31/10/2026

Numa praça de gente madura

Hoje, numa "praça de gente madura", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como fizeram em abril de 1974. Tal como cantou Zeca Afonso, o povo saiu à rua e juntou-se numa praça, e não foi só em Lisboa, foi no Porto e foi em outras cidades do país, foi em outras cidades da Europa, onde as pessoas se juntaram, perdendo o medo de ir contra aquilo que lhes é esperado, perdendo a vergonha de dar a cara, enfrentando quem lhes viesse dizer o que afinal seria esperado que fizessem.

Hoje, o povo saiu e não ficou quieto. Nem se calou. Hoje o povo cantou, gritou, entoou pedidos e gritos. Pediu por melhores condições de vida, daquelas que já fazem parte da Constituição, mas que tantas vezes ficam esquecidas. 

Hoje, o povo saiu à rua, pais e mães, filhos e avós, juntaram-se na praça e pediram condições para que todos possam ter uma casa. Não pediram para não trabalhar, pediram um ordenado digno. Não exigiram que lhes fosse oferecida uma casa, mas que houvesse no mercado casas que qualquer trabalhador pudesse comprar para habitar. O que vai acontecer depois, logo, quando a noite vier e na praça ficarem apenas alguns mais resistentes, não se sabe. A comunicação social não sai dali, não deixa os manifestantes sozinhos, não deixa de transmitir as suas posições e imposições. Filmam as "mães da acampada", quatro mulheres que se vieram juntar ao protesto e a quem é perguntado se "não têm medo?" Lembremo-nos que ainda há dias, as pessoas acabaram por ser dispersadas 
à bastonada, quando se recusaram a arredar pé, quando a polícia decidiu que tinha chegado a hora de terminar com a manifestação.

E agora quando a noite vier e se a polícia mandar levantar as tendas, o que irá acontecer? O problema nem nunca foram as tendas. As manifestações espalham-se por várias cidades da Europa, quase num movimento coletivo que começou em França no início de setembro. As imagens desta acampada portuguesa surpreendem e contrastam com a violência que se expande lá fora. 

Em França, os protestos têm sido muito violentos. Esta tarde, já se fala em "centenas de milhares de pessoas nas ruas - mais de 320 mil, segundo o ministério do Interior," e já houve registo de vários confrontos. Em Paris, tenta-se afastar os manifestantes que lutam "contra as condições nas escolas e a crise do custo de vida", para fora da cidade, para que se proteja a imagem, o turismo e o comércio. Lyon ou Grenoble também vivem em tensão. Em França estão mobilizados cerca "de 70.000 agentes policiais," com o risco acrescido de hoje coincidir "com a festa do Halloween." A violência é visível nas imagens que nos vão chegando através da televisão. Em França, não se bordam mantas coletivas nem se cantam canções de intervenção em coro. Em França, "os manifestantes lançaram cocktails Molotov contra as forças de intervenção, que responderam com gás lacrimogéneo." Há vítimas a lamentar de ambos os lados e foi colocado em "vigor um recolher obrigatório noturno em várias zonas de Paris afetadas pelos distúrbios nas manifestações de 17 de outubro, com episódios de violência e pilhagens."

Em Espanha, as pessoas unem-se para proteger e entaipar as montras e as portas, tentando evitar a destruição que possa advir de intervenções mais violentas. Ali, hoje não houve uma convocatória para que as pessoas se manifestassem. Ali, jovens, muitos deles menores de idade, estão a ser aliciados para se juntarem e pilharem determinadas lojas e para provocarem o caos e a destruição nas ruas. Ontem foram detidas "cerca de uma dezena de pessoas ligadas ao movimento de caráter violento Blocus", que atua, pelo que dizem, em nome da defesa da "qualidade da escola", e que foram "acusados de instigar a realização de múltiplas pilhagens, apelando aos jovens para que se juntassem ao protesto utilizando armas e também para que fabricassem `cocktails` molotov, com o objetivo de sobrecarregar os agentes da polícia que enfrentassem as sabotagens." No passado sábao, o grupo que na maiorira foi convocado pelas redes sociais e que diz agir sob o lema “Institut Indignats”, tentou "reproduzir na capital catalã as manifestações violentas que França vive há dias, na sequência das mobilizações estudantis que decorrem há semanas." Aas suas ações passam por provocar "incêndios em equipamentos urbanos," por atos de "vandalismo contra o comércio" e por saquear artigos, que depois são também ensinados como vender.

Também na Alemanha e na Albânia, os manifestantes saíram à rua. Em Berlim, os protestos têm como mote principal a oposição ao "serviço militar obrigatório," mas também exigem "maiores investimentos em educação e apoio aos estudantes, que enfrentam dificuldades com a subida custo de vida." A organização é liderada pelo "grupo Gen Z Regelt" e tem como inspiração os "protestos que nas últimas semanas têm percorrido vários países da Europa, incluindo Portugal." Este grupo, acabou por se demarcar dos atos violentos a que se tem assistido, mas o receio de que os confrontos escalem na violência tal como aconteceu noutras cidades da Europa, levou a que a polícia tivesse tomado algumas precauções, receando que estas "manifestações pudessem ser instrumentalizadas por outras organizações ou elementos extremistas." 

Na Albânia, "dezenas de manifestantes encapuzados" investem contra as barreiras policiais com "pedras de calçada e "cocktails Molotov." A manifestação posicionou-se "em frente ao Ministério da Educação", e exige "a demissão do primeiro-ministro Edi Rama."

A Europa está transformada num grande palco, em que se confunde liberdade com direito a destruir. Há feridos, incêndios e manifestantes afastados com canhões de água, gás lacrimogéneo e bombas atordoadoras. As autoridades parecem estar a perder a mão na situação. Por cá, ficam as imagens dos grupos que de forma pacífica se manifestam. Aqui, há crianças que brincam em tendas e em casinhas feitas de papelão. Aqui, adultos empenham perigosas espadas modeladas de um balão. Será isto uma provocação? Ou somos mesmo um país de "gente madura" numa praça?

Fontes:

https://pt.euronews.com/2026/10/31/franca-mobiliza-70-mil-policias-para-fim-de-semana-de-manifestacoes-e-halloween

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/mais-de-uma-dezena-de-detencoes-em-espanha-para-travar-vandalismo-no-halloween_n1775734

https://observador.pt/2026/10/24/barcelona-incendios-montras-partidas-e-saques-em-manifestacao-convocada-pelo-tiktok-e-inspirada-em-franca/

https://www.dn.pt/internacional/alemanha-o-pas-que-se-segue-na-onda-de-protestos-dos-jovens-europeus#goog_rewarded

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/mais-de-180-mil-pessoas-manifestam-se-na-alemanha-com-alguns-incidentes-violentos_n1775921

https://expresso.pt/internacional/2026-10-31-manifestantes-encapucados-atiraram-pedras-e-cocktails-molotov-contra-a-policia-albanesa-8f33a68d

30/10/2026

Eleições em Israel, o impasse mantém-se

Apesar de se ter confirmado a vitória de Netanyahu nas eleições israelitas, ainda não há uma maioria que lhe permitisse formar governo. Ontem, "o partido de Benjamin Netanyahu lançou a dúvida de fraude eleitoral, acusando o Catar e a Turquia de influenciarem os resultados ao pressionarem as comunidades árabes a votar em massa nas eleições." Se a acusação for confirmada, poderá levar à repetição do ato eleitoral.

O partido do atual primeiro-ministro conseguiu "53 lugares" contra os 48 do bloco "liderado pelo partido centrista Yashan" de Galdi Einsenkot. 

