30/08/2025

Cheias matam na índia e Paquistão

As monções são frequentes na região do sul da Ásia onde se localizam a Índia e o Pasquistão, e se por um lado são essenciais à agricultura do país, também conduzem não raras vezes a chuvas fortes, que levam a cheias e deslizamentos de terras. As que estão a acontecer este ano, foram já consideradas como "as piores cheias dos últimos 40 anos," tendo já sido contabilizadas pelo menos 800 vítimas mortais "e mais de 200 mil" pessoas foram entretanto "retiradas de casa." Numa região que, historicamente deveria estar habituada às monções, a verdade é que os prejuízos têm sido cada vez maiores. As alterações climáticas podem também estar a trazer períodos mais longos e com mais intensidade, havendo ainda registo de "trovoadas súbitas e gigantescas, como bombas de chuva."

Além da região paquistanesa, também a região "norte da Índia está a ser fortemente atingido," com registo de várias casas e edifícios a serem "destruídos, depois das chuvas terem provocado inundações e deslizamentos de terras." As chuvas não têm dado tréguas e as terras estão completamente saturadas, o que aumenta o risco de liquefação e a escorrência pelas encostas. Na zona de "Jammu, em Caxemira," foram registados para já, trinta mortos, "vítimas dos deslizamentos de terra." Aqueles que podiam ajudar, tentavam resgatar o que ainda podia "ser salvo das inundações," improvisando "pontes para atravessar o rio que galgou as margens." Há cerca de 1 mês que não pára de chover, o que, além das cheias, traz ainda sucessivas falhas elétricas.

"Em Mumbai, as equipas de resgate" continuam a busca "por sobreviventes depois de um prédio ter desabado e provocado a morte a, pelo menos, 15 pessoas." Deu-se ainda o "colapso de duas comportas de uma barragem," do lado da Índia que fez inundar terras paquistanesas a jusante. "Segundo as autoridades paquistanesas, mais de mil e seiscentas aldeias foram inundadas e dezenas de pessoas morreram nos últimos dias." Estudos apontam o aquecimento global do planeta como causa para o aumento da mortalidade. O vento da monção traz consigo "um ar mais quente, capaz de transportar mais humidade, e carrega o potencial de se transformar numa bomba de chuva, quando as nuvens descarregam toda a água que contêm de repente, o que desencadeia cheias repentinas e mortíferas."

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/cheias-na-india-e-paquistao-varias-cidades-inundadas-devido-a-fortes-chuvas_v1680225

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-08-30-video-cheias-continuam-a-nao-dar-treguas-na-india-e-no-paquistao-19abc809

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-08-28-video-cheias-na-india-e-no-paquistao-nao-param-de-fazer-vitimas-6f698fb8-1

https://www.publico.pt/2025/08/23/azul/perguntaserespostas/moncoes-tornaramse-letais-bombas-chuva-paquistao-india-2144435

27/08/2025

Não há fome em Gaza

"Não há fome em Gaza", é tudo imaginação nossa. As crianças não estão a morrer devido aos ataques indiscriminados, não morrem nas filas enquanto esperam por um pouco de alimento... 


"Não há fome"... são pessoas magras porque estão doentes por outras razões. Israel já veio até exigir "que as Nações Unidas retirem de imediato o relatório" onde se declara "oficialmente" a existência de "fome na Faixa de Gaza,"  acusando a ONU de ser "uma instituição de investigação politizada". Porque os meios de comunicação social são todos mentirosos... não existe fome em Gaza.


Na caça, o caçador observa o animal. Atira comida. Depois quando o animal passa em direção à comida, o caçador dispara. Semelhanças com o que se passa em Gaza?


