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14/05/2026

Dor crónica (quase) incapacitante

Ter dor constante é algo que me limita a nível pessoal e profissional. Há decisões que têm de ser tomadas tendo em conta a dor constante, os gatilhos e os tempos necessários ao descanso. O diagnóstico de fibromialgia, por si só, não nos dá acesso ao Atestado médico de Incapacidade Multiusos, já se encontra na Tabela Nacional de Incapacidades. No entanto, a atribuição deste documento depende da avaliação por uma junta médica que quantifica a incapacidade global resultante da doença. E é nessa junta médica que vai estar a grande dificuldade. É que a dor não se vê - e como se prova que dói muito ou que dói pouco, ou como se explica que ontem não mexia a perna, que hoje a perna parece estar boa e o que me dói é o cotovelo? Como explicar que desde 2018 me dói o ombro, tanto que em alguns dias ele praticamente não mexe, mas todos podem olhar e não há ali nada que prove a minha dor. É assim que se sentem os doentes com fibromialgia. Impotentes.

De facto, quem sofre de dor crónica, acaba por sofrer não só da dor em si, mas da desvalorização por parte dos outros, muitas vezes, familiares e colegas de trabalho. Na verdade, o próprio stress no trabalho agrava a dor e limita-nos naquilo que é a nossa funcionalidade. Por exemplo, uma ocorrência que faça gerar stress no caminho para o trabalho, pode levar a que a pessoa se sinta limitada durante algumas horas, ou mesmo até ao fim do dia. Acaba por acusar mais cansaço generalizado, dificuldade em realizar ou em terminar determinadas tarefas ou até em raciocinar. Ou seja, a dor crónica, "apesar de muitas vezes ser algo invisível e desvalorizado pela sociedade", acaba por ter muitas vezes "repercussões altamente agressivas para o dia a dia das pessoas.

Pedir apoios é difícil e implica diferentes exames e solicitações num processo demorado e que leva muitos doentes a desistir. Na verdade, a Segurança Social naquilo que são os seus canais eletrónicos, é "uma entidade altamente complexa."

Na minha perspetiva e sendo portadora de Fibromialgia e com um diagnóstico de desmineralização óssea, teria de haver um maior e mais facilitado acesso a baixas que permitissem ao doente a recuperação em períodos de crise. 

Explicar que ontem estava bem e que hoje me custa até a andar é complicado pois a causa para essa incapacidade não é visível. O meu joelho inchou, do nada, sem qualquer razão e com dores tão fortes que me impossibilitavam de andar. Consulta, baixa médica e exames. Normal como em qualquer outra situação, só que quando fui fazer os exames (raio-x e ecografia das partes moles) já tinham passado algumas semanas e como seria de esperar nestas situações, já não acusou nada. Eu não menti, várias pessoas atestaram o edema que a articulação apresentava. É que entretanto, com algum repouso e anti-inflamatórios, o edema baixou a dor foi diminuindo e ainda nem fui à consulta marcada para mostrar os exames. 

Os anti-inflamatórios não tratam a fibromialgia mas atuam sobre as zonas inflamadas - normalmente, articulações. Ajudam na diminuição da dor, em conjunto com outros medicamentos. Mas não, não os tomo apenas os "cinco dias e depois pare" como me indica o médico. Parar por um ou dois dias é ter uma crise de dor intensa e de cansaço que me parece destruir por completo, sentindo de imediato um agravamento da dor em determinados pontos do corpo. E vão prejudicar o fígado ou outros órgão em casos de tomas sucessivas. 

Temos depois os gatilhos. Podem ser os mais variados, e às vezes, parecem um pouco estúpidos. Não me assustem, o meu corpo contrai-se e ficarei rígida e as dores não tardarão a aparecer. Into pode acontecer com uma travagem brusca do autocarro, ou com a criança que corre para a estrada enquanto a mãe está distraída no telemóvel. 

Os gatilhos são situações do dia a dia, um grito, uma turma que causa desacatos e que não me deixa trabalhar ou terminar a aula - se para algumas pessoas, isso seria apenas um pequeno percalço, para mim é sentido como se fosse uma espécie de ataque direto que me vai fazer ficar mais stressada e que me vai colocar numa situação de maior alerta. Tudo isto, sem sequer me tocarem, sem me baterem ou empurrarem, pois não é preciso nada disso para que o meu estado de saúde se agrave.

As minhas dores agora (hoje) são piores na coluna, braço direito, em especial no cotovelo, com diminuição da força associada. De certeza que vou escutar: "mas não vinha por causa do joelho?". Pois, é que já passaram quase três meses. A demora leva a que a dor vá e volte, que mude de intensidade e de local. Dores intensas? Sim, todos os dias. Mas tenho vontade de continuar a trabalhar e a desempenhar as minhas funções pessoais, sociais e profissionais da melhor forma, mesmo que isso implique dizer "está tudo bem", quando na verdade o meu corpo parece estar a atacar-me.

E sim, começo ao longo dos anos a perceber o que me faz bem e a afastar-me do que me faz mal. Mesmo que muitas vezes tenha de dizer que estou bem, mesmo não estando, para não ver certos olhares ou ouvir alguns comentários.

O doente com dor crónica, fibromialgia ou outra doença, é uma pessoa incompreendida pelas outras. Imaginem a dor de partir um braço e ficar três meses sem o mexer e terem depois durante algum tempo, dores devido à recuperação. Eu não parti o braço, mas as minhas são tão incapacitantes como se o tivesse partido. Recupero aos poucos para depois, bastando um gatilho, a dor voltar a aumentar ou, até me começar a doer de forma incapacitante outra zona do meu corpo. E como se explica isso a quem não vê sinais de dor? A quem quer perceber mas não sabe, nunca sentiu, esta dor?

É viver.

Fontes:

https://app.parlamento.pt/webutils/docs/doc.pdf?path=6148523063484d364c793968636d356c6443397a6158526c63793959566b786c5a7939555a58683062305a70626d46735547563061574e765a584d764e3255344d6d46694e546b744e6a6b774d4330305a6a41314c546b354e7a6b745954553059544d34597a5a694e5459794c6e426b5a673d3d&fich=7e82ab59-6900-4f05-9979-a54a38c6b562.pdf&Inline=true

https://observador.pt/programas/conversas-sobre-dor/que-apoios-sociais-para-as-pessoas-com-dor-cronica/

04/03/2026

Novos caminhos...

Bem vistas as coisas, acabei por regressar ao blogger. Tentei o Wordpress, mas a adaptação não estava a ser fácil. Hoje resolvi tentar o blogger e acabei por regressar. O meu primeiro blog tinha sido lá (ou aqui, dependendo de onde me estejam a ler.

 No entanto, acabei por trocar ao fim de alguns anos pelo Sapo. Tudo corria bem e acabei por renovar também o meu blogue sobre livros e escrita, e fazer um novo blogue sobre aspetos ligados à História.

 Infelizmente, o senhorio parece estar a pôr-nos a todos na rua e assim voltei à casa mãe. Consegui migrar a maioria dos conteúdos e agora é tempo de me reorganizar.

Cliquem nos links abaixo para me continuarem a seguir:

https://cadernodeleituracadernodeescrita.blogspot.com/

https://cadernodiario1983.blogspot.com/

E sejam bem vindos à minha nova "casa".

