30/03/2026
A ilha de Kharg - porquê esse interesse agora?
20/03/2026
A extensão de uma guerra que só ia durar uns dias
Donald Trump dizia que a guerra ia durar pouco. Talvez estivesse a comparar o Irão à Venezuela. Um regime como este não cai assim. Parece uma forte árvore que quanto mais é podada, mas forte cresce, estendendo os seus ramos até onde consegue, usando-os para asfixiar o seu povo e quem quer que lhe mostre oposição. Trump, entretanto chamou "cobardes" aos países aliados da NATO, perante a tomada de posição destes em não apoiarem diretamente os EUA nesta fase do conflito.
Sobre isto, ouvia hoje o podcast de Maria João Simões na rádio Observador e em que intervinha o major-general Arnaut Moreira, que explicava um pouco da posição dos países europeus e da própria NATO. A defesa apresentada pelos países europeus para não cederem ao pedido de ajuda de Donald Trump foi a falta de consulta prévia e a falta de informações sobre as operações militares a decorrer, Como nos explicava Arnaut Moreira, os navios europeus fariam escolta e os meios aéreos norte-americanos dariam apoio, mas isso não foi aceite pelos líderes europeus. E ainda bem. A própria NATO, como também o Major-general explicou, estaria assim diretamente envolvida num combate fora da sua área de intervenção, sendo que embora isso já tenha acontecido no passado, a questão é que nenhum país da NATO foi atacado e que, quem iniciou o conflito foram, na realidade, os EUA e Israel.
E a cada dia que passa, a situação vai piorando. Não apenas no Médio Oriente, mas também na própria Europa. O ministro dos negócios estrangeiros iraniano veio já acusar o Reino Unido de ser cúmplice dos EUA por permitir o uso das suas bases militares. Na Turquia, a defesa aérea da NATO, interceptou já dois mísseis disparados do Irão. O governo turco interpreta estes ataques como uma tentativa de provocar a entrada da Turquia na guerra, mas afirma que não tem intenções de ceder, reforçando ainda que os ataques contra o Irão devem cessar.
A própria Polónia (membro da NATO desde 1999) veio já retirar as suas tropas da zona do Iraque, onde se encontravam desde 2016.
Khamenei, que "não é visto em público" desde a sua nomeação como sucessor do seu pai, o Ayatolla Ali Khamenei, morto nos primeiros dias deste conflito, já se pronunciou também sobre a morte do porta-voz da Guarda Nacional do Irão, declarando que os culpados não devem "viver em segurança". Além de Ali-Mohammad Naini, foi também "morto o ministro dos Serviços de Informações, Esmail Khatib." O atual porta voz do Irão, veio também ameaçar que "parques, áreas de lazer e destinos turísticos" podem ser alvos, deixando de ser seguros "para os inimigos de Teerão." O clima de medo é uma das formas de luta do regime iraniano, pois pode não atacar diretamente os EUA ou Israel, mas ataca todos os que venham a mostrar o seu apoio aos mesmos, ou que não se aliem ao próprio Irão.
Países como o Bahrein, o Kuwait e a Arábia Saudita, continuam a ser atacados com mísseis e drones iranianos. O Irão continua a atacar as "infraestruturas energéticas no Golfo," tendo atingido uma "refinaria saudita." No Qatar, foi atingida uma "instalação de gás natural liquefeito." Estes ataques a estruturas energéticas são uma forma de o Irão responder aos "ataques israelitas ao campo de gás de South Pars/North Dome."
No Bahrein, já foram interceptados desde o início da guerra a "28 de fevereiro," cerca de 139 mísseis e 238 drones" com origem no Irão. Destes, um resultou num "incêndio num armazém." No Kuwait, foi atacada as refinarias de Mina Abdullah e Mina Al-Ahmadi, tendo sido registados vários focos de "incêndio em algumas das suas unidades."