Esta terça-feira, o "Ministério da Saúde do enclave, controlado pelo grupo islamita Hamas, elevou para 313 o número total de mortos, dos quais 119 crianças, por fome ou desnutrição no território palestiniano desde o início da ofensiva israelita em 07 de outubro de 2023." De acordo com o grupo, a maioria das mortes por causas relacionadas com a subnutrição e a fome em Gaza ocorreram nos últimos dois meses, após um bloqueio quase total de entrada de alimentos e medicamentos no enclave por parte de Israel, que controla todos os pontos de acesso ao território palestiniano, impedindo a entrada dos camiões que transportam ajuda.


Como em todos os lugares do mundo, como em todos os povos e em todas as culturas, existem extremistas, gente cuja inteligência se esgota no próprio umbigo. E não se podem confundir as partes com o todo e, aqui, a parte que estupidamente defende o direito de ocupação de uma terra e que olha para aquelas crianças desnutridas como se não merecessem sequer viver, é a parte que, embora não os representando a todos, os está a representar perante outros Estados, outros países. E ninguém faz nada... 


A barbaridade está ali, está impressa nos jornais, entra-nos pelas retinas quando entramos em qualquer site de notícias ou ligamos a televisão. Mas dizem-nos que não é real... como se pudessemos estar cegos, surdos! Até quando se vai deixar um louco governar um país sem se fazer nada e um exército matar deliberadamente inocentes? Perante as acusações, Israel intensifica apenas os ataques, porque "não há fome em Gaza," nem morrem inocentes por ali, apenas terroristas.


Entretanto, a morte vai atingindo também os repórteres, matando quem quer repôr a verdade, quem procura informar o mundo.«, arriscando a sua própria vida.


Fontes:


https://www.cmjornal.pt/mundo/detalhe/israel-exige-que-onu-retire-relatorio-sobre-fome-em-gaza


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/dez-mortos-a-fome-em-gaza-nas-ultimas-24-horas-incluindo-duas-criancas_n1679497


 

25/08/2025

25 de agosto de 1580 - Batalha de Alcântara

A nossa História está recheada de episódios caricatos e interessantes (para quem gosta de saber um pouco mais sobre o país e as suas origens). A 25 de agosto de 1580, deu-se em Lisboa uma batalha curta mas na qual se tentou travar o avanço das tropas espanholas que nessa data entravam no território português. Ora, nos manuais dá-se pouco destaque a estes episódios, talvez porque nem meia hora as tropas do Prior do Crato, com o apoio da população, conseguiram resistir perante os avanços das tropas do Duque de Alba, ou talvez porque a chegada dos espanhóis já tinha sido assumida pela corte portuguesa. Mas será que não se deve falar desta batalha? Afinal de contas, termina aqui a Dinastia de Avis, "que se havia iniciado pouco menos de duzentos anos antes, em 1383-1385, e se havia consagrado com a vitória na batalha de Aljubarrota, em 14 de agosto de 1385."


Mas quem foi D. António e porque nunca foi aclamado verdadeiramente como rei? D. António era, na verdade, "filho bastardo do infante D. Luís". Apesar do pai o tentar encaminhar através da carreira eclesiástica, esta não configura a sua vontade. D. António, terá sido apoiante de Gil Vicente e "protetor" de Damião de Góis, nomes hoje reconhecidos na praça pública, mas que na época, não era assim tão bem vistos.


Chegou ainda assim a receber o "priorado do Crato, um dos mais ricos do reino," mas com "a morte do pai", recusa "a ordenação de presbítero," o que não foi nada bem aceite pelo seu tio, o cardeal-regente D. Henrique. Uma das razões para esta oposição, teve principalmente a ver com a chamada "Crise de Sucessão."


Em 1568, D. António recebe o "título de governador de Tânger, em África, "e conquista a estima do rei, D. Sebastião," a quem acompanha na "batalha de Alcácer-Quibir." Nesta batalha, D. António "é feito prisioneiro." mas acaba por ser "libertado após convencer os mouros de que não passava de um pobre padre. Regressado a Lisboa, começa a fase mais política da sua vida," mostrando-se opositor à união dos dois países.


