-palma-um-dos-maiores-nomes-da-musica-portuguesa-cantor-e-compositor-tinha-76-anos/

https://sicnoticias.pt/cultura/musica/2026-09-21-video-morreu-o-musico-jorge-palma-tinha-76-anos-508149f9

https://sicnoticias.pt/cultura/musica/2026-09-22-jorge-palma-uma-vida-dedicada-ao-piano-ao-rock-e-a-liberdade-9a96899d

https://youtu.be/a-LRfO77Y8Y

https://youtu.be/OELFfVKylX4


22/07/2026

Faleceu Luís Represas

Luís Represas tinha 69 anos e celebraria em breve 50 anos de uma vasta carreira musical. Nascido em Lisboa, no dia "24 de novembro de 1956," estudou no Liceu Pedro Nunes e foi ali que se tornou "porta-voz da LUAR (Liga de Unidade e Ação Revolucionária), movimento de oposição ao Estado Novo que, tendo nascido para a ação armada contra o regime, rejeitou o recurso a atos terroristas." 

Estudava Medicina mas seria a música a sua grande arma, já no pós-25 de abril, como "fundador e vocalista dos Trovante." A banda que fundou em conjunto "com o irmão, João Nuno Represas, João Gil, Manuel Faria e Artur Costa no verão de 1976," desde sempre esteve ligada "à luta de esquerda," tendo atuado diversas vezes na Festa do Avante.  Foi com este grupo musical que o artista conseguiu lançar a sua carreira e conseguir "notoriedade na indústria musical do pós-25 de abril." Com o passar do tempo, as canções começaram a tornar-se cada vez "menos comprometidas e a conotação partidária ia-se afastando do Partido Comunista." Depois do encerramento da banda em 1992, continuou a cantar a solo, tendo lançado o seu "primeiro álbum, Represas, em 1993, influenciado por uma viagem a Havana."

Um dos muitos temas que o definem como cantor foi "Feiticeira, em colaboração com o cubano Pablo Milanés," mas o cantor teve ainda diversas "colaborações musicais," com nomes "como Bernardo Sasseti, Simone de Oliveira, Jorge Palma, Compay Segundo, ou Gilberto Gil." Músicas como "Saudade", "Balada das sete saias" e "Fizeram os dias assim" ficariam famosas na sua voz, mas houve um tema que marcou uma outra nação: "Timor" foi uma das mais conhecidas canções de Luís Represas, uma canção que se transformou num hino pela autodeterminação de um povo. "Em 2005, Luís Represas foi distinguido pelo Estado português com a Ordem de Mérito do grau de Comendador por Jorge Sampaio."

A minha canção preferida é esta: "Perdidamente", que tem por base um poema de Florbela Espanca e fez parte do disco de 1987 "Terra Firme."

O artista sofria de um cancro pulmonar e acabou por falecer esta manhã, possivelmente de "complicações relacionadas com a doença."

Fontes:

https://observador.pt/2026/07/22/morreu-luis-represas-o-musico-e-vocalista-dos-trovante-tinha-69-anos/

https://observador.pt/especiais/luis-represas-1956-2026-cantor-portugues-de-qualquer-chao-e-tempo/

https://www.youtube.com/watch?v=tjHt2N2PPfk



03/05/2026

O desaparecimento de um dos maiores comunicadores do "meu tempo" e a Liberdade de Imprensa

 Hoje fazia tenções de escrever apenas sobre a Liberdade de Imprensa, mas acabei de saber que tinha falecido esta madrugada um dos maiores radialistas e voz-off da minha geração. De voz inconfundível, Cândido Mota foi um comunicador que se distinguiu pela clareza e força da sua voz. Uma voz que conhecemos antes da imagem.

Atualmente a viver na Casa do Artista, Cândido Mota foi locutor de rádio, apresentador de televisão e ator, particularmente em pequenos sketches feitos com Herman José.

Nascido em Espinho a 28 de setembro de 1943, Cândido começou a trabalhar no Rádio Clube Português com apenas 17 anos. Na RDP (Rádio Difusão Portuguesa) fez programas inovadores para a época como o "Em Órbita" ou o "Passageiro da Noite" (1979). no qual as pessoas podiam ligar para a rádio e falar em direto sobre diferentes temas.

Foi contraponto em muitos programas televisivos, trabalhando por exemplo com Herman José com quem tinha uma cumplicidade indisfarçável, por exemplo em "A Roda da Sorte" (1991) ou "Com a Verdade m'enganas", ambos da RTP. Estávamos numa época em que havia pouca variedade, mas uma qualidade superior, principalmente ao nível dos concursos e do entretenimento. 

Quanto ao tema que me propunha falar em primeiro lugar, outras oportunidades virão, mas não poderia deixar de relembrar que a liberdade de um povo se vê na liberdade da sua imprensa. Tal como nos lembrou António José Seguro, existem muitos países em que os jornalistas "são frequentemente alvo de censura, ameaças e mesmo violência." Eu acrescentaria que existem países onde os jornalistas são perseguidos e assassinados, onde estar identificado como "press" não significa estar em segurança. A nossa democracia deve muito à imprensa que, tantas vezes, foi tentando contornar as ordens do regime.

Agora deixo a questão: existe liberdade de imprensa no nosso país?


Fontes:

https://sicnoticias.pt/pais/2026-05-03-presidente-da-republica-diz-que-voz-inconfundivel-de-candido-mota-ficara-na-memoria-coletiva-1d65f8b7

https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2ndido_Mota_(locutor)

https://diariodistrito.sapo.pt/liberdade-de-imprensa-em-risco-alerta-de-antonio-jose-seguro/

09/01/2026

Faleceu a atriz Elisa Lisboa

Elisa Lisboa faleceu hoje aos 81 anos. A atriz residia na Casa do Artista desde 2018, depois de em 2017 ter tido um AVC. Nasceu em 1944, foi atriz, professora e encenadora.


"Filha do distinto cantor de ópera José Eurico Corrêa Lisboa e da professora Maria Isaura Belo de Carvalho Pavia de Magalhães e neta materna do maestro Eduardo Pavia de Magalhães e da pianista Branca Belo de Carvalho, a artista começou no Teatro Experimental de Cascais," passando também pela "Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro," e pelo grupo "Teatro Hoje."


Elisa Lisboa começou a sua carreira no final da década de 60, no Teatro Experimental de Cascais, onde atuou em “Bodas de Sangue” (1968), “Maria Stuart” (1969), “Antepassados Precisam-se” (1970), “Um Chapéu de Palha de Itália” (1970) e “O Rei Está a Morrer” (1970). Mais tarde, já no Grupo "Teatro Hoje (Teatro da Graça)" destacou-se em “O País do Dragão” (1987), “Vieux Carré” (1988) ou “Terminal Bar” (1990). Fez ainda parte de espetáculos como "O Duelo" (1971), "O Concerto de Santo Ovídeo" (1973), "Os Amantes Pueris" (1976), "O Equívoco" (1977) e "Os Sequestrados de Altona" (1979).


Chegou mesmo a gravar alguns singles, mas a sua carreira ganharia maior destaque no cinema e na televisão.



A sua carreira no cinema, começou nos anos 90, com participações relevantes em filmes como: “Sombras de uma Batalha” (1993), “Aparelho Voador a Baixa Altitude”, de Solveig Nordlund (2002), “Coisa Ruim”, de Tiago Guedes e Frederico Serra (2006), “Alasca”, (2009), “Luz da Manhã” (2011), “Fábrica dos Sonhos” (2011), “A Primeira Ceia” (2011), “Os Últimos Dias” (2011), “A Teia de Gelo” (2012), “Axilas”, de Fernando Lopes (2016).



