O Afeganistão está, mais uma vez, sob domínio de fundamentalistas islâmicos, tornando-se a cada dia a situação insustentável para todos, muito em especial para os jovens. Vivendo num país livre, não me consigo imaginar sujeita a todas as limitações que as mulheres sofrem no Afeganistão e noutros países onde os direitos humanos não são respeitados, nem tão pouco os direitos das mulheres, dos jovens e das crianças do país. "O cerco do Talibã em Cabul ocorre 20 anos depois do grupo extremista" ter sido expulso da capital afegã pelos Estados Unidos, que invadiram o país apenas alguns dias depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, às Torres Gémeas.
As jogadoras da Seleção Feminina de futebol do Afeganistão, viram o seu sonho de poderem continuar a joga à bola desmoronar-se desde o avanço dos talibãs, em agosto deste ano. O medo, levou-as a "abandonarem as suas casas, escaparem de perto dos vizinhos que sabiam do seu papel como futebolistas, e apagarem qualquer vestígio desse histórico."
As jovens atletas, perceberam que se queriam continuar a defender o desporto e a liberdade a ele inerente, não poderiam permanecer no seu país. A questão era acima de tudo a sua sobrevivência, uma vez que "muitas delas eram facilmente identificáveis como ativistas e defensoras dos direitos das mulheres e a confiança nas promessas dos novos governantes de que respeitarão as minorias e os opositores é escassa, se não inexistente."
A fuga do país aconteceu finalmente, depois de várias tentativas frustradas. Entre cerca de 80 pessoas no total iam as 26 jovens (entre 14 e 16 anos), "foram sendo passadas de casa em casa, escondidas enquanto figuras como Robert McReary, que trabalhou no gabinete do Presidente George W. Bush e com forças especiais americanas no Afeganistão, e Nic McKinley, um ex-membro da CIA que agora gere um grupo humanitário para realojar afegãos, coordenavam um plano de fuga – Operação Bolas de Futebol – com aliados no terreno e com os próprios talibãs."
Deixaram para trás tudo o que tinham, incluindo as famílias. "Na retaguarda estava Farkhunda Muhtaj, capitã da seleção afegã feminina, que vive agora no Canadá e ajudou a coordenar a operação. Era ela quem falava com o grupo regularmente para manter a calma e dar-lhes esperança."
Quando lhes informaram que tinham uma janela de oportunidade de apenas 3 horas para poderem deixar o país, não olharam para trás. "Conseguiram finalmente sair do Afeganistão a bordo de um voo charter" a caminho de Portugal, país de onde é originário um dos seus ídolos. Portugal deu-lhes asilo e a possibilidade de continuarem a treinar.
No dia 19 de setembro aterraram em Lisboa e tinham à sua espera a "capitã da seleção nacional de futebol do Afeganistão, que participou na operação de resgate das meninas a partir da sua casa no Canadá."
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