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22/07/2026

Faleceu Luís Represas

Luís Represas tinha 69 anos e celebraria em breve 50 anos de uma vasta carreira musical. Nascido em Lisboa, no dia "24 de novembro de 1956," estudou no Liceu Pedro Nunes e foi ali que se tornou "porta-voz da LUAR (Liga de Unidade e Ação Revolucionária), movimento de oposição ao Estado Novo que, tendo nascido para a ação armada contra o regime, rejeitou o recurso a atos terroristas." 

Estudava Medicina mas seria a música a sua grande arma, já no pós-25 de abril, como "fundador e vocalista dos Trovante." A banda que fundou em conjunto "com o irmão, João Nuno Represas, João Gil, Manuel Faria e Artur Costa no verão de 1976," desde sempre esteve ligada "à luta de esquerda," tendo atuado diversas vezes na Festa do Avante.  Foi com este grupo musical que o artista conseguiu lançar a sua carreira e conseguir "notoriedade na indústria musical do pós-25 de abril." Com o passar do tempo, as canções começaram a tornar-se cada vez "menos comprometidas e a conotação partidária ia-se afastando do Partido Comunista." Depois do encerramento da banda em 1992, continuou a cantar a solo, tendo lançado o seu "primeiro álbum, Represas, em 1993, influenciado por uma viagem a Havana."

Um dos muitos temas que o definem como cantor foi "Feiticeira, em colaboração com o cubano Pablo Milanés," mas o cantor teve ainda diversas "colaborações musicais," com nomes "como Bernardo Sasseti, Simone de Oliveira, Jorge Palma, Compay Segundo, ou Gilberto Gil." Músicas como "Saudade", "Balada das sete saias" e "Fizeram os dias assim" ficariam famosas na sua voz, mas houve um tema que marcou uma outra nação: "Timor" foi uma das mais conhecidas canções de Luís Represas, uma canção que se transformou num hino pela autodeterminação de um povo. "Em 2005, Luís Represas foi distinguido pelo Estado português com a Ordem de Mérito do grau de Comendador por Jorge Sampaio."

A minha canção preferida é esta: "Perdidamente", que tem por base um poema de Florbela Espanca e fez parte do disco de 1987 "Terra Firme."

O artista sofria de um cancro pulmonar e acabou por falecer esta manhã, possivelmente de "complicações relacionadas com a doença."

Fontes:

https://observador.pt/2026/07/22/morreu-luis-represas-o-musico-e-vocalista-dos-trovante-tinha-69-anos/

https://observador.pt/especiais/luis-represas-1956-2026-cantor-portugues-de-qualquer-chao-e-tempo/

https://www.youtube.com/watch?v=tjHt2N2PPfk



07/12/2025

Faleceu Anita Guerreiro

De uma voz inconfundível, "Bebiana Guerreiro Rocha Cardinali, mais conhecida como Anita Guerreiro," deixa-nos hoje, aos 89 anos. Anita Guerreiro vivia há cerca de 11 anos na Casa do Artista. Coincidência, celebraram-se ontem, 6 de dezembro, 113 anos da abertura do Teatro Politeama.

Foi fadista, mas também nos encantou com a sua voz na revista à Portuguesa e espantou nas marchas populares de Lisboa. Uma artista completa, foi atriz e será sempre lembrada como uma mulher que não se dava a vedetismos e que sempre lutou a pulso por conquistar o seu lugar. E se ela merecia ser vedeta! Ficam as saudades!

A muitos inspirou e agora perde-se uma das maiores vozes do nosso país! Nasceu "a 13 de novembro de 1936, em Lisboa," e foi com apenas 7 anos que se estreou "na coletividade Sport Clube do Intendente." 

Em "1952 concorreu ao Tribunal da Canção, um passatempo radiofónico do programa Comboio das Seis e Meia, à época um enorme sucesso," o qual a tornou conhecida do público. Em 1954, a "fadista estreou-se" no palco do "Teatro Variedades, no Parque Mayer, em Lisboa," ainda "menor" de idade e, por isso, com "uma autorização especial do coronel Óscar de Freitas para atuar." 

"Em 1955 estreou-se no Teatro Maria Vitória, na revista Ó Zé Aperta o Laço, seguindo-se apresentações em Festa é Festa (1955) e revistas no Coliseu dos Recreios como Cidade Maravilhosa (1955) e Fonte Luminosa (1956)." Ainda em 1956, participou no filme "Lisboa," cantando Lisboa Antiga. Chegou a viver nos EUA, mas quando em 1982 regressou, Anita Guerreiro fez parte do "elenco da revista Há mas são verdes, onde criou os fados "Hermínia de Lisboa", numa "homenagem a Hermínia Silva," e Calçadinha à portuguesa. Outras canções da artista: "Sardinhada", ou "Sou Tua".

"Integrou também o elenco de várias telenovelas e séries portuguesas, como Primeiro Amor (1995), Roseira Brava (1996), Uma Casa em Fanicos (1998)," e quem não se lembra de a ver em "A Loja do Camilo," ou em "Os Batanetes (2004)"? Na musica, é de destacar é claro o grande sucesso “Cheira bem, cheira a Lisboa, mais tarde imortalizado por Amália Rodrigues." Na revista, recebeu em 1970, o Prémio Estevão Amarante para Melhor Artista de Revista, pela sua interpretação em Peço a Palavra. Em Angola, foi vencedora também de uma "Guitarra de Ouro." E foram tantas as revistas em que participou! 

24/10/2024

Faleceu João Silva, ou como era conhecido, Marco Paulo

Faleceu hoje o conhecido cantor Marco Paulo, aos 79 anos, após uma luta inglória contra o cancro, uma doença que continua a matar de forma indiscriminada apesar de todos os avanços que a medicina tem tido.

João Simão da Silva, nasceu a 21 de Janeiro de 1945, em Mourão, "no distrito de Évora, fixando-se com a família em Alenquer, no distrito de Lisboa, no final dos anos 1950, e depois no Barreiro, já na década de 1960." Marco Paulo - ou, como em menino era conhecido - João Silva, tinha uma relação de afeto e "cumplicidade com os irmãos," mas do pai, um homem austero, recebeu "pouco carinho."

A sua carreira foi sempre seguida por milhares de fãs, tendo o cantor lançado "mais de 70 discos e várias canções de sucesso" ao longo de 50 anos de carreira. A sua estreia foi nas festas de Alenquer a cantar a "Campanera" de Joselito. Com 14 anos, "entra para o rancho folclórico de Alenquer onde esteve dois anos como cantor até ir viver para o Barreiro."

Devido à profissão do pai, que obrigava a várias deslocações chegou a viver também em "Celorico de Basto, Alcabideche, Alenquer e Arcos de Valdevez," bem como no Barreiro ou em Sintra.

É a fadista "Cidália Meireles", que o vem a descobrir, já no Lavradio, onde o jovem João Simão frequentava "aulas de canto com Corina Freire," cantora lírica. Cidália Meireles levou-o ao seu programa e, as portas abriram-se para que participasse "pela primeira vez no Festival da Canção da Figueira da Foz." Esta participação fez com que fosse visto e fosse "convidado por Mário Martins, da editora Valentim Carvalho, para gravar o seu primeiro disco."

Em 1967, participou no Festival RTP da Canção com "Sou Tão Feliz", depois do que foi para a Madeira onde cantou "com Madalena Iglésias," e em 1982 voltou ao festival para interpretar “É o Fim do Mundo”, de João Henrique e Fernando Guerra. 

Marco Paulo, fez a tropa "em Beja, Leiria e Estremoz", mas com a guerra colonial ainda decorrer foi enviado para a Guiné, onde a sua estadia foi um pouco diferente da da maioria dos jovens que para lá iam. Apesar de lhe terem dado uma Mauzer, era no escritório que passava a maior parte do tempo. O seu principal problema, se é que assim se poderia chamar, era andar sempre distraído em cantorias. Durante uma brincadeira, um colega atingiu-o na cabeça com uma pressão de ar e o chumbo nunca chegou a ser retirado. Durante o tempo que esteve na Guiné, ficou sempre na cidade e nunca chegou a estar no mato, onde a situação era muito mais complicada. "Cantava nos aniversários" dos camaradas e animava as festas para que o convidavam por já ter discos seus a passar "na rádio."

Marco Paulo ganho vários prémios, entre os quais, "em 1978, conquistou o seu primeiro disco de ouro com o single “Canção Proibida/Ninguém Ninguém”, com 85 mil cópias vendidas." Em 1979 ganhou o "disco de ouro com “Mulher Sentimental” e, em 1980, com o êxito “Eu Tenho Dois Amores”, versão de “Petra”, do grego Giorgos Hatzinasios, com 195 mil discos vendidos."