A decisão irá agora passar pelas mãos do presidente israelita Isaac Herzog que, segundo os costumes israelitas, irá "atribuir a tarefa de tentar formar governo ao candidato que considerar ter melhores hipóteses de obter apoio suficiente," não exatamente quem teve mais votos.

A pessoa escolhida terá depois 28 dias apenas para cumprir essa "missão" e, caso não a leve a bom porto, será nomeado outro candidato e o processo repete-se. Se à terceira tentativa ainda não houver um governo formado, Herzog poderá então convocar novas eleições.

Cada país, as suas leis e os seus costumes.

Mustafa Barghouti - "líder da Iniciativa Nacional Palestiniana, um partido político ativo na Cisjordânia ocupada" - refere que "um governo israelita liderado por Gadi Eisenkot seria melhor para os palestinianos,2 defendendo que o mais urgente será mesmo "afastar o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu do poder." De notar que "os partidos árabes Lista Conjunta e Lista Árabe Unida (Ra’am) obtiveram ganhos significativos nas eleições, conquistando em conjunto um recorde de 19 lugares, o que lhes confere um papel decisivo na formação de maiorias." Barghouti acusa o primeiro-ministro israelita de ser responsável "pela chacina de palestinianos em Gaza e por intensificar a limpeza étnica na Cisjordânia," acusando ainda de iniciar "guerras com o Líbano, com a Síria, por ameaçar a Jordânia e por tentar impor Israel como uma força imperial que controla o Médio Oriente."

Ontem, um grupo de manifestantes saiu à rua para protestar contra os resultados e exigir que o novo governo seja composto de "partidos judeus e árabes." Os manifestantes, na sua maioria, ativistas, bloquearam o trânsito e confrontaram a polícia, entoando cânticos de oposição à governação de Netanyahu.


Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/eleicoes-em-israel-terminam-em-impasse-e-poderao-ter-de-ser-repetidas_n1775549

https://pt.euronews.com/2026/10/30/lider-da-iniciativa-nacional-palestiniana-diz-a-euronews-afastar-netanyahu-e-o-mais-import

https://pt.euronews.com/video/2026/10/29/israel-manifestantes-exigem-governo-de-unidade-arabe-judaica-apos-eleicoes


28/10/2026

Colisão entre dois comboios em Toledo, Espanha

Uma decisão errada do centro de controlo poderá estar na origem de uma colisão ocorrida esta manhã e que matou, "pelo menos 68 pessoas." O acidente aconteceu por volta das 9h00, "perto da estação de Urda," mais propriamente, "entre as localidades de Los Yébenes e Urda, em Toledo," e envolveu um comboio da Irvo e outro da Renfe.

"A maioria das vítimas mortais, 44, seguiam no comboio da Iryo, que saiu de Madrid com destino a Sevilha, enquanto os outros 24 estavam no da Renfe, que efetuava a mesma rota." O balanço ainda é provisório. Sabe-se que a situação terá tido início "numa avaria informática pelas 8h30, que levou todos os comboios num troço de quase 70 quilómetros a parar, obrigando a acionar o centro de controlo na estação de Atocha (em Madrid)." Apesar de ter luz vermelha, o comboio da Renfe, terá recebido ordem para avançar, tendo chegado a percorrer cerca de 20 km, a cerca de 200 quilómetros por hora, antes de abalroar o comboio da Irvo que estava parado na mesma linha. Esta colisão, fez com que "pelo menos duas carruagens" tivessem caído por um barranco.

Numa acusação feita pelo próprio governo espanhol, que a ser verdade, é gravíssima, "o operador do centro de controlo terá passado cerca de 17 minutos a ver, nos ecrãs, que os dois comboios estavam em rota de colisão, sem dar qualquer ordem para travar."

A identificação dos corpos pode ainda demorar algumas horas, havendo ainda corpos dentro e debaixo das composições acidentadas que ainda não forma removidos. "Há ainda 58 feridos hospitalizados, dos quais 15 em estado muito grave." Alguns dos feridos, conseguiram sair pelo seu pé e procuram agora atendimento hospitalar. No "comboio da Iryo seguiam 147 passageiros (incluindo um bebé) e no da Renfe mais 397 pessoas." 

Este foi o segundo acidente grave envolvendo a linha férrea espanhola este ano. "A 18 de janeiro, morreram 46 pessoas no acidente em Adamuz (Córdoba) e mais de cem ficaram feridas."

Fontes:

https://www.dn.pt/internacional/espanha-vrios-feridos-aps-coliso-de-dois-comboios-na-zona-de-toledo

https://cadernodiario1983.blogspot.com/2026/01/depois-da-tragedia-comboios-parados-em.html



25/10/2026

Noite acaba em carga policial

A pergunte que fica é: Onde está o Presidente da República quando a República Portuguesa está a ser debatida nas ruas, entre manifestantes e cargas policiais?

As manifestações juntam, maioritariamente, jovens, mas esta não é uma causa só dos jovens. É uma causa de todos que poucos tentam entender. Não se está a pedir casas gratuitas, não se está a pedir que sejam atribuídas casas sem qualquer critério. O que se está a reivindicar nas manifestações que vão acontecendo nos últimos dias por várias cidades portuguesas, é que haja casas a preços que sejam possíveis de serem assumidos por qualquer português que trabalha. 

O grande problema aqui não são as forças policiais, mas sim quem lhes ordena que avancem sobre os manifestantes. De onde vieram essas ordens? Quem mandou quem fazer o quê?

É que isto começa a cheirar muito mal!

Sou contra manifestações que acabam em pilhagens e em destruição de lojas, de carros, camiões e caixotes do lixo incendiados. Mas isso aconteceu aqui, em Lisboa? No Porto? Chegou-se a esse ponto? Não me parece. Aí, sim, mas mesmo assim, apenas contra aqueles que cometeram esses atos e não contra todos os presentes. Aqui, nestas manifestações, estão milhares de pessoas, estão famílias com crianças, estão pessoas dos vários extratos sociais, mas principalmente estão jovens que vivem numa democracia, que reivindicam um direito básico que apenas tem sido complicado com a nova Lei do Arrendamento. Na prática, esta lei vem permitir que as rendas continuem a subir. Com esta nova lei, será legal um senhorio que até agora poderia pedir "duas rendas antecipadas ou uma caução equivalente," passa a poder pedir ao novo inquilino que pague três rendas em antecipação, eliminando "o limite máximo da caução." Faltava aqui falar do artigo 65º da nossa Constituição e de como este não está a ser devidamente seguido pelos partidos no poder. Mas já que fui buscar o tema da Constituição, vejamos outras coisas.

O Direito à Manifestação está na nossa Lei - ou seja, na Constituição que data de 1976 e das suas alterações. O que está em causa é um decreto de 1974, o decreto lei 406/74 que "Garante e regulamenta o direito de reunião", e que diz que "A todos os cidadãos é garantido o livre exercício do direito de se reunirem pacificamente em lugares públicos, abertos ao público e particulares, independentemente de autorizações, para fins não contrários à lei, à moral, aos direitos das pessoas singulares ou colectivas e à ordem e à tranquilidade públicas." De entre outras coisas, lê-se no Art. 11.º que "As reuniões de outros ajuntamentos objectos deste diploma não poderão prolongar-se para além das 0,30 horas, (...)"

