02/09/2025

Deslizamento de terras leva à morte de mais de mil pessoas


Este domingo, um deslizamento de terras soterrou por completo a aldeia de Tarasin, no Sudão, "matando cerca de mil pessoas.", revelou esta terça-feira o grupo armado que controla a região.


Esta aldeia, está "localizada no centro de Jebel Marra, no distrito de Amo," na cordilheira "de Jebel Marra, que se estende por cerca de 160 quilómetros a sudoeste de Darfur e atinge mais de três mil metros de altitude." É assim uma região de difícil acesso, além de ter caraterísticas que a torna mais "propensa a deslizamentos de terra, principalmente durante a estação das chuvas," que atinge normalmente o seu "pico em agosto." Além do mais, não nos podemos esquecer de que esta é uma região que se encontra em guerra e onde habitualmente a população já vive em grandes dificuldades.


A guerra no Sudão opõe "as RSF (Forças de Apoio Rápido) ao exército, desde abril de 2023," e já causou a morte a "dezenas de milhares de pessoas e o deslocamento de cerca de 13 milhões, tornando o país o palco da pior catástrofe humanitária do planeta." E muitas das pessoas que se tinham visto obrigadas devido à guerra a procurar refúgio, tinham-no procurado precisamente nas montanhas de Jebel Marra, onde se tinham refugiado de forma a escaparem aos ataques indiscriminados contra civis (leiam aqui este artigo da Sábado).


Este deslizamento terá sido desencadedo devido às fortes chuvas que têm assolado a região, tendo soterrado "grande parte da vila de Tarasin, deixando apenas um sobrevivente." 


Fontes:


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/sudao-deslizamento-de-terras-destroi-aldeia-e-mata-mais-de-mil-pessoas_n1680744


https://www.sabado.pt/mundo/detalhe/deslizamento-de-terras-no-sudao-soterra-uma-aldeia-e-faz-cerca-de-mil-mortos


 


 





 

 


01/09/2025

Forte sismo abala leste do Afeganistão

Não é a primeira vez que o Afeganistão é afetado por um forte sismo. Ainda não se conhecem os números exatos mas andarão para já, na estimativa das 800 vítimas mortais (com os números a aumentarem a cada minuto e milhares de feridos). O sismo teve epicentro a cerca de "42 quilómetros de Jalalabad, capital da província de Nangarhar," na região leste do Afeganistão e a uma hora a que a maioria dos habitantes se encontraria já em suas casas a dormir. Além do horário e do facto daquela ser uma região bastante montanhosa, o nível de destruição pode sido agravado pela pouca profundidade - "apenas oito quilómetros."

O abalo foi sentido em "Cabul, e também em Islamabad, no Paquistão." Algumas regiões mais remotas só são alcançáveis de helicóptero. "Muitas das áreas gravemente afetadas são remotas e têm redes de telecomunicações limitadas, o que complica os esforços de resgate." Ao primeiro abalo, seguiram-se pelo menos outros dois "de magnitude 5.2," que terão provocado "inúmeros deslizamentos de terras que bloquearam as poucas estradas existentes, isolando por completo dezenas de aldeias."

Nesta região, os sismos são relativamente frequentes, particularmente por causa da junção das placas euroasiática e arábica. A zona mais afetada, Kunar, fica numa "região remota na fronteira com o Paquistão, aninhada nos vales da cordilheira Hindu Kush, cuja população vive principalmente em casas precárias de barro e palha, extremamente vulneráveis a sismos." Num país em que a maioria da população vive em situações por si próprias degradantes, uma catástrofe natural desta grandiosidade, traz sempre elevados danos materiais e humanos.

"Em outubro de 2023, uma série de sismos devastou a província ocidental de Herat, causando mais de 1500 mortos." É importante reforçar que a população habita numa região fortemente afetada pela guerra e pela pobreza, em que as habitações estão extremamente degradadas e são, na sua maioria, de construção frágil, permitindo a que os danos já de si elevados, se tornem rapidamente numa catástrofe.


Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/sismo-no-afeganistao-provoca-mais-de-800-mortos-e-2700-feridos_n1680409

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-09-01-sismo-no-afeganistao-pode-ter-provocado-centenas-de-mortos-e-milhares-de-feridos-366f2569

30/08/2025

Cheias matam na índia e Paquistão

As monções são frequentes na região do sul da Ásia onde se localizam a Índia e o Pasquistão, e se por um lado são essenciais à agricultura do país, também conduzem não raras vezes a chuvas fortes, que levam a cheias e deslizamentos de terras. As que estão a acontecer este ano, foram já consideradas como "as piores cheias dos últimos 40 anos," tendo já sido contabilizadas pelo menos 800 vítimas mortais "e mais de 200 mil" pessoas foram entretanto "retiradas de casa." Numa região que, historicamente deveria estar habituada às monções, a verdade é que os prejuízos têm sido cada vez maiores. As alterações climáticas podem também estar a trazer períodos mais longos e com mais intensidade, havendo ainda registo de "trovoadas súbitas e gigantescas, como bombas de chuva."

Além da região paquistanesa, também a região "norte da Índia está a ser fortemente atingido," com registo de várias casas e edifícios a serem "destruídos, depois das chuvas terem provocado inundações e deslizamentos de terras." As chuvas não têm dado tréguas e as terras estão completamente saturadas, o que aumenta o risco de liquefação e a escorrência pelas encostas. Na zona de "Jammu, em Caxemira," foram registados para já, trinta mortos, "vítimas dos deslizamentos de terra." Aqueles que podiam ajudar, tentavam resgatar o que ainda podia "ser salvo das inundações," improvisando "pontes para atravessar o rio que galgou as margens." Há cerca de 1 mês que não pára de chover, o que, além das cheias, traz ainda sucessivas falhas elétricas.

"Em Mumbai, as equipas de resgate" continuam a busca "por sobreviventes depois de um prédio ter desabado e provocado a morte a, pelo menos, 15 pessoas." Deu-se ainda o "colapso de duas comportas de uma barragem," do lado da Índia que fez inundar terras paquistanesas a jusante. "Segundo as autoridades paquistanesas, mais de mil e seiscentas aldeias foram inundadas e dezenas de pessoas morreram nos últimos dias." Estudos apontam o aquecimento global do planeta como causa para o aumento da mortalidade. O vento da monção traz consigo "um ar mais quente, capaz de transportar mais humidade, e carrega o potencial de se transformar numa bomba de chuva, quando as nuvens descarregam toda a água que contêm de repente, o que desencadeia cheias repentinas e mortíferas."

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/cheias-na-india-e-paquistao-varias-cidades-inundadas-devido-a-fortes-chuvas_v1680225

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-08-30-video-cheias-continuam-a-nao-dar-treguas-na-india-e-no-paquistao-19abc809

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-08-28-video-cheias-na-india-e-no-paquistao-nao-param-de-fazer-vitimas-6f698fb8-1

https://www.publico.pt/2025/08/23/azul/perguntaserespostas/moncoes-tornaramse-letais-bombas-chuva-paquistao-india-2144435

27/08/2025

Não há fome em Gaza

"Não há fome em Gaza", é tudo imaginação nossa. As crianças não estão a morrer devido aos ataques indiscriminados, não morrem nas filas enquanto esperam por um pouco de alimento... 


"Não há fome"... são pessoas magras porque estão doentes por outras razões. Israel já veio até exigir "que as Nações Unidas retirem de imediato o relatório" onde se declara "oficialmente" a existência de "fome na Faixa de Gaza,"  acusando a ONU de ser "uma instituição de investigação politizada". Porque os meios de comunicação social são todos mentirosos... não existe fome em Gaza.


