13/05/2026

Morte a bordo

A causa parece ser o norovírus. Um pequeníssimo ser apenas detetado microscopicamente e que conseguiu parar o "Ambassador Cruise Line," com 1700 pessoas a bordo (514 dos quais pertencentes à tripulação). O primeiro caso foi o de "uma pessoa de 90 anos" que apresentou sintomas de doença gastrointestinal (vómitos, diarreia, febre) e acabou por falecer. Cerca de outros 50 passageiros apresentaram sintomas, compatíveis com infeção por este vírus.

A viagem tinha começado a 6 de maio, nas ilhas Shetland (ao largo da costa da Escócia). Fez paragens "em Belfast (Irlanda do Norte), Liverpool (Inglaterra) e Brest (oeste de França) antes de chegar a Bordéus, de onde deveria partir para Espanha." Foi depois da paragem em Liverpool que os casos de doença gastrointestinal começaram a aumentar.

A bordo, a tripulação do navio começou a aplicar os protocolos de saúde pública aconselhados para estas situações, de forma a tentarem diminuir a propagação do vírus. Todos os passageiros ou tripulantes que apresentem sintomas "estão a ser assistidos pela equipa médica do navio e isolados." As autoridades já foram informadas sobre "a situação sanitária a bordo," e as medidas de higiene foram reforçadas. Atualmente, todos os passageiros se encontram confinados dentro do navio que chegou na "noite de terça-feira a Bordéus, sudoeste de França."

Sobre o virus, na realidade ele é muito comum, sendo a causa mais frequente de gastroenterite viral aguda. No entanto, acaba por ser mais contagioso em locais fechados onde ocorre contato físico mais próximo. 

Fontes:

https://www.dn.pt/internacional/um-morto-e-mais-de-1700-pessoas-confinadas-num-cruzeiro-em-bordus-por-suspeita-de-epidemia-de-gastroenterite

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/suspeita-de-norovirus-um-morto-e-1700-pessoas-confinadas-em-navio-em-bordeus_n1740982

https://www.hospitaldaluz.pt/pt/dicionario-de-saude/norovirus-e-gastroenterite-aguda




03/05/2026

O desaparecimento de um dos maiores comunicadores do "meu tempo" e a Liberdade de Imprensa

 Hoje fazia tenções de escrever apenas sobre a Liberdade de Imprensa, mas acabei de saber que tinha falecido esta madrugada um dos maiores radialistas e voz-off da minha geração. De voz inconfundível, Cândido Mota foi um comunicador que se distinguiu pela clareza e força da sua voz. Uma voz que conhecemos antes da imagem.

Atualmente a viver na Casa do Artista, Cândido Mota foi locutor de rádio, apresentador de televisão e ator, particularmente em pequenos sketches feitos com Herman José.

Nascido em Espinho a 28 de setembro de 1943, Cândido começou a trabalhar no Rádio Clube Português com apenas 17 anos. Na RDP (Rádio Difusão Portuguesa) fez programas inovadores para a época como o "Em Órbita" ou o "Passageiro da Noite" (1979). no qual as pessoas podiam ligar para a rádio e falar em direto sobre diferentes temas.

Foi contraponto em muitos programas televisivos, trabalhando por exemplo com Herman José com quem tinha uma cumplicidade indisfarçável, por exemplo em "A Roda da Sorte" (1991) ou "Com a Verdade m'enganas", ambos da RTP. Estávamos numa época em que havia pouca variedade, mas uma qualidade superior, principalmente ao nível dos concursos e do entretenimento. 

Quanto ao tema que me propunha falar em primeiro lugar, outras oportunidades virão, mas não poderia deixar de relembrar que a liberdade de um povo se vê na liberdade da sua imprensa. Tal como nos lembrou António José Seguro, existem muitos países em que os jornalistas "são frequentemente alvo de censura, ameaças e mesmo violência." Eu acrescentaria que existem países onde os jornalistas são perseguidos e assassinados, onde estar identificado como "press" não significa estar em segurança. A nossa democracia deve muito à imprensa que, tantas vezes, foi tentando contornar as ordens do regime.

