06/11/2024

O que as eleições nos EUA nos dizem?

Trump é o vencedor das eleições americanas, "depois de ter vencido as eleições presidenciais norte-americanas à candidata democrata, Kamala Harris."


As eleições americanas são de facto bastante diferentes daquilo a que estamos acostumados a ver por cá. Desde logo, pela organização do Congresso (que poderíamos comparar ao nosso Parlamento) e que está "dividido entre Câmara dos Representantes (435 lugares), a câmara baixa do Congresso, e do Senado (100 lugares), definida como câmara alta do Congresso norte-americano."



Uma das caraterísticas a ter em conta é que não será votada a totalidade da câmara alta do Congresso - "composta por 100 senadores (dois por cada estado do país, independentemente do número de habitantes)" - mas sim "um terço, ou seja, 34 lugares," nos quais se incluem "os altos cargos do Governo e dos juízes do Supremo Tribunal Federal."



Trump, apresentou-se usando "a mesma retórica populista e anti-imigração que o fez conquistar, em 2015, o apoio da ala mais conservadora do Partido Republicano e atraiu antigos eleitores democratas desiludidos com a estagnação económica e um sistema político que sentiam ser injusto." E esta retórica fê-lo ganhar as eleições, conseguindo "pela primeira vez o voto popular numa eleição, algo que não conseguiu nem em 2016 contra Hillary Clinton nem em 2020 contra Biden."


A maior das suas apostas era o "controlo da imigração ilegal", definindo como prioridade "continuar a construção do muro na fronteira com o México e travar a entrada de pessoas não autorizadas." Além disso, prometeu que faria a maior deportação "em massa de imigrantes ilegais de sempre." E mesmo assim, os americanos acharam que este seria o caminho a seguir e deram-lhe o seu voto, tendo o candidato ganho o condado da Flórida onde existe uma graande comunidade hispânica. 


Trump afirmou também que, caso "fosse eleito, colocaria um fim à guerra da Rússia contra a Ucrânia em 24 horas com um par de telefonemas." O que significariam esses "telefonemas" para nós, europeus e membros na NATO e da UE?


A tomada de posse será apenas em janeiro de 2025, mas as consequências já começam a ser visíveis, por exemplo na bolsa de valores, onde o euro começou a perder valor perante o dólar. Órban, presidente da Hungria, já veio felicitar e mostrar o seu apoio a Trump. 


Kamala perde por vários motivos, mas um dos principais foi o descontentamento "de parte do eleitorado norte-americano face ao apoio incondicional dos Estados Unidos a Israel."  Devido ao apoio demonstrado a Telavive, muitos ativistas garantiram que não irão dar o seu voto à democrata Kamala Harris, "direcionando o seu voto para candidatos independentes."


Esta demoonstração de insatisfação com o apoio dado a Israel "tem sido visível desde as eleições primárias, no início do ano, quando milhares de democratas decidiram votar em branco." No entanto, é Trump quem se tem mostrado um grande apoiante de Netanyahu.


Fontes:


https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-nos-eua/2024-11-06-video-donald-trump-regressa-a-casa-branca-como-presidente-dos-estados-unidos-8060a5bc


https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-nos-eua/2024-11-06-republicanos-asseguram-maioria-no-senado-dos-estados-unidos-341e66f5


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/donald-trump-reivindica-vitoria-politica-nunca-antes-vista_e1612788#article_content_1612841

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