Na caça, o caçador observa o animal. Atira comida. Depois quando o animal passa em direção à comida, o caçador dispara. Semelhanças com o que se passa em Gaza?


Esta terça-feira, o "Ministério da Saúde do enclave, controlado pelo grupo islamita Hamas, elevou para 313 o número total de mortos, dos quais 119 crianças, por fome ou desnutrição no território palestiniano desde o início da ofensiva israelita em 07 de outubro de 2023." De acordo com o grupo, a maioria das mortes por causas relacionadas com a subnutrição e a fome em Gaza ocorreram nos últimos dois meses, após um bloqueio quase total de entrada de alimentos e medicamentos no enclave por parte de Israel, que controla todos os pontos de acesso ao território palestiniano, impedindo a entrada dos camiões que transportam ajuda.


Como em todos os lugares do mundo, como em todos os povos e em todas as culturas, existem extremistas, gente cuja inteligência se esgota no próprio umbigo. E não se podem confundir as partes com o todo e, aqui, a parte que estupidamente defende o direito de ocupação de uma terra e que olha para aquelas crianças desnutridas como se não merecessem sequer viver, é a parte que, embora não os representando a todos, os está a representar perante outros Estados, outros países. E ninguém faz nada... 


A barbaridade está ali, está impressa nos jornais, entra-nos pelas retinas quando entramos em qualquer site de notícias ou ligamos a televisão. Mas dizem-nos que não é real... como se pudessemos estar cegos, surdos! Até quando se vai deixar um louco governar um país sem se fazer nada e um exército matar deliberadamente inocentes? Perante as acusações, Israel intensifica apenas os ataques, porque "não há fome em Gaza," nem morrem inocentes por ali, apenas terroristas.


Entretanto, a morte vai atingindo também os repórteres, matando quem quer repôr a verdade, quem procura informar o mundo.«, arriscando a sua própria vida.


Fontes:


https://www.cmjornal.pt/mundo/detalhe/israel-exige-que-onu-retire-relatorio-sobre-fome-em-gaza


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/dez-mortos-a-fome-em-gaza-nas-ultimas-24-horas-incluindo-duas-criancas_n1679497


 

25/08/2025

25 de agosto de 1580 - Batalha de Alcântara

A nossa História está recheada de episódios caricatos e interessantes (para quem gosta de saber um pouco mais sobre o país e as suas origens). A 25 de agosto de 1580, deu-se em Lisboa uma batalha curta mas na qual se tentou travar o avanço das tropas espanholas que nessa data entravam no território português. Ora, nos manuais dá-se pouco destaque a estes episódios, talvez porque nem meia hora as tropas do Prior do Crato, com o apoio da população, conseguiram resistir perante os avanços das tropas do Duque de Alba, ou talvez porque a chegada dos espanhóis já tinha sido assumida pela corte portuguesa. Mas será que não se deve falar desta batalha? Afinal de contas, termina aqui a Dinastia de Avis, "que se havia iniciado pouco menos de duzentos anos antes, em 1383-1385, e se havia consagrado com a vitória na batalha de Aljubarrota, em 14 de agosto de 1385."


Mas quem foi D. António e porque nunca foi aclamado verdadeiramente como rei? D. António era, na verdade, "filho bastardo do infante D. Luís". Apesar do pai o tentar encaminhar através da carreira eclesiástica, esta não configura a sua vontade. D. António, terá sido apoiante de Gil Vicente e "protetor" de Damião de Góis, nomes hoje reconhecidos na praça pública, mas que na época, não era assim tão bem vistos.


Chegou ainda assim a receber o "priorado do Crato, um dos mais ricos do reino," mas com "a morte do pai", recusa "a ordenação de presbítero," o que não foi nada bem aceite pelo seu tio, o cardeal-regente D. Henrique. Uma das razões para esta oposição, teve principalmente a ver com a chamada "Crise de Sucessão."