Agora deixo a questão: existe liberdade de imprensa no nosso país?


Fontes:

https://sicnoticias.pt/pais/2026-05-03-presidente-da-republica-diz-que-voz-inconfundivel-de-candido-mota-ficara-na-memoria-coletiva-1d65f8b7

https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2ndido_Mota_(locutor)

https://diariodistrito.sapo.pt/liberdade-de-imprensa-em-risco-alerta-de-antonio-jose-seguro/

24/04/2026

O que se discute nas vésperas de se celebrar o 25 de Abril

Muito já se falou sobre o 25 de Abril, muito se contou sobre a sequência de acontecimentos que culminaram no exílio de Marcello Caetano e na criação da Junta de Salvação Nacional. Então, porque é que precisamos de falar sobre a Censura e sobre a opressão, ou porque é que discutimos tanto de antes era melhor ou pior? 

Precisamente porque ainda temos pessoas que querem regressar àquele tempo. E porque ainda encontro jovens que não sabem porque é que teve de haver uma revolução naquele dia. 

Não estou a brincar quando digo que, apesar de se falar nas escolas sobre o 25 de Abril, não se fala da forma correta e sem medos. Temos de ser mais diretos pois parece que a mensagem está a ser passada de uma forma simplista e sem grande significado. Falamos de cravos e de que agora podemos dizer o que queremos ou ler os livros que queremos, mas não se fala nas torturas implementadas, no medo em que se vivia, nas más condições de vida em que a maioria da população vivia. Não se fala da guerra colonial da forma correta, de forma verdadeira. Das suas consequências. Não se fala também do que veio depois... salta-se para a União europeia como de tivéssemos dado um salto imediato.

Não, não correu tudo bem e é preciso falar-se de forma aberta sobre isso. Sobre o estado em que se encontrava o país na década de 20 do século XX e de como os governos autocráticos se podem instalar facilmente num país, mesmo naqueles que se acham desenvolvidos. De como se podem levar multidões a acreditar em palavras "doces" quando não se tem a capacidade de interpretar o que realmente está a ser dito e de como certas coisas ditas de forma "gritada" podem ser aceites pelas pessoas, mesmo quando ão ideias pouco inteligentes.

É preciso saber o que se viveu e o porquê. É preciso não apenas ouvir, mas também analisar aquilo que se ouve. Há tanta coisa que poderia ter sido diferente.

Que se continue a celebrar Abril e a Liberdade. Que se festeje a vitória da democracia e que não se esqueçam os heróis de Abril, sejam eles soldados ou atores, cantores ou escritores, pintores ou jornalistas!

30/03/2026

A ilha de Kharg - porquê esse interesse agora?

A ilha de Kharg localiza-se no Golfo Pérsico, ao qual se tem acesso pelo estreito de Ormuz. Esta ilha, que faz parte do território do Irão e tem cerca de 20 quilómetros quadrados, é de extrema importância para a economia do país representando cerca de 90% do petróleo que é exportado para a China.
Há cerca de uma semana que Trump tem vindo a ameaçar ocupar essa mesmo ilha, referindo que poderia usar até meios terrestres para o fazer. No entanto, ao mesmo tempo, fala em conversações. Não sabemos bem com o que contar. 
Mas porque é que esta ilha pode ser tão importante?
Na verdade, desde 1995 que Trump se refere à possibilidade de ocupação da ilha de Kharg.
Para Trump, a sua ocupação seria útil para exercer maior pressão para a reabertura do "Estreito de Ormuz, a principal rota de saída para um quinto do petróleo consumido em todo o mundo, para além do gás natural liquefeito." 
A 13 deste mês, Trump já tinha feito bandeira de um ataque de larga escala aos objetivos "militares" da ilha, mas que não a tinham destruído apenas por questões de "decência." Ficou no ar a promessa de um novo ataque "que poderia desencadear uma escalada ainda maior, afetando a infraestrutura energética em toda a região do Médio Oriente." 
Estes ataques, além de terem repercussões graves "nos mercados globais", exercendo uma maior pressão "sobre a inflação," acabam por ser uma resposta estratégica dos EUA, ao encerramento do Estreito de Ormuz, por parte do Irão.