01/03/2026

Isto não é uma despedida...

Infelizmente, e penso que seja do conhecimento de todos vós, o Sapo Blogs irá deixar de funcionar em breve. Apesar de ainda faltarem alguns meses, eu quis fazer já a migração dos meus conteúdos para um novo blog. 

Andei a pesquisar, pois a ideia seria manter tudo de forma gratuita, com a facilidade de partilha que encontrei aqui no Sapo, mas não tem sido uma tarefa fácil. Se souberem de plataformas gratuitas e que sejam fáceis de usar, por favor digam-me.

Para já vou colocar os meus conteúdos aqui (Blogue Com os pés na História) e ainda aqui (Blogue Caderno Diário)!

A partir de hoje não farei novos posts nesta plataforma e estarei a atualizar na nova localização. Por favor, vão visitar e dêem-me a vossa opinião.

25/12/2025

É Natal

Natal é tempo de mensagens bonitas, de presentes que se oferecem e outros que se desembrulham. Para alguns, o natal é tempo de pôr o sapatinho na chaminé e esperar que lá apareçam prendas, colocadas por um menino que nessa noite não tinha nascido ainda ou por um senhor de barbas brancas que sempre foi velho mas nunca envelheceu a tempo de morrer. Tradições, cada um tem as suas. As tradições vão-se adaptando aos tempos, até porque a maioria das casas já nem tem uma chaminé de jeito, as árvores são de plástico e até já é proibido ir apanhar musgo. Problemas de quem já tem tanto com que se preocupar ao longo do ano.


Para mim, cada vez mais o Natal é para ser prático. Sendo época de frio, troco bem uma tarde a tentar montar uma árvore e a apanhar lixo, por uma manta, um chá quente e um bom livro. Também sou menina para trocar uma ida às compras de última hora, por um bom filme ou um passeio ao ar livre junto à baía. Os presentes, começo logo a comprá-los a partir de setembro e a embrulhá-los conforme vão chegando. Cá por casa, faz muito tempo que não há pai natal. Nem Jesus. Quem trabalhou fui eu.


O que importa é que estejamos bem, pelo menos com alguma saúde. Natal é tempo de rir, de pôr a conversa em dia com pessoas que não vemos todos os dias. É dia de jantar na casa do pai porque é consoada e de almoçar na casa da irmã porque ela faz anos. É dia de acordar cedo e querer aproveitar o dia, mas perceber que são poucas as pessoas que já estão acordadas. É também o dia de me irritar porque se marcou o encontro para o almoço às 12 horas e às 13h30 ainda falta gente (para o ano fazemos uma vaquinha e oferecemos-lhes um relógio de pulso). De passar o dia sentados à mesa a comer, a dizer parvoíces e a contar coisas que não contaríamos noutros dias. Descobrem-se carecas e trocam-se sorrisos cúmplices. De ano para ano os miúdos crescem e nós vamos ficando mais velhos, isso já sabíamos, mas depois percebemos que na mesa das crianças o mais velho já conduz, os outros para lá caminham e só as mais pequeninas ainda acham alguma piada a ter uma toalha com desenhos que se pode pintar (ainda pensei em trocar de mesa com um deles, pois a toalha era bem gira). A Internet vai-nos trazendo fotos de natais passados em que as crianças ainda eram todas crianças e não adolescentes de hormonas aos saltos.


Natal é tempo de ter a televisão ligada o dia todo. Este ano confesso que passámos um pouco ao lado dos noticiários. Um pouco fartos de que se fale tanto do mesmo. Não entendo a necessidade de se repetirem tantas vezes as mesmas notícias - e ainda se fossem notícias! Lá vamos vendo excertos de filmes, dos antigos e dos mais recentes, para de repente alguém fazer um comentário, começar uma nova conversa e, quando voltamos a prestar atenção ao ecrã, já não está a dar a Frozen e está a dar o Rei Leão. Felizmente, com a possibilidade de ir ver o que passou no pequeno ecrã nos últimos dias, sei que vou ter agora de arranjar tempo para ver os filmes e as séries que perdi. Natal é tempo de fazer doces e de arriscar receitas que não se voltarão a fazer durante o resto do ano, porque dão muito trabalho, principalmente a mim que não tenho jeitinho nenhum para a cozinha.Valem as caixas vazias de gelado que nestes dias se voltam a encher para trazer carne assada ou feijoada de choco.


Natal é dia dos mais velhos dizerem que no tempo deles é que se trabalhava e que não havia máquinas para nada, mesmo quando a sua profissão foi ser mecânico (às tantas achei que não sabia que os camiões e os autocarros eram movidos a motor). Para guardar para os próximos encontros à mesa: não discutir com quem acha que o que descontava para a segurança social era superior àquilo que ganhava quando a matemática ficou já lá atrás esquecida nos bancos de escola. As conversas passam dos ordenados, para a política, discutem-se ideologias e comparam-se partidos. Chegamos à conclusão que nem todos defendemos o mesmo, mas que defendemos que se vote e que quem não vota não se deveria queixar (até que alguém diz "eu não voto porque eles são sempre os mesmos", "são chulos" e "eu nem os conheço" - tudo na mesma frase, em algo que me soa a antítese dita sem querer - e lá ficamos a fazer contas de cabeça, a tentar perceber porque é que o país está como está e se a culpa é toda das novas gerações).


E lá se passou mais um natal. Agora, um chazinho para a noite. Camomila, para acalmar o estômago nada acostumado a tantas misturas de paladares em tão pouco tempo e vou para a cama tentar acabar de ler um livro que tem de ser entregue amanhã na biblioteca! Feliz Natal.

01/01/2025

Feliz Ano Novo... dependendo da nossa sorte e de onde vivemos!

Fechamos 2024 e abrimos 2025! A Terra completou mais uma volta ao Sol, um instante na vida do Universo.


Gostava de começar o ano com grandes novidades ou com boas notícias. Sim, comigo está tudo bem e, com a minha família também. Se compararmos o ano de 2024 que agora termina com o de algumas pessoas pelo mundo fora, somos uns sortudos! Este ano, o que mais desejei na passagem de ano foi saúde e criatividade. Pois é delas que eu mais preciso para trabalhar e, claro, sem trabalho, nenhum dos meus objetivos para este ano se poderá realizar.


Mas o mundo está longe de ser a minha bolha, segura e pacífica, sentada de pijama a aproveitar o sol que entra pela janela e a beber o primeiro café do dia. Estou aqui a pensar o que é que vou tirar do congelador para fazer para o almoço... quantos por aí têm essa sorte?


Lá fora, longe daqui, o mesmo sol que me ilumina entra pelos buracos onde antes havia paredes de um hospital. Em Gaza, o sol não aquece o suficiente para salvar um dos muitos bebés que ali naquele espaço destruído, dá o último suspiro. A morte chega prematura, de frio.


Nas minhas mãos, quentinhas pelo café que fumega, não há gretas de frio. Tenho um teto, dinheiro suficiente para comer, posso decidir o que vou fazer hoje e amanhã, se tudo correr bem, levantar-me-ei cedo e irei trabalhar. Começo o dia a pensar que tenho de continuar, de ir em frente, de direcionar as minha energias para o que é mais certo e seguro. Como disse ontem o meu filho, este "é o ano dos teus quarenta e dois" (embora ainda faltem nove meses...).


