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25/10/2026

Noite acaba em carga policial

A pergunte que fica é: Onde está o Presidente da República quando a República Portuguesa está a ser debatida nas ruas, entre manifestantes e cargas policiais?

As manifestações juntam, maioritariamente, jovens, mas esta não é uma causa só dos jovens. É uma causa de todos que poucos tentam entender. Não se está a pedir casas gratuitas, não se está a pedir que sejam atribuídas casas sem qualquer critério. O que se está a reivindicar nas manifestações que vão acontecendo nos últimos dias por várias cidades portuguesas, é que haja casas a preços que sejam possíveis de serem assumidos por qualquer português que trabalha. 

O grande problema aqui não são as forças policiais, mas sim quem lhes ordena que avancem sobre os manifestantes. De onde vieram essas ordens? Quem mandou quem fazer o quê?

É que isto começa a cheirar muito mal!

Sou contra manifestações que acabam em pilhagens e em destruição de lojas, de carros, camiões e caixotes do lixo incendiados. Mas isso aconteceu aqui, em Lisboa? No Porto? Chegou-se a esse ponto? Não me parece. Aí, sim, mas mesmo assim, apenas contra aqueles que cometeram esses atos e não contra todos os presentes. Aqui, nestas manifestações, estão milhares de pessoas, estão famílias com crianças, estão pessoas dos vários extratos sociais, mas principalmente estão jovens que vivem numa democracia, que reivindicam um direito básico que apenas tem sido complicado com a nova Lei do Arrendamento. Na prática, esta lei vem permitir que as rendas continuem a subir. Com esta nova lei, será legal um senhorio que até agora poderia pedir "duas rendas antecipadas ou uma caução equivalente," passa a poder pedir ao novo inquilino que pague três rendas em antecipação, eliminando "o limite máximo da caução." Faltava aqui falar do artigo 65º da nossa Constituição e de como este não está a ser devidamente seguido pelos partidos no poder. Mas já que fui buscar o tema da Constituição, vejamos outras coisas.

O Direito à Manifestação está na nossa Lei - ou seja, na Constituição que data de 1976 e das suas alterações. O que está em causa é um decreto de 1974, o decreto lei 406/74 que "Garante e regulamenta o direito de reunião", e que diz que "A todos os cidadãos é garantido o livre exercício do direito de se reunirem pacificamente em lugares públicos, abertos ao público e particulares, independentemente de autorizações, para fins não contrários à lei, à moral, aos direitos das pessoas singulares ou colectivas e à ordem e à tranquilidade públicas." De entre outras coisas, lê-se no Art. 11.º que "As reuniões de outros ajuntamentos objectos deste diploma não poderão prolongar-se para além das 0,30 horas, (...)"

É a este 11º artigo que se estão a "agarrar" as forças policiais para validarem a sua atuação. A questão é: porque é que a polícia investiu contra os manifestantes? E a resposta não tem de vir da polícia, mas sim de alguém de cima que deu a ordem de investida. A questão, não havendo distúrbios como os que estão a acontecer em França, é a justificação para estes atos ser mais político do que uma questão de ordem pública propriamente dita. E volta a estar no ar um cheiro estranho, a mofo... É que já houve outras leis que acabam por anular este decreto, rebatendo-o para segundo plano, de acordo com a interpretação feita da Constituição em vigor. Da minha ótica, o que vigora é a atual Constituição que diz que "Os cidadãos têm o direito de se reunir, pacificamente e sem armas, mesmo em lugares abertos ao público, sem necessidade de qualquer autorização," acrescentando-se no ponto 2 do mesmo artigo que "A todos os cidadãos é reconhecido o direito de manifestação."

E outros casos de manifestações que terminaram em acampamentos prolongados, como por exemplo, nos 40 dias que os Bombeiros Sapadores passaram acampados junto à Câmara Municipal do Porto, e em que foram usadas também tendas e, inclusive, se fez uso de fogo. Também as forças policiais permaneceram embora sem tendas, durante "18 dias e outras tantas noites junto ao Parlamento," em janeiro de 2024. Em nenhum dos casos, foram retirados nem sobre eles foi usada a força.

Se em 1993, o Presidente da República repudiava a intervenção da polícia, na carga feita contra a manifestação da qual viria a nascer o termo "geração rasca", o que se passa agora para que o atual Presidente não o faça? E onde é que ele está, uma vez que ao contrário daquilo que fez quando era líder da Juventude Socialista, agora não vem dar a cara? 

Na prática, a sua atitude é mais contida, tendo convocado os "partidos com representação parlamentar para audiências sobre coesão social, que vão acontecer" já na próxima "quinta-feira," bem como convocou "o Conselho de Estado para 02 de novembro, sobre o mesmo tema." Parece-me pouco e tarde. 

Até lá, o que vai acontecer? A polícia irá continuar a afastar os manifestantes à bastonada e está tudo bem?

Já cheira mal, muito mal. 

Fontes:

https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/406-1974-424767

https://www.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/ConstituicaoRepublicaPortuguesa.aspx

https://www.rtp.pt/noticias/pais/lei-das-rendas-qual-a-melhor-para-combater-a-atual-crise-da-habitacao_n1773675

https://cnnportugal.iol.pt/protestos/habitacao/bastao-e-a-saida-facil-livre-aguarda-posicao-firme-de-seguro-e-vai-pedir-explicacoes-ao-governo-sobre-cargas-policiais/20261025/6addd5c5d34e9a786e75db08

https://sicnoticias.pt/economia/habitacao/2026-10-21-video-acampada-nao-e-caso-unico-foram-varios-os-protestos-semelhantes-nos-ultimos-anos-dos-policias-a-jsd-e39dbe1e

https://www.facebook.com/reel/1886245675699975 


06/10/2026

Confrontos e manifestações em França

Em França mais de 400 escolas encontram-se encerradas devido a ações de estudantes (e não só) que exigem ao governo melhores condições de educação. O que está a acontecer - a apenas alguns meses de haver eleições em França - é que os manifestantes estão a exigir "mais professores substitutos, melhores condições de funcionamento dos edifícios escolares" e melhores condições "de ensino." Desde que os protestos pela educação começaram, em meados de setembro, o número de escolas encerradas tem vindo a diminuir. Em relação às consequências, além de não haver aulas, existem para já cerca de "215 estudantes e 715 agentes da polícia" feridos. As forças policiais tentam impor a ordem e foram já feitas mais de "cinco mil" detenções.

Para além de impedirem o acesso às escolas, os manifestantes incendiaram caixotes do lixo e pneus para atrasar ou impedir a intervenção policial. Há ainda a lamentar diversos "danos materiais e confrontos com as forças de segurança, que se repetiram esta segunda-feira em algumas escolas de cidades como Paris e Toulouse, entre outras"

Para afastar os manifestantes, as autoridades estão "a recorrer a gás lacrimogéneo e a outros meios." Entre os feridos está um jovem de 15 anos, que teve a mão amputada devido ao rebentamento de uma granada lançada pela polícia e que o jovem terá agarrado, possivelmente, para a voltar a atirar.

Na passada segunda-feira, um "adolescente de 14 anos" acabou por perder a "maioria dos dentes quando um agente da polícia" o terá alegadamente atingido com "uma granada à queima-roupa," não conseguindo "falar" nem comer, tendo de "uma palhinha", Na quarta-feira, um outro "jovem de 16 anos perdeu a visão do olho direito depois de ter ficado gravemente ferido na cabeça."

Na quinta-feira e num outro local, "uma bola de borracha feriu um jovem de 16 anos no olho." Neste caso, a polícia estaria alegadamente "a responder a dois homens a cerca de 20 metros de distância que tinham disparado fogos de artifício na sua direção."

A violência policial é clara em muitas das imagens. Mas pergunto outra coisa. Muitos destes jovens são menores. Infelizmente, uma "mobilização" que teve início "em setembro, no liceu Saint-Exupéry, em Créteil, na região de Paris," acabou por alastrar e alargar-se a outras escolas. "Os alunos juntaram-se aos professores numa contestação contra a falta de funcionários e de recursos na escola."

Mas deixo a questão, independentemente de terem razões para se queixarem, e nem sequer estou a pôr em causa que as tenham, de que forma é que os pais e encarregados de educação destas crianças e jovens os estão a aconselhar ou a incitar? Um lança-granadas - como dizem - contra uma multidão, estejam presentes crianças ou não, será completamente errado e excessivo, a meu ver. Mas onde estavam os pais ao permitirem que os filhos ali estivessem expostos àquele risco? Saberiam ou teriam autorizado a presença dos menores?

Também são visíveis nas imagens, jovens a ofender agentes de autoridade. Uma coisa é o direito 
à manifestação e o direito à resistência - que não tenho a certeza, pois não conheço assim tão bem as leis francesas, se existe em França - outra coisa é atos de vandalismo, de ofensa e de agressão cometidos pelos manifestantes. Que educação lhes de
ram os pais, tendo em conta que muitos são menores de idade ainda? E volto a frisar, estou totalmente contra a violência policial e achei a resposta dada completamente exagerada e desproporcional na maior parte dos casos que se conseguem ver (não sei o antes nem o depois, e isso também pode alterar a perspetiva). É que há aqui uma outra situação que é a participação e apoio de indivíduos da Extrema-esquerda que podem estar a usar estas crianças e jovens como "frente" para as suas reivindicações, tornando-os desta forma alvos da polícia e incitando a que sejam provocadores para as forças de autoridade. Não nos esqueçamos que estamos apenas a seis meses de eleições em França.