O cantor ganhou ainda "140 discos de platina, ouro e prata, tendo vendido mais de cinco milhões de discos e sendo o quinto cantor nacional com mais discos vendidos de que há registo." É ainda "o único cantor português com um disco de diamante," que venceu com a canção “Maravilhoso Coração”. Entre muitos outros discos, editou em 2001, o disco "35 Anos da Nossa Música", onde podíamos ouvir temas como "Nossa Senhora", "Te Amo, Te Amo" e "Amália A Nossa Voz."

Foi também apresentador, num programa que passava ao domingo à noite na RTP 1: “Eu Tenho Dois Amores," (1994-1995). Dois anos depois e ainda na RTP, apresentou o programa “Música no Coração”, onde fazia entrevistas a convidados ligados ao meio musical e artístico.

Foi em 1996 que o diagnóstico do primeiro cancro chegou, localizado no "testículo direito."

Corria já o ano de 2016, quando Marco Paulo "tornou público que lhe fora diagnosticado cancro da mama e que seria submetido a tratamentos. No final desse ano, revelou que o seu estado de saúde se tinha agravado com o diagnóstico de um tumor pulmonar." No mesmo ano, o cantor foi galardoado com "o Prémio de Mérito e Excelência na XXI Gala dos Globos de Ouro." Em 2022, foi "condecorado pelo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa", com a "distinção de Comendador da Ordem Infante D. Henrique, numa cerimónia que decorreu no Palácio de Belém, em Lisboa."  

Já na SIC, estreia em "junho de 2021," o programa “Alô Marco Paulo”, onde Ana Marques co-apresentava com o artista. O programa, que "começou por ser transmitido nas tardes de sábado da SIC," passou em abril de 2022 para as manhãs de fim de semana. Em 2022, "quando era atualizado sobre o estado do tumor pulmonar, descobriu o cancro no fígado." 

É em janeiro de 2023, que a Sic lança na plataforma Opto, uma série biográfica que descreve com vários pormenores a vida do cantor, “Marco Paulo: A História da Minha Vida.

Desde junho deste ano, tinha estado a ser "transmitida uma emissão especial"com o título, “Força, Marco Paulo”,que tinha como principal intuito apoiar o cantor, já visivelmente debilitado, na"luta contra dois cancros," tendo o cantor sido informado pelos médicos de "que os tratamentos de quimioterapia seriam suspensos por não estarem a resultar." Em resultado disso, "o cantor encontrava-se em repouso em casa."

Em maio do presente ano, foi-lhe feita uma bonita homenagem, como todas deveriam ser, ainda em vida, no espetáculo “Para Sempre Marco." O cantor cantou o refrão de “Maravilhoso Coração”, deixando ainda uma mensagem emotiva. Da sua vida privada, o cantor manteve quase sempre segredo.

A apresentadora Ana Marques, amiga de Marco Paulo, soube em direto da sua morte, não conseguindo conter a emoção e tristeza. Não sei qual foi a ideia da SIC de fazer algo assim a uma pessoa tão querida e que tanto respeitava e admirava o Marco. 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Marco_Paulo

https://sic.pt/programas/aloportugal/2024-10-24-video-a-emocao-de-ana-marques-ao-saber-em-direto-da-morte-de-marco-paulo-0afb4abd

https://magg.sapo.pt/celebridades/artigos/do-disco-de-diamante-as-ultimas-palavras-em-palco-recorde-11-momentos-marcantes-de-marco-paulo

https://www.flash.pt/celebridades/nacional/detalhe/marco-paulo-revela-que-levou-um-tiro-na-cabeca-quando-estava-na-tropa-na-guine-a-bala-ficou-alojada-na-minha-cabeca

https://expresso.pt/blitz/2024-10-24-morreu-marco-paulo-aos-79-anos-apos-uma-longa-luta-contra-o-cancro-a582e7b1

https://expresso.pt/blitz/2024-10-24-marco-paulo--1945-2024--a-infancia-nomada-o-pai-austero-a-vida-predestinada-e-a-solidao.-uma-conversa-franca-com-a-blitz-em-2023-65ee0c10



30/06/2024

Faleceu o escultor e ceramista, Manuel Cargaleiro

Faleceu o ceramista e pintor português, Manuel Cargaleiro. 

Nasceu em Chão das Servas, Vila Velha de Ródão, a 16 de março de 1927. Em 1928, foi morar "na Quinta da Silveira de Baixo, no Monte da Caparica" e é em 1939 que dá inícia aos seus "estudos no Instituto Secundário de Lisboa." As suas primeiras experiências com a modelação de barro, ocorreram "na olaria de José Trindade,"enquanto esteve no Monte da Caparica.

Mais tarde, inscreve-se em Lisboa, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, "no curso de Geografia e Ciências Naturais, que mais tarde abandona para se dedicar exclusivamente às Artes Plásticas." As suas obras foram expostas pela primeira vez na Primeira Exposição Anual de Cerâmica”, na Sala de Exposições do Secretariado Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo (SNI), no Palácio Foz, em Lisboa. "Um ano mais tarde, organizou com a Comissão Municipal de Turismo de Almada o I Salão de Artes Plásticas da Caparica. A primeira exposição em nome próprio foi feita em 1952, na Sala de Exposições do SNI." Em 1953, fez a sua "primeira exposição de pintura, no Salão da Jovem Pintura, na Galeria de Março, em Lisboa. Um ano mais tarde, apresenta a exposição individual Cerâmicas de Manuel Cargaleiro."

Em 1954, começa  a dedicar-se ao ensino das artes, trabalhando por quatro anos "como professor de cerâmica na Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa." Também em 1954, Cargaleiro vai pela primeira vez a Paris, onde acaba por conhecer "Maria Helena Vieira da Silva, Arpad Szènes e Roger Bissière."

Ainda durante a década de 50, "o artista plástico dirige os trabalho de passagem para cerâmica das estações da Via Sacra do Santuário de Nossa Senhora de Fátima. Em 1955, faz também a primeira participação numa exposição coletiva internacional dedicada à cerâmica, no I Festival International de Céramique, em Cannes, França." É da sua autoria "o painel de azulejos para a fachada da nova igreja de Moscavide."

Em 1957, torna-se mais reconhecido e recebe "uma bolsa do governo italiano, através do Instituto de Alta Cultura. Estuda a arte da cerâmica em Faença, com Giuseppe Liverani, Roma e Florença. É também nesse ano que se fixa em Paris, em França."

Foi um dos "primeiros bolseiros da Fundação Calouste Gulbenkian, fazendo um estágio na Faïencerie de Gien, sob a orientação de Roger Bernard." Colabora em "várias exposições individuais e coletivas" em países como "França, Brasil, Japão, Alemanha, Itália, Angola, Moçambique, Espanha, Venezuela, Suíça ou Bélgica." Organiza em 1965, na "Galeria Gravura, em Lisboa, a exposição 12 Artistas de Paris: Gravuras da Colecção Manuel Cargaleiro."

"Em 1974, quando se comemoram 25 anos do trabalho artístico do Mestre Cargaleiro, é editada uma medalha do escultor Lagoa Henriques." 

"Em 1980, volta às exposições individuais, primeiro, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e depois em Paris e Reims."

"Em 1984, o seu nome é dado à Escola Secundária Manuel Cargaleiro, no concelho do Seixal, que tem em destaque um painel de azulejos do artista plástico." Mais tarde seria erguido também no Seixal, mais precisamente na Quinta da Fidalga, "a Oficina de Artes Manuel Cargaleiro." Este foi "um projeto arquitetónico da autoria de Álvaro Siza Vieira que se carateriza por uma articulação harmoniosa entre os diferentes elementos arquitetónicos e os espaços envolventes.

Nos anos 90, "a arte de Manuel Cargaleiro" extende-se a diversos locais públicos em Portugal e França, como a "estação de Metro do Rato, em Lisboa," ou a "estação de metro dos Campos Elísios," em Clemenceau. Em 1990 foi fundada, em Castelo Branco, a Fundação Manuel Cargaleiro.

Foi-lhe atribuído o "primeiro prémio no concurso internacional Viaggio attraverso la Ceramica, em Vietri sul Mare, na província de Salerno. Em 2004, foi inaugurado em Itália o Museo Artistico Industriale di Ceramica Manuel Cargaleiro." Em 2014, seria erguido também no Seixal, mais precisamente na Quinta da Fidalga, "a Oficina de Artes Manuel Cargaleiro." Este foi "um projeto arquitetónico da autoria de Álvaro Siza Vieira que se carateriza por uma articulação harmoniosa entre os diferentes elementos arquitetónicos e os espaços envolventes." Em 2015, "recebe o Prémio Obra de Vida do projeto SOS Azulejo, dedicado à salvaguarda e valorização do património azulejar português e coordenado pelo Museu da Polícia Judiciária.


