25/08/2025

25 de agosto de 1580 - Batalha de Alcântara

A nossa História está recheada de episódios caricatos e interessantes (para quem gosta de saber um pouco mais sobre o país e as suas origens). A 25 de agosto de 1580, deu-se em Lisboa uma batalha curta mas na qual se tentou travar o avanço das tropas espanholas que nessa data entravam no território português. Ora, nos manuais dá-se pouco destaque a estes episódios, talvez porque nem meia hora as tropas do Prior do Crato, com o apoio da população, conseguiram resistir perante os avanços das tropas do Duque de Alba, ou talvez porque a chegada dos espanhóis já tinha sido assumida pela corte portuguesa. Mas será que não se deve falar desta batalha? Afinal de contas, termina aqui a Dinastia de Avis, "que se havia iniciado pouco menos de duzentos anos antes, em 1383-1385, e se havia consagrado com a vitória na batalha de Aljubarrota, em 14 de agosto de 1385."


Mas quem foi D. António e porque nunca foi aclamado verdadeiramente como rei? D. António era, na verdade, "filho bastardo do infante D. Luís". Apesar do pai o tentar encaminhar através da carreira eclesiástica, esta não configura a sua vontade. D. António, terá sido apoiante de Gil Vicente e "protetor" de Damião de Góis, nomes hoje reconhecidos na praça pública, mas que na época, não era assim tão bem vistos.


Chegou ainda assim a receber o "priorado do Crato, um dos mais ricos do reino," mas com "a morte do pai", recusa "a ordenação de presbítero," o que não foi nada bem aceite pelo seu tio, o cardeal-regente D. Henrique. Uma das razões para esta oposição, teve principalmente a ver com a chamada "Crise de Sucessão."


Em 1568, D. António recebe o "título de governador de Tânger, em África, "e conquista a estima do rei, D. Sebastião," a quem acompanha na "batalha de Alcácer-Quibir." Nesta batalha, D. António "é feito prisioneiro." mas acaba por ser "libertado após convencer os mouros de que não passava de um pobre padre. Regressado a Lisboa, começa a fase mais política da sua vida," mostrando-se opositor à união dos dois países.


Ao saber-se do desaparecimento de D. Sebastião (e de se presumir a sua morte), D. António apresenta-se como "candidato à sucessão," argumentando que "os seus pais" se haviam "casado em segredo," o que o tornaria legítimo herdeiro e "o que lhe dava precedência na linha de sucessão sobre o cardeal D. Henrique, que efetivamente herdou o trono," apesar de já ter na altura "sessenta e seis anos." Não chega a governar dois anos e, é com o monarca já às portas da morte, que se reunem as Cortes de Almeirim. D. António voltou a apresentar-se para "reclamar os seus direitos à coroa portuguesa," como um de entre três candidatos: "D. António, prior do Crato, filho natural do infante D. Luís, segundo filho de D. Manuel I, ou D. Catarina, filha de D. Duarte, filho mais novo de D. Manuel I, a qual estava casada com D. João, duque de Bragança. Por outro lado, havia o candidato castelhano, Filipe II, filho de D. Isabel, filha mais velha de D. Manuel I, e de Carlos V."


Ora Filipe, apesar de governar em Castela, era descendente da coroa portuguesa, enqunto que, D. António, era considerado por muitos, inclusive por seu tio, D. Henrique, como filho ilegítimo por duas razões: o Infante D. Luís, "duque de Beja," não era casado com D. "Violante Gomes", sendo que esta, seria "cristã-nova", ou seja, não era de "sangue puro."


Também "D. Catarina, ainda que tivesse uma boa situação jurídica para poder suceder ao trono," não "contava com fortes apoios."


Entretanto, já Filipe II começava a pressionar cada vez mais "as autoridades portuguesas a reconhecerem-no como rei, ameaçando que se não fosse obedecido invadiria Portugal." Para tal, D. Filipe II encontrava-se já a "reunir um poderoso exército," em Badajoz pronto para avançar e, a 18 de junho de 1580, Elvas rende-se. No dia seguinte, impulsionados pelo receio da já "iminente invasão castelhana, D. António foi aclamado tumultuosamente rei em Santarém." Também foi aclamado rei, em "Lisboa a 23 de junho."


Em agosto desse mesmo ano, dá-se a chegada do exército de D, Filipe II, "comandado pelo duque de Alba." Antecipando a sua chegada e sabendo de antemão na queda de outros postos, a "1 de agosto de 1580, D. António mandou concentrar as suas forças na margem esquerda da ribeira de Alcântara, frente à velha ponte que aí existia." Nesse local, sabendo que pouco haveria a fazer para impedir a entrada do "exército invasor", manda "abrir duas linhas de trincheiras e parapeitos com plataformas de artilharia para assim" tentar "impedir" o seu avanço, enquanto mais para o interior, "num olival", se encontrava escondida a "maior parte dos seus homens," muitos deles sem qualquer "experiência militar." Conta-se que, no "decorrer dos dias de espera pela chegada dos invasores em Alcântara muitos dos homens que a defendiam iam dormir a Lisboa, tendo alguns deles aí ficado no dia da batalha."


D. António, apesar de sair bastante ferido desta batalha, tanto por inimigos como por forças portuguesas, que o terão atacado de traição, não se deu por derrotado. 


Encontra alguns apoiantes e, depois de ter passado por França e por Inglaterra, chega mesmo a ser "reconhecido como Rei na Ilha Terceira," para onde tinha fugido, muito para não ser morto à traição, algo muito comum. Acaba por ser novamente derrotado, mas desta vez pelas forças do "Marquês de Santa Cruz", no ano de 1583.


"A partir de então, e até à sua morte em 1595, D. António viveu entre França e Inglaterra." 


Fontes:


https://observador.pt/programas/contra-corrente/em-alcantara-ha-445-anos-a-batalha-de-que-o-pais-nao-fala/


https://ensina.rtp.pt/artigo/d-antonio-prior-do-crato-e-defensor-de-portugal/


https://www.defesa.gov.pt/pt/defesa/organizacao/comissoes/cphm/rphm/edicoes/ANO4/72024/7_8


https://expresso.pt/podcasts/a-historia-repete-se/2025-07-02-d.-antonio-prior-do-crato-foi-ou-nao-rei-de-portugal--84cf4709

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