Ao saber-se do desaparecimento de D. Sebastião (e de se presumir a sua morte), D. António apresenta-se como "candidato à sucessão," argumentando que "os seus pais" se haviam "casado em segredo," o que o tornaria legítimo herdeiro e "o que lhe dava precedência na linha de sucessão sobre o cardeal D. Henrique, que efetivamente herdou o trono," apesar de já ter na altura "sessenta e seis anos." Não chega a governar dois anos e, é com o monarca já às portas da morte, que se reunem as Cortes de Almeirim. D. António voltou a apresentar-se para "reclamar os seus direitos à coroa portuguesa," como um de entre três candidatos: "D. António, prior do Crato, filho natural do infante D. Luís, segundo filho de D. Manuel I, ou D. Catarina, filha de D. Duarte, filho mais novo de D. Manuel I, a qual estava casada com D. João, duque de Bragança. Por outro lado, havia o candidato castelhano, Filipe II, filho de D. Isabel, filha mais velha de D. Manuel I, e de Carlos V."


Ora Filipe, apesar de governar em Castela, era descendente da coroa portuguesa, enqunto que, D. António, era considerado por muitos, inclusive por seu tio, D. Henrique, como filho ilegítimo por duas razões: o Infante D. Luís, "duque de Beja," não era casado com D. "Violante Gomes", sendo que esta, seria "cristã-nova", ou seja, não era de "sangue puro."


Também "D. Catarina, ainda que tivesse uma boa situação jurídica para poder suceder ao trono," não "contava com fortes apoios."


Entretanto, já Filipe II começava a pressionar cada vez mais "as autoridades portuguesas a reconhecerem-no como rei, ameaçando que se não fosse obedecido invadiria Portugal." Para tal, D. Filipe II encontrava-se já a "reunir um poderoso exército," em Badajoz pronto para avançar e, a 18 de junho de 1580, Elvas rende-se. No dia seguinte, impulsionados pelo receio da já "iminente invasão castelhana, D. António foi aclamado tumultuosamente rei em Santarém." Também foi aclamado rei, em "Lisboa a 23 de junho."


Em agosto desse mesmo ano, dá-se a chegada do exército de D, Filipe II, "comandado pelo duque de Alba." Antecipando a sua chegada e sabendo de antemão na queda de outros postos, a "1 de agosto de 1580, D. António mandou concentrar as suas forças na margem esquerda da ribeira de Alcântara, frente à velha ponte que aí existia." Nesse local, sabendo que pouco haveria a fazer para impedir a entrada do "exército invasor", manda "abrir duas linhas de trincheiras e parapeitos com plataformas de artilharia para assim" tentar "impedir" o seu avanço, enquanto mais para o interior, "num olival", se encontrava escondida a "maior parte dos seus homens," muitos deles sem qualquer "experiência militar." Conta-se que, no "decorrer dos dias de espera pela chegada dos invasores em Alcântara muitos dos homens que a defendiam iam dormir a Lisboa, tendo alguns deles aí ficado no dia da batalha."


D. António, apesar de sair bastante ferido desta batalha, tanto por inimigos como por forças portuguesas, que o terão atacado de traição, não se deu por derrotado. 


Encontra alguns apoiantes e, depois de ter passado por França e por Inglaterra, chega mesmo a ser "reconhecido como Rei na Ilha Terceira," para onde tinha fugido, muito para não ser morto à traição, algo muito comum. Acaba por ser novamente derrotado, mas desta vez pelas forças do "Marquês de Santa Cruz", no ano de 1583.


"A partir de então, e até à sua morte em 1595, D. António viveu entre França e Inglaterra." 