Em 2016, vê ser inaugurado em Portugal, "o Museu Cargaleiro, que resulta de uma parceria entre a fundação em nome do artista e a Câmara Municipal de Castelo Branco. Em 2011, o museu foi ampliado para acolher e expor toda a obra da fundação." Em 2017 foi condecorado "com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Em 2019, o artista português foi agraciado em "com a Medalha de Mérito Cultural pelo então primeiro-ministro António Costa e pela ministra da Cultura da altura, Graça Fonseca. Recebeu também a Medalha Grand Vermeil, atribuída pela presidente de Câmara de Paris Anne Hidalgo." Em 2022, Cargaleiro recebeu o "título honoris causa, atribuído pela Universidade da Beira Interior e no ano seguinte, é condecorado "com a Grã-Cruz da Ordem de Camões." 

Cargaleiro faleceu hoje aos 97 anos.

O mestre Cargaleiro ficou reconhecido pelas suas obras que deixou "em igrejas, jardins ou estações de metro e em inúmeras peças tão geométricas e cromáticas como as de outros artistas cosmopolitas que viveram em Portugal”. Muito mais havia a falar desde grande artista. A sua obra predurará.

Fontes:

https://observador.pt/2024/06/30/morreu-ceramista-e-pintor-manuel-cargaleiro-tinha-97-anos/

https://www.cm-seixal.pt/equipamento/oficina-de-artes-manuel-cargaleiro

27/12/2023

Faleceu Odete Santos

Mais do que deputada, Odete Santos foi advogada e uma acérrima defensora dos direitos das mulheres. Faleceu com 82 anos, mas deixa como marca o seu trabalho na Assembleia da República e na autarquia de Setúbal.

Nascida em 26 de Abril de 1941, na freguesia de Pêga, concelho da Guarda, Maria Odete Santos mostrou desde logo o seu interesse pela atividade política em 1961, participando nos movimentos associativos estudantis. Foi ainda na faculdade de Direito da Universidade de Lisboa que Odete Santos teve o primeiro contacto com o Partido Comunista Português, ao qual viria a aderir após o 25 de Abril de 1974. Entre 1980 e 2007 foi deputada à Assembleia da República entre 1980 e 2007, tendo exercido também vários cargos a nível partidário e autárquico, em Setúbal. Em 1980, também se juntou ao primeiro Conselho Nacional do Movimento Democrático de Mulheres.

Odete Santos foi a principal voz do PCP na defesa da despenalização do aborto, em 1984, quando foi aprovada a primeira lei, em 1998, no primeiro referendo e em 2007, quando ganhou o 'sim'. No parlamento, dedicou-se às áreas do direito do Trabalho, Assuntos Constitucionais e direitos das mulheres, tendo sido agraciada com a Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

"Odete Santos destacou-se pelo seu compromisso com os trabalhadores e o povo, com uma particular ligação com a juventude, afirmando a sua notável capacidade, profundidade de análise, solidariedade, dedicação, frontalidade, coragem e força de intervenção", enaltece o PCP, recordando também a sua intervenção pela igualdade e a emancipação da mulher.

Escreveu vários livros, entre os quais “Em Maio há cerejas” e “A Bruxa Hipátia – o cérebro tem sexo?” Além do âmbito político, foi também presença regular em programas de televisão, desde debates políticos a programas de entretenimento.

Apaixonada pelo teatro amador, a antiga deputada estreou-se nos palcos em 1966. Voltaria a participar numa peça em 1991, e, em 1999, protagonizou "Quem tem medo de Virgínia Woolf" numa encenação do Teatro Animação de Setúbal. Subiu também ao palco do Maria Vitória, em Lisboa, onde interpretou adaptações de Gil Vicente e de Moliére, ainda que em regime amador. Em 2004 aceitou um convite para participar desta vez numa revista, "Arre Potter Qu'É Demais", no teatro Maria Vitória.

Fontes:

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/morreu-odete-santos-deputada-do-pcp

https://expresso.pt/politica/partidos/2023-12-27-Morreu-a-ex-deputada-comunista-Odete-Santos-b349c19a?fbclid=IwAR3HGNRa0L4heWW6iftXDhjRUMcVYmVO-hPORg5H1bd4B5Xq8BTfFmVtPFg&utm_medium=Social&utm_source=Facebook


29/06/2023

Arte em tempo de guerra

Quando falamos num conflito como o que afeta o Sudão, a última coisa de que nos vamos lembrar é de arte. Será? Hoje senti um pequeno aperto ao ler esta notícia do Observador, em que o dono da Downtown Gallery, afirma (em declarações prestadas à Agência Lusa), que não era da guerra que pensava que ia falar quando esta exposição começou a ser preparada com a Brotéria, em Lisboa, há mais de um ano. As obras de arte, que entretanto vieram para Portugal, acabaram por ser as poucas que escaparam ao conflito que afeta o país. 


Rahiem Shadad, sudanês e um dos curadores da exposição, fala da violência nas ruas e refere que as três dezenas de obras, de nove artistas sudaneses que entretanto fugiram para o Egito, para Espanha, ou para regiões do Sudão mais afastadas das zonas de combate, são, nalguns casos, as poucas que restaram do trabalho que estes desenvolveram nos últimos anos. A destruição não poupa museus, galerias de arte, ateliers ou escolas.


Rahiem Shadad, dono de uma galeria no bairro que reunia a maior parte delas e dos ateliers de artistas em Cartum, foi uma das muitas pessoas que não conseguiu ainda regressar à sua terra. Rahiem, saiu do Sudão com a família no final de março para o que, pensava serem apenas duas semanas de férias no Egito, mas a guerra começou e não puderam voltar, permanecendo até agora no Cairo.  


Depois de Lisboa, estas obras que escaparam à guerra no Sudão vão estar em Berlim, em novembro, e o objetivo para já é que passem também pelo menos por Madrid e Paris.


Falando aqui de outros conflitos (poderia ir muito mais atrás à Primeira ou à Segunda Guerras Mundiais) a realidade, seja qual for a zona do mundo, é a mesma. Não é a arte a primeira a ser protegida (como é óbvio, o foco está na vida humana e nos bens essenciais), e por isso muito se tem perdido pelo mundo pela destruição deliberada ou "acidental" de museus e galerias. Logo dois dias depois do início da invasão da Ucrânia, foi divulgada a destruição do Museu Ivankiv, situado na região metropolitana de Kiev. Aqui terão sido destruídas 25 obras de uma das principais artistas ucranianas, Maria Prymachenko. As suas obras, exuberantes nas cores e formas, retratavam a história e o quotidiano do país e do folclore, em pinturas, desenhos, cerâmicas e bordados.


Entretanto, os bombardeamentos russos já destruíram, total ou parcialmente, outros locais de elevada importância cultural, como o Museu de Arte em Kharkiv, com mais de 25.000 obras de arte. Ocorreram também já bombardeamentos próximos do memorial do Holocausto Babi Yar, em Kiev, local onde, em 1941, mais de 34 mil judeus foram fuzilados pelos nazis em apenas dois dias. O que se pode fazer para preservar a história de um país representado pela sua herança cultural e pelos seus artistas?


Efetivamente, o património cultural material do mundo é uma herança comum que marca a identidade e constitui uma inspiração para toda a humanidade, tendo o poder de nos unir e de promover a paz. 


Infelizmente, as guerras procuram apagar a identidade, a consciência coletiva e a memória cultural de um povo através da destruição de obras de arte. Procurando evitar que isso aconteça na Ucrânia, os funcionários do Museu Nacional Andrey Sheptytsky, o maior museu de arte deste país, localizado em Lviv, próximo da fronteira com a Polónia, embrulharam e retiraram já obras deste museu, para protegê-las.


Em 1954, depois da Segunda Guerra Mundial, foi criada na Convenção de Haia o “Escudo Azul” que procurava a proteção de bens culturais em situações de guerra. No artigo 53º da Convenção de Haia para a Proteção da Propriedade Cultural no Caso de Conflito Armado está explicito que são proibidos “quaisquer atos de hostilidade dirigidos contra monumentos históricos, obras de arte ou locais de culto que constituam património cultural ou espiritual dos povos”, sob pena de serem considerados crimes de guerra.


Infelizmente, isso parece nunca ser cumprido.


Fontes:


https://observador.pt/2023/06/29/sudao-ha-arte-que-escapou-a-guerra-e-pode-ser-vista-em-lisboa/


JESUS, Saúl Neves - https://postal.pt/edicaopapel/como-sao-tratadas-as-obras-de-arte-durante-a-guerra/


 


 

12/03/2023

Mimi vence Festival

Mimicat é a vencedora deste ano do Festival RTP da Canção, com "Ai coração", uma música alegre, divertida, com sonoridades da música tradicional portuguesa misturadas, misturadas com ritmos latinos e pop music.


