19/01/2019

De olhos postos em Málaga

Desde o dia 13 de janeiro, que estamos um pouco agarrados ao ecrã para tentar saber o que se passa com um bebé que caiu num poço em Málaga. Estamos verdadeiramente ansiosos pela saída do pequeno Julien, de apenas 2 anos, do poço onde caiu no passado domingo, enquanto brincava, com a consciência plena de que aqueles pais não queriam agora nenhum daquele mediatismo, apenas voltar a ter o filho nos braços.


O poço de que se fala é na verdade um furo de prospeção de água com cerca de 110 metros de profundidade e com um diâmetro de apenas 25 centímetros, por onde coube o bebé, mas no qual não cabe mais ninguém (nem sequer material) para o conseguir resgatar.


Os trabalhos têm decorrido incessantemente, mas é uma corrida contra o tempo - não obstante os ferimentos que ele possa ter e de ser incontornável que é um bebé, sozinho, dentro de um buraco sem ter como se mexer, que a estar vivo, estará cheio de dores, de frio e de fome, além de que bastante assustado.


Vicky e José, os pais, recebem assistência psicológica enquanto esperam que Julen apareça vivo. “Estou vendo um pouco de luz”, diz o pai aos jornalistas. “Dou minha vida pelo meu neto, já não sou mais necessária”, afirma a avó materna.


A última coisa que souberam dele foi quando o pai do menino, na corrida, jogou-se no chão para esticar o braço, pensando que o poço não era profundo e que poderia agarrar o menino. Segundo relatou ao jornal Sur, ele disse ao filho que seu pai estava lá, e que seu irmão Oliver, que morreu em 2017, os ajudaria. Escutou o menino chorar, e depois não ouviu mais nada. Não só era o segundo filho que sofria um acidente grave, depois da morte do primeiro. Quis a má sorte que caísse num buraco por onde não cabe ninguém maior que ele, e que ainda por cima se tapou depois da queda, numa área com um desnível muito complexo para trabalhar e deslocar a terra, no alto de um caminho quase inacessível para máquinas pesadas. 


A esperança tem-se vindo a perder...passam as horas e quando cai a noite e as temperaturas teimam em descer, faz a todos perceber que o pior pode já ter acontecido.


Em Totalán, um povoado cheio de oliveiras, amendoeiras, alfarrobeiras e muita vegetação no sul da Espanha, os vizinhos trabalham a terra, de onde obtêm sobretudo abacates e mangas. Apesar do clima subtropical, a região é extraordinariamente seca e costuma ter problemas de água. Na verdade, durante o verão a maioria dos povoados da comarca de La Axarquia sofre cortes de abastecimento em determinados horários. Esse é o motivo pelo qual tantos imóveis têm poços artesianos, muitos deles sem fiscalização das autoridades; são feitas prospecções em busca de um tesouro, que aqui é a água, e se esta não é encontrada até determinada profundidade, lacra-se o poço e vai-se embora.


Não é só em Espanha que existem estes furos de prospeção e a verdade é que devemos estar muito atentos.


Um outros caso, parecido, aconteceu há quase 30 anos, no Texas, tendo a menina sido salva com vida cerca de 58 horas depois (ou seja dois dias e meio, mais ou menos). Jessica tinha apenas 18 meses. O pequenoJulien, já está dentro do buraco há quase uma semana. 


Fontes:


https://www.sabado.pt/mundo/detalhe/a-ultima-foto-de-julen-a-poucos-metros-do-poco


https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/16/internacional/1547640707_573627.html


 

14/01/2019

Caiu aquele que era o último 707

Acidentes com aeronaves são sempre notícia. 15 pessoas morreram esta segunda-feira na queda de um avião na província iraniana de Alborz, no Norte do país. Segundo o Público, a aeronave era militar, embora noutros registos se fale em ser o último 707 civil a operar. Um engenheiro de voo foi o único sobrevivente e terá sido transportado para o hospital.


Esta aeronave, um Boeing 707, com cerca de 40 anos, operado pela Saha Airlines caiu na Base Aérea de Fath, no Irão. Quinze dos dezasseis ocupantes morreram. O avião fazia transporte de carne e, durante o percurso, já tinha feito uma paragem de emergência em Fath. As condições adversa, em conjunto com o mau estado da aeronave, poderão ter contribuído para a falha na aterragem.