A violência não vem só da parte da polícia. Na passada quinta feira, um "estudante de 17 anos foi detido por alegado envolvimento numa agressão ocorrida durante os protestos," tendo sido acusado de lançar "uma pedra que atingiu uma mulher de cerca de 50 anos num olho, provocando-lhe "perda de visão." Já na sexta-feira, "um estudante de 16 anos" teria "atirado gasolina para cima de uma professora durante um protesto estudantil," na localidade de "La Ciotat, no sul de França." Quando falamos em direitos, há sempre que falar também em alguns dos deveres cívicos que podem aqui não estar a ser respeitados.


Fontes:

https://www.jn.pt/mundo/artigo/come-por-uma-palhinha-adolescentes-feridos-em-protestos-de-alunos-do-ensino-secundario/18133988

https://sicnoticias.pt/mundo/europa/2026-10-06-violencia-em-franca-o-que-levou-alunos-a-sair-a-rua-fechou-escolas-e-obrigou-a-milhares-de-detencoes-fc53fb62

https://www.jn.pt/mundo/artigo/estudante-de-15-anos-perde-uma-mao-em-explosao-durante-protestos-em-franca/18133735

03/10/2026

Confrontos em Espanha devido à falta de habitação

A população juntou-se nas ruas para se manifestar contra a crise da habitação que se vive em Espanha e contra os despejos. O problema não é novo, nem é único de Espanha, mas a última gota foi o despejo de Maricarmen, uma senhora de 87 anos, obrigada a deixar a casa onde residia desde 1956, devido a uma subida absurda da renda que pagava. Já o tinham tentado fazer em outras três ocasiões, mas "desta vez, a comissão judicial levou o despejo por diante," apesar de haver até um pedido da ONU para que o mesmo fosse suspenso. Maricarmen não pode pagar uma renda que ultrapassa em muito a pensão que recebe e que se situa nos "2.500 euros por mês, mais 247% do que pagava até então. A mulher, com uma deficiência de 50%, nunca conseguiu suportar esse valor." Apoiantes tentaram impedir o despejo, sendo afastados "à bastonada" e "com gás pimenta" pela "Polícia Nacional". 

Ontem, na votação no Congresso, foram rejeitados "os dois decretos-lei sobre habitação promovidos pelo Governo do presidente Pedro Sánchez, impulsionados após o despejo de Maricarmen." 

Milhares de pessoas tinham-se deslocado até junto do "Parlamento para acompanhar o debate e exigir medidas face à crise da habitação." Fala-se em cerca de "70.000" participantes, embora dados não oficiais falem em cerca de meio milhão de pessoas. Muitos espanhóis já se encontram acampados junto à "Puerta del Sol", para onde a marcha seguiu depois de terem sabido da rejeição dos decretos em causa.

Já na região de Valência, um grupo de manifestantes marchou até ao "Palau de les Arts Reina Sofía, sede do congresso de investimentos imobiliários Valencia Real Estate Summit 2026, que conta com oradores como o antigo líder do partido Ciudadanos (Cs), Albert River." A polícia, que fazia um "cordão de segurança", barrando a passagem dos manifestantes, foi atingida com objetos arremessados por alguns elementos do grupo, menos ordeiros. "A polícia respondeu com balas de borracha e gás lacrimogéneo. Várias pessoas conseguiram aceder à parte superior do edifício." 

Mas também em outras cidades, os protestos se fizeram ouvir. "Em Donostia, o protesto cumpre o cumpre o segundo dia consecutivo," enquanto em Cádis," os manifestantes terminaram a sua marcha em frente da "Câmara Municipal" onde procederam à "leitura de um manifesto." Houve ainda "marchas em Las Palmas de Gran Canaria, com outras convocatórias em Lanzarote, Fuerteventura e Tenerife," bem como "em Barcelona."

Em maio, já tinha havido manifestações nas ruas madrilenas contra o governo de Sanchéz, exigindo a demissão do primeiro-ministro. Esta marcha tinha sido "convocada pela Sociedade Civil Espanhola, que coordena mais de 150 associações civis, à qual se juntaram os partidos PP (direita) e Vox (extrema-direita)." Segundo a organização. terá tido uma participação efetiva de cerca de "120.000 pessoas," enquanto representantes do governo, situou os números na casa das "40.000 pessoas." Estas manifestações em França e em Espanha estarão prestes a espalhar-se pelo resto da Europa, ou tratar-se-á de um problema localizado geograficamente?

Fontes:

https://pt.euronews.com/2026/10/03/quase-500-mil-pessoas-protestam-em-madrid-pela-crise-da-habitacao

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/tres-detidos-e-sete-policias-feridos-apos-confrontos-em-marcha-anti-sanchez-em-madrid_n1743071

https://pt.euronews.com/2026/10/02/congresso-rejeita-decretos-da-habitacao-apesar-do-aviso-de-sanchez-serao-julgados-mais-ced

https://pt.euronews.com/2026/09/23/idosa-de-87-anos-despejada-em-madrid-apos-quatro-tentativas-e-apesar-de-pedido-da-onu


18/01/2026

A primeira já está... vamos à segunda volta

Hoje o país foi votar e, tal como era anunciado pelas muitas sondagens que foram apresentadas nos últimos dias, António José Seguro e André Vaentura passam à segunda volta. Em causa está o lugar mais alto da nação, o cargo de Presidente da República. Depois de se terem confirmado os dois candidatos que passam à segunda volta, começam a manifestar-se os interesses de voto para ambos os lados. Ainda as urnas não se tinham fechado e já se perspetivava que a segunda volta seria disputada por estes dois candidatos: um da esquerda democrática, o outro da extrema direita. Estas eleições ficaram desde logo marcadas pela grande afluência às urnas e pela diminuição dos números da abstenção.


Desde logo, Seguro que não tinha sido inicialmente apoiado pelo PS, começa agora a receber apoios e votos de confiança de figuras como José Luís Carneiro, Catarina Martins, ou José Manuel Pureza. Também Jorge Pinto, Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes, do Livre, e o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, referem que vão dar o seu apoio a Seguro. Paulo Raimundo diz mesmo que o seu "voto no candidato António José Seguro não significa um apoio ao candidato António José Seguro e àquilo que ele defendeu enquanto candidato e o que tem defendido ao longo da sua atividade política, mas significa a vontade imperiosa de derrotar o candidato André Ventura e é isso que estará, fundamentalmente, em causa nestas eleições."


Nem Cotrim, nem o Primeiro-ministro Luís Montenegro, recomendam ou endossam o seu voto para esta segunda volta, o que nos deixa com algumas questões. Se por um lado, nada os obriga a dizer em quem vão votar, por outro a não escolha pode significar uma virada ao extremismo que, se virmos bem as coisas, não tem sido descartado por estes políticos. Cotrim havia até referido, uns dias antes das eleições que poderia votar em Ventura, o que mesmo tendo sido um lapso, não deixa de ser um ponto a considerar. Do lado dos liberais e contrariamente à opinião manifestada por Cotrim de Figueiredo, tanto José Miguel Júdice, como Mário Amorim Lopes, afirmam votar em Seguro. Já do lado do PSD e, contrariamente à opinião de Luís Montenegro, Miguel Poiares Maduro e Pedro Duarte (autarca do Porto) já vieram manifestar-se a favor de apoiar Seguro, pois a outra candidatura seria impensável num país que se quer democrático.


Já o líder do Chega, André Ventura, "considera ainda que só perderá a segunda volta das eleições presidenciais por egoísmo do PSD, da Iniciativa Liberal ou de outros partidos que se dizem de direita". Desde logo, Ventura começou por se dizer líder da direita nacional e que  Os seus atos e declarações foram, para quem os observou bem, cheios de simbolismos: a Família, a postura da esposa ao seu lado, a saída da igreja onde tinha ido assistir à missa... e é nesse momento que apela a um “radicalismo de convicções” contra "o fim dos valores cristãos." E quem for de direita sem ser cristão? É que estamos num país que ainda, ao que sei, é laico... estranho, não é? O mesmo candidato que uns dias antes, tinhe referido a “matriz cristã” do país, condenando a “imigração descontrolada” que deixou o país “dilacerado” e destruído” e que havia terminado as suas declarações, defendendo uma liderança “com radicalismo de convicções”.


Na minha opinião, o voto é livre e deve ser feito em consciência. Temos agora alguns dias para ponderar em qual dos dois candidatos queremos votar, mas não nos devemos esquecer que estamos a eleger o maior representante do país. Cá dentro, mas sobretudo, lá fora. Queremos alguém impulsivo, ou ponderado? Queremos moderação e estabilidade, ou mudança a mascarar os extremismos? Exerçam o vosso voto de forma consciente - vão ser cinco anos. 


E sim, já perceberam em quem é que vai recair o meu voto.


05/12/2025

Houve um golpe de estado na Guiné?

