Os soldados americanos estiveram presentes no Afeganistão durante vários anos, mas agora, vão sair. Segundo Joe Biden, o objetivo dos EUA nunca foi construir uma democracia no país, mas derrotar os terroristas responsáveis pelos ataques de 11 de setembro e garantir que a Al-Qaeda não pudesse novamente usar o Afeganistão como base para atacar os Estados Unidos.
O país, fica assim entregue à sua sorte, regressando às mãos (ou ao poder das armas) dos Talibãs, depois de 20 anos, conduzindo a uma tentativa de fuga em massa da população.
Os Estados Unidos, que assumiram o controle aéreo do terminal aéreo, retomaram os seus voos militares destinados a repatriar cidadãos americanos, pessoal diplomático e milhares de afegãos que trabalharam com as suas forças.
Nas televisões, vê-se o aeroporto de Cabul, cheio de gente aflita. Desesperada mesmo, pela sua (falta de) sorte, pelo medo de morrer. Os soldados norte-americanos e franceses selecionam quem poderá embarcar num dos voos de repatriação. Pais separam-se dos filhos. Muitos tentaram embarcar em aviões civis que não descolaram e tentaram parar aviões militares em que não conseguiram embarcar. O primeiro avião alemão que iria buscar cidadãos do país, teve que ser desviado para o Uzbequistão. Centenas de pessoas cercaram um avião militar que estava a sair e agarraram-se onde conseguiram do lado de fora. O avião descolou e acabaram por cair enquanto a aeronave ganhava altura. Pelo menos sete pessoas morreram no aeroporto, algumas delas após cairem do avião.
Homens e mulheres, com o sentimento de tristeza por terem de deixar tudo para trás, sentem também culpa, por abandonarem o seu país. O DN conta-nos a história de Jibran, que teve de deixar toda sua vida para trás. O simples facto de trabalhar como motorista para uma empresa estrangeira torna-o suspeito aos olhos dos talibãs, explica. "Saí do Afeganistão apenas com a roupa que trazia no corpo e com a minha família. Fui direto do trabalho para casa. Tranquei a porta e seguimos para a embaixada da França", conta este homem com cerca de 40 anos. Nos bolsos, carregava sete passaportes - o dele, o da esposa e os dos cinco filhos - e 2000 afegâni (moeda afegã), correspondente a menos de 20 euros.
Outro caso relatado é o de Masud, que conseguiu fugir com a esposa e quatro filhos. Repórter fotográfico em Jalalabad, cidade do leste do Afeganistão que foi alvo de atentados dos talibãs e do Estado Islâmico nos últimos anos, estava em Cabul quando os talibãs entraram na cidade. A família fugiu de carro e conseguiu encontrar-se com ele na embaixada. O grupo escapou o mais rápido possível, sem mala, nem sequer uma fralda para o bebé de dois meses e meio.
A memória que têm da anterior ocupação Talibã, fá-los fugir sem olhar para trás, sem nada. Centenas acabam por entrar pela rampa da cauda de um avião de carga militar - 640 afegãos saíram do aeroporto de Cabul, capital do Afeganistão, com destino ao Catar este domingo. Apesar da carga, e do risco que corriam, os pilotos do C-17 decidiram descolar. De acordo com a revista, o modelo de avião da Boeing teria capacidade para acomodar 134 soldados com os seus equipamentos, embora pudesse aguentar uma carga de 800 pessoas.
A informação foi confirmada nesta segunda-feira por um porta-voz militar do Comando Central dos EUA: “O número incomum de passageiros a bordo deste avião que deixou o HKIA (Aeroporto Internacional Hamid Karzai) naquela noite foi o resultado de um ambiente de segurança ativo que exigia uma rápida tomada de decisões por parte da tripulação, o que, em última instância, garantiu que esses passageiros fossem retirados do país com segurança”, disse a Tenente Coronel Karen Roxberry dos EUA.
Sobre a saída dos soldados americanos deste território, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que já há relatos arrepiantes de abusos de Direitos Humanos em todo o Afeganistão e que está particularmente preocupado com a situação das mulheres e meninas.
Fontes:
https://brasil.elpais.com/internacional/2021-08-17/a-fuga-de-640-afegaos-a-bordo-de-um-aviao.html
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