Outra versão, indica que a tripulação terá descido em direção ao aeródromo privado de Fath, cuja pista é quase quatro vezes mais curta, do que a do aeroporto onde era suposto terem aterrado. Este erro fez com que a aeronave ultrapassasse a pista, batesse numa parede e parasse após colidir com uma casa no bairro de Farrokhabad, condado de Fardis, na província de Alborz, onde felizmente as casas envolvidas estavam vazias no momento do acidente.


Um evento semelhante terá ocorrido a 16 de novembro de 2018, quando um Taban Air McDonnell Douglas MD-88, se terá aproximado da pista de Fath duas vezes antes que a tripulação percebesse que estava a cometer um erro e conseguisse alterar o percurso aterrando no Aeroporto Internacional de Payam.


Este Boing 707 voou pela primeira vez a 19 de novembro de 1976 tendo sido entregue Força Aérea Imperial Iraniana. A 27 de fevereiro de 2000, foi transferido para a Saha Airlines. Já em 2009, uma falha de motor terá danifiado este avião, durante um voo do Aeroporto Internacional de Ahvaz para o Aeroporto Internacional de Mehrabad, em Teerão. 


 


Fontes:


https://www.publico.pt/2019/01/14/mundo/noticia/queda-aviao-irao-faz-menos-15-mortos-1857757


https://asasbrasil.com.br/2019/01/14/boeing-707-iraniano-pousa-em-aeroporto-errado-e-mata-15-pessoas/


 

03/01/2019

As prisões do Estado Novo... 50 anos da fuga de Álvaro Cunhal da Cadeia de Peniche

Foi necessária uma grande audácia e preparação para que no dia 3 de janeiro de 1969, dez presos se evadissem da Cadeia do Forte de Peniche.


Além de Álvaro Cunhal, fugiram também "Joaquim Gomes, Carlos Costa, Jaime Serra, Francisco Miguel, José Carlos, Guilherme Carvalho, Pedro Soares, Rogério de Carvalho e Francisco Martins Rodrigues." Cunhal, estava "preso em Peniche" desde que a "27 de julho de 1956, deixou a Penitenciária de Lisboa."


José Alves, um dos guardas do Forte, estava também dentro do plano. Ao guarda, que era contra a existência de presos politicos e simpatizava com Ávaro Cunhal, foi prometido o valor de "150 contos e a saída para um país da cortina de ferro," com a sua "mulher e dois filhos menores." José Alves opta pela Roménia, "por lá se falar algo mais semelhante ao português."


Rogério Paulo, ator, já falecido, foi o responsável pelo sinal, parando "um carro com o porta-bagagens aberto em frente ao forte." Depois do guarda ter passado os fugitivos um a um debaixo do seu capote até uma figueira que lhes serviria de escada. 


Depois do sinal, os "presos desceram um a um, por uma corda, as paredes da muralha," e depois de passarem pelo "fosso exterior, ainda" tiveram de saltar um muro. Depois de passarem o muro, dois carros esperavam pelos homens. Ao volante estavam Lindim Ramos e Carlos Plácido de Sousa. A fuga não corre como esperado, uma vez que o soldado da GNR "entra em pânico, larga a sua missão e começa ele próprio a descer pela corda, fazendo um barulho enorme com as botas a bater nas paredes da muralha." Quando chega à rua, desata a correr, com o intuito de se entregar," mas, perseguido por Joaquim Gomes, acaba por ser travado. Enfiam-no num carro onde já está Cunhal e para o sossegar dão-lhe a beber uma garrafa de vinho."


Apesar de tudo, a fuga acaba por ser considerada um "verdadeiro milagre, presenciado por moradores das casas de Peniche próximas ao forte."


Esta fuga "só foi possível graças a um planeamento muito rigoroso e uma grande coordenação entre o exterior e o interior da prisão", como se pode ler na inscrição oficial colocada no forte. Os caminhos foram todos estudados por um jovem militante de PCP, Adelino. 


Com apenas 20 anos, Adelino entrou formalmente para o PCP e uma das primeiras coisas que o mandaram fazer, foi tirar "a carta de condução," o que fez em apenas quinze dias. Depois foi-lhe pedido que temporizasse distâncias e trajetos entre Peniche e Lisboa.