E Portugal?

Durante mais de um século, esta ilha esteve dominada pelos portugueses, sendo um importante porto comercial intermediário, o que pensando bem não é muito diferente do que Trump quer fazer agora. A chegada dos portugueses à ilha de Ormuz, deu-se no início do século XVI, em plena campanha de descobrimentos, quando sob o comando de Afonso de Albuquerque os portugueses conseguiram ocupar a ilha em 1507. No entanto, Afonso de Albuquerque "foi obrigado a retirar-se" quando três dos seus capitães se aliaram ao "rei de Ormuz" e expulsaram os portugueses. Numa segunda fase, em 1517, a cidade foi finalmente conquistada tendo sido erguido o "Forte de Nossa Senhora da Conceição" - uma fortaleza em forma de pentágono.
Ormuz acabou por se tornar, como refere o historiador Rui Manuel Loureiro, numa espécie de "protetorado da coroa portuguesa." Na época, eram os portugueses que a controlavam e impunham taxas e impostos, tendo um papel central no "movimento mercantil" da região.
Os portugueses acabaram por se aperceber que poderiam obter maiores benefícios no controlo de viagens mais curtas, entre Goa e Macau ou mesmo entre Goa e Ormuz, sendo "mais lucrativo" e exigindo "menos investimentos," bem como menos "força militar e naval, do que, propriamente, a Carreira da Índia."
Na época, a Pérsia, encontrava-se mais virado para conflitos internos, chegando mesmo a fazer um acordo com a Coroa Portuguesa. Só mais tarde, se viriam a interessar por aquela região, vindo ao longo dos anos que se seguiram a conquistar "vários dos pequenos territórios" em que Portugal possuía fortes e onde atualmente encontramos os Emirados Árabes Unidos e Omã.
Portugal acaba por perder a ilha de Ormuz, devido a uma  "aliança entre os persas e os ingleses, que de facto conseguiram, com a sua superioridade militar e náutica, desinstalar os portugueses de Ormuz," no ano de 1622, depois de vários meses de sucessivos ataques.



Fontes:
https://sicnoticias.pt/especiais/tensao-eua-irao/2026-03-23-qual-e-a-importancia-da-ilha-de-kharg-e-como-podem-os-eua-usa-la-como-moeda-de-troca-contra-o-irao--24c1496e
LOUREIRO, Rui Manuel, em entrevista à Euro news - https://pt.euronews.com/2026/03/20/ormuz-a-ilha-de-importancia-estrategica-que-foi-controlada-pelo-imperio-portugues
https://ensina.rtp.pt/artigo/fortaleza-de-ormuz-irao/
https://observador.pt/2026/03/14/o-que-e-a-ilha-de-kharg-a-joia-da-coroa-do-irao-com-milhares-de-anos-de-historia-por-onde-passa-90-do-petroleo-do-regime/


22/03/2026

Quando de mexe num ninho de vespas

 Quando as vespas se sentem incomodadas, atacam. 

São capazes até de matar, se estiver em causa o seu ninho. Uma vespa, é mais pequena que a maioria dos animais e, se for apanhada, pode ser esborrachada, pisada, morta. O problema da vespa, não é a vespa, é a comunidade, é a salvaguarda da espécie. Mas isto não é sobre vespas...