Por cá, fala-se de crise, mas ainda estamos bem. Os preços sobem, principalmente os combustíveis e os os fertilizantes, culpa dos bloqueios no Estreito de Ormuz. Apesar de o governo se dizer "sensível" ao aumento dos preços dos combustíveis, não há grandes alterações nem irá haver, pelo menos para já, uma imposição de um limite na subida dos preços. Apenas no que se refere ao gasóleo profissional, o governo irá introduzir durante os próximos 3 meses, "um mecanismo extraordinário" que visará as "empresas de passageiros e de mercadorias," (onde se incluem também os táxis e as corporações de bombeiros) e que se irá traduzir num "reembolso de 10 cêntimos por litro até 15 mil litros por veículo." A ministra do ambiente, Maria da Graça Carvalho, veio já anunciar que "estamos perto dos critérios" para que seja declarada uma crise energética, sendo que será necessária uma decisão do próprio conselho europeu para que se possam tomar realmente medidas nesse sentido.
Fontes:
https://sapo.pt/artigo/morreu-porta-voz-da-guarda-revolucionaria-iraniana-israel-lanca-nova-onda-de-ataques-no-coracao-de-teerao-69bd10db31c55356067a76de
https://www.noticiasaominuto.com/economia/2957918/do-gas-aos-combustiveis-passando-pelo-travao-aos-precos-o-que-vem-ai
https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2955757/turquia-teme-que-netanyahu-possa-estar-a-cometer-um-genocidio-no-libano?dicbo=v2-UBZF785
https://observador.pt/programas/o-dominio-da-guerra/o-irao-so-nao-atinge-a-europa-porque-nao-quer/
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/portugal-perto-dos-criterios-para-declarar-crise-energetica_e1727869
15/03/2026
A guerra parece longe, mas estamos a sentir o seu impacto
Esta é sempre a grande questão, não é?
As guerras estão lá longe e nós (aqueles que ainda se vão interessando pelo que vai acontecendo no mundo) acompanhamos pela televisão, ou seguimos uns podcasts onde se vai atualizando os conflitos e as frentes de guerra. Lembro-me bem daquele primeiro contato que tive com a guerra vista aqui deste lado. Anos 90 e eu em casa da minha avó. A emissão da RTP a prolongar-se noite dentro e de manhãzinha lá estava eu agarrada ao televisor a ver uns pontos brancos (ou seriam verdes?) a percorrer a noite. Era a invasão do Kuwait e confesso que ainda fui algumas vezes espreitar à janela para ver se avistava alguma daquelas estrelas cadentes. Tinha seis anos e aprendi que havia mais duas letras no alfabeto e terras com nomes esquisitos de que nunca tinha ouvido falar.
Naquele tempo, já se falava de que o Irão estava a "violar impunemente os princípios do direito internacional", palavras de Cavaco Silva em declarações ao país. Era a guerra do Golfo e o petróleo estava no centro de tudo.
Hoje só não está informado quem não quer, quem não se importa com o que se passa no mundo, ou quem prefere esconder a cabeça na areia e fingir que vive num mundo perfeito e florido. Estou fora desse grupo - acho que já perceberam isso. Hoje, as imagens de guerra já são tão frequentes, que não as estranhamos. Quase que nos habituámos a cenários de guerra, à visão da destruição e da morte e, enquanto estas apenas nos atingirem de longe, tudo nos parece "bem". Não nos temos de esconder dos ataques, não temos de ouvir o som das bombas a cair. A guerra parece longe. Mas não tão longe o suficiente que não nos preocupe.
O facto é que, embora tenhamos a noção de estarmos, de certa forma, seguros, as consequências acabam por nos atingir como ondas de choque que se vão repercutindo. Pertencemos à União Europeia, pertencemos à NATO, temos um pacto de não-agressão assinado com Espanha, enfim, nem sequer nos queremos muito meter em assuntos internacionais, para não ferir susceptibilidades, e temos como outros países europeus, uma base que pertence aos EUA. Ali é solo norte-americano.
E o que nos afeta? Por um lado, o uso da Base das Lages. Não sei quanto a vocês, mas ter aviões americanos pousados aqui tão perto, aflige-me um pouco. Nada contra os aviões, nem contra os militares americanos, a questão é estes serem um alvo mais facilmente atingível em território português do que em território norte-americano.
Por outro lado, temos a questão do Estreito de Ormuz, que o Irão bloqueou, interrompendo a passagem de petróleo de que muitos países dependem. Este bloqueio produz fortes danos na economia e desencadeia uma crise energética a nível global. Os preços dos combustíveis aumentaram ainda antes de se ter de ir comprar os ditos barris e aquilo que se espera é continuem a aumentar nas próximas semanas.