De ontem para hoje, afinal, passaram apenas algumas horas e, apesar dos fogos de artifício, da música, dos sorrisos, o mundo continua igual. Nada mudou desde o ano passado, apenas a data no calendário que nos próximos dias provalvelmente terei de corrigir várias vezes. 


Não descuidemos aqueles que nos rodeiam, mas não esqueçamos aqueles que vivem longe e que sofrem. Se não pudermos fazer mais nada, pelo menos reflitamos e eduquemos para que amanhã novos cidadãos possam tomar melhores decisões. Quem sabe, à nossa frente possa estar aquele que um dia vai mudar o mundo?

14/09/2024

Introspe...ver-me?

Adoro o mês de Setembro. É o meu mês e sempre o considerei um mês de decisões e mudanças. Mas é também um mês muito difícil. É um mês em que nos chegam propostas, em que nos exigem decisões rápidas. Mas o pior de tudo, para mim, são as opiniões que nos querem impor, sem pensarem que as palavras nos podem magoar. 


E isto vem porquê?


Porque as minhas decisões hoje, não são de hoje. Vêm da minha construção própria, da aceitação de quem eu sou, das minhas fragilidades e capacidades. É um processo contínuo que, mais do que externo, é um processo que ocorre dentro de mim. É um processo instável, que muitas vezes me torna muito emocional. 


Mas esta sou eu. A Elsa que gosta de escrever, de ensinar. Eu sou diferente daquilo que fui há uns anos, mas estou cá, inteira e forte. Com medos, com inseguranças, mas com muitos objetivos. 


Se podia ou desejava estar numa situação mais estável? Claro que sim. Acho que todos nós ansiamos por chegar aos quarenta com a nossa vida estabilizada e eu ainda não tenho isso. Mas não sou infeliz por isso. Tenho quarenta e um, tenho muita coisa na vida que me arrependo de ter feito, mas são essas coisas que me fazem como sou e, aos poucos tenho aprendido a lidar com cada um desses momentos - os bons e os maus. Sou uma pessoa muito solitária. Gosto do meu canto, dos meus livros, das minhas folhas e cadernos e lápis... e desenhos e canetas... gosto das minhas séries, de ver programas que me fazem chorar. Gosto da areia nos pés e do som do mar, mas detesto que me atirem água ou gente que faça muito barulho na praia. Gosto de uma boa conversa, mas não me venham com coscuvilhices que eu não tenho paciência. Sou sempre a última a saber das coisas e não me importo com isso. 


Introspeção é para mim algo que me leva a ser eu, a preparar-me para o mundo, a enfrentar a vida. 


 

04/06/2024

Eleições Europeias

No próximo domingo, dia 9 de Junho, teremos as eleições para o parlamento europeu.

No JN podemos encontrar um Inquérito de 30 perguntas que nos podem ajudar a comparar as nossas opiniões sobre diversos assuntos e o que diz cada um dos partidos sobre isso. Ao realizarmos esse inquérito, é possível saber com que percentagem nos identificamos mais com este ou aquele partido.

As eleições europeias que este ano se realizam, irão decorrer entre quinta e domingo, ou seja, de 6 a 9 de junho de 2024 - em que cada país da UE escolhe um dia de eleições. "Se é cidadão da UE, tem direito de voto nestas eleições, juntamente com 360 milhões de europeus." No passado domingo, muitos portugueses exerceram já o seu direito de voto de forma antecipada. Esta data serviu também para testar o uso de cadernos digitais, tendo sido detectadas falhas nestes sistemas, o que levou a alguns "constrangimentos nas mesas de voto." Estes cadernos digitais, permitem que os eleitores possam votar em qualquer mesa de voto, mesmo que não seja na sua área de recenseamento.

Não nos podemos esquecer que nem sempre tivemos este direito - o de votar, escolher, dar a nossa opinião -  e que por isso, a "democracia é um bem precioso, que nos foi transmitido pelas gerações anteriores."

É nossa obrigação, preservar esta mesma democracia, "reforçá-la e transmiti-la às futuras gerações. A forma mais eficaz de o fazer é votando - porque quanto mais pessoas votarem, mais forte a democracia se tornará." E você? Já se preparou para votar?


Fontes:


https://www.jn.pt/3865007347/30-perguntas-para-saber-qual-o-partido-com-que-mais-se-identifica-nas-europeias/


https://european-union.europa.eu/institutions-law-budget/european-elections-2024_pt


https://tek.sapo.pt/noticias/internet/artigos/eleicoes-europeias-com-cadernos-de-voto-digitais-em-portugal-pela-primeira-vez-mas-ha-erros-para-corrigir

05/04/2024

Perceber-me...

Ultimamente não tenho dedicado muito a falar sobre mim, porque na verdade, tudo continua igual e, realmente, a conjuntura nacional e internacional tem sido muito mais interessante. Talvez porque não me dê grande relevância, ou porque tenha mais que fazer do que me estar a dar demasiado valor. No fundo, há sempre coisas boas e más a acontecer todos os dias na minha vida, mas a principal, sem dúvida, é sentir-me realizada com aquilo que agora estou a fazer. 


Ontem caiu uma certa nostalgia e, até um certo aperto, quando comecei a pensar que está tudo a seguir no bom caminho. Mas eu não estou habituada a que as coisas me corram bem e isso faz-me sempre recear... não sei se conhecem a sensação. Eu não estou aqui a dizer que está tudo perfeito, não está mesmo, há muito para melhorar, tenho muito para trabalhar e sobretudo, para me auto-construir. Mas é este caminho que agora estou a percorrer é que me está a dar uma motivação diferente e me faz olhar para situações passadas e me faz pensar: como é que isto me aconteceu? como é que eu deixei que me fizessem isto? como é que eu me permiti a passar por isto? como é que eu não vi isto?


E estas memórias ainda me afetam. Sim, ainda acordo a meio da noite com angústias. Ainda temo e desconfio. 


Ainda há sonhos e apertos que me fazem acordar a meio da noite. 


E aqui está o foco que quero muito melhorar. A minha saúde. Vivo há anos demais presa a diagnósticos, a medicamentos, a tentativas de fazer os outros perceberem que há doenças que não são visíveis mas que estão cá e nos magoam, nos vão tirando as forças bocadinho a bocadinho. Mas sabem o que eu também sei? É que aquilo que mais me tira as forças, não é a doença nem a medicação, que sim estão cá e fazem parte da minha vida há muitos anos, é a minha preocupação sobre o que os outros pensam de mim. E essas pessoas interessam? Não deviam, porque não são as pessoas próximas de mim, nem as pessoas da minha família próxima, nem as pessoas que me querem bem. Se são só as "outras" e, muitas delas já nem fazem parte da minha vida, porque é que ainda me magoam, me fazem angustiar? Porque é que as memórias do que se passou, não podem passar apenas de memórias e, ainda hoje, me fazem ficar triste? 


E porque é que eu estou hoje a escrever isto? Bem, uma das razões é porque não sou a única pessoa a viver com fibro e sei que há muitas pessoas que dizem que o pior desta doença é a incompreensão dos outros. E é exatamente aí que eu sinto que tenho de trabalhar. Não nos outros, mas em mim, em aceitar-me como sou, sem me estar a preocupar se os outros acreditam em mim ou se falam por trás, ou se são falsos... é que eu sei que isso não me devia estar a magoar, não aos quarenta anos, nem depois de tudo aquilo que eu já passei na minha vida, de tudo aquilo que eu já vi e já vivi. 


