15/03/2026

A guerra parece longe, mas estamos a sentir o seu impacto

Esta é sempre a grande questão, não é? 

As guerras estão lá longe e nós (aqueles que ainda se vão interessando pelo que vai acontecendo no mundo) acompanhamos pela televisão, ou seguimos uns podcasts onde se vai atualizando os conflitos e as frentes de guerra. Lembro-me bem daquele primeiro contato que tive com a guerra vista aqui deste lado. Anos 90 e eu em casa da minha avó. A emissão da RTP a prolongar-se noite dentro e de manhãzinha lá estava eu agarrada ao televisor a ver uns pontos brancos (ou seriam verdes?) a percorrer a noite. Era a invasão do Kuwait e confesso que ainda fui algumas vezes espreitar à janela para ver se avistava alguma daquelas estrelas cadentes. Tinha seis anos e aprendi que havia mais duas letras no alfabeto e terras com nomes esquisitos de que nunca tinha ouvido falar.

Naquele tempo, já se falava de que o Irão estava a "violar impunemente os princípios do direito internacional", palavras de Cavaco Silva em declarações ao país. Era a guerra do Golfo e o petróleo estava no centro de tudo. 

Hoje só não está informado quem não quer, quem não se importa com o que se passa no mundo, ou quem prefere esconder a cabeça na areia e fingir que vive num mundo perfeito e florido. Estou fora desse grupo - acho que já perceberam isso. Hoje, as imagens de guerra já são tão frequentes, que não as estranhamos. Quase que nos habituámos a cenários de guerra, à visão da destruição e da morte e, enquanto estas apenas nos atingirem de longe, tudo nos parece "bem". Não nos temos de esconder dos ataques, não temos de ouvir o som das bombas a cair. A guerra parece longe. Mas não tão longe o suficiente que não nos preocupe. 

O facto é que, embora tenhamos a noção de estarmos, de certa forma, seguros, as consequências acabam por nos atingir como ondas de choque que se vão repercutindo. Pertencemos à União Europeia, pertencemos à NATO, temos um pacto de não-agressão assinado com Espanha, enfim, nem sequer nos queremos muito meter em assuntos internacionais, para não ferir susceptibilidades, e temos como outros países europeus, uma base que pertence aos EUA. Ali é solo norte-americano.

E o que nos afeta? Por um lado, o uso da Base das Lages. Não sei quanto a vocês, mas ter aviões americanos pousados aqui tão perto, aflige-me um pouco. Nada contra os aviões, nem contra os militares americanos, a questão é estes serem um alvo mais facilmente atingível em território português do que em território norte-americano.

Por outro lado, temos a questão do Estreito de Ormuz, que o Irão bloqueou, interrompendo a passagem de petróleo de que muitos países dependem. Este bloqueio produz fortes danos na economia e desencadeia uma crise energética a nível global. Os preços dos combustíveis aumentaram ainda antes de se ter de ir comprar os ditos barris e aquilo que se espera é continuem a aumentar nas próximas semanas. 

A grande questão é se a guerra no Médio Oriente é, realmente, a causa única para estes aumentos? É que temos de associar ao aumento do valor dos barris, que reflete o aumento do custo no seu transporte, o aumento do preço de outros produtos, como é o caso dos cereais e até dos fertilizantes. 

Há quatro anos, a invasão da Ucrânia por parte da Rússia, trouxe-nos uma situação semelhante. Entretanto, a economia acabou por estabilizar, embora os preços não tenham regressado aos valores que tinham antes do conflito. Agora, com este bloqueio à passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, a inflação acaba por vir agravar a situação económica em que já nos encontrávamos.


Fontes:

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/1990-invasao-do-kuwait/

https://cnnportugal.iol.pt/irao/eua/duas-semanas-de-guerra-por-dentro-da-arriscada-decisao-de-trump-de-atacar-o-irao-e-a-corrida-para-conter-as-consequencias/20260314/69b562b4d34e28842c81bf9f

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