O Irão veio agora demonstrar que, apesar de ter sido fortemente atacado nos últimos dias, ainda tem força para contra-atacar. Conseguiu lançar dois mísseis balísticos de longo alcance contra a base militar de Diego Garcia, uma base partilhada entre os Estados Unidos e o Reino Unido, que se localiza no arquipélago de Chagos, no oceano Índico a cerca de 4000 quilómetros da costa iraniana. Este ataque ocorreu antes mesmo do Reino Unido ter vindo declarar publicamente a autorização para que os EUA usassem as suas bases militares. A base, operada pelos EUA, possui um "pista para bombardeiros pesados" e dispões ainda de um "porto natural profundo" capaz de albergar "submarinos nucleares e navios de guerra." Apesar de nenhum dos dois mísseis ter acertado o seu alvo (um por problemas durante o voo, outro por ter sido detetado) a questão que se coloca é que a distância de 2000 quilómetros está claramente ultrapassada. Que cidades estão no seu raio de alcance, é agora uma questão que se coloca.

Foi também atingido o complexo de nuclear de Dimona, em Israel. Apesar de não haver registos de níveis anormais de radiação, a questão é que o complexo é de facto suscetível de ser atacado. Este ataque vem assim em resposta ao ataque à central de Natanz, um complexo de enriquecimento nuclear localizado no Irão, que já tinha sido alvo na chamada "guerra dos doze dias" em julho passado. Além de Dimona, foi também atingida a cidade de Arad. 

Se lamentamos os feridos de Israel, sim, mas também lamentamos os mortos e feridos do Líbano, onde só neste mês de março, terão sido mortos 34 profissionais de saude - isto sem contar com as restantes vítimas que resultaram dos "bombardeamentos israelitas contra a organização Hezbollah em Beirute e no sul do país."

Além de ataques contra Israel, o Irão tem vindo a retaliar contra outros países como os Emirados Árabes, o Kuwait, Bahrain, Omã ou o Catar. Foram ainda atingidas as bases aéreas de "Príncipe Sultan" que se localiza na Arábia Saudita e a de "Erbil, no Curdistão iraquiano."

E assim continuamos em ataques e contra-ataques. Mas porque é que se achou que seria interessante mexer no ninho das vespas? Andarão os EUA atentar incitar novas cruzadas?

Fontes:

https://expresso.pt/medio-oriente/2026-03-21-teerao-tenta-atacar-base-britanica-de-diego-garcia-a-4000-km-de-distancia-47f403bf

https://pt.euronews.com/2026/03/21/irao-ataca-base-de-diego-garcia-localizacao-e-importancia-estrategica

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/israel-diz-que-irao-usou-um-missil-de-longo-alcance-pela-primeira-vez-desde-o-inicio-do-conflito_e1728183

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2959703/estados-unidos-e-israel-atacam-complexo-nuclear-iraniano-de-natanz

https://sicnoticias.pt/especiais/tensao-eua-irao/2026-03-21-novos-cacas-e-avioes-de-guerra-dos-eua-chegam-a-base-das-lajes-f27c65da

 

20/03/2026

A extensão de uma guerra que só ia durar uns dias

Donald Trump dizia que a guerra ia durar pouco. Talvez estivesse a comparar o Irão à Venezuela. Um regime como este não cai assim. Parece uma forte árvore que quanto mais é podada, mas forte cresce, estendendo os seus ramos até onde consegue, usando-os para asfixiar o seu povo e quem quer que lhe mostre oposição. Trump, entretanto chamou "cobardes" aos países aliados da NATO, perante a tomada de posição destes em não apoiarem diretamente os EUA nesta fase do conflito.

Sobre isto, ouvia hoje o podcast de Maria João Simões na rádio Observador e em que intervinha o major-general Arnaut Moreira, que explicava um pouco da posição dos países europeus e da própria NATO. A defesa apresentada pelos países europeus para não cederem ao pedido de ajuda de Donald Trump foi a falta de consulta prévia e a falta de informações sobre as operações militares a decorrer, Como nos explicava Arnaut Moreira, os navios europeus fariam escolta e os meios aéreos norte-americanos dariam apoio, mas isso não foi aceite pelos líderes europeus. E ainda bem. A própria NATO, como também o Major-general explicou, estaria assim diretamente envolvida num combate fora da sua área de intervenção, sendo que embora isso já tenha acontecido no passado, a questão é que nenhum país da NATO foi atacado e que, quem iniciou o conflito foram, na realidade, os EUA e Israel. 