É a este 11º artigo que se estão a "agarrar" as forças policiais para validarem a sua atuação. A questão é: porque é que a polícia investiu contra os manifestantes? E a resposta não tem de vir da polícia, mas sim de alguém de cima que deu a ordem de investida. A questão, não havendo distúrbios como os que estão a acontecer em França, é a justificação para estes atos ser mais político do que uma questão de ordem pública propriamente dita. E volta a estar no ar um cheiro estranho, a mofo... É que já houve outras leis que acabam por anular este decreto, rebatendo-o para segundo plano, de acordo com a interpretação feita da Constituição em vigor. Da minha ótica, o que vigora é a atual Constituição que diz que "Os cidadãos têm o direito de se reunir, pacificamente e sem armas, mesmo em lugares abertos ao público, sem necessidade de qualquer autorização," acrescentando-se no ponto 2 do mesmo artigo que "A todos os cidadãos é reconhecido o direito de manifestação."

E outros casos de manifestações que terminaram em acampamentos prolongados, como por exemplo, nos 40 dias que os Bombeiros Sapadores passaram acampados junto à Câmara Municipal do Porto, e em que foram usadas também tendas e, inclusive, se fez uso de fogo. Também as forças policiais permaneceram embora sem tendas, durante "18 dias e outras tantas noites junto ao Parlamento," em janeiro de 2024. Em nenhum dos casos, foram retirados nem sobre eles foi usada a força.

Se em 1993, o Presidente da República repudiava a intervenção da polícia, na carga feita contra a manifestação da qual viria a nascer o termo "geração rasca", o que se passa agora para que o atual Presidente não o faça? E onde é que ele está, uma vez que ao contrário daquilo que fez quando era líder da Juventude Socialista, agora não vem dar a cara? 

Na prática, a sua atitude é mais contida, tendo convocado os "partidos com representação parlamentar para audiências sobre coesão social, que vão acontecer" já na próxima "quinta-feira," bem como convocou "o Conselho de Estado para 02 de novembro, sobre o mesmo tema." Parece-me pouco e tarde. 

Até lá, o que vai acontecer? A polícia irá continuar a afastar os manifestantes à bastonada e está tudo bem?

Já cheira mal, muito mal. 

Fontes:

https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/406-1974-424767

https://www.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/ConstituicaoRepublicaPortuguesa.aspx

https://www.rtp.pt/noticias/pais/lei-das-rendas-qual-a-melhor-para-combater-a-atual-crise-da-habitacao_n1773675

https://cnnportugal.iol.pt/protestos/habitacao/bastao-e-a-saida-facil-livre-aguarda-posicao-firme-de-seguro-e-vai-pedir-explicacoes-ao-governo-sobre-cargas-policiais/20261025/6addd5c5d34e9a786e75db08

https://sicnoticias.pt/economia/habitacao/2026-10-21-video-acampada-nao-e-caso-unico-foram-varios-os-protestos-semelhantes-nos-ultimos-anos-dos-policias-a-jsd-e39dbe1e

https://www.facebook.com/reel/1886245675699975 


22/10/2026

Novo sismo atinge o Tibete

Esta quinta-feira, um sismo de intensidade 7 na escala de Richter atingiu o Tibete, provocando a morte a 16 pessoas. O abalo foi sentido por volta das 22h33m (hora local), havendo para já notícia de mais de 300 casas que terão colapsado, podendo haver ainda vítimas nos escombros. O epicentro terá sido "a cerca de 190 km a leste de Nagchu e 390 km a nordeste de Lhasa, a uma profundidade de 18 km" (embora em outros sites de notícias apareça uma profundidade de 10 quilómetros). Numa zona em que o clima é extremo, as condições de resgate das vítimas podem ficar mais dificultadas. "O sismo causou cortes severos no fornecimento de eletricidade e nas redes de telecomunicações." Além disso, os acessos ficaram maus condicionados devido à ocorrência de "derrocadas em vários troços da Estrada Nacional G317." As "linhas ferroviárias locais" foram também suspensas "por motivos de segurança." Ainda nos lembramos do enorme deslizamento de terras que ocorreu em agosto e, neste caso, o tipo de abalo pode vir a ter consequências drásticas se as terras acabarem por ceder, e por essa razão, o "Ministério dos Recursos Naturais ativou um alerta de nível III para monitorizar o terreno. O risco de grandes deslizamentos de terra é elevado devido à instabilidade das encostas montanhosas provocada pelas réplicas," que já vão em mais de 400.

Esta região é afetada por sismos com alguma frequência. Em "janeiro de 2025, pelo menos 126 pessoas morreram num terramoto de magnitude 6,8 que atingiu o cantão de Tingri, no Tibete, não muito longe da fronteira sino-nepalesa." 

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/sismo-de-70-atinge-o-tibete-provoca-pelo-menos-16-mortos_n1773543

https://sapo.pt/artigo/sismo-de-magnitude-7-no-tibete-provoca-vitimas

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/china-intensifica-operacoes-de-resgate-apos-sismo-no-tibete-que-causou-16-mortos_n1773643


16/10/2026

Faleceu Joaquim Letria, jornalista e escritor

Soube há pouco da morte do jornalista e escritor Joaquim Letria, aos 82 anos. Perdeu-se um grande comunicador, um jornalista que foi pioneiro na televisão portuguesa e uma das nossas grandes figuras históricas.

Joaquim Letria nasceu em Lisboa em 1943 e "filiou-se no Partido Comunista aos 16 anos, tendo sido militante durante os oito anos seguintes." Em 1962, ingressa na carreira de jornalista no já "extinto Diário de Lisboa," e foi ao "fim de três meses," que viu surgir a sua "primeira oportunidade de trabalhar como jornalista com a cobertura de um incêndio. Colaborou também "com a revista Flama e com o Rádio Clube Português."

Mais tarde, seria "repórter da Associated Press e correspondente da agência Deutsche-Presse Agentur até 1970."

Na década de 1970 chegou a trabalhar com a BBC, em Londres, mas regressaria a Portugal depois do 25 de abril de 1974, "para ser diretor de informação na RTP. Foi por essa altura que teve um desentendimento com o então Presidente da República, António Spínola, que chegou a defender o despedimento do jornalista." No entanto, pouco depois receberia "o Prémio da Imprensa na categoria Televisão, atribuído pela Casa da Imprensa, pela “vivacidade e tom pessoal que conferiu ao seu trabalho”."

"Letria ficou conhecido do grande público também pelos vários programas televisivos que apresentou na RTP, como o programa que "apresentava, na altura, o "Teledomingo", onde para além do noticiário do dia havia uma revista da semana."

A sua carreira passou por alguns momentos inusitados, que mostram bem a fibra de que o jornalista era feito e que acabaram por marcar a história da televisão, "como quando entrevistou uma cadeira vazia — onde deveria estar o então ministro das Finanças Miguel Cadilhe, que não compareceu à entrevista." O jornalista esteve no ar mais de 24 horas na cobertura das primeiras eleições pós-revolução, em abril de 1975" e moderou em "conjunto com José Carlos Megre," o debate entre "Álvaro Cunhal e Mário Soares, em 1975."

A sua carreira passa também pela imprensa escrita, tendo sido fundador dos "semanários O Jornal (hoje revista Visão), o Tal&Qual e as revistas Sábado e Tempo Livre, dos quais foi o primeiro diretor." Seria ainda "eleito presidente do Sindicato dos Jornalistas e porta-voz do Presidente da República Ramalho Eanes até 1986." 

Além de jornalista, foi também professor. Em 1987, dedica-se ao ensino como professor "auxiliar na Universidade Autónoma de Lisboa e professor convidado do Instituto Superior das Ciências da Informação e da Administração, colaborando na criação e reestruturação de conteúdos e formatos de programas de TV e rádio e na redefinição de jornais e revistas, integrado em grupos de especialistas de Londres, Madrid e Munique."

Regressaria à televisão em 1992, "para apresentar o programa Rosa dos Ventos, na RTP Internacional. Ainda nos anos 90, apresentou os programas Apanhados e o talk show Conversa Afiada." 