E é tudo isso que importa.

08/03/2024

As grandes mulheres de Portugal, as grandes mulheres da minha vida

O Dia da Mulher foi oficializado pela "Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975," mas por muitos países já é comemorado desde o início do século XX. Só em "1979 foi aprovada a Convenção para a eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres."


Podemos dizer que esta data está ligada à luta das classes operárias, em especial, à luta pela igualdade dos direitos das mulheres. Nesta data, assinala-se a desfesa de importantes "causas como o direito ao voto, a igualdade salarial, a maior representação em cargos de liderança, a proteção em situações de violência física e/ou psicológica ou o acesso à educação." Infelizmente, em demasiados países, estes direitos continuam ainda por cumprir.


As minhas mulheres, fizeram de mim o que sou hoje (sem desprezo aos homens, mas hoje é o dia delas). Nas minhas mulheres, admiro a força, a coragem, o trabalho e a determinação. Elas me mostraram que nunca se deve baixar a cabeça perante um desafio, que nunca me devo achar inferior a ninguém e que posso e devo lutar pelos meus direitos e defender as minhas conquistas com orgulho. Identifico-me com as minhas raízes e uma das coisas que é notável ao longo da história da vila onde nasci, é que embora fossem os homens a ir para o mar (algumas mulheres também o faziam) quem ficava a cuidar e a defender a terra eram sobretudo as mulheres! A elas cabia administrar a casa e, claro, assumiam por isso muitas vezes a posição de cabeça de casal, que antigamente em muitas outras regiões cabia apenas ao homem. 


Quando a minha avó nasceu, instalava-se a ditadura em Portugal e, até 1974, não conheceu outra maneira de viver. Mas isso, nunca a calou nem fez baixar os braços. No ano em que a minha mãe nasceu, era presidente da República Américo Tomás, mas o país ainda era governado por Salazar.Durante a década de 60, o nosso país estava a ser fortemente reprimido, muitos jovens eram enviados para as ex-colónias e lá morriam ou ficavam estrupiados, condenados a viver para sempre com traumas de guerra. Muita gente é levada a emigrar. A minha mãe tinha 14 anos quando a Revolução saiu à rua e, também ela, saiu para celebrar a liberdade. Tenho a certeza que isso a marcou.


Apesar de não terem tido uma vida nada fácil, com muitas marcas psicológicas (e também físicas) estas mulheres conseguiram depois ser, para mim e para a minha irmã, as grandes referências como exemplos de vida a seguir. Como elas, não nos coibimos de dar a nossa opinião, sabendo que, se somos livres hoje, foi porque elas e outras como elas, não se calaram e não deixaram que ninguém as calasse. 


Mas na nossa história temos vários exemplos importantes, sendo que apenas vou referir cinco delas, apesar de serem imensas. Muitas vezes, o que fizeram na sua época não foi tão divulgado, mas felizmente hoje em dia, embora tardiamente, já são de alguma forma valorizadas.


A primeira de quem quero falar é de Carolina Beatriz Ângelo, que foi "a primeira médica a operar no Hospital São José em Lisboa, a primeira mulher a ser considerada “chefe de família”, e sobretudo, a primeira mulher a votar em 1911!" Ela foi a primeira mulher a lutar "pela emancipação das portuguesas." Na época, a lei vigente considerava que “todos os cidadãos maiores de 21 anos, chefes de família, que soubessem ler e escrever” podiam ter um papel ativo na vida política do país. Carolina tinha 33 anos e tinha ficado viúva, com uma filha a seu cargo, o que fazia dela chefe de família. Ao ser médica, estaria implícito na sua formação que sabia não só ler e escrever, mas também tinha formação superior. Carolina foi então a tribunal, invocar "o direito de ser considerada chefe de família" e de poder votar. Conseguiu o seu propósito, embora mais tarde infelizmente, tenha sido acrescentado à Lei que apenas os “chefes de família do sexo masculino” poderiam votar.


Um outro nome importante é o de Sophia de Mello Breyner Andresen, nascida em 1919 e que se destacou tanto na escrita e poetisa, como na luta pela liberdade e pela democracia. Conhece Francisco Sousa Tavares e com ele se junta "à luta contra o regime de Salazar. Apoiou a candidatura de Humberto Delgado, em 1958, e teve em Mário Soares e em Maria Barroso, amigos para a vida." Em 1969, "foi candidata a deputada, juntamente com o marido, pela CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática), considerado o início do Partido Socialista." Depois do 25 de abril, foi uma das cinco mulheres que foram eleitas deputadas "à Assembleia Constituinte. A 2 de agosto de 1975 fez a sua primeira intervenção parlamentar e participou na Comissão para a Redação do Preâmbulo da Constituição, à qual presidiu, em 1976. Foi "a primeira mulher a receber o Prémio Camões." Sophia morreu em 2004 e, desde 2014 que o seu corpo está no Panteão Nacional.


Continuando com outra escritora, quero destacar também a ativista Natália Correia, que nasceu em 1923 e fo"i poetisa, dramaturga e jornalista." Natália Correia nunca deixou de expressar "o seu desagrado em relação ao regime do Estado Novo, tendo apoiado a candidatura de Humberto Delgado e manifestado publicamente a sua amizade com Francisco Sá Carneiro." Acaba por ser até condenada a três anos de prisão (com pena suspensa, pela publicação de uma obra considerada ofensiva para os costumes) e foi processada por ter tido a responsabilidade editorial das Novas Cartas Portuguesas (o livro das Três Marias)." Desempenhou um importante papel político "no que diz respeito à luta pelos Direitos Humanos e pelos Direitos das Mulheres." É da sua autoria "o Hino dos Açores" e foi também "cofundadora da Frente Nacional para a Defesa da Cultura."


Destaco aqui também Maria de Lourdes Pintassilgo, que nasceu em Abrantes, em 1930. "O seu percurso académico e profissional foi marcado com momentos de avanços significativos para as mulheres. Primeiro, ao ingressar na licenciatura em Engenharia Químico-Industrial, tornou-se uma de três mulheres no curso, quando muito poucas frequentavam o ensino superior. Tornou-se a primeira mulher a ingressar os quadros técnicos superiores da Companhia União Fabril (CUF). Ainda durante o Estado Novo, foi convidada por Marcelo Caetano para se candidatar a deputada à Assembleia Nacional, tendo sido a primeira mulher a exercer funções como procuradora à Câmara Corporativa nas duas últimas legislaturas deste órgão, até abril de 1974. Presidiu, ainda, ao Grupo de Trabalho para a Participação da Mulher na Vida Económica e Social e à Comissão para a Política Social relativa à Mulher (mais tarde denominada Comissão da Condição Feminina). Em 1975, tomou posse como embaixadora junto da ONU para a Educação, Ciência e Cultura." Maria de Lourdes torna-se "a primeira mulher primeira-ministra em Portugal" quando aceita o convite feito por "Ramalho Eanes para chefiar o Governo de Gestão de 1979 a 1980."