Performer, intérprete e compositora desde muito jovem, Mimicat, o alter ego de Marisa Isabel Lopes Mena, nascida há 38 anos em Coimbra, surgiu em 2014, depois de uma muito aguardada revelação de uma cantora que gravou o primeiro disco aos 9 anos. Com uma voz quente e forte, característica da soul-pop anglo-saxónica, edita em 2014 o seu primeiro álbum como Mimicat, intitulado For You, que teve como primeiro single o tema Tell Me Why. De 2015 a 2016 passou por alguns dos maiores palcos portugueses (Festa do Avante, Sol da Caparica, Edp Cool Jazz, Meo Marés Vivas, Culturgest, entre outros) e fez a sua estreia internacional com concertos no Brasil. Num registo pop sem nunca perder a força e o carisma que a caracterizam, lançou em 2017 o álbum Back in Town.


Em 2019, Mimicat lança a sua primeira canção em português, Até ao Fim, uma homenagem aos 50 anos de amor dos seus pais, e que surgiu durante a sua gravidez. Depois da paragem para o primeiro filho, regressou em 2021 com o single Tudo ao Ar. No ano passado, apresentou o novo single em português Mundo ao Contrário.


Participou, com apenas 15 anos e com o nome artístico de Izamena, na 3ª semifinal do Festival RTP da Canção 2001 com a canção "Mundo Colorido", mas não conseguiu nesse ano a passagem à final.


Segundo a própria, a Mimicat é "uma Marisa um bocadinho mais vaidosa, um bocadinho mais atrevida. É aquilo que a Marisa não pode ser no dia-a-dia, quando vai na rua". O pseudónimo soou-lhe bem no primeiro instante. Afinal, já há muitos anos que era chamada de Mimi pela família. Bastou juntar Cat à alcunha, para dar um toque mais pessoal ao nome.


A inspiração para escrever as canções e para escolher a sua sonoridade, provém de músicos como Ella Fitzgerald, Jill Scott ou Ray Charles. com uma clara preferência por músicos que vão desde os anos 30/40 até aos anos 70.


Mimicat aposta forte na imagem, no realce da beleza feminina.


O Festival RTP da Canção 2023 foi o 57º Festival RTP da Canção. A primeira semifinal teve lugar no dia 25 de fevereiro e a segunda no dia 4 de março, nos estúdios da RTP, em Lisboa. A final foi disputada no dia 11 de março, também nos estúdios da RTP. 



A RTP convidou 15 compositores para que apresentassem uma canção original e inédita, sendo estes os responsáveis por definir os respetivos intérpretes para as suas canções.


As restantes cinco vagas de compositores resultaram da abertura a candidaturas espontâneas de canções originais e inéditas com uma duração máxima de três minutos. Aqui, puderam concorrer todos os cidadãos de nacionalidade portuguesa ou residentes em Portugal, tivessem ou não trabalhos publicados, o que inclui os portugueses que vivam fora do país, assim como os cidadãos dos PALOP ou de outras nacionalidades que residam em Portugal.


Foi constituído um júri para as avaliar, sendo os concorrentes vencedores convidados a apresentá-las a concurso nesta edição. Segundo as regras, cada canção tem a duração máxima de 3 minutos, podendo ser apresentada em português ou numa outra qualquer língua estrangeira.


 


Fontes:


https://media.rtp.pt/festivaldacancao/autores/mimicat/


https://pt.wikipedia.org/wiki/Mimicat


https://mag.sapo.pt/musica/artigos/mimicat-a-mimicat-e-a-marisa-um-bocadinho-mais-vaidosa-e-um-bocadinho-mais-atrevida?artigo-completo=sim/


https://media.rtp.pt/festivaldacancao/artigos/mimicat-e-a-grande-vencedora-do-festival-da-cancao-2023/


https://pt.wikipedia.org/wiki/Festival_RTP_da_Can%C3%A7%C3%A3o_2023


 

28/12/2022

Faleceu Linda de Suza

Nascida a  22 de Fevereiro de 1948, com o nome Teolinda Joaquina de Sousa Lança na localidade de Beringel em Beja, Linda de Suza emigrou em 1970 para França em busca de uma vida melhor e com mais liberdade pelo que se percebe na história que conta no seu livro "A mala de cartão" (1984).

No seu livro, diz ter fugido de Portugal, por não sentir aceitação, era então considerado errado uma mulher ter filhos sendo solteira, revelando o que se passava num país com um regime fechado e de uma família com ideias retrógadas e tirânicas. O livro teve bastante sucesso na altura teno sido vendidos cerca de dois milhões de exemplares.

Em 1988, a cantora que fazia de França a sua casa e que animava os emigrantes saudosos de Portugal, viu a sua história ser adaptada à televisão numa minissérie intitulada "Mala de Cartão". Linda de Suza estreou-se como cantora num restaurante localizado em Saint-Odein, a norte de Paris, chamado Chez Loisette, onde foi descoberta pelo compositor André Pascal (1932-2001) que a apresentou, posteriormente, ao compositor Alex Alstone (1903-1982). Pouco tempo depois, a cantora teve a sua primeira apresentação na televisão, entrando no programa Rendez-Vous du Dimanche, de Michel Drucker, onde interpretou a canção Un Portugais (Vine Buggy/Alex Alstone), cujas vendas do ‘single’ atingiram em França, o cobiçado Disco de Platina. Corria 1979.

Com uma vida difícil, tal como a de todos os emigrantes que fizeram a sua vida longe de casa, procurando manter as suas raízes, Linda de Suza passou por contratempos pessoais que foram muito badaladas nos media: no ano de 2010, tornou públicas as suas dificuldades financeiras, acusando o companheiro de lhe roubar a identidade; nessa alturou, afirmou viver com dificuldades, ganhando apenas cerca de 400 euros por mês. No entanto, conseguiu voltar aos palcos atéfazer algumas digressões entre 2014 e 2017.

Em 2020, apresentou um novo projeto, "Postais de Portugal", com o qual preparava nova digressão que a pandemia de covid-19 obrigou a cancelar.

Nessa altura, em 2020, Linda de Suza tinha sido internada de urgência, com covid-19, tendo ficado com sequelas da doença. Entretanto, em setembro passado, a artista voltou a ser hospitalizada em estado grave, tendo a equipa médica, na altura, considerado que havia "escassas hipóteses de recuperação". Linda morreu hoje com 74 anos. Estava internada em Gisors, França, com diagnóstico de insuficiência respiratória, provocada por Covid 19.  

Fontes:

https://pt.euronews.com/2022/12/28/linda-de-suza-morre-aos-74-anos-o-duro-percurso-da-mala-de-cartao

https://www.rtp.pt/noticias/cultura/aos-74-anos-morreu-linda-de-suza_n1456381

19/12/2022

Faleceu a cantora Claudisabel

A vida termina num sopro. Depois de uma tarde animada, a trabalhar em Castanheira de Pera, Cláudia entra no carro e segue em direção ao Algarve. A viagem termina abruptamente na zona de Alcácer, onde em plena A2 é abalroada por outra viatura, quando, aparentemente, estaria parada na berma, após sinalizar a viatura e regressar ao seu interior. 

Não sabemos o que se terá passado, mas a vida desta cantora de apenas 40 anos, foi-lhe roubada num segundo. Parada no local errado, à hora errada.

Cláudia nasceu em Faro em 1982 e a sua carreira como artista começou em 1995 com apenas 13 anos, com o seu primeiro álbum, "Dizias Tu, Pensava Eu". Em 1998 lançou o disco "Pensei Com o Coração", e no mesmo ano a artista participou na coletânea "De mãos dadas". Foi no ano de 1999 que obteve o seu maior sucesso apresentando o tema "Preciso de um Herói".

Já em 2001 lança o seu 4.º disco, de nome "Meu Sonho Azul", que voltou a ter mais um grande sucesso na sua carreira, com o tema "Não vou voltar a chorar". Em 2002, num outro formato a artista arrisca participar na segunda edição do Big Brother Famosos.

No ano de 2005 surgiu "Preto no Branco" e em 2009 a cantora voltou a surgir no mercado com o álbum "Quem és tu". Em 2010 participou no Festival RTP da canção, pelas mãos de produção do compositor Jordi Cubino, com o tema "Contra Tudo e Todos", tendo passado até às semifinais.

Claudisabel tinha sido vítima de um aparatoso e grave acidente de viação em 2019, quando uma viatura não respeitou um sinal vermelho. Deste resultaram consequências graves, tendo ficado com uma lesão na coluna que lhe provocou duas hérnias e uma compressão cervical que lhe tornava difíceis alguns movimentos. Ficou ainda com uma lesão na vista, uma perda de visão significativa e uma pressão ocular muito elevada. Regressa aos discos em 2020, com uma abordagem diferente, um estilo musical totalmente renovado e uma imagem marcante, com o seu single "Condenada".

Nestes momentos tão duros, não podem haver palavras que confortem a família e os amigos - e ela parecia ter tantos a gostar dela, como se vê agora nas redes sociais. Cada dia é uma dádiva que nos pode ser retirada a qualquer momento e somos um grão de areia neste universo.