Coagida pela censura, só no dia 7 a imprensa publica a situação, mas sem referir nomes. Dois dias antes, o "diário francês L`Humanité, conhecedor da situação por um comunicado emitido pelo Partido Comunista Português," deu a notícia, ainda que de forma cautelosa: “Corre o rumor em Lisboa que uma dezena de prisioneiros políticos, entre os quais o secretário-geral do Partido Comunista clandestino, Álvaro Cunhal, ter-se-ão evadido da fortaleza de Peniche, onde estavam detidos." Nenhuma confirmação pôde até agora ser obtida das autoridades. Mas é um facto que a polícia efetuou buscas domiciliárias em Peniche, como nos arredores, nas últimas 48 horas”. A família do guarda Alves é "apertada" pela PIDE. A mulher e os cunhados ficam detidos por terem escondido o dinheiro recebido e não terem denunciado a situação, enquanto que José Alves, só em maio acaba por conseguir fugir para Espanha. É depois levado "para França e finalmente," faz "escala na Checoslováquia para chegar ao destino final: Bucareste. Irá ter a companhia da família em outubro do ano seguinte, quando Cunhal – que entretanto é efetivamente eleito secretário-geral do PCP (março de 1961) – já está a salvo na União Soviética.


Em Bucareste, a situação de Jorge Alves agrava-se devido ao consumo de álccol. Muitas vezes é "agressivo para Emília, a mulher, que se queixa ao controlador do partido comunista romeno. A situação assume tamanha gravidade que Cunhal vê-se forçado a ir a casa de Alves meter-lhe juízo," ameaçando que o separa da família. Em 1967, a família de Jorge Alves acaba mesmo por fugir para "uma outra localidade" romena e o guarda suicída-se "num jardim central de Bucareste." 


Cunhal, acabou por ser recebido como recebido como herói, mas de quem o ajudou a escapar, pouco se soube. Muitas foram as críticas de que foi alvo, em particular da esposa do guarda Alves.


No bolso do casaco, Álvaro Cunhal levava um manuscrito "mas na precipitação da fuga perde parte dele. É um romance com o nome A Mulher do Lenço Negro – que após a revolução será publicado com o título Até Amanhã, Camaradas."


Fontes:


https://www.publico.pt/sociedade/interactivo/peniche-13-rostos


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/03-jan-2020/ha-60-anos-cunhal-e-nove-camaradas-fugiam-de-peniche-11667113.html/


https://observador.pt/especiais/forte-de-peniche-a-fuga-de-cunhal-e-a-historia-do-guarda-que-o-ajudou/


 

31/12/2018

Mais um ano que se despediu e um novo que começa

São os sonhos que fazem a nossa vida valer a pena. São as pequenas coisas, as decisões mais básicas e simples que são possíveis de ser conquistadas. Na noite de passagem de ano, peço sobretudo saúde para continuar a ser capaz de trabalhar, para ter dinheiro para dar uma vida boa ao meu filho e para continuar a pagar a minha casa. Parecem coisas banais mas são para mim as mais importantes. 


Não me apetece celebrar na rua, festejar até altas horas nem andar no meio da multidão. Para mim, bastava que me deixassem ficar em casa, no abraço aconchegante da família.


As minhas palavras hoje vão, claro, para aqueles que em vez de festejarem com as famílias, estavam nas centrais, nos hospitais, ou a caminho de uma qualquer ocorrência que não podia esperar pelo dia (ou pelo menos pela hora) seguinte. Os que como eu, não sabem já distinguir o que é um feriado, os que comem apressadamente em pé enquanto toca o telefone para mais uma saída. Para esses todos em especial, qued o novo ano venha com mais calma e tranquilidade. 


Feliz ano!

25/12/2018

Natal

No meu Natal, há esperança. 


No meu Natal, há árvore, há bolas e há fitas. Há uma mesa recheada e composta e muitos presentes. Há o luxo que se pode numa época em que, não vivendo de forma abastada, tenho um teto, trabalho e comida.


No Natal cá de casa, há muito mais do que haverá noutras casas. 


Como é tradicional, o Primeiro ministro deixou a sua mensagem de Natal. Aqui deixo um pequeno excerto dessa mensagem:


"Portugal vive um momento particularmente importante, que é essencial poder ser vivido e partilhado com justiça por todos os portugueses. Pela primeira vez desde o início do século a nossa economia cresceu mais do que a média europeia, reduzindo fortemente o desemprego, permitindo-nos ter, finalmente, contas certas e melhorar a vida da maioria das famílias."