A grande questão é se a guerra no Médio Oriente é, realmente, a causa única para estes aumentos? É que temos de associar ao aumento do valor dos barris, que reflete o aumento do custo no seu transporte, o aumento do preço de outros produtos, como é o caso dos cereais e até dos fertilizantes.
Há quatro anos, a invasão da Ucrânia por parte da Rússia, trouxe-nos uma situação semelhante. Entretanto, a economia acabou por estabilizar, embora os preços não tenham regressado aos valores que tinham antes do conflito. Agora, com este bloqueio à passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, a inflação acaba por vir agravar a situação económica em que já nos encontrávamos.
Fontes:
11/04/2025
EUA: guerra de taxas e tarifas
Os EUA e a China entraram em guerra aberta, impondo elevados direitos aduaneiros. A situação tem vindo a escalar desde que o presidente Donald Trump começou a aplicar taxas a "quase todos os parceiros comerciais norte-americanos a um mínimo de 10%," assim como outras bastante "mais elevadas aos países que, segundo ele, têm excedentes comerciais com os EUA."
Uma das situações mais graves é a da China que "vai aumentar os direitos aduaneiros sobre todos os produtos americanos para 125% a partir de 12 de abril." Os EUA já atualizaram a taxa atual sobre os bens importados à China que se situa agora nos "145%." Donald Trump tem vindo a acusar os outros países de "roubar" os EUA. Esta tensão levou à queda do Yuan (moeda chinesa) que "desvalorizou para os níveis mais baixos desde 2007, face ao dólar norte-americano."
Foram também aplicadas taxas "de 47% sobre as importações de Madagáscar, 46% sobre o Vietname, 32% sobre Taiwan, 25% sobre a Coreia do Sul, 24% sobre o Japão e 20% sobre a União Europeia." Os economistas já vieram alertar "para o facto de as taxas aumentarem os preços dos bens que os consumidores compram todos os dias, especialmente porque as novas tarifas têm por base algumas das medidas comerciais anteriores."
Em relação à situação europeia, é preciso dizer que a situação pode ficar em suspenso até junho, uma vez que é suposto ainda haverem negociações entre representantes europeus e Trump. Inicialmente, foi feita uma proposta de 0%, mas a recusa de Trump levou os 27 países da União Europeia a aprovarem "as contramedidas europeias às tarifas de 20% que Donald Trump mandou aplicar a bens europeus." Além de afetar o aço e o alumínio, "a nova taxa de 25% deverá incidir sobre produtos como ovos, fio dentário, salsichas, carne de aves e diamantes que venham dos Estados Unidos da América para a Europa." No que nos toca aqui em Portugal, se estas taxas de 25% vierem mesmo a ser aplicadas, os preços irão subir. De reforçar que os "Estados Unidos são o 9.º principal país fornecedor de Portugal." Alguns desses produtos são a soja e o milho doce, os produtos de beleza e de maquilhagem, e alguns químicos usados na indústria farmacêutica.
Fontes:
06/11/2024
O que as eleições nos EUA nos dizem?
Trump é o vencedor das eleições americanas, "depois de ter vencido as eleições presidenciais norte-americanas à candidata democrata, Kamala Harris."
As eleições americanas são de facto bastante diferentes daquilo a que estamos acostumados a ver por cá. Desde logo, pela organização do Congresso (que poderíamos comparar ao nosso Parlamento) e que está "dividido entre Câmara dos Representantes (435 lugares), a câmara baixa do Congresso, e do Senado (100 lugares), definida como câmara alta do Congresso norte-americano."
Uma das caraterísticas a ter em conta é que não será votada a totalidade da câmara alta do Congresso - "composta por 100 senadores (dois por cada estado do país, independentemente do número de habitantes)" - mas sim "um terço, ou seja, 34 lugares," nos quais se incluem "os altos cargos do Governo e dos juízes do Supremo Tribunal Federal."
Trump, apresentou-se usando "a mesma retórica populista e anti-imigração que o fez conquistar, em 2015, o apoio da ala mais conservadora do Partido Republicano e atraiu antigos eleitores democratas desiludidos com a estagnação económica e um sistema político que sentiam ser injusto." E esta retórica fê-lo ganhar as eleições, conseguindo "pela primeira vez o voto popular numa eleição, algo que não conseguiu nem em 2016 contra Hillary Clinton nem em 2020 contra Biden."