Fontes:


https://observador.pt/programas/contra-corrente/em-alcantara-ha-445-anos-a-batalha-de-que-o-pais-nao-fala/


https://ensina.rtp.pt/artigo/d-antonio-prior-do-crato-e-defensor-de-portugal/


https://www.defesa.gov.pt/pt/defesa/organizacao/comissoes/cphm/rphm/edicoes/ANO4/72024/7_8


https://expresso.pt/podcasts/a-historia-repete-se/2025-07-02-d.-antonio-prior-do-crato-foi-ou-nao-rei-de-portugal--84cf4709

22/08/2025

EUA enviam meios militares para o mar da Venezuela

À vista de todos e arriscando-se a que alguém perca a paciência ou seja menos despojado de princípios do que ele, Trump continua a tentar demonstrar a sua potencial força, através de ações e provocações. Desta vez, os "Estados Unidos enviaram três navios lança-mísseis para as águas ao largo da Venezuela." Estes navios têm como "objetivo" o combate ao narcotráfico, num momento em que a tensão entre os dois países vai crescendo.

Para quem ainda não conhece a relação entre estes dois estados, começo por dizer que, no início deste mês, Trump duplicou a "recompensa oferecida por qualquer informação que permita" prender o presidente venezuelano Nicolás Maduro, cujo mandato não é sequer reconhecido pelo presidente Trump, por "tráfico de drogas." Em resposta, Nicolás Maduro colocou nas ruas cerca "de 4,5 milhões de milicianos, componente da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), preparadas, ativas e armadas, no que designou como um "plano de paz."

Trump não teme lançar ataques contra a Venezuela. E por isso, não é de estranhar que possam já haver mais meios a caminho, todos com o mesmo objetivo: "a missão envolve um submarino nuclear, uma aeronave de reconhecimento P8 Poseidon, vários contratorpedeiros e um navio de guerra equipado com mísseis," podendo ainda estar a caminho cerca de "4 mil fuzileiros navais para a região das Caraíbas, perto da costa venezuelana." 

Mas viajemos até ao ano de 2019. Trump estava na Casa Branca quando os EUA se recusam a aceitar a vitória de Maduro, impondo rígidas medidas contra a Venezuela, onde, manifestações contra Maduro, levaram à morte de "sessenta e sete pessoas," 59 das quais à mão de "polícias e grupos civis armados que apoiavam o governo de Maduro" e as outras seis em "execuções extrajudiciais cometidas por forças policiais especiais após os protestos."

A relação entre os dois estados tem sofrido vários altos e baixos, especialmente desde que os EUA reconheceram Juan Guaidó como presidente interino do país e, ainda, se nos lembrarmos que a Venezuela foi um dos países que se manifestou contra o ataque dos EUA a três instalações nucleares iranianas, a favor de Israel (além de Cuba e do Chile). Então, isto poderá estar tudo relacionado, ou será mesmo só sobre combater o tráfico de drogas?

Vamos aguardar.


Fontes:

https://observador.pt/2025/08/21/estados-unidos-enviam-tres-navios-lanca-misseis-para-aguas-ao-largo-da-venezuela/

https://observador.pt/2020/01/25/venezuela-morreram-67-pessoas-durante-protestos-em-2019/

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/06/internacional/1565055325_220193.html

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-08-19-presidente-venezuelano-arma-e-distribui-45-milhoes-milicianos-pelo-pais-6f7b800a


17/08/2025

Quando se discute o futuro da Europa

Podemos olhar para as reuniões entre Putin e Trump, Trump e Zelenski, como algo distante... mas não é nem assim. É preciso pensarmos bem que, aquilo que se decidir, vai influenciar o futuro da Europa e não apenas o futuro da Ucrânia (tal como a guerra nos continua a afetar a todos, apesar de, aparentemente nos termos adaptado e parecer que nada se passa).

Quando olho para estes encontros - e como me tenho debruçado sobre a história do século XX e das guerras que tanto afetaram as populações - parece-me sempre que algo anda a ser cozinhado e que nós só vamos saber quando o cozinhado estiver pronto. Há coisas que vamos sabendo, mas há muitas conversas, vários acordos que são feitos sem que se saiba na comunicação social - fazem parte destes, as reuniões de preparação dos grandes encontros, esses sim, mais mediáticos. Lembro-me dos acordos que foram fechados à margem dos Tratados oficiais, do que foi combinado e que acabou por não resultar no Armistício, e que, depois acabaram por levar à Segunda Guerra Mundial. Lembro-me das perdas que os vencidos tiveram e das cedências que foram obrigados a fazer. O que é se passa agora nos corredores, o que é que se diz à porta fechada nos gabinetes?