 

Será?

 

Para alguns de nós talvez venha aí um ano melhor, assim espero. Da minha parte, acho que o Pai Natal me poderia trazer um pouco de sossego nas minhas dores e um pouco de empatia daqueles que lidam comigo todos os dias. Não consigo já estar disponível para ajudar os outros como antes estava. Já não consigo ser quem era. Natal, pode ser uma época de compreensão, de entendimento e de perdão, mas o que sinto é que eu fiz e dei a minha parte e que agora deveria estar a receber dos outros essa compreensão e não... 

 

O Natal é uma mesa cheia, são embrulhos, presentes e cânticos. Mas é um dia como os outros... um dia com dores, um dia em que me custa estar bem disposta e feliz. É um dia de mesa cheia mas de lugares vazios. 

 

O Natal é também dia de trabalho. Na nossa família, somos dois a trabalhar no Natal, ora na noite de consoada, ora no próprio dia de Natal, na rua ou na Central, nós como outros como nós temos de escolher entre a nossa família (o meu filho) e o nosso trabalho. E se é um ato de amor ao próximo? Já foi... já lá vai o tempo em que eu o fazia por querer dar algo mais aos outros, por fazer a diferença naquele dia na noite de consoada de alguém. Agora é uma obrigação que me faz estar constantemente a pôr em causa, o que é que estou aqui a fazer. Este sentimento não é fácil de gerir, porque é um misto de culpa e que me faz refletir muito sobre aquilo que sou e em que me estou a tornar. E o pior é que tenho medo de passar toda esta negatividade para o meu filho. 

 

Mas hoje é Natal. Comi muito, dei mais prendas do que aquelas que recebi e isso deixa-me feliz. E há no país tantas crianças que hoje comeram tão pouco quanto ontem, ou menos...  mas diz o nosso Primeiro-ministro que o país está melhor.

 

Feliz Natal.

 

22/12/2018

Tráfico de... bebés

Um bebé não é um objeto de quem se tome posse, venda ou compre. Não é um artigo que se publicite, que se anuncie. Mas há quem ganhe dinheiro na venda de bebés. Crianças geradas no seu ventre com o fim de serem vendidas a quem mostrar interesse na sua compra. O que leva um casal a pensar que produzir e vender filhos, pode ser um negócio rentável? Ao que chega a humanidade quando se traficam os próprios bebés, que gente é esta tão sem amor?


Em dezembro do ano passado, chegou à PJ uma denúncia anónima que alertava para um esquema de tráfico de bebés. De acordo com a polícia Judiciária, os criminosos eram residentes na área do Porto e Vila do Conde, e foram "indiciados da prática de quatro crimes de tráfico de seres humanos, concretizados na alienação de crianças recém-nascidas, bem como de igual número de crimes de falsificação de documentos autênticos."


O casal responsável por este "negócio", composto por uma mulher de nacionalidade brasileira e por um homem de nacionalidade portuguesa, terá vendido quatro bebés (entre 2011 e 2017) para cidadãos portugueses residentes noutros países da União Europeia. Os bebés, nascidos e registados em Portugal, eram todos filhos biológicos da detida, enquanto a paternidade se pensa que fosse falsificada de forma a facilitar a saídas das crianças do país - ou seja, o comprador, seria o "pai" que figuraria no registo de paternidade. Crê-se que as crianças fossem mesmo geradas com o intuito de venda, as quais terão acontecido a valores bastante elevados. 


A mulher, agora detida, tem outros filhos ainda menores, quantos são não está confirmado, mas serão todos mais velhos do que os entretanto vendidos. Os vizinhos começaram a estranhar ver a mulher grávida, mas depois os bebés não apareciam. Ainda não se sabe se os partos terão ocorrido em casa ou em ambiente hospitalar, o que também levanta a questão sobre se haverão outros elementos envolvidos. 


Entre os casais que compraram estas quatro crianças - atualmente com idades entre um e sete anos - "estão cidadãos portugueses", disse o diretor PJ Porto, Norberto Martins, acrescentando que as crianças estão em países da União Europeia e que a polícia sabe onde se encontram. A investigação acredita que existia um ou mais intermediários a facilitar a venda das crianças, que chegaram a ser vendidas por cerca de 20 mil euros cada. 


Dá que pensar... qual é o preço de um bebé? De um ser humano?