A maior das suas apostas era o "controlo da imigração ilegal", definindo como prioridade "continuar a construção do muro na fronteira com o México e travar a entrada de pessoas não autorizadas." Além disso, prometeu que faria a maior deportação "em massa de imigrantes ilegais de sempre." E mesmo assim, os americanos acharam que este seria o caminho a seguir e deram-lhe o seu voto, tendo o candidato ganho o condado da Flórida onde existe uma graande comunidade hispânica.
Trump afirmou também que, caso "fosse eleito, colocaria um fim à guerra da Rússia contra a Ucrânia em 24 horas com um par de telefonemas." O que significariam esses "telefonemas" para nós, europeus e membros na NATO e da UE?
A tomada de posse será apenas em janeiro de 2025, mas as consequências já começam a ser visíveis, por exemplo na bolsa de valores, onde o euro começou a perder valor perante o dólar. Órban, presidente da Hungria, já veio felicitar e mostrar o seu apoio a Trump.
Kamala perde por vários motivos, mas um dos principais foi o descontentamento "de parte do eleitorado norte-americano face ao apoio incondicional dos Estados Unidos a Israel." Devido ao apoio demonstrado a Telavive, muitos ativistas garantiram que não irão dar o seu voto à democrata Kamala Harris, "direcionando o seu voto para candidatos independentes."
Esta demoonstração de insatisfação com o apoio dado a Israel "tem sido visível desde as eleições primárias, no início do ano, quando milhares de democratas decidiram votar em branco." No entanto, é Trump quem se tem mostrado um grande apoiante de Netanyahu.
Fontes:
08/07/2024
Franceses respiram de alívio, mas governo ainda é incerto
Depois dos resultados obtidos pela extrema direita nas últimas eleições europeias, Macron marcou eleições antecipadas e os franceses fizeram valer a sua vontade dando a vitória à esquerda. Nas eleições para o parlamento europeu, o Grupo Renew Europe, venceu em França com mais de 31% dos votos.
Neste domingo, os franceses apresentaram-se em força para a segunda volta, na qual estão em causa 501 mandatos, uma vez que da primeira volta ficaram já atribuídos 76 lugares na Assembleia Nacional.
Apurados os resultados, a "Nova Frente Popular (NFP), a coligação de partidos de esquerda, foi o bloco mais votado e terá uma bancada com mais de 180 deputados na Assembleia Nacional", enquanto que o partido que apoia Emmanuel Macron, o Juntos, coseguiu um segundo lugar "com pelo menos 166 deputados." Já a União Nacional, onde se aliam os apoiantes da extrema-direita, obteve "143 lugares e, embora seja um resultado histórico para a antiga Frente Nacional, foi recebido como uma decepção perante o bom resultado da primeira volta."
Tendo-se manifestado contra a realização de eleições antecipadas e perante os resultados deste domingo, o primeiro-ministro, Gabriel Attal, anunciou a sua demissão. No entanto, a mesma foi recusada pelo presidente francês Emmanuel Macron.
Apesar do pior cenário ter sido evitado, olha-se agora atentamente para o que se vai passar em França, uma vez que a mudança de quem está no poder, pode alterar diversas decisões políticas, especialmente no que respeita à economia onde o euro se reflete. Os parceiros europeus estão, no entanto, otimistas. A "expectativa é a de que possa haver um governo estável, apoiado pela Assembleia Nacional. A outra questão que está por responder é se o novo programa político que sair da futura coligação é compatível com os compromissos europeus." Poder-se-á dizer que aquilo que vier a "acontecer em França poderá ter impacto na guerra na Ucrânia, na diplomacia global e na estabilidade económica da Europa."
Fontes:
01/02/2024
Agricultores em protesto em Portugal
Não sei se por ser dia 1, mas de certeza que também devido a algum receio natural do aumento dos preços dos produtos básicos devido ao que se está a passar por toda a Europa, hoje às 17 horas havia já uma maior afluência aos super e hipermercados e que foi aumentando.
Tal como esperado e como ontem referi aqui no blogue, os agricultores portugueses também se juntaram aos protestos que se têm vido a espalhar pela Europa. Por cá, o movimento é expontâneo e não está ligado a nenhuma associação do setor, exigindo que seja pago o valor prometido pelo primeiro pilar da política agrícola comum (PAC).
