Soube há pouco da morte do jornalista e escritor Joaquim Letria, aos 82 anos. Perdeu-se um grande comunicador, um jornalista que foi pioneiro na televisão portuguesa e uma das nossas grandes figuras históricas.
Joaquim Letria nasceu em Lisboa em 1943 e "filiou-se no Partido Comunista aos 16 anos, tendo sido militante durante os oito anos seguintes." Em 1962, ingressa na carreira de jornalista no já "extinto Diário de Lisboa," e foi ao "fim de três meses," que viu surgir a sua "primeira oportunidade de trabalhar como jornalista com a cobertura de um incêndio. Colaborou também "com a revista Flama e com o Rádio Clube Português."
Mais tarde, seria "repórter da Associated Press e correspondente da agência Deutsche-Presse Agentur até 1970."
Na década de 1970 chegou a trabalhar com a BBC, em Londres, mas regressaria a Portugal depois do 25 de abril de 1974, "para ser diretor de informação na RTP. Foi por essa altura que teve um desentendimento com o então Presidente da República, António Spínola, que chegou a defender o despedimento do jornalista." No entanto, pouco depois receberia "o Prémio da Imprensa na categoria Televisão, atribuído pela Casa da Imprensa, pela “vivacidade e tom pessoal que conferiu ao seu trabalho”."
"Letria ficou conhecido do grande público também pelos vários programas televisivos que apresentou na RTP, como o programa que "apresentava, na altura, o "Teledomingo", onde para além do noticiário do dia havia uma revista da semana."
A sua carreira passou por alguns momentos inusitados, que mostram bem a fibra de que o jornalista era feito e que acabaram por marcar a história da televisão, "como quando entrevistou uma cadeira vazia — onde deveria estar o então ministro das Finanças Miguel Cadilhe, que não compareceu à entrevista." O jornalista esteve no ar mais de 24 horas na cobertura das primeiras eleições pós-revolução, em abril de 1975" e moderou em "conjunto com José Carlos Megre," o debate entre "Álvaro Cunhal e Mário Soares, em 1975."
A sua carreira passa também pela imprensa escrita, tendo sido fundador dos "semanários O Jornal (hoje revista Visão), o Tal&Qual e as revistas Sábado e Tempo Livre, dos quais foi o primeiro diretor." Seria ainda "eleito presidente do Sindicato dos Jornalistas e porta-voz do Presidente da República Ramalho Eanes até 1986."
Além de jornalista, foi também professor. Em 1987, dedica-se ao ensino como professor "auxiliar na Universidade Autónoma de Lisboa e professor convidado do Instituto Superior das Ciências da Informação e da Administração, colaborando na criação e reestruturação de conteúdos e formatos de programas de TV e rádio e na redefinição de jornais e revistas, integrado em grupos de especialistas de Londres, Madrid e Munique."
Regressaria à televisão em 1992, "para apresentar o programa Rosa dos Ventos, na RTP Internacional. Ainda nos anos 90, apresentou os programas Apanhados e o talk show Conversa Afiada."
Como escritor, viu o seu primeiro conto ser publicado no "Diário de Lisboa". Escreveria mais tarde, outras obras, como "A Verdade Confiscada. Escândalo – A Armadilha da Nova Censura" e "Histórias Para Ler e Deitar Fora."
Colaborou também "com a Rádio Comercial e com o jornal diário 24 Horas."
https://observador.pt/2026/10/16/morreu-o-jornalista-e-escritor-joaquim-letria-tinha-82-anos/
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