Em 1568, D. António recebe o "título de governador de Tânger, em África, "e conquista a estima do rei, D. Sebastião," a quem acompanha na "batalha de Alcácer-Quibir." Nesta batalha, D. António "é feito prisioneiro." mas acaba por ser "libertado após convencer os mouros de que não passava de um pobre padre. Regressado a Lisboa, começa a fase mais política da sua vida," mostrando-se opositor à união dos dois países.


Ao saber-se do desaparecimento de D. Sebastião (e de se presumir a sua morte), D. António apresenta-se como "candidato à sucessão," argumentando que "os seus pais" se haviam "casado em segredo," o que o tornaria legítimo herdeiro e "o que lhe dava precedência na linha de sucessão sobre o cardeal D. Henrique, que efetivamente herdou o trono," apesar de já ter na altura "sessenta e seis anos." Não chega a governar dois anos e, é com o monarca já às portas da morte, que se reunem as Cortes de Almeirim. D. António voltou a apresentar-se para "reclamar os seus direitos à coroa portuguesa," como um de entre três candidatos: "D. António, prior do Crato, filho natural do infante D. Luís, segundo filho de D. Manuel I, ou D. Catarina, filha de D. Duarte, filho mais novo de D. Manuel I, a qual estava casada com D. João, duque de Bragança. Por outro lado, havia o candidato castelhano, Filipe II, filho de D. Isabel, filha mais velha de D. Manuel I, e de Carlos V."


Ora Filipe, apesar de governar em Castela, era descendente da coroa portuguesa, enqunto que, D. António, era considerado por muitos, inclusive por seu tio, D. Henrique, como filho ilegítimo por duas razões: o Infante D. Luís, "duque de Beja," não era casado com D. "Violante Gomes", sendo que esta, seria "cristã-nova", ou seja, não era de "sangue puro."


Também "D. Catarina, ainda que tivesse uma boa situação jurídica para poder suceder ao trono," não "contava com fortes apoios."


Entretanto, já Filipe II começava a pressionar cada vez mais "as autoridades portuguesas a reconhecerem-no como rei, ameaçando que se não fosse obedecido invadiria Portugal." Para tal, D. Filipe II encontrava-se já a "reunir um poderoso exército," em Badajoz pronto para avançar e, a 18 de junho de 1580, Elvas rende-se. No dia seguinte, impulsionados pelo receio da já "iminente invasão castelhana, D. António foi aclamado tumultuosamente rei em Santarém." Também foi aclamado rei, em "Lisboa a 23 de junho."


Em agosto desse mesmo ano, dá-se a chegada do exército de D, Filipe II, "comandado pelo duque de Alba." Antecipando a sua chegada e sabendo de antemão na queda de outros postos, a "1 de agosto de 1580, D. António mandou concentrar as suas forças na margem esquerda da ribeira de Alcântara, frente à velha ponte que aí existia." Nesse local, sabendo que pouco haveria a fazer para impedir a entrada do "exército invasor", manda "abrir duas linhas de trincheiras e parapeitos com plataformas de artilharia para assim" tentar "impedir" o seu avanço, enquanto mais para o interior, "num olival", se encontrava escondida a "maior parte dos seus homens," muitos deles sem qualquer "experiência militar." Conta-se que, no "decorrer dos dias de espera pela chegada dos invasores em Alcântara muitos dos homens que a defendiam iam dormir a Lisboa, tendo alguns deles aí ficado no dia da batalha."


D. António, apesar de sair bastante ferido desta batalha, tanto por inimigos como por forças portuguesas, que o terão atacado de traição, não se deu por derrotado. 


Encontra alguns apoiantes e, depois de ter passado por França e por Inglaterra, chega mesmo a ser "reconhecido como Rei na Ilha Terceira," para onde tinha fugido, muito para não ser morto à traição, algo muito comum. Acaba por ser novamente derrotado, mas desta vez pelas forças do "Marquês de Santa Cruz", no ano de 1583.