Neste pilar, podemos ler que a "União Europeia concede aos agricultores um apoio ao rendimento ou «pagamentos diretos» que servem de rede de segurança e que visam tornar a agricultura mais rentável, garantir a segurança alimentar na Europa, ajudar os agricultores a produzir alimentos seguros, saudáveis e a preços acessíveis e recompensar os agricultores pelo fornecimento de bens públicos que normalmente não são pagos pelos mercados." Mas esta PAC, trouxe custos absurdos para os agricultores, que agora não têm o retorno do seu esforço.
Os agricultores portugueses também pedem que haja uma adaptação da PAC a cada país, uma vez que Portugal tem vivido anos de seca que levaram a uma diminuição da produção. Acresce-se a questão de que a ministra da agricultura, Maria do Céu Antunes, falhou redondamente!
Passou exatamente um ano desde que o PSD acusou a ministra Maria do Céu Antunes de "falta de competência, falta de rumo, falta de ambição e teimosia." Na altura, também o Chega, através das palavras do "deputado Pedro Frazão, e a Iniciativa Liberal, através de João Cotrim Figueiredo, subscreveram as críticas e o pedido de demissão da ministra da Agricultura." Em contraponto, o deputado do PS Francisco Rocha, mostrou-se do lado do governo na altura ainda em plenas funções e argumentou que de acordo com “todos os indicadores das exportações no complexo agroalimentar” a agricultura portuguesa “está a viver um bom momento," desvalorizando toda a situação. Seguiu-se um ano de seca, de crise económica e, claro, a queda do governo.
Com eleições à porta, é natural que agora, estando o país em plena campanha, se comecem a verificar cada vez mais, ações de protesto como a dos agricultores. Além do mais, o "timing" é o ideal, uma vez que se espera que, os partidos que se mostraram anteriormente do lados dos agricultores e que tanto criticaram a ministra da agricultura, façam agora das palavras, atos. O grande problema é que, levados ao limite pelas dificuldades que têm sentido, pela falta dos prometidos pagamentos e pela desvalorização do setor, estão por certo mais suscetíveis de serem atiçados (ainda que de forma dissimulada) por alguns partidos das alas mais extremas e pelas manifestações que se têm vindo a fazer sentir por toda a Europa, se possam agora verificar situações que vão além do direito à manifestação e que são anti-constitucionias, como o encerramento de auto-estradas e o fecho de fronteiras. O problema não será de certo resolvido nas próximas horas, nem penso que o seja nos próximos dias, mesmo que a resposta vinda de Bruxelas vá de alguma forma ao encontro daquilo que os agricultores esperam, uma vez que, o problema cá em Portugal, é muito mais localizado e específico!
Fontes:
31/01/2024
Bloqueios em França já afetam outros países europeus
Hoje em dia vivemos todos numa pequena bolha e o que se passa em França, afeta a nossa economia e a nossa sociedade, tal como nos afeta o que se passa na Ucrânia ou até na Faixa de Gaza. A situação que se vive atualmente em França advém também da crise que afeta toda a Europa. Em França, várias estradas que dão acesso a Paris continuam bloqueadas devido ao protesto dos agricultores franceses que estão denunciar, acima de tudo, "a queda de rendimentos, as pensões baixas, a complexidade administrativa, a inflação dos padrões e a concorrência estrangeira."
Segundo o porta-voz da ANTRAM, "André Matias de Almeida, estarão em França entre 10 a 15 mil camiões portugueses, ou mais" numa situação que está a dificultar a circulação de camiões afetos a empresas portuguesas, apesar daqueles que transportam bens essenciais estarem a ser deixados passar. Segundo as palavras de André Matias de Almeida, "o protesto vai continuar. Arrancou a marcha para bloquear as vias até Paris e, neste momento, são 22 as autoestradas bloqueadas em toda a França e a situação vai agudizar-se." Entretanto, já se iniciaram também protestos na "Bélgica e as três principais organizações agrícolas espanholas anunciaram" ontem a sua "adesão ao movimento de protesto dos agricultores europeus com uma série de mobilizações em todo o país durante as próximas semanas."
No nosso país, há o conhecimento de que "a Confederação Nacional de Agricultores (CNA) vai promover iniciativas regionais de protesto, incluindo marchas lentas e manifestações, pela melhoria dos rendimentos no setor."
Os "agricultores portugueses" também "estão solidários com os seus congéneres franceses" e a verificar-se esta adesão de Espanha e de Portugal a esta manifestação, poderemos estar perante uma situação catastrófica.
