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13/01/2024

Dia Mundial da prevenção e combate à depressão

Assinala-se hoje o Dia Mundial do Combate à Depressão. Esta é uma condição médica muito comum que afeta cerca de 5% da população mundial. Esta é uma doença que pode trazer um impacto muito negativo e entre as suas graves consequências pode mesmo estar o suicídio.


A depressão tem sido um tabu e como tantas doenças mentais é escondida dos outros por muitos dos seus portadores e recusada como um problema por muita da comunidade médica. A depressão é sobretudo uma doença estigmatizada e isso traz vários obstáculos ao seu correto tratamento. "A par da Irlanda somos o país com maior prevalência desta doença que continua a não ter resposta atempadas por parte Serviços de Saúde e gera incompreensão por parte da sociedade." 


E para que este preconceito deixe de existir é cada vez mais importante falar sobre o assunto, relembrar que existem meios de diagnóstico e de apoio e que podemos e devemos pedir ajuda. No entanto, é importante não esquecer que no nosso país a saúde mental continua a ser um parente pobre das restantes áreas da saúde. 


Uma das questões que temos de trazer para o primeiro plano é que a depressão é uma doença e não um sentimento. É diferente da tristeza, que "é uma emoção humana válida como qualquer outra e tem a sua função." E não podemos nunca dizer que é o mesmo.


A depressão pode ter diferentes causas. Estas podem ser “endógenas ou reactivas a fatores quer precipitantes, ou predisponentes: desencadeadas" por fatores prévios que ocorrem na vida de alguém. Independentemente da sua causa, todas as depressões devem ser atendidas, sejam mais leves ou mais severas. 


No decorrer do aparecimento dos sintomas associados à fibromialgia, a depressão apareceu na minha vida. Acabei por detetar alguns dos seus sintomas e procurei ajuda, mas se tivesse havido um trabalho paralelo na altura em que o diagnóstico ainda não estava atribuído e os problemas no trabalho se iam sucedendo, com conhecimento de todas as situações aos médicos que me seguiam, poderia ter sido prevenida ou agarrada muito mais cedo. Felizmente, o apoio de alguns amigos e familiares nessa altura foi fundamental. Mas a minha realidade não é igual à de muitas outras pessoas que passam sozinhas por estas situações e que acabam por entrar em fases muito mais profundas. O importante foi que no meu caso eu estava atenta e tive a capacidade de pedir apoio quando nenhum dos médicos que na época me estava a acompanhar percebeu (ou quis perceber) que tinha de haver um acompanhamento diferente. A procura de uma psicóloga foi inicialmente feita por mim, através do privado e às minhas custas, o que levanta também outras questões, como a da responsabilidade e disponibilidade financeira. Só bastante tempo depois (cerca de dois anos depois de estar na Unidade da Dor) é que me foi atribuída consulta de acompanhamento de psicologia na própria Unidade. Poderia ter sido tarde.


Fontes:


https://vaniacardoso.net/2023/01/17/13-de-janeiro-2023-dia-mundial-de-prevencao-e-combate-a-depressao/


https://www.medicina.ulisboa.pt/dia-mundial-mundial-do-combate-depressao


https://www.publico.pt/2024/01/13/impar/opiniao/depressao-doenca-estigma-obstaculos-tratamento-2076592


 

12/06/2023

O toque que incapacita

Há dias em que acordar é um fardo, uma luta em que até as pálpebras doem abrir. Levantar requer uma dose de concentração, força e energia, que me deixam esgotada para o resto do dia. 


Há dias em que conseguir sair de casa e caminhar até à paragem, é um esforço quase demasiado grande para ser suportado. A meio da manhã, já estava a entrar em "burnout" - se é que este pico não foi apenas o sinal do corpo que já lá tinha chegado há vários dias. Alguns "entendidos" dizem que a fibromilagia é uma depressão disfarçada. Eu não acho isso. Eu acho que lutar contra esta doença é tão frustrante que nos leva à depressão. Também é verdade que fico pior quando me irrito, quando estou preocupada, ou quando não durmo o suficiente. Mas então, se fosse só isso, não teria crises em dias em que descansei bem, em que o dia correu de forma normal e sem sobressaltos, em que estive tranquila. Mas nessas alturas, o corpo ataca dizendo "estou aqui" e num repente, surge uma dor aguda numa articulação, ou uma perna fica presa, ou a cabeça começa sem aviso a latejar de tal forma que tenho de me segurar para não cair, a visão fica turva do nada, os olhos a arder e as palavras que estão na cabeça, não são as mesmas que saem da minha boca no decorrer de uma conversa.


Noutros dias, faço as mesmas horas, o mesmo trabalho, os mesmos esforços, com mais facilidade, com mais vontade e sem um nível insuportável de dor. Por isso, isto não é uma queixa, é uma constatação. Para quem tem Fibromialgia, cada dia é diferente. Hoje estou mal, amanhã, estou bem. Não é do calor, não é do frio, é porque sim. Claro que nos dias de mais trabalho, canso-me mais - como todas as pessoas - mas não é esse o factor que despoleta as crises. 


O conhecimento da forma como o nosso corpo funciona é fundamental. Mas há dias em que me sinto deseperada, em que o nível de dor torna qualquer movimento difícil, qualquer som passa a ser ensurdecedor, qualquer toque mesmo que ao de leve, parece um forte beliscão. A pele arde como se estivesse com um escaldão e até a roupa incomoda, as pontas do cabelo a tocar na cara e no pescoço parecem agulhas a espetar na pele. Só reconhece verdadeiramente quem já passou por isto, os outros apenas podem imaginar.