Fontes:

https://www.dn.pt/cultura/cantora-claudisabel-morre-em-acidente-na-a2-tinha-40-anos-15513455.html

03/09/2021

Faleceu Igor Sampaio

Perdeu-se hoje mais um grande ator. Igor Sampaio, nome artístico de João Luís Duarte Ferreira, nasceu em Ponta Delgada, a 29 de dezembro de 1944, faleceu hoje no Hospital de S. José, em Lisboa, onde estava internado desde 31 de agosto, vitima de um AVC. Tinha 76 anos. Foi também cenógrafo, figurinista e pintor,

Começou então por trabalhar como assistente de cenografia no Teatro Monumental, sob a direção de Pinto de Campos. Estreou-se profissionalmente em 1967. "A cabeça do Baptista", "Laço de sangue", "Sacrilégio", foram algumas das peças que representou na Casa da Comédia, entre 1970 e 1971, tendo, também assinado os figurinos e cenários. Já depois do 25 de Abril de 1974 e até 1979, Igor Sampaio integrou elencos de teatro de revista em peças como "Até parece mentira", "O bombo da Festa", "E tudo S. Bento levou" e "Rei capitão soldado ladrão".

Entre 1979 e 2001 fez parte do elenco do Teatro Nacional D. Maria II, onde entrou em peças como "As Três Irmãs", "O Judeu", "As Fúrias", "Rei Lear", entre outras. Do currículo do ator constam ainda trabalhos com o Novo Grupo/Teatro Aberto, nos anos 1980, e, no Teatro da Trindade, já depois de 2000, em espetáculos como "A desobediência", "O dia das mentiras" ou "Os Maias no Trindade".

Nos últimos anos, trabalhava como ator no teatro A Comuna, em Lisboa. "As artimanhas de Scapin" (2020), "Os apontamentos de Trigorin" (2018) e "Play Strindberg" contam-se entre as peças da companhia dirigida por João Mota em que Igor Sampaio subiu ao palco nos últimos anos.  

Sobre o ator podemos dizer que frequentou o curso de atores do Conservatório Nacional, fez teatro de revista no Teatro Maria Vitória e fez parte do elenco fixo do Teatro Nacional D. Maria II. Igor Sampaio foi um ator transversal, tendo feito parte do grupo de bailados "Verde Gaio" e tinha presença regular em televisão, nomeadamente em telenovelas e séries. Conta ainda com uma longa carreira em telenovelas e séries televisivas, dos quais se destaca para a RTP "Mau tempo no canal", "A banqueira do povo", "A mulher do sr. ministro", "Vidas de Sal", "Ballet Rose", "O processo dos Távoras" e "Lusitana Paixão", "Velhos amigos", "A ferreirinha" e "Pai à força", entre 1970 e 2010.

Já na TVI participou em "Equador", "Morangos com açúcar", "Super pai", "Bons vizinhos", "Tudo por amor".  Enquanto que para a SIC integrou os elencos de "Laços de sangue", "Perfeito coração" ou "A Família Mata".

Atualmente, integrava o elenco da telenovela "Mulheres", ainda em exibição na TVI.

Fontes:

https://www.dn.pt/cultura/morreu-igor-sampaio-ator-de-pai-a-forca-e-morangos-com-acucar-14087001.html

https://www.tsf.pt/portugal/sociedade/funeral-do-ator-igor-sampaio-realiza-se-no-domingo-no-cemiterio-dos-prazeres-14089554.html

15/04/2021

Faleceu o cantor Artur Garcia

Artur Garcia, morreu esta quarta feira, na véspera de completar 84 anos. Poucos se lembram deste cantor que cedo deixou - ou foi afastado - da vida pública de cantor, mas que teve uma vida completamente dedicada à música e ao entretenimento. Faleceu quase a completar os 84 anos, após um período de doença e de um AVC que o deixa dependente. Estaria muito debilitado e a residir numa residência de Cuidados Continuados em Cascais.

Como outros grandes nomes da canção da sua geração, Artur Garcia frequentou o Centro de Preparação de Artistas da então Emissora Nacional.  Além de programas como “Gente Nova ao Microfone” e “Serões para Trabalhadores”, participou em "Andam canções no ar", em "Melodias de Sempre" onde fazia duetos com vozes tão conhecidas como Simone de Oliveira, Fernanda Soares, Madalena Iglésias e Maria de Lourdes Resende.

Artur Garcia participou em várias edições do festival da canção, nomeadamente nas duas primeiras, em 1964 e 1965. Em 1967, interpretou “Porta Secreta”, uma canção composta pelo autor de “Ele e Ela”, Carlos Canelhas, com a qual atingiu o 5.º lugar, a sua melhor posição neste festival e que se revelou um dos maiores êxitos da sua carreira. Eu gostava especial deste "Como o Tempo Passa."

A última vez que representou o seu país na Eurovisão foi em 1974, com “Dona e Senhora da Boina”. Este foi um Festival da Canção muito particular, dele viria a sair a primeira senha para o arranque do Movimento das Forças Armadas que viria a devolver a liberdade e a democracia aos portugueses. Este Festival realizou-se a 7 de março no Teatro Maria Matos em Lisboa e teve apresentação de Artur Agostinho e de Glória de Matos.

Foi também ator em diversas peças e filmes e em algumas produções da RTP. De 1978 a 1998, com menos atividade nos palcos, foi proprietário de uma loja de discos, em Lisboa. Em 1977 fez com Amália Rodrigues uma digressão aos Estados Unidos.

Foi homenageado em 2005 pela Câmara Municipal de Lisboa, aquando dos 50 anos da sua carreira. Em 2015, participou no espetáculo “Scarllaty – 40 Anos, A Vida à sua Maneira”, dedicado a Guida Scarllaty, a personagem criada por Carlos Alberto Ferreira, pioneiro do transformismo em Portugal.


Fontes:

https://www.dn.pt/cultura/morreu-o-cantor-artur-garcia-13571211.html

https://www.jn.pt/artes/morreu-cantor-artur-garcia-nome-da-musica-ligeira-portuguesa-da-decada-de-60-13571252.html

https://festivaiscancao.wordpress.com/2018/08/09/artur-garcia-no-xi-grande-premio-tv-da-cancao-portuguesa-1974/

https://youtu.be/Ow9JOPf1nQs

 

03/02/2021

Adelaide João

Um surto de covid 19, na "Casa do artista" levou dos palcos a querida Adelaide João. Uma vida cheia de muitas outras vidas, as das personagens a que foi dando corpo ao longo de toda uma carreira.


Maria da Glória Pereira Silva, de nome artístico Adelaide João, nasceu em Lisboa em 27 de julho de 1921 e começou como atriz amadora no grupo de teatro da Philips.


A atriz iniciou-se pela mão do pai do ator Morais e Castro e foi buscar o nome profissional aos dois primeiros nomes da mãe e do pai.


Estudou no Conservatório Nacional e, em 1961, partiu para Paris para estudar teatro, com uma bolsa de estudo, tendo trabalhado com várias companhias francesas (obteve a carteira de atriz profissional em França). Chegou a ser dirigida por Ingrid Bergman.


Adelaide, integrou o elenco de "A intrusa", do dramaturgo belga Maurice Maeterlinck. Participou em "A Castro", de António Ferreira, em 1961, e em "Eva e Madalena", de Ângelo César, em 1962.


Em 1961, representou "O consultório", de Augusto Sobral, no Teatro Nacional D. Maria II, e, um ano depois, "A rapariga do bar", dirigida por Couto Viana, no Teatro da Trindade pela Companhia Nacional de Teatro.


Em 1965, Adelaide João, volta de vez a Portugal, voltando também para a televisão e integrando a Companhia do Teatro Estúdio de Lisboa, dirigida por Helena Félix e Luzia Maria Martins.


Nos anos seguintes, integrou companhias como o Teatro Experimental de Cascais, Teatro Maria Matos, Casa da Comédia, Empresa Vasco Morgado ou O Bando, de que era cooperante.


No teatro O Bando fez parte do elenco de peças como "Ensaio sobre a cegueira", de José Saramago, e "Os anjos", de Teolinda Gersão, entre outras.


O seu trabalho na televisão repartiu-se por séries, telenovelas, telefilmes e teatro televisivo.


Participou também nas peças "O fidalgo aprendiz", de Francisco Manuel de Melo, "A sapateira prodigiosa", de Federico García Lorca, "A vida do grande D. Quixote", de António José da Silva, "Schweik na Segunda Guerra Mundial", de Brecht.


Integrou o elenco de telenovelas como "Vila Faia" (1982), "Origens" (1983), "Chuva na areia" (1985), "Palavras cruzadas" (1987), "Nunca digas adeus" (2001) e "Tudo por amor" (2002).


Em filmes, a atriz desempenhou papéis em "Os gatos não têm vertigens", de António-Pedro Vasconcelos, "A última dança", "A mulher que acreditava ser presidente dos Estados Unidos", de João Botelho, "Telefona-me" e "A estreia", de Frederico Corado, "O processo do rei" e "O fim do mundo", de João Mário Grilo, "Francisca", "manhã submersa" e "Amor de perdição", de Manoel de Oliveira.