"A partir de então, e até à sua morte em 1595, D. António viveu entre França e Inglaterra." 


Fontes:


https://observador.pt/programas/contra-corrente/em-alcantara-ha-445-anos-a-batalha-de-que-o-pais-nao-fala/


https://ensina.rtp.pt/artigo/d-antonio-prior-do-crato-e-defensor-de-portugal/


https://www.defesa.gov.pt/pt/defesa/organizacao/comissoes/cphm/rphm/edicoes/ANO4/72024/7_8


https://expresso.pt/podcasts/a-historia-repete-se/2025-07-02-d.-antonio-prior-do-crato-foi-ou-nao-rei-de-portugal--84cf4709

22/08/2025

EUA enviam meios militares para o mar da Venezuela

À vista de todos e arriscando-se a que alguém perca a paciência ou seja menos despojado de princípios do que ele, Trump continua a tentar demonstrar a sua potencial força, através de ações e provocações. Desta vez, os "Estados Unidos enviaram três navios lança-mísseis para as águas ao largo da Venezuela." Estes navios têm como "objetivo" o combate ao narcotráfico, num momento em que a tensão entre os dois países vai crescendo.

Para quem ainda não conhece a relação entre estes dois estados, começo por dizer que, no início deste mês, Trump duplicou a "recompensa oferecida por qualquer informação que permita" prender o presidente venezuelano Nicolás Maduro, cujo mandato não é sequer reconhecido pelo presidente Trump, por "tráfico de drogas." Em resposta, Nicolás Maduro colocou nas ruas cerca "de 4,5 milhões de milicianos, componente da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), preparadas, ativas e armadas, no que designou como um "plano de paz."

Trump não teme lançar ataques contra a Venezuela. E por isso, não é de estranhar que possam já haver mais meios a caminho, todos com o mesmo objetivo: "a missão envolve um submarino nuclear, uma aeronave de reconhecimento P8 Poseidon, vários contratorpedeiros e um navio de guerra equipado com mísseis," podendo ainda estar a caminho cerca de "4 mil fuzileiros navais para a região das Caraíbas, perto da costa venezuelana." 

Mas viajemos até ao ano de 2019. Trump estava na Casa Branca quando os EUA se recusam a aceitar a vitória de Maduro, impondo rígidas medidas contra a Venezuela, onde, manifestações contra Maduro, levaram à morte de "sessenta e sete pessoas," 59 das quais à mão de "polícias e grupos civis armados que apoiavam o governo de Maduro" e as outras seis em "execuções extrajudiciais cometidas por forças policiais especiais após os protestos."

A relação entre os dois estados tem sofrido vários altos e baixos, especialmente desde que os EUA reconheceram Juan Guaidó como presidente interino do país e, ainda, se nos lembrarmos que a Venezuela foi um dos países que se manifestou contra o ataque dos EUA a três instalações nucleares iranianas, a favor de Israel (além de Cuba e do Chile). Então, isto poderá estar tudo relacionado, ou será mesmo só sobre combater o tráfico de drogas?

Vamos aguardar.


Fontes:

https://observador.pt/2025/08/21/estados-unidos-enviam-tres-navios-lanca-misseis-para-aguas-ao-largo-da-venezuela/

https://observador.pt/2020/01/25/venezuela-morreram-67-pessoas-durante-protestos-em-2019/

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/06/internacional/1565055325_220193.html

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-08-19-presidente-venezuelano-arma-e-distribui-45-milhoes-milicianos-pelo-pais-6f7b800a


17/08/2025

Quando se discute o futuro da Europa

Podemos olhar para as reuniões entre Putin e Trump, Trump e Zelenski, como algo distante... mas não é nem assim. É preciso pensarmos bem que, aquilo que se decidir, vai influenciar o futuro da Europa e não apenas o futuro da Ucrânia (tal como a guerra nos continua a afetar a todos, apesar de, aparentemente nos termos adaptado e parecer que nada se passa).