Há quem fale em "encenação", outros em "golpe de estado". Sabe-se que o presidente deposto está no Congo, para onde viajou depois da contagem dos votos ter sido interrompida por forças militares. Segundo as notícias, um grupo de militares suspendeu o processo eleitoral e tomou posse. Isto ocorreu depois da realização das eleições presidenciais e legislativas, no passado dia 23 de novembro, sem que o "principal partido da oposição, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e do seu candidato à presidência, Domingos Simões Pereira," tivessem concorrido.


Perante a exclusão do ato eleitoral, o PAIGC afirmou o seu apoio "ao candidato opositor independente Fernando Dias da Costa." A divulgação dos resultados eleitorais não chegou sequer a acontecer, tendo havido lugar à "destituição do Presidente Umaro Sissoco Embaló, o encerramento de todas as instituições da República, a suspensão da atividade de todos os meios de comunicação social, um recolher obrigatório noturno, o encerramento do espaço aéreo e a detenção de opositores."


No dia 26, depois de "um tiroteio que durou cerca de meia hora," perto do "Palácio Presidencial em Bissau, a residência oficial do Chefe de Estado Umaro Sissoco Embaló, e nas redondezas da sede da Comissão Nacional de Eleições, na capital da Guiné-Bissau," os militares anunciaram ter tomado "o poder na Guiné-Bissau, segundo um comunicado das Forças Armadas guineenses, lido na televisão estatal TGB pelo porta-voz do Alto Comando Militar, Dinis N´Tchama." Foram detidas, de acordo com a "Liga Guineense dos Direitos Humanos" pelo menos, "18 pessoas," entre as quais 5 membros da Comissão Nacional de Eleições. 


Os militares empossaram o "general Horta Inta-A" como "Presidente de transição da Guiné-Bissau, numa cerimónia que decorreu no Estado-Maior General das Forças Armadas guineense," enquanto que o "Presidente deposto", Sissoco Emabló, foi para o Senegal e dali viajou depois para o Congo.


A Coligação PAI Terra Ranka (PAI-TR), "liderada por Domingos Simões Pereira, interpretou" este golpe de forma mais leviana, classificando-o de "suposto golpe de Estado" e dizendo que foi apenas uma "tentativa desesperada do Presidente para travar a proclamação dos resultados eleitorais, que dariam vitória a Fernando Dias da Costa," já que esta ação militar ocorreu "na véspera de se conhecerem resultados eleitorais, que o opositor Fernando Dias garante ter vencido."


Entretanto, o próprio Dias da Costa "condenou o golpe militar no país" e pediu à comunidade internacional para "fazer valer a democracia na Guiné-Bissau, não a ditadura", chamando Umaro Sissoco Embaló, de "ditador."


Por estranho que possa parecer, quem, supostamente, deteve Embaló, foi um homem que até ali era da sua confiança, o "brigadeiro-general Dinis N’Tchama." N'TChama terá explicado que haveria um “esquema dos políticos nacionais com a participação de um conhecido barão da droga." Disse ainda que houve "a colaboração de forças estrangeiras" e que tinha "sido descoberto um depósito de armamento de guerra”.


A confusão está lançada e não se sabe o que está realmente a acontecer. Esta ação tem estado a ser denunciada e condenada "pela comunidade internacional," onde se inclui a Presidência portuguesa, que tem estado a acompanhar a evolução da situação. Entretanto, ontem foram já libertados os "cinco magistrados do Ministério Público e os membros do secretariado da Comissão Nacional de Eleições (CNE), que estavam detidos por militares na Guiné-Bissau." Entretanto, soube-se que o Embaló estará "a salvo" no Senegal, "onde chegou a bordo de um avião fretado por este vizinho do norte da Guiné-Bissau." 


Ao que parece, o presidente deposto pode estar ainda a governar - embora à distância - e os problemas do país continuam, mas com mais violência nas ruas.


Fontes:


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/guine-bissau-golpe-militar-que-oposicao-diz-ser-tentativa-de-travar-resultados-eleitorais_n1701598


https://observador.pt/especiais/o-esquema-com-o-barao-da-droga-e-manipulacao-das-eleicoes-encenacao-ou-golpe-de-estado-o-que-se-passa-na-guine-bissau/


https://observador.pt/2025/12/01/guine-bissau-cplp-prepara-cimeira-extraordinaria-para-sanar-vacatura-na-presidencia/


https://expresso.pt/podcasts/o-mundo-a-seus-pes/2025-11-28-golpe-de-estado-na-guine-bissau--uma-mascarada.-um-autogolpe-sem-duvida-972d4a38

04/12/2025

A queda do Cessna que mudou a política nacional

A 4 de dezembro de 1980, um cessna despenha-se pouco depois de levantar voo, cainda sobre o bairro das Fontaínhas, em Camarate, na zona norte de Lisboa, vitimando "o primeiro-ministro português Francisco Sá Carneiro, o ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa," a esposa de Sá Carneiro, Snu Abecassis (de 40 anos), a esposa de Amaro da Costa, "Maria Manuel Simões Vaz da Silva Pires, o chefe de gabinete do primeiro-ministro, António Patrício Gouveia, e os dois pilotos do aparelho, Jorge Albuquerque e Alfredo de Sousa." O destino era um Comício no Porto e "calcula-se que o impacto no solo tenha ocorrido cerca de 26 segundos após a descolagem. O avião embateu em cabos de baixa tensão, perdeu sustentação e acabou por cair sobre uma habitação, provocando um incêndio que destruiu várias casas e automóveis, sem causar vítimas mortais em terra." 

Este foi um dos mais mediáticos acidentes aéreos do século XX. "Nessa noite, o jornalista Raul Durão abriu o telejornal da RTP com a notícia da morte de Francisco Sá Carneiro e as primeiras imagens do local da tragédia, que mostravam, sem filtros, o avião destruído e corpos carbonizados — imagens que marcaram uma geração."

Este desastre "começou a ser investigado no próprio dia do desastre e foi alvo de vários inquéritos," tendo na época sido concluído pelas autoridades que o acidente teria sido "causado pela falta de combustível num dos tanques," ideia que até hoje nos traz estranheza, visto "o impacto no solo" ter ocorrido apenas "26 segundos depois da descolagem." Existiram diversas versões. Segundo a descrição de algumas testemunhas, o avião terá "embatido em cabos de baixa tensão, perdendo velocidade e acabando por se despenhar e incendiar sobre uma casa do bairro das Fontaínhas. Mas se algumas testemunhas alegam "terem visto o Cessna a incendiar-se aquando do impacto final contra as habitações," outras há que dizem "que o aparelho já se encontrava em chamas durante o voo, antes ainda do primeiro embate contra os cabos de baixa tensão." 

De acordo com o "relatório final da polícia", em 1981, ficariam excluídas "ações criminosas." Até agora várias foram as teorias sobre as causas e os motivos que levaram à queda da aeronave: acidente ou atentado? Questões políticas? Questões militares? Muito ainda está por explicar e, os culpados ou os mandantes, estão em silêncio. Veja mais sobre este tema em "Pés na História."

Mas o que mudou? Para já perdeu-se o Primeiro-ministro, o Ministro da Defesa e o seu chefe de gabinete. O governo sofria um claro abalo. Soares Carneiro, era candidato à Presidência da República, pela Aliança Democrática (AD), à qual pertenciam também as vítimas.

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Trag%C3%A9dia_de_Camarate

https://pesnahistoria.blogs.sapo.pt/queda-e-morte-de-sa-carneiro-9615

https://zap.aeiou.pt/camarate-45-anos-depois-a-ferida-que-a-democracia-nunca-sarou-715144

21/10/2025

Faleceu Francisco Pinto Balsemão

Foi Primeiro-ministro de Portugal entre janeiro de 1981 e junho de 1983, acreditava tanto na liberdade de imprensa, que fundou um dos mais conhecidos jornais da atualidade, ainda o país não era livre. Foi advogado, mas também jornalista, político, empresário.


Morreu ontem à noite, com 88 anos e a notícia da sua morte "foi comunicada pelo próprio primeiro-ministro durante o Conselho Nacional do PSD, à porta fechada, tendo sido ouvido um longo aplauso por parte dos conselheiros nacionais do partido do qual Pinto Balsemão foi fundador."


Luís Montenegro anunciou a intenção do Governo de decretar luto nacional no dia das cerimónias fúnebres. Já Luís Marques Mendes, candidato presidencial, "fez saber" durante esta madrugada, "que todas as ações de campanha agendadas para os próximos dias serão canceladas, por respeito à memória de Francisco Pinto Balsemão," que era "Presidente da Comissão Política da sua candidatura."



Francisco Pinto Balsemão, nasceu em Lisboa a 1 de setembro de 1937. Licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e, desde cedo, "envolveu-se no mundo da imprensa, adquirindo experiência jornalística na revista Mais Alto e, posteriormente, no semanário e no matutino Diário Popular." No ano de 1972, fundou o grupo Impresa, de onde em 1973 sairia a primeira edição do semanário Expresso, o qual "se tornaria um dos jornais mais prestigiados do país, especialmente relevante no período de transição democrática."