Também participou em várias séries e comédias. O seu primeiro projeto foi “Tragédia da Rua das Flores” (RTP 1981), passando mais tarde por “Mistério Misterioso” (RTP 1990), “Sozinhos em Casa” (RTP 1994), “Sabor da Paixão” (Rede Globo 2002/2003). Participou também na série “Morangos com Açúcar” (TVI 2006) e, no mesmo ano, participa na SIC no sucesso "Floribella" (2006). Entretanto, participa em “Ilha dos Amores” (TVI 2007), e volta à SIC para "Podia Acabar o Mundo” (2008).


Passa ainda por “Conta-me Como Foi” (RTP 2008/2009), “Feitiço de Amor” (TVI 2008/09), “Liberdade 21” (RTP 2009), “Flor do Mar” (TVI 2009), “Meu Amor” (TVI 2009/10), “Cidade Despida” (RTP 2010), “Regresso a Sizalinda” (RTP 2010), “Velhos Amigos” (RTP 2012), “Doce Tentação” (TVI 2012/2013), “Mulheres” (TVI 2014), “Bem-Vindos a Beirais” (RTP 2015). Uma carreira cheia de diferentes personagens, de grande papéis e que terminaria com o seu último projeto "na TVI, em 2016, quando interpretou Maria Amélia Martins em "A Impostora."


A sua vasta carreira, passou também pelo ensino, tendo sido professora de Interpretação "na Escola Superior de Teatro e Cinema."


Fontes:


https://sicnoticias.pt/cultura/2026-01-09-morreu-a-atriz-elisa-lisboa-e5c289ba


https://www.noticiasaominuto.com/fama/2916295/morreu-aos-81-anos-a-atriz-elisa-lisboa-nao-sera-esquecida


https://expresso.pt/cultura/sugestoes_culturais_televisao/2026-01-09-morreu-a-atriz-elisa-lisboa-d53f9834


 


 

10/12/2025

Faleceu a escritora, professora e bióloga Clara Pinto Correia

Clara Pinto Correia era escritora, bióloga e professora universitária. Tinha apenas 65 anos e "foi encontrada morta em casa em Estremoz esta terça-feira." O que aconteceu para se perder, de forma tão precoce, uma mulher que (nas palavras do próprio Presidente da República) "juntava à alegria de viver, uma inteligência e um brilho que se expressaram na intervenção oral e escrita, no magistério científico e na comunicação com os outros," e que nunca deixou "ninguém indiferente"?

Clara nasceu em Lisboa a 30 de janeiro de 1960. Era do mesmo ano e da geração da minha mãe e, apesar de nunca a ter conhecido, sabia-a uma importante escritora. Viveu em Angola, onde o pai cumpria o serviço militar e foi n o Ultramar que lhe "nasceu a paixão pela Biologia." Dizem que foi uma "excelente aluna," tendo frequentado "o Liceu Francês Charles Lepierre" e, mais tarde, "o Liceu Rainha D. Leonor." Estudou Biologia na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde termina a licenciatura em 1984. Doutorou-se e ainda foi investigadora numa área muito específica e que estava ligada à clonagem "de embriões de mamíferos." Chegou a especializar-se também em História das Ciências.

Até desconhecia que fosse professora, pois as minhas referências estavam nos artigos que tinha lido na imprensa escrita. Comecei a perder-lhe o rasto e, estava longe de saber daquilo de que a tinham acusado. Infelizmente, o caso das acusações feitas a Clara, deram cabo da sua reputação. Mas é na sua obra que me quero agora focar.

Em 1984, Clara edita o seu primeiro romance, com um estranho título: "Agrião." Mas quem conhece a sua peixão pela natureza, entenderia o título deste e de outros livros. A verdade é que "como escritora, assinou entre 1983 e 2007 mais de quarenta obras, entre as quais se destacou o romance Adeus, princesa, sobre a reforma agrária no Alentejo," livro que acabou por dar "origem a um filme." Escreveu também "literatura infantil, crónica, poesia" e "narrativa." Foi atriz e apresentou programas de rádio.

Escreveu artigos para “O Jornal” (entre 1980-1985), e para o “Jornal de Letras” (entre 1983 e 1986). Escreveu também para a revista "Visão", mas em 2003, e apesar de nem sequer estar em Portugal, foi "acusada de plágio" em duas das crónicas que escreveu para essa mesma revista. Calou-se, mas arrependeu-se de não se ter vindo defender. Num trabalho fotográfico apresentado por Pedro Palma, em Cascais, mostrou-se em poses íntimas, rosto descomplexado e inebriado, que deram que falar e fizeram correr muita tinta na imprensa cor de rosa e não só. Divorciou-se.

Ficou sem trabalho e, como a própria chegou a referir, a segurança social demorou "quase dois anos" para lhe atribuir um "subsídio de desemprego." Queixou-se de ter enfrentado filas onde se sentia olhada de lado...Foi despejada da casa que alugava há 30 anos "no Penedo (perto de Colares, Sintra)." 

Em  2017, enfrentou a "misteriosa morte do ex-marido, Pedro Palma," cujo corpo foi encontrado "dentro da bagageira do próprio carro," no mesmo ano em que recebeu "o Prémio Mulher Empreendedora, no domínio da literatura."

No ano passado, escreveu numa artigo para a Revista Nova Gente, que tinha sido "violada, há cerca de cinco anos, no Natal," por "dois tarados." Além da sua médica, mais ninguém soube - até agora. Afastou-se das suas pessoas, dos que amava, para não os magoar, talvez, magoando-os ainda mais. Quantos de nós nos afastamos, para não aborrecer os outros com os nossos problemas? São escolhas, que fazemos, mas que nos trazem consequências graves. Não sabemos (só eles sabem) o que terá passado, os encontros e desencontros da vida que a levaram a ficar sozinha.

E morreu sozinha... diz-se (mas dizem-se tantas coisas que nunca saberemos o que é verdade e o que é apenas especulação), que ficou durante dias sozinha, sem que ninguém tivesse dado pela sua falta e que foi "encontrada morta pela sua empregada doméstica." Talvez a amiga que lhe valia nos dias de solidão. Aos amigos e à família, os meus sentimentos.

Fontes:

https://www.jornaldenegocios.pt/economia/cultura/detalhe/morreu-a-escritora-clara-pinto-correia

https://www.novagente.pt/clara-pinto-correia-violacao-que-revelou-dias-antes-de-morrer-fiquei-traumatizada

https://www.flash.pt/celebridades/detalhe/a-macabra-e-misteriosa-morte-do-ex-marido-de-clara-pinto-correia-que-a-biologa-nunca-conseguiu-ultrapassar

https://pt.wikipedia.org/wiki/Clara_Pinto_Correia

07/12/2025

Faleceu Anita Guerreiro

De uma voz inconfundível, "Bebiana Guerreiro Rocha Cardinali, mais conhecida como Anita Guerreiro," deixa-nos hoje, aos 89 anos. Anita Guerreiro vivia há cerca de 11 anos na Casa do Artista. Coincidência, celebraram-se ontem, 6 de dezembro, 113 anos da abertura do Teatro Politeama.

Foi fadista, mas também nos encantou com a sua voz na revista à Portuguesa e espantou nas marchas populares de Lisboa. Uma artista completa, foi atriz e será sempre lembrada como uma mulher que não se dava a vedetismos e que sempre lutou a pulso por conquistar o seu lugar. E se ela merecia ser vedeta! Ficam as saudades!

A muitos inspirou e agora perde-se uma das maiores vozes do nosso país! Nasceu "a 13 de novembro de 1936, em Lisboa," e foi com apenas 7 anos que se estreou "na coletividade Sport Clube do Intendente." 