Como escritor, viu o seu primeiro conto ser publicado no "Diário de Lisboa". Escreveria mais tarde, outras obras, como "A Verdade Confiscada. Escândalo – A Armadilha da Nova Censura" e "Histórias Para Ler e Deitar Fora."

Colaborou também "com a Rádio Comercial e com o jornal diário 24 Horas."

Fontes:

https://www.publico.pt/2026/10/16/culturaipsilon/noticia/morreu-jornalista-escritor-joaquim-letria-82-anos-2191611

https://observador.pt/2026/10/16/morreu-o-jornalista-e-escritor-joaquim-letria-tinha-82-anos/

https://www.infopedia.pt/artigos/$joaquim-letria

15/10/2026

As alterações atmosféricas estão a matar?

Ainda há uns dias era notícia a tempestade que tinha atingido Espanha, provocando enchentes e deixando a população em pânico. Apesar de por cá se manter o tempo quente (que já me parece demasiado para esta altura do ano) a verdade é que é precisamente este calor que aqui se faz sentir que está a empurrar as tempestades para outras zonas da Europa. Desde quarta-feira que a Turquia e a Grécia sofrem devido a cheias provocadas pelas chuvas intensas. A cidade de Istambul, na Turquia, foi afetada pelas mais intensas chuvas das "últimas décadas" o que provocou a rápida subida das águas e cheias que têm vindo a prejudicar a circulação de pessoas e de veículos. Estas cheias, terão já provocado já três mortos, um dos quais é um rapaz de apenas 14 anos, "que morreu eletrocutado após pisar uma poça de água." As escolas de Istambul ficaram encerradas por prevenção e milhares de pessoas tiveram de fugir. "Foi também proibida a circulação de motociclos."

Mas poderemos afirmar que o clima mata? As situações ocorridas derivaram de fortes chuvas e da subida dos níveis das águas, mas há algo que não podemos deixar de lado: os fluxos dos rios e dos mares já são naturalmente instáveis e tornam-se ainda mais perigosos quando estão circundados por construções que diminuem o espaço de enchente e travam as correntes naturais. E isso, acontece por todo o mundo.

Na Grécia, devido às chuvas torrenciais que se têm feito sentir, um carro foi arrastado pela corrente até ao mar causando a morte a um homem de 62 anos. No México, do outro lado do globo, as tempestades também estão a provocar estragos. Pelo "menos oito pessoas morreram após a passagem da tempestade tropical Rachel pela costa do Pacífico" provocando a morte a quatro pessoas.

Nos EUA, a tempestade Isaías que afetou a região no final da semana passada, acabou por se intensificar e passou à categoria de "grande furacão," afetando vários estados com ventos na ordem dos "193 km/h, precipitação forte" e até a previsão de ocorrência de "tornados", o que acabou por se confirmar. Mas poderemos afirmar que a culpa é do clima? Por um lado sim, mas nunca sem nos esquecermos que o clima está a ser afetado também pelas nossas ações e, por isso, se quisermos ser mais rigorosos, somos nós também um pouco culpados destas alterações climatéricas que provocam fenómenos extremos com cada vez mais frequência. Basta ligarmos a televisão ou pesquisarmos um pouco na internet para vermos imagens que antes só veríamos em filmes "catastróficos." O nosso país acabou por ter o setembro "mais quente desde 1931," acabando mesmo por ultrapassar o mês de agosto em temperaturas. Setembro viu também serem registadas duas ondas de calor. A verdade é que tirando as manhãs um pouco mais frescas, continuo a ir de cavas para o trabalho.

Fontes:

https://sicnoticias.pt/mundo/europa/2026-10-15-video-estamos-numa-situacao-muito-dificil-cheias-deixam-rasto-de-destruicao-na-turquia-e-na-grecia-762f2c5c

https://m.noticiasaominuto.com/mundo/3067138/adolescente-morre-eletrocutado-em-cheias-em-istambul-cidade-sob-alerta

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/3063995/cinco-pessoas-morreram-na-derrocada-de-um-edificio-na-turquia

https://oglobo.globo.com/blogs/clima-extremo/post/2026/10/passagem-de-tempestade-tropical-rachel-deixa-ao-menos-oito-mortos-no-mexico.ghtml

https://expresso.pt/tempestades/2026-10-09-furacao-isaias-obriga-a-evacuacoes-e-cancela-quase-300-voos-nos-estados-unidos-b15912b6

https://expresso.pt/meteorologia/2026-10-07-portugal-viveu-o-setembro-mais-quente-dos-ultimos-95-anos-efd8d54f

13/10/2026

Faleceu o cantor Netinho

Por aqui costumo dar destaque aquando da morte de algum artista, político, escritor ou outra figura relevante para a cultura e história do meu país, mas hoje vou sair daquilo que é o habitual. Hoje dou conta do falecimento de Netinho. Acho que todos sabemos a letra da música ao escutarmos os primeiros acordes de "Mila", um dos mais conhecidos temas do Axé.

O seu nome de batismo era Ernesto de Souza Andrade Júnior, mas ficou conhecido por Netinho. Nasceu em "Santo Antônio de Jesus, município localizado no estado brasileiro da Bahia" e foi na Banda Beijo que "iniciou a sua carreira, tento começado a ter sucesso com o tema ‘Beijo Na Boca’

O tema “Um Beijo pra Você”, foi lançado em 1993 e fez parte do seu primeiro álbum a soloe continha o sucesso ‘Menina’, que fez parte da banda sonora da telenovela “Tropicaliente”

O cantor passou os últimos meses a lutar contra um linfoma não Hodgkin do tipo B, um tipo de cancro do sangue, mas cuja causa é desconhecida. Morreu aos 60 anos, deixando a música como legado. Netinho é daquelas vozes que reconhecemos à primeira nota. Fez parte da minha infância, passei horas a ouvir as suas músicas, trauteei-as como sabia e dancei-as. Ainda hoje, tantos anos passados conheço as letras. Daqui a pouco chega o "Fim de semana" e irei trautear a sua canção. 


Fontes:

https://youtu.be/drtbbJ-niTc

https://youtu.be/1KDs5h6KCTw

https://youtu.be/4oQVyOMDe2k

https://expresso.pt/blitz/noticias/2026-10-13-morreu-netinho-o-cantor-de-milla-6442617d


11/10/2026

Ataque ao aeroporto de Riade, na Arábia Saudita

O Médio Oriente continua em guerra. E quando pensamos que os ânimos começam a acalmar-se, eis que há um novo e mortífero ataque ao aeroporto Rei Khalid, em Riade, do qual resultam 12 mortos e quase três centenas de feridos. Os mortos são oriundos de vários países, incluinto um norte-americano. Apesar dos Houthis não terem ainda reivindicado a autoria deste ataque, a verdade é que acabaram por assumir a autoria dos dois atentados da semana anterior ao mesmo aeroporto e já tinham feito avisos às companhias internacionais. Este ataque pode ter sido uma retaliação ao país, uma vez que a Arábia Saudita está a conduzir "uma campanha aérea contra os Houthis para apoiar a guerra terrestre do governo iemenita contra o grupo apoiado pelo Irão," dando ainda apoio militar no terreno.

Na semana anterior, este aeroporto tinha sofrido outros dois ataques que fizeram quatro mortos e provocaram "danos graves" numa "aeronave comercial saudita." Entretanto, a companhia nacional de aviação do Kuwait, anunciou "a interrupção das ligações com a capital saudita." 

"A coligação liderada pela Arábia Saudita" já afirmou que será dada "uma resposta firme, classificando o ataque como um crime grave contra infraestruturas civis."