Figura determinante não só na vida pública, mas também na vida política, "fez parte do grupo de jovens liberais que, ainda antes da Revolução de 25 de Abril, assumiu um papel de destaque na "Ala Liberal" da Assembleia Nacional." Em 1974, funda o "Partido Social Democrata" (na altura PPD-PSD), "juntamente com Magalhães Mota e Francisco Sá Carneiro," tendo sido o militante número 1" e, em janeiro de 1981, torna-se mesmo Primeiro-ministro, no "VII Governo Constitucional, tendo permanecido no cargo até junho de 1983." Foi durante o seu mandato que se negociou o dossier do "processo de adesão à Comunidade Económica Europeia," bem como a "revisão constitucional de 1982, que afastou definitivamente o Conselho da Revolução."


Dedicou-se de forma particular à causa da liberdade e do direito à informação. "A sua visão consistiu em fomentar a liberdade de informação, modernizar os meios de comunicação social e contribuir para a consolidação da democracia portuguesa."


Em 1986, Balsemão começa a preparar o caminho para um novo conceito televisivo, que levaria à implantação de um novo canal - a SIC. Em 1991, no governo de Cavaco Silva, viu uma brecha de negócio que daria lugar no ano seguinte à criação da primeira estação privada de televisão, a SIC – Sociedade Independente de Comunicação - numa panorâmica mais comercial e generalista, apostando desde logo na informação. A primeira emissão teria lugar a 6 de outubro de 1992, com a apresentação de Alberta Marques Fernandes. Dos sócios fundadores da SIC, faziam parte o "Jornalgeste," (que detinha o Jornal de Notícias, O Jogo e a Rádio Press, "o grupo Lusomundo" e o grupo "Soincom, com 25% do capital social," do qual faziam parte, entre outros, o "grupo Impresa de Francisco Pinto Balsemão (Expresso, A Capital, Exame)," o "grupo Impala (Maria, Mulher Moderna, Nova Gente, TV 7 Dias)," e a Rádio Comercial."


 


Fontes:


https://expresso.pt/francisco-pinto-balsemao--1937-2025-/2025-10-21-morreu-francisco-pinto-balsemao-ex-primeiro-ministro-e-fundador-do-grupo-impresa-99d66e8d


https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade_Independente_de_Comunica%C3%A7%C3%A3o


https://www.publico.pt/2025/10/21/sociedade/noticia/morreu-francisco-pinto-balsemao-2151693


https://www.publico.pt/2025/10/21/sociedade/noticia/morreu-francisco-pinto-balsemao-2151693


 


 


23/06/2025

Movimentações bélicas - aviões americanos abastecidos sobre território nacional?

Portugal, alega ser um país neutro, no que à questão do ataque ao Irão concerne, mas o que está agora em cima da mesa é se, o uso da base das Lajes, pode ser considerado como um apoio aos EUA no ataque às instalações iranianas. Todos sabemos do papel importante que a base das Lajes, no arquipélago dos Açores, teve durante a 2ª Guerra Mundial. "Em 1943, os britânicos instalaram-se nos Açores, nas Lajes, com esquadrilhas de aviões preparados para o combate aos submarinos. Depois da II Guerra Mundial foram os americanos a utilizar a base, que é também partilhada com unidades portuguesas."

De acordo com um comunicado do Ministério da Defesa, acaba por se confirmar a existência de uma "autorização para que 12 aviões reabastecedores norte-americanos utilizassem a Base das Lajes." Mas poderia ter sido de outra forma? Este acordo bilateral, permite o uso da base pelos EUA e, embora tenha sido afirmado que "os aviões não foram utilizados para fins ofensivos," a verdade é que, os "bombardeiros que vieram dos EUA para o Irão, em algum momento da viagem, realizaram operações de reabastecimento." Esta base acaba por funcionar, como um centro de abastecimento, apresentando-se como "a segunda maior capacidade de abastecimento da Força Aérea norte-americana fora de território norte-americano, sendo a maior na Europa para estas funções."

De acordo com o gabinete do ministro da Defesa, trata-se de "um procedimento habitual" e que "as aeronaves que se encontram nos Açores são aviões de reabastecimento aéreo". O Ministério da Defesa esclarece ainda que, Portugal, além de conceder "autorizações específicas, trimestrais ou permanentes de sobrevoo e aterragem," aos EUA, as concede também a "muito outros países". Portugal não fica, assim, diretamente "envolvido no conflito Estados Unidos-Irão." Mas apesar de, formalmente, até poder nem ter sido comunicado o propósito da missão, acho que seria fácil de perceber e enquadrar o uso desta base, nas atuais circunstâncias.


Fontes:

https://ensina.rtp.pt/artigo/o-museu-da-base-das-lages/

https://rr.pt/especial/mundo/2025/06/23/irao-pede-esclarecimentos-a-portugal-sobre-autorizacao-de-avioes-americanos-nas-lajes/430149/

https://pt.euronews.com/my-europe/2025/06/23/base-das-lajes-esta-a-fazer-se-uma-tempestade-num-copo-de-agua

14/06/2025

Atentado mata ex-Congressista no Minnesota


A violência continua nos EUA e, desta vez, os alvos foram a ex-congressista "democrata do Minnesota," Melissa Hortman, e o seu marido, Mark Hortman. Os corpos de Melissa, que foi também "porta-voz da Câmara de Representantes" pelo Minnesota, e do marido, só foram descobertos depois da polícia ter sido chamada para a casa do "senador estadual John Hoffman (também ele democrata)" e da sua mulher, "Yvette," atacados a tiro. Os dois foram levados em estado grave mas ainda com vida para o hospital e a polícia foi verificar a casa da congressista, encontrando os dois corpos e ainda chegando a trocar tiros com o atacante.


"O governador do estado do Minnesota diz que os ataques têm motivações políticas." O suspeito é "Vance Boelter," um americano de "57 anos, mas ainda encontra em fuga. "Estava vestido" como se fosse "um agente da autoridade e foi assim que conseguiu entrar nas casas dos dois políticos, que distam cerca de 12 quilómetros uma da outra." De acordo com a CNN, o atirador teria dentro da viatura utilizada, "um manifesto com o nome de vários representantes estaduais e outros responsáveis – incluindo o de Melissa Hortman e de John Hoffman, mas também do próprio governador Tim Walz." Desta lista de potenciais alvos, constavam 70  nomes, incluindo "pessoas que prestam serviços para a interrupção voluntária da gravidez, defensores do aborto, e legisladores do Minnesota e de outros estados. A polícia também encontrou um cartão do Dia do Pai dirigido ao suspeito numa mala cheia de munições."


Melissa, "contribuiu para a aprovação de leis que alargaram os direitos ao aborto, legalização da marijuana e baixas médicas, quando os liberais tinham o controlo do Governo daquele estado." A questão do aborto é um ponto sensível na política interna dos EUA. A lei de 1973 que dava este direito às mulheres foi revogada em 2022. Em 2024, "dos 50 estados que compõem os Estados Unidos, em 21 o procedimento" era considerado "ilegal ou restrito." A polarização é bem visível, com "os estados dominados por democratas a manterem o direito à interrupção voluntária da gravidez e os estados dominados por republicanos a proibirem ou restringirem o acesso."



21/05/2025

Ataque a comitiva na Cisjordânia

Uma comitiva diplomática, de visita a um campo de refugiados em "Jenin, na Cisjordânia" foi esta tarde atacada por militares do "exército israelita," o que já levantou diversas reprovações e pedidos de esclarecimentos. Portugal já se manifestou, através do ministro dos NE, Paulo Rangel, que informou que na comitiva em questão, "seguiam mais de 20 diplomatas e representantes de órgãos de comunicação social, entre eles, o embaixador Frederico Nascimento, chefe da missão diplomática em Ramallah."


A comitiva visitava o campo de refugiados de Jenin, "para ser informada sobre a situação humanitária no local," e "integrava um total de 27 países europeus, americanos, árabes e asiáticos." A visita, que tinha sido organizada com a Autoridade Palestiniana e coordenada com o exército israelita, incluía ainda "representantes do Programa Alimentar Mundial (PAM) e da agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (UNRWA)."


"Israel admitiu que foram disparados tiros de advertência e justifica-o com um alegado desvio da rota aprovada, tendo ainda lamentado o incómodo”. Ainda referiu que a comitiva terá entrado "numa zona onde não estava autorizada a estar."


"Em comunicado, a Autoridade Palestiniana condenou com a maior veemência possível o crime odioso cometido pelas forças de ocupação israelitas, considerando que a situação constitui "uma violação flagrante e grave do direito internacional."


 


Fontes:


https://sicnoticias.pt/pais/2025-05-21-ataque-a-comitiva-de-diplomatas-governo-chama-embaixador-de-israel-em-portugal-10d56caf


https://sicnoticias.pt/mundo/2025-05-21-israel-lamenta-incomodo-causado-por-tiros-de-advertencia-contra-diplomatas-em-jenin-e21fbe8a


https://executivedigest.sapo.pt/noticias/portugal-convoca-embaixador-de-israel-apos-ataque-a-comitiva-onde-seguia-diplomata-portugues/


 


 

20/05/2025

Balanço eleitoral - não foi só Portugal que foi às urnas!

Bem, que ainda falta contar os votos dos emigrantes e que ainda podemos ter mais algumas alterações no Parlamento, todos sabemos, mas hoje venho dar aqui destaque a outros dois atos eleitorais que se realizaram na Europa. 