Em "1952 concorreu ao Tribunal da Canção, um passatempo radiofónico do programa Comboio das Seis e Meia, à época um enorme sucesso," o qual a tornou conhecida do público. Em 1954, a "fadista estreou-se" no palco do "Teatro Variedades, no Parque Mayer, em Lisboa," ainda "menor" de idade e, por isso, com "uma autorização especial do coronel Óscar de Freitas para atuar." 

"Em 1955 estreou-se no Teatro Maria Vitória, na revista Ó Zé Aperta o Laço, seguindo-se apresentações em Festa é Festa (1955) e revistas no Coliseu dos Recreios como Cidade Maravilhosa (1955) e Fonte Luminosa (1956)." Ainda em 1956, participou no filme "Lisboa," cantando Lisboa Antiga. Chegou a viver nos EUA, mas quando em 1982 regressou, Anita Guerreiro fez parte do "elenco da revista Há mas são verdes, onde criou os fados "Hermínia de Lisboa", numa "homenagem a Hermínia Silva," e Calçadinha à portuguesa. Outras canções da artista: "Sardinhada", ou "Sou Tua".

"Integrou também o elenco de várias telenovelas e séries portuguesas, como Primeiro Amor (1995), Roseira Brava (1996), Uma Casa em Fanicos (1998)," e quem não se lembra de a ver em "A Loja do Camilo," ou em "Os Batanetes (2004)"? Na musica, é de destacar é claro o grande sucesso “Cheira bem, cheira a Lisboa, mais tarde imortalizado por Amália Rodrigues." Na revista, recebeu em 1970, o Prémio Estevão Amarante para Melhor Artista de Revista, pela sua interpretação em Peço a Palavra. Em Angola, foi vencedora também de uma "Guitarra de Ouro." E foram tantas as revistas em que participou! 

03/12/2025

Faleceu Olga Cardoso, a "Amiga Olga"

Lembro-me tão bem dela. Ainda no outro dia, numa rúbrica da rádio, ouvi António Sala (outro grande senhor) falar da parceria que tinham e como é que tinham sido os seus primeiros dias. Afinal, a voz da Olga é inconfundível e faz parte das minhas memórias de infância. A sua voz entrava-nos pelas salas dentro, transmitindo alegria.

Olga Cardoso era natural de Miragaia, Porto, onde nasceu em 1934. Começou a sua carreira "na comunicação muito cedo. Em 1949," com apenas 15 anos, começou a dar voz a novelas radiofónicas e, "em 1964, entrou para a Rádio Renascença, onde viria a construir praticamente toda a sua carreira." O programa matinal “Despertar, que apresentou com António Sala durante 17 anos," rapidamente se tornou num "fenómeno de popularidade e audiências." Este programa foi popular em Portugal, mas também junto das comunidades de portugueses lá fora, chegando a haver "emissões em direto de Viena, na Áustria, de Sevilha, em Espanha, de Macau e da Expo`98 e ainda a bordo de aviões, barcos ou submarinos."

"Em 1993, estreou-se na TVI" como apresentadora do concurso “A Amiga Olga”. Quem não se lembra do gongo e da famosa expressão "o dinheiro ou a chave?" e da emoção que era ver o prémio revelado. Uns melhores, outros piores, mas sempre divertido! O programa "esteve no ar um ano e três meses." Olga Cardoso, ainda se dedicaria à música, chegando mesmo a gravar dois discos.

Desde os 80 anos, que Olga vivia com um diagnóstico de Parkinson. Olga Cardoso faleceu no dia 2 na sequência de um AVC, com 91 anos.


Fontes:

https://expresso.pt/cultura/sugestoes_culturais_televisao/2025-12-03-olga-cardoso--1934-2025--a-amiga-olga-morreu-aos-91-anos-8a418299

https://www.rtp.pt/noticias/cultura/radialista-e-apresentadora-amiga-olga-morre-aos-91-anos_n1702255

02/12/2025

Faleceu Constança Cunha e Sá

Constança Cunha e Sá era uma referência no jornalismo nacional. Perdeu-se uma excelente entrevistadora. Acutilante, sarcástica e determinada, Constança apresentava uma singular rapidez de raciocínio, que se manifestava na sua forma de entrevistar as figuras mais importantes da política nacional.


Constança nasceu em Lisboa, no dia 23 de agosto de 1958. Licenciou-se em Filosofia, na Faculdade de Letras da Universidade Católica de Lisboa, e embora tenha chegado a trabalhar como professora, foi como jornalista que se destacou.


Iniciou a sua carreira em "1988, com 29 anos, na revista Sábado," sob direção de Joaquim Letria. Deixa de colaborar com esta revista em 2007.


"Em 1996, é nomeada directora do semanário O Independente," substituindo Paulo Portas. "Antes disso, tinha sido diretora adjunta do jornal, onde também assinava uma coluna de opinião." Escreveu ainda para para outros jornais portugueses, como o "Público, Jornal I, Jornal de Negócios e Correio da Manhã."


"Antes de começar a trabalhar na TVI como editora de Política," foi redatora principal do Diário Económico.


Na TVI, entre outros, modera A Prova dos 9, na TVI24, um programa de comentários sobre a situação politica, social e económica de Portugal.


Constança faleceu vítima de cancro, com apenas 67 anos. "Foi casada com Vasco Pulido Valente, com Simon Peter Stilwell, de quem teve um filho, Miguel Maria, e era viúva do também jornalista António Ribeiro Ferreira, que morreu em 2022." Era uma daquelas pessoas que dava gosto ver a fazer televisão, pois transmitia a certeza de que faria tudo pela resposta mais sincera e, muitas vezes, mais inesperada. Tinha uma postura de confiança, sem se deixar intimidar pelos seus entrevistados, fazendo comentário político como poucos têm a capacidade de fazer. 


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Constan%C3%A7a_Cunha_e_S%C3%A1


https://rr.pt/noticia/pais/2025/12/02/morreu-a-jornalista-constanca-cunha-e-sa/450135/

23/10/2025

Faleceu Laborinho Lúcio

Álvaro Laborinho Lúcio deixou-nos na última madrugada com 83 anos.



Álvaro nasceu na Nazaré, no dia 1 de dezembro de 1941 e, na sua "juventude, chegou a ser ator amador, tendo mesmo "participado na criação do Grupo de Teatro da Nazaré." Entretanto, veio a ingressar na "Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Direito e obteve o Curso Complementar de Ciências Jurídicas."



Foi "ministro da Justiça e deputado à Assembleia da República, juiz, procurador da República, inspetor do Ministério Público e diretor da Escola da Polícia Judiciária e do Centro de Estudos Judiciários."


Na Nota de Pesar do site da Presidência da República, Laborinho Lúcio é caraterizado como um homem que "esteve sempre à frente do seu tempo," como um humanista de uma grande "ética cívica" e "um elevado sentido de serviço ao país." Foi desde sempre um defensor "dos direitos humanos, sempre na procura permanente da defesa intransigente dos direitos das crianças em todas as suas dimensões."


Além da publicação de vários livros, foi ainda "dirigente de várias associações, como a APAV - Associação Portuguesa de Apoio à Vítima e a CRESCER-SER, e mais recentemente, fez parte da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica." Em março de 2023, 


Foi também membro da "Academia Internacional da Cultura Portuguesa e doutor honoris causa pela Universidade do Minho, recebeu a Grã-Cruz da Ordem de S. Raimundo de Peñaforte pelo rei de Espanha e a Grã-Cruz da Ordem de Cristo pelo Presidente da República Jorge Sampaio."