Os Houthis, "também conhecidos como Ansar Allah," já fizeram saber que os ataques podem continuar, alertando para que "as companhias aéreas internacionais", evitem voar "através do espaço aéreo saudita, afirmando que a região se tornou palco das suas operações militares — com exceção do espaço aéreo sobre as cidades sagradas de Meca e Medina," os quais são considerados locais sagrados para os muçulmanos. O grupo político-militar do Iémen e que é "apoiado pelo Irão," controla uma "grande parte do norte do país, incluindo a capital, Sanaa," combatendo, desde há vários anos, "o governo iemenita reconhecido internacionalmente." 

Este ataque aumenta o risco de uma escalada do conflito. Hoje, um porta-voz do governo iemenita veio acusar o governo de Riade de um ataque aérea que atingiu uma casa na capital, Sanaa, e que resultou na morte de "uma criança" e em ferimentos em outras "seis pessoas." De acordo com a mesma fonte, "91 iemenitas foram mortos e 168 feridos" em ataques realizados pelo grupo liderado pela Arábia Saudita.

"A emissora Al-Masirah, controlada pelos houthis no Iêmen, relatou neste domingo um ataque que teria sido realizado pela Arábia Saudita contra o Aeroporto Internacional de Sanaa." A possibilidade de intervenção dos EUA, ponderada por Trump, pode vir a agravar a situação relativa à navegação na região do Golfo Pérsico.


06/10/2026

Confrontos e manifestações em França

Em França mais de 400 escolas encontram-se encerradas devido a ações de estudantes (e não só) que exigem ao governo melhores condições de educação. O que está a acontecer - a apenas alguns meses de haver eleições em França - é que os manifestantes estão a exigir "mais professores substitutos, melhores condições de funcionamento dos edifícios escolares" e melhores condições "de ensino." Desde que os protestos pela educação começaram, em meados de setembro, o número de escolas encerradas tem vindo a diminuir. Em relação às consequências, além de não haver aulas, existem para já cerca de "215 estudantes e 715 agentes da polícia" feridos. As forças policiais tentam impor a ordem e foram já feitas mais de "cinco mil" detenções.

Para além de impedirem o acesso às escolas, os manifestantes incendiaram caixotes do lixo e pneus para atrasar ou impedir a intervenção policial. Há ainda a lamentar diversos "danos materiais e confrontos com as forças de segurança, que se repetiram esta segunda-feira em algumas escolas de cidades como Paris e Toulouse, entre outras"

Para afastar os manifestantes, as autoridades estão "a recorrer a gás lacrimogéneo e a outros meios." Entre os feridos está um jovem de 15 anos, que teve a mão amputada devido ao rebentamento de uma granada lançada pela polícia e que o jovem terá agarrado, possivelmente, para a voltar a atirar.

Na passada segunda-feira, um "adolescente de 14 anos" acabou por perder a "maioria dos dentes quando um agente da polícia" o terá alegadamente atingido com "uma granada à queima-roupa," não conseguindo "falar" nem comer, tendo de "uma palhinha", Na quarta-feira, um outro "jovem de 16 anos perdeu a visão do olho direito depois de ter ficado gravemente ferido na cabeça."

Na quinta-feira e num outro local, "uma bola de borracha feriu um jovem de 16 anos no olho." Neste caso, a polícia estaria alegadamente "a responder a dois homens a cerca de 20 metros de distância que tinham disparado fogos de artifício na sua direção."

A violência policial é clara em muitas das imagens. Mas pergunto outra coisa. Muitos destes jovens são menores. Infelizmente, uma "mobilização" que teve início "em setembro, no liceu Saint-Exupéry, em Créteil, na região de Paris," acabou por alastrar e alargar-se a outras escolas. "Os alunos juntaram-se aos professores numa contestação contra a falta de funcionários e de recursos na escola."

Mas deixo a questão, independentemente de terem razões para se queixarem, e nem sequer estou a pôr em causa que as tenham, de que forma é que os pais e encarregados de educação destas crianças e jovens os estão a aconselhar ou a incitar? Um lança-granadas - como dizem - contra uma multidão, estejam presentes crianças ou não, será completamente errado e excessivo, a meu ver. Mas onde estavam os pais ao permitirem que os filhos ali estivessem expostos àquele risco? Saberiam ou teriam autorizado a presença dos menores?

Também são visíveis nas imagens, jovens a ofender agentes de autoridade. Uma coisa é o direito 
à manifestação e o direito à resistência - que não tenho a certeza, pois não conheço assim tão bem as leis francesas, se existe em França - outra coisa é atos de vandalismo, de ofensa e de agressão cometidos pelos manifestantes. Que educação lhes de
ram os pais, tendo em conta que muitos são menores de idade ainda? E volto a frisar, estou totalmente contra a violência policial e achei a resposta dada completamente exagerada e desproporcional na maior parte dos casos que se conseguem ver (não sei o antes nem o depois, e isso também pode alterar a perspetiva). É que há aqui uma outra situação que é a participação e apoio de indivíduos da Extrema-esquerda que podem estar a usar estas crianças e jovens como "frente" para as suas reivindicações, tornando-os desta forma alvos da polícia e incitando a que sejam provocadores para as forças de autoridade. Não nos esqueçamos que estamos apenas a seis meses de eleições em França.

A violência não vem só da parte da polícia. Na passada quinta feira, um "estudante de 17 anos foi detido por alegado envolvimento numa agressão ocorrida durante os protestos," tendo sido acusado de lançar "uma pedra que atingiu uma mulher de cerca de 50 anos num olho, provocando-lhe "perda de visão." Já na sexta-feira, "um estudante de 16 anos" teria "atirado gasolina para cima de uma professora durante um protesto estudantil," na localidade de "La Ciotat, no sul de França." Quando falamos em direitos, há sempre que falar também em alguns dos deveres cívicos que podem aqui não estar a ser respeitados.


Fontes:

https://www.jn.pt/mundo/artigo/come-por-uma-palhinha-adolescentes-feridos-em-protestos-de-alunos-do-ensino-secundario/18133988

https://sicnoticias.pt/mundo/europa/2026-10-06-violencia-em-franca-o-que-levou-alunos-a-sair-a-rua-fechou-escolas-e-obrigou-a-milhares-de-detencoes-fc53fb62

https://www.jn.pt/mundo/artigo/estudante-de-15-anos-perde-uma-mao-em-explosao-durante-protestos-em-franca/18133735

03/10/2026

Confrontos em Espanha devido à falta de habitação

A população juntou-se nas ruas para se manifestar contra a crise da habitação que se vive em Espanha e contra os despejos. O problema não é novo, nem é único de Espanha, mas a última gota foi o despejo de Maricarmen, uma senhora de 87 anos, obrigada a deixar a casa onde residia desde 1956, devido a uma subida absurda da renda que pagava. Já o tinham tentado fazer em outras três ocasiões, mas "desta vez, a comissão judicial levou o despejo por diante," apesar de haver até um pedido da ONU para que o mesmo fosse suspenso. Maricarmen não pode pagar uma renda que ultrapassa em muito a pensão que recebe e que se situa nos "2.500 euros por mês, mais 247% do que pagava até então. A mulher, com uma deficiência de 50%, nunca conseguiu suportar esse valor." Apoiantes tentaram impedir o despejo, sendo afastados "à bastonada" e "com gás pimenta" pela "Polícia Nacional". 

Ontem, na votação no Congresso, foram rejeitados "os dois decretos-lei sobre habitação promovidos pelo Governo do presidente Pedro Sánchez, impulsionados após o despejo de Maricarmen." 

Milhares de pessoas tinham-se deslocado até junto do "Parlamento para acompanhar o debate e exigir medidas face à crise da habitação." Fala-se em cerca de "70.000" participantes, embora dados não oficiais falem em cerca de meio milhão de pessoas. Muitos espanhóis já se encontram acampados junto à "Puerta del Sol", para onde a marcha seguiu depois de terem sabido da rejeição dos decretos em causa.