Na Roménia, as eleições presidenciais foram ganhas pelo "candidato independente pró-ocidental Nicusor Dan," que conseguiu, este domingo, "54%" dos votos. "O seu concorrente, o candidato da extrema-direita George Simion," ficou com "46% dos votos." Mas... e não havia mais nenhum candidato a concorrer? A verdade é que, na primeira volta, realizada a 4 de maio, o vencedor tinha sido "George Simion, o pouco conhecido candidato da extrema-direita. No entanto, as intenções mudaram em apenas "duas semanas" com Nicusor Dan, defensor da UE, a conseguir "dar a volta ao resultado e passar para a frente."


O partido "Aliança para a União dos Romenos - um pequeno partido nacionalista de extrema-direita," de Simion, defendia entre outras coisas, "a integração da Moldova e do sudoeste da Ucrânia na Roménia, o que lhe valeu a proibição de entrar nesses países."


Estes resultados mostram a dicotomia existente no país, ficando assim o "futuro presidente" com um grande desafio em mãos: a reunificação do país." Nicusor Dan, terá ainda de lidar com "a turbulência económica que se aproxima e que assola a Roménia." A Ucrânia e a Moldova não ficaram indiferentes a este resultado, "num momento crucial" para toda a UE, uma vez que se espera que o "presidente eleito," trabalhe "com a atual maioria pró-ocidental no parlamento." Nestas que foram consideradas as eleições mais importantes desde o "fim do comunismo" na Roménia, a polémica tem sido uma constante. A primeira volta, em dezembro, acabou por  ser "anulada" pelo "Tribunal Constitucional, numa decisão inédita, por suspeita de ingerência russa, que teria beneficiado nas redes sociais, nomeadamente no TikTok, o candidato pró-russo Calin Georgescu."


Já na polónia, tudo aponta para a vitória de Rafał Trzaskowski, na primeira volta que também se realizou este domingo, "contra o rival de direita, Karol Nawrocki." A segunda volta irá disputar-se "a 1 de junho." Trzaskowski, do "partido Plataforma Cívica," de onde é também o "primeiro-ministro Donald Tusk," conseguiu "30,8% dos votos, enquanto Nawrocki, apoiado pelo partido populista de direita Lei e Justiça (PiS), obteve 29,1%." Neste caso, estavam em disputa "13 candidatos" (11 homens e 2 mulheres) e nenhum deles conseguiu ter "mais de 50% dos votos, sendo necessária uma segunda volta, que vai agora ser influenciada pelo sentido de voto dos derrotados." Segundo as projeções, o "terceiro colocado será Slawomir Mentzen, candidato da Confederação (extrema-direita), com 15,4% dos votos."


Em ambos os casos, a extrema direita saiu, para já, derrotada. 


Fontes:


https://pt.euronews.com/my-europe/2025/05/18/candidato-pro-ue-lidera-presidenciais-cruciais-na-romenia-segundo-sondagens-a-boca-das-urn


https://expresso.pt/internacional/europa/2025-05-18-eleicoes-presidenciais-na-polonia-candidato-pro-europeu-vence-rival-populista-por-pequena-margem-na-primeira-volta-4dfbe263


https://www.dn.pt/internacional/europe%C3%ADsta-dan-vence-presidenciais-na-rom%C3%A9nia-e-ue-respira-de-al%C3%ADvio


 

17/05/2025

Dia de Reflexão.. do futebol e da canção

Hoje, véspera de eleições legislativas, é dia de reflexão. 

Tenho estado a pensar que a nossa democracia é muito novinha e que, por isso mesmo, ainda estejamos a aprender a viver assim, com direitos. Tal como disse Churchil um dia, "a democracia é o pior dos sistemas, com excepção de todos os outros.” Podemos não estar contentes com aquilo que temos, mas temos a possibilidade de escolher: ir ou ficar em casa, votar em quem achamos que deve ganhar, votar naquele com quem nos identificamos mais, votar no outro que achamos que não será tão mau. Podemos votar sempre no mesmo... ou sempre num diferente. 

E é este poder, que nos voltou a ser dado em abril de 1974, que não podemos deixar cair novamente nas mãos de um grupo ou de uma só pessoa. O poder ainda é nosso, ainda é do povo, mas só valerá a pena se, amanhã, nos fizermos ouvir e, se todos, formos dar o nosso contributo para a democracia.

Hoje será também dia de campeonato de futebol e, daqui a pouco se saberá quem vai até ao Marquês de Pombal (a taça, ficará cá por baixo este ano). Aquilo que espero, é que todos se divirtam - ganhe quem ganhar - e que, depois, não se lamentem distúrbios. O futebol é a festa do povo, traz para a rua milhares de pessoas e acende mais discussões do que a própria política.

Logo, Portugal estará na final do Festival da Canção. Um sábado bem popular, não é? Tenciono ficar a ver o Festival, nem que seja para perceber quais são as outras canções a concurso. A nossa, já conheço e, para mim, representa bem aquilo que nós somos. Um país de jovens que têm de dizer adeus a quem cá fica, para irem à procura de um futuro mais promissor lá fora, na estranja. Já fomos o país de iletrados que saía à procura de qualquer trabalho com o qual fosse possível mandar dinheiro para a família que cá ficava, o país de gente que partia para trabalhar de sol a sol, fora de casa e que voltava anos depois com uma espécie de riqueza que cá não teria hipótese de construir. Hoje, o país de engenheiros, enfermeiros, que saiem à procura de valorização profissional, enriquecimento curricular, estatuto e respeito. Somos tudo isto e, por isso, como dizem os NAPA, 

"O meu caminho eu faço a pensar em regressarÀ minha casa, é ilha, paz,..." 

Uma letra que nos fala de um lugar muito especial, 

"...Madeira...do meio do marDo coração do oceano," 

mas que nos representa a todos, portugueses. Pelo que tenho acompanhado, a maioria das outras canções são apresentadas com todo um espetáculo montado por trás, entre leds, fogo de artifício e sistemas complicados de movimentação em palco. Os nossos, irão quase que apenas só com a voz e o instrumental, em comparação com as outras grandes produções e, por isso, quase de certeza que ficaremos cá para baixo... mas não importa.

Além dos nossos NAPA, "entre os que passaram à final estão o contratenor austríaco de formação clássica JJ, um dos favoritos das casas de apostas com a sua canção pop-ópera Wasted Love, e o israelita Yuval Raphael, que interpretará a canção New Day Will Rise". Israel, "apesar de não localizar-se no continente europeu, participa no Festival Eurovisão da Canção por ser filiado da União Europeia de Radiodifusão." Tal como Israel que participa desde 1973, também participam a Arménia, desde 2006 e o Azerbaijão, desde 2008, pela mesma justificação. 

Quanto à Austrália, que este ano nem sequer passou à final, só participa neste Festival desde 2015, aquando da celebração dos 60 anos do festival. "Mesmo que, com a diferença horária, o concurso só comece às 4h da madrugada," a verdade é são, e média, "mais de 2,7 milhões de australianos a acompanhar a final."


Fontes:

https://pt.euronews.com/cultura/2025/05/16/eurovisao-2025-estao-definidos-os-26-finalistas

https://www.publico.pt/2020/10/13/opiniao/noticia/democracia-pior-sistemas-1934958

https://www.google.com/search?q=napa+letra+deslocado&rlz=1C1GCEA_enPT797PT799&oq=napa+letra+desl&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUqBwgAEAAYgAQyBwgAEAAYgAQyBggBEEUYOTIKCAIQABiABBiiBDIHCAMQABjvBTIKCAQQABiABBiiBDIHCAUQABjvBdIBCTYxNTdqMGoxNagCCLACAfEFw2S9Tu_Xmrc&sourceid=chrome&ie=UTF-8

https://pt.wikipedia.org/wiki/Israel_no_Festival_Eurovis%C3%A3o_da_Can%C3%A7%C3%A3o

https://www.noticiasaominuto.com/cultura/1995221/afinal-porque-e-que-a-australia-participa-na-eurovisao

08/05/2025

Habemos Papa...

... e vem dos Estados Unidos.


Chama-se Robert Francis Prevost, tem 69 anos e assumiu o papado com o nome de Leão XIV. A escolha "foi feita no segundo dia do Conclave e ao fim de quatro votações. Embora tenha nascido em Chicago, nos Estados Unidos, Prevost "tem ascendência espanhola e nacionalidade peruana, e pertence à Ordem de Santo Agostinho."


Prevost adotou o título de Leão XIV, como que fazendo "referência à postura política do último pontífice com esta designação no século XIX, e um compromisso com a justiça social de Francisco, segundo uma especialista em religião." Se olharmos do ponto de vista hitórico e teológico, percebemos a importância que a escolha de um nome pode ter, acabando por ser um sinal de compromisso com as questões sociais. O antecessor, "Leão XIII", foi líder da Igreja Católica entre os anos de 1878 e 1903, tendo  lançado "as bases para o pensamento social católico moderno, sobretudo na sua encíclica Rerum Novarum de 1891, que abordava os direitos dos trabalhadores e o capitalismo no início da era industrial." Durante o seu episcopado, Leão XIII foi ainda responsável pela elevação do "Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia à categoria de basílica papal em 1901."