E a cada dia que passa, a situação vai piorando. Não apenas no Médio Oriente, mas também na própria Europa. O ministro dos negócios estrangeiros iraniano veio já acusar o Reino Unido de ser cúmplice dos EUA por permitir o uso das suas bases militares. Na Turquia, a defesa aérea da NATO, interceptou já dois mísseis disparados do Irão. O governo turco interpreta estes ataques como uma tentativa de provocar a entrada da Turquia na guerra, mas afirma que não tem intenções de ceder, reforçando ainda que os ataques contra o Irão devem cessar.

A própria Polónia (membro da NATO desde 1999) veio já retirar as suas tropas da zona do Iraque, onde se encontravam desde 2016.

Khamenei, que "não é visto em público" desde a sua nomeação como sucessor do seu pai, o Ayatolla Ali Khamenei, morto nos primeiros dias deste conflito, já se pronunciou também sobre a morte do porta-voz da Guarda Nacional do Irão, declarando que os culpados não devem "viver em segurança". Além de Ali-Mohammad Naini, foi também "morto o ministro dos Serviços de Informações, Esmail Khatib." O atual porta voz do Irão, veio também ameaçar que "parques, áreas de lazer e destinos turísticos" podem ser alvos, deixando de ser seguros "para os inimigos de Teerão." O clima de medo é uma das formas de luta do regime iraniano, pois pode não atacar diretamente os EUA ou Israel, mas ataca todos os que venham a mostrar o seu apoio aos mesmos, ou que não se aliem ao próprio Irão.

Países como o Bahrein, o Kuwait e a Arábia Saudita, continuam a ser atacados com mísseis e drones iranianos. O Irão continua a atacar as "infraestruturas energéticas no Golfo," tendo atingido uma "refinaria saudita." No Qatar, foi atingida uma "instalação de gás natural liquefeito." Estes ataques a estruturas energéticas são uma forma de o Irão responder aos "ataques israelitas ao campo de gás de South Pars/North Dome."

No Bahrein, já foram interceptados desde o início da guerra a "28 de fevereiro," cerca de 139 mísseis e 238 drones" com origem no Irão. Destes, um resultou num "incêndio num armazém." No Kuwait, foi atacada as refinarias de Mina Abdullah e Mina Al-Ahmadi, tendo sido registados vários focos de "incêndio em algumas das suas unidades."

Por cá, fala-se de crise, mas ainda estamos bem. Os preços sobem, principalmente os combustíveis e os os fertilizantes, culpa dos bloqueios no Estreito de Ormuz. Apesar de o governo se dizer "sensível" ao aumento dos preços dos combustíveis, não há grandes alterações nem irá haver, pelo menos para já, uma imposição de um limite na subida dos preços. Apenas no que se refere ao gasóleo profissional, o governo irá introduzir durante os próximos 3 meses, "um mecanismo extraordinário" que visará as "empresas de passageiros e de mercadorias," (onde se incluem também os táxis e as corporações de bombeiros) e que se irá traduzir num "reembolso de 10 cêntimos por litro até 15 mil litros por veículo." A ministra do ambiente, Maria da Graça Carvalho, veio já anunciar que "estamos perto dos critérios" para que seja declarada uma crise energética, sendo que será necessária uma decisão do próprio conselho europeu para que se possam tomar realmente medidas nesse sentido.

Fontes:

https://sapo.pt/artigo/morreu-porta-voz-da-guarda-revolucionaria-iraniana-israel-lanca-nova-onda-de-ataques-no-coracao-de-teerao-69bd10db31c55356067a76de

https://www.noticiasaominuto.com/economia/2957918/do-gas-aos-combustiveis-passando-pelo-travao-aos-precos-o-que-vem-ai

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2955757/turquia-teme-que-netanyahu-possa-estar-a-cometer-um-genocidio-no-libano?dicbo=v2-UBZF785

https://observador.pt/programas/o-dominio-da-guerra/o-irao-so-nao-atinge-a-europa-porque-nao-quer/

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/portugal-perto-dos-criterios-para-declarar-crise-energetica_e1727869

15/03/2026

A guerra parece longe, mas estamos a sentir o seu impacto

Esta é sempre a grande questão, não é? 