Já na região de Valência, um grupo de manifestantes marchou até ao "Palau de les Arts Reina Sofía, sede do congresso de investimentos imobiliários Valencia Real Estate Summit 2026, que conta com oradores como o antigo líder do partido Ciudadanos (Cs), Albert River." A polícia, que fazia um "cordão de segurança", barrando a passagem dos manifestantes, foi atingida com objetos arremessados por alguns elementos do grupo, menos ordeiros. "A polícia respondeu com balas de borracha e gás lacrimogéneo. Várias pessoas conseguiram aceder à parte superior do edifício." 

Mas também em outras cidades, os protestos se fizeram ouvir. "Em Donostia, o protesto cumpre o cumpre o segundo dia consecutivo," enquanto em Cádis," os manifestantes terminaram a sua marcha em frente da "Câmara Municipal" onde procederam à "leitura de um manifesto." Houve ainda "marchas em Las Palmas de Gran Canaria, com outras convocatórias em Lanzarote, Fuerteventura e Tenerife," bem como "em Barcelona."

Em maio, já tinha havido manifestações nas ruas madrilenas contra o governo de Sanchéz, exigindo a demissão do primeiro-ministro. Esta marcha tinha sido "convocada pela Sociedade Civil Espanhola, que coordena mais de 150 associações civis, à qual se juntaram os partidos PP (direita) e Vox (extrema-direita)." Segundo a organização. terá tido uma participação efetiva de cerca de "120.000 pessoas," enquanto representantes do governo, situou os números na casa das "40.000 pessoas." Estas manifestações em França e em Espanha estarão prestes a espalhar-se pelo resto da Europa, ou tratar-se-á de um problema localizado geograficamente?

Fontes:

https://pt.euronews.com/2026/10/03/quase-500-mil-pessoas-protestam-em-madrid-pela-crise-da-habitacao

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/tres-detidos-e-sete-policias-feridos-apos-confrontos-em-marcha-anti-sanchez-em-madrid_n1743071

https://pt.euronews.com/2026/10/02/congresso-rejeita-decretos-da-habitacao-apesar-do-aviso-de-sanchez-serao-julgados-mais-ced

https://pt.euronews.com/2026/09/23/idosa-de-87-anos-despejada-em-madrid-apos-quatro-tentativas-e-apesar-de-pedido-da-onu


27/09/2026

Faleceu o ator Adelino Tavares

Faleceu ontem o ator Adelino Tavares, no Hospital Pulido Valente, em Lisboa. Adelino Tavares foi "fundador da Orquestra Dramática O Bife", depois de ter terminado a sua formação no Chapitô, em 1989. Para trás, "deixa um legado e um contributo incontornáveis no panorama das artes performativas."

Do seu trabalho constam peças e "espetáculos com títulos deliberadamente provocadores", tais como: “O Discurso da Cenoura” (1990), “La Cromagnona + 1 peça para um colchão” (1990/91), “A Lei dos 3 tomates” (1995/96), “O Meu Carro é Mais Dramático que o Teu” (1993) ou “Um dia levanto-me e mato todos os gajos que não pensam”.

Participou ainda na novela "Jardins Proibidos" e na série "Inspetor Max," bem como em "Bocage" e "O Dia do Regicídio". No cinema, a sua colaboração como ator destacou-se em "I’ll see you in my dreams" (2003), um "filme de Filipe Melo e Miguel Ángel Vivas. Mais recentemente, participou também em "Ubu" (2023), de Paulo Abreu.

Fontes:

https://observador.pt/2026/09/27/morreu-adelino-tavares-fundador-da-orquestra-dramatica-o-bife-e-figura-do-teatro-de-vanguarda-portugues/

https://rr.pt/noticia/amp/vida/2026/09/27/morreu-ator-adelino-tavares-fundador-da-orquestra-dramatica-o-bife/487029/


26/09/2026

Somos um Estado Laico!

Quem me conhece sabe que me recuso a ter qualquer religião e que não acredito em nada que se relacione com deus, santos ou pseudo-milagres. Dito isto, respeito quem o faz não entrando em locais de culto quando estes estão a decorrer, ou não tratando essas pessoas de forma diferente. Agora, o que peço, é que me respeitem também a mim. Se eu não entro num local onde está a decorrer uma missa, não interrompendo ou fazendo a minha presença notada, então não entendo porque é que num local em que estão crianças e pais e sem qualquer aviso prévio de que tal iria ocorrer, entra um bispo e um padre para fazerem sei lá o quê. Se me tivessem avisado de que essa intervenção religiosa iria ocorrer, eu não teria lá ido ou sairia do local antes da entrada dessas pessoas. 

E ainda menos entendo o seguinte. Um clube, que tem atletas de várias nacionalidades e, possivelmente, de várias religiões e outros sem religião, não deveria ter informado os encarregados de educação da existência de um ato oficial desta envergadura? Há atletas católicos, há, mas também há os que não o são. E não foi dito na inscrição que qualquer atleta teria de assistir a atos ligados à igreja católica ou a outra qualquer confissão religiosa e, ainda por cima, pediram aos atletas para pousar para uma fotografia com os ditos senhores. Perguntaram a cada um deles se era católico?

E espero que alguém me elucide, com que fundamento científico é que a benção vai fazer diferença à vida utilitária da carrinha e da segurança das crianças e jovens que lá viajarem. Não terá a mesma possibilidade de avaria e de acidente que outra carrinha? Não seria mais correto, estar presente alguém da empresa de seguros e ter sido assinado na presença de todos um seguro contra todos os riscos? Ou ter sido oferecido aos motoristas habituais um curso de transporte coletivo de crianças e de segurança rodoviária? 

Outra coisa, não teria a Junta de Freguesia em causa e a sua respetiva Câmara Municipal, ao se fazerem representar num ato desportivo com tanta gente que participa e que movimenta milhares de atletas, afixar também essa informação de que iriam estar presentes ao lado de entidades da igreja católica, para que, mais uma vez, pudéssemos todos livremente, escolher se estaríamos presentes ou não?

Somos um Estado laico, portanto o concelho onde resido, é laico também, ou estou enganada? Há atos que são públicos, como por exemplo as procissões, mas a esses vai quem quer, quem não gosta, desvia e passa ao lado. Agora, ali, naquele local não havia como o fazer. Senti-me insultada e magoada, como mãe e como cidadã merecedora de respeito. Não falando sequer dos custos que podem ter estado envolvidos.

Mas este não foi caso único. No passado dia 21 de setembro de 2026, o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, realizou uma bênção católica ao edifício escolar durante a cerimónia de inauguração das novas obras da Escola Secundária de Cascais. Estavam também presentes algumas das mais altas figuras do Estado, tais como o Presidente da República, o Primeiro-Ministro e o Ministro da Educação. 

Concordo plenamente com a opinião da Associação República e Laicidade quando refere que "a inclusão de um rito confessional num ato oficial do Estado viola a Lei da Liberdade Religiosa (que dita a separação entre a Igreja e o Estado) e infringe o princípio de que o ensino público é não confessional, discriminando cidadãos de outras religiões ou agnósticos." Neste caso, "A associação considera que “a não confessionalidade do ensino público foi infringida, assim como o direito individual de não assistir a atos religiosos”, tendo existido “também uma discriminação a favor da comunidade católica”. 

