Hoje o país foi votar e, tal como era anunciado pelas muitas sondagens que foram apresentadas nos últimos dias, António José Seguro e André Vaentura passam à segunda volta. Em causa está o lugar mais alto da nação, o cargo de Presidente da República. Depois de se terem confirmado os dois candidatos que passam à segunda volta, começam a manifestar-se os interesses de voto para ambos os lados. Ainda as urnas não se tinham fechado e já se perspetivava que a segunda volta seria disputada por estes dois candidatos: um da esquerda democrática, o outro da extrema direita. Estas eleições ficaram desde logo marcadas pela grande afluência às urnas e pela diminuição dos números da abstenção.
Desde logo, Seguro que não tinha sido inicialmente apoiado pelo PS, começa agora a receber apoios e votos de confiança de figuras como José Luís Carneiro, Catarina Martins, ou José Manuel Pureza. Também Jorge Pinto, Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes, do Livre, e o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, referem que vão dar o seu apoio a Seguro. Paulo Raimundo diz mesmo que o seu "voto no candidato António José Seguro não significa um apoio ao candidato António José Seguro e àquilo que ele defendeu enquanto candidato e o que tem defendido ao longo da sua atividade política, mas significa a vontade imperiosa de derrotar o candidato André Ventura e é isso que estará, fundamentalmente, em causa nestas eleições."
Nem Cotrim, nem o Primeiro-ministro Luís Montenegro, recomendam ou endossam o seu voto para esta segunda volta, o que nos deixa com algumas questões. Se por um lado, nada os obriga a dizer em quem vão votar, por outro a não escolha pode significar uma virada ao extremismo que, se virmos bem as coisas, não tem sido descartado por estes políticos. Cotrim havia até referido, uns dias antes das eleições que poderia votar em Ventura, o que mesmo tendo sido um lapso, não deixa de ser um ponto a considerar. Do lado dos liberais e contrariamente à opinião manifestada por Cotrim de Figueiredo, tanto José Miguel Júdice, como Mário Amorim Lopes, afirmam votar em Seguro. Já do lado do PSD e, contrariamente à opinião de Luís Montenegro, Miguel Poiares Maduro e Pedro Duarte (autarca do Porto) já vieram manifestar-se a favor de apoiar Seguro, pois a outra candidatura seria impensável num país que se quer democrático.
Já o líder do Chega, André Ventura, "considera ainda que só perderá a segunda volta das eleições presidenciais por egoísmo do PSD, da Iniciativa Liberal ou de outros partidos que se dizem de direita". Desde logo, Ventura começou por se dizer líder da direita nacional e que Os seus atos e declarações foram, para quem os observou bem, cheios de simbolismos: a Família, a postura da esposa ao seu lado, a saída da igreja onde tinha ido assistir à missa... e é nesse momento que apela a um “radicalismo de convicções” contra "o fim dos valores cristãos." E quem for de direita sem ser cristão? É que estamos num país que ainda, ao que sei, é laico... estranho, não é? O mesmo candidato que uns dias antes, tinhe referido a “matriz cristã” do país, condenando a “imigração descontrolada” que deixou o país “dilacerado” e destruído” e que havia terminado as suas declarações, defendendo uma liderança “com radicalismo de convicções”.
Na minha opinião, o voto é livre e deve ser feito em consciência. Temos agora alguns dias para ponderar em qual dos dois candidatos queremos votar, mas não nos devemos esquecer que estamos a eleger o maior representante do país. Cá dentro, mas sobretudo, lá fora. Queremos alguém impulsivo, ou ponderado? Queremos moderação e estabilidade, ou mudança a mascarar os extremismos? Exerçam o vosso voto de forma consciente - vão ser cinco anos.
E sim, já perceberam em quem é que vai recair o meu voto.
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