As guerras estão lá longe e nós (aqueles que ainda se vão interessando pelo que vai acontecendo no mundo) acompanhamos pela televisão, ou seguimos uns podcasts onde se vai atualizando os conflitos e as frentes de guerra. Lembro-me bem daquele primeiro contato que tive com a guerra vista aqui deste lado. Anos 90 e eu em casa da minha avó. A emissão da RTP a prolongar-se noite dentro e de manhãzinha lá estava eu agarrada ao televisor a ver uns pontos brancos (ou seriam verdes?) a percorrer a noite. Era a invasão do Kuwait e confesso que ainda fui algumas vezes espreitar à janela para ver se avistava alguma daquelas estrelas cadentes. Tinha seis anos e aprendi que havia mais duas letras no alfabeto e terras com nomes esquisitos de que nunca tinha ouvido falar.

Naquele tempo, já se falava de que o Irão estava a "violar impunemente os princípios do direito internacional", palavras de Cavaco Silva em declarações ao país. Era a guerra do Golfo e o petróleo estava no centro de tudo. 

Hoje só não está informado quem não quer, quem não se importa com o que se passa no mundo, ou quem prefere esconder a cabeça na areia e fingir que vive num mundo perfeito e florido. Estou fora desse grupo - acho que já perceberam isso. Hoje, as imagens de guerra já são tão frequentes, que não as estranhamos. Quase que nos habituámos a cenários de guerra, à visão da destruição e da morte e, enquanto estas apenas nos atingirem de longe, tudo nos parece "bem". Não nos temos de esconder dos ataques, não temos de ouvir o som das bombas a cair. A guerra parece longe. Mas não tão longe o suficiente que não nos preocupe. 

O facto é que, embora tenhamos a noção de estarmos, de certa forma, seguros, as consequências acabam por nos atingir como ondas de choque que se vão repercutindo. Pertencemos à União Europeia, pertencemos à NATO, temos um pacto de não-agressão assinado com Espanha, enfim, nem sequer nos queremos muito meter em assuntos internacionais, para não ferir susceptibilidades, e temos como outros países europeus, uma base que pertence aos EUA. Ali é solo norte-americano.

E o que nos afeta? Por um lado, o uso da Base das Lages. Não sei quanto a vocês, mas ter aviões americanos pousados aqui tão perto, aflige-me um pouco. Nada contra os aviões, nem contra os militares americanos, a questão é estes serem um alvo mais facilmente atingível em território português do que em território norte-americano.

Por outro lado, temos a questão do Estreito de Ormuz, que o Irão bloqueou, interrompendo a passagem de petróleo de que muitos países dependem. Este bloqueio produz fortes danos na economia e desencadeia uma crise energética a nível global. Os preços dos combustíveis aumentaram ainda antes de se ter de ir comprar os ditos barris e aquilo que se espera é continuem a aumentar nas próximas semanas. 

A grande questão é se a guerra no Médio Oriente é, realmente, a causa única para estes aumentos? É que temos de associar ao aumento do valor dos barris, que reflete o aumento do custo no seu transporte, o aumento do preço de outros produtos, como é o caso dos cereais e até dos fertilizantes. 

Há quatro anos, a invasão da Ucrânia por parte da Rússia, trouxe-nos uma situação semelhante. Entretanto, a economia acabou por estabilizar, embora os preços não tenham regressado aos valores que tinham antes do conflito. Agora, com este bloqueio à passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, a inflação acaba por vir agravar a situação económica em que já nos encontrávamos.


Fontes:

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/1990-invasao-do-kuwait/

https://cnnportugal.iol.pt/irao/eua/duas-semanas-de-guerra-por-dentro-da-arriscada-decisao-de-trump-de-atacar-o-irao-e-a-corrida-para-conter-as-consequencias/20260314/69b562b4d34e28842c81bf9f

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...