Esta Cimeira (por cá, mencionada em diversos canais televisivos, mas devido ao flagelo dos incêndios, sem o devido destaque), juntou dois homens no Alasca, no dia 15 de agosto, dois lideres que têm como aspeto comum a sua forte personalidade, mas enquanto Trump é mais explosivo, Putin é mais reservado. O seu semblante não transparece os seus pensamentos. E isso não me tranquiliza...

Vladimir Putin, foi recebido "no Alasca com uma exibição aérea de F-35 e F-22, e um sobrevoo do bombardeiro estratégico B-2, numa demonstração de força que não passou despercebida." O palanque em que Putin foi recebido, estava "ladeado por quatro caças F-22." 

Para quê? Com que intenção?

Fala-se em cedências de territórios e na instalação de militares europeus na Ucrânia... alguém acredita que isso vai acontecer? Temos um homem que, quer queiramos quer não, tem uma forte personalidade e uma enorme dominância, e que sabe que muitos receiam as suas ações. Quando esse homem, é recebido pelo presidente dos EUA, numa "base militar perto de Anchorage," no Alasca, e os dois apertam as mãos e seguem no mesmo veículo, estamos sim perante um encontro histórico. Histórico é também este local. "Durante a Guerra Fria, desempenhou um papel central na dissuasão e monitorização das projeções da força militar soviética e, desde a queda da Cortina de Ferro, tem mantido um papel discreto e puramente militar."

O que resultou desta reunião, para já, pouco ou nada sabemos. Mas sabemos que enquanto se discutia (supostamente) a paz, o "exército russo" bombardeava a Ucrânea lançando "85 drones e um míssil." Coincidência ou provocação?

Os dois, acabaram por não se reunir a sós, mas claro que houve hipótese de acordar determinados pontos aos quais por enquanto não teremos acesso. "Marco Rubio" e o "enviado especial, Steve Witkoff," estiveram presentes no Air Force One, "na parte bilateral das conversações." Na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro entre os dois líderes, teve Putin a primeira palavra, tendo começado logo designar Donald Trump "como vizinho " e "recordou as raízes russas no estado norte-americano do Alasca."

Sabe-se que Zelensky já terá conversado com Trump e que haverá um encontro entre os dois, em que poderão participar também outros líderes europeus. Ao contrário do que Trump chegou a afirmar, muito dificilmente os três se sentarão à mesma mesa.

Esperemos que estes encontros realmente sejam espaços de discussão de ideias que visem a Paz na Ucrânia, o regresso do povo ucraniano à sua terra, às suas casas e à não perda na necionalidade, da cultura, da língua... isto não pode acontecer, mas receio, será talvez um mal necessário, uma cedência para a Paz... 


Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2025-08-15-trump-e-putin-reunem-se-no-alasca-0025aa1e

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2025-08-16-os-avioes-militares-com-que-trump-tentou-impressionar-putin-7a1d9263

16/08/2025

Incêndio mata seis idosos em lar de Mirandela

O incêndio, que "deflagrou por volta das cinco da manhã", ficou confinado ao quarto onde começou. A causa aparente terá sido um curto-circuito "num colchão anti-escaras," num quarto onde as três pessoas que ali residiam acabaram por morrer. Faleceram ainda outras três pessoas, "devido à inalação de fumo e a problemas respiratórios," que "não conseguiram resistir." Do incêndio "resultaram ainda 25 feridos, dos quais cinco em estado grave, segundo confirmou o presidente da Câmara Municipal de Mirandela."