 


 


Fontes:


https://www.dn.pt/pais/pj-prende-casal-suspeito-de-trafico-de-recem-nascidos-10346704.html


https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/alerta-cm--casal-detido-por-trafico-de-recem-nascidos-no-porto


https://sol.sapo.pt/artigo/639432/pj-diz-que-mae-gerava-filhos-ja-com-a-intencao-de-os-vender-mulher-lucrou-80-mil-euros


 

20/12/2018

História escondida - a chegada dos primeiros navios portugueses ao Brasil

Apesar de só na viagem de Pedro Álvares Cabral, ter sido feita a documentação da existência de uma terra a que chamaram Brasil - a verdade é que o território já tinha sido avistado "ou tocada por navios portugueses, em anos anteriores. Embora não tendo havido na época registos oficiais, em dezembro de 1498, a frota de Duarte Pacheco Pereira chegou ao Brasil. Sabe-se também que quando os termos do Tratado de Tordesilhas foram definidos em 1494, "o rei D. João II exigiu que fosse traçada mais para oeste do que tinha sido inicialmente proposto pelos castelhanos," facto que pode indiciar que o monarca já conhecia ou suspeitava "da existência de terra naquelas paragens." Em 1498, D. Manuel I, encarrega então Duarte Pacheco Pereira, cosmógrafo da sua confiança, "de uma expedição relacionada com a demarcação da linha estabelecida pelo mesmo tratado" e dois anos depois, Pacheco Pereira acompanha também Pedro Álvares Cabral na sua viagem.


Quando Cabral, em viagem para a Índia, acaba por chegar ao Brasil, foi de tal maneira apanhado de surpresa "que o capitão mandou um dos navios de regresso a Lisboa, para informar o rei do achado da nova terra." Mas porquê, se Pacheco Pereira já conhecia a existência daquelas terras?


Em 1892, é revelado “Esmeraldo de Situ Orbis”, escrito pelo próprio Duarte Pacheco Pereira (documento que foi iniciado em 1505 mas que só seria publicado 400 anos mais tarde) onde desvenda a sua chegada ao Brasil. Nestes escritos, perpassa a "emergência de uma nova época, uma nova Idade onde se enfrentam os antigos e os modernos saberes," mas têm de ser postos em confronto com um mapa de 1519 para realmente mostrarem como seria a concepção geográfica de Duarte Pacheco Pereira e o alcance que a sua viagem tinha tido. Para compreendermos, temos de olhar para a questão perante os conhecimentos da época. Camões chegou mesmo a chamá-le de "Aquiles lusitano."


"Uma das duas concepções do mundo dominantes na época," inferia que a terra rodeava todos os oceanos. Nos textos deixados por Pacheco Pereira, o que ele está "verdadeiramente a discutir quando fala desta viagem é qual a proporção entre terra e água. Ele conclui que a terra ocupa a maior parte do espaço e que a água se situa no centro. É, em termos gerais, a concepção ptolomaica do mundo."


Nesta abordagem, Duarte Pacheco pensa então que atingiu a margem dessa "terra que tudo envolve." Embora realmente ele possa lá ter chegado, a descoberta não foi documentada como tal e, só se considera como registo da primeira viagem de descobrimento do Brasil, a "carta de Pêro Vaz de Caminha a D. Manuel I," no ano de 1500, a par também "das cartas de Mestre João e do chamado Piloto Anónimo." Na época, Portugal estava mais virado para a exploração das rotas do Oriente e o Brasil não era a sua prioridade, mas sim "um destino secundário para as navegações portuguesas."


Em 1508, Pacheco Pereira "interrompe a redacção da sua obra," quando lhe é incumbida a tarefa de "vigiar a costa portuguesa" e "o estreito de Gibraltar."


Em 1519, chega mesmo a ser "nomeado capitão da fortaleza da Mina," mas acaba por vir preso para o reino, por motivos desconhecidos.


Fontes:


https://ensina.rtp.pt/artigo/a-partida-de-pedro-alvares-cabral-para-descobrir-o-brasil/


https://www.infopedia.pt/artigos/$duarte-pacheco-pereira


CARVALHO, Frederico CarvalhoFrederico Carvalho, entrevista, in: https://www.publico.pt/2012/10/14/jornal/o-caso-pacheco-pereira-25408499


VALENTIM, Carlos Manuel, in: http://cvc.instituto-camoes.pt/navegaport/g24.html


 


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...