Leão XIII foi de facto um crítico do "capitalismo insensível" e do "socialismo centrado no Estado, dando forma a uma vertente de ensino económico distintamente católica." O que poderemos esperar agora de um homem que se identifica com estes pensamentos? O que se espera é que Laeão XIV venha agora orientar a Igreja numa direção mais política, que vá ao encontro de soluções que visem a paz.


O termo Papa, embora antigo só "foi reclamada pelo bispo de Roma no século VI. A primazia papal, conceito segundo o qual o papa é o líder máximo da igreja, ficou intrinsecamente ligada ao papa de Roma, elevando o bispo da cidade acima de todos os outros bispos." Antes disso, o termo Papa "era utilizado por membros respeitados do clero em toda a cristandade."


Só mais tarde, no século XI, os papas deixaram de ser "eleitos em função da opinião popular, tanto do clero como dos crentes," mas no entanto era raro haver consenso nas decisões, o que deu origem a que algumas eleições fossem contestadas e ao aparecimentos dos chamados "antipapas – indivíduos com pretensões substanciais, embora falsas, ao assento papal." Foi também durante o século XI que se iniciou a "prática de adotar um novo nome," em vez do nome de batismo. "Durante muitos séculos, os novos papas tiveram tendência a escolher o nome do papa que os tinha elevado a cardeal."


"Em 1059, o Papa Nicolau II emitiu um decreto" que estipulou o processo pelo qual os papas deveriam a partir daí "ser eleitos, delineando o papel dos cardeais enquanto eleitores." Este decreto levou à diminuição da "influência da aristocracia romana e do baixo clero e estabeleceu as bases do Colégio dos Cardeais, criado formalmente em 1150."


Em 1179 foi então determinado que, para ser eleito, o novo Papa teria de obter pelo menos dois terços dos votos. O número de cardeais votantes faoi aumentando, chegando a 120 em 1975, no papado de Paulo VI. "O atual limite de idade dos cardeais com direito a voto, 80 anos, foi estipulado em 1970." Este ano, o número de cardeais votantes foi 133.


Está  estipulado que, "quando um papa morre ou abdica, todos os membros do colégio dos cardeais são obrigados a comparecer à eleição (o conclave), excepto se tiverem problemas de saúde ou ultrapassado o limite de idade."


"Quando a Santa Sé está vacante" - ou seja, vaga - o conclave deve ter início entre "15 e 20 dias após a partida do último papa. Este período foi estabelecido em 1922 para garantir que os cardeais tivessem tempo suficiente para realizar a viagem."


Quando chegam, "os cardeais são trancados na Capela Sistina" até que um deles seja eleito. "Os critérios referentes aos candidatos, os regulamentos da votação e a necessidade de isolar os eleitores foram formalizados, tendo sido alterados e ajustados posteriormente, quando as falhas do sistema se tornaram evidentes."


É a queima dos votos que vai indicar ao público aquilo se a votação elegeu ou não um novo Papa - fumo branco, significa que um novo Papa foi escolhido. "Não se sabe ao certo quando" é que esta prática teve início, "mas o uso de fumo branco para indicar a escolha de um novo papa remonta apenas ao final do século XIX ou início do século XX."


Fontes:


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/papa-leao-xiv-robert-francis-prevost-e-o-novo-chefe-da-igreja-catolica_e1653157


https://www.nationalgeographic.pt/historia/como-eleito-novo-papa-conclave-escolha-fumo-branco_5860


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/cardeais-fechados-na-capela-sistina-pelo-segundo-dia-para-eleger-novo-papa_e1653157


 


 

01/05/2025

1º de Maio...

Este 1º de Maio foi um pouco estranho... depois de ter colocado a morte de um Papa à frente da celebração da Liberdade do país, a AD fez do Dia do Trabalhador, uma festa popular, ou como alguns chamaram "popularucha"... 

Depois do 25 de Abril de 1974, a Junta de Salvação Nacional (onde estavam representados os três ramos das forças armadas), "decretou feriado o dia 1 de Maio e, pela primeira vez em quase cinco décadas, o dia do trabalhador voltou a ser assinalado. Nesse dia, as pessoas vieram para a rua, empunhando cartazes e gritando "reivindicações de toda a ordem," demonstrando "de forma espontânea a sua alegria pela liberdade recentemente conquistada." Entre muitas outras coisas, pediram-se "direitos para as mulheres, para as crianças, para todos os partidos, para os artistas e para a imprensa, melhores salários" e, até, água canalizada.

(imagem: Museu do Aljube)

Em 1974, as "manifestações do Dia do Trabalhador que ocorreram em Lisboa e no Porto em 1974 impressionaram na dimensão, no exemplo de civismo e na genuína alegria partilhada entre todos, conhecidos e desconhecidos." Atualmente, descer a Avenida da Liberdade em Lisboa, ainda não é para todos.

"Em Lisboa, a Alameda Afonso Henriques foi ponto de encontro e o comício ocorreu depois no Estádio" da Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho, "onde muitos milhares de pessoas se juntaram nesse dia sob o lema “Paz, Pão e Liberdade!" e onde "Mário Soares" (socialista) "e Álvaro Cunhal" (comunista), "apareceram lado a lado", abraçando-se e, juntos, "celebrando a recentemente conquistada liberdade."

"Nos desfiles e comícios havia bandeiras nacionais e flores, estandartes de partidos e sindicatos, cartazes populares e milhares de vozes unidas na banda sonora da revolução. Ao mesmo tempo que cantarolavam a Grândola de Zeca Afonso e outras canções proibidas pela censura, gritavam palavras de ordem contra o fascismo e em defesa dos valores da democracia." Com este governo, quem cantou foi Tony Carreira e a festa foi feita nos Jardins do Palácio de Belém.

A origem desta data é, no entanto bem anterior a 1974. Remonta sim "ao século XIX." Em 1886, "milhares de trabalhadores" dos Estados Unidos, "organizaram uma greve geral para exigir a redução da jornada laboral para oito horas por dia." Estas manifestações, tornaram-se "particularmente violentas." Na cidade de Chicago, os ânimos exaltaram-se e a situação tomou proporções muito graves quando no dia 04 de maio, durante um protesto na Haymarket Square, "foi lançada uma bomba contra a polícia" o que levou à intensificação dos confrontos já de si violentos. "Várias pessoas morreram e líderes sindicais foram condenados à morte ou prisão."

"Três anos depois, em 1889, o Congresso Operário Internacional, em Paris, decidiu homenagear os trabalhadores de Chicago e instituiu o 1.º de Maio como dia de luta internacional pela melhoria das condições de trabalho." Em Portugal, a ditadura proibiu as comemorações, que tinham sido assinaladas pela primeira vez em 1890. 

Numa data que é, acima de tudo, simbólica, surgem agora novas questões e novas reinvindicações: "o impacto da automatização e da inteligência artificial, os efeitos da pandemia na organização do trabalho, a importância da conciliação entre vida pessoal e profissional e as desigualdades que persistem entre setores e entre homens e mulheres." Ainda hoje, tantos anos depois, os direitos não são ainda iguais para todos, os ordenados diferem pelo sexo do trabalhador e ainda há mulheres a morrer às mãos dos maridos que as consideram sua propriedade. Não podemos deixar cair a liberdade, não podemos esquecer que os nossos direitos ainda não estão seguros! 

Fontes:

https://ensina.rtp.pt/artigo/a-junta-de-salvacao-nacional-primeiro-poder-apos-a-ditadura/

https://ensina.rtp.pt/artigo/o-primeiro-1-o-de-maio-da-democracia/

https://ensina.rtp.pt/artigo/o-povo-unido-jamais-sera-vencido/

https://sicnoticias.pt/pais/2025-05-01-1.-de-maio-historia-lutas-e-os-novos-desafios-do-trabalho-b077aa0e

https://sicnoticias.pt/pais/2024-05-01-video-o-primeiro-dia-do-trabalhador-em-liberdade-como-foi-o-1-de-maio-ha-50-anos--4d34e069

25/04/2025

Que não se deixe calar Abril

Como um dia Ary dos Santos afirmou num dos seus célebres poemas, "agora ninguém mais cerra, as portas que Abril abriu". Mas se este era o desejo do poeta... 50 anos depois, ainda há restícios de um país com medo da Liberdade!

Ontem à noite, assisti aqui no Seixal ao concerto de celebração dos 51 anos da Revolução de Abril, com a atuação de A Garota Não e de Ségio Godinho. Duas vozes diferentes, de gerações diferentes mas que se conjugaram de forma brilhante. Com letras carregadas de simbolismo e que fazem uma verdadeira reflexão sobre os tempos em que vivemos, A Garota Não, que cantou "Diga 33", uma letra dedicada ao trabalho de Sérgio Godinho, mostrou-nos também que ainda há espaço para as cantigas de intervenção. Sérgio Godinho e Os Acessores, trouxeram-nos as canções de Abril, sem esquecer a poesia de Eugénio de Andrade e de Zeca Afonso. De entre bgrande momentos desta noite, a cantiga "A Balada da Rita", uma versão de arrepiar de "Os Vampiros" cantada a dois. Ums dupla que me surpreendeu pela positiva, seguido de um espetáculo de fogo de artifício que, pelo que estamos acostumados, foi bastante mais contido e concentrado.