O ministro da Agricultura francês reuniu hoje "com o comissário europeu da agricultura de forma a dar avanço a temas importantes, como a reforma da Política Agrícola Comum para alterar uma das medidas mais polémicas que foi recentemente introduzida: a de deixar 4% dos terrenos em pousio para preservar a biodiversidade." De facto, as autoridades têm-se mantido até certo ponto do lado dos manifestantes, permitindo "o bloqueio de autoestradas, mas garantem que não irão permitir que os manifestantes bloqueiam os mercados e os aeroportos de Paris."
Fontes:
16/03/2023
Crise anunciada
Esta semana tem-se ouvido falar em Crise Financeira, algo que muitos analistas já andavam a falar, mas que tem sido um pouco desvalorizado. Se bem que já vivemos em crise há vários anos e que estes últimos meses têm sido bem difíceis, a verdade é que parece que a coisa está mesmo a instalar-se e com tendência a piorar.
Há uns dias o fundo imobiliário americano (BlackStone), que falhou o pagamento de um reembolso de obrigações no valor de cerca de 500 milhões de euros, vê-se agora na obrigação de vender ativos de forma acelerada para evitar falhar outros pagamentos.
Estas crises são cíclicas porque o problema está no financiamento a médio e longo prazo. Como houve uma grande emissão de dinheiro pelos bancos centrais em 2007 e 2008 para amenizar os efeitos da crise das novas tecnologias que já vinha a afetar os mercados, nos anos seguintes os estados não tiveram forma de recuperar e de pagar a dívida. Esta crise económica foi depois também acentuada por outros problemas, como a própria pandemia e a guerra na Ucrânia. Estados mais frágeis e endividados estão agora numa grave crise de dívida soberana, Portugal incluído.
Merkel foi uma das pessoas que tentou obrigar a União Europeia a fazer reformas estruturais ao nível das economias ocidentais, mas estas foram poucas ou mesmo nenhumas. Talvez desta vez, os banqueiros centrais se pareçam estar a lembrar dos princípios mais básicos daquilo que é a base da política monetária. Esta crise não poderá ser resolvida com uma nova emissão de dívida, pois isso só iria avolumar o problema.
Nos próximos tempos poderemos não ficar satisfeitos ao ouvir falar de congelamento de contas, uma vez que essa legislação já existe e permite a imposição de moratórias aos levantamentos bancários e resgate de ativos em massa. Foi aprovada discretamente pelo Conselho Europeu e pelo Parlamento Europeu por proposta do BCE.
Muito têm os nossos governantes que fazer, mas parece que andam a discutir outras coisas e não se impõem medidas que evitem as falências de restaurantes, de pequenos negócios, bem como de setores inteiros da economia, assim como evitem o aumento desmesurado do crédito mal parado dos bancos. Tiremos a venda dos olhos!
Mas deixemos de olhar por momentos lá para fora e foquemos a nossa atenção cá dentro. Uma apresentação do Banco Central Europeu (BCE) num encontro de governadores dos bancos centrais do sistema demonstrou que as margens de lucros das empresas tinham aumentado, quando, por via do aumento dos custos, deveriam estar a diminuir. Perante isto, podemos concluir que as subidas de preço, que contribuem para o agravamento da taxa de inflação, estão a servir para aumentar os rendimentos das empresas à custa da perda de compra dos consumidores. É verdade isto? Irão manter-se as subidas desenfreadas de preços?
Os cabazes alimentares básicos estão a aumentar muito! A ASAE inspecionou vários super e hipermercados e verificou a inflação dos preços em diversos produtos alimentares. Ao mesmo tempo, o Governo reconhece que há “aumentos exagerados” nos preços dos bens essenciais e garante que está “atento” para identificar situações de especulação.
Fontes:
Numa praça de gente madura
Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...
-
Quando as vespas se sentem incomodadas, atacam. São capazes até de matar, se estiver em causa o seu ninho. Uma vespa, é mais pequena que a...
-
Quando um bebé morre por negligência é porque algo falhou muito lá atrás. Quando um bebé morre aos cuidados de uma instituição, falharam div...
-
Muito já se falou sobre o 25 de Abril, muito se contou sobre a sequência de acontecimentos que culminaram no exílio de Marcello Caetano e na...