Uma outra mulher, bem conhecida e com um percurso digno de destaque foi Manuela Ferreira Leite nascida em Lisboa em 1940. Licenciou-se em economia e "foi chefe de gabinete de Cavaco Silva, em 1980, quando este desempenhava as funções de Ministro no Governo de Francisco Sá Carneiro." No início de 90, "assumiu a Secretaria de Estado do Orçamento e, entre 1993 e 1995, o Ministério da Educação, numa altura de grande contestação, tendo sido, pelo seu perfil austero, apelidada de Margaret Thatcher. Foi eleita deputada à Assembleia da República em 1995 e, em 1999, presidente da Comissão Parlamentar de Economia, Finanças e Plano. Foi também a primeira mulher líder de um Grupo Parlamentar (PSD), entre 2001 e 2002." Nesse ano, "foi nomeada Ministra de Estado e das Finanças, tendo, também aqui, sido a primeira mulher portuguesa a assumir estas funções."


Fontes:


https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-internacional-da-mulher


https://lisboasecreta.co/10-mulheres-portuguesas/


https://josefinas.com/pt/blog/12-mulheres-portuguesas-que-merecem-destaque


https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/Exposicao-As-mulheres-que-mudaram-Portugal.aspx


 


 

29/02/2024

Uma das grandes mulheres da minha vida

Hoje faz anos aquela mulher que me ensinou o que é a liberdade e a democracia, que me deu a ler a história da primeira república andava eu no 1º ciclo e me deixava ler tudo o que eu queria, tivesse ou não idade para isso. Tanto é especial, que foi logo teimar em nascer no dia 29! Assim sendo, faz agora uns 30 anitos, se bem que é minha avó e tem a cabeça cheia de cabelinhos brancos.


Para mim, há dois adjetivos que a caraterizam: lutadora e irreverente! E dela eu herdei a teimosia, a dificuldade em dizer que gosto quando não gosto, a incapacidade de sorrir sem me apetecer e a capacidade de ser autónoma e independente. O pior que nos podem fazer, sei que ambas estamos de acordo nisso, é fazerem-nos baixar a cabeça perante alguém. Podemos passar despercebidas, mas nunca nos deixamos rebaixar. Não é de estranhar que por vezes as nossas opiniões e os nossos feitios se choquem e que até passemos algum tempo chateadas, mas na verdade nunca estamos zangadas uma com a outra. 


A ela agradeço ter aprendido a ler, a escrever corretamente, a contar, a multiplicar e a dividir. Aprendi e hoje ainda uso diariamente muito daquilo que ela, só com a 4ª classe, me ensinou. Hoje ainda sei de cor as tabuadas, dividir sem usar a calculadora, fazer a prova dos nove ou a prova real. Mas a ela também agradeço ter confiado em mim, tantas vezes! E nem vou falar aqui de outras tantas coisas que fez por tanta gente, mas isso não é para aqui...


Existem muitas mulheres com um papel importante na minha vida, mas esta é especial. Sei que ela odeia fazer anos, especialmente se a data calhar numa ano que não seja bissexto (aí escusamos até de lhe dar os parabéns), mas para mim, é importante dedicar-lhe estas palavras.

01/09/2023

40: um passo em direção ao futuro

images.pngBom dia!



Para começar, dizem que hoje completo 40 anos de vida! E para mim é um dos primeiros marcos da minha vida. Já vivi experiências muito diversas e tenho uma vida (razoavelmente) estável, se comparada a tantas pessoas que vivem em dificuldades.

Nasci na maternidade do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, num parto difícil, a ferros. Apesar de ter tido uma infância feliz em que nada me faltou, olho agora para trás e vejo que os meus problemas de saúde foram começando na infância e na época não foi dada qualquer atenção. Era a chata que dizia ter dores de cabeça para ficar na sala e não ir brincar, implicava com os barulhos e a confusão das festas de aniversário, ficava com febre porque não queria ir ao infantário (como se eu pudesse provocá-la conscientemente)... mais tarde, as dores musculares e articulares limitaram a minha continuidade na ginástica, não fui escolhida para a acrobática e os trampolins levaram a lesões sucessivas e mal curadas, que hoje em dia sei que teriam tido outros cuidados.

Refletindo na minha vida, foram 40 anos a lidar comigo mesma e se acham que sou difícil, acreditem que sozinha comigo, às vezes sou bem pior! Mas foram também 40 anos de grandes conquistas e realizações: ter um filho foi a maior de todas. Hoje em dia, já não me importa o que disseram de mim no passdo, o que me criticaram ou quem se considerava superior a mim. Hoje em dia, o meu foco é na minha vida e na vida do meu filho, no nosso crescimento como pessoas. Hoje em dia, ao contrário daquilo que acontecia há sete ou oito anos atrás, não me vejo uma pessoa cheia de limitações que está prestes a se reformar. Estou num patamar diferente, em que a aceitação das limitações, me levam sim a desafiar os meus próprios limites e a aproveitar cada dia e cada momento mesmo com dores.

Em 40 anos, o mundo tem mudado muito e já não é o mesmo. Em novembro de 1983, um exercício da NATO, (tratava-se dos exercícios militares Able Archer, que se baseavam no cenário hipotético de uma invasão soviética da Europa Ocidental que escalaria ao ponto da NATO realizar um ataque nuclear contra as forças da URSS e do pacto de Varsóvia - bloco comunista) - e que levou a que quase se tivesse entrado numa verdadeira guerra nuclear. Felizmente, tal não chegou a acontecer apesar da tensão constante entre as duas forças.

Mas será que 40 anos mudaram assim tanto o nosso país?

Em Portugal o ano de 1983, foi marcado por diversas greves e manifestações sindicais, em especial da CP, metropolitano e Carris. No dia 7 de Junho de 1983, vários trabalhadores da margem sul do Tejo, das empresas Lisnave, Parry and Sons, Companhia portuguesa de Pescas, Siderurgia Nacional e Mundet, realizam ações de rua, que incluem o corte do trânsito da auto-estrada Lisboa-Setúbal, como protesto contra a situação nestas empresas e o atraso no pagamento de salários.

A 5 de Outubro de 1983, a CGTP promove, em diversos pontos do país, desfiles e manifestações de protesto contra a política do governo, os salários em atraso, os despedimentos (lay-off) e o roubo do 13º mês.

A 6 de Dezembro de 1983, explodem 14 petardos de fraca potência, em Lisboa, Barreiro, Seixal, Cacilhas e Setúbal, espalhando panfletos das FP25 e a 13 de Dezembro a União dos Sindicatos de Lisboa (CGTP) revela que mais de 30 mil trabalhadores do distrito de Lisboa, de 118 empresas repartidas por 15 sectores, têm salários em atraso, num montante de cerca de 2 milhões de contos. O sector mais afetado é o metalúrgico.

A democracia ainda mostrava instabilidade e a nível social o país continuava a mostrar os seus muitos problemas. Ao longo destes anos, várias destas empresas acabaram por fechar, levando milhares de trabalhadores para o desemprego.

Fontes:

https://www.bbc.com/portuguese/geral-56230542

https://cdi.upp.pt/cgi-bin/cronologia.py?ano=1983

27/08/2023

Férias e preparação para um novo ano letivo

Este ano, ao contrário do ano anterior, consegui uns dias para descansar. Tão bem me fizeram estes dias, nem imaginam! Estou mais feliz, tranquila e com as energias renovadas.


A rotina, recomeça amanhã com o início de uma nova ação de formação e com o retomar da preparação de novas ações e, em breve, da entrada no novo ano letivo com novos desafios!