O lar da Santa Casa da Miseriórdia, "Bom Samaritano", albergava 89 idosos, e aparentava ter boas condições (digo isto pelas imagens que entretanto consegui ver), mas falta saber qual o número de funcionários que estariam presentes nas instalações. Está a ser dado apoio às famílias e aos restantes utentes, tendo sido organizado um "Centro de Apoio à Vítima," que ficou "instalado no pavilhão do INATEL." Os restantes idosos acabaram por ser entretanto transferidos para outros lares da região, estando ainda os bombeiros e o Inem no local. O provedor da Santa Casa, numa entrevista dada à NOW, afirma que o alarme contra incêndios não terá disparado e que foi quando as funcionárias foram ao quarto e abriram a porta do mesmo, o incêndio tornou-se muito intenso (digo eu, por entrada de oxigénio no espaço e que alimentou o fogo) e que o fumo se terá espalhado pelo restante edifício.

Foram ao quarto porque ouviram chamar ou havia algum fumo a sair que lhes chamou a atenção? E se detetaram que havia um incêndio no quarto, como foi aberta a porta? Tinham extintor e usaram-no imediatamente? Fiquei com muitas dúvidas a partir das palavras deste senhor, mas a Judiciária há-de fazer o seu trabalho e detetar o que foi bem feito e o que não foi feito. Não é só o incêndio que mata... Haveria capacidade para evacuar todas as pessoas que se encontravam naquelas instalações? É que não é só saber onde estão os extintores ou as saídas de emergência, têm de ser feitos simulacros e, aqui, sabemos bem, que nenhum simulacro é feito às 5h da manhã com o número reduzido de funcionários, os utentes a dormir e, também de referir, normalmente, com um número reduzido de operacionais presentes nos quartéis (por ser de noite e por estarem na sua maioria destacados para os incêndios rurais e florestais que deflagram) - mas é precisamente nessas horas da madrugada, que muitas destas situações acontecem. Aqui pode estar em causa um incêndio por negligência e homicídios por negligência, que podem ter sido ampliadas por falta de fiscalização.

Isto num dia em que continuam os incêndios florestais no centro e norte do país. Em Oliveira do Hospital, na localidade de "Vila Pouca da Beira, na União de Freguesias de Santa Ovaia e Vila Pouca da Beira," uma casa acabou por ser "completamente destruída pelas chamas." Noutra zona, na "localidade de Avô ardeu uma casa devoluta que se encontrava nas imediações da Junta de Freguesia," tendo ainda ardido vários "anexos, barracões e explorações agrícolas." É bastante perceptível o desgosto e a revolta das pessoas. Mesmo a quem as casas não foram afetadas, as situações de evacuação, dias sucessivos a olhar para as chamas a chegar às povoações, e noites sem dormir, desgastam qualquer pessoa.

Espera-se que este domingo cheguem "dois meios aéreos cedidos pela Suécia," a partir do "Mecanismo Europeu de Proteção Civil em Portugal." Poderiam ser suficientes se os "nossos" meios estivessem todos a funcionar e a dúvida é quantos estão e quantos estão parados. Uma coisa, será a não atuação devido às condições atmosféricas (a segurança é muito importante e, no meio disto tudo, não pode ser descartada), mas outra coisa será estarem parados por falta de manutenção, porque falta uma peça ou porque não têm autorização para voar. Onde anda os meios aéreos portugueses, que sabemos bem, na sua maioria são "alugados." A empresa proprietária dos Canadair a operar em Portugal, já veio ontem afirmar que já podem contar "com três aviões CL-215 operacionais baseadas em Castelo Branco," uma vez que o avião de reserva já se encontra novamente funcional e que está pronto "para apoiar as autoridades portuguesas no combate aos incêndios em todo o país." 