E porque é que este ano eu falo deste espetáculo de abril?

Porque em muitos locais, num país que é laico, pela sua constituição, se pararam as celebrações por luto ao Papa. Se somos um país em que todas as religiões são permitidas, então como é que se faz luto ao chefe máximo da igreja católica e não se declarou luto nacional por exemplo, pela morte do Aga Khan, líder dos muçulmanos ismailitas, que até presidia em Lisboa? Ninguém põe em causa a importância da figura do Papa, especialmente deste Papa, amado por tantos e respeitado por muitos, católicos ou não. Mas, não consigo entender como é que o governo coloca à frente da Liberdade e da Democracia, à frente do país, o representante de uma religião, fosse ela qual fosse. Reforço, na Constituição da República, diz que somos um país Laico. Mas parece que é mais uma daquelas coisas que está escrita, sem no entanto ser posta em prática pelos nossos governantes. 

A religião não pode fazer parte das decisões do país nem nelas ter qualquer interferência. Infelizmente. este não é o primeiro caso em que isso acontece e, especialmente, num dia de celebração da Liberdade, esta interferência revolta-me. Sejam lá o que quiserem, acreditem naquilo que queiram, mas não, por favor, não imponham aos outros as vossas crenças e credos. Faleceu um homem bom, um diplomata, um pacificador, um revolucionário que de certeza defenderia que celebrássemos a nossa liberdade e que afirmássemos os valores de democracia e de paz!

A câmara de Almada manteve os eventos programados, mantendo também "a sessão solene da Assembleia Municipal, no qual se homenageiam "os valores de liberdade," cancelando apenas o fogo de artifício. A Câmara de Sintra, chegou mesmo a cancelar a "tradicional cerimónia de hastear da bandeira, nos Paços do Concelho." E não se pense que isto tem apenas a ver com a cor política, pois em Beja, mesmo "depois de o secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, ter criticado o executivo de Luís Montenegro por ter adiado festividades," o presidente da Câmara, autarca do PS, cancelou o "fogo-de-artifício em Beja," devido ao luto nacional de três dias que foi "decretado pelo Governo pela morte do Papa Francisco." 

O governo, ao ser criticado. veio já esclarecer que não “cancelou”, nem "recomendou o cancelamento de quaisquer sessões evocativas da revolução," tendo no entanto "adiado para o dia 1 de Maio o evento festivo na residência oficial do primeiro-ministro". E a razão evocada para que os concertos ficassem "adiados para o 1.º de Maio," foi "por o país estar em luto nacional pela morte do Papa Francisco."

Noite fora, fui vendo pela televisão o que se estava a passar no Largo do Carmo, "um dos locais mais simbólicos do 25 de Abril de 1974 por ter sido no quartel da Guarda Nacional Republicana (GNR) lá situado que Marcello Caetano se refugiou antes de o edifício ser tomado por uma companhia do Movimento das Forças Armadas liderada por Salgueiro Maia o ter tomado." Tal como ocorreu no ano passado, e mais uma vez sem contar com o apoio da Câmara de Lisboa, o povo juntou-se e entoou "Grândola Vila Morena", de Zeca Afonso.

Uma frase que me fica do dia de hoje, foi a acusação de Pedro Nuno Santos, repetida em vários canais televisivos é a seguinte "Hoje o povo sai à rua, enquanto o Governo fica à janela."

Fontes:

https://www.publico.pt/2025/04/24/politica/noticia/governo-esclarece-nao-cancelou-cerimonia-25-abril-deu-indicacoes-municipios-2130865

https://cm-sintra.pt/atualidade/cultura/aviso-comemoracoes-do-25-de-abril-canceladas

https://almadense.sapo.pt/cidade/25-de-abril-almada-cancela-fogo-de-artificio-devido-a-morte-do-papa/

https://www.publico.pt/2025/04/24/politica/noticia/autarca-ps-cancela-fogodeartificio-beja-devido-tres-dias-luto-nacional-2130918

https://www.dn.pt/sociedade/veja-os-v%C3%ADdeos-multid%C3%A3o-invadiu-largo-do-carmo-para-cantar-gr%C3%A2ndola-%C3%A0-meia-noite

16/04/2025

Faleceu João Cravinho

João Cravinho tinha 88 anos e faleceu devido a doença prolongada. Encontrava-se em casa.


João Cravinho, nasceu em Angola em 1936, foi engenheiro de formação, militante do partido socialista e "ministro da Indústria e Tecnologia do IV governo provisório de Vasco Gonçalves, em 1975." Anos mais tarde, foi também "ministro do Equipamento, Planeamento e Administração do Território, no XIII Governo, liderado por António Guterres." Chegou a ser "ministro da República em vários Governos, deputado à Assembleia da República em várias legislaturas e deputado ao Parlamento Europeu, onde aliás foi vice-presidente."


Defendeu sempre a "ética na política e na vida pública," e desempenhou um "importante papel na luta anticorrupção," mesmo contra "deputados parlamentares do seu próprio partido." Foi o que aconteceu quando, em 2006, "apresentou um ‘pacote anti-corrupção’, que incluía a polémica proposta de criminalização do enriquecimento ilícito, e que foi rejeitado pela sua própria bancada parlamentar, numa altura em que o líder do PS era o primeiro-ministro, José Sócrates."


Entre "2007 a 2011, foi administrador do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD), com sede em Londres."


De acordo com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, João Cravinho ter-se-á também destacado "como Presidente da Comissão Independente para a Descentralização. Multifacetado, pautou a sua vida por uma defesa incansável da ética na política e na vida pública, lutando sempre contra a corrupção e desempenhando os mais diversos cargos com desassombro e coragem." 


Fontes:


https://pt.euronews.com/my-europe/2025/04/16/morreu-joao-cravinho-ex-ministro-e-um-dos-militantes-historicos-do-partido-socialista-port


https://www.dn.pt/pol%C3%ADtica/morreu-jo%C3%A3o-cravinho-hist%C3%B3rico-do-partido-socialista-tinha-88-anos


 


 

11/04/2025

EUA: guerra de taxas e tarifas

Os EUA e a China entraram em guerra aberta, impondo elevados direitos aduaneiros. A situação tem vindo a escalar desde que o presidente Donald Trump começou a aplicar taxas a "quase todos os parceiros comerciais norte-americanos a um mínimo de 10%," assim como outras bastante "mais elevadas aos países que, segundo ele, têm excedentes comerciais com os EUA."

Uma das situações mais graves é a da China que "vai aumentar os direitos aduaneiros sobre todos os produtos americanos para 125% a partir de 12 de abril." Os EUA já atualizaram a taxa atual sobre os bens importados à China que se situa agora nos "145%." Donald Trump tem vindo a acusar os outros países de "roubar" os EUA. Esta tensão levou à queda do Yuan (moeda chinesa) que "desvalorizou para os níveis mais baixos desde 2007, face ao dólar norte-americano."

Foram também aplicadas taxas "de 47% sobre as importações de Madagáscar, 46% sobre o Vietname, 32% sobre Taiwan, 25% sobre a Coreia do Sul, 24% sobre o Japão e 20% sobre a União Europeia." Os economistas já vieram alertar "para o facto de as taxas aumentarem os preços dos bens que os consumidores compram todos os dias, especialmente porque as novas tarifas têm por base algumas das medidas comerciais anteriores."

Em relação à situação europeia, é preciso dizer que a situação pode ficar em suspenso até junho, uma vez que é suposto ainda haverem negociações entre representantes europeus e Trump. Inicialmente, foi feita uma proposta de 0%, mas a recusa de Trump levou os 27 países da União Europeia a aprovarem "as contramedidas europeias às tarifas de 20% que Donald Trump mandou aplicar a bens europeus." Além de afetar o aço e o alumínio, "a nova taxa de 25% deverá incidir sobre produtos como ovos, fio dentário, salsichas, carne de aves e diamantes que venham dos Estados Unidos da América para a Europa." No que nos toca aqui em Portugal, se estas taxas de 25% vierem mesmo a ser aplicadas, os preços irão subir. De reforçar que os "Estados Unidos são o 9.º principal país fornecedor de Portugal." Alguns desses produtos são a soja e o milho doce, os produtos de beleza e de maquilhagem, e alguns químicos usados na indústria farmacêutica.


Fontes:

https://pt.euronews.com/business/2025/04/11/china-aumenta-tarifas-sobre-os-eua-para-125-na-ultima-escalada-da-guerra-comercial

https://pt.euronews.com/business/2025/04/09/o-que-precisa-saber-sobre-a-entrada-em-vigor-da-ultima-ronda-de-tarifas

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-04-10-moeda-chinesa-cai-face-ao-dolar-para-o-nivel-mais-baixo-desde-2007-cb0e2adc

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-04-08-video-em-retaliacao-as-tarifas-de-trump-europa-vinga-se-nos-ovos-carne-e-diamantes-vindos-dos-estados-unidos-cbc6fc9e

https://sicnoticias.pt/economia/2025-04-10-um-alivio-para-a-economia-mundial-as-reacoes-ao-anuncio-de-trump-sobre-pausa-de-90-dias-9b344c14

12/03/2025

Como fazer cair um governo em dois passos e meio...