A situação profissional dos professores e, daqueles que como eu são educadores de infância e formadores, são um assunto que continua a dar muito que falar, pela sua instabilidade. Quando escolhi esta profissão e me dediquei a ela, não pensei que, prestes a completar 40 anos, não estivesse efetiva numa escola, mas a verdade é bem diferente. Mas isto para dizer que, mesmo sem a estabilidade que desejava, eu sou uma pessoa feliz.


Faço aquilo que gosto, tenho tido pessoas incríveis na minha vida que me têm ensinado imenso e tenho aproveitado as oportunidades que me têm aparecido. Cada novo desafio é encarado por mim como uma oportunidade de aprendizagem e desenvolvimento pessoal. Reflito diariamente sobre isso, não deixando de me autoavaliar e de tentar sempre fazer melhor. E esse é o meu desejo para este novo ano!


 


 


 

17/08/2023

Descanso e pés na água...

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No dia 11 terminei mais uma etapa da minha vida e comecei umas merecidíssimas e desejadas férias. A procura foi por um local onde pudesse descansar duas noites, que fosse perto de casa para não ter de conduzir muito e onde houvessem praias fluviais ou piscinas para passarmos bons momentos. A companhia, essa estava já muito bem escolhida! Optamos por ir durante a semana e fugir assim às correrias de fim de semana.

Assim, na segunda-feira saímos de casa pela manhã, começando por um bom pequeno-almoço de mãe e filho na Xandite do Seixal e onde preparamos juntos algumas partes do percurso até à pousada da Juventude de Abrantes, onde iríamos pernoitar as duas noites seguintes. Optamos por seguir pela EN10 até à A33 e depois fazer a EN118. Passamos a Ponte da Praia do Ribatejo (uma das pontes sobre o rio Tejo que liga a EN3 e a EN118).

A viagem foi sempre feita devagar para irmos apreciando a paisagem e à chegada a Constância, ficámos encantados. Parámos para almoçar e descansar um pouco na Praia Fluvial. A água é tão límpida como é gelada! A pequena praia que fica situada na margem esquerda do rio Zêzere,  na zona onde este se encontra com o Tejo, tem vigilância tanto da GNR como de Nadadores salvadores, não obstante o rio ser extremamente calmo nesta zona. Esta praia, que só foi inaugurada à cerca de um ano, apresenta também uma zona de relva, com excelentes sombras, cafés, restaurantes e fica junto a um pequeno parque de campismo.

Aproveitada a praia, chegamos finalmente a Abrantes. Começamos por visitar a Aquapolis, uma zona fluvial, não classificada como zona balnear, mas onde se pode passear junto ao rio Tejo. Este espaço público é ainda pontuado pela escultura da autoria de Charters de Almeida. É uma peça de grandes dimensões, na linha dos trabalhos de arte contemporânea, as “Cidades Imaginadas”, que o autor tem espalhadas um pouco por todo o mundo.

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Depois subimos até à zona onde se ergue o Castelo de Abrantes, numa curta visita. Dali pudemos desfrutar de uma vista ampla sobre a cidade e sobre o rio.

O Castelo, outrora constituindo a chamada Linha do Tejo, conjunto de fortalezas que atualmente faz parte da Região de Turismo dos Templários, tem um jardim fantástico, onde se pode dar um passeio, mas o melhor de tudo, na minha opinião é a vista que temos lá de cima. O Castelo de Abrantes foi conquistado aos Mouros por D. Afonso Henriques, na madrugada do dia 8 de Dezembro do ano de 1148, e por si doado em 1173, à Ordem de Santiago de Espada.

Do antigo e austero castelo medieval, envolto por um jardim público com uma invejável panorâmica, restam atualmente apenas a sólida Torre de Menagem, a Porta de Armas (no ângulo nordeste) e a arcaria de suporte a dois distintos panos de muralhas que servem de parapeito a um miradouro sobre a cidade.

A pousada da Juventude fica localizada na rota da Estrada Nacional 2, numa colina entre a cidade e o rio Tejo, perto do Hospital de Abrantes, num edifício antigo e um pouco degradado onde estão a decorrer obras.

É uma das 42 pousadas, que podemos visitar no nosso país, através do grupo MoviJovem. Eu e o meu filho gostamos bastante da Pousada, em especial do quarto onde pudemos descansar antes do jantar. Temos estacionamento gratuito.

Escolhemos um quarto sem casa de banho incluída e por isso usamos os balneários e não nos arrependemos, pois tinham ótimas condições, eram bastante espaçosos e estavam limpos. Cada chuveiro tinha ainda ao dispor gel de banho que podíamos usar, assim como um conjunto de toalhas para cada um no quarto.

O quarto era bastante razoável, embora só houvesse uma ventoinha para refrescar, o que eu acho que era pouco para o calor que se estava a fazer sentir. Apesar de tudo, a noite foi bastante tranquila. O pequeno almoço foi bastante bom para aquilo que era esperado e tinha bastante diversidade de produtos.

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Terça de manhã levantamo-nos cedo e depois do pequeno-almoço, fomos visitar a praia fluvial da Aldeia do Mato que fica em plena albufeira da Barragem de Castelo de Bode, na margem esquerda do rio Zêzere. 

A piscina fluvial flutuante tem sempre nadadores salvadores a garantir a segurança dos banhistas e está dividida em duas partes, uma maior para os adultos e outra mais pequena para as crianças. 

O percurso é demorado e cheio de curvas e a zona de praia estava um pouco suja.

Sinceramente, ficamos um pouco desiludidos mas ainda deu para descansar um pouco e estarmos os dois a jogar ao Uno na areia, mas pouco mais. Queriamos lá passar o dia, mas estava bastante vento e tornava-se desagradável estar na água. Por isso, optamos por tentar a nossa sorte noutro lado.




Seguimos então para a zona de Cabeça Ruiva, para a praia fluvial de Pontes. Uma descida acentuada dá acesso aos carros até perto da praia (em ambos os casos, as estradas são estreitas e em caso de necessidade, penso que se poderão gerar situações complicadas).

Pelo caminho, apanhamos alguns figos, numa zona onde achamos que não devia haver problema (e soube tão bem!).

Deixamos o carro bastante cá em cima e descemos a pé. Reparamos logo que também aqui havia vigilância. Nesta praia, o ambiente era mais agradável, apesar de estar bastante gente, havia tranquilidade e sentimo-nos mais seguros. Existe uma piscina flutuante onde podemos tomar banho e nadar em segurança. 

No regresso, passamos pela pousada para um duche e fomos depois jantar. Nestes dois dias optamos por almoçar em formato piquenique e jantar "comida de plástico", uma vez que o intuito era descansar e não gastar muito.

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Depois fomos os dois passear pela zona do Rossio, do outro lado do rio, onde pudemos fazer uma pequena caminhada, ir ao parque e visitar as colunas que em tempos serviram de base à ponte das barcas. Pudemos ver o pôr do sol!

Na quarta, o dia foi passado na piscina municipal. O espaço não é muito grande, mas é ótimo para descansar e aproveitar as sombras das árvores e a piscina. A água estava ótima (o que para mim que sou muito friorenta é mesmo uma novidade) e por isso ainda aproveitei para uns mergulhos. Almoçamos num pequeno bar que há dentro do complexo.