O último trabalho de Adelaide João na televisão data de 2014 na série televisiva "The Coffee Shop Series", cuja primeira temporada foi transmitida na SIC Radical e, a segunda, na RTP 2.


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Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Adelaide_Jo%C3%A3o


https://mag.sapo.pt/tv/atualidade-tv/artigos/covid-19-morreu-a-atriz-adelaide-joao-aos-99-anos


 

31/01/2021

António Cordeiro

Faria todo o sentido falar deles em vida, os que nos deixam memórias. Nas últimas entrevistas que deu (por exemplo no programa Alta definição, na Sic) António Cordeiro manifestou o sentimento de abandono e o desejo de voltar a trabalhar, mesmo sofrendo de paralisia supranuclear progressiva, uma doença rara, degenerativa, que o estava a afetar de forma galopante e bem visível.


Estreou-se em 1987, na série "Duarte e Companhia" no papel de um psiquiatra. Tornou-se especialmente conhecido do grande público em 1991, quando protagonizou a série policial "Claxon" onde foi detetive.


A última novela em que participou foi em "Espelho de água" na Sic, em 2018, mas teve papéis também em "Coração de Ouro", "Mar salgado", "Laços de Sangue" e "Perfeito Coração" entre outras. Na "Ilha dos Amores" foi o Inspetor Resendes e no "Triângulo Jota" o detetive Anacleto. Também na 3ª série dos "Morangos com Açucar" o vimos representar.


No cinema, participou em filmes como "O processo do Rei" (1990), "Os Olhos da Asia" (1996)e mais recentemente em "Índice Médio de Felicidade" (2017) ano em que foi diagnosticado com paralisia supranuclear progressiva, doença rara e degenerativa que o foi privando da fala e dos movimentos até estar confinando a uma cama.


Morreu a 30 de janeiro de 2021, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, com apenas 61 anos.



Imagem: <a href="//pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Ant%C3%B3nio_Cordeiro.jpg" title="Conteúdo restrito">Conteúdo restrito</a>, <a href="https://pt.wikipedia.org/w/index.php?curid=6479335">Hiperligação</a>


 


Fontes:


https://www.dn.pt/cultura/morreu-o-ator-antonio-cordeiro-que-a-televisao-revelou-como-detetive-claxon-13297816.html


https://expresso.pt/cultura/2021-01-30-Morreu-o-ator-Antonio-Cordeiro


 

14/01/2021

Natália de Sousa

A atriz Natália de Sousa, deixou-nos ontem, com 73 anos.


Quem não recorda a participação de Natália de Sousa em o "Tal canal"?


Natália de Sousa ficou conhecida como uma das “coelhinhas” que acompanhavam a personagem "Tony Silva" (Herman José), contracenando com atores como Helena Isabel, Lídia Franco, Margarida Carpinteiro, Manuel Cavaco e Vítor de Sousa. Na televisão, teve outras participações também elas marcantes.


Participou em "Hermanias", e noutras produções de comédia como "Lá em Casa Tudo Bem", "As Aventuras do Camilo" e "Milionários à Força".


Foi presença regular em outras produções: "Nicolau no País das Maravilhas" (1975) e "Eu Show Nico" (1980), de Nicolau Breyner, e também em "Excursões Air Lino" (2018), com Rui Unas.


"Sabadabadu", E "O Resto São Cantigas", ambos de 1981, "Um Solar Alfacinha" (1990), "Não Há Duas Sem Três" (1998), "Médico de Família" (2000) e "As Taradas" (2003) são outras produções de espectáculo, comédia e ficção, que tornaram o rosto de Natália de Sousa conhecido por quase todos nós.


A actriz, no entanto, também fez papéis dramáticos, como em "O Homem que Matou o Diabo", série da RTP sobre o romance de Aquilino Ribeiro, 1979, "Antígona" de Jean Anouilh, filmada para a televisão pública em 1984, e "Ricardina e Marta" em 1990, novela baseada nos romances de Camilo Castelo Branco.


No teatro, foi co-fundadora companhia Ádóque - Cooperativa de Trabalhadores de Teatro, que construiu o seu próprio palco, no largo do Martim Moniz, em Lisboa, após o 25 de Abril. Entrou na revista inicial, "Pides na Grelha", em 1974, e na produção seguinte, a "CIA dos Cardeais", de 1975. Com esta companhia destacam-se igualmente os seus trabalhos em "A paródia" e "Ó da guarda!", em 1977, "Chiça! Este é o bom governo de Portugal" e "Paga as favas", de 1980 e 1981, respetivamente, depois ter atuado em "A Batalha do Colchão", que esteve em cena em 1977, no Teatro Capitólio.


No ano de 1978, fez parte do elenco de "Aldeia da Roupa Suja",  de Vasco Morgado, no Teatro Variedades, Parque Mayer. No início dos anos 80, entrou na revista "Não Há Nada Pra Ninguém", do Teatro Maria Vitória, e depois em "Sem Rei Nem Rock".


Em 1983, entrou no musical "Annie", no Teatro Maria Matos, onde contracenou com Manuela Maria e Canto e Castro, entre outros conhecidos atores.


Participou ainda em várias comédias, até meados da década de 1990, entre as quais "Coronel em Dois Actos", de Jean-Jaques Bricaire e Maurice Lasaygues, adaptada aos palcos portugueses por Francisco Nicholson, com Alina Vaz e Camilo de Oliveira, no Teatro Variedades.


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Fontes:


https://www.flash.pt/celebridades/nacional/detalhe/morreu-a-atriz-natalia-de-sousa-aos-73-anos-de-idade


https://www.movenoticias.com/2021/01/morreu-a-atriz-natalia-de-sousa/


 

07/08/2020

Fernanda Lapa

Fernanda Lapa, atriz e encenadora portuguesa, deixou-nos ontem com 77 anos.


Nascida na Junqueira, em Lisboa, em maio de 1943, fez os seus estudos no Colégio de Santa Maria de Belém.  Em 1962 passou pelo Teatro dos Alunos Universitários de Lisboa (TAUL), integrando no ano seguinte o núcleo fundador da "Casa da Comédia", companhia de vanguarda na década de 60 em Portugal, ao lado de Fernando Amado, Maria do Céu Guerra, Manuela de Freitas, Norberto Barroca e outros jovens artistas.


Foi na "Casa da Comédia" que se estreou como atriz na peça de Almada Negreiros "Deseja-se Mulher", em 1963. E foi com essa mesma peça que se estreou como encenadora, também na "Casa da Comédia", em 1972, dirigindo a sua irmã São José Lapa.


Ao longo de quase 60 anos de vida profissional, Fernanda Lapa tornou-se uma figura de referência pela visão inovadora que trouxe para o teatro. Influenciou gerações de artistas e manteve uma atividade cívica constante na defesa de direitos das mulheres e na reivindicação de condições de trabalho para os criadores portugueses. No auge da sua luta, fundou a "Escola das Mulheres", em 1995 com Isabel Medina, Cucha Carvalheiro, Cristina Carvalhal, Aida Soutullo, Conceição Cabrita e Marta Lapa.


Do seu percurso conta-se o curso de assistente social no Instituto Superior de Serviço Social eo trabalho que desempenhou durante uma década na reabilitação de cegos na Fundação Sain.


Em 1979 conseguiu uma bolsa da Secretaria de Estado da Cultura, que a levou para Varsóvia, a fim de frequentar a Escola Superior de Encenação. Nesta escola diplomou-se em Encenação, realizando em seguida estágios no Teatro Laboratório de Grotowski, no Teatro Contemporâneo de Wroclaw e no Teatro Stary de Cracóvia.


Encenou espetáculos de teatro, teatro-dança e ópera. Desenvolveu também outras atividades pedagógicas na área do teatro e do cinema, ao mesmo tempo que se destacava como atriz em teatro, televisão e cinema.


Foi nomeada para os 'Sete de Ouro' em 1984, 1990 e 1991. No ano de 1992, ganhou o prémio de melhor encenação e o Prémio de Crítica para a Encenação com "Medeia é Bom Rapaz". Em 1996, foi nomeada para os Globos de Ouro e recebeu o prémio SIC na modalidade de Teatro. Em 1999, recebeu o prémio especial "Procópio" e em 2005 ganhou o Globo de Ouro de Melhor Espetáculo com "A Mais Velha Profissão" e a Medalha de Ouro de Mérito cultural.


A atriz e encenadora continuava no ativo e coordenava até agora as comemorações do centenário do nascimento do escritor e dramaturgo Bernardo Santareno, que se assinala em 2020 e de quem a Escola de Mulheres vai levar a cena, previsivelmente em novembro, a obra "O Punho", com versão cénica da própria Fernanda Lapa.


Foi professora e diretora do conselho do departamento de artes cénicas da Universidade de Évora até agosto de 2012, e de onde se reformou. Também deu aulas na Escola Profissional de Teatro de Cascais e na Universidade Intergeracional (UNIESTE).