12/05/2023

Dia Mundial da Fibromialgia

Foi há muito pouco tempo que eu aprendi a lidar com a minha doença e a aceitar que o meu corpo dói, sempre. Não me queixo sempre que sinto dor, porque seria chato para as outras pessoas se o fizesse. Mas isso não significa que eu não esteja a forçar naquele momento um sorriso ou um movimento. 


Antes, não percebia o porquê de me doer do lado direito e na hora seguinte, me doer do lado esquerdo.Ou qual a razão de ficar sem paciência ao longo do dia. É tudo devido à doença. Ou porque é que fico sem força e não consigo subir dois degraus seguidos sem respirar fundo. É do cansaço constante que a doença me dá. Os músculos e as articulações estão constantemente rígidos. 


Se me lembro da primeira vez que me afetou? Talvez consiga situar num dia em que me baixei para pegar no meu filho ao colo e fiquei sem me conseguir levantar. Já passaram uns 12 anos, mas nessa época eu achava que podia fazer tudo ainda. Até me convencer que tinha de mudar de vida e que a minha vida nunca mais seria a mesma, demorou muito tempo.


O Dia Mundial da Fibromialgia faz com que se fala nisto, com que se oiçam outras histórias, que se vejam histórias de superação. O bom seria que as pessoas entendessem que não somos nós que estamos a fingir ou que somos queixinhas, ou que apenas não queremos trabalhar. 


Muitas vezes, até para virar o corpo na cama exige um esforço sobre-humano. Noutros dias, estamos melhores e achamos que conseguimos fazer aquelas coisas de que já tínhamos saudades... e abusamos do corpo mal habituado. Devido aos anos que se passaram, eu já sei antecipar as crises na maioria das vezes. Quando o tempo começa a ficar mais húmido, o corpo dá sinal. Ou quando me enervo, não consigo relaxar os músculos e os moviementos tornam-se menos amplos e mais dolorosos. Quando tomo banho à noite e desperto antes de ir para a cama, ou fico muito interessada numa série que está a dar na televisão e adormeço mais tarde, o corpo castiga-me no dia seguinte como se eu não tivesse direito a pequenos prazeres. 


Não olhem para nós como queixinhas. Não somos pessoas diferentes de vocês, não gostamos de estar na cama nem de estarmos embrulhados numa manta em pleno verão. Eu pessoalmente não gosto quando tenho de ir quase de gatas para a casa de banho, ou quando me agarro ao corrimão para não cair pela escada ao descer. Ou quando tropeço e caio quando vou na rua, só porque o meu corpo perde a força. 


Não, não é de propósito que deixo cair coisas, ou que me esqueço de nomes de pessoas ou de locais. E não é que eu não goste de conduzir, é poreque perco a força e tenho espasmos nas pernas e fico com medo de deixar de controlar o carro e magoar alguém. É percetível isso? Não o será para todas as pessoas - acreditem, muitos ainda me julgam mal e acham que só não me apetece!


No ano passado falei também sobre esta doença e sobre a forma como ela nos afeta. Há cada vez mais gente a partilhar conteúdos sobre ela e a dismistificar muitas das coisas que sofremos.

04/08/2018

Nem uma brisa...

Os dias têm estado muito quentes e à noite nem uma brisa ajuda a suportar o calor. Ontem, Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, atingiu 45,9 graus Celsius. Setúbal chegou aos 44.6 graus. Para mim as noite muito quentes como a de hoje são complicadas de suportar. Embora não saia para ir para o terreno apagar fogos, a verdade é que se torna complicado vê-los sair do quartel e eu ter de ficar. Sei que a minha situação de saúde tem vindo a piorar e que dificilmente evoluirei mais na carreira. Torna-se frustrante não os poder apoiar, mas pior ainda é quando percebo que me olham de forma diferente por eu não os ajudar mais. É porque não consigo, não éporque não queira, mas eles não têm de entender porque nem eu sei ainda muito bem o que tenho e porque é que me sinto sempre assim tão em baixo.


Mas voltando à onda de calor, razão do post de hoje... a verdade é que estes valores não são muito normais apesar de estarmos em agosto. Muitas das estações registaram valores acima dos 40º, como se pode ver aqui:


Calor. Um terço do país bateu recordes de temperaturas em agosto


É desta forma expectável que hoje sejam verificados novos recordes históricos, estando 11 distritos - Lisboa, Setúbal, Bragança, Évora, Guarda, Vila Real, Santarém, Beja, Castelo Branco, Portalegre e Braga - em aviso vermelho até às 14:59 de domingo, devido à persistência de valores elevados da temperatura máxima, segundo o IPMA.


Hoje parece que as temperaturas máximas se vão manter em valores extremos em Portugal, mas também em Espanha e, segundo a BBC, é esperado que nestes dois países seja batido o recorde europeu registado na Grécia há mais de 40 anos em Elesfina e Tatoi. Nestas duas localidades, situadas na região da Ática Ocidental, onde fica Atenas, os termómetros registaram 48 graus Celsius, a temperatura mais alta registada na Europa desde que começaram as medições, em 1956. Em Portugal, o recorde é de 1 de agosto de 2003, ano em que se registou "novo máximo absoluto relativo à temperatura máxima de 47,3°C na Amareleja", segundo o IPMA. A onda de calor que se verificou nesse ano é "comparável" a que estamos a viver agora.


Esta semana, voltaram em grande força os incêndios florestais sendo que ontem o mais complicado foi em Monchique, Algarve. Amanhã, domingo, espera-se que as temperaturas comecem a descer um pouco e talvez isso ajude os mais de 400 operacionais que estão no terreno.


Em Espanha, a onda de calor já fez três mortos.


Fontes:


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/04-ago-2018/calor-um-terco-do-pais-bateu-recordes-de-temperaturas-em-agosto-9677514.html

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...