A única coisa que nos incomodou um pouco por ali foram as vespas (estamos na natureza, não há nada a fazer) mas de resto foi um dia espetacular que compensou um pouco o dia de praias fluviais de ontem.

No caminho para casa paramos no miradouro sobre o Castelo de Almourol, já na EN118, na zona da Chamusca. Dali podemos ver um dos lados da fortificação que fica numa pequena ilhota a meio do Tejo. A sua história relembra a Reconquista do território durante a Idade Média. Quando aqui chegaram os cristãos em 1129, o castelo já existia sob o nome de Almorolan, tendo sido então incluído nas terras entregues à guarda dos Templários, sob as ordens de Gualdim Pais. Segundo uma inscrição existente na entrada, as obras de reconstrução datam de 1171. Era um dos sítios que eu gostaria de ter visitado, mas que não consegui.

Umas mini férias a repetir assim que possível. Valeram principalmente pelo encontro comigo mesma, pela possibilidade de descansar, de pôr a leitura em dia, os pés na água e das conversas com o meu filho. Dias maravilhosos!

Fontes:

http://turismo.cm-abrantes.pt/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Castelo_de_Abrantes

07/05/2023

Dia da Mãe

Hoje festeja-se em Portugal o dia da mãe, mas nem sempre assim foi. A tradição é que se ofereçam flores, cartões ou outros presentes às mães nestes dias, mas como surgiu este dia e porquê?

O Dia da Mãe é uma data comemorativa que, em Portugal, se celebra no primeiro domingo do mês de maio, por isso acaba por não ter um dia exato. Nem todos os países têm esta tradição e dos que têm nem todos o festejam na mesma data.

A data chegou a ser celebrada a 8 de dezembro em Portugal, que é o Dia da Imaculada Conceição. Mas, a pedido da igreja, a comemoração foi mudada para que o Dia da Imaculada Conceição não perdesse o seu destaque. Assim, a comemoração passou a ser feita no mês de maio, porque é o mês conhecido entre os católicos como o mês de Maria, mãe de Jesus.

O Dia da Mãe é um dia de homenagem e de agradecimento. Para mim, é uma data feliz porque tenho o privilégio de ser mãe. Apesar de ter perdido a minha, neste dia, celebro também as outras mães (avós, tias e amigas) que merecem este destaque neste dia. Hoje por exemplo, pude passar o dia com o meu filho e pude almoçar com o meu pai e com uma das minhas avós, por isso, foi um dia bom para mim. Para ser especial, um domingo não precisa de muito mais, nem de prendas, nem de flores, nem de cartões nem mensagens, basta que os meus estejam presentes ou que eu me possa fazer presente nas suas vidas!

Sabiam que a comemoração mais antiga do Dia da Mãe remonta às comemorações primaveris da Grécia Antiga? Era feita em honra de Rhea, mulher de Cronos e Mãe dos Deuses.

Em Roma, as festas do Dia da Mãe eram dedicadas à Cybele, a mãe dos deuses romanos, e as cerimónias em sua homenagem começaram por volta de 250 anos antes do nascimento de Cristo. Ou seja, o dia da mãe, apesar de estar ligado à religiosidade, era uma festa politeísta e não monoteísta, e por isso é mais um dos vários exemplos em que se começou a fazer uma associação a um festejo muito mais antigo.

Durante o século XVII, em Inglaterra celebrava-se no 4º domingo da Quaresma (conjunto de 40 dias que antecedem o domingo da Páscoa cristã) um dia chamado “O Domingo da Mãe”, dedicado a todas as mães inglesas. Nesta época, a maior parte da classe baixa inglesa trabalhava longe de casa e vivia com os patrões. Assim, os criados tinham um dia de folga neste domingo especial e eram encorajados a regressar a casa e passar esse dia com a sua mãe.

Fontes:

https://www.calendarr.com/portugal/dia-da-mae/

https://www.mulherportuguesa.com/lazer/festas-tradicoes/verdadeira-historia-do-dia-da-mae/

25/03/2023

Tai Chi Chuan

Este ano tinha definido como um dos meus objetivos, começar a fazer uma atividade física. Por um lado, para calar a implicância das médicas que me dizem que eu "tenho de me mexer" e por outro porque sinto que se não começar depressa a fazer alguma atividade, nunca o vou conseguir fazer e quanto mais tarde pior.


Tenho procurado, mas sem grande vontade e a verdade é que está a terminar o terceiro mês do ano. Entretanto, esta semana, mandei mensagem a pedir informações num grupo de Tai-Chi e hoje fiz a primeira aula. Por um lado, trabalha com a respiração e com movimentos lentos e controlados, o que evita lesões de impacto e, por outro lado trabalha com a energia e ajuda a prevenir várias doenças. Pesquisei um pouco sobre os benefícios e o que descobri foi importante na minha escola desta arte marcial.


Quando cheguei a Belverde, encontrei um grupo pequeno e logo depois dos primeiros minutos senti-me integrada. À minha esquerda estava uma senhora que eu acho que se não tem a idade da minha avó, está lá pertinho e que se move com uma delicadeza e uma determinação invejáveis. Estava lá outra senhora, com idade mais próxima da minha e depois, mais dois senhores, também mais velhos. O mestre é o Max. Tratamo-nos todos por "tu". Depois de hora e meia neste grupo, além de descobrir que quero ficar e aprender mais, já tenho um almoço marcado e um evento no próximo sábado em que vou participar. 


Descobri que no Tai-chi temos movimentos circulares, com nomes engraçados, mas com grandes objetivos, como promover a circulação do Chi (ou energia), permitir a mobilização de todo o corpo, e no fim, usar a maior força no movimento de ataque ou de defesa. O mestre durante a aula foi explicando sobre cada movimento e isso dava-me a entender que há muitos nomes que ainda vou ter de saber. O Tai Chi Chuan previne algumas doenças ao diminuir a tensão arterial. Um dos aspetos que logo reparei é que a nossa concentração é muito estimulada, pois os movimentos são muito lentos e exigem foco e concentração na sua execução. Assim, apesar de estar a praticar uma atividade que exige esforço físico, este acaba por reduzir o stress e a ansiedade, enquanto estimula o sistema nervoso e imunológico e também fortalece os músculos e as articulações.


Algumas horas depois, sinto no corpo as dores musculares. Isto vai exigir mais de mim a nível mental do que físico, porque se quero continuar e se quero mudar a minha vida este ano, não me posso deixar cair na rotina e tenho de ser eu a impulsionadora desta mudança.

13/12/2021

Afastando o que me faz mal

Se não estou bem, porquê insistir em continuar? 


Se o que sinto é que não estou a ser valorizada, que se estão a aproveitar de mim (de algo que precisam meu) e que no dia em que deixar de lhes dar isso, irei certamente ser substituída, porque não ser eu a afirmar o meu valor, acima de tudo e sem magoar ninguém, impondo que não quero ser explorada?


Duas razões, pena e respeito. Pena porque sei que não estão numa situação fácil. Respeito porque me comprometi a desempenhar o meu trabalho e prometi que ajudava "no que pudesse". O problema é que não posso ajudar mais, não desta forma, sem que me prejudique a mim própria. 