Como refere a associação RiseUp Portugal "O nome do bispo ficou na placa. O do ministro da Educação, pelos vistos, já não coube." A associação acrescenta ainda que "o melhor é que nem no Estado Novo, quando o Plano dos Centenários espalhou milhares de escolas pelo país e até havia crucifixos obrigatórios nas salas de aula, era prática pôr na placa oficial o nome de quem benzia a escola."

E o problema é que isto está a ser normalizado. Porquê? Seria normal se, perante este convite, se tivesse convidado alguém de todas as outras religiões presentes na escola para fazer o seu ritual - assim, não haveria discriminação - e se avisassem aqueles que, como eu, são ateus e que, merecem também ser respeitados na sua não-crença.

Comparo aqui o ensino escolar com um clube de cariz desportivo. Lá porque a direção é católica não pode implementar estes atos nas suas cerimónias, sem avisar os pais e os atletas. Se o quisesse fazer deveria marcar um dia, ao qual apenas iriam os atletas que quisessem participar. Não sendo assim, é vergonhoso que o tenham imposto a quem lá estava.

Fontes:

https://www.instagram.com/p/DdlwUV1tN9b/

https://observador.pt/2026/09/23/associacao-pede-avaliacao-de-ilegalidades-em-bencao-catolica-na-inauguracao-de-escola-publica/

https://web.facebook.com/RiseupPortugal/posts/o-nome-do-bispo-ficou-na-placa-o-do-ministro-da-educa%C3%A7%C3%A3o-pelos-vistos-j%C3%A1-n%C3%A3o-cou/1523242873171554/?_rdc=1&_rdr#


22/09/2026

Perdeu-se a icónica voz de Jorge Palma

Um dos maiores nomes da música portuguesa do seu tempo, deixou-nos ontem à noite. Começa a ficar um vazio difícil de preencher quando olhamos para trás e os grandes nomes na música da nossa juventude já começaram a desaparecer. Ficam as suas músicas, fica a letra de cada canção e ficam as muitas imagens gravadas, palavras ditas e escritas para nós e para os que virão, mas deixam de estar as pessoas e isto começa a fazer-nos sentir cada vez mais carentes, mais pobres.

Jorge Palma nasceu a 4 de outubro de 1950, em Lisboa e desde cedo mostrou aptidão para a musica. Brincava com o seu piano, imitando aquilo que ia escutando na rádio e, felizmente, a mãe percebeu que ele podia ter algum potencial e colocou-o logo aos seis anos a "ter aulas de música, tendo ingressado no Conservatório de Música de Lisboa aos 10."

"Em 1963, ficou em segundo lugar num concurso internacional de piano, no Festival Juventudes Musicais, em Palma de Maiorca, Espanha, onde foi também distinguido com uma Menção Honrosa." Aos 14 anos, abandona a música clássica para se dedicar ao pop-rock. Esta mudança poderá ter sido o ponto de viragem na vida do cantor e autor, que desde logo mostrou que a liberdade era um alvo a atingir.

Em 1971, apresentou-se na primeira edição do festival de Vilar de Mouros, com o grupo "Sindicato" e fez ainda parte da banda "Black Boys". Com 22 anos, "em 1972, gravou The Nine Billion Names of God, o primeiro single em nome próprio, cujo pagamento recebeu em eletrodomésticos." É então que é chamado para cumprir o serviço militar e foge para a Copenhaga, na Dinamarca, onde esteve exilado, regressando depois de se dar o 25 de abril de 1974. A sua guerra foi feita fora do país e as armas que usou foram a voz e os instrumentos, principalmente o piano. Ainda no exílio, começou a preparar um novo disco com letras escritas em inglês, mas acaba por alterar as letras para português para que estas fizessem mais sentido a quem as escutasse e fossem compreendidas por mais pessoas. No ano seguinte, edita o primeiro álbum em nome próprio, "Como uma viagem na palma da mão" do qual não são feitas mais de 500 cópias, podendo esta baixa procura ter sido resultado do verão "quente" de 1975 e da instabilidade em que o país vivia. Ainda em 1975, apresenta com Fernando Girão, "Pecado Capital" no Festival da Canção.

Em 1979, editou com Sérgio Godinho, "Na terra dos sonhos", do álbum "Qualquer coisa pá música." Acaba por trocar Lisboa por Paris, onde toca nas ruas e no metro. "Na década de 1980, de volta a Lisboa, retoma os estudos de piano no conservatório, que terminou em 1990. Logo a seguir, grava Só, editado em 1991, a primeira coletânea de carreira de Jorge Palma, na qual revisita, apenas ao piano, canções dos discos das duas décadas anteriores." Nos anos 90 a carreira de Jorge Palma, sofre uma nova viragem com a criação de "Palma's Gang, ao lado de Zé Pedro e Kalu, dos Xutos & Pontapés, e de Flak e Alex Cortez, dos Rádio Macau." Compôs também "para teatro e para outros artistas," tendo ainda integrado o famoso "projeto Rio Grande." 

Voltaria aos originais em 2001, com o álbum "É proibido fumar". Em 2002, vence "o Prémio José Afonso, em 2002, com Jorge Palma." Lança "Norte", em 2004, "Voo nocturno", em 2007, e "Com todo o respeito", em 2011. 

Em 2012 vence a "primeira edição do Prémio Pedro Osório, da Sociedade Portuguesa de Autores," com o "álbum Com todo o respeito."

Em 2020, recebe "a medalha de mérito cultural da Câmara Municipal de Lisboa, no final de um concerto de celebração dos seus 70 anos," sendo então também "condecorado pelo então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como comendador da Ordem do Infante D. Henrique."

Em 2023, edita o seu último álbum, intitulado "Vida," estreando em 2025 o espetáculo "Três palmas na mão," onde tocava com os seus dois filhos, Vicente e Francisco.

Em abril deste ano, Jorge Palma "distinguido com o Prémio Carreira do 8.º PLAY – Prémios da Música Portuguesa, decidido pela direção da Audiogest."  Ali se cantaram excertos das suas canções, pelas vozes de Sérgio Godinho, Tim, Marisa Liz, Miguel Luz, Inês Marques Lucas, Vicente Palma e Francisco Palma. A sua música é marcada por poemas com fortes mensagens, feitas de palavras que ele soube escolher e que, na sua maioria, ficou nos nossos ouvidos. Para quem o quiser recordar deixo a Grande Entrevista, feita por Vitor Gonçalves a Jorge Palma.

Cessa a voz, mas ficam as palavras...

Fontes:

https://observador.pt/2026/09/22/morreu-jorge-palma-um-dos-maiores-nomes-da-musica-portuguesa-cantor-e-compositor-tinha-76-anos/

https://sicnoticias.pt/cultura/musica/2026-09-21-video-morreu-o-musico-jorge-palma-tinha-76-anos-508149f9

https://sicnoticias.pt/cultura/musica/2026-09-22-jorge-palma-uma-vida-dedicada-ao-piano-ao-rock-e-a-liberdade-9a96899d

https://youtu.be/a-LRfO77Y8Y

https://youtu.be/OELFfVKylX4


17/09/2026

Cheias causam um morto em Barcelona... e o pânico volta

A zona de Valência e de Barcelona voltou a ser atingida por chuvas fortes e provocou até agora cinco vítimas mortais, fazendo recordar a tragédia de 29 de outubro de 2024 em que morreram mais de duas centenas de pessoas.

Entre as vítimas desta nova enchente está o condutor de um carro arrastado pela corrente na zona de "Olivella, na comarca de Garraf," e cujo corpo foi depois localizado numa zona de mato, a cerca de quinhentos metros da viatura que conduzia.