 


Fontes:





 

21/10/2025

Faleceu Francisco Pinto Balsemão

Foi Primeiro-ministro de Portugal entre janeiro de 1981 e junho de 1983, acreditava tanto na liberdade de imprensa, que fundou um dos mais conhecidos jornais da atualidade, ainda o país não era livre. Foi advogado, mas também jornalista, político, empresário.


Morreu ontem à noite, com 88 anos e a notícia da sua morte "foi comunicada pelo próprio primeiro-ministro durante o Conselho Nacional do PSD, à porta fechada, tendo sido ouvido um longo aplauso por parte dos conselheiros nacionais do partido do qual Pinto Balsemão foi fundador."


Luís Montenegro anunciou a intenção do Governo de decretar luto nacional no dia das cerimónias fúnebres. Já Luís Marques Mendes, candidato presidencial, "fez saber" durante esta madrugada, "que todas as ações de campanha agendadas para os próximos dias serão canceladas, por respeito à memória de Francisco Pinto Balsemão," que era "Presidente da Comissão Política da sua candidatura."



Francisco Pinto Balsemão, nasceu em Lisboa a 1 de setembro de 1937. Licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e, desde cedo, "envolveu-se no mundo da imprensa, adquirindo experiência jornalística na revista Mais Alto e, posteriormente, no semanário e no matutino Diário Popular." No ano de 1972, fundou o grupo Impresa, de onde em 1973 sairia a primeira edição do semanário Expresso, o qual "se tornaria um dos jornais mais prestigiados do país, especialmente relevante no período de transição democrática."




Figura determinante não só na vida pública, mas também na vida política, "fez parte do grupo de jovens liberais que, ainda antes da Revolução de 25 de Abril, assumiu um papel de destaque na "Ala Liberal" da Assembleia Nacional." Em 1974, funda o "Partido Social Democrata" (na altura PPD-PSD), "juntamente com Magalhães Mota e Francisco Sá Carneiro," tendo sido o militante número 1" e, em janeiro de 1981, torna-se mesmo Primeiro-ministro, no "VII Governo Constitucional, tendo permanecido no cargo até junho de 1983." Foi durante o seu mandato que se negociou o dossier do "processo de adesão à Comunidade Económica Europeia," bem como a "revisão constitucional de 1982, que afastou definitivamente o Conselho da Revolução."


Dedicou-se de forma particular à causa da liberdade e do direito à informação. "A sua visão consistiu em fomentar a liberdade de informação, modernizar os meios de comunicação social e contribuir para a consolidação da democracia portuguesa."


Em 1986, Balsemão começa a preparar o caminho para um novo conceito televisivo, que levaria à implantação de um novo canal - a SIC. Em 1991, no governo de Cavaco Silva, viu uma brecha de negócio que daria lugar no ano seguinte à criação da primeira estação privada de televisão, a SIC – Sociedade Independente de Comunicação - numa panorâmica mais comercial e generalista, apostando desde logo na informação. A primeira emissão teria lugar a 6 de outubro de 1992, com a apresentação de Alberta Marques Fernandes. Dos sócios fundadores da SIC, faziam parte o "Jornalgeste," (que detinha o Jornal de Notícias, O Jogo e a Rádio Press, "o grupo Lusomundo" e o grupo "Soincom, com 25% do capital social," do qual faziam parte, entre outros, o "grupo Impresa de Francisco Pinto Balsemão (Expresso, A Capital, Exame)," o "grupo Impala (Maria, Mulher Moderna, Nova Gente, TV 7 Dias)," e a Rádio Comercial."


 


Fontes:


https://expresso.pt/francisco-pinto-balsemao--1937-2025-/2025-10-21-morreu-francisco-pinto-balsemao-ex-primeiro-ministro-e-fundador-do-grupo-impresa-99d66e8d


https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade_Independente_de_Comunica%C3%A7%C3%A3o


https://www.publico.pt/2025/10/21/sociedade/noticia/morreu-francisco-pinto-balsemao-2151693


https://www.publico.pt/2025/10/21/sociedade/noticia/morreu-francisco-pinto-balsemao-2151693


 


 


17/10/2025

Faleceu o historiador António Borges Coelho

Tinha 97 anos e assistiu por isso a importantes eventos do curso histórico do nosso país, da Europa e do Mundo! Além de historiador, António Borges Coelho, foi também poeta e ficcionista. Escreveu sobre a "Inquisição portuguesa e a ocupação islâmica daquele que viria a ser o território português." Passou pela queda da República, por uma ditadura, pela 2ª Guerra Mundial e pela chegada da democracia. Assistiu ao encerramento do país devido ao Covid, o mesmo covid que o mantinha internado e que terá contribuído para a sua morte.


Nascido em Murça a 7 de outubro de 1928, quis "ser frade franciscano," tendo arriscado ir "para o seminário de onde acabaria por ser expulso."


No final da década de 1940, ingressa na "Faculdade de Direito Lisboa, mas abandona os estudos para dedicar-se exclusivamente à política," participando de forma ativa "na campanha presidencial de Norton de Matos."


"Em 1949 integra o Movimento de Unidade Democrática (MUD) Juvenil e, depois, o Partido Comunista Português (PCP). A 3 de janeiro de 1956, já como dirigente do PCP na clandestinidade, é preso pela PIDE, recolhendo à cadeia do Aljube."



Em junho de 1957 é julgado e "condenado a dois anos e nove meses de prisão," seguindo "para a prisão de Peniche." É ainda na prisão que casa "com Isaura Silva, em 1959. Um ano depois, Borges Coelho opta por não integrar a fuga de Peniche de vários dirigentes do PCP," recusando assim voltar à clandestinidade. A sua pretensão era a de se dedicar "a uma carreira como historiador após a libertação" algo que mais tarde acabaria por acontecer, mas não sem antes ter sido "castigado e enviado para o Aljube." Ali, foi sujeito "à tortura da estátua e a seis meses de isolamento."


Regressado à prisão de "Peniche, dedica-se ao trabalho de escrita histórica. Em 1962 ser-lhe-ia concedida liberdade condicional por um período de cinco anos." Diz o PCP que, depois de adquirida a liberdade, Borges Coelho toma a decisão "de se desvincular do PCP," mas não se sabe se terá sido assim, uma vez que terá continuado a "manter um posicionamento de estreita colaboração com o Partido."


"Em 1967 conclui a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas na Universidade de Lisboa. Em 1968 torno-se jornalista, n’ A Capital." Depois disso, veio ainda a trabalhar "no Diário de Lisboa, Diário Popular, Vértice ou Seara Nova." 


"Já em liberdade continuou os trabalhos que tinha iniciado no Forte de Peniche e escreve “As Raízes da Expansão Portuguesa”, livro que foi apreendido das livrarias e que o levou a ser submetido a novos interrogatórios pela PIDE. No ano seguinte publicou “A Revolução de 1383”.


Além destes, publicou as obras "Questionar a História, A Inquisição em Évora (1987)" bem como "vários volumes da História de Portugal."


Até 2020, foi "presidente do Conselho Consultivo do Museu do Aljube, com quem colabora desde o seu início. Em 1999, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Santiago da Espada, em 2018 com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e em 2019 foi-lhe atribuída pelo Governo a Medalha de Mérito Cultural." Tinha publicado este ano, na editora Caminho, "a coletânea Poemas."


Uma das fontes vivas da memória deixou-nos e deixou mais pobre o nosso país. O PCP diz dele que é um "homem vertical, solidário, homem de causas e de luta pela liberdade, pela emancipação social, por um Portugal democrático, de progresso e de justiça." Pelo menos, ficaram a sua escrita e os seus relatos e isso será mais difícil de apagar.