Fez agora dois anos que lutei por uma oportunidade de sair de um trabalho que se estava a tornar abusivo. Prometi a mim mesma, não voltar a ter uma carga horária tão grande nem a deixar que me obrigassem a fazer coisas que não quisesse fazer e que me prejudicassem ou a outras pessoas. Estou neste mesmíssimo momento a cair no mesmo erro. Melhorei bastante do meu problema de saúde quando comecei a trabalhar menos horas e a respeitar as minhas pausas, a minha alimentação, o exercício que precisava. Estou pior novamente, com muito mais dores, porque não tenho tempo de tratar de mim, porque faço funções que me prejudicam a coluna, porque estou a levar o meu corpo além dos limites que aprendi a detetar. 


Isto tem de mudar. Por mim e pelo meu filho que ainda precisa de mim, sem ser numa cama.


 

10/12/2021

Caminhando

Passou algum tempo desde a minha última caminhada matinal. As dores não me têem permitido sair da cama de forma fácil o suficiente para me aventurar a sair de casa ainda de noite. Mas é algo que comecei a fazer com alguma frequência durante o último verão e que me ajuda a lidar com os meus próprios pensamentos. É ali, na solidão das manhãs, que organizo a minha mente e que defino os passos que vou dar nesse dia. Nem sempre sigo tudo à risca, porque muitas vezes perco a coragem de tomar certas decisões, mas ajuda-me bastante.


Hoje foi mais um desses dias. A semana tem sido difícil. Preciso de avançar com decisões que me vão influenciar tanto a mim como a outras pessoas, e ainda não sei como o vou fazer. O que sei é que tenho de criar os meus planos e tenho de ir em frente sem estar sempre a pensar "e se?"


Hoje o passeio teve a particularidade de poder passar pela feira de Natal do Seixal, completamente deserta. Estava frio, uma borrasca irritante daquelas que penetra nos ossos, mas soube muito bem. Apesar das dores que sinto e que têm estado piores nestes dias, caminhar ajuda-me a ativar a circulação, a pôr os músculos a funcionar e a diminuir a rigidez tão típicas da fibro. 

13/07/2021

Saudade

Há muita coisa em mim que era dela, umas que faço questão de manter, outras que não me agradam assim tanto ter herdado. Herdei os problemas de pele, a propensão a uma osteoporose precoce e se calhar a outras coisas que não quero nem saber. Herdei também a teimosia, o péssimo feitio quando me pisam os calos e a incapacidade de ficar calada quando me apetece mandar alguém para o alto do mastro.


Não preciso de saber quantos anos se passaram para saber que é como se fosse ontem. Ainda acordo a pensar em coisas que tenho de lhe contar, para perceber rapidamente que não o vou poder fazer. Nos meus sonhos, ela está muitas vezes presente, conhece o meu filho, sabe das coisas da minha vida. Em pensamento é a minha confidente. Atenção que eu não acredito em nada dessas coisas da vida depois da morte, nem acredito que me oiça, ou que me ajude a tomar decisões. Acho é que a memória que tenho dela e da sua presença é tão forte que me acompanhará sempre. 


Se fosse viva, hoje festejaríamos  os seus 61 anos. 

01/06/2021

A caminho

Estou entre trilhos, com a saída de um trabalho e a caminho de outro. Será um salto no vazio, pois não sei o que me espera, mas não sou pessoa de sofrer com as perdas o suficiente para ficar enroscada sem avançar.


Eu já estava naquela fase em que cada dia se tornava um sacrifício sair de casa e entrar no carro. A ideia de poder mudar estava presente há muito tempo, mas tinha pena de abandonar o barco durante a pandemia. Então não é que me empurraram borda fora? Não há lá coisas estranhas, que nos acontecem? Feliz por não ter de ser eu a tomar a decisão e de magoar as outras pessoas, avancei em pouco mais de dois dias e amanhã começo numa nova morada.


Haverá sempre aquela incerteza, mas se aprendi algo nestes últimos meses, é que a Terra vai continuar a girar, esteja cá eu ou não e que se algo posso fazer para ficar melhor enquanto cá estiver, bolas, vou em frente!

01/01/2018

O meu Caderno

Bem-vindos ao meu "caderno" onde escrevo sobre diversos assuntos da atualidade, com enfoque nas notícias que mais abalam o país e a Europa, sem esquecer alguns acontecimentos importantes que fazem o nosso mundo pulsar.


No meu blogue encontrarão factos históricos, notícias e alguns artigos. Não sou escritora, nem jornalista, nem tão pouco, historiadora, mas amo estas áreas e escrever liberta-me. Escrever sobre os assuntos é o primeiro passo para refletir sobre as suas consequências e sobre as suas potenciais causas. Perceber a geopolítica mundial é um dos meus objetivos e um tema que me fascina.


Em cada "página" deste caderno, caberá um apontamento, uma referência a alguém que considero importante para o país ou um facto histórico que se possa assinalar naquela data. 


Pelo meio, também me vou dar um pouco a conhecer, embora este blog não seja só para falar sobre mim. O meu blog é, ele mesmo, um exercício de escrita, uma forma de treino da mente, de compromisso. Fazer as palavras passarem da mente para o ecrã é por si mesmo um exercício diário, e é uma forma de praticar a minha própria escrita, treinar a minha língua e a sua gramática.


Mas ainda me falta apresentar. O meu nome é Elsa e nasci em 1983 numa pequena vila chamada Sesimbra, que pertence ao distrito de Setúbal. A beleza desta vila sempre me inspirou a escrever desde muito nova, especialmente sobre a praia e o mar, os pescadores e a vista da casa da minha avó. Mas nem sempre tive uma boa relação com esta terra...


Atualmente, resido no Seixal, uma terra que me acolheu e onde me sinto em casa. Trabalho numa instituição importante deste concelho. Sinceramente, já houve um tempo em que me sentia realizada, mas hoje em dia isso já não acontece e preciso de uma escapatória. 


Apesar de atualmente trabalhar na área do socorro e proteção civil, sou licenciada em Educação de Infância. Infelizmente, nem sempre as nossas primeiras escolhas são as que se concretizam e de momento não estou a exercer funções como educadora. No entanto, é algo que espero alterar num futuro próximo, um objetivo a cumprir no próximo ano ou durante os seguintes, quem sabe. Não é que eu não goste daquilo que faço, mas quero algo que me permita sentir mais realizada nesta fase da minha vida.


Sou portadora de alguns problemas de saúde, mas isso não me define como pessoa, embora por vezes tenha dificuldade em realizar algumas tarefas. Com alguns dias melhores e com outros mais difíceis e com dores que me tornam quase incapaz de levantar, eu lá vou conseguindo fazer a minha vida normal e tento seguir os meus objetivos e ser feliz! Nem sempre consigo e isso deixa-me muito triste e sem ter com quem contar.


Este blogue é um escape para mim, uma forma de me alienar de alguns problemas, de estar distraída com a escrita, com as minhas leituras, com algo que faço quase de forma intuitiva - escrever.


Sou mãe e isso traz-me outros desafios. Um deles, é o de ser um exemplo para o meu filho e de fazer sempre melhor para ele. Não gosto quando ele me vê triste.


Outro dos meus hobbies são os noticiários, os programas informativos e as séries, especialmente as históricas e as criminais. Mas também gosto de um bom filme de animação!


Gostaria de conhecer também os vossos blogs e de aprender um pouco convosco, ter as vossas opiniões e críticas construtivas.


Espero que gostem!


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...