As chuvas fortes obrigaram ao encerramento de escolas, de forma a minimizar as deslocações e a garantir a segurança das crianças , famílias e funcionários. "Também a circulação de comboios apresentou condicionamentos, nomeadamente, entre Silla e Almussafes." Foram várias as estações de metro, garagens e caves completamente alagadas. Estes fenómenos têm tendência a repetir-se com cada vez mais frequência devido ao aquecimento do Mar Mediterrâneo.

Fontes:

https://sicnoticias.pt/mundo/2026-09-17-cheias-provocadas-por-chuvas-torrenciais-fazem-pelo-menos-um-morto-em-barcelona-37a5e951

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/3052817/homem-morre-apos-ser-arrastado-por-corrente-durante-cheias-em-barcelona

11/09/2026

Acidente com autocarro na Suíça faz cinco mortos... e os 25 anos dos ataques aos EUA

Um acidente envolvendo um autocarro de turismo resultou em cinco mortos e quarenta feridos, três dos quais considerados feridos graves. O acidente ocorreu ontem no cantão de "Grisões, no estremo leste" da Suíça. O autocarro que fazia a ligação dos "Países Baixos para a Áustria," pertence a uma "empresa turística holandesa", a "Oad," e terá capotado "numa zona em obras numa estrada de montanha." Pelo que se sabe, todos os passageiros eram neerlandeses e estariam em viagem desde segunda-feira. As causas do acidente ainda não foram divulgadas.

Assinalam-se hoje 25 anos desde o "11 de setembro". Um quarto de século - e tanto que já se passou nas nossas vidas desde então! Para aqueles que ainda hoje consideram que o sequestro dos aviões e os ataques 
às "Torres Gémeas" e ao "Pentágono" foram uma farsa, só tenho a dizer que não importa o que acham, pois a cada um caberá tirar as suas ilações sobre o assunto. Eu lembro-me bem demais das imagens que vi, dos pesadelos que tive, da sensação de queda e de vazio debaixo de mim quando estava prestes a adormecer e, não, eu nunca lá estive, mas aquelas imagens marcaram-me. Ali não havia inteligência artificial, nem sequer tempo para modificar ou escolher imagens menos marcantes. Foi tudo visto em cru, sem filtros, apenas com alguns desviares das câmaras nos momentos certos para que não víssemos os corpos a estatelarem-se cá em baixo. 

Durante dias acompanhamos as operações de buscas, dia e noite. Nunca fui de rezar, pois não acredito em nenhum deus nem fantasio com nenhum milagre, mas aos 17 anos, eu tantas vezes pensei na minha cabeça "o que faria se fosse eu a estar ali?" Hoje sou uma mulher, não mais uma jovem cheia de sonhos e projetos, mas naquele dia, morreu parte da minha infância, da minha inocência, separaram-se as águas do bem e do mal. Eu nunca quis acreditar que houvesse um povo bom e um povo mau, uma cultura boa e outra má, nem sequer quis tomar partidos, mas naqueles dias, todos sem exceção levamos uma lavagem cerebral e fomos bombardeados com opiniões e factos que ainda hoje nos marcam e moldam a nossa maneira de pensar quer queiramos quer não. Não foram só os EUA que foram atacados, foi também um tipo de civilização, foram valores, foi a nossa tranquilidade. 

Podem não se lembrar, mas eu na altura tinha a minha mãe ainda em casa e lembro-me de sair para a rua e dela ter medo de que nós não voltássemos, de nos dizer para estarmos atentas e se notássemos algo estranho para voltarmos logo para casa. Ninguém me mandou olhar para o céu, mas nos meses que se seguiram, eu andava sempre atenta ao barulho dos aviões e ficava a ver os seus rastos e a pensar: "Estará tudo bem lá dentro?" 


Fontes:

https://pt.euronews.com/2026/09/11/despiste-de-autocarro-turistico-no-leste-da-suica-causa-varias-mortes

https://cnnportugal.iol.pt/suica/graubunden/acidente-com-autocarro-turistico-na-suica-faz-varios-mortos/20260910/6aa2fce3d34e53c759c71a99


08/09/2026

Ébola continua a matar

O ébola continua a matar e nem sequer se tem falado muito disso. A verdade, é que se trata de uma doença grave provocada por um vírus. Este Vírus, "transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados. A doença pode causar febre, vómitos e diarreia e, em alguns casos, hemorragias internas." Este vírus foi identificado pela primeira vez em 1976 e desde aí têm ocorrido dezenas de surtos e de epidemias. 

Com uma taxa de letalidade de 48,3%, esta é considerada uma das piores epidemias a atingir a região. O Ébola "já provocou 3.226 mortos entre 6.686 casos confirmados," na "República Democrática do Congo (RDCongo)." Esta balanço foi avançado esta terça-feira pelo "Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP).

De acordo com a OMS, citada pelo Observador, a "epidemia de Ébola causada pelo vírus de Bundibugyo na República Democrática do Congo (RDCongo) continua fora de controlo após atingir 6.686 casos e 3.226 mortos." A área atingida é significativa e existe o risco de propagação aos países vizinhos. A vacina ("Ervebo") é eficaz na prevenção, mas é preciso também evitar a propagação do vírus. No mês passado, o diretor da OMS, tinha afirmado uma das questões preocupantes, era o elevado  número de pessoas que acabava por morrer "nas próprias comunidades, fora das unidades de tratamento e longe das listas conhecidas de rastreamento." Ou seja, estas vítimas acabam por não ser contabilizadas e não é feito isolamento, ou o mesmo não é eficaz. "Esse fato indica a presença de correntes de transmissão ocultas."

A RDCongo tinha já declarado "em dezembro de 2025, o fim de outra epidemia de Ébola, na região de Kasai."

Fontes:

https://healthnews.pt/2026/09/08/ebola-provoca-mais-de-3-200-mortos-na-rdcongo/

https://observador.pt/2026/09/08/oms-alerta-que-o-virus-do-ebola-continua-fora-de-controlo-na-republica-democratica-do-congo/

https://news.un.org/pt/story/2026/08/1854021

06/09/2026

Acidente em Moçambique mata 25 pessoas

Este sábado, o despiste de um autocarro na Ilha do Fogo, em Moçambique, provocou a morte de 25 pessoas, havendo ainda dois feridos em estado grave. O autocarro transportava quarenta passageiros, e acabou por resvalar e cair numa ribanceira de cerca de 30 metros. Os difíceis acessos acabaram por dificultar o socorro às vítimas. Os feridos foram transportados para o "Hospital Regional de São Francisco de Assis."

De acordo com informações da "Câmara Municipal de São Filipe," (Sábado), o "autocarro transportava alunos jovens, estudantes do ensino secundário dos agrupamentos III e IV de Curral Grande e Ponta Verde, quando durante um passeio entre Chã das Caldeiras e Campanas saiu da estrada e caiu de uma altura de cerca de 30 metros, numa zona rochosa e com uma ribeira de difícil acesso."

Ainda em junho deste ano, um outro acidente com um autocarro na "zona de Cafunpe", província de Manica, provocou três mortos, dos quais dois "foram identificadas, enquanto a terceira viajava sem qualquer documento de identificação." Do acidente resultaram ainda 29 feridos, A viatura seguia da província de Nampula para a cidade de Chimoio, capital provincial de Manica."

Fontes:

https://www.rfi.fr/pt/%C3%A1frica-lus%C3%B3fona/20260906-acidente-com-autocarro-mata-25-pessoas-na-maioria-crian%C3%A7as-e-jovens-na-ilha-do-fogo

https://mznews.co.mz/acidente-de-viacao-autocarro-despista-e-faz-tres-mortos-e-29-feridos-na-n6-em-manica/

https://www.sabado.pt/mundo/detalhe/pelo-menos-22-mortos-em-acidente-com-autocarro-na-ilha-cabo-verdiana-do-fogo


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