Fez diversas participações em televisão, das quais destaco a série da RTP "Pós de bem-querer" (1992), a telenovela "Filhos do Vento" em 1997, "O Processo dos Távoras" (escrita por Francisco Moita Flores, 2001) e onde também entraram Henrique Viana, João d’Ávila, Júlio Cardoso, Lia Gama, Canto e Castro e João Lagarto, a telenovela "Lusitana Paixão" na RTP em (2003) e na telenovela da TVI "Doce Fugitiva", em 2006, e em 2016 participou na "Impostora" na TVI.


Em janeiro deste ano, estreou a sua última criação, no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa: a peça Sem Flores Nem Coroas, de Orlando Costa (pai do atual primeiro-ministro, António Costa, e amigo de longa data de Fernanda Lapa).


A atriz estaria agora gravar "Amar demais". O elenco perdeu também Pedro Lima, em Junho deste ano.


 


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernanda_Lapa


https://www.jn.pt/artes/morreu-a-atriz-e-encenadora-fernanda-lapa-12500433.html


 


 

15/09/2019

Roberto Leal

O jovem loiro que saiu de Macedo de Cavaleiros e conquistou o mundo com a sua voz e a sua alegria, partiu hoje, depois de nos deixar um legado de músicas que perpetuarão a sua memória.


Dele lembro-me de ter os discos da minha avó a tocar lá em casa e de o ver na televisão quando vinha atuar a Portugal, em programas como o Big Show Sic. Em casa, a minha mãe ouvia-o em cassetes ou nos discos pedidos da rádio Santiago.


Roberto Leal, nome artístico de António Joaquim Fernandes, filho de Avelino Augusto Fernandes e de Maria Julia Patricio, nasceu na freguesia de Vale da Porca, Macedo de Cavaleiros, a 27 de novembro de 1951e com a sua música e presença artística uniu dois povos.


Cantor, compositor e ator português radicado no Brasil, era considerado embaixador da cultura portuguesa no Brasil. Ao longo da carreira de mais de 45 anos, ganhou trinta discos de ouro, além de cinco de platina e quinhentos troféus.


Teve uma infância pobre e declarou que comeu apenas batatas por um ano, após a colheita de trigo da família ter sido destruída por uma trovoada. Em 1962, emigrou com os pais e com os nove irmãos para o Brasil, com o objetivo de ter uma vida melhor,  Na cidade de São Paulo, após trabalhar como sapateiro e comerciante de doces,começou a carreira de cantor de fados e músicas românticas.


Em 1971 obteve o seu primeiro grande sucesso com "Arrebita", conhecida pelo seu refrão "Ai cachopa, se tu queres ser bonita, arrebita, arrebita, arrebita", após aparição no programa Discoteca do Chacrinha. Logo depois, começou a ganhar grande popularidade, sendo convidado para vários programas no Brasil. Os álbuns Carimbó Português (1976) e Rock Vira (1977) ganharam mbos o disco de ouro, por mais de 150 mil cópias vendidas cada um.


Em 1978, participou do filme Milagre - O Poder da Fé, que contou com participação especial de alguns nomes importantes como o apresentador Chacrinha, Elke Maravilha e a atriz Lolita Rodrigues. Lançado em 1979, o filme que abordava a história da sua vida e foi dirigido por Hércules Breseghelo, foi filmado em parte na sua terra natal.


Além do reportório romântico-popular, o seu trabalho também se caraterizava por misturar ritmos lusitanos aos brasileiros, além de ter gravado em estilos tipicamente brasileiros como o forró. Quase todo o seu reportório é composto por faixas da sua autoria ou em parceria com a esposa Márcia Lúcia, com quem foi casado e tinha três filhos entre os quais, o cantor e produtor musical Rodrigo Leal.


Além de cantor e compositor, Roberto Leal foi apresentador de programas na Rádio Capital de São Paulo na década de 1980, apresentador no canal português TVI e no Brasil e também apresentou programas na TV Gazeta e Rede Vida.


Em 2007, gravou o CD Canto da Terra, e em 2009, Raízes. Nesses discos gravou músicas em mirandês para divulgar a segunda língua oficial de Portugal, e onde usou vários instrumentos tradicionais como por exemplo a Gaita de Foles.


Em 2011 participou do elenco no programa Último a Sair, um falso reality show da autoria de Bruno Nogueira, João Quadros e Frederico Pombares, exibido pela RTP1, do qual saiu vencedor. Nesse mesmo ano publicou uma autobiografia, intitulada Minhas Montanhas, que foi lançada tanto no Brasil como em Portugal.


Em 2018 candidatou-se a deputado estadual por São Paulo pelo Partido Trabalhista Brasileiro, mas não foi eleito.


Em janeiro de 2019, Roberto Leal revelou lutar havia dois anos contra um melanoma, mas sofreu com metástases nos olhos e na coluna, e que por conta disto havia perdido parte da visão, também devido a cataratas. A sua morte decorreu de um internamento após ter feito uma reação alérgica a um medicamento e que lhe provocou insuficiência renal.


 


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Leal


https://observador.pt/2019/09/15/morreu-o-cantor-roberto-leal/


 

07/08/2019

Rui Rechena, a perda dos Amor Eletro

Rui Rechena nasceu em 1966.


Rex, como era conhecido, era um dos elementos fundadores da banda Amor Electro (2010), e o baixista. Homenageado pelo grupo, Rui Rechena estava internado no hospital desde junho, vindo a falecer hoje, com apenas 53 anos e deixando 4 filhos.


Além de Amor Electro, participou noutros projetos musicais, sendo um importante nome do panorama cultural contemporâneo, pelo seu papel na afirmação de uma geração de artistas que encontrou na tradição da música portuguesa raízes para um novo caminho de modernidade e renovação da produção nacional. É uma grande perda no panorama musical português, com muito ainda para dar e no auge de uma carreira de sucesso. 


 


Fontes:


https://www.novagente.pt/morreu-baixista-dos-amor-electro-rui-rechena-tinha-53-anoshttps://www.sabado.pt/ultima-hora/detalhe/funeral-de-rui-rechena-realiza-se-sexta-feira


 

07/02/2019

Faleceu a atriz Cremilda Gil

Faleceu a atriz Cremilda Gil. a atriz de 91 anos, que vivia há muitos anos na aldeia de Malarranha, concelho de Mora, no Alentejo, nasceu nas Caldas da Rainha, a 23 de fevereiro de 1927. A sua ligação ao teatro começou como atriz no Conjunto Cénico Caldense, nas Caldas da Rainha. Estreou-se como atriz profissional em 1959, no Teatro Nacional D. Maria II na peça "Diálogos das Carmelitas".

Em 1961, estreia-se no cinema com o filme "Raça", de Augusto Fraga. Passa por várias companhias teatrais como o Teatro Estúdio de Lisboa ou Teatro Ádóque. Na televisão fez teleteatro; séries; telefilmes e telenovelas. Participou na primeira telenovela portuguesa Vila Faia, mas entraria também em Retalhos da vida de um médico, Sabadabadu, Vila Faia, Origens, A relíquia, A morgadinha dos canaviais, O Mandarim, Cinzas, As Aventuras do Camilo, A Lenda da Garça e Inspector Max.

No teatro, atuou em Madame Sans-Gêne no D. Maria II, Sinhá Eufémia e António Marinheiro, no Teatro Villaret, Pimpinela, no Monumental, em Lisboa, mais recentemente, no Teatro da Terra em A casa de Bernarda Alba e A maluquinha de Arroios.

No cinema foi dirigida por António Macedo, em Domingo à tarde, por João Botelho em Um adeus português e Aqui na Terra e por Manoel de Oliveira em A divina comédia. Em Cruz de Ferro (1967), um dos últimos trabalhos do realizador Jorge Brum do Canto, contracenou com Octávio Matos (do qual infelizmente também dei conta aqui da morte ainda há poucos dias).

 Ao longo da sua carreira fez vários trabalhos em cinema e televisão, entre eles as famosas novelas da TVI Todo o Tempo do Mundo, em 1999, Olhos de Água, em 2001, e a série Inspetor Max, em 2005. Participou também em Entre as mulheres, um telefilme de 2012, foi o seu último trabalho em televisão.


Fontes:

https://www.dn.pt/cultura/morreu-a-atriz-cremilda-gil-10554686.html

https://www.publico.pt/2019/02/08/culturaipsilon/noticia/morreu-actriz-cremilda-gil-91-anos-1861261

https://www.delas.pt/morreu-a-atriz-cremilda-gil/atualidade/544354/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cremilda_Gil

03/02/2019

Octávio Matos



Octávio Matos, o homem que dizia ter pena de se ir embora, deixou-nos com 79 anos. O ator foi encontrado sem vida em sua casa, desconhecendo-se ainda as causas de morte. Ficou conhecido do grande público por séries como "Nico D'Obra".