Aliás, de referir, que os outros dois aviões, atribuídos ao DECIR deste ano, devido a avarias, tinham já sido também substituídos ao abrigo do "mecanismo de cooperação bilateral com Marrocos, que enviou dois aviões Canadair de substituição, que passaram a integrar o DECIR até ao final desta semana e estão a operar a partir da Base Aérea de Monte Real." De acordo com o Secretário de Estado da Proteção Civil, como "Espanha" tinha "recorrido já ontem ao Mecanismo Europeu de Proteção Civil", poderia dar-se o caso da "ajuda a Portugal" poder ser mais reduzida, o que vem dar razãpo a quem diz que o pedido já vem tarde. Em resposta às perguntas feitas, o SE pediu "serenidade e tranquilidade" ao país. Como? O país está a arder ou o senhor SE não deu conta disso?

De acordo com um deputado do PS, "o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa," terá obrigado "o primeiro-ministro a interromper as suas férias," convocando-o para "vir a Lisboa a uma reunião", que ocorreu "na Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, em Carnaxide, no concelho de Oeiras, distrito de Lisboa." A presença do Primeiro-ministro no Pontal e a sua referência a se encontrar de "férias" tem despoletado muitas críticas e até pedidos de demissão. As pessoas estão desesperadas, continuam as temperaturas altas e continuam grandes frentes a avançar em direção às aldeias, aproximando-se e ameaçando habitações, sendo um dos mais preocupantes o que lavra "no concelho de Oliveira de Hospital." Neste caso, as frentes de fogo são "oriundas" do grande incêndio "que começou em Arganil na quarta-feira" e que acabou por passar "o rio Alva."

O país está "vestido" de negro, os relatos dividem-se entre a tristeza e a revolta e, claro está, há muitas críticas que se podem fazer, mas agora não é a hora de discutir, é hora de agir e de proteger as povoações, travando o avanço das chamas!

De destacar que já foram detidas ontem, duas pessoas suspeitas "de atear fogos florestais em Seia e Pinhel, duas cidades do distrito da Guarda." Uma delas, era um jovem de apenas "19 anos suspeito de atear um incêndio" no concelho de Seia "com recurso a chama direta, sem motivo evidente." Que se apanhem todos e que tenham penas pesadas, é o que se pede.

Fontes:

https://expresso.pt/sociedade/2025-08-16-seis-idosos-morreram-em-incendio-no-lar-da-misericordia-de-mirandela-5d4df818

https://www.asbeiras.pt/incendio-destroi-casas-em-oliveira-do-hospital/

https://sicnoticias.pt/especiais/incendios-em-portugal/2025-08-04-muito-calor-e-risco-de-incendio-deixam-portugal-em-situacao-de-alerta-f1c01254?cb_rec=djRfMQ (em atualização);

15/08/2025

Deixem-se de campanhas e façam o que tem de ser feito!

Não pode estar em causa a vergonha de pedir meios e apoios, através do acionamento do Mecanismo Europeu de Proteção Civil! Ou estavam a competir em área ardida antes de pedirem ajuda?

Espanha pediu "o envio de duas aeronaves Canadair," numa altura em que sete pessoas já tinha sido "hospitalizadas, quatro das quais em estado crítico, na região de Castela e Leão." Já tinha havido duas mortes a lamentar no país vizinho. Na província de Ourense, em Espanha, os bombeiros estão com muitas dificuldades para "extinguir um grande incêndio em Chandrexa de Queixa."

E em Portugal, a situação tem estado a piorar! Há dias que se pedem meios, ajudas! A população está desesperada, não dorme de noite, olhando as chamas que galgam montes e vales sem se deter em mudanças de concelho, vedações ou zonas protegidas! Mas só esta tarde se avançou com o acionamento do "Mecanismo Europeu de Proteção Civil," tendo sido solicitada "ajuda para o combate aos incêndios". Este pedido, que irá "permitir a chegada de aviões Canadair de apoio internacional," vem tarde... já há uma enorme área ardida e já temos feridos a lamentar (vários deles operacionais dos bombeiros) - dois feridos graves e um morto...

É que por cá, para haver Canadairs, parece que só alugados! E isso dará jeito a quem? 

"Apesar de ser o país do mediterrâneo com mais área de floresta ardida, Portugal é também o único que não tem uma frota própria destes aviões - os três" que por cá andavam e que avariaram, "são alugados"!