Fontes:


https://www.publico.pt/2025/10/17/culturaipsilon/noticia/morreu-historiador-antonio-borges-coelho-2151280


https://www.museudoaljube.pt/doc/antonio-borges-coelho-jorge-tavares-da-silva/


https://www.pcp.pt/faleceu-antonio-borges-coelho


 

04/07/2025

Luís Jardim: músico morre aos 75 anos

Num dia, já marcado pela dor da notícia da morte de dois jovens jogadores que comove o país, chega-nos a notícia da perda de um grande nome do panorama musical: Luís Jardim.


O músico e produtor, natural da Madeira, partiu no dia em que completava 75 anos. Luís Jardim notabilizou-se pelo seu trabalho "como músico de estúdio (sobretudo na percussão), com algumas das maiores estrelas internacionais do pop/rock da segunda metade do século XX." Foi um dos pioneiros do fenómeno do "Rock, em Portugal," com a banda "Demónios Negros." Com apenas 16 anos, Luís Jardim saiu do "Funchal e partiu para Londres, onde se afirmou, sobretudo, como percussionista de estúdio. Três anos depois estava a tocar em Hyde Park com os Rolling Stones."


Jardim trabalhou com nomes como "Tina Turner" e "Elton John," além de ter participado em discos de bandas como "ABC," "Frankie Goes To Hollywood," "Duran Duran" e de cantores como "Grace Jones," "Seal," "Paul McCartney," "Robbie Williams" ou "David Bowie," entre muitos outros.


Por cá, "colaborou com a cantora Ana, também madeirense, e com Midus, a voz dos Roquivários, nos anos 80. Produziu discos de Rui Veloso e esteve ligado ao lançamento e consolidação da carreira de João Pedro Pais, entre outros." Reconhecido além fronteiras, foi com a sua participação em concursos musicais televisivos (“Ídolos”, da SIC,  “Uma Canção Para Ti” e “A Tua Cara Não Me É Estranha”, na TVI), que começou a ser mais conhecido pelos portugueses.


Fontes:


https://expresso.pt/blitz/2025-07-04-morreu-luis-jardim-musico-e-produtor-portugues-que-trabalhou-com-as-maiores-estrelas-da-musica-internacional-1932569c


https://www.rtp.pt/noticias/cultura/morreu-o-musico-e-produtor-luis-jardim_n1666905

03/07/2025

A morte de dois jogadores promissores, duas perdas irreparáveis para o futebol português

Serem dois jovens, dois jogadores promissores já me traz uma sensação de injustiça, mas pensar que Diogo e André são irmãos, ainda me dá um aperto maior.

Diogo Silva, mais conhecido por Diogo Jota, tinha 28 anos, era atualmente jogador do Liverpool e tinha casado no mês de junho com a sua companheira de vida, Rute Cardoso, com quem tinha três filhos. Ao seu lado no carro seguia o irmão, André Silva de apenas 25 anos e que jogava no Penafiel. Além de ter jogado no Paços de Ferreira e no FC do Porto, Diogo Jota "integrava também a selação nacional, tendo sido recentemente bicampeão da Liga das Nações da UEFA, após Portugal vencer Espanha a 9 de junho."

O acidente que os vitimou "ocorreu na província espanhola de Zamora, depois do Lamborguini onde viajam se ter despistado e incendiado." Não está ainda provada a causa do acidente, mas, "de acordo com a Guardia Civil de Espanha, um furo no pneu da viatura esteve na origem do" grave acidente.

Os dois seguiam para "Santander", onde iriam "apanhar um ferry para Inglaterra, onde Jota deveria regressar à sua equipa para um treino de pré-temporada." Diogo tinha sido desaconselhado a viajar de avião devido a uma pequena intervenção que tinha feito aos pulmões e que poderia causar problemas devido à altitude e às diferenças de pressão e, era por esse motivo que iam por estrada. Em causa, pode estar o estado do carro alugado, aliado ao mau estado daquela autoestrada e, à possibilidade, de viajarem em velocidade excessiva para as condições da estrada em causa. O embate levou a que a viatura se tivesse incendiado.

Os adeptos do Liverpool vieram já pedir que a camisola nº 20, usada por Diogo, fosse retirada e que o número ficasse eternizado para o internacional português, muito acarinhado pelos simpatizantes e adeptos do clube inglês. Seria a primeira vez que isso aconteceria, uma vez que o clube, considerado como um "gigante da Premier League inglesa," nunca antes retirou "nenhum número da camisola nos seus 133 anos de história." Além de colocarem à disposição dos adeptos um livro de condolências físico e outro digital, o Liverpool veio ainda prestar as suas condolências à família dos dois jovens, pedindo respeito pela sua dor. "Entretanto, os adeptos do Liverpool" começaram a "reunir-se no exterior do estádio de Anfield e têm depositado flores, cachecóis e camisolas em memória de Jota." Também o FCP,  prestou homenagem ao seu antigo jogador, colocando "as bandeiras a meia haste no Estádio do Dragão." Apesar do irmão, "que morreu no mesmo acidente, também" ter jogado "nas camadas jovens do FC Porto," a imagem que se vê no ecrã gigante do estádio, é apenas a do "internacional português com a camisola portista, que vestiu na época de 2016/17."

Num clube diferente e com muito menos mediatismo, André tinha acabado o curso de Gestão. "Antes de jogar no Penafiel, André representou Gondomar, Boavista e Famalicão (sub-23). O percurso de formação foi feito no FC Porto, Paços de Ferreira, Padroense e Gondomar."

Tem sido difícil de ver as muitas imagens dos dois jovens que têm sido, até excessivamente, divulgadas pelos media portugueses. Especialmente, em ouvir constantemente a frase "Diogo e o irmão" como se o André não tivesse a mesma importância (para a família teriam os dois, com certeza, a mesma importância e trazem a mesma dor), mas os comentadores não pensam e acabam por ser, de certa forma, injustos para não dizer desrespeitosos para com a dor destes pais e da restante família. Claro que, pela dimensão dos clubes onde jogavam, conheceríamos melhor Diogo, mas tem de haver algum cuidado nas publicações.

Fontes:

https://pt.euronews.com/my-europe/2025/07/03/do-pacos-de-ferreira-ao-liverpool-o-percurso-de-diogo-jota-em-fotos

https://www.abola.pt/futebol/noticias/quem-era-andre-silva-o-irmao-de-diogo-jota-2025070310435956288

21/04/2025

Faleceu Jorge Mario Bergoglio

Hoje o dia amanheceu mais triste, para quem é católico, mas também para muitos que (como eu) não o são. Morreu Francisco. Era Papa, mas antes de o ser já era um homem que se destacava pela sua simplicidade. Como Papa, foi amado por muitos mas também fruto de controvérsias. Amado pelas suas origens e sobretudo, pelas suas mensagens de amor e questionado pelas ideias mais vanguardistas que tentou implementar no seio da igreja.

Jorge Mario Bergoglio nasceu a 17 de dezembro de 1936, no bairro de Flores de Buenos Aires, na Argentina. Era neto de emigrantes, vindos do norte de Itália. O mais velho de cinco irmãos, teve uma educação católica. Em "1957, formou-se em Química," ao que se seguiu aos 21 anos, a sua entrada para o "seminário da Companhia de Jesus" onde se formou "na área da Filosofia."

"Uns anos mais tarde, deu aulas nos colégios da Companhia de Jesus em Santa Fé e em Buenos Aires," onde ensinou "Literatura e Psicologia." Nesta época, uma doença respiratória que lhe surgiu na juventude, piorou e "teve de ser submetido a uma cirurgia para retirar parte de um pulmão." Isso não o fez parar e, a "13 de dezembro de 1969, Jorge Mario Bergoglio foi ordenado sacerdote e, no ano seguinte, graduou-se em Teologia na Faculdade de Filosofia e Teologia de São Miguel, continuando a lecionar em paralelo."