Foi um dos mais famosos atores de revista da sua geração, tendo também atingido sucesso em diversos programas de humor na televisão.


Octávio Rogério da Costa Matos nasceu no Porto, a 5 de abril de 1939, no seio de uma família ligada ao teatro. Octávio Matos pisou pela primeira vez um palco, com 4 anos, onde fazia ilusionismo, ao lado do pai (considerado um dos melhores ilusionistas do mundo). Em teatro, Octávio Matos estreou-se nos palcos aos 17 anos, também ao lado do pai em Abril de 1956, no Teatro Nacional de Luanda, em África, no registo de comédia.


Do ABC ao Maria Vitória, o seu nome fica associado a uma série de marcos na história da Revista à Portuguesa. Remonta a 1965, a sua estreia no cinema, com “O Parque das Ilusões”, de Perdigão Queiroga, e se a relação com a sétima arte não ficaria por aqui, é através da televisão que reforça o seu vínculo com o grande público, quase sempre através do registo cómico.


Na RTP, Octávio Matos começou por fazer Teleteatro. Entre várias peças, protagonizou “Uma Bomba Chamada Etelvina”, em 1988. Mas muito antes disso, na década de 70, já tinha entrado no “Álbum da Feira”, onde o vemos a contracenar com Ivone Silva. Foi a Londres ver a peça "Sexo nunca, somo britânicos", para depois a executar de forma brilhante em Portugal.


No cinema, Octávio Matos fez um brilharete com o filme “Cruz de Ferro”, onde ganhou todos os prémios que havia para ganhar. Depois disso e apesar de todos os prémios, ficou sete anos sem filmar.


Em 2000, protagoniza, juntamente com Guilherme Leite e Carlos Areia, a série cómica “Bacalhau com Todos” e participa na série “Camilo, o Pendura” (2002). 


Também para a RTP, Octávio Matos entrou nas telenovelas “Primeiro Amor” (1996), “Terra Mãe” (1998) e “Ajuste de Contas” (2000).


O ator recebeu a medalha de mérito, em 2007, pela Câmara Municipal de Lisboa, e deixa, na memória de todos os portugueses, uma carreira notável, que passou pelos palcos do teatro e pelos três canais generalistas. 


O curriculum inclui também outras séries como “Eu Show Nico”, “Nico D’Obra”, “Nós os Ricos”, "Os Batanetes" e “O Prédio do Vasco”.


Em 2016, emprestava a sua voz a uma das personagens de “O Panda do Kung Fu 3”. Estreou o espetáculo "Quem é o Jeremias?" no teatro Vilarett, uma comédia escrita e encenada por Isabel da Mata (substituída depois por Paula Marcelo).


Fontes:


https://observador.pt/2019/02/03/morreu-o-ator-octavio-de-matos/


https://media.rtp.pt/agoranos/artigos/recordar-carreira-octavio-matos


 



03/11/2018

Faleceu a intérprete Maria Guinot

A intérprete de "Silêncio e tanta gente", que num espectáculo apresentado por Fialho Gouveia e Manuela Moura Guedes, se sentou ao piano e surpreendeu os portugueses pela qualidade do seu trabalho, no festival da canção de 1984, faleceu vítima de infeção respiratória com 73 anos. O velório de Maria Guinot realiza-se este domingo, a partir das 16h, na Igreja da Parede. O funeral realiza-se na segunda-feira, no cemitério de Barcarena.

Maria Guinot, de seu verdadeiro nome Maria Adelaide Fernandes Guinot Moreno, nasceu em Lisboa a 20 de Junho de 1945 e foi viver com a família para o Barreiro.

Aos 4 anos de idade começou a aprender piano. Depois de terminar  o curso no Conservatório conseguiu ingressar no Coro Gulbenkian. Iniciou a sua carreira no mundo do espetáculo no final da década de 1960, com um programa de rádio, que acabou por conduzir à gravação do seu single de estreia, lançando ainda um segundo single com o título "Criança Loura" (1968) mas foi a sua participação em dois festivais da canção que a tiraram do anonimato.

Permanece afastada da música durante vários anos, até à década de 1980, quando ficou em 3.º lugar no Festival RTP da Canção de 1981, com o tema "Um Adeus, Um Recomeço". Participa no Festival da Canção da Rádio Comercial com os temas "Falar Só Por Falar", "Vai Longe o Tempo" e "Um Viver Diferente". No mesmo ano lançado o single "Falar Só Por Falar". 

Em 1984 volta ao Festival RTP da Canção com "Silêncio e Tanta Gente" e fica em primeiro lugar, com letra e música assinada pela própria. A noite que haveria de levar Maria Guinot para os palco internacional da Eurovisão foi, no mínimo, peculiar. No dia 7 de março de 1984, os finalistas do Festival da Canção subiram ao palco para interpretar os seus temas sem a habitual orquestra. Um diferendo entre a RTP e o Sindicato dos Músicos ditou que a edição daquele ano iria avançar sem a colaboração dos músicos. Todos os concorrentes foram, assim, obrigados a recorrer ao playback.

Todos menos uma: Maria Guinot. A cantora fez saber à organização que precisava apenas de um piano. Ela própria iria tocar e cantar. E assim foi. Acabou por vencer e por garantir um lugar na Eurovisão.

O Diário de Lisboa anunciou a sua vitória na capa do jornal com o título: “Festival guinou para melhor”. Na edição do dia seguinte – 8 de março de 1984 – escreveu então uma crónica com o título, “Uma canção certa num festival errado”, o regional descrevia a vitória da cantora como sendo o único ponto positivo de uma noite que ficaria marcada pelo desaguisado entre a televisão pública e os músicos.  Representa Portugal na Eurovisão, mas apesar da excelente recepção a canção não foi além do 11º lugar. Em 1984 vence com "Silêncio e Tanta Gente."

O tema "Homenagem às Mães da Praça de Maio" é incluído no duplo álbum Cem Anos de Maio, editado pela CGTP em 1986.

No programa "Deixem Passar a Música", gravado para a RTP, Maria Guinot foi acompanhado pela orquestra dirigida por José Mário Branco nas canções "Atlântida", "Balada das Meias Palavras", "Ai Quem Me Dera", "O Baile das Segundas-feiras", "Feiras das Existências" e "A Bela Adormecida". Em play-back apresentou "As Mães da Praça de Maio" e "Saudação a José Afonso" (canção recusada pelo júri do Festival RTP da Canção de 1986, ainda com o nome de "A Título Póstumo").

Em 1987 foi editado o álbum "Esta Palavra Mulher", uma edição de autor. Participa no Festival da Canção desse ano ao assinar a letra de "Imaginem Só", interpretada por Ana Alves.

Em 1990, colabora no disco "Correspondências", de José Mário Branco.

Em 1991 é editado pela UPAV o álbum "Maria Guinot", com produção de José Mário Branco. Participam neste disco José Marinho (piano, teclados), Irene Lima (violoncelo) Luís Oliveira (viola acústica) Tony Rato (baixo eléctrico) Carlos Bica (contrabaixo) Ricardo Ramalho (flauta) Edgar Caramelo (saxofone tenor) João Nuno Represas (percussões) Fernando Ribeiro (acordeão) Maria Guinot (piano) e Artur Moreira (clarinete).

Em 1999 é editado pelo Ediclube o livro "Histórias do Fado" de Maria Guinot, Ruben de Carvalho e José Manuel Osório, sob o tema de "Um século de Fado".

Em 2004, Maria Guinot lança o livro "Memórias de um Espermatozóide Irrequieto", que inclui também um CD com 13 inéditos, de nome "Tudo Passa".

Maria Guinot cede um tema para o disco "Um mar de sons", comemorativo da 100ª edição do roteiro cultural de Oeiras, com nove músicas cantadas ou tocadas por gentes de Oeiras, numa mistura de sons e estilos. Outros nomes que participaram no disco incluem o Coro de Santo Amaro de Oeiras, Fade Out, Pedro Osório, Cramol, Desso Blues Gang, Pedro Carneiro, Flushot e o Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras.

Em 2010, depois de ter sofrido três AVC's deixa de tocar piano. Sobre ela, Júlio Isidro, apresentador, lamenta ao Observador o facto de a artista ”nunca ter tido o reconhecimento popular que merecia”, apesar de ter sido “reconhecida pelos seus pares”. Por isso, “isto é um adeus mas pode ser também um recomeço” para a cantora e a sua obra. “Tenho já saudades de Maria Guinot. Na verdade, já as tinha, porque ela acabou muito antes de ter desaparecido hoje”, concluiu.

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Guinot

https://www.dn.pt/cultura/morreu-a-cantora-maria-guinot-10127165.html

https://observador.pt/2018/11/03/morreu-maria-guinot-a-cantora-de-silencio-e-tanta-gente-que-representou-portugal-na-eurovisao-em-1984/

https://youtu.be/aqOGScSUXL0


 

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Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...