Para aqueles mais distraídos, passaram-se apenas poucos dias entre a decisão de interpôr uma moção de confiança e a queda do governo. Mas o que aconteceu para que a notícia de alegado favorecimento da empresa familiar de Luís Montenegro, tenha levado à dissolução da AR?


A 21 de março de 2024, era indigitado Luís Montenegro como Primeiro ministro. O líder do PSD, concorrera com na AD (Aliança Democrática que unia o PSD, CDS-PP e PPM). Sem maioria absoluta, Luís Montenegro teve de ir contando com o apoio ou a censura dos outros grupos partidários, conseguindo fazer passar Orçamento de Estado, apesar dos votos contra do Chega, Iniciativa Liberal, Bloco de Esquerda, PCP, Livre e PAN e da abstenção do PS.


Mas o ano de 2025 não começou bem e logo em janeiro se soube que, "alegadamente, o então secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Hernâni Dias, terá constituído duas empresas já enquanto governante, ambas ligadas ao imobiliário e à construção civil, que eram áreas na sua tutela direta." A situação foi denunciada pelo programa A Prova dos Factos da RTP, que investigou e noticiou a criação de "duas empresas" pelo então secretário de Estado, "que poderiam vir a beneficiar com a nova Lei dos Solos, legislação criada sob alçada da secretaria de Estado liderada por Hernâni Dias." A situação foi alvo de duras críticas e Hernâni Dias acabaria por apresentar ao primeiro-ministro o pedido de suspensão da sua atividade, de forma a permitir a investigação e a proteger-se a si e à sua família. 


Levantada a ponta da manta, parece que o resto se foi desprendendo pouco a pouco e, depois deste caso, "passou a ser o próprio Luís Montenegro a estar debaixo de fogo, devido à Spinumviva, uma empresa familiar, cujas ações eram detidas, em parte, pelo primeiro-ministro." Nas primeiras versões, Montenegro seria dono (junto com a mulher e os dois filhos) de uma empresa do ramo imobiliário. Mais tarde, vir-se-ia a saber que a Spinumviva (empresa fundada por Montenegro antes de assumir a liderança do executivo), atuava em vários ramos de negócio, mantendo por exemplo "negócios, pagos através de avenças mensais, com a Solverde — cujo futuro à frente dos casinos de Espinho e Algarve estava prestes a ser decidido pelo Governo de Montenegro."


Perante as acusações de que era alvo, Montenegro acabou por, optar numa primeira fase por não responder e, nos dias seguintes por ser vago, adotando como escolha a "entrega" da dita empresa aos filhos. Mas não foi suficiente, porque o que está aqui em causa é saber se esteve a receber benefícios desde que foi eleito Primeiro-ministro. O governo, que tinha sobrevivido "a duas moções de censura, apresentadas pelo Chega e pelo PCP" estava agora exposto a uma moção de confiança, apresentada pelo próprio PSD. 


Faltando "explicações", e depois de um aceso debate na Assembleia da República em que o PS se recusou a reunir à porta fechada com o representante da AD, o "Governo acabou por cair." Pedro Nuno Santos (do PS) acusou o  "governo de Luís de Montenegro" de pretender utilizar "a moção de confiança para condicionar o inquérito e o apuramento da verdade”.


E assim vamos... num país que celebra os 50 anos da Assembleia da República! Ainda haverá muito por saber sobre este caso, mas certamente irão aparecer outros casos e "casinhos". 


Fontes:


https://www.publico.pt/2025/03/11/politica/noticia/tres-perguntas-pairam-empresa-montenegro-2125506


https://www.rtp.pt/noticias/politica/apos-investigacao-da-rtp-secretario-de-estado-hernani-dias-apresentou-a-demissao_n1630500


https://www.dn.pt/pol%C3%ADtica/da-lei-dos-solos-%C3%A0-empresa-de-montenegro-como-se-chegou-%C3%A0-queda-do-governo-e-%C3%A0s-elei%C3%A7%C3%B5es-antecipadas


https://pt.euronews.com/my-europe/2025/03/11/parlamento-rejeita-mocao-de-confianca-e-derruba-governo-da-alianca-democratica


 

11/03/2025

50 anos de democracia - a Intentona de 11 de março

Durante a manhã de 11 de março de 1975, "Lisboa é palco de inesperadas movimentações militares: uma parelha de T6 sobrevoa Lisboa a baixa altitude em ação de intimidação." Mais tarde, pelas 11h50, "forças da Base Aérea n.º 3 atacam o Regimento de Artilharia Ligeira n.º 1 (RAL 1), provocando um morto e 14 feridos." Ao princípio dessa tarde, "o general António de Spínola e os principais implicados no golpe fogem para Espanha." A Intentona de "11 de Março de 1975 apenas é compreensível se analisarmos de uma forma mais ampla os acontecimentos e processos que tiveram lugar desde o 25 de Abril de 1974 e, em particular, a partir do 28 de Setembro."

Ocorre que depois da revolução de abril de 1974, as forças políticas ligadas a Spínola e à direita democrática, queriam que "Portugal liderasse uma organização" em que estivessem incluídas as antigas colónias, e que nestas fossem garantidos os interesses do país. Ora esta posição é oposta à defendida pelos militares que tinham preparado o 25 de Abril, "principalmente os membros do Movimento das Forças Armadas (MFA)." Este Movimento apoiava por sua vez "os partidos totalitaristas marxistas africanos que estavam a consolidar controlo dos territórios recém-independentes, chegando os portugueses do MFA até a posicionar-se contra as organizações de nativos oposicionistas," apoiando a sua "supressão." 

Os "novos regimes africanos em consolidação," não poupam nem os portugueses que por lá se tinham mantido, nem os "autóctones, que são apoiantes do antigo regime ou pertencentes a facções opostas," o que leva a uma situação de precariedade, "com crescentes conflitos, perseguições políticas e exclusões dos processos transicionários na forma de violência, exílios, prisões e mesmo mortes." Spínola queria fazer valer a "independência dos territórios," garantindo a estabilidade dos portugueses, enquanto o MFA, cansado da guerra, queria fazer sair, quão rapidamente fosse possível, as tropas, não se mostrando "dispostos a prolongar a sua presença em África."

Em setembro de 1974, "na tentativa de contrariar uma viragem à esquerda liderada por diversas forças, Spínola" promove "a realização de uma manifestação de apoio à sua política." No entanto, essa manifestação acaba por ser inviabilizada por um grupo de civis apoiantes da esquerda e por "elementos do Movimento das Forças Armadas (MFA)." Em consequência desta derrota, o general Spínola demite-se e é substituído por Costa Gomes. 

Demitem-se também os "ministros da Defesa e da Comunicação Social, Firmino Miguel e Sanches Osório, respetivamente." A 1 de outubro de 1974 toma posse o III Governo Constitucional, que se torna "o segundo mais longo de todo o processo revolucionário português, abrindo uma fase de alguma estabilidade." É constituído ainda o "Conselho dos Vinte, organismo que reúne todos os oficiais com funções político-militares: membros da JSN, da Coordenadora do MFA, comandante-adjunto do COPCON e ex-membros da Coordenadora que, nesse momento, desempenhavam funções de ministro ou Alto-Comissário." Pretendia-se assim articular a "intervenção política dos militares e evitar as decisões de cúpula da JSN."

No entanto, a imagem internacional do país passa a ser uma preocupação. A de março de 1975, Spínola é informado de um possível ataque que visaria a direita. Perante esta suposição denunciada pelos "serviços secretos espanhóis" é preparado um "novo golpe."

Segundo informação que correu então, "1500 pessoas ligadas à direita," estariam sob a mira de forças de esquerda, ligadas ao PCP e à União Soviética. Esta operação (também conhecida como operação matança da Páscoa e que teria entre as personalidades a abater 500 oficiais e 1000 civis apoiantes de Spínola), levou a que no dia 11 de março, o Regimento de Artilharia de Lisboa fosse "atacado por aviões e helicópteros da Força Aérea e por unidades de paraquedistas. Um soldado é morto durante o ataque e, no dia seguinte, regista-se também a morte de um civil." 

Perante tal falha, "Spínola escapa de avião para Espanha e outros oficiais pedem asilo político noutras embaixadas localizadas em Lisboa." Uma das consequências é a radicalização "à esquerda" e a consequente nacionalização (nomeadamente, da banca). Mais tarde, "Vasco Lourenço, implicado nesta alegada ação," acabaria por declarar "que não havia lista nenhuma na operação matança da Páscoa, e que afinal tinham "sido serviços de informação americanos ou russos que puseram a circular essa ideia com o fim de «lançar a casca de banana aos spinolistas»." 

Fontes:

https://50anos25abril.pt/historia/11-de-marco/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Golpe_de_11_de_Mar%C3%A7o_de_1975

https://ensina.rtp.pt/artigo/a-tentativa-de-golpe-de-11-marco-de-1975/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Matan%C3%A7a_da_P%C3%A1scoa

https://50anos25abril.pt/historia/11-de-marco/equilibrios-politicos-no-pos-28-de-setembro/




Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...