Olhando para as notícias, parecem-me um dejá-vu... a sensação é de estar a ver a repetição de algo mais antigo! Ainda se discute a falta de meios? Ainda se acusa quem limpou e quem não limpou os terrenos, quem permitiu a abertura de estradões? Não se discutiu já isto tudo, não se criaram grupos e comissões, não se fez alterações na estrutura da PC? Então, o que é que se passa?

Existem meios no terreno, sim, e temos de agradecer a todos os operacionais que se encontram a combater as chamas. Mas continuamos a ter bombeiros a ter de ser alimentados pelas populações? Ainda é assim, em 2025? Os populares continuam a ter de combater as chamas praticamente sozinhos! Mandam evacuar as aldeias, mas se as pessoas não vêem os meios a chegar, como é que conseguem sair de lá? Como é que podem sentir que as suas coisas estão protegidas? Há muita coragem nestes dias, não apenas em quem enverga uma farda, mas também em quem luta apenas com uma mangueira de jardim e uns galhos.

Ontem, ouvi a ministra da Administração Interna a dizer coisas que, simplesmente, me enojaram. Maria Lúcia Amaral começou por agradecer aos operacionais o trabalho desenvolvido, para depois referir que o país está em luta contra as chamas, numa onde de calor que afeta o país há “22 dias consecutivos" e "que gera, evidentemente, naqueles que estão na linha da frente exaustão e cansaço”. Isso é óbvio senhora ministra, mas que apoios estão a ter os bombeiros, quando são rendidos pelos seus colegas e regressam a casa (muitos, não chegam a ir a casa, vão para o quartel e regressam ao trabalho), tanto a nível da sua saúde física quanto psicológica?

Como é que o socorro está dependente de contratações a empresas privadas? Quantos é que estão a ganhar dinheiro com isto? Enquanto isso, Montenegro andava pelo Algarve nas festanças. E decretar a situação de contingência no país? Porque demora tanto? Há pois, se estivessem em contingência teriam de interromper as férias? Cancelar eventos!?

Onze dias e 6500 hectares depois, o incêndio de Vila Real foi dado como dominado - ei! Mas não pára aqui o combate! Há uma enorme área que tem ainda de ser trabalhada, não se pode virar costas - acho que sabemos todos isso, certo? Cerca de três mil militares foram mobilizados "para o combate aos incêndios no país, tendo atualmente 34 patrulhas diárias empenhadas na vigilância e deteção de fogos." O trabalho destas equipas é extremamente importante, mas é preciso lermos tudo - três mil é o total acumulado ao longo do ano.

Refere Xavier Viegas que "os combustíveis, não só os finos, secos, mortos," que se vieram a multiplicr este ano, devido à chuva que caiu no início do ano e da falta de chuva no final da primavera, início do verão, mas também "os "arbustivos, que têm um tempo de resposta mais longo, também vão secando e a sua secura vai aumentando à medida que avançamos" pelo verão, ficando cada vez mais disponíveis para arder. Perante esta conclusão, os autarcas poderiam mandar limpar os terrenos. Basta vermos qualquer um dos canais de notícias e vemos, atrás dos jornalistas, vastas extensões de campos dourados, secos, a começarem logo junto às estradas e às habitações. Aqueles moradores, passam ali todos os dias, todos os dias... não se sentem em  risco?

Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/incendios-em-portugal/2025-08-12-exercito-ja-mobilizou-quase-tres-mil-militares-para-o-combate-aos-incendios-b724c8b4

https://sicnoticias.pt/especiais/incendios-em-portugal/2025-08-14-video-ministra-da-administracao-interna-fala-ao-pais-c8508875

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-08-13-espanha-pede-ajuda-a-uniao-europeia-para-combater-incendios-devastadores-e6a5d3c0

https://cnnportugal.iol.pt/incendios/fogos/avariaram-os-tres-canadair-que-portugal-alugou-para-combater-incendios

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Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...