Quando olho para estes encontros - e como me tenho debruçado sobre a história do século XX e das guerras que tanto afetaram as populações - parece-me sempre que algo anda a ser cozinhado e que nós só vamos saber quando o cozinhado estiver pronto. Há coisas que vamos sabendo, mas há muitas conversas, vários acordos que são feitos sem que se saiba na comunicação social - fazem parte destes, as reuniões de preparação dos grandes encontros, esses sim, mais mediáticos. Lembro-me dos acordos que foram fechados à margem dos Tratados oficiais, do que foi combinado e que acabou por não resultar no Armistício, e que, depois acabaram por levar à Segunda Guerra Mundial. Lembro-me das perdas que os vencidos tiveram e das cedências que foram obrigados a fazer. O que é se passa agora nos corredores, o que é que se diz à porta fechada nos gabinetes?

Esta Cimeira (por cá, mencionada em diversos canais televisivos, mas devido ao flagelo dos incêndios, sem o devido destaque), juntou dois homens no Alasca, no dia 15 de agosto, dois lideres que têm como aspeto comum a sua forte personalidade, mas enquanto Trump é mais explosivo, Putin é mais reservado. O seu semblante não transparece os seus pensamentos. E isso não me tranquiliza...

Vladimir Putin, foi recebido "no Alasca com uma exibição aérea de F-35 e F-22, e um sobrevoo do bombardeiro estratégico B-2, numa demonstração de força que não passou despercebida." O palanque em que Putin foi recebido, estava "ladeado por quatro caças F-22." 

Para quê? Com que intenção?

Fala-se em cedências de territórios e na instalação de militares europeus na Ucrânia... alguém acredita que isso vai acontecer? Temos um homem que, quer queiramos quer não, tem uma forte personalidade e uma enorme dominância, e que sabe que muitos receiam as suas ações. Quando esse homem, é recebido pelo presidente dos EUA, numa "base militar perto de Anchorage," no Alasca, e os dois apertam as mãos e seguem no mesmo veículo, estamos sim perante um encontro histórico. Histórico é também este local. "Durante a Guerra Fria, desempenhou um papel central na dissuasão e monitorização das projeções da força militar soviética e, desde a queda da Cortina de Ferro, tem mantido um papel discreto e puramente militar."

O que resultou desta reunião, para já, pouco ou nada sabemos. Mas sabemos que enquanto se discutia (supostamente) a paz, o "exército russo" bombardeava a Ucrânea lançando "85 drones e um míssil." Coincidência ou provocação?

Os dois, acabaram por não se reunir a sós, mas claro que houve hipótese de acordar determinados pontos aos quais por enquanto não teremos acesso. "Marco Rubio" e o "enviado especial, Steve Witkoff," estiveram presentes no Air Force One, "na parte bilateral das conversações." Na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro entre os dois líderes, teve Putin a primeira palavra, tendo começado logo designar Donald Trump "como vizinho " e "recordou as raízes russas no estado norte-americano do Alasca."

Sabe-se que Zelensky já terá conversado com Trump e que haverá um encontro entre os dois, em que poderão participar também outros líderes europeus. Ao contrário do que Trump chegou a afirmar, muito dificilmente os três se sentarão à mesma mesa.

Esperemos que estes encontros realmente sejam espaços de discussão de ideias que visem a Paz na Ucrânia, o regresso do povo ucraniano à sua terra, às suas casas e à não perda na necionalidade, da cultura, da língua... isto não pode acontecer, mas receio, será talvez um mal necessário, uma cedência para a Paz... 


Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2025-08-15-trump-e-putin-reunem-se-no-alasca-0025aa1e

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2025-08-16-os-avioes-militares-com-que-trump-tentou-impressionar-putin-7a1d9263

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...