Vivia-se uma ditadura militar na Argentina quando, durante a década de 1970,  Jorge Bergoglio "foi eleito responsável pela ordem jesuíta" no seu país. "Em 1986 foi para a Alemanha, onde finalizou a tese de doutoramento." Regressou à Argentina em 1992, tendo sido "designado bispo auxiliar de Buenos Aires." Recebe o "título de cardeal" a 21 de fevereiro de 2001. Nesta ocasião, terá convencido "centenas de argentinos a não viajarem para Roma. Em vez de irem ao Vaticano celebrar a nomeação, pediu que dessem o dinheiro da viagem aos pobres."

Em 2005, no conclave que levou à eleição "do alemão Joseph Ratzinger", acabou por ser "o segundo mais votado entre os cardeais."

"Jorge Mario Bergoglio foi o primeiro papa do continente americano, o primeiro pontífice do hemisfério sul, o primeiro chefe da Igreja Católica não europeu desde há mais de 1200 anos e também o primeiro jesuíta a assumir as funções no Vaticano." Foi padre, professor universitário e arcebispo. "Foi também o primeiro papa com o nome Francisco, em referência a São Francisco de Assis, simbolizando humildade e compromisso com os pobres." Disse sempre que não queria ser Papa, mas acabou por ser "eleito pelo Conclave a 13 de março de 2013, apesar de quase nada indicar que seria o escolhido para suceder Bento XVI."

Ontem, o Papa Francisco despediu-se. Já muito debilitado, apareceu pela última vez na Praça e, podemos até dizer que de forma simbólica, teve o seu "último" banho de multidão, tivesse ele consciência disso ou não. No seu último dia de vida, a sua presença foi aplaudida por muitos crentes e transmitida por inúmeros meios de comunicação social. Antecipava-se a sua morte próxima.

Sustentava que a Igreja devia "ser mais aberta e acolhedora," defendendo uma igreja para "todos." Esteve sempre "próximo do povo." Durante o seu papado, deu enfoque à "justiça social" e tentando sempre manter uma "abertura ao diálogo interreligioso." Quis tornar a igreja mais inclusiva, chegando a promover "uma postura mais aberta sobre temas polémicos na Igreja mais conservadora, como o acolhimento a divorciados, de pessoas LGBTQ+ e pessoas em situação de marginalização. Foi também o primeiro a nomear uma mulher para um cargo no Vaticano.

Durante o seu papado, "deu ênfase ao combate de abusos sexuais por membros do clero católico, tornando obrigatórias as denúncias e responsabilizando quem as omite."

Foi sempre um homem dedicado à promoção da paz, tentando "aproximar e fortalecer o diálogo inter-religioso, encontrando-se com líderes islâmicos, judeus e cristãos ortodoxos." Mostrou sempre que condenava "a invasão da Ucrânia pela Rússia ou os ataques na Faixa de Gaza, nos combates entre Israel e o Hamas."

Durante o seu pontificado, "Francisco visitou Portugal em duas ocasiões." A primeira foi em maio de 2017 aquando das "celebrações do Centenário das Aparições de Fátima - tendo estado no Santuário de Fátima, onde canonizou os pastorinhos Jacinta e Francisco Marto." A segunda vez que cá esteve foi em 2023, na tão falada "Jornada Mundial da Juventude" que se em Lisboa. Nessa ocasião, "presidiu a celebrações no Parque Eduardo VII e no Parque Tejo, visitou bairros da capital portuguesa e reuniu com vítimas de abusos na Igreja." Chegou ainda a visitar novamente o santuário de Fátima.

"O estado de saúde de Francisco era frágil há vários anos, tendo-o levado a pelo menos três hospitalizações desde 2023." Este ano, a situação piorou bastante e, chegou a estar 38 dias internado "devido a uma pneumonia bilateral, tendo tido alta em 23 de março." Desde aí, tem estado a recuperar desta situação.

De acordo com informação já divulgada pelo médico "Andrea Arcangeli, responsável pela certidão de óbito," do sumo pontífice, a sua morte ter-se-á devido a um "Acidente Vascular Cerebral (AVC) que provocou uma insuficiência cardíaca irreversível."

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/morreu-o-papa-francisco-lider-da-simplicidade-que-a-igreja-catolica-foi-buscar-quase-ao-fim-do-mundo_es1533890

https://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Francisco

https://www.publico.pt/2025/04/21/mundo/noticia/morreu-papa-francisco-lider-igreja-catolica-desde-2013-2123551


 


 

17/04/2025

Faleceu o cantor Nuno Guerreiro e perdeu-se mais uma grande voz

Faleceu Nuno Guerreiro. Para mim, uma das maiores vozes portuguesas da atualidade. Ainda no outro dia, mostrava ao meu filho a canção "Caçador de sóis", uma das minhas preferidas.

https://youtu.be/SYV6MECcouI

Nascido em Loulé, a 5 de Setembro de 1972, cedo Nuno quis ir para a capital estudar. Estudou na Escola de Dança do Conservatório Nacional, para onde foi com apenas 16 anos para tentar uma carreira como bailarino, mas foi com a limpidez e singularidade da sua voz que se destacou. Dançou no palco do Teatro São Luiz, tendo também sido neste palco que cantou pela primeira vez, numa colaboração "com o grupo Diva de Natália Casanova." 

Carlos Paredes viu-o a cantar e convidou-o "a participar, em 1992," nos seus concertos de Lisboa e do Porto. "Colaborou também com o ex-Madredeus Rodrigo Leão." Mais tarde, integraria a "Ala dos Namorados", convidado por João Gil e Manuel Paulo.

Gravou a solo o álbum "Carta de Amor", e o álbum "Tento Saber" em 2002. Juntou-se a outros grandes nomes para um tributo a José Afonso (com Olavo Bilac, dos "Santos & Pecadores" e Tozé Santos da banda "Per7ume"). Em 2014 lança o álbum "Felicidade." Em 2021 participou no programa "A Máscara" da SIC, onde desempenhou brilhantemente o papel de "Coruja".

Atualmente, Nuno era colaborador no Cineteatro de Loulé, na área da produção e estava também envolvido num projeto intitulado "Nuno Guerreiro & Mau Feitio, composto pelos músicos do Algarve Ricardo J. Martins, João Palma, Vítor Bacalhau e Vasco Moura. O grupo deu vários concertos recentemente." Chegou mesmo a dar dois espetáculos, "com casa cheia", nos dias 30 e 31 de março, juntamente com os 'Mau Feitio' e com a Banda Filarmónica da Sociedade Recreativa Artistas de Minerva. 

Nuno Guerreiro tinha apenas 52 anos. Lançou o seu último trabalho como vocalista da banda Ala dos Namorados em 2023. O seu último trabalho a solo tinha sido lançado no ano anterior e encontrava-se ainda a colaborar com a AR para a produção de um evento nas celebrações do 10 de Junho deste ano.

Uma enorme perda para o nosso panorama musical... fica por saber o que esta voz ainda teria para nos dar, tal o seu talento! 


Fontes:

https://sicnoticias.pt/cultura/musica/2025-04-17-morreu-nuno-guerreiro-vocalista-da-ala-dos-namorados-893846d5

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nuno_Guerreiro_(cantor)

https://famashow.pt/famosos/2025-04-17-revelada-causa-da-morte-de-nuno-guerreiro-vocalista-da-ala-dos-namorados-039c910f


 


 

16/04/2025

Faleceu João Cravinho

João Cravinho tinha 88 anos e faleceu devido a doença prolongada. Encontrava-se em casa.


João Cravinho, nasceu em Angola em 1936, foi engenheiro de formação, militante do partido socialista e "ministro da Indústria e Tecnologia do IV governo provisório de Vasco Gonçalves, em 1975." Anos mais tarde, foi também "ministro do Equipamento, Planeamento e Administração do Território, no XIII Governo, liderado por António Guterres." Chegou a ser "ministro da República em vários Governos, deputado à Assembleia da República em várias legislaturas e deputado ao Parlamento Europeu, onde aliás foi vice-presidente."


Defendeu sempre a "ética na política e na vida pública," e desempenhou um "importante papel na luta anticorrupção," mesmo contra "deputados parlamentares do seu próprio partido." Foi o que aconteceu quando, em 2006, "apresentou um ‘pacote anti-corrupção’, que incluía a polémica proposta de criminalização do enriquecimento ilícito, e que foi rejeitado pela sua própria bancada parlamentar, numa altura em que o líder do PS era o primeiro-ministro, José Sócrates."


Entre "2007 a 2011, foi administrador do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD), com sede em Londres."


De acordo com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, João Cravinho ter-se-á também destacado "como Presidente da Comissão Independente para a Descentralização. Multifacetado, pautou a sua vida por uma defesa incansável da ética na política e na vida pública, lutando sempre contra a corrupção e desempenhando os mais diversos cargos com desassombro e coragem." 


Fontes:


https://pt.euronews.com/my-europe/2025/04/16/morreu-joao-cravinho-ex-ministro-e-um-dos-militantes-historicos-do-partido-socialista-port


https://www.dn.pt/pol%C3%ADtica/morreu-jo%C3%A3o-cravinho-hist%C3%B3rico-do-partido-socialista-tinha-88-anos


 


 

15/11/2024

Faleceu Celeste Caeiro, a mulher que batizou a revolução

Faleceu aos 91 anos, Celeste Caeiro, a mulher que na manhã de 25 de abril de 1974, teve um gesto que ligou para sempre os cravos à revolução de abril. Um gesto simples que, ao ser fotografado e, depois repetido, ano após ano, celebrado e comemorado em eventos, escolas e homenagens, marcou esta revolução com cor, a cor da liberdade.

Celeste tinha 40 anos e vivia no Chiado, em Lisboa. Era filha de mãe espanhola, "de Badajoz e de pai desconhecido, com dois irmãos mais velhos," tendo crescido na Casa Pia. Naquele dia, o café onde Celeste trabalhava, na rua Braancamp, em Lisboa, "completava um ano e o patrão tinha comprado cravos para oferecer aos clientes," mas a presença dos militares nas ruas fez com que o comércio não abrisse e as flores iriam "estragar-se no armazém, por isso pediram aos funcionários que os levassem para casa."

Celeste foi até ao Chiado para ver o que se estava a passar, e numa troca de palavras com um dos militares que lhe pede um cigarro, ela que não fumava, resolveu dar-lhe um dos cravos que levava. Foi o primeiro. Dali, "até perto da Igreja dos Mártires deu o resto dos cravos que levava a outros militares," mas nunca pensou que a revolução se viesse a chamar "dos cravos" devido àquela singela oferta.


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Este ano, na comemoração dos 50 anos desta data, Celeste Caeiro esteve presente na Avenida da Liberdade, em Lisboa, naquele que poderá ter sido "um dos momentos mais marcantes da celebração. Ao lado da família distribuiu cravos, 50 anos depois do dia que a marcou na história do país. Os fotógrafos presentes registaram o momento: as fotografias foram amplamente partilhadas e Celeste Caeiro celebrada pela importância que teve."

"Em 1988, perdeu tudo no incêndio do Chiado, ficou sem casa, sem fotografias e sem as recordações de uma vida. Em abril deste ano tinha sido já noticiado que sofria de graves problemas de visão, audição e locomoção. Viva em casa da filha e da neta em Alcobaça."

Foi “militante comunista, mulher trabalhadora, de convicções fortes”, que “enfrentou uma vida de dificuldades com perseverança," pode ler-se num comunicado do PCP. Celeste já faz parte dos livros de HGP, só espero que na sua constante "simplificação" não se perca também o nome desta mulher e de tantos outros homens e mulheres importantes e sobre os quais as nossas crianças e jovens pouco ou nada sabem.

Fontes:

https://www.publico.pt/2024/11/15/sociedade/noticia/morreu-celeste-caeiro-mulher-deu-cravos-militares-25-abril-2112039

https://www.dn.pt/3592434070/morreu-celeste-caeiro-a-mulher-que-deu-o-cravo-ao-25-de-abril/


24/10/2024

Faleceu João Silva, ou como era conhecido, Marco Paulo

Faleceu hoje o conhecido cantor Marco Paulo, aos 79 anos, após uma luta inglória contra o cancro, uma doença que continua a matar de forma indiscriminada apesar de todos os avanços que a medicina tem tido.

João Simão da Silva, nasceu a 21 de Janeiro de 1945, em Mourão, "no distrito de Évora, fixando-se com a família em Alenquer, no distrito de Lisboa, no final dos anos 1950, e depois no Barreiro, já na década de 1960." Marco Paulo - ou, como em menino era conhecido - João Silva, tinha uma relação de afeto e "cumplicidade com os irmãos," mas do pai, um homem austero, recebeu "pouco carinho."

A sua carreira foi sempre seguida por milhares de fãs, tendo o cantor lançado "mais de 70 discos e várias canções de sucesso" ao longo de 50 anos de carreira. A sua estreia foi nas festas de Alenquer a cantar a "Campanera" de Joselito. Com 14 anos, "entra para o rancho folclórico de Alenquer onde esteve dois anos como cantor até ir viver para o Barreiro."

Devido à profissão do pai, que obrigava a várias deslocações chegou a viver também em "Celorico de Basto, Alcabideche, Alenquer e Arcos de Valdevez," bem como no Barreiro ou em Sintra.

É a fadista "Cidália Meireles", que o vem a descobrir, já no Lavradio, onde o jovem João Simão frequentava "aulas de canto com Corina Freire," cantora lírica. Cidália Meireles levou-o ao seu programa e, as portas abriram-se para que participasse "pela primeira vez no Festival da Canção da Figueira da Foz." Esta participação fez com que fosse visto e fosse "convidado por Mário Martins, da editora Valentim Carvalho, para gravar o seu primeiro disco."

Em 1967, participou no Festival RTP da Canção com "Sou Tão Feliz", depois do que foi para a Madeira onde cantou "com Madalena Iglésias," e em 1982 voltou ao festival para interpretar “É o Fim do Mundo”, de João Henrique e Fernando Guerra. 

Marco Paulo, fez a tropa "em Beja, Leiria e Estremoz", mas com a guerra colonial ainda decorrer foi enviado para a Guiné, onde a sua estadia foi um pouco diferente da da maioria dos jovens que para lá iam. Apesar de lhe terem dado uma Mauzer, era no escritório que passava a maior parte do tempo. O seu principal problema, se é que assim se poderia chamar, era andar sempre distraído em cantorias. Durante uma brincadeira, um colega atingiu-o na cabeça com uma pressão de ar e o chumbo nunca chegou a ser retirado. Durante o tempo que esteve na Guiné, ficou sempre na cidade e nunca chegou a estar no mato, onde a situação era muito mais complicada. "Cantava nos aniversários" dos camaradas e animava as festas para que o convidavam por já ter discos seus a passar "na rádio."

Marco Paulo ganho vários prémios, entre os quais, "em 1978, conquistou o seu primeiro disco de ouro com o single “Canção Proibida/Ninguém Ninguém”, com 85 mil cópias vendidas." Em 1979 ganhou o "disco de ouro com “Mulher Sentimental” e, em 1980, com o êxito “Eu Tenho Dois Amores”, versão de “Petra”, do grego Giorgos Hatzinasios, com 195 mil discos vendidos."

O cantor ganhou ainda "140 discos de platina, ouro e prata, tendo vendido mais de cinco milhões de discos e sendo o quinto cantor nacional com mais discos vendidos de que há registo." É ainda "o único cantor português com um disco de diamante," que venceu com a canção “Maravilhoso Coração”. Entre muitos outros discos, editou em 2001, o disco "35 Anos da Nossa Música", onde podíamos ouvir temas como "Nossa Senhora", "Te Amo, Te Amo" e "Amália A Nossa Voz."

Foi também apresentador, num programa que passava ao domingo à noite na RTP 1: “Eu Tenho Dois Amores," (1994-1995). Dois anos depois e ainda na RTP, apresentou o programa “Música no Coração”, onde fazia entrevistas a convidados ligados ao meio musical e artístico.

Foi em 1996 que o diagnóstico do primeiro cancro chegou, localizado no "testículo direito."

Corria já o ano de 2016, quando Marco Paulo "tornou público que lhe fora diagnosticado cancro da mama e que seria submetido a tratamentos. No final desse ano, revelou que o seu estado de saúde se tinha agravado com o diagnóstico de um tumor pulmonar." No mesmo ano, o cantor foi galardoado com "o Prémio de Mérito e Excelência na XXI Gala dos Globos de Ouro." Em 2022, foi "condecorado pelo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa", com a "distinção de Comendador da Ordem Infante D. Henrique, numa cerimónia que decorreu no Palácio de Belém, em Lisboa."  

Já na SIC, estreia em "junho de 2021," o programa “Alô Marco Paulo”, onde Ana Marques co-apresentava com o artista. O programa, que "começou por ser transmitido nas tardes de sábado da SIC," passou em abril de 2022 para as manhãs de fim de semana. Em 2022, "quando era atualizado sobre o estado do tumor pulmonar, descobriu o cancro no fígado." 

É em janeiro de 2023, que a Sic lança na plataforma Opto, uma série biográfica que descreve com vários pormenores a vida do cantor, “Marco Paulo: A História da Minha Vida.

Desde junho deste ano, tinha estado a ser "transmitida uma emissão especial"com o título, “Força, Marco Paulo”,que tinha como principal intuito apoiar o cantor, já visivelmente debilitado, na"luta contra dois cancros," tendo o cantor sido informado pelos médicos de "que os tratamentos de quimioterapia seriam suspensos por não estarem a resultar." Em resultado disso, "o cantor encontrava-se em repouso em casa."

Em maio do presente ano, foi-lhe feita uma bonita homenagem, como todas deveriam ser, ainda em vida, no espetáculo “Para Sempre Marco." O cantor cantou o refrão de “Maravilhoso Coração”, deixando ainda uma mensagem emotiva. Da sua vida privada, o cantor manteve quase sempre segredo.

A apresentadora Ana Marques, amiga de Marco Paulo, soube em direto da sua morte, não conseguindo conter a emoção e tristeza. Não sei qual foi a ideia da SIC de fazer algo assim a uma pessoa tão querida e que tanto respeitava e admirava o Marco. 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Marco_Paulo

https://sic.pt/programas/aloportugal/2024-10-24-video-a-emocao-de-ana-marques-ao-saber-em-direto-da-morte-de-marco-paulo-0afb4abd

https://magg.sapo.pt/celebridades/artigos/do-disco-de-diamante-as-ultimas-palavras-em-palco-recorde-11-momentos-marcantes-de-marco-paulo

https://www.flash.pt/celebridades/nacional/detalhe/marco-paulo-revela-que-levou-um-tiro-na-cabeca-quando-estava-na-tropa-na-guine-a-bala-ficou-alojada-na-minha-cabeca

https://expresso.pt/blitz/2024-10-24-morreu-marco-paulo-aos-79-anos-apos-uma-longa-luta-contra-o-cancro-a582e7b1

https://expresso.pt/blitz/2024-10-24-marco-paulo--1945-2024--a-infancia-nomada-o-pai-austero-a-vida-predestinada-e-a-solidao.-uma-conversa-franca-com-a-blitz-em-2023-65ee0c10



18/08/2024

Faleceu Ana Faria

Hoje recordo as músicas da minha infância e, na altura, mal eu sabia que devia a esta senhora as criações e adaptações que eu ouvia e cantarolava. Ana Faria, deixou-nos ontem, mas as suas músicas irão sempre fazer parte das minhas lembranças e, de certeza, das vossas também. Tinha 74 anos. Foi no programa Zip Zip, transmitido no final da década de 1960, que Ana Faria se tornou conhecida (nessa altura eu ainda não era nascida) interpretando a "Canção de Embalar", de José Afonso, e "Avé Maria do Povo", popularizada por Simone de Oliveira. Em 1982, publica o disco "Brincando aos Clássicos", em que "interpretava sinfonias clássicas de compositores como Beethoven ou Mozart."

Em conjunto com o marido, Heduíno Gomes, que era responsável pela produção, "criaram os grupos Queijinhos Frescos, Jovens Cantores de Lisboa, seguindo-se os Onda Choc, com mais de um milhão de discos vendidos." Foram também responsáveis pela criação dos Popeline.

"A maioria das músicas destas bandas eram sucessos de versões internacionais com uma letra nova em português," que todos decorávamos de tanto rodar as cassetes! Era um mimo, que a minha mãe me comprava, ainda antes de termos leitor de cd's e, algumas dessas cassetes ainda resistiram e estão cá em casa. Momentos felizes.

Os "Queijinhos Frescos" era formado "pelos três filhos de Heduíno Gomes e Ana Faria, nomeadamente: João Faria Gomes, o mais velho; Nuno Faria Gomes, o irmão "do meio"; e Pedro Faria Gomes, o mais novo." Ainda gravaram alguns discos "para a editora CBS" tendo obtido bastante sucesso "na década de 1980."

Em 1984 sai o álbum "Ana Faria e os Queijinhos Frescos", ao qual se seguiu o álbum discográfico "Batem Corações." Segue-se o lançamento do "single com o tema do programa Jornalinho da RTP." Em 1986, é então "editada a compilação "O Melhor dos Queijinhos Frescos." Aparece então um novo grupo infantil: Onda Choc.

Os Onda Choc era um grupo "constituído por rapazes e raparigas entre os 10 e os 15 anos de idade. Os elementos eram recrutados através de casting e ou através do coro juvenil dos Jovens Cantores de Lisboa. Os ensaios das canções e das coreografias decorriam num pavilhão do Clube Futebol Benfica (também conhecido como Fófó), e as produções discográficas ficaram a cargo de Heduíno Gomes, o marido da cantora Ana Faria."

Em 1992 surgiram as "Popeline", um grupo feminino de música infantil. Recordo as roupas coloridas e os chapéus!

Ana Faria dedicou-se mais tarde à pintura e aos retratos, bem como à escrita para crianças.


Fontes:

https://www.cmjornal.pt/cultura/detalhe/morreu-ana-faria-cantora-de-musica-infantil-que-criou-o-grupo-queijinhos-frescos

https://observador.pt/2016/01/20/ministars-onda-choc-outros-miudos-cantam/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Onda_Choc

https://pt.wikipedia.org/wiki